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11.7.23

Lucros aumentaram mais do que custos do trabalho na maioria dos países da OCDE, mas em Portugal foi ao contrário

Sónia M. Lourenço Jornalista e Carlos Esteves Jornalista infográfico, in Expresso


Comparando com o final de 2019, antes da pandemia, os custos do trabalho aumentaram 19,2% em Portugal, ou seja, mais do dobro do aumento de 8% dos lucros das empresas, aponta o Employment Outlook da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico, publicado esta terça-feira


A evolução dos custos do trabalho e dos lucros das empresas, e a sua relação com o atual surto inflacionista, tem marcado a atualidade e a discussão económica e é um dos temas em análise no Employment Outlook 2023, da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE), publicado esta terça-feira.

Conclusões? Entre o final de 2019, antes da crise pandémica, e o primeiro trimestre deste ano, os lucros cresceram mais do que os custos do trabalho na grande maioria dos países da OCDE. Mas Portugal é uma das exceções.

“Ao longo dos últimos três anos, os custos do trabalho por unidade do produto real (custos unitários do trabalho) aumentaram na maioria dos países da OCDE, já que o crescimento dos salários nominais excedeu o crescimento da produtividade”, lê-se no relatório. E explica que este indicador obtém-se dividindo a compensação dos trabalhadores pelo Produto Interno Bruto (PIB) real.

Ao mesmo tempo, as margens de lucro, medidas pelos lucros por unidade do produto real (lucros unitários, obtidos pela divisão do excedente operacional bruto pelo PIB real), "também cresceram na maioria dos países, indicando que, em termos agregados, as empresas foram capazes de aumentar os preços para além do incremento no custo do trabalho e de outros inputs”, aponta a OCDE.

De facto, “na maioria dos países, os lucros unitários subiram mais do que os custos unitários do trabalho em 2021 e 2022”, salienta a organização. Em concreto, em 24 dos 29 países analisados, os lucros cresceram mais do que os custos do trabalho entre o final de 2019 e o primeiro trimestre deste ano.


“Como resultado, ao longo dos últimos dois anos, os lucros tiveram uma contribuição invulgarmente grande para as pressões internas sobre os preços”, escreve a OCDE.

Uma conclusão que ecoa os resultados obtidos pelo Banco Central Europeu (BCE) para a zona euro. Um estudo recente aponta que os lucros unitários representaram cerca de 60% das pressões internas sobre os preços no espaço do euro, nos últimos três trimestres (nos terceiro e quarto trimestres de 2022 e no primeiro de 2023).

Em Portugal, contudo, a par de outros quatro dos 29 países analisados, o aumento dos custos do trabalho suplantou o dos lucros neste período.

Os dados apresentados pela OCDE indicam uma subida de 19,2% nos custos unitários do trabalho, o que compara com um incremento de 8% nos lucros unitários.

A OCDE apura ainda as variações nos custos unitários do trabalho reais, que mede a diferença entre variações nos custos unitários do trabalho e variações nos preços na produção (por exemplo o deflator do Produto Interno Bruto).

Ora, “os custos unitários do trabalho reais recuaram em 18 dos 29 países com dados disponíveis”, aponta o estudo.

Não foi o caso de Portugal. “Entre os restantes países, os maiores aumentos nos custos unitários do trabalho reais ocorreram em Portugal, no Reino Unido e na Lituânia”, destaca a OCDE.

Olhando em concreto para as remunerações, a organização salienta que “apesar de uma subida no crescimento nominal dos salários, em termos reais estão a cair”. Isto por causa da inflação elevada.

Assim, no primeiro trimestre de 2023, o crescimento dos salários nominais por hora face ao mesmo período do ano anterior “excedeu o nível pré-crise em quase todos os países da OCDE, atingindo 5,6% em média nos 34 países com dados disponíveis”, aponta o documento. Contudo, os salários reais por hora - ou seja, considerando o impacto da inflação - “caíram em média 3,8%, com quedas observadas em 30 países”.

