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12.8.21

Retoma do emprego ainda não chegou aos jovens, precários e menos qualificados

Sérgio Aníbal, in Público on-line

Ao contrário da actividade económica, que continua abaixo dos níveis pré-crise, o número de empregos já recuperou e está a um nível superior ao de há dois anos. Mas nem todos os segmentos do mercado de trabalho sentiram esse resultado

Depois de uma queda abrupta no início da pandemia e de alguns altos e baixos desde aí, a economia ainda está a vários meses de voltar a ser o que era, mas o número de pessoas empregadas em Portugal, apoiado pelas medidas de apoio lançadas pelo Estado, já regressou, no segundo trimestre deste ano, ao nível em que se encontrava antes do início da pandemia. O problema é que esta retoma mais rápida no mercado de trabalho não chegou a todos os segmentos da população.

Pela primeira vez desde o início da crise, as estatísticas do mercado do trabalho publicadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam um número de pessoas empregadas em Portugal que é superior àquele que se registava antes do segundo trimestre de 2020, o primeiro em que se sentiu o impacto negativo da pandemia.

De acordo com os dados publicados esta quarta-feira, existiam, no segundo trimestre de 2020, 4810 mil empregos em Portugal. Este é um valor que não só significa um acréscimo de 128,9 mil empregos face ao trimestre imediatamente anterior e 200 mil empregos face ao trimestre homólogo do ano anterior, como supera em 66 mil trabalhadores o número de empregos registado no primeiro trimestre de 2020 e em 36 mil trabalhadores o resultado do segundo trimestre de 2019, o melhor ponto de comparação pré-crise, para retirar da análise os efeitos da sazonalidade.

Este regresso aos níveis do passado constitui uma confirmação daquilo que tem sido evidente desde o início da pandemia: o emprego tem resistido bastante melhor à crise do que a actividade económica. Isso foi particularmente evidente no segundo trimestre de 2020, quando o PIB se afundou 14% e o emprego apenas 3% e deveu-se, em larga medida, aos apoios públicos que têm vindo a ser disponibilizados para evitar que as empresas reduzam de forma abrupta a sua força de trabalho. Em particular, a medida do layoff simplificado, ao manter o vínculo laboral entre trabalhadores e empresas numa altura em que a actividade parava ou era fortemente reduzida, contribuiu para que, em Portugal, tal como na generalidade dos países europeus, se tivesse evitado uma quebra abrupta dos níveis de emprego semelhante à queda a pique da economia.

Agora, numa altura em que a economia recupera, o ritmo de crescimento do emprego é, sem surpresa menor que o do PIB. No segundo trimestre, o emprego cresceu 2,8% em cadeia e 4,5% face ao período homólogo, num trimestre em que a economia cresceu 4,9% em cadeia e 15,5% em termos homólogos. Mas isso não impediu que o número de empregos chegasse já ao nível pré-crise, enquanto o valor do PIB, no segundo trimestre deste ano, ainda estava 4,7% abaixo do registado antes da pandemia.

O problema destes valores agregados para a evolução do emprego é que escondem realidades diferentes em alguns segmentos do mercado de trabalho. Para alguns tipos de trabalhadores e em alguns sectores de actividade é possível verificar que o número de empregos está neste momento ainda significativamente abaixo daquele que se verificava antes da crise.

Quando se olha para os sectores de actividade, verifica-se, por exemplo, a subsistência de um nível de emprego muito inferior ao passado no alojamento e na restauração. O turismo foi um dos sectores mais afectados e persistem entraves à sua actividade, que se reflectem nos postos de trabalho criados. No segundo trimestre deste ano, existiam neste sector ainda menos 72,9 mil empregos do que em igual período de 2019.

Em contrapartida, há sectores que já revelam aumentos fortes do número de empregos, destacando-se em particulares áreas como a informação e comunicação, actividades científicas, técnicas e de consultoria, educação e saúde.

Para além dos sectores, é também particularmente evidente, nos dados disponibilizados pelo INE, o tipo de trabalhadores que mais saíram a perder durante a crise e que ainda não concretizaram uma retoma. Por tipo de contrato de trabalho, existem agora mais 158,7 mil empregos por conta de outrem com contrato sem termo, enquanto há menos 131 mil contratos com termo.

Uma interpretação benigna deste resultado seria a de que se está agora a apostar em vínculos laborais menos precários em Portugal, mas a explicação para estes resultados está essencialmente no facto de, no início da crise, a perda de empregos ter atingido os contratos com termo, passando quase ao lado daqueles que tinham um vínculo mais sólido. Medidas como o layoff simplificado serviram especialmente para proteger este último grupo, enquanto os trabalhadores mais precários foram as vítimas naturais da tentativa das empresas de reduzir custos num cenário de crise.

Outra característica evidente nos empregos que ainda não regressaram é o facto de serem menos qualificados. Os dados do INE mostram que há agora, em comparação com há dois anos, menos 108 mil empregos para “trabalhadores de serviços pessoais, segurança e vendedores” e menos 103 mil empregos para “trabalhadores não qualificados”. Em contrapartida, a grande maioria do aumento de empregos (176 mil) foi para “especialistas das actividades intelectuais e científicas”. Beneficiando das possibilidades do teletrabalho e maioritariamente em empresas menos afectadas pela crise, estes últimos viram os seus empregos resistirem bem à crise, ao passo que os primeiros, em trabalhos com necessidade de contacto pessoal mais evidente e com um peso elevado em sectores como a restauração e alojamento, sofreram muito mais.

Por fim, há a diferença das idades, sendo evidente que as idades mais avançadas, que à partida contavam com vínculos laborais mais estáveis, resistiram melhor à crise do que os mais jovens. Nos segmentos entre os 16 e os 44 anos, o nível do emprego é agora ainda inferior ao período pré-crise, enquanto o oposto acontece para os segmentos que vão dos 45 aos 89 anos.

Para além disso, há dois anos, no segundo trimestre de 2019, havia em Portugal, 191,5 mil jovens que não estão, nem empregados, nem em educação ou formação. Agora, apesar da diminuição dos últimos trimestres, esse valor ainda é mais alto, situando-se em 210,5 mil no segundo trimestre de 2021.

6.7.21

Precariedade dos contratos explica aumento do desemprego jovem

 in RTP

O especialista da Escola de Gestão e Economia da Universidade do Minho João Cerejeira diz que a precariedade dos contratos de trabalho explica o grande aumento de desemprego jovem em épocas de crise económica.

O investigador universitário enumera dois fatores que explicam este fenómeno, que tende a inverter-se com o crescimento da economia.

3.5.21

Adultos já recuperaram emprego, mas jovens ainda estão longe disso

Tiago Varzim, in EcoOnline

A taxa de desemprego de 6,5% em março surpreendeu até o Governo, mas esconde duas realidades muito diferentes: os adultos já recuperaram o nível do emprego enquanto os jovens ainda estão longe disso.

A taxa de desemprego atingiu em março deste ano o valor mais baixo desde maio, recuperando quase na totalidade o impacto provocado pela crise pandémica. Este é um número inesperado perante o segundo confinamento, até pelo próprio Governo, e que poderá levar a uma revisão em baixa da previsão anual inscrita no Programa de Estabilidade (7,3%).

Contudo, há duas realidades completamente diferentes no mercado de trabalho em Portugal: por um lado, o emprego dos adultos, que tendem a ter maior segurança pelo tipo e duração do contrato, já recuperou o nível que tinha antes da crise pandémica; por outro lado, o emprego dos jovens entre os 16 e os 24 anos, que tendem a ser mais precários, não recuperou e atingiu em março o valor mais baixo desde 2013.

O número de jovens empregados baixou em 59,8 mil pessoas (valores ajustados de sazonalidade) quando se compara março de 2021 com fevereiro de 2020, o último mês com a atividade económica normalizada. Antes da Covid-19, havia 299 mil jovens entre os 16 e os 24 anos a trabalhar, o que compara com 239,2 mil em março deste ano. Ainda assim, este nem foi o pior mês: em junho de 2020 havia apenas 235,9 mil jovens empregados, o valor mais baixo desde 2013, durante a crise anterior.

