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8.3.23

Desemprego estabiliza na Europa, Portugal já está entre os cinco piores

Rita Robalo Rosa,  in Expresso

A taxa de desemprego estabilizou na União Europeia, mas com a subida em janeiro em Portugal, o país tem agora a quinta taxa mais alta. Espanha lidera com uma taxa de desemprego de 13%A taxa de desemprego em janeiro de 2023 fixou-se em 6,7% na zona euro e em 6,1% na União Europeia (UE), o que representa uma redução face a janeiro de 2022 (6,9% e 6,3%, respetivamente). Face a dezembro o desemprego estabilizou em ambos os casos, indicam os dados do Eurostat divulgados esta quinta-feira. Portugal tem, contudo, dos níveis de desemprego mais elevados.

O gabinete estatístico europeu “estima que 13.227 milhões de homens e mulheres na UE, dos quais 11.288 milhões na zona euro, estavam desempregados em janeiro de 2023”. Ou seja, menos 318 mil pessoas na UE e 220 mil na zona euro na variação homóloga.

Relativamente ao género, a taxa de desemprego é maior nas mulheres que nos homens, e nos homens ela até desceu em relação a dezembro. Assim, no mês em análise, a taxa de desemprego das mulheres era de 6,5% na UE e a dos homens era de 5,7%.

No caso do emprego jovem parece estar novamente a recuperar. Se nos últimos meses tinha subido, em janeiro a taxa de desemprego entre os jovens (menos de 25 anos) desceu na UE tendo atingido os 14,4% (14,5% em dezembro). Por outro lado, na zona euro subiu de 14,3% para 14,4%, mas tem de se ter ainda em conta de que os dados passaram a incluir a Croácia (que entrou na zona euro apenas em janeiro de 2023).

Portugal tem das taxas de desemprego mais elevadas

Em janeiro, Espanha registou novamente a taxa de desemprego mais elevada da UE (13%, o mesmo que em dezembro), seguindo-se a Itália e o Chipre (7,9% e 7,4%, respetivamente). Contudo, não há ainda dados da Grécia que, em dezembro, tinha uma taxa de 11,6%.

Portugal tem a quinta taxa de desemprego mais elevada (7,1%), e fica acima da média europeia. Portugal tem a mesma taxa que a Finlândia e a França.

Em sentido inverso, a taxa de desemprego mais baixa é encontrada na Chéquia (2,5%), seguida da Polónia (2,8%).

Taxa de desemprego recua e fixa-se nos 6,7% na zona euro em janeiro

Por Lusa,  in RTP

A taxa de desemprego fixou-se nos 6,7% na zona euro e 6,1% na União Europeia (UE) em janeiro, estável face a dezembro, mas abaixo dos valores registados no mês homólogo, divulgou hoje o Eurostat.

Na zona euro, a taxa de desemprego recuou para os 6,7%, em janeiro, face aos 6,9% do mesmo mês de 2022, tendo-se mantido estável na comparação com o mês anterior.

Na UE, o desemprego foi de 6,1% no primeiro mês do ano, taxa que se compara com os 6,3% homólogos, mas sem ter registado qualquer alteração quando comparada com a de dezembro de 2022.

De acordo com o serviço estatístico europeu, em janeiro, havia 13,227 milhões de pessoas desempregadas na UE, das quais 11,288 na zona euro.

Espanha (13%) registou, em janeiro, a maior taxa de desemprego entre os Estados-membros, seguida da Itália (7,9%) e Chipre (7,4%) e as menores na República Checa (2,5%), a Alemanha e Malta (3,0%).

Em Portugal, o desemprego foi de 7,1%, em janeiro.

17.2.23

Taxa de desemprego na OCDE mantém mínimo histórico pelo sexto mês consecutivo

Rita Robalo Rosa, in Expresso

A taxa de desemprego no conjunto dos países da OCDE fixou-se em 4,9% em dezembro, com 33,9 milhões de desempregados. É o sexto mês em mínimos

A taxa média de desemprego nos 38 países que compõem a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) manteve-se, pelo sexto mês consecutivo, em mínimos históricos, ao fixar-se nos 4,9% em dezembro, de acordo com dados da organização divulgados esta terça-feira.

A taxa de 4,9%, igual desde junho, é a taxa mais baixa desde que estes dados são recolhidos pela organização (desde 2001). No entanto, como sublinha a OCDE, há grandes diferenças entre os 38 membros.

Por exemplo, nove países, incluindo Canadá, França, Alemanha e Estados Unidos, estão próximos dos mínimos históricos neste indicador. No geral, na União Europeia e na zona euro a taxa de desemprego manteve-se em níveis mínimos históricos, de 6,1% e 6,6%, respetivamente, sendo que este indicador caiu “em mais de 70% dos países da zona euro, com o maior declínio observado na Áustria”.

Fora da Europa, além da queda registada no Canadá e Estados Unidos, o desemprego estabilizou na Austrália, Japão e México. Todavia, aumentou na Colômbia, Israel, Coreia e Turquia.

Se olharmos para dados ainda mais recentes, de janeiro, o desemprego estabilizou no Canadá e voltou a cair nos Estados Unidos para um novo recorde (3,4%).

De recordar que, em Portugal, o Instituto Nacional de Estatística estimou que a taxa de desemprego de dezembro tenha subido para os 6,7% em dezembro, acima da média europeia e da média da OCDE.

A taxa média de desemprego nos 38 países que compõem a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) manteve-se, pelo sexto mês consecutivo, em mínimos históricos, ao fixar-se nos 4,9% em dezembro, de acordo com dados da organização divulgados esta terça-feira.

A taxa de 4,9%, igual desde junho, é a taxa mais baixa desde que estes dados são recolhidos pela organização (desde 2001). No entanto, como sublinha a OCDE, há grandes diferenças entre os 38 membros.

Por exemplo, nove países, incluindo Canadá, França, Alemanha e Estados Unidos, estão próximos dos mínimos históricos neste indicador. No geral, na União Europeia e na zona euro a taxa de desemprego manteve-se em níveis mínimos históricos, de 6,1% e 6,6%, respetivamente, sendo que este indicador caiu “em mais de 70% dos países da zona euro, com o maior declínio observado na Áustria”.

Fora da Europa, além da queda registada no Canadá e Estados Unidos, o desemprego estabilizou na Austrália, Japão e México. Todavia, aumentou na Colômbia, Israel, Coreia e Turquia.

Se olharmos para dados ainda mais recentes, de janeiro, o desemprego estabilizou no Canadá e voltou a cair nos Estados Unidos para um novo recorde (3,4%).

De recordar que, em Portugal, o Instituto Nacional de Estatística estimou que a taxa de desemprego de dezembro tenha subido para os 6,7% em dezembro, acima da média europeia e da média da OCDE.

No geral, no conjunto dos países da OCDE, havia 33,9 milhões de desempregados, o nível mais baixo desde o início da série, sendo que o número de desempregados atingiu um mínimo recorde na Polónia, Eslovénia e Estados Unidos.

Por sexo, a taxa de desemprego estabilizou em ambos os casos: 5,2% para as mulheres e 4,7% no caso dos homens.

9.2.22

Taxa de desemprego na OCDE caiu para 5,4% em dezembro de 2021

Por Clara Maria Oliveira com agências, in TSF

Dados revelados pela OCDE demonstram que o desemprego em Portugal desceu para 5,9% em dezembro de 2021.

A taxa de desemprego nos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) caiu pelo oitavo mês consecutivo, com o mês de dezembro de 2021 a registar 5,4% de desempregados. Em relação ao mês anterior, a taxa desceu 0,1% e, quando comparado com dados pré-pandemia causada pela Covid-19, está 0,1% acima da marca de fevereiro de 2020.

Segundo dados revelados esta terça-feira pela OCDE, em dezembro de 2021, o número de desempregados na área também desceu em 0,7 milhões de pessoas, com um total de 36,1 milhões de desempregados, mas ainda 0,5 milhões acima dos níveis pré-pandemia.