No caso de Portugal, a subida nominal foi de 4,5%, com uma queda real de 3,5% no salário médio por hora de trabalho.

Já na comparação com o final de 2019, antes da crise pandémica, no final de 2022 os salários reais tinham caído, em média, 2,2%, observando-se variações negativas em 24 dos 34 países da OCDE com dados disponíveis.

Mesmo nos restantes 10 países com variações positivas, “a inflação apagou a maioria do crescimento nominal dos salários”, aponta a OCDE.

É o caso de Portugal, com uma variação real positiva de 1,3%.

27.3.23

Igualdade de género cria economias mais resilientes

Fátima Ferrão, in DN

Se as mulheres contribuíssem da mesma forma que os homens, a riqueza global aumentaria cerca de 26,4 biliões de euros (28 biliões de dólares), e o PIB mundial cresceria 26% até 2025. Os dados são da OCDE que defende que a paridade permite igualmente uma mais rápida recuperação das crises.

Depois da covid-19, a igualdade de género ganhou uma maior visibilidade devido ao efeito desproporcional que a pandemia teve sobre as mulheres. Face à sua contraparte masculina, quase o dobro perdeu o seu emprego em todo o mundo, ou seja, cerca de 64 milhões segundo o World Economic Forum. A este ritmo de mudança de mentalidades, diz a mesma fonte, serão necessários mais 132 anos para atingir a paridade entre homens e mulheres, considerando dimensões-chave como oportunidade e participação económica, educação, saúde e sobrevivência, bem como empoderamento político. Este caminho é ainda mais lento e sinuoso nas economias em desenvolvimento onde, segundo as Nações Unidas, por cada 100 homens entre os 25 e os 34 anos a viver em pobreza extrema há 118 mulheres.

Em Portugal, e apesar dos desequilíbrios, as diferenças entre os dois géneros não são tão evidentes, nomeadamente no que diz respeito aos salários. Esta é, pelo menos, a perspetiva de André Ribeiro Pires. O que existe, diz o Chief Operating Officer (COO) da empresa de recrutamento Multipessoal, é "uma configuração cultural de funções desempenhadas por mulheres que ainda não são tão valorizadas no ecossistema do emprego como aquelas desempenhadas por homens". Alguns setores têm um longo caminho a percorrer para incluir mulheres em cargos de topo, mas, diz André Ribeiro Pires, outros há onde acontece o inverso.

O responsável da Multipessoal esteve à conversa com a diretora do Diário de Notícias, Rosália Amorim, na segunda edição da iniciativa Os números do Emprego, promovida por este jornal. O tema do debate, que pode ver ou rever no site do DN, foi Género, clima e lei laboral e decorreu na semana em que se celebrou o Dia Internacional da Mulher.

Uma questão de tempo

Seja em relação ao emprego ou a questões de diversidade em geral, a visão da sociedade está a mudar, acredita o COO da Multipessoal. "Toda esta abertura deixou de ser vista como uma exceção ou uma quota, e passou a ser natural", defende. Uma evolução que tende a contaminar pela positiva as gerações mais jovens que, na perspetiva de André Ribeiro Pires, já não veem o género ou nacionalidade como algo que possa prejudicar a ascensão de uma carreira.

Apesar disso, reconhece que existem situações bastante evidentes como, por exemplo, "quando se juntam quadros para fazer comentários sobre o futuro das organizações ou da mulher nas organizações, e são todos homens". Uma perspetiva algo enviesada e preconceituosa, mas que, ainda assim, tem, na opinião do responsável da Multipessoal, o tempo contado. "Diria que é uma questão de tempo até termos esta igualdade natural."

O crescente número de mulheres licenciadas é outro fator que, para André Ribeiro Pires, contribuirá para alterar o panorama do emprego e para um aumento da igualdade no reconhecimento e nos salários. Numa época em que faltam recursos humanos em grande parte dos setores empresariais, contar com mais mulheres em áreas tradicionalmente mais masculinas pode ser uma parte da solução.