Já nos adultos, que vão dos 25 aos 74 anos, a população empregada até subiu em 4,5 mil pessoas, passando de 4.457,3 milhares de pessoas em fevereiro do ano passado para 4.461,8 milhares de adultos empregados em março deste ano. Ou seja, o emprego adulto não só recuperou como já superou o valor registado imediatamente antes da pandemia e tal aconteceu num período marcado pelo segundo confinamento.


Na ótica do desemprego, a conclusão é semelhante. A taxa de desemprego dos adultos baixou para 5,4% em março de 2021, melhor do que os 5,6% registados em fevereiro de 2020. Em alguns meses do ano passado essa taxa foi ainda menor, mas tal esteve relacionado com o aumento significativo dos inativos por causa das restrições à mobilidade, o que baixou o número de desempregados (é preciso estar ativamente à procura de emprego para se ser considerado desempregado).

Pandemia destruiu quase 99 mil empregos num ano

No caso dos jovens, a taxa de desemprego em março de 2021 era de 23%, bem acima dos 18,7% registados em fevereiro de 2020. E a diferença já foi maior quando atingiu os 27,8% em junho do ano passado quando o número de desempregados jovens atingiu os 90,7 mil, tendo aliviado nos meses seguintes até aos 71,4 mil em março deste ano.

Contudo, como mostram os números dos postos de trabalho, estes menos quase 20 mil desempregados não o deixaram de ser porque conseguiram um emprego. Na verdade, essa evolução da taxa de desemprego reflete a passagem de uma parte significativa dos jovens nessa idade (cerca de 50 mil em comparação com o ano passado) da população ativa para a inatividade por causa da pandemia. A população inativa jovem subiu dos 630 mil há um ano para 681 mil em março.
João Leão admite revisão da taxa de desemprego em 2021

No debate sobre o Programa de Estabilidade 2021-2025 esta quinta-feira no Parlamento, o ministro das Finanças, João Leão, admitiu que a taxa de desemprego anual de 2021 pode ficar abaixo dos 7,3% estimados pelo Governo no Programa de Estabilidade 2021-2025. “Olhe para a taxa de desemprego: 6,5%”, disse, respondendo a Afonso Oliveira (PSD), para depois acrescentar que “provavelmente até vai ficar, no cômputo do ano, abaixo do que temos no nosso Programa de Estabilidade”.

Esta expectativa surge após o Instituto Nacional de Estatística (INE) ter adiantado que a taxa ficou nos 6,5% em março, surpreendendo pela positiva o Ministério das Finanças: “A taxa de desemprego anunciada hoje pelo INE [Instituto Nacional de Estatística] está em valores muito abaixo do que eram expectáveis”, reconheceu. Para o ministro esta é a medida de “eficácia” dos apoios do Governo, algo que repetiu diversas vezes durante o debate.

11.2.21

Os novos pobres: Gente jovem e que tinha emprego

Joana Faustino, in Sol

Em Portugal, foram milhares aqueles que perderam o emprego devido à covid-19. A pobreza não escolhe idade ou género e os pedidos de ajuda alimentar aumentam de dia para dia.

2021 será o ano em que a pobreza extrema mundial irá aumentar pela primeira vez no espaço de tempo de 22 anos. Se por um lado, a ONU prevê que 235 milhões de pessoas necessitem de ajuda humanitária, por outro o Banco Mundial alerta que o número de indivíduos a viver em pobreza extrema pode chegar aos 150 milhões. No relatório publicado em outubro do ano passado pode ler-se que «durante mais de duas décadas, a pobreza extrema estava a descer consistentemente. Agora, pela primeira vez, a luta para acabar com a pobreza sofreu o seu pior retrocesso». Além da Covid-19 como principal impulsionadora deste problema, aponta-se também para as alterações climáticas e para os conflitos presentes em várias partes do globo como fatores de risco.

Em Portugal, os dados são semelhantes. Contactada pelo Nascer do SOL, Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar Contra a Fome (BA) avança que «entre abril e maio houve um pico de pedidos de ajuda», que começaram gradualmente a diminuir e voltaram a aumentar novamente no final do ano. Sobre quem procura ajuda, a presidente do BA explica que são «famílias que nunca tinham convivido com uma situação de pobreza» e que agora não sabem como lidar com a situação. Pessoas que sempre tiveram um emprego e maneira de sustentar a família, veem-se agora desamparados e em alguns casos envergonhados por terem de pedir ajuda. É esse o caso de milhares de trabalhadores do setor do turismo e da restauração por exemplo.

Os novos desempregados

Joana Aires e José Rodrigues trabalhavam num café na zona do LxFactory. Quando se instalou a pandemia e foi decretado o estado de emergência o casal entrou em layoff. Não foi preciso muito tempo para que o estabelecimento deixasse de ter dinheiro para lhes pagar e os despedisse. Os jovens, ambos na casa dos 20 anos, moram juntos e viram-se obrigados a pedir ajuda à mãe de José para que conseguissem garantir as suas necessidades. A busca por um novo emprego também não foi fácil. Joana continua à procura e a ter de viver com subsídio de desemprego. José conseguiu um posto de trabalho num call center passados três meses de busca.

É essa a situação em que cada vez mais portugueses vivem atualmente. De acordo com os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística, em novembro do ano passado, a taxa de desemprego situava-se nos 7,2%. Se desde 2012 tinha vindo a descer, chegando em 2019 aos 6,4%, este ano a pandemia fez com que o que era observável há sete anos desse uma volta de 180 graus. O aumento do desemprego trouxe também um aumento da pobreza. Os números não escolhem setor, género ou idade. No entanto, de acordo com Isabel Jonet, os «novos pobres» são na sua maioria pessoas jovens que já tiveram um emprego e pertencentes à classe média.

Os novos apoios

Nuno Pacheco é padre em duas paróquias do distrito de Setúbal - Santo André e Alhos Vedros. Quando contactado pelo Nascer do SOl explicou que o número base de famílias ajudadas semanalmente pela paróquia em conjunto com o Banco Alimentar é de 48. Em Santo André contam ainda com a ajuda mensal do Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas (POAPMC), 156 famílias, o que representa um universo de 500 pessoas ajudadas por mês. No entanto, em março o número de pedidos de ajuda evoluiu de tal maneira que o padre se viu obrigado a criar um outro programa de ajuda imediata. Por um lado, o protocolo de inscrição de famílias no programa da paróquia estava perto de atingir o limite; por outro era necessário recorrer a «burocracias» para as quais não havia tempo para pedir este tipo de apoio. Como solução, as paróquias criaram o programa de ajuda DECOR. «Muita gente perdeu o emprego em março e a partir daí. Alguns deles são pessoas de outras nacionalidades que nem sempre tinham tudo o que era necessário para se inscreverem na ajuda do BA. Por isso, criámos o projeto DECOR e desde março já ajudou mais de 500 famílias divididas entre estas duas paróquias», explicou o padre.

Telma é uma das pessoas que faz a distribuição da ajuda fornecida pelo programa DECOR e acredita que «por causa do novo confinamento, como as crianças vão voltar para casa e deixar de almoçar na escola, os pedidos voltem a aumentar». A voluntária explica ao Nascer do SOL que, para além de comida, é também distribuída roupa e ocasionalmente produtos de higiene.

Rita (nome fictício) foi uma das pessoas que necessitou de pedir ajuda para conseguir sobreviver. A jovem de 28 anos vê-se nesta situação pela primeira vez. Até março, tanto ela como o marido tinham emprego. A pandemia fez com que uma família estável necessitasse de recorrer a terceiros para conseguir sobreviver. Rita tem dois filhos, um deles com um ano e outro com nove. No início, através da DECOR, conseguiu receber algumas fraldas e produtos de higiene para as crianças mas assume que agora «as pessoas já não dão tanto, por isso é mais comida» que tem recebido ultimamente. Para o filho mais velho, Rita chegou a receber material escolar e livros de fichas que não estão incluídos nos vouchers de manuais escolares atribuídos pelo Governo. Com as escolas encerradas, Rita tem mais uma refeição para dar ao filho e conta que já pediu «à Telma para ver se consegue arranjar mais qualquer coisa, nem que seja uns enlatados».