Na zona euro, o desemprego também desceu pelo oitavo mês consecutivo, para 7.0%, menos 0,1% em relação a novembro. Em Portugal, a descida foi superior, com uma descida para os 5.9%, com uma tendência de queda em relação aos 6,3% registados em novembro de 2021.



Fonte: OCDE

Em dezembro, a taxa de desemprego na OCDE desceu nas mulheres (desceu 5.6%, de 5.7% em novembro) e nos homens (desceu para 5.2%, de 5.3%). Nos jovens trabalhadores, entre os 15 e os 24 anos, a taxa desceu a um ritmo mais elevado (desceu para 11.5%, de 11.8% em novembro) do que nos trabalhadores acima dos 25 anos (descendo para 4.6% após 4.7% em novembro).

Portugal também está entre os países que têm uma taxa de desemprego inferior a fevereiro de 2020. Além dos portugueses, a Austrália, Chile, França, Islândia, Itália, Lituânia, Luxemburgo, Países Baixos, Nova Zelândia, Espanha e Turquia são os países com a tendência fora da média.

Durante o mesmo mês, a taxa de desemprego entre os mais jovens da zona euro caiu 0,5 pontos percentuais (para 14,9%, contra 15,4%).

Em dezembro, a taxa de desemprego caiu 0,3 pontos percentuais ou mais na Austrália (para 4,2%, contra 4,6% em novembro), Colômbia (para 12,6%, contra 13,0%), e Estados Unidos (para 3,9%, contra 4,2%).

A OCDE precisa que a taxa diminuiu 0,1 pontos percentuais no Canadá (para 6,0%) e Japão (para 2,7%), mas aumentou 0,1 pontos percentuais no México (para 3,9%) e 0,7 pontos percentuais na Coreia do Sul (para 3,8%).

Dados mais recentes mostram que a taxa de desemprego aumentou 0,5 pontos percentuais no Canadá (para 6,5%) em janeiro de 2022 e 0,1 pontos percentuais nos Estados Unidos (para 4,0%).

A OCDE sublinha que "é de notar que a taxa de desemprego esconde a extensão da procura de mão-de-obra não satisfeita, uma vez que algumas pessoas não empregadas podem estar 'fora da força de trabalho', e, portanto, não abrangidas pela taxa de desemprego, ou porque não estão ativamente à procura de emprego ou porque não estão disponíveis para trabalhar".

10.1.22

Taxa de desemprego desce e fica nos 6,3% em novembro

in RTP

A taxa de desemprego voltou a descer. Em novembro foi de 6,3%, menos uma décima do que em outubro. A população empregada está em máximos históricos.

3.11.21

Taxa de desemprego em setembro "é a mais baixa dos últimos 20 anos", diz ministra

in RTP

A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, disse hoje que a taxa de desemprego em setembro "é a mais baixa dos últimos 20 anos", salientando a resposta "diferente" dada na crise pandémica face às anteriores.

Ana Mendes Godinho comentava assim, em declarações à Lusa, os dados divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), que indicam que a taxa de desemprego em setembro foi de 6,4%, uma redução homóloga de 1,6 pontos percentuais (p.p.) e um aumento de 0,1 p.p. face ao mês anterior.

"Os resultados que hoje o INE divulgou apontam para uma taxa de desemprego em setembro que é a mais baixa dos últimos 20 anos. É claramente um bom sinal do ponto de vista da capacidade da criação de emprego, mas também da manutenção do emprego e que é fruto desta forma como coletivamente encontrámos resposta à pandemia, de uma forma diferente de crises anteriores", sublinhou.

Para Ana Mendes Godinho, as medidas de apoio ao emprego "mostraram que, de facto, há formas diferentes de responder a uma crise e que dão resultados, nomeadamente uma taxa de desemprego de 6,4% que é uma taxa inferior a setembro de 2019, altura antes da pandemia".

Os dados indicam que com "as medidas de política ativa pública de apoio ao emprego é possível ultrapassar fases difíceis, não atingindo taxas de desemprego de 18% como na crise anterior", reforçou a governante.

A ministra destacou ainda que os números do emprego "têm apontado para a estabilização e uma melhoria da taxa de desemprego nos últimos meses, de uma forma consecutiva" e referiu que a taxa de desemprego em Portugal é inferior à da média europeia.

"Estamos no `top` 4 dos países com maior capacidade de recuperar em termos de taxa de desemprego pós pandemia, o que também resulta desta mobilização de recursos sem precedentes que tem sido feita no apoio ao emprego e no apoio à criação de emprego e também do esforço coletivo que todos temos assumido como sociedade, de colocar o emprego como uma prioridade máxima", afirmou Ana Mendes Godinho.

A governante indicou ainda que está para breve o lançamento do Programa Compromisso Emprego Sustentável, medida no valor de 230 milhões, prevista no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para apoio à criação de emprego jovem permanente e não precário.

A taxa de desemprego subiu, em setembro, para 6,4%, um aumento de 0,1 pontos percentuais (p.p.) face a agosto, mas ainda assim uma redução homóloga de 1,6 p.p., revelou hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE).

Em comunicado, a entidade indicou que "a taxa de desemprego situou-se em 6,4%, mais 0,1 p.p. do que no mês precedente, menos 0,4 p.p. do que três meses antes e menos 1,6 p.p. do que um ano antes".

As estimativas do INE apontam ainda para que a população empregada (4.817,8 mil) tenha diminuído em "0,3% em relação a agosto" e aumentado "0,3% relativamente a junho e 3,7% relativamente a setembro de 2020".

Por outro lado, "a população desempregada (331,3 mil) aumentou 1,9% em relação ao mês precedente e diminuiu 6,0% relativamente a três meses antes e 18,2% em relação ao mês homólogo", lê-se na mesma nota.

Taxa de desemprego sobe para 6,4% em setembro face a agosto

in DN

As estimativas do INE apontam ainda que a população empregada tenha aumentado 3,7% relativamente a setembro do ano passado.

Ataxa de desemprego subiu, em setembro, para 6,4%, um aumento de 0,1 pontos percentuais (p.p.) face a agosto, mas ainda assim uma redução homóloga de 1,6 p.p., revelou esta terça-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE).

Em comunicado, a entidade indicou que "a taxa de desemprego situou-se em 6,4%, mais 0,1 p.p. do que no mês precedente, menos 0,4 p.p. do que três meses antes e menos 1,6 p.p. do que um ano antes".

As estimativas do INE apontam ainda para que a população empregada (4.817,8 mil) tenha diminuído em "0,3% em relação a agosto" e aumentado "0,3% relativamente a junho e 3,7% relativamente a setembro de 2020".

Por outro lado, "a população desempregada (331,3 mil) aumentou 1,9% em relação ao mês precedente e diminuiu 6,0% relativamente a três meses antes e 18,2% em relação ao mês homólogo", lê-se na mesma nota.

De acordo com o INE, no mesmo período, "a população ativa (5.149,2 mil) diminuiu 0,2% em relação ao mês anterior e 0,1% relativamente a três meses antes, tendo aumentado 1,9% em relação ao mês homólogo de 2020".

Por outro lado, "a população inativa (2.530,2 mil) aumentou em relação a agosto de 2021 (0,4%) e a junho do mesmo ano (0,3%), tendo diminuído em relação a setembro de 2020 (3,1%)".

Ainda segundo a estimativa do INE, a taxa de subutilização de trabalho "situou-se em 12,0%, valor inferior aos dos três períodos de comparação, em 0,3 p.p., 0,8 p.p. e 3,4 p.p., respetivamente".

O instituto revelou ainda que em agosto de 2021 "inverteu-se a tendência de crescimento da população ativa iniciada em fevereiro desse ano, situação reforçada em setembro de 2021".

"Em setembro de 2021, a população desempregada registou um aumento, o que não acontecia desde maio do mesmo ano. Apesar da população inativa se encontrar nos valores mais baixos dos últimos 10 anos, tem vindo a aumentar desde o valor mínimo observado em julho de 2021", salientou o INE, no mesmo comunicado.