Aliás, segundo um estudo recente da consultora Bain & Company, as mulheres podem ser uma parte importante da resposta para a escassez de talentos, um desafio globalmente transversal.

"Compreender as diferenças - e semelhanças - entre mulheres e homens no trabalho é o ponto de partida para abordar a paridade de género e vencer a guerra pelo talento, afirma Clara Albuquerque", partner da Bain & Company.

Uma opinião que vai ao encontro da perspetiva de André Ribeiro Pires que defende que "esta é uma mudança cultural que é necessário impor, mas, em Portugal, parece que ninguém reconhece ter este desafio nas organizações".

Quotas podem ser discriminatórias

Apesar da importância das políticas públicas na definição de caminhos para a mudança há coisas que não podem, nem devem, ser impostas por decreto. A opinião de André Ribeiro Pires é muito concreta no que que se refere, por exemplo, às quotas, sejam elas para a igualdade de género, para a inclusão de pessoas com deficiência ou para a diversidade étnica. "São alertas que ajudam a criar um caminho para fazer a mudança", aponta, mas chama a atenção para o risco de discriminação, "porque as empresas têm de empregar porque são obrigadas".

Um dos exemplos mais flagrantes são, para o responsável da Multipessoal, as políticas públicas de integração de pessoas com incapacidade superior a 60%, uma medida que reconhece como "bastante importante, mas que toca provavelmente num dos lados da fração que terá menos impacto, que é o lado da quota". Neste caso, a quota é de 1% nas empresas que empregam até 200 pessoas, e de 2% para as empresas com mais de 250 colaboradores.

"O que acontece é que há aqui um dos lados que não é controlável, que é o número de pessoas disponíveis", diz André Ribeiro Pires, que reforça que "talvez a política pública adequada fosse obrigar as empresas a apresentar a sua definição do que é um posto trabalho para uma pessoa com incapacidade, e garantir a quota na perspetiva de o posto de trabalho estar disponível". Caso contrário, reforça, "o que vai acontecer é que estas quotas podem nem sempre ser cumpridas por falta de candidatos. Diria que isto vai ser um desafio para as organizações conseguirem cumprir esta métrica".

No fundo, a opinião do COO da Multipessoal vai ao encontro de uma das conclusões do estudo da Bain & Company que aponta a imposição de regras rígidas de inclusão como um erro. Segundo a pesquisa recentemente apresentada, são menos de 30% das pessoas que se sentem integradas no trabalho, o que deixa muito espaço para melhorias. "Criar e fomentar uma cultura inclusiva, onde todos sentem que pertencem e se podem desenvolver, é essencial para que as organizações sejam mais fortes e ágeis, e no atual ambiente de mudança contínua, isto é mais importante do que nunca", reforça Clara Albuquerque.

Além disso, os funcionários que se sentem excluídos, tanto homens como mulheres, têm maior probabilidade de se demitirem. "As práticas inclusivas são, por isso, essenciais para atrair e reter o melhor talento, e os gestores têm a responsabilidade de adotá-las", diz a partner da Bain & Company.

Outro dos desafios atuais, que muitas vezes contribui para as dificuldades de inclusão e de diversidade em geral, é a convivência intergeracional nas empresas. Atualmente, e pela primeira vez na história, o mercado de trabalho conta com a presença ativa de quatro gerações em simultâneo, com uma grande diversidade cultural e de hábitos empresariais muito distintos. A juntar a isso, as duas gerações mais jovens -- os Millennials e os Z -- "procuram agilidade, procuram mais experiências do que empregos e, atualmente, o mercado tem uma tendência para se fechar a essa agilidade", diz André Ribeiro Pires.