Cada vez mais portugueses se veem obrigados a pedir ajuda para ter o que comer e o que vestir. Os números conhecidos não correspondem totalmente à verdade, visto que há quem não peça por não se sentir à vontade. Com um novo confinamento é de esperar um aumento semelhante àquele que se deu em março, sendo por isso importante que, quem pode, contribua para ajudar aqueles que sozinhos não conseguem.


3.7.20

Comissão Europeia apela ao fomento do emprego juvenil

De Isabel Marques da Silva & Efi Koutsokosta, in Euronews

A Comissão Europeia reconhece que a pandemia de Covid-19 enfatizou "o desafio difícil que muitos jovens enfrentam para aceder ao mercado de trabalho", numa comunicação, esta quarta-feira.

O executivo sugere que o bloco invista pelo menos 22 mil milhões de euros para fomentar o emprego juvenil e apresentou um pacote baseado em ferramentas digitais, como a já conhecida plataforma de trabalho Europass.

"Serve para procurar emprego, fazer contactos com empregadores e obter cursos de formação em qualquer lugar da Europa. Penso que este é o espírito da plataforma Europass num mundo cada vez mais digital. É preciso usar as ferramentas digitais para facilitar a vida e penso que é o caso desta plataforma, que permite a todos os trabalhadores, e em particular aos jovens, olhar para a Europa como um mercado de trabalho com muitas oportunidades", afirmou Nicolas Schmit, comissário europeu para o Emprego, em entrevista à euronews.

Em abril de 2020, a taxa média de desemprego jovem na União era de 15,4% (15,8% na média dos 19 países que usam o euro).

Os países mais atingidos há muito que são a Grécia, Espanha e Itália, com taxas acima de 30%. Portugal regista uma taxa de 20,2%.

Bruxelas quer reforçar os subsídios dados através da Garantia para a Juventude, criada em 2013, mas os sindicatos não estão convencidos.

"A Garantia para a Juventude não é uma ferramenta nova, já existe e na verdade não cumpriu os objetivos para os quais foi criada. Não havia qualidade nos estágios e empregos propostos aos trabalhadores", afirmou o sindicalista Ludovic Voet, da Confederação Europeia de Sindicatos.

"A nossa confederação pede uma nova proposta que seja assente em critérios de qualidade para distribuir o financiamento. A geração jovem não precisa de fazer formação sem fim à vista, precisa é de obter empregos de qualidade", acrescentou.

26.6.20

Desemprego jovem leva metade dos novos subsídios de desemprego

in DN

Desde fevereiro, mais 47 mil pessoas recebem prestação, 46% das quais jovens. Mas taxa de cobertura permanece baixa.

A subida do desemprego devido à pandemia fez disparar a atribuição das prestações sociais por perda de trabalho nos últimos meses, com uma subida de 27% desde fevereiro, em linha com aquelas que são as previsões do governo de crescimento na despesa face ao previsto no início do ano. Em maio, o número de beneficiários superou os 225 mil, num máximo de mais de três anos. Os trabalhadores até aos 34 anos são os grandes destinatários nos encargos adicionais da Segurança Social.

Em mais de 47 mil novos beneficiários acumulados ao longo dos últimos três meses, os jovens respondem por 46% da subida no pagamento das prestações.

À semelhança do que aconteceu na última crise, são os vínculos mais precários os primeiros a ser alvo de despedimento nas empresas que procuram cortar custos. O "fim de trabalho não permanente", ou não renovação, é aliás o motivo mais comum para a inscrição em centros de emprego, nos dados do IEFP.

Desde fevereiro, a subida no desemprego entre quem tem até 25 anos está em 37%. Entre os 25 e os 34 anos atinge os 52%. "Tem que ver com esse tipo de contratos estarem mais concentrados nos trabalhadores mais jovens", explica o economista João Cerejeira, da Universidade do Minho.

Mas, ainda que a atribuição de subsídio de desemprego esteja a aumentar, a taxa de cobertura da prestação permanece baixa. Em maio, apenas 55% dos mais de 400 mil desempregados registados recebiam subsídio. Nos novos subsídios atribuídos, desde fevereiro, segundos os cálculos do Dinheiro Vivo, a taxa atinge os 56% entre desempregados até aos 34 anos. É de 55% nos desempregados entre 35 e 54 anos, e baixa aos 28% nos novos desempregados acima dos 55 anos.

"A cobertura do subsídio de desemprego é das mais baixas a nível europeu por haver o condicionalismo do número de dias. Apesar de ter sido reduzido durante o período da troika, continua a ser elevado", assinala João Cerejeira.

Nas medidas adotadas até aqui, o governo decidiu prolongar o tempo de subsídio a quem já o recebe, mas não mudou as condições de acesso, que continuam a exigir um 360 dias de descontos nos 24 meses até à perda do posto de trabalho.

Para o economista da Universidade do Minho, seria possível fazer chegar o subsídio a mais pessoas sem aumento de custos para o Estado. A solução seria reduzir a duração do apoio. "O subsídio de desemprego é relativamente pouco generoso nas condições de acesso, mas depois é relativamente generoso no número de dias de subsídio. Por exemplo, uma pessoa com menos de 30 anos pode ficar 330 dias de subsídio, o que é quase um ano. Podíamos ter um regime mais curto, mas com uma condicionalidade de acesso também mais curta".

27%
Aumento na despesa com subsídios de desemprego
Em maio, a despesa com subsídios de desemprego atingiu os 113,4 milhões de euros, mais 27% que o gasto realizado em fevereiro. O valor médio da prestação foi de 503,14 euros.

9,7%
Taxa de desemprego prevista pelo governo em 2020
Com o desemprego registado a atingir mais de 400 mil pessoas em maio, resta agora uma margem de cerca de 100 mil desempregados para se atingir a previsão inscrita no Orçamento suplementar.
Jornalista do Dinheiro Vivo

12.9.18

Mais de 15% dos jovens portugueses não estuda nem trabalha

in TSF

Um em cada sete jovens adultos não estuda nem trabalha, de acordo com um estudo da OCDE.

Mais de 1,5 milhões de pessoas retiradas de casa pela ameaça do Furacão Florence

No ano passado, 15,2% dos jovens entre os 18 e os 24 anos que viviam em Portugal estavam classificados como "nem-nem", uma expressão que designa aqueles que deixaram de estudar, mas também não estão a trabalhar. O relatório "Education at a Glance 2018", coloca Portugal em 10.º lugar de uma lista de 31 países da OCDE.

De acordo com o relatório divulgado esta terça-feira pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), a situação em Portugal é mais grave do que a média registada na OCDE (14,5%) assim como nos países da União Europeia (14,3%).

Os turcos, os italianos e os gregos são quem mais se destaca pela negativa, com cerca de um em cada quatro jovens desocupados: Turquia (31,1%), Itália (26,6%) e Grécia (23%).

Na lista dos 10 países mais problemáticos aparece ainda o México (22,1% dos jovens), a Espanha (20,9%), o Chile (21,1%), a França (18,7%), Israel (16,7%) e a Coreia (16,7%).

Olhando para os restantes jovens naquela faixa etária que viviam em Portugal no ano passado, a maioria estava a estudar (54,4%) e 30,4% a trabalhar.

O documento revela ainda um aumento dos alunos que prosseguem os estudos depois de terminado o ensino obrigatório: no ano passado 34% dos jovens estava no ensino superior, o que representa mais 13 pontos percentuais em relação à situação vivida uma década antes, em 2007.

No entanto, estes números continuam muito aquém da média da OCDE (uma diferença de 10 pontos percentuais), segundo os dados disponibilizados no relatório.

Também ainda não foi atingida a média no que toca ao investimento no ensino superior (em 2015, representou 1,3% do PIB, enquanto a média da OCDE é de 1,5%), refere o documento, que sublinha o desinvestimento no ensino superior que diminuiu cerca de 12% desde 2010.

Nos últimos anos, os países da OCDE têm feito uma aposta nas ciências, tecnologia, engenharias e matemáticas, uma realidade a que não escaparam os estudantes portugueses que procuram cada vez mais estas áreas de estudo.
Também são cada vez mais os estrangeiros que escolhem Portugal como destino para estudar: entre 2013 e 2016 o número de estudantes internacionais aumentou 36%. Há dois anos, havia já 20 mil estrangeiros a frequentar instituições de ensino superior portuguesas, com destaque para os brasileiros (32%) e os espanhóis (cinco por cento).