O instituto referiu ainda que, em setembro de 2021, "a subutilização do trabalho atingiu o valor mais baixo (639,7 mil) desde o início da série em 2011".

31.8.21

Taxa de desemprego recua para 6,6% em julho. Há 341 mil desempregados

Cátia Mateus, in Expresso

INE contabiliza 341 mil desempregados no sétimo mês do ano. Número corresponde a uma descida de 3,3% em relação ao mês anterior e de 15,7% face ao mesmo mês de 2020. A população empregada aumentou em julho 0,8% (39,5 mil), para 4,84 milhões de pessoas

O desemprego em Portugal voltou a recuar em julho. Os dados divulgados esta terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) ainda são provisórios, mas sinalizam uma nova diminuição da taxa de desemprego para 6,6%, menos 0,2 pontos percentuais do que o registado em junho e menos 1,5 pontos percentuais (p.p.) do que o apurado no mesmo mês do ano passado.

No sétimo mês do ano, a população desempregada recuou 3,3% em cadeia, para 341 mil pessoas, enquanto a população empregada cresceu 0,5%, para 4,84 milhões de pessoas. Taxa de subutilização do trabalho voltou a recuar para os 12,5%.

"Em julho de 2021, a população desempregada, estimada em 341 mil pessoas, diminuiu 3,3% (11,6 mil) em relação ao mês anterior, 3,7% (13 mil) relativamente a três meses antes e 15,7% (63,7 mil) por comparação com o período homólogo de 2020", sinalizam os dados provisórios da estatística do INE que fixa a taxa de desemprego em julho nos 6,6%, valor que fica 0,2 p.p. abaixo do verificado em junho e 1,5 p.p. face a julho de 2020.

Num movimento inverso, a população empregada aumentou em julho 0,8% (39,5 mil), para 4,84 milhões de pessoas. Uma evolução positiva que representa um crescimento homólogo de 5,2% (238,2 mil). Assim, "a taxa de emprego situou-se em 63,1%, tendo aumentado 0,5 p.p. em relação ao mês anterior, 1,7 p.p. relativamente a abril de 2021 e 3 p.p. por comparação com um ano antes", clarifica o INE.

Já no que toca à população ativa, a estimativa do INE aponta para que em julho este grupo tenha registado um aumento de 0,5% (27,9 mil) face a junho, agregando um universo de 5,18 milhões de pessoas, mais 3,5% (174,5 mil) quando comparado com o mês homólogo.

A merecer destaque está também o indicador relativo à subutilização do trabalho, que agrega além dos desempregados também os trabalhadores a tempo parcial que gostariam de trabalhar mais horas, os inativos disponíveis para trabalhar, mas que não procuram ativamente emprego e os inativos que procuram emprego, mas não estavam disponíveis no imediato para aceitar uma vaga. Também aqui se verificou uma descida, à semelhança do que vem acontecendo nos últimos meses.

Segundo o INE, "em julho de 2021, a subutilização do trabalho situou-se em 668 mil pessoas, o que corresponde a um decréscimo de 2,4% (16,3 mil) em relação a junho de 2021, de 1,9% (12,6 mil) relativamente a abril de 2021 e de 19,4% (161,3 mil) por comparação com julho de 2020". Assim, a taxa de subutilização do trabalho estimada para julho é de 12,5%, representando uma diminuição de 0,3 p.p em cadeia e de 3,2 p.p. homóloga.

Na síntese estatística divulgada esta terça-feira, o organismo nacional de estatística reviu ainda em baixa a estimativa da taxa de desemprego avançada para junho. A correção agora publicada coloca a taxa nacional de desemprego, inicialmente estimada em 6,9% nos 6,8%, correspondendo a uma redução em cadeia de 0,2 pontos percentuais e homóloga de 0,7 pontos percentuais. Já a taxa de subutilização do trabalho foi revista em alta. Junho fechou com 12,8%, mais 0,1 p.p. do que a estimativa inicial do INE avançava.







12.8.21

Desemprego com aumento homólogo no 2º trimestre estimado em 6,7% mas cai face ao anterior

in o Observador

A população desempregada, "estimada em 345,7 mil pessoas, diminuiu 4,0% (14,4 mil) em relação ao trimestre anterior e aumentou 24,2% (67,3 mil) relativamente trimestre homólogo", destacou o INE.

A taxa de desemprego do segundo trimestre deste ano “foi estimada em 6,7%, valor inferior em 0,4 pontos percentuais (p.p.) ao do trimestre anterior”, tendo, no entanto, aumentado 1 p.p. em relação ao período homólogo, segundo o INE.

De acordo com as estatísticas do emprego referentes ao segundo trimestre de 2021, publicadas esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), “a taxa de desemprego foi estimada em 6,7%, valor inferior em 0,4 pontos percentuais (p.p.) ao do trimestre anterior e superior em 1,0 p.p. ao do trimestre homólogo de 2020 e em 0,3 p.p. ao do 2.º trimestre de 2019″.

O INE destacou ainda que a população desempregada, “estimada em 345,7 mil pessoas, diminuiu 4,0% (14,4 mil) em relação ao trimestre anterior e aumentou 24,2% (67,3 mil) relativamente trimestre homólogo, o primeiro abrangido por uma declaração de estado de emergência”.

8.6.21

Taxa de desemprego cai em março para 6,6% em cadeia mas sobe em termos homólogos

in o Observador

Em março, população desempregada diminuiu 3% em relação a fevereiro de 2021, tendo aumentado 4,9% por comparação com março de 2020, segundo o Instituto Nacional de Estatística

A taxa de desemprego foi de 6,6% em março, menos 0,2 pontos percentuais face a fevereiro e mais 0,3 pontos percentuais em termos homólogos, segundo o INE, que estima uma subida para 6,9% em abril.

De acordo com as “Estimativas Mensais de Emprego e Desemprego” divulgadas esta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), em março, população desempregada diminuiu 3% em relação a fevereiro de 2021, tendo aumentado 4,9% por comparação com março de 2020.

A taxa de desemprego, segundo o conceito da Organização Internacional do Trabalho (OIT), situou-se em 6,6%, menos 0,2 pontos percentuais em relação ao mês anterior e mais 0,3 pontos percentuais do que um ano antes.

3.5.21

Cimeira Social. Formar anualmente 60% dos adultos é "exigente, mas fazível"

in o Observador

Para o presidente do Instituto de Emprego e Formação Profissional, garantir que 60% dos adultos participam anualmente em ações de formação "é ambiciosa e exigente, mas fazível".

O presidente do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) considera que a meta europeia de garantir que 60% dos adultos participem anualmente em ações de formações, até 2030, é “ambiciosa e exigente, mas fazível”.

Em entrevista à Lusa, a propósito da Cimeira Social, agendada para 7 de maio, no quadro da presidência portuguesa do Conselho da União Europeia (UE), António Valadas da Silva não tem dúvidas de que “Portugal estará seguramente na linha da frente para contribuir” para se atingir a meta que integra o plano de ação sobre o Pilar Europeu dos Direitos Sociais, apresentado pela Comissão Europeia em março.

“Não se pode deixar de ser ambicioso e exigente”, frisou, considerando que a meta da formação – que acompanha outras duas grandes metas, a do emprego e a da redução da pobreza – é “instrumental” para a empregabilidade e a inclusão social.

“Espero, aliás, que possamos atingir [a meta] mesmo antes de 2030. Penso que estamos bem situados”, acredita, reconhecendo que “há todo um investimento a fazer no âmbito da educação e da formação de adultos”, nomeadamente em “instalações, equipamentos”.

Outro aspeto que exige “investimento” é o da “qualidade da formação”, nomeadamente no que respeita à certificação. “Têm sido dados passos muito importantes nessa matéria”, assevera.

O presidente do IEFP – que executa as políticas decididas pelo Governo em matéria de emprego e formação profissional e tem centros espalhados por todo o país – admite que, “não obstante os progressos, e é preciso reconhecer que têm sido feitos enormes progressos, continuamos a ter um défice de qualificações da nossa população ativa face àquilo que é a média da União Europeia”.