Para o COO da Multipessoal, "na pandemia passámos um período em que a agilidade foi muito importante, mas parece que foi importante só naquele período. Agora olha-se para a agilidade no trabalho como se fosse algo que promove a precariedade ou problemas no emprego". No entanto, o responsável defende que agilidade é um requisito fundamental para o sucesso das empresas e do próprio país. A indústria portuguesa, exemplifica, depende muito da agilidade. "Podemos dar o exemplo da indústria automóvel", salienta, reforçando que aquilo que torna o mercado português mais atrativo "é precisamente essa agilidade que permita às empresas desenvolver um conjunto de atividades específicas numa determinada altura do ano, outras atividades em diferentes momentos".

9.2.23

Rendimento real das famílias em Portugal caiu no terceiro trimestre, em contraciclo com a média da OCDE

in Expresso

No terceiro trimestre de 2022 Portugal viu o rendimento real das famílias per capita recuar de novo. O País ainda não alcançou os níveis pré-pandemia neste indicador, segundo a OCDE

O rendimento real das famílias per capita caiu pelo segundo trimestre consecutivo em Portugal no período de julho a outubro de 2022, de acordo com dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), divulgados esta quarta-feira, 8 de fevereiro.

A organização recorda que este indicador mantém-se, em Portugal, ainda abaixo dos níveis pré-pandemia da covid-19, principalmente devido à recuperação lenta dos rendimentos.

Os rendimentos reais das famílias per capita recuaram 3,01%, no terceiro trimestre de 2022 face ao anterior, depois de, no segundo trimestre, ter-se registado uma queda em cadeia de 2,16%.

No conjunto dos 21 países da OCDE para os quais há dados, houve, pelo contrário, um aumento de 0,2% no rendimento real per capita no terceiro trimestre, naquele que é “o primeiro aumento no rendimento real das famílias desde o primeiro trimestre de 2021”, segundo comunicado da instituição sediada em Paris.

Nove países viram o rendimento per capita aumentar, com a Áustria a apresentar um aumento de 10,1%, a maior variação, graças aos apoios estatais para mitigar os efeitos do aumento do custo de vida.

Doze registaram um recuo neste indicador, entre os quais, além de Portugal, o Canadá e o Reino Unido. Nos Estados Unidos não se registou nenhuma alteração face ao trimestre anterior, de acordo com a OCDE.

Portugal não alcançou, no terceiro trimestre, os níveis pré-pandemia neste indicador, acompanhado pela República Checa, a Dinamarca, a Finlândia, Espanha e pelo Reino Unido. Os restantes 15 já superaram essa barreira.

“O resultado em Portugal e Espanha pode ser explicado parcialmente pela lenta recuperação do [indicador] "excedente de exploração bruto e rendimento misto" desde o início da pandemia. Este tipo de rendimento costuma estar associado a trabalho independente e, na maioria dos países, contribui em um quinto do rendimento disponível das famílias", indica a OCDE.

“Portugal e Espanha registaram fortes quedas de ”excedente de exploração bruto e rendimento misto" na primeira metade de 2020 e recuperaram lentamente depois. Ao contrário, a maioria dos países da OCDE registaram forte crescimento do "excedente de exploração bruto e rendimento misto" depois da quebra inicial relativa à pandemia", refere ainda a OCDE.

Segundo o Eurostat, “o excedente de exploração é o excedente (ou défice) das atividades de produção antes de terem sido tidos em conta os juros, rendas ou encargos pagos ou recebidos pela utilização dos ativos”.

Já rendimento misto “é a remuneração do trabalho realizado pelo proprietário (ou pelos membros da sua família) de uma empresa não constituída em sociedade.”

24.1.23

A classe média já não é o que era. Os critérios estão "um pouco pervertidos"

Fábio Monteiro, in RR

Sob o olhar estatístico da OCDE, 60% dos portugueses pertencem à classe média. Acreditando nos números, é possível ganhar o salário mínimo e fazer parte deste grupo. O sociólogo Elísio Estanque defende que os critérios de análise “estão um pouco pervertidos”. Para Manuel, é impossível ser classe média em Lisboa com menos de dois mil euros brutos por mês. Nuno traça a linha na capacidade de saída de casa dos pais. Eduardo questiona a carga fiscal.