Cada vez mais, os portugueses querem prosseguir os estudos lá fora, tendo-se registado um aumento de 19% em apenas três anos, sendo o Reino Unidos e a França os destinos mais procurados.

11.9.18

Mais de 15% dos jovens portugueses não estuda nem trabalha

in TSF

Um em cada sete jovens adultos não estuda nem trabalha, de acordo com um estudo da OCDE.

No ano passado, 15,2% dos jovens entre os 18 e os 24 anos que viviam em Portugal estavam classificados como "nem-nem", uma expressão que designa aqueles que deixaram de estudar, mas também não estão a trabalhar. O relatório "Education at a Glance 2018", coloca Portugal em 10.º lugar de uma lista de 31 países da OCDE.

De acordo com o relatório divulgado esta terça-feira pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), a situação em Portugal é mais grave do que a média registada na OCDE (14,5%) assim como nos países da União Europeia (14,3%).

Os turcos, os italianos e os gregos são quem mais se destaca pela negativa, com cerca de um em cada quatro jovens desocupados: Turquia (31,1%), Itália (26,6%) e Grécia (23%).

Na lista dos 10 países mais problemáticos aparece ainda o México (22,1% dos jovens), a Espanha (20,9%), o Chile (21,1%), a França (18,7%), Israel (16,7%) e a Coreia (16,7%).

Olhando para os restantes jovens naquela faixa etária que viviam em Portugal no ano passado, a maioria estava a estudar (54,4%) e 30,4% a trabalhar.

O documento revela ainda um aumento dos alunos que prosseguem os estudos depois de terminado o ensino obrigatório: no ano passado 34% dos jovens estava no ensino superior, o que representa mais 13 pontos percentuais em relação à situação vivida uma década antes, em 2007.

No entanto, estes números continuam muito aquém da média da OCDE (uma diferença de 10 pontos percentuais), segundo os dados disponibilizados no relatório.

Também ainda não foi atingida a média no que toca ao investimento no ensino superior (em 2015, representou 1,3% do PIB, enquanto a média da OCDE é de 1,5%), refere o documento, que sublinha o desinvestimento no ensino superior que diminuiu cerca de 12% desde 2010.

Nos últimos anos, os países da OCDE têm feito uma aposta nas ciências, tecnologia, engenharias e matemáticas, uma realidade a que não escaparam os estudantes portugueses que procuram cada vez mais estas áreas de estudo.
Também são cada vez mais os estrangeiros que escolhem Portugal como destino para estudar: entre 2013 e 2016 o número de estudantes internacionais aumentou 36%. Há dois anos, havia já 20 mil estrangeiros a frequentar instituições de ensino superior portuguesas, com destaque para os brasileiros (32%) e os espanhóis (cinco por cento).

Cada vez mais, os portugueses querem prosseguir os estudos lá fora, tendo-se registado um aumento de 19% em apenas três anos, sendo o Reino Unidos e a França os destinos mais procurados.

21.11.17

Jovens representam mais de 35% dos desempregados do mundo, alerta OIT

in ONUBR

A juventude representa mais de 35% da população desempregada em todo o mundo, segundo relatório lançado nesta segunda-feira (20) pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Apesar de o número estimado de 70,9 milhões de jovens desempregados este ano representar uma melhora frente ao auge da crise em 2009, a OIT estima que esse volume deve aumentar em mais 200 mil em 2018, atingindo um total de 71,1 milhões.

A juventude representa mais de 35% da população desempregada em todo o mundo em 2017, segundo relatório lançado nesta segunda-feira (20) pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Enquanto em 2016 a taxa global de desemprego juvenil ficou estável em 13%, a expectativa é que ela aumente levemente para 13,1% este ano, segundo o documento “Tendências Globais de Emprego para a Juventude 2017”.

O número estimado de 70,9 milhões de jovens desempregados em 2017 é uma melhora significativa em relação ao auge da crise em 2009, quando existiam 76,7 milhões de jovens desempregados no mundo. No entanto, a OIT estima que esse volume deve aumentar em mais 200 mil em 2018, atingindo um total de 71,1 milhões.
Globalmente, os aumentos consideráveis nas taxas de desemprego juvenil observadas entre 2010 e 2016 no norte da África, nos Estados árabes e na América Latina e no Caribe foram compensados por melhorias nos mercados de trabalho juvenil na Europa, na América do Norte e na África subsaariana.

O crescimento econômico geral continua desconectado do crescimento do emprego e a instabilidade econômica ameaça reverter os avanços observados no emprego juvenil. A diferença nas taxas de desemprego entre jovens e adultos quase não mudou na última década, ilustrando as desvantagens enraizadas e extensivas que a juventude enfrenta no mercado de trabalho.

O relatório também destaca as vulnerabilidades contínuas das mulheres jovens no mercado de trabalho. Em 2017, a taxa global de participação delas na força de trabalho é 16,6 pontos percentuais menor que a dos homens jovens.

As taxas de desemprego das mulheres jovens também são significativamente maiores do que as dos homens jovens. Além disso, a diferença de gênero na taxa de jovens que não estão trabalhando nem estudando ou recebendo treinamento é ainda maior: globalmente, essa taxa é de 34,4% das mulheres jovens, comparado a 9,8% dos homens jovens.

Em 2017, 39% dos 160,8 milhões de jovens trabalhadores no mundo emergente e em desenvolvimento vivem em pobreza moderada ou extrema, ou seja, com menos de 3,10 dólares por dia.

Atualmente, mais de dois em cada cinco jovens na força de trabalho estão desempregados ou estão trabalhando enquanto continuam na pobreza, uma realidade impressionante que afeta sociedades do mundo todo.

Para muitos deles, presente e futuro estão na economia informal. Três em cada quatro jovens mulheres e homens empregados estão no emprego informal, em comparação com três em cada cinco adultos. Nos países em desenvolvimento, essa proporção chega a 19 em cada 20 jovens mulheres e homens.
O desafio do emprego juvenil não é, portanto, apenas sobre a criação de emprego, mas também — e principalmente — sobre a qualidade do trabalho e empregos decentes para a juventude.

“Lidar com esses persistentes desafios sociais e do mercado de trabalho enfrentados por jovens mulheres e homens é crucial, não só para alcançar um crescimento sustentável e inclusivo, mas também para o futuro do trabalho e a coesão social”, disse a diretora-geral adjunta para políticas da OIT, Deborah Greenfield.

Outros resultados
O relatório também revela que os setores com algumas das maiores taxas de crescimento de emprego juvenil na última década incluem finanças, comércio e saúde.
Os jovens são relativamente mais fluentes em tecnologia do que os trabalhadores mais velhos e aproveitam isso cada vez mais para ganhar a vida, embora existam diferenças entre as regiões, dependendo da taxa de difusão e do acesso digital.

As habilidades demandadas também estão mudando. Houve um declínio na busca por capacidades de nível médio, enquanto a procura por trabalhadores altamente qualificados e menos qualificados está crescendo, contribuindo para uma maior polarização no mercado de trabalho.

A demanda por jovens altamente qualificados cresceu fortemente em países de renda alta, enquanto nos países em desenvolvimento e emergentes houve um aumento no trabalho de baixa habilidade.

O emprego de jovens trabalhadores semiqualificados diminuiu na maioria dos países, em todos os níveis de desenvolvimento. Essa tendência de polarização do trabalho pode ser acentuada pelas novas tecnologias e potencialmente exacerbar as desigualdades existentes.

Um número crescente de jovens à procura de emprego e de jovens empreendedores está recorrendo à Internet — ou seja, à economia sob demanda das plataformas digitais, conhecida como gig economy — onde encontram formas novas e diversas de emprego.

Um exemplo disso é o crowd-work realizado remotamente através de plataformas online, que pode oferecer flexibilidade e expandir as oportunidades de obtenção de renda. No entanto, existem riscos importantes, incluindo baixos rendimentos, nenhuma garantia de continuidade no emprego ou de renda e falta de acesso a benefícios relacionados ao trabalho.

Os jovens muitas vezes iniciam suas vidas profissionais em empregos temporários, sabendo que talvez nunca consigam conquistar “segurança no t
trabalho”.

Eles são mais propensos a fazerem a transição para empregos estáveis e satisfatórios nas economias desenvolvidas e emergentes do que nos países em desenvolvimento.