Ora, essa realidade “acaba por se refletir depois no ajustamento e na empregabilidade das pessoas”, assinala, notando que as empresas têm dado sinais de perceberem as vantagens de retiram da qualificação dos seus trabalhadores.

Às que não cumprem a lei, Valadas da Silva recorda que o Código do Trabalho prevê o direito subjetivo à formação profissional.

O responsável recorda “cinco décadas de investimento contínuo, naturalmente com alguns recuos, na educação e formação de adultos” em Portugal, para garantir “a preocupação” das autoridades nacionais em “colmatar um défice, que é um défice estrutural”.

Valadas da Silva reconhece que o “atavismo” relativamente à educação das pessoas “persiste ainda” e é “porventura um dos legados mais pesados que herdámos da própria ditadura”.

O presidente do IEFP – apenas “um dos operadores de formação” existentes – salienta que a sociedade do conhecimento assenta na qualificação e requalificação das pessoas e, portanto, “é absolutamente imprescindível que se faça um esforço importante no sentido de capacitar as pessoas”.

Realçando que a pandemia acelerou a “transição ecológica e digital”, Valadas da Silva mencionou que o IEFP conseguiu, “em tempo recorde”, formar “cerca de quatro mil formadores” para darem formação a distância e “readaptou cerca de 700 conteúdos para apoiar” esse formato imposto pelos sucessivos confinamentos.

A capitação das pessoas para 2030 é absolutamente fundamental para que consigamos operar, e incluir essas pessoas, numa sociedade que vai ser uma sociedade transformada, em empregos que naturalmente serão diferentes daqueles que conhecemos hoje”, frisa.

O Pilar Europeu dos Direitos Sociais define 20 princípios e direitos fundamentais para a equidade e o bom funcionamento dos mercados de trabalho, estruturados em torno de três capítulos: igualdade de oportunidades e acesso ao mercado de trabalho, condições de trabalho justas e proteção e inclusão sociais.

O plano de ação, apresentado pela Comissão Europeia em março, estabelece três metas principais, a atingir até 2030, ao nível europeu: uma taxa de emprego de pelo menos 78%, pelo menos 60% dos adultos a participarem anualmente em formação e a redução em 15 milhões do número de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social.

A Cimeira Social é apresentada como um momento central da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia, que termina a 30 de junho, e contará com dois eventos-chave: uma conferência de alto nível, com participação alargada, e uma reunião informal de líderes, a convite do presidente do Conselho Europeu.

Adultos já recuperaram emprego, mas jovens ainda estão longe disso

Tiago Varzim, in EcoOnline

A taxa de desemprego de 6,5% em março surpreendeu até o Governo, mas esconde duas realidades muito diferentes: os adultos já recuperaram o nível do emprego enquanto os jovens ainda estão longe disso.

A taxa de desemprego atingiu em março deste ano o valor mais baixo desde maio, recuperando quase na totalidade o impacto provocado pela crise pandémica. Este é um número inesperado perante o segundo confinamento, até pelo próprio Governo, e que poderá levar a uma revisão em baixa da previsão anual inscrita no Programa de Estabilidade (7,3%).

Contudo, há duas realidades completamente diferentes no mercado de trabalho em Portugal: por um lado, o emprego dos adultos, que tendem a ter maior segurança pelo tipo e duração do contrato, já recuperou o nível que tinha antes da crise pandémica; por outro lado, o emprego dos jovens entre os 16 e os 24 anos, que tendem a ser mais precários, não recuperou e atingiu em março o valor mais baixo desde 2013.

O número de jovens empregados baixou em 59,8 mil pessoas (valores ajustados de sazonalidade) quando se compara março de 2021 com fevereiro de 2020, o último mês com a atividade económica normalizada. Antes da Covid-19, havia 299 mil jovens entre os 16 e os 24 anos a trabalhar, o que compara com 239,2 mil em março deste ano. Ainda assim, este nem foi o pior mês: em junho de 2020 havia apenas 235,9 mil jovens empregados, o valor mais baixo desde 2013, durante a crise anterior.

Já nos adultos, que vão dos 25 aos 74 anos, a população empregada até subiu em 4,5 mil pessoas, passando de 4.457,3 milhares de pessoas em fevereiro do ano passado para 4.461,8 milhares de adultos empregados em março deste ano. Ou seja, o emprego adulto não só recuperou como já superou o valor registado imediatamente antes da pandemia e tal aconteceu num período marcado pelo segundo confinamento.


Na ótica do desemprego, a conclusão é semelhante. A taxa de desemprego dos adultos baixou para 5,4% em março de 2021, melhor do que os 5,6% registados em fevereiro de 2020. Em alguns meses do ano passado essa taxa foi ainda menor, mas tal esteve relacionado com o aumento significativo dos inativos por causa das restrições à mobilidade, o que baixou o número de desempregados (é preciso estar ativamente à procura de emprego para se ser considerado desempregado).

Pandemia destruiu quase 99 mil empregos num ano

No caso dos jovens, a taxa de desemprego em março de 2021 era de 23%, bem acima dos 18,7% registados em fevereiro de 2020. E a diferença já foi maior quando atingiu os 27,8% em junho do ano passado quando o número de desempregados jovens atingiu os 90,7 mil, tendo aliviado nos meses seguintes até aos 71,4 mil em março deste ano.

Contudo, como mostram os números dos postos de trabalho, estes menos quase 20 mil desempregados não o deixaram de ser porque conseguiram um emprego. Na verdade, essa evolução da taxa de desemprego reflete a passagem de uma parte significativa dos jovens nessa idade (cerca de 50 mil em comparação com o ano passado) da população ativa para a inatividade por causa da pandemia. A população inativa jovem subiu dos 630 mil há um ano para 681 mil em março.
João Leão admite revisão da taxa de desemprego em 2021

No debate sobre o Programa de Estabilidade 2021-2025 esta quinta-feira no Parlamento, o ministro das Finanças, João Leão, admitiu que a taxa de desemprego anual de 2021 pode ficar abaixo dos 7,3% estimados pelo Governo no Programa de Estabilidade 2021-2025. “Olhe para a taxa de desemprego: 6,5%”, disse, respondendo a Afonso Oliveira (PSD), para depois acrescentar que “provavelmente até vai ficar, no cômputo do ano, abaixo do que temos no nosso Programa de Estabilidade”.

Esta expectativa surge após o Instituto Nacional de Estatística (INE) ter adiantado que a taxa ficou nos 6,5% em março, surpreendendo pela positiva o Ministério das Finanças: “A taxa de desemprego anunciada hoje pelo INE [Instituto Nacional de Estatística] está em valores muito abaixo do que eram expectáveis”, reconheceu. Para o ministro esta é a medida de “eficácia” dos apoios do Governo, algo que repetiu diversas vezes durante o debate.

Leão admite que desemprego pode ficar abaixo dos 7,3% previstos para este ano.

Tiago Varzim, in EcoOnline

O Governo vai apresentar o Programa de Estabilidade 2021-2025 e responder às questões dos deputados. Há três partidos com projetos de resolução sobre o documento.

Com um crescimento do PIB de 4% este ano e um défice orçamental de 4,5% do PIB, o Programa de Estabilidade 2021-2025 entregue a 15 de abril perspetiva o que serão os próximos anos de retoma pós-pandemia com a economia a expandir 4,9% em 2022, recuperando totalmente da Covid-19. Esta é a esperança do Governo com base no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e a continuação do processo de vacinação. Contudo, os partidos têm dúvidas com o PSD, CDS e PCP a apresentar projetos de resolução onde tecem críticas ao documento do Executivo. Esta quinta-feira deu-se o confronto entre o Executivo e os deputados e, apesar de o Programa de Estabilidade não ter de ser votado, é expectável que haja divisão entre as bancadas parlamentares.