O espanto vibra na voz de Manuel Coelho Dias e por pouco não se transforma numa gargalhada. O analista de risco de 30 anos, natural de Guimarães, tem dificuldade em compreender a cegueira da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), a forma limitada como a entidade europeia determina quem faz parte ou não da classe média em Portugal.

Pertencer a tal grupo é ter “um padrão de vida”, mais do que receber um salário substancial. “Se uma pessoa consegue ir ao cinema, jantar fora, aceder a bens culturais. Se consegue viajar. Se uma pessoa precisar, eventualmente, de pôr um filho numa escola privada, conseguir”, defende.

A OCDE, todavia, tem uma visão muito mais restrita - apenas lhe interessam os valores auferidos por ano por cidadão e/ou família. Tendo por base o rendimento mediano nacional anual, calcula duas fasquias: a mínima (75%), equivalente digamos à classe média-baixa, e a máxima (200%), a dita classe média-alta.

Assim, de acordo com a organização, em Portugal, uma pessoa que ganhe entre 7.607 euros e os 20.285 euros anuais brutos pertence à classe média; um casal que leve para casa entre 10.758 e 28.688 euros, idem.

É também assim que, com base nestes mesmos números, a ODCE afirma que 60% da população portuguesa encontra-se hoje na classe média.

Este é, no entanto, um retrato do país que muitos portugueses não reconhecem. Aliás, como um outro inquérito da OCDE, em 2019, sinalizou: dos cidadãos nacionais ouvidos, apenas 32% disseram pertencer à classe média – o valor mais baixo de todos os países da União Europeia. Em Espanha, ocorreu o fenómeno oposto: foram mais aqueles que declararam pertencer do que aqueles que encaixavam nas métricas.

A realidade é que, nas duas últimas décadas, a classe média em Portugal tem vindo a perder poder de compra – principalmente, devido ao custo da habitação e de atualizações salariais abaixo da inflação – e a encolher.

A Covid-19, por exemplo, deu um empurrão nesta tendência: um estudo do Center of Economics for Prosperity (PROSPER) da Universidade Católica de Lisboa, publicado em 2021, indica que, devido aos impactos financeiros da pandemia, cerca de 400 mil portugueses deixaram de ser classe média.

Somado a isto, os números da OCDE são fáceis de rebater. Um português que, em 2023, ganhe o Salário Mínimo Nacional (SMN) e tenha um contrato de trabalho padrão, ou seja, receba doze meses de remuneração mais subsídio de Natal e de Férias, aufere por ano 10.640 euros brutos.
Por outras palavras: sob o olhar estatístico da OCDE, alguém ganhe o SMN em Portugal pertence à classe média.

Manuel Coelho Dias recusa-se a aceitar tal raciocínio. O analista mora em Lisboa desde 2017 e trabalha para uma empresa multinacional; sempre auferiu mais de mil euros líquidos. Anualmente, ganha acima da fasquia máxima calculada pela OCDE para a classe média. Ainda assim, tem dificuldade em dizer que integra esse grupo, quanto mais dizer-se “rico”.
“Tenho menos qualidade de vida do que tinha quando dependia do dinheiro dos meus pais, que era menos. Isto é uma coisa um bocado sinistra”, afirma.

Para o jovem, uma pessoa que ganhe menos de dois mil euros mensais e que more em Lisboa – cidade do país onde os custos com habitação são mais elevados - não deve ser considerada classe média.
“A pessoa faz o quê com o dinheiro? Fora IRS e Segurança Social, são 1500, 1400 euros líquidos. Ora, alguém que pague uma renda ou empréstimo de 400 euros, que faça uma mínima poupança de 200 ou 300 euros. Se viver o resto do mês com 700 euros para todas as coisas, não dá muita folga. Se quisermos ser dignos e justos, menos de dois mil euros não é classe média. E estamos a falar da perspetiva de uma pessoa solteira”, afirma.