Mais investimentos em educação de qualidade e desenvolvimento de habilidades são críticos, pois quanto mais tempo uma pessoa jovem estuda, menor é o tempo de transição para o emprego, mostrou o relatório.

O documento também destaca a necessidade de políticas que levem em conta as rápidas mudanças nas características do mundo do trabalho, impulsionadas pela tecnologia, e que permitam que mulheres e homens jovens estejam à frente da curva.

“Investir em mecanismos de aprendizagem ao longo da vida, habilidades digitais e estratégias setoriais que expandam o trabalho decente e abordem as vulnerabilidades dos mais desfavorecidos deve ser a prioridade das políticas nacionais”, disse a diretora do Departamento de Políticas de Emprego da OIT, Azita Berar Awad.

O relatório fez ainda um chamado por parcerias estratégicas com múltiplos atores no âmbito da Iniciativa Global sobre Empregos Decentes para a Juventude e da plataforma da Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável, no sentido de aumentar a ação e o impacto sobre o emprego juvenil.

24.10.17

Mais de 47 mil jovens desempregados em Setembro

in RR

Número de desempregados inscritos nos centros de emprego baixa 16,3%.

Os dados do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), divulgados esta segunda-feira, mostra que em Setembro o desemprego afectava 47.354 jovens.
Este valor representa uma redução homóloga de 20,5% (menos 12.196 jovens), embora tenha aumentado em termos mensais (com uma subida de 3,1%, o correspondente a mais 1.411 jovens).

Já o número de desempregados inscritos nos centros baixou 16,3% em Setembro, face a igual mês de 2016, para 410.819 pessoas, e 1,8% face ao mês anterior.
De acordo com os dados disponíveis na página do IEFP, e mantendo a tendência dos meses anteriores, é preciso recuar até Novembro de 2008, para encontrar um número mais baixo do que o observado no mês em análise.

Para a diminuição do desemprego, face ao mês homólogo de 2016, contribuíram todos os grupos de desempregados, com destaque para as reduções observadas nos homens (19%), nos adultos com idades iguais ou superiores a 25 anos (15,8%), nos inscritos há menos de um ano (18,1%), nos que procuravam novo emprego (16,3%) e nos que possuem como habilitação escolar o primeiro ciclo do ensino básico (18,6%).

Já o número de desempregados de longa duração foi de 205.325 no mês de Setembro, diminuindo 14,5% em relação ao mês homólogo (menos 34.765 pessoas) e 2% em termos mensais (menos 4.272 pessoas).

A nível regional, comparando com o mês de Setembro de 2016, o desemprego diminuiu em todas as regiões do país, destacando-se o Algarve com a descida percentual mais acentuada (26,5%).

13.9.17

Jovens que não trabalham nem estudam no top 6 da OCDE

Pedro Sousa Tavares, in Diário de Notícias

e acordo com o Education at a Glance, no grupo dos 15 aos 29 anos temos 20,8% de "nem-nem". Em 2000 eram 11%

Em 2016, mais de um em cada cinco jovens portugueses dos 15 aos 29 anos (20,8%) não trabalhava nem estudava. O indicador consta do relatório Education at a Glance, da OCDE, e pode ser considerado surpreendente a vários níveis.

Desde logo, por aparentemente contrariar outros estudos sobre os "nem-nem" portugueses - ou NEET, de acordo com a terminologia oficial - e outros indicadores recentes favoráveis relativos ao desemprego jovem e taxa de escolarização. Mas também por colocar o país com a quinta taxa mais elevada da OCDE - apenas abaixo de Itália, México, Espanha, França e Grécia - e que representa quase o dobro dos valores nacionais no ano 2000, em que estes se situavam nos 11%.

A explicação aparente está nos adultos entre os 25 e os 29 anos, os quais - apesar de considerados nesta relatório da OCDE - não costumam constar de outros indicadores relativos aos jovens. Nomeadamente no desemprego jovem, que abrange dos 15 aos 25 anos e já está abaixo dos 23%, em Portugal, depois de ter atingido um pico de 38% em 2013; ou dos mesmos NEET mas para a faixa etária dos 18 aos 24 anos.

Ainda no final de agosto, o Eurostat divulgou dados relativos aos jovens dos 18 aos 24 que não trabalham nem estudam em que Portugal surgia com uma taxa de 12%, em linha com a média da OCDE. No final de 2016, o país tinha mesmo chegado aos 11,5%, merecendo elogios da comissária europeia do emprego, Marianne Thyssen.

Afinal, mostram os dados da OCDE, Portugal continua com um problema muito sério de jovens sem ocupação. E não parecem restar dúvidas de que o foco está claramente centrado na faixa dos 24 aos 29 anos.

"Isso com certeza tem a ver com o alargamento de classe etária que eles consideram [face às medições habituais até aos 24 anos]", diz ao DN o sociólogo Elísio Estanque, confirmando que "todos os outros dados que temos tido são de redução do emprego e de sucesso escolar. A explicação seria um agravamento rápido de desemprego a partir daqueles que terminam o estudo: Com 24 anos, a maioria dos jovens saíram da universidade e dos institutos superiores".

Portugal continua a ter uma das taxas de abandono escolar precoce - maiores de 24 anos que não concluíram o secundário nem estão a estudar - das mais altas da OCDE: 35% para uma média da OCDE de 21%. Mas a própria organização elogia no estudo os progressos registados a esse nível, dando ênfase à aposta no profissional e vocacional.

O próprio relatório da OCDE demonstra que a "causa" das elevadas percentagens de "nem-nem" não está do lado da Educação. No mesmo período, entre 2000 e 2016, em que os jovens portugueses nessa situação passaram de 11% para 20,8%, a taxa dos que estavam a estudar cresceu dos 36,5% para os 43,3. A questão está na descida, nesse período, dos que estavam empregados, que passaram de 52,6% em 2000 para apenas 35,9% em 2016.

Mas como comprovar que é apenas uma pequena franja de jovens desempregados - entre os 25 e os 29 anos - que está a ditar as preocupantes médias nacionais? O DN confrontou, ao final da tarde de ontem, o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) com as conclusões da OCDE.

Apesar de não ter respondido às questões, por não ter tido tempo de analisar os métodos do estudo internacional, este organismo enviou ao DN um quadro do Inquérito ao Emprego, do Instituto Nacional de Estatística, com a distribuição, em três grupos etários, dos jovens dos 15 aos 34 anos que não estavam a estudar nem a trabalhar. Os dados, não sendo inteiramente esclarecedores, deixam algumas pistas. No total, no segundo trimestre deste ano, existiam 241 900 nestas condições. Destes, quase 151 mil estavam na faixa etária dos 25 aos 34. Mais do dobro daqueles - entre os 20 e os 24 anos - que costumam ser citados quando se fala em "nem-nem".

Elísio Estanque aponta algumas críticas ao método da OCDE. Nomeadamente o facto de "combinar dois grupos muito distintos: os 15 aos 24, a grande maioria dos quais a estudar, e os 24 aos 29". No entanto, admite que, mesmo com estas ressalvas, "os números são preocupantes. Numa altura em que a escolaridade está a aumentar e o desemprego a descer, deixam-nos perplexos", assume.

13.2.17

Desemprego jovem: um flagelo a combater

Jorge Faria de Sousa, in Diário de Notícias

No último trimestre de 2016, a taxa de desemprego em Portugal situava-se nos 10,5%. Sendo que, entre os jovens foi de 28% (entre os 15 e os 24 anos), segundo dados do Instituto Nacional de Estatística. A taxa de desemprego tem vindo assim a baixar, ainda que a ritmo baixo.
O desemprego jovem é um flagelo que afeta muitas famílias e sobretudo os sonhos e as aspirações da juventude portuguesa, que tem de ser combatido. Neste momento, estima-se que cerca de 300.000 jovens portugueses com histórias de vida próprias, que não estudam, não estão em formação, nem trabalham.

No entanto, o atual governo reduziu para metade os apoios contratação de jovens, acabou com o programa Retomar, que combatia o abandono escolar e praticamente congelou a aprovação de novos estágios ao abrigo do programa Garantia Jovem.