No debate, o ministro das Finanças, João Leão, admitiu que a taxa de desemprego anual de 2021 pode ficar abaixo dos 7,3% estimados pelo Governo no Programa de Estabilidade 2021-2025. Esta expectativa surge após o Instituto Nacional de Estatística (INE) ter adiantado que a taxa ficou nos 6,5% em março, surpreendendo pela positiva o Ministério das Finanças: “A taxa de desemprego anunciada hoje pelo INE [Instituto Nacional de Estatística] está em valores muito abaixo do que eram expectáveis”, reconheceu.

Desemprego cai para 6,5%. Está em mínimos de maio de 2020

“Olhe para a taxa de desemprego: 6,5%”, disse, respondendo a Afonso Oliveira (PSD), para depois acrescentar que “provavelmente até vai ficar, no cômputo do ano, abaixo do que temos no nosso Programa de Estabilidade“. Para o ministro esta é a medida de “eficácia” dos apoios do Governo, algo que repetiu diversas vezes durante o debate.

3.3.21

Taxa de desemprego aumentou para 7,2% em janeiro, estima INE

Inês Pinto Miguel, in Económico

Embora em termos homólogos a taxa de desemprego aumentou 0,4 p.p., mas manteve-se 0,3 p.p. abaixo face a outubro de 2020.

A taxa de desemprego fixou-se nos 7,2% em janeiro, mais 0,4 pontos percentuais acima do que em dezembro de 2020, segundo a estimativa mensal relativa ao emprego e desemprego, divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), esta quarta-feira, 3 de março.

Embora em termos homólogos a taxa de desemprego aumentou 0,4 p.p., mas manteve-se 0,3 p.p. abaixo face a outubro de 2020.

Assim, face ao mês de dezembro, a população empregada em janeiro diminuiu 1,7% e, relativamente aos três meses anteriores, decresceu 2%. Face ao período homólogo de 2020, a população empregada diminuiu 3,5%.

A estimativa provisória da população empregada calculada pelo INE correspondeu a 4.687,2 mil pessoas, menos 79,0 mil pessoas relativamente a dezembro de 2020. “A taxa de emprego situou-se em 60,2%, valor inferior em 1 p.p. ao do mês anterior, em 1,3 p.p. ao de
outubro de 2020 e em 2,2 p.p. em relação ao período homólogo de 2020”, indicam os dados.


Por sua vez, a população desempregada aumentou 4,2% face ao mês precedente e 2,7% face ao período homólogo, “tendo diminuído 6,6% relativamente a três meses antes (outubro de 2020)”, indica o INE.

Segundo a estimativa do gabinete estatístico, a população desempregada situou-se em 361,5 mil pessoas. Estima-se que a taxa de desemprego nos jovens se tinha situado em 24,6%, correspondendo a um acréscimo de 0,9 p.p. relativamente à taxa de dezembro de 2020, enquanto a taxa de desemprego nos adultos foi estimada em 6%, tendo aumentado 0,3 p.p. face a dezembro.

A taxa de subutilização de trabalho situou-se em 14,2%, valor superior em 0,5 p.p. ao do mês anterior e inferior em 0,7 p.p. ao de outubro de 2020, sendo ainda superior em 1,7 p.p. face a janeiro de 2020. O INE sustenta que “o aumento mensal da taxa de subutilização do trabalho neste mês resultou principalmente do aumento da população desempregada (mais 4,2%)”.

“Em janeiro de 2021, a estimativa provisória da população ativa situou-se em 5.048,7 mil pessoas, tendo diminuído 1,3% (64,5 mil) em relação ao mês anterior, 2,4% (123,4 mil) relativamente a três meses antes e 3,1% (160,3 mil) por comparação com um ano antes”, indica o INE.

A taxa de atividade de 64,8% diminuiu 0,8 p.p. em relação ao mês precedente, 1,6 p.p. face a outubro de 2020 e 2,1 p.p. comparativamente a janeiro de 2020.

15.2.21

Vieira da Silva: Taxa de desemprego é “surpreendente”, mas há mais pessoas na inatividade

in EcoOnline

Para Vieira da Silva o desemprego do final de 2020 é "surpreendente", mas recorda que há mais pessoas na inatividade. O ex-ministro avisa que quem provocar uma crise política pagará "muito caro".

O ex-ministro do Trabalho e da Segurança Social mostra-se surpreendido pela evolução da taxa de desemprego (6,8%) em 2020 perante a crise pandémica, mas recorda que, tal como mostram os números, há mais pessoas em inatividade que não contam para o cálculo da taxa. Quanto a uma potencial crise política, Vieira da Silva diz em entrevista publicada este domingo no DN/TSF que quem a provocar pagará “muito caro”.

“A queda da atividade económica elevada (…) normalmente gera taxa de desemprego maior”, admite Vieira da Silva, concluindo que este “não é um exclusivo português, mas é surpreendente, apesar de, obviamente, haver mais pessoas em situação de inatividade“. Isto significa que haverá uma vaga de desemprego escondida? O ministro não é taxativo. “Vai depender dos setores, mas tenho aqui uma humildade extrema: acho que ninguém sabe exatamente o que é que se vai passar“, admite.

Em relação à bazuca europeia, Vieira da Silva defende que o foco deve ser o emprego. “Devemos aplicar o dinheiro de forma a que a resposta, na criação de emprego e na defesa do emprego, seja a mais rápida possível“, pede, alertando que teme “efeitos destrutivos, imediatos e a prazo, na área do emprego e das qualificações”. O ex-ministro defende ainda que o turismo continue a ter uma “presença significativa na nossa estrutura económica”, em simultâneo com uma maior diversificação.

11.2.21

A taxa de desemprego é um bom indicador, mas não conta a história toda e outras 4 lições do INE em tempos de pandemia

Beatriz Ferreira, in o Observador

A taxa de desemprego ajuda a perceber o impacto da pandemia no mercado de trabalho, mas a subutilização do trabalho é um indicador mais completo. A população empregada também tem mais que se lhe diga.

A pandemia, e as medidas que a ela tentam responder, continuam a induzir mudanças no mercado de trabalho, mas também na forma como olhamos para os vários indicadores do emprego e do desemprego. Através do Inquérito ao Emprego, os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) têm permitido quantificar o impacto da Covid-19 no mercado de trabalho e mostrado que só um indicador não conta a história toda. Além do desemprego, a subutilização do trabalho e as ausências ao emprego na população empregada ajudam a complementar a análise, também ela influenciada pela chamada “semana de referência”. No meio de tudo isto, as contas do INE mostram como Portugal deixou de cumprir uma importante meta de progresso.

A taxa de desemprego é um bom indicador…

O tombo não foi tão grande quanto se esperava. No total do ano de 2020, a taxa de desemprego ficou nos 6,8%, o que representou um aumento de apenas 0,3 pontos percentuais em relação ao ano anterior. O valor “corresponde à segunda taxa de desemprego anual mais baixa da série iniciada em 2011“. E ficou quase dois pontos percentuais abaixo da última previsão do Governo.


Em outubro, na apresentação do Orçamento do Estado para 2021, o Executivo projetava chegar ao final de 2020 com uma taxa de desemprego de 8,7% (a previsão chegou a ser de 9,6% em junho). Já o Conselho das Finanças Públicas apontava para 10% e o Banco de Portugal 7,2%. A taxa calculada pelo INE acabou, assim, por surpreender. Mas não está a contar a história toda.

Por um lado, a taxa de desemprego tem a vantagem de poder ser usada em comparações com outros países europeus. Como o Eurostat não procede à recolha de dados, cabe a cada Estado-membro implementar o chamado “Labour Force Survey” — em Portugal é o “Inquérito ao Emprego” — que segue uma metodologia uniforme nos vários países (é aplicado um inquérito com perguntas sobre a situação no mercado de trabalho numa determinada semana — a chamada “semana de referência”).

Até aqui tudo bem, não fosse o facto de a contabilização dos desempregados feita através desse inquérito estar a deixar de fora trabalhadores que, não estando a trabalhar, não são vistos como desempregados. E este é um ‘pormenor’ que faz uma grande diferença em momentos como o que vivemos.