Se as expectativas salariais de Manuel podem parecer ambiciosas, desproporcionais face à média dos salários nacionais, é de notar que o seu entendimento bate certo com o de alguns representantes políticos. Em 2016, em declarações ao “Observador”, João Galamba, atualmente ministro das Infraestruturas, afirmou que uma pessoa que ganhe 5 mil euros (brutos) e que viva apenas do seu rendimento, podia considerar-se classe média.

As métricas da OCDE esboçam, pois, um cenário muito diferente. Porventura, a classe média portuguesa até pode estar como que em vias de extinção.

A lenta erosão

Os números, por regra, são cegos ao contexto. E os da OCDE sofrem dessa limitação, aponta o sociólogo Elísio Estanque, autor do livro “Classe Média: Ascensão e Declínio” (ed. FFMS). “Os critérios usados para a medição da classe média estão um pouco pervertidos.”

O problema, nota Elísio Estanque, prende-se “com a falta de indicadores que sejam um pouco mais elaborados que o mero critério do rendimento salarial”. Fatores como a educação ou hábitos de consumo, por exemplo, são também importantes para se ter um retrato real do país.

Ainda assim, o sociólogo admite: os salários são um elemento fundamental para análise. O rácio entre o SMN e o salário mediano em Portugal (924 euros) está, neste momento, nos 85%. Caso o salário mínimo continue a aumentar ao mesmo ritmo que desde 2015, até 2030 o rácio poderá chegar aos 100% - ou seja, o valor do salário mediano em Portugal ser igual ao do salário mínimo nacional.

À Renascença, Elísio Estanque lembra ainda que se tem observado uma relativa aproximação do salário mínimo nacional (760 euros) ao salário médio nacional (1.361 euros brutos) nos últimos anos. Até ao final da legislatura, em 2026, o Governo pretende aumentar o SMN até aos 900 euros.
“Isso significa que as classes que até então estavam mais estáveis e se sentiam mais protegidas, com expectativas de subida e reconhecimento e de melhoria económica, têm sofrido talvez mais até do que aqueles que estão na base da pirâmide social, que devido às políticas sociais têm sido mais objeto de atenção do que os setores intermédios”, afirma.

De acordo com dados recentes do Eurostat, o salário médio bruto por ano em Portugal foi de 19.300 euros em 2021, enquanto a média europeia foi de 33,5 mil euros; o décimo valor mais baixo de toda a União Europeia. “O salário médio em Portugal é dos mais baixos dos países da OCDE. Isso significa que a economia não tem conseguido acompanhar aquilo que é um processo de qualificação das gerações mais jovens em Portugal”, diz.

Frederico Cantante, professor universitário no ISCTE e investigador no Laboratório Colaborativo para o Trabalho, Emprego e Proteção Social (CoLABOR), subscreve as mesmas teses que Elísio Estanque. Nas últimas décadas, “houve uma recomposição acelerada da população portuguesa”, em particular ao nível da formação superior, mas “no campo dos rendimentos houve um hiato”, defende.

O sociólogo encontra até um reflexo contemporâneo deste problema nas greves dos professores nas últimas semanas.
“Aquilo que estamos a ver neste momento na greve dos professores é de facto um bom exemplo daquilo que podemos chamar de desqualificação social ou simbólica de um grupo de pessoas que, objetivamente, se enquadra na classe média portuguesa, do ponto de vista socioprofissional. Mas, do ponto de vista do rendimento, são pessoas que têm vindo a perder bastante”, aponta.

Há dez anos, o salário de um professor poderia ser facilmente encarado como um salário de alguém de classe média. Hoje, é pouco provável. O crescimento de salários abaixo do PIB, os preços da habitação a galopar e a inflação fizeram com que os rendimentos de “uma boa parte da população portuguesa estejam bastante condicionados, bastante magros”.

Houve “uma grande compressão” entre o valor do salário mínimo e o salário médio: uma diferença que varia entre os 250 e os 300 euros, como indica o estudo “Os salários em Portugal: padrões de evolução, inflação e desigualdades”, publicado em dezembro de 2022, e do qual Frederico Cantante é coautor.