Assim, considero que é fundamental que seja desbloqueada a aprovação de estágios profissionais através do programa Garantia Jovem. Por outro lado, é essencial que Portugal tenha uma estratégia de combate ao abandono escolar e ainda, que sejam criados mecanismos e apoios à contratação de jovens por parte das empresas.

Além destes temas, é importante ajustar o sistema de ensino ao mercado de trabalho, quer seja pela via do ensino profissional, quer superior. Defendo que, há uma enorme necessidade da criação de sinergias entre as instituições de ensino e as empresas, com mecanismos como a realização de estágios no decorrer da formação académica dos jovens. No que ainda à educação diz respeito, é urgente em Portugal rever a oferta de ensino superior. Por isso, defendo que deve haver uma reorganização do ensino superior em Portugal, não optando pelo fecho de cursos, mas sim pela diminuição do número de vagas dos cursos com menor empregabilidade. Considero também que o ensino profissional, articulado com as empresas, deve de ser uma aposta. A meu ver, é essencial que os jovens, que não pretendam prosseguir estudos para o ensino superior, possam optar pela via profissional, tendo assim, a possibilidade de aprender uma profissão. Portugal necessita de técnicos de nível intermédio e uma entrada mais rápida para o mercado de trabalho e para uma profissão. Tal como no ensino superior, a oferta do ensino profissional deve dar resposta as necessidades do mercado de trabalho e deve ajustar-se às características de cada concelho, ou região.

Uma alternativa para muitos jovens hoje é arriscar e criar o seu próprio negócio. Hoje em dia, as start-ups representam cerca de 18% do novo emprego criado anualmente pelas empresas e ainda, com um peso significativo na evolução exportações. Entre 2007 e 2015, foram constituídas 309 550 empresas e outras organizações, (34 mil por ano, em média). Por isso, hoje o empreendedorismo pode ser uma saída e existem muitos bons exemplos de start-ups que vingaram no mercado e que são verdadeiros casos de sucesso, gerando riqueza e criando postos de trabalho.
O desemprego jovem é um problema que afeta as novas gerações, aquelas que são as mais bem preparadas de sempre, num mundo global. Portanto, é fundamental por em prática políticas ativas de emprego jovem, como os estágios e ainda, encarar o empreendedorismo jovem como parte da solução.

17.3.16

Draghi: “Desemprego jovem é uma tragédia”

Liliana Coelho, in "Expresso"

Presidente do Banco Central Europeu entende que o combate ao desemprego jovem e a reforma do mercado laboral devem ser prioridades da União Europeia

Mario Draghi manifesta-se preocupado quanto ao elevado desemprego jovem na Europa. Em entrevista ao jornal britânico “The Guardian”, o presidente do Banco Central Europeu (BCE) sustenta que o combate ao desemprego entre os mais novos e a reforma do mercado de trabalho devem ser prioridades da política europeia.

“O desemprego jovem é uma tragédia e não permite que as pessoas desempenham um papel com significado na sociedade. Isso coloca a economia em risco e ameaça a harmonia social”, declara o líder do BCE.

Afirmando que os jovens são frequentemente mal remunerados e têm contratos de trabalho temporários, quando não se encontram no desemprego, Draghi frisa que “isso significa também que os empregadores estão relutantes a investir em jovens, pelo que os proveitos para esta geração continuam escassos ao longo da sua vida.”

O regulador europeu lembra ainda que está em causa a sustentabilidade da Segurança Social em muitos Estados-membros e a falta de qualidade de vida de milhares de cidadãos europeus. “Ninguém fica eternamente jovem. A questão crucial é se uma pessoa pode participar inteiramente na economia ao longo da sua vida – de ter acesso a uma boa educação, encontrar um emprego e comprar casa para a família”, acrescenta.

Esta não é a primeira vez que Mario Draghi aponta para as consequências do desemprego jovem. Há três anos, o responsável já defendia que se o desemprego não é uniforme e afeta mais os mais jovens, na sua origem estão sobretudo problemas estruturais das economias europeias.

“Essa é uma das razões pelas quais os países precisam de levar a cabo reformas. A política monetária não pode fazer muito a esse nível”, disse então Draghi aos jornalistas, após uma reunião mensal do Conselho de Governo do BCE.

Esta quinta-feira, o líder do BCE anunciou a redução da taxa de juro para 0,00% e a expansão do programa de compra de ativos, com vista a estimular a concessão de crédito e o crescimento económico.

19.1.16

Desemprego jovem e emissões poluentes inauguram debate

in Notícias ao Minuto

O combate ao desemprego jovem e os limites das emissões dos automóveis em condições reais de condução são temas a tratar no primeiro dia do plenário do Parlamento Europeu, em Estrasburgo (França).

Os eurodeputados vão tratar hoje de políticas para o desemprego jovem, bem como debater uma proposta sobre as emissões poluentes do setor automóvel.

O destaque dos trabalhos desta semana acontecerá, porém, um dia depois com a deslocação da primeira-ministra polaca, Beata Szydlo, ao plenário para a análise das reformas legais que permitem a nomeação dos dirigentes nos media públicos e dificultar a tomada de decisões no Tribunal Constitucional, segundo os críticos.

A discussão das decisões tomadas pelo governo do partido Direito e Justiça (PiS) incluirá representantes do Conselho e da Comissão, dias depois de a Comissão Europeia ter anunciado a abertura de um procedimento inédito que poderá resultar em sanções.

O executivo comunitário informou que irá avançar com o "diálogo estruturado" com a Polónia, o 1.º passo do quadro normativo para salvaguardar o Estado de direito na UE.

Na terça-feira, os eurodeputados recebem ainda o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, e o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, para o debate sobre as conclusões da cimeira de dezembro, dominada pela crise migratória, terrorismo e 'Brexit'.

16.12.15

Desemprego não deixa Portugal subir no Índice

Marta Cerqueira, in iOnline

Portugal mantém-se em 43º lugar de uma lista de 187 países. Apesar de algumas melhorias, destaca-se pela negativa quanto ao desemprego jovem.

Portugal continua no grupo dos países com desenvolvimento humano considerado muito alto e tem uma pontuação global de 0.83 (numa pontuação dada de 0 a 1). Estes dois indicadores podiam chegar para que a divulgação do Índice de Desenvolvimento Humano fosse uma boa notícia para os rankings nacionais, mas basta uma comparação com os anos anteriores para que se denote um desaceleramento no crescimento. Em 2009, por exemplo, Portugal ocupava o 34º lugar da lista. Além disso, na década de 90 o crescimento era de 0,97% ao ano e actualmente fica-se pelos 0,33%.
Estes são números que fazem com que Portugal fique atrás de países que também tiveram intervenção da troika internacional: a Irlanda está em 6º lugar e a Grécia na 29º posição. A liderar o ranking, que faz parte do relatório anual do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), está a Noruega, com a Austrália, a Suíça, a Holanda e a Alemanha a ajudarem a compor o top cinco. Do lado oposto da tabela estão países como o Burundi, Chade, Eritreia e República Centro-Africana.

Desemprego Quando se fala de desemprego, o caso português é apontado pela ONU como um dos mais preocupantes. Para isso contribui a análise feita aos dados de offshoring e que dão conta que a contratação além-fronteiras é responsável por quase 55% de todas as perdas de empregos em Portugal. Os autores sublinham que “enquanto o offshoring parece benéfico para desenvolver regiões de alguns países, tem consequências para os trabalhadores de países desenvolvidos.”

Ainda no capítulo sobre o desemprego, Portugal volta a ganhar destaque, desta vez quando se fala no número de jovens sem trabalho. Em 2014, 35% dos jovens portugueses entre os 15 e 24 anos estavam desempregados. O relatório faz ainda uma caracterização desta faixa etária, para que se perceba a dimensão do problema. “Hoje, mais de metade da população mundial tem menos de 30 anos. Esta população é tendencialmente mais saudável, tem melhor educação e consegue tirar melhor partida das tecnologias de comunicação que permitem interagir numa sociedade global. Por isso, têm expectativas mais altas em relação a trabalho, mas muitos deles não conseguem arranjar trabalho”, pode ler-se.
Numa análise mais global, o relatório revela que, em 2015, 74 milhões de jovens entre os 15 e os 24 anos estavam sem emprego e o rácio entre jovens e adultos com emprego estava no seu ponto mais alto de sempre, com níveis recorde nos Estados árabes, países do sul da Europa, América Latina e Caraíbas. “Por exemplo, o desemprego jovem em 2014 era 3.4 vezes mais alto do que o adulto em Itália, quase 3 vezes mais alto na Croácia e quase 2.5 vezes mais alto na República Checa, Portugal e Eslováquia”, indica o relatório.