… Mas a “subutilização do trabalho” permite uma análise mais completa

Para o INE, um desempregado é alguém entre os 15 e os 74 anos que, no período de referência, preenchia, simultaneamente, os seguintes requisitos:

Não tinha trabalho remunerado nem qualquer outro (mesmo que não remunerado);
Tinha procurado ativamente um trabalho, remunerado ou não, ao longo de um período específico (no período de referência ou nas três semanas anteriores);
Estava disponível para trabalhar num emprego, remunerado ou não.

Basta não cumprir um destes dois últimos requisitos para se considerar inativo. Ou seja, que pessoas não são consideradas desempregadas, mesmo estando sem trabalhar? Por exemplo, uma pessoa que, durante o confinamento, está sem trabalho, mas não pode procurar emprego ativamente devido ao dever de recolhimento ou porque, com o fecho das escolas, tem de tomar conta dos filhos. Ou então que até procura ativamente emprego, mas não estão disponível para trabalhar (por exemplo, porque está doente). Embora esteja desempregada, não o é na ótica do INE — para o instituto, é inativa.


Em 2020, a população inativa com mais de 15 anos foi estimada em 3.737,8 mil pessoas no total do ano, um aumento de 3,5% — ou melhor: mais 126,8 mil pessoas — face ao ano anterior. Mas se, no segundo trimestre de 2020, a população inativa registou “as variações trimestrais e homólogas positivas mais elevadas da série iniciada em 2011“, o indicador tem vindo a diminuir, sobretudo porque as pessoas que apenas cumpriam um dos requisitos acima descritos, começaram a reunir os dois (por exemplo, devido ao relaxamento das restrições à procura de emprego), logo, passaram a ser incluídas no grupo dos desempregados.

É isso que mostram os números: “De facto, analisando a população inativa dos 15 aos 74 anos que não procurou emprego” verificou-se que “o número de pessoas que não terão feito uma procura ativa de trabalho devido às restrições à movimentação associadas ao estado de emergência e ao dever de confinamento diminuiu 14,6% (14,2 mil), situando-se agora em 82,5 mil“.

O INE tem outras explicações: os números de inativos que não procuraram emprego porque estavam à espera de voltar a ser contratados no emprego anterior, ou que não estavam disponíveis para trabalhar porque tinham de tomar conta de crianças ou idosos, também diminuíram no último trimestre do ano, para níveis semelhantes aos observados no pré-pandemia, aponta o INE.

Mas há um outro indicador que, além da inatividade e do desemprego, agrega outros indicadores importantes para conhecer o que se passa no mercado de trabalho. É a “subutilização do trabalho“, que inclui a população desempregada, os trabalhadores a tempo parcial, os inativos à procura de emprego mas não disponíveis para trabalhar e os inativos disponíveis mas que não procuram emprego. Este indicador pode ser medido com a taxa de subutilização do trabalho.

Em 2020, a subutilização do trabalho abrangeu 751,8 mil pessoas, uma subida de 9% (61,8 mil) do que em 2019, e a taxa de subutilização do trabalho foi de 13,9%, mais 1,2 pontos percentuais do que no ano anterior. Mas o indicador acompanhou ao longo do ano várias tendências que a taxa de desemprego, sozinha, não reflete necessariamente. Entre o primeiro e o segundo trimestre, a população desempregada diminuiu, “o que foi compensado por um forte aumento do número de inativos disponíveis, mas que não procuram emprego”. Isso levou a que a subutilização do trabalho crescesse.

Já entre o segundo e o terceiro trimestres, a população desempregada “aumentou fortemente” e mais do que compensou a diminuição do número de inativos disponíveis mas que não procuram emprego. A subutilização do trabalho continuou, por isso, a crescer. Só nos dois últimos trimestres do ano, pela redução dos desempregados e do número de inativos, é que o indicador caiu.


A subutilização do trabalho

Em 2020, a população desempregada (350,9 mil) representou menos de metade (46,7%) da subutilização do trabalho e o grupo dos inativos disponíveis mas que não procuram emprego (226,0 mil) “reforçou o seu peso”, representando 30,1% da subutilização do trabalho (mais 5,8 pontos do que em 2019).

A população empregada também acrescenta um ponto

Com a pandemia, e as medidas adotadas pelo Governo, o INE passou a estabelecer claramente que os trabalhadores “ausentes do trabalho” por estarem em regime de layoff durante mais de três meses são classificados como empregados “por continuarem a auferir um salário superior a 50% do habitual”. Daí que analisar esta população — mais concretamente, os motivos da sua ausência — também ajude a perceber os impactos da pandemia no mercado de trabalho.

Este ano, depois de um segundo trimestre “atípico, com um número de ausências muito acima da média dos anos anteriores”, reflexo do “forte impacto” do confinamento e de um terceiro trimestre não muito diferente do de anos anteriores, no quarto trimestre as ausências voltaram a estar acima da média.

Quais as razões? Em 2020, a população empregada ausente do trabalho, na semana de referência, foi de 712,8 mil pessoas, “muito acima da média de 397,5 mil no período de 2011 e 2019“. A principal razão para a ausência foi a “redução ou falta de trabalho por motivos técnicos ou económicos da empresa”, onde se inclui o layoff — motivo apresentado por 213,5 mil trabalhadores, ou seja, “25 vezes a média dos anos anteriores (8,4 mil)“. A análise por trimestre mostra, porém, que há cada vez menos pessoas a apontar este motivo.

Também houve, em 2020, mais pessoas a indicar “doença, acidente ou incapacidade temporária” como motivo para não trabalharem (foram 178,3 mil, que compara com a média de 129,3 mil).

Os motivos de ausência no trabalho

A situação de layoff também se refletiu nas horas trabalhadas. No ano passado, a média de horas trabalhadas por semana foi de 31, menos 3 horas do que em 2019. A diferença foi mais expressiva no segundo trimestre, marcado pela primeira resposta à pandemia.

E a semana de referência também pode influenciar os resultados

No Inquérito ao Emprego, os técnicos do INE fazem aos inquiridos várias perguntas sobre a “semana de referência”. “As características observadas no inquérito referem-se fundamentalmente à situação no decorrer de uma semana pré-definida (de segunda a domingo), denominada semana de referência”, explica o INE. As semanas de referência “são repartidas uniformemente pelo trimestre e ano”, sendo que as entrevistas “realizam-se, normalmente, na semana imediatamente seguinte à semana de referência”.

Por isso, as respostas dadas reportam à semana de referência, quando a situação no emprego pode mudar rapidamente, e até várias vezes, em poucas semanas (ou mesmo dias). Assim, a semana de referência pode também não estar a contar a história toda.

Como Portugal deixou de cumprir uma meta de progresso

A nível da União Europeia, foi estabelecida uma meta para o emprego, de aumento para 75% da taxa de emprego no grupo etário dos 20 aos 64 anos. O cumprimento desta meta é acompanhado através de indicadores do Inquérito ao Emprego. Só que, com a pandemia, Portugal deixou de cumprir… por poucas décimas.

“A análise dos indicadores de progresso revela que, em 2019, Portugal tinha ultrapassado o objetivo de uma taxa de emprego dos 20 aos 64 anos de pelo menos 75% (foi de 76,1%). Porém, em 2020, em resultado do impacto da crise sanitária no mercado de trabalho, aquela taxa de emprego diminuiu 1,4 p.p. relativamente a 2019, para um total de 74,7%, deixando de cumprir a meta estabelecida por 0,3 p.p.. Em 2011, Portugal encontrava-se a 6,2 p.p. de distância daquele valor”, refere o INE.