Por vários motivos, Frederico Cantante não fica espantado que apenas 32% dos portugueses tenham dito à OCDE que se sentiam de classe média. “As pessoas tendem a posicionar-se abaixo, a subestimar a sua posição de rendimentos”, em sociedades cujo nível de desigualdade social é maior, explica.

Em norma, pertencer à classe média é algo que as pessoas associam a estar numa posição de segurança, com previsibilidade quanto ao futuro. Um cenário que não bate certo com o “aumento da precariedade laboral que houve em Portugal” nos últimos anos.

Uma nova classe low-cost

Em setembro de 2021, Nuno Rafael Gomes saiu de casa dos pais. Após três anos e meio a trabalhar a recibos verdes, com rendimentos baixos e voláteis, “uma situação bastante precária”, arranjou um emprego com contrato de trabalho e trocou Guimarães por Lisboa. Trocou a insegurança por um “salário razoável”.

Nuno considera-se parte da classe média quase só por “viver fora da casa dos pais”: é aí que desenha a linha. Na capital, divide casa com amigos, consegue fazer poupanças. Tem dinheiro para “ir a um concerto, ir ao teatro.” Ir viajar não é impossível, mas implica fazer contas, “uma ginástica maior”.

Dito isto, o jovem português não gosta muito de falar de classes.
“Acho que foi algo passado pelos meus pais. Até há um certo desconforto em se dizer que é classe média. É aquela coisa que a gente é humilde e tem o dinheiro contado. Sinto que há essa perceção muitas vezes. É como se ficasse mal dizer que tens possibilidades de ter uma vida melhor”, conta.

Apesar de nem sempre o orçamento familiar ter sido folgado, em particular nas redondezas de 2008 quando “a situação financeira da casa ficou fragilizada”, e de em alguns momentos pagar contas ter sido “complicado”, Nuno cresceu com a sensação de ser classe média. “Nunca faltou nada. Mas pronto. A situação melhorou e, portanto, não me sinto à vontade para dizer que fossemos uma classe mais baixa que a classe média”, diz.
O entendimento dos pais de Nuno, quanto à sua posição na pirâmide de classes, sempre foi diferente. “Há sempre aquele pudor. O dizer não somos nada classe média, a gente é pobre. Faz-me confusão dizer que a gente é pobre quando não somos, quando os que são pobres passam dificuldades que a gente não passa”, explica.

Para os padrões estatísticos da OCDE, Nuno é classe média. Mas terá o jovem a fasquia demasiado baixa? Será que faz parte de uma classe média “low-cost”? Há poucas semanas, o jornal espanhol “El País” publicou um ensaio, da autoria do jornalista Sérgio C. Fanjul, com o título: “Não chegamos ao fim do mês. A classe média não era isto”.

No texto, Fanjul cita da obra “O fim da classe média e o nascimento da sociedade de baixo custo”, dos italianos Massimo Gaggi e Edoardo Narduzzi (não editada em Portugal), a seguinte frase: “Em muitos países, a difusão de produtos e serviços low-cost, ao aumentar moderadamente o poder aquisitivo dos salários, começa a ter mais peso que uma reforma fiscal ou que o Estado Social.”

Nuno divide casa em Lisboa. Se tivesse de morar sozinho, dificilmente conseguia. Se tivesse de voltar para a sua terra natal, Guimarães, também não conseguia. A solução teria de ser morar com os pais, admite. “E aí conseguia poupar.”

O jovem leva uma vida que considera de classe média – mas ainda não há habitação low-cost, nem parece que vá existir em breve. Segundo a OCDE, a despesa das famílias portuguesas com a casa foi das que mais aumentou entre 1995 e 2015. Durante esses 20 anos, os gastos passaram de 18% do orçamento familiar para 21,2%.