Nem tudo é mau O relatório não é brando na hora de apontar as desigualdades que persistem entre homens e mulheres no mundo do trabalho. Assim, segundo o documento, as mulheres têm uma menor probabilidade de ser pagas pelo seu trabalho do que os homens, sendo três em cada quatro horas de trabalho não remunerado realizadas por mulheres.
Apesar do cenário não ser animador, Portugal insere-se no grupo de países com melhor taxa de igualdade entre homens e mulheres, conquistando a 20º posição no ranking.

Ainda de acordo com o documento, 59% do trabalho realizado globalmente é remunerado, sendo aí a participação masculina quase o dobro da feminina: 38% versus 21%. No que respeita a trabalho remunerado, as mulheres “ganham menos, o seu trabalho tende a ser mais vulnerável e estão sub-representadas nos cargos de gestão e de tomada de decisão”, assinala Helen Clark, responsável do PNUD, no prefácio ao relatório.



2.11.15

Desemprego jovem motiva troca de argumentos entre maioria e oposição

Jorge Freitas Sousa, in dnotícias

Carolina Silva fez uma intervenção na ALM, no período antes da ordem do dia, em que abordou a situação dos jovens em Portugal, destacando o alheamento da política e intervenção cívica e reconheceu as dificuldades que enfrentam, sobretudo ao nível do mercado de trabalho.

A deputada do PSD acredita que deverá ser a dinamização dos órgãos representativos da juventude uma forma de promover o debate e a participação.

Carolina Silva foi confrontada, pela oposição, com a situação laboral dos jovens. Carlos Costa (JPP) recordou que 34% dos jovens portugueses estão desempregados e 63% têm trabalho precário.

A deputada espera que a crise política que o país atravessa não impeça que sejam adoptadas medidas para promover o emprego jovem.

17.9.15

“Se os jovens deixarem de descontar para as pensões, quem vai proteger os idosos?”

in Expresso

Manuela Ferreira Leite e Mário Centeno (economista que chefia o grupo de especialistas que tem trabalhado com António Costa no PS) apresentaram o livro “Cuidar do Futuro”, da autoria de Pedro Adão e Silva e Mariana Trigo Pereira

Manuela Ferreira Leite considera que há “uma legítima desconfiança” dos portugueses em relação ao sistema de pensões, que decorre dos cortes dos últimos anos. “Pela primeira vez, houve um contrato violado”

Defendendo que o tema da sustentabilidade da Segurança Social tem de envolver vários partidos, Manuela Ferreira Leite considera que este é um tema “necessariamente de longo prazo” e que não há nenhum governo que legitimamente possa alcançar sozinho uma solução.

É importante que “não se construam modelos sobre preconceitos errados”.

É o caso das pensões mínimas, disse Ferreira Leite, pois existe a ideia de que elas se aplicam apenas a situação de pobreza. Mas "a pensão mínima não significa só por si uma situação de pobreza", referindo-se sim às carreiras contributivas das pessoas.

A sustentabilidade da Segurança Social não tem só a ver com as contribuições e prestações da Segurança Social, mas tem também a ver com a situação económica, com a situação demográfica e com o mercado de trabalho, prosseguiu Ferreira Leite.

Outro ponto "que não posso deixar de sublinhar é o problema da desconfiança geracional sobre o tema das pensões. E que é algo de extremamente preocupante". A perspetiva que se desenhou sobre o futuro da sustentabilidade da Segurança Social só pode servir para desequilibrar ainda mais a Segurança Social, pois criando a ideia junto dos jovens de que não vale a pena descontar e é melhor preferir poupanças alternativas (no privado), só pode prejudicar o financiamento do sistema.

“Como se protegem as pessoas idosas se os jovens deixarem de contribuir?”, questionou Ferreira Leite. Que respondeu: então, ou é o Estado a protegê-los, o que significa que serão os jovens a pagar impostos para isso; ou serão os jovens a ter de sustentar os mais idosos.

Estas afirmações foram feitas esta segunda-feira ao final da tarde em Lisboa, durante a apresentação do livro “Cuidar do Futuro”. Da autoria de Pedro Adão e Silva e Mariana Trigo Pereira, o livro, dedicado ao Estado Social, foi apresentado por Mário Centeno (economista que chefia o grupo de especialistas que tem trabalhado com António Costa, no PS) e Manuela Ferreira Leite (que foi ministra das Finanças e presidente do PSD).

19.6.15

Sou desta geração que nem se permite sonhar

Texto de Andreia Fonseca, in Público on-line (P3)

Eu nem me atrevo a referir que vivo: sobrevivo, à custa dos sacrifícios dos meus pais, aqueles que em tempos choraram de orgulho quando conquistei o maldito canudo!

Eu faço parte de uma curiosa geração. Com 25 anos, cresci com a lengalenga de que um curso era uma garantia de sucesso. Mas esta geração foi enganada. O canudo não é garantia, quanto muito, é um investimento a longo-prazo que, quem sabe, um dia venha a gerar lucro. Iludida, esta geração partiu aos 18 anos de malas feitas para a universidade, numa heroica busca por um futuro promissor. Mas, no meu caso e em tantos outros (atrevo-me a dizer milhares), o tiro saiu pela culatra.

O curso foi concluído com esforço, investimento (a todos os níveis) e média de 18 valores — com direito a lágrimas de orgulho na defesa da tese de mestrado. E depois do pico de felicidade, veio a realidade… O regresso a casa, com as mesmas malas, que carregadas de sonhos heroicos partiram, mas que voltavam com receios, dúvidas e dificuldades antecipadas.

As malas estavam certas! Os dias passavam, os currículos eram impressos, entregues e, com muita certeza, ignorados a velocidades vertiginosas. “Muda o currículo”, “oculta o teu mestrado”, “tens de aceitar que isto está difícil e terás de te sujeitar a qualquer coisa”, diziam as vozes sábias que me rodeavam, e que a cada palavra “queimavam” os meus sonhos, transformando-os em meras cinzas.

A sugestão de mudar o currículo é compreensível, temos de inovar e atualizar as nossas competências — embora isso exija, grande parte das vezes, um investimento insustentável para quem nada tem. Agora, ocultar a minha formação, como se fosse motivo de vergonha? Algo para o qual dediquei praticamente toda a minha vida? Sim, porque 17 anos de estudo em 25 de idade é algo substancial. E, depois, aquele argumento de que nos temos de “sujeitar” a qualquer coisa é quase referir o termo “escravatura” sem o mencionar.

E esta tem sido a minha vida, o envio de currículos, intercalado com algumas entrevistas, nas quais os entrevistadores pouco estão interessados no que temos para dizer e, claro, (a cereja no topo do bolo de lamentações) as formações do IEFP — aquelas formações para as quais somos “convidados”, com a certeza de que a nossa inscrição é cancelada por 90 dias se as rejeitarmos. A parte boa é que que nestas formações tenho a oportunidade de conhecer pessoas fantásticas, extremamente competentes, que passam pelo mesmo que eu: são desperdiçadas. Estas formações têm muito que se lhe diga… Colocam 30 pessoas numa sala, nem sempre com as melhores condições, e fazem com que estas desapareçam das estatísticas de desemprego. Sim, porque agora somos formandos — estatuto de luxo, considerando que ganhamos 1.13 euros por hora de formação.

Todo este frenesim, que é a minha vida de desempregada diplomada, termina na mesa de refeição. Aquele momento em que me sento, vejo o ar de cansaço na cara dos meus pais (aquele ar de quem tem de contar os cêntimos para sobreviver) e percebo que continuo a depender deles para comer um simples pão.