Taxa de desemprego recua para 7,1% no quarto trimestre de 2020 e fica nos 6,8% no conjunto de 2020

Sónia M. Lourenço, in Expresso

A taxa de desemprego em Portugal recuou nos últimos três do ano passado face ao trimestre anterior, indicam os dados do Instituto Nacional de Estatística publicados esta quarta-feira. No conjunto de 2020, o desemprego ficou nos 6,8%, o que traduz uma subida ligeira face aos 6,5% de 2019 d ficando abaixo de todas as projeções. Aumento da subutilização do trabalho foi mais marcado

O desemprego em Portugal fechou o ano passado a descer, com a taxa de desemprego a recuar para 7,1% no quarto trimestre, menos 0,7 pontos percentuais do que o registado no trimestre anterior, indicam os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), publicados esta quarta-feira.

Ainda assim, na comparação homóloga, isto é, em relação aos últimos três meses de 2019, verificou-se um aumento de 0,4 pontos percentuais na taxa de desemprego.

O número de desempregados no quarto trimestre de 2020 foi estimado pelo INE em 373,2 mil pessoas, diminuindo 7,7% (menos 30,9 mil pessoas) em relação ao trimestre anterior e aumentando 5,9% (mais 20,8 mil) relativamente ao quarto trimestre de 2019.

Ao mesmo tempo, o desemprego aumentou na análise em cadeia. O INE estima a população empregada nos últimos três meses de 2020 em 4,8595 milhões de pessoas, o que representa um aumento de 1,2% (mais 59,6 mil pessoas) face ao trimestre anterior. Ainda assim, na análise homóloga, verificou-se uma diminuição de 1% (menos 48,1 mil pessoas).

Dada a situação de pandemia, o INE apresenta ainda outros indicadores. É o caso da população empregada ausente do trabalho - nomeadamente por estar em situação de lay-off -, que na semana de referência do quarto trimestre de 2020 diminuiu 47,8% (menos 396,1 mil pessoas) face ao trimestre anterior. Já em relação ao quarto trimestre de 2019, ou seja, uma situação pré-pandemia, verificou-se um aumento de 26% (mais 89,4 mil pessoas).

"De modo semelhante, observou-se um acréscimo trimestral de 8,5% e uma redução homóloga de 6,6% do volume de horas efetivamente trabalhadas", indica o INE.

Outro indicador-chave é o da subutilização do trabalho. Isto porque dada a situação de pandemia e das medidas restritivas para a combater - como o confinamento geral no segundo trimestre de 2020 e parcial no quarto trimestre de 2020 - há mais pessoas sem emprego que não procuram ativamente um posto de trabalho ou que não estão disponíveis no imediato para aceitar uma vaga, sendo, por isso, classificadas pelo INE como inativas e não como desempregadas.

Ora, no quarto trimestre, a subutilização do trabalho abrangeu 750,3 mil pessoas, tendo diminuído 7,8% (menos 63,4 mil pessoas) em relação ao trimestre anterior e aumentado 10,7% (mais 72,3 mil pessoas) em relação ao quarto trimestre de 2019.

Como resultado, a taxa de subutilização do trabalho foi estimada pelo INE em 13,8% no quarto trimestre de 2020, diminuindo 1,1 pontos percentuais relativamente ao trimestre precedente e aumentando 1,3 pontos percentuais por comparação com um ano antes. O INE aponta que "este aumento homólogo foi explicado, maioritariamente, pelo aumento do número de inativos disponíveis para trabalhar, mas que não procuraram emprego", situação que, como referido, está particularmente associada à situação de pandemia no país.

O INE apresenta ainda os dados para o conjunto de 2020 que indicam que a taxa de desemprego ficou nos 6,8%, um valor acima dos 6,5% de 2019, mas que traduz um aumento ligeiro. Mais ainda, fica muito abaixo não só da projeção do Governo (8,7%), como das projeções de toda as principais organizações nacionais e internacionais, que oscilavam entre 7,2% (Banco de Portugal) e 10% (Conselho das Finanças Públicas).

Esta evolução, com o desemprego a subir muito menos do que o esperado face à situação de crise no país provocada pela pandemia - recorde-se que o Produto Interno Bruto recuou 7,6% no ano passado, uma queda inédita na história da democracia portuguesa - e muito menos do que na última crise, é indissociável de dois fatores.

Primeiro, o Governo avançou logo em março de 2020 com medidas de apoio ao emprego - o lay-off é o exemplo paradigmático - que permitiram conter a subida do desemprego. E segundo, como já explicado acima, a situação de pandemia leva a que parte das pessoas sem emprego não procurem ativamente um posto de trabalho ou não estejam disponíveis no imediato para aceitar uma vaga, sendo por isso classificadas pelo INE como inativas e não como desempregadas.

Sinal disso, o número de desempregados em 2020 foi estimado pelo INE em 350,9 mil pessoas, aumentando 3,4% (mais 11,4 mil) em relação a 2019.

Já a população empregada foi estimada pelo INE em 2020 em 4,8141 milhões de pessoas, encolhendo 2% (menos 99 mil pessoas) face a 2019.

A taxa de desemprego de jovens (15 a 24 anos) situou-se em 22,6% em 2020, 4,3 pontos percentuais acima do estimado para 2019, enquanto a proporção de desempregados de longa duração foi estimada em 39,5%, menos 10,3 pontos percentuais do que em 2019. O INE frisa que é o "decréscimo mais elevado da série de dados".

29.1.21

Taxa de desemprego desce pelo quarto mês consecutivo. Mas há sinais de alerta

Sónia M. Lourenço, in Expresso

Em dezembro de 2020, a taxa de desemprego em Portugal recuou para 6,5% e está em queda desde setembro, indicam os dados do Instituto Nacional de Estatística. Mas a diminuição do emprego e o aumento do número de pessoas classificadas como inativas são sinais negativos

A taxa de desemprego em Portugal recuou para 6,5% em dezembro de 2020 e está em queda há quatro meses consecutivos, indica a estimativa provisória do Instituto Nacional de Estatística (INE). São boas notícias, mas devem ser lidas com cautela. É que os números do INE também dão alguns sinais negativos sobre a evolução do mercado de trabalho nacional.

Depois de atingir um pico de 8,1% em agosto (dados ajustados de sazonalidade), a taxa de desemprego em Portugal tem vindo consecutivamente a descer. E em dezembro voltou a recuar, ficando nos 6,5%, o que compara com 7,1% em novembro e é o valor mais baixo desde maio de 2020. A taxa de desemprego ficou até abaixo dos 6,7% registados um ano antes, em dezembro de 2019.

Ao mesmo tempo, a população desempregada medida pelo INE ficou nas 331,1 mil pessoas em dezembro (estimativa provisória), diminuindo 10,2% (menos 37,8 mil pessoas) em relação a novembro e recuando 4,8% (menos 16,7 mil) por comparação com o período homólogo de 2019.

O recuo da taxa de desemprego é sempre uma boa notícia, mas é preciso lembrar que uma parcela importante do emprego no país está a ser suportado por medidas públicas de apoio às empresas e ao emprego (como o apoio à retoma progressiva e, desde o regresso ao confinamento, em janeiro, pela reativação do lay-off simplificado), devido à crise provocada pela pandemia.

Mais ainda, deve ser lida com cautela face a outros dados que o INE também divulgou esta quinta-feira.

Um desses dados é o emprego. Segundo a autoridade estatística nacional, o desemprego desceu em dezembro, mas o emprego também recuou. A estimativa provisória do INE para a população empregada nesse mês é de 4,7934 milhões de pessoas, ou seja, menos 0,2% (redução de 10,3 mil pessoas) do que em novembro e menos 1,1% (menos 52,7 mil pessoas) do que um ano antes, em dezembro de 2019.

DE NOVO, OS INATIVOS

O segundo dado a ter em conta é o aumento do número de pessoas classificadas pelo INE como inativas, que em dezembro atingiu 2,6659 milhões, aumentando 1,9% (50,2 mil pessoas) em relação a novembro e subindo 3,7% (mais 95,3 mil pessoas) na comparação com dezembro de 2020.