E no desenrolar deste “simples” pensamento, percebo que nem sequer me atrevo a pensar em vir a ter a minha própria casa, o meu próprio carro (ou outro veículo com rodas), ou a comprar a minha própria comida. E é esta geração, que agora ainda é apelidada de “jovens adultos” que um dia será o núcleo da nossa população ativa. Uma geração que nem se permite a sonhar, porque os sonhos custam muito… Custam o preço da desilusão, a nossa e a de quem nos ama. E como o “sonho comanda a vida”, eu nem me atrevo a referir que vivo: sobrevivo, à custa dos sacrifícios dos meus pais, aqueles que em tempos choraram de orgulho quando conquistei o maldito canudo!

15.6.15

Secretário de Estado reconhece que desemprego ainda afeta 30% dos jovens

in o Observador

O secretário de Estado do Emprego, Octávio Oliveira, reconheceu , em Fafe, que o desemprego em Portugal ainda afeta 30% dos jovens, mas assinalou que a taxa já esteve no 42%.

O secretário de Estado do Emprego, Octávio Oliveira, reconheceu, em Fafe, que o desemprego em Portugal ainda afeta 30% dos jovens, mas assinalou que a taxa já esteve no 42%.

Os progressos alcançados, explicou, também de devem aos estágios profissionais, após os quais 70% dos jovens conseguiram emprego.

Segundo Octávio Oliveira, a diminuição do desemprego entre os mais novos tem acompanhado a tendência global nacional, cuja taxa é atualmente, disse, de 13%, o que reflete uma queda considerável face aos 17,5% verificados em 2013.

O secretário de Estado falava em Fafe, onde hoje foi celebrado um protocolo entre a associação empresarial local e o Instituto de Emprego para a realização de 10 ações de formação, no âmbito da medida “Vida Ativa”, que vão beneficiar cerca de 200 desempregados, representando um investimento de 365.000 euros.

O secretário de Estado sublinhou “o grande sucesso” daquele tipo de formação, exemplificando que, só no último ano, em Fafe, foram beneficiadas cerca de 500 pessoas, em cursos de diferentes áreas profissionais.

De acordo com o governante, aquele modelo de formação profissional, criado pelo atual executivo, que “privilegia o contacto com as empresas”, tem permitido qualificar os recursos humanos de acordo com as “necessidades dos empregadores” e acelerar o regresso dessas pessoas ao trabalho.

Referindo-se, em concreto, à evolução do desemprego no distrito de Braga, ao qual pertence Fafe, avançou que, atualmente, afeta menos 14.000 pessoas do que em 2013.

Segundo anotou, em 2013 estavam registados 61.000 pessoas sem trabalho naquele distrito, número que diminuiu para 54.000 em 2014 e 47.000 em 2015.

A descida ocorrida no distrito está em linha com o contexto nacional, onde há menos 124.000 pessoas sem trabalho do que em 2013, apontou. Também em Fafe, prosseguiu, baixou dos 4.000 desempregados, há dois anos, para pouco mais de 3.000, atualmente.

O resultado alcançado, disse, é mérito das políticas ativas de emprego e reformas realizadas pelo Governo e matéria laboral, mas sobretudo, acentuou, das empresas e outras instituições, nomeadamente do setor social, que têm criado emprego.

Também a maior “proximidade e cooperação” com as associações empresariais, como ocorre em Fafe, tem tornado “mais eficazes” as medidas adotadas pelo Governo.

A propósito, elogiou o “dinamismo” e a “qualidade” da Associação Empresarial de Fafe, Cabeceiras de Basto e Celorico de Basto, no apoio que presta aos seus associados e na formação profissional que proporciona à população.

Jorge Gaspar, presidente do Instituto de Emprego e Formação Profissional, presente na sessão, salientou as vantagens de a formação prevista no protocolo hoje celebrado permitir adaptar as qualificações às necessidades concretas das empresas.

“Formar é para empregar, não é para manter entretidas as pessoas”, declarou.

Por seu turno, o presidente da Confederação do Comércio Português (CCP), João Vieira Lopes, sublinhou a boa cooperação com a secretaria de Estado do Emprego.

Reconheceu também que, para além dos empregados, também os empresários têm de melhorar a sua qualidade de gestão para promover a competitividade e a produtividade.

8.5.15

O que explica o “aumento desproporcional” do desemprego jovem?

Pedro Crisóstomo, in Público on-line

Há 15 anos, era 50% menos provável um jovem ser desempregado de longa duração. Um quarto dos trabalhadores entre os 35 e os 44 anos tem contratos a prazo.

A rotatividade associada aos contratos a prazo “tem implicações negativas” para o percurso do trabalhador, diz o BdP Bárbara Raquel Moreira

Há um número que sobressai a cada vez que se olha para a evolução recente do mercado de trabalho: um terço dos jovens entre os 15 e os 24 anos não encontra lugar no mercado de trabalho. Os últimos números trimestrais do Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que a taxa de desemprego jovem está em 34,4%. O problema não é novo. Mas o que explica o “aumento desproporcional” do desemprego nesta faixa etária depois da eclosão da crise financeira internacional? O Banco de Portugal (BdP) lança a questão no último Boletim Económico, publicado nesta quarta-feira, e procura algumas pistas de resposta analisando o comportamento do mercado de trabalho depois da recessão e as alterações na área laboral desde 2011.

Antes da resposta, alguns números e tendências. No início deste século, diz o banco central, “era 50% menos provável que um trabalhador jovem estivesse desempregado há mais de um ano relativamente à média, enquanto para trabalhadores mais velhos esta situação era 1,5 vezes mais provável”. Hoje, a probabilidade de se ficar no desemprego de longa duração (um ano ou mais tempo) está mais próxima entre os mais novos e os mais velhos. E é mais alta tanto num caso como noutro.

“É normal que os jovens tenham taxas de desemprego mais altas do que a média da população activa, uma vez que muitos deles estão à procura do primeiro emprego e têm por isso taxas de rotação mais altas enquanto procuram um emprego mais estável”, lê-se no boletim do BdP.

O banco central chama a atenção para o facto de “a maioria da parcela” dos jovens que não têm trabalho estarem estatisticamente classificados “como [população] inactiva e não como desempregada”. Mais um dado: “Por cada 100 jovens empregados no fim do século passado, actualmente há só 52 jovens na mesma situação. Dos restantes, três quartos estão inactivos e só um quarto está desempregado”. Segundo o BdP, a maioria destes fluxos tem a ver com o aumento da escolaridade obrigatória, do número de estudantes universitários e com programas de formação.

A leitura do banco central é mais abrangente. A instituição liderada por Carlos Costa lembra que os trabalhadores jovens são, desde logo, “mais sensíveis ao ciclo económico, dado que o seu custo de oportunidade de um emprego difere do dos trabalhadores mais experientes (podem voltar a estudar ou ter apoio familiar, por exemplo)”. Mas vinca que a resposta ao problema está “também intimamente ligada ao aumento da utilização de contratos a prazo e à sua incidência particularmente alta entre trabalhadores jovens”.

Para o Banco de Portugal, a possibilidade de um trabalhador jovem “experimentar diversos empregos na fase inicial de uma carreira traz benefícios tanto para os trabalhadores como para as empresas”. A introdução de contratos a prazo, considera, “deveria ter melhorado este mecanismo”, mas a rotatividade nos contratos “vai muito além da que seria de esperar deste processo”.

É que hoje constata-se que “os trabalhadores, em geral, demoram muitos anos para efectuar essa transição [para um emprego permanente] e nem sempre a conseguem fazer: a percentagem de trabalhadores entre 35 e 44 anos com contratos a prazo subiu de 15% em 1998 para 25% em 2014, excedendo o aumento desta faixa etária em termos de emprego total”. O banco central considera que o nível de rotatividade é “excessivo” e que “tem implicações negativas para o resto do percurso profissional do trabalhador”. Com a crise, “as empresas contraíram a contratação, e em particular sob a forma de contratos permanentes”.

Uma das leituras do Banco de Portugal é que o aumento do desemprego “não está a pôr pressão suficiente” nas vagas do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) para que estas diminuam. A razão, diz o departamento de estudos do BdP, pode estar no facto de o processo que junta trabalhador e emprego “se tenha tornado menos eficiente”. Isto tanto porque as empresas podem não estar “a encontrar candidatos adequados entre os desempregados”(e aqui conta o próprio factor desemprego de longa duração, que implica “perdas de qualificações” e “erosão do capital humano”), como por causa daquilo a que o BdP chama de “mudanças institucionais no mercado de trabalho”.