Recorde-se que para uma pessoa sem trabalho ser classificada como desempregada pelo INE tem de simultaneamente procurar ativamente um posto de trabalho e estar disponível no imediato para aceitar uma vaga. Esta é a definição da Organização Internacional do Trabalho (OIT), seguida não só pelo INE, como pelo Eurostat, o gabinete de estatísticas da União Europeia.

Caso não cumpra estas condições em simultâneo, a pessoa é classificada como inativa e não como desempregada, mesmo não tendo um posto de trabalho. Ora, devido às características da pandemia de covid-19, por vezes essas condições não são cumpridas, em especial em períodos de confinamento.

Foi essa a razão que explicou a descida da taxa de desemprego em Portugal na primeira vaga da pandemia, na Primavera de 2020. Os dados mensais do INE, ajustados de sazonalidade, mostram que estava nos 6,4% em fevereiro de 2020, caindo depois até atingir um mínimo de 5,9% em maio. Isto numa altura em que a economia sofreu um forte tombo e os dados do Instituto do Emprego e Formação Profissional mostravam já um aumento do número de desempregados registados nos centros de emprego - o chamado desemprego registado.

A taxa de desemprego, apurada pelo INE só começou a subir nos meses seguintes, com o progressivo desconfinamento do país, até atingir o referido máximo de 8,1% em agosto, e começar a descer posteriormente.

Nota ainda para os apoios públicos ao emprego e à manutenção do emprego ao longo de 2020 (como o lay-off simplificado e o apoio à retoma progressiva) que sustentaram muitos empregos, travaram os despedimentos e, segundo os economistas, ajudaram a conter - e muito - a subida do desemprego.

4.11.20

Taxa de desemprego sobe para 7,8% no terceiro trimestre

Sérgio Aníbal, in Público on-line

Subida do desemprego já é oficial nas estatísticas do INE. Pessoas que, por não conseguirem procurar emprego durante a pandemia, tinham sido classificadas como inactivas passaram no terceiro trimestre a contar como desempregadas.

De acordo com os dados publicados nesta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística, cerca de 404,1 mil portugueses foram classificados durante o terceiro trimestre como desempregados, um valor que fica cerca de 125 mil acima do registado no trimestre anterior, precisamente aquele em que os efeitos económicos da pandemia e do confinamento foram mais acentuados.


A explicar esta aparente contradição está o facto de, durante o segundo trimestre, uma parte importante das pessoas que ficaram (ou já estavam) sem emprego não terem sido classificados estatisticamente como desempregados, mas sim como pertencendo à população inactiva.

Isto aconteceu porque, para ser classificado como desempregada, uma pessoa tem de ter procurado activamente emprego durante o mês anterior ao inquérito. E com as limitações de movimento trazidas pela pandemia, isso não foi possível para muitas pessoas, que acabaram por ficar classificadas como inactivas, de acordo com o INE.

Agora, no terceiro trimestre, com as medidas de confinamento aliviadas, assiste-se a uma normalização dos dados. A população inactiva reduziu-se em 189 mil pessoas e, ao mesmo tempo, passou a haver mais 125,7 mil desempregados e mais 48,7 mil empregados.

A taxa de desemprego começou assim a caminhar no sentido que era previsível tendo em conta a contracção registada na economia. Os 7,8% agora anunciados comparam não só com os artificiais 5,6% do segundo trimestre como também com os 6,7% do primeiro trimestre do ano e com os 6,1% do período homólogo do ano anterior. A taxa de desemprego está agora ao nível mais alto desde o primeiro trimestre de 2018.

Também a taxa de subutilização do trabalho – que junta aos desempregados também pessoas que não são assim classificadas por terem um trabalho parcial (indesejado) ou se sentem desencorajadas a procurar emprego – subiu no terceiro trimestre, de 14% para 14,9%, atingindo um valor 2,7 pontos percentuais acima do registado em igual período do ano passado.



29.7.20

Taxa de desemprego começou finalmente a subir, atingindo 7% em junho

Sónia M. Lourenço, in Expresso

Pela primeira vez desde o início da pandemia de covid-19, a taxa de desemprego medida pelo Instituto Nacional de Estatística sinaliza o agravamento da situação no mercado de trabalho português. Os dados publicados esta quarta-feira indicam uma subida para 7% em junho, o valor mais alto desde agosto de 2018

 A taxa de desemprego em Portugal subiu de forma marcada em junho, sinalizando os problemas no mercado de trabalho associados à crise económica, na sequência da pandemia de Covid-19. O aumento foi de 1,1 pontos percentuais face a maio, atingindo os 7%, indica a estimativa provisória do Instituto Nacional de Estatística (INE), publicada esta quarta-feira.

Mais ainda, este é o valor mais elevado observado em Portugal em quase dois anos, desde agosto de 2018.

Os dados mensais do INE não dão informação detalhada, mas, para este aumento, deverá ter contribuído a situação difícil que sectores como o turismo enfrentam nesta altura no país, em particular em regiões como o Algarve.

Este aumento da taxa de desemprego em junho (ddos ajustados de sazonalidade), segue-se a um período em que a taxa de desemprego apurada pelo INE - que segue o conceito internacional da Organização Internacional do Trabalho (OIT), tal como nos outros países europeus - não refletiu o forte aumento do número de desempregados inscritos nos centros de emprego.

Aliás, a taxa de desemprego apurada pelo INE recuou mesmo em maio, para 5,9%.

Uma situação para que os economistas já tinham chamado a atenção, tal como o próprio INE, e que se prende com o conceito de desempregado. Isto porque exige procura ativa de emprego, bem como disponibilidade no imediato para aceitar uma vaga disponível, para além de não ter um posto de trabalho. Condições, que durante o período de confinamento muitas vezes não foram cumpridas, levando muitas pessoas que perderam o emprego a engrossar a fileira dos inativos.

Com o desconfinamento em marcha em Portugal, a situação parece, agora, estar a ficar ultrapassada.

Os dados do INE sinalizam, assim, que em junho (estimativa provisória) o número de desempregados em Portugal subiu 21,2% (mais 61,3 mil pessoas) em relação a maio, atingindo 350,9 mil pessoas.

Já em termos homólogos, isto é, em relação a junho de 2019, o incremento foi de 3% (mais 10 mil pessoas).

Ao mesmo tempo, a taxa de subutilização do trabalho subiu para 15,4%, mais 0,8 pontos percentuais do que em maio e aumentando 2,4 pontos percentuais em relação a junho de 2019.

Recorde-se que os economistas têm chamado a atenção para este indicador complementar de análise do mercado de trabalho, que traduz a taxa de desemprego em sentido lato. Isto porque considera além dos desempregados 'oficiais', também os trabalhadores a tempo parcial que gostariam de trabalhar mais horas, os inativos disponíveis para trabalhar mas que não procuraram ativamente emprego e os inativos que procuraram mas não estavam disponíveis no imediato para ocupar uma vaga.

Recorde-se que este indicador tem vindo a subir sistematicamente desde o início da pandemia.

O INE chama, contudo, a atenção para uma alteração importante na evolução deste indicador. É que para o aumento da taxa de subutilização do trabalho, "ao contrário do sucedido nos meses anteriores, contribuiu exclusivamente o aumento do número de desempregados e do subemprego de trabalhadores a tempo parcial".

Em sentido contrário "diminuiu o número dos inativos à procura de emprego mas não disponíveis para trabalhar e o de inativos disponíveis mas que não procuram emprego".

É mais um sinal de que as limitações da taxa de desemprego em traduzir a situação real no mercado de trabalho, sentidas durante a fase de confinamento, parecem estar a ficar para trás.

Por fim, uma nota positiva na evolução do mercado de trabalho em junho: a população empregada aumentou ligeiramente face a maio (mais 0,1%, ou seja, mais 2,6 mil pessoas), atingindo 4,6579 milhões de pessoas.

Um incremento que interrompeu a tendência de queda sucessiva no emprego face ao mês anterior, desde o inicio da pandemia.

Ainda assim, em termos homólogos, verificou-se uma redução acentuada de 3,6% (menos 174,3 mil pessoas).