Desde 2015, as evoluções das despesas com habitação aumentaram ainda mais – e mais rapidamente. Neste momento, segundo o Eurostat, está nos 25,7%. Nos agregados familiares com rendimentos mais baixos, representam mesmo cerca de 40% dos gastos.

Este é um problema do presente e para o futuro, assume o sociólogo Frederico Cantante, à Renascença.
“É normal que num contexto em que o aumento do preço da habitação foi muito significativo e que não foi acompanhado por parte dos rendimentos dos indivíduos, aquela segurança, aquele conforto que poderíamos identificar mais ou menos com classe média, se tenha vindo a esbater. É por isso que não me espantam nada os valores apresentados pela OCDE.”

E depois a habitação

Eduardo Pereira tem 25 anos e também não se revê nas métricas da OCDE. No mínimo, para alguém ser classe média devia auferir 12 mil euros, mas, mais importante, é preciso ter em em conta onde é que essa pessoa mora, defende. “É inimaginável que qualquer português, mesmo vivendo numa cidade com um custo de vida mais baixo, sobreviva com o valor mais baixo [calculado pela organização] e tenha uma vida confortável”.
“Alguém que tenha uma casa paga pode ter um salário mais baixo, mas ser considerado classe média, porque está muito mais à vontade. Mas de for alguém em Lisboa, mesmo com um salário médio e que tenha de pagar um apartamento, aí diria, pessoalmente, que esse alguém já não é muito classe média e que vive com dificuldades”, explica.

Por comparação com os pais, que não frequentaram o Ensino Superior, Eduardo diz que hoje ambos estão “ao mesmo nível de classe média”. A questão, salienta, não está no aumento do SMN, que pode e deve “continuar a aumentar”: está na falta de oportunidades.
“As pessoas que têm formação devem ter cada vez mais oportunidade de ganhar mais. Devíamos estar num país que acompanhasse o aumento de formação dos jovens, tendo em conta que a nossa geração é a mais bem preparada de sempre em Portugal. Infelizmente, isso não acontece”, conta.

O desafio está nas mãos da classe política e do Governo em particular. Afinal, é raro encontrar um discurso político, um programa eleitoral, à exceção do Partido Comunista Português, sem uma menção à classe média. É um chavão recorrente, um alvo – e, mais importante ainda, um eleitorado desejado, em particular pelos partidos do centro.

Quando ouve o Governo a falar para a classe média, o analista de risco Manuel Coelho Dias não revira os olhos, sente que estão a falar consigo. “Não sinto é que entendam os meus problemas”, diz. E quais são? “A carga de impostos.” “É completamente surreal que se considere que uma pessoa que ganha 2000 euros ou mais possa pagar 40% de impostos. Isto é completamente surreal. E é uma das razões pelas quais há imensa evasão fiscal.”

Eduardo Pereira queixa-se exatamente do mesmo. E tem a mesma perceção quanto aos discursos. “Sinto que estão a falar para mim, mas ao mesmo tempo não. Porque uma classe média em Portugal que pague 30 ou 40% de impostos não faz sentido nenhum. Entendo que eles façam esse discurso, mas quando eles falam de alguém que ganha mil, mil e duzentos euros, para mim é difícil considerar classe média, porque são pessoas que ganham para gastar nas despesas do dia-a-dia”, diz.

Se o Governo e restantes partidos políticos não acorrerem às necessidades da classe média, que está lentamente a minguar, poderemos assistir, a curto prazo, a um aumento de casos de pessoas “muito frustradas” e contra “as políticas sociais que se dedicam aos setores mais empobrecidos da sociedade”, diz o sociólogo Elísio Estanque.

“Cria-se aqui um ambiente que galvaniza e favorece o discurso populista, de extrema-direita, porque vai no sentido de assacar sempre culpas contra alguém que é supostamente objeto de proteção”, alerta ainda.

Neste momento, a coesão da sociedade está “em causa”. Segundo o sociólogo, “uma classe média vigorosa é uma classe média que acredita na democracia e nas instituições”. Uma classe média fraca ou em vias de extinção é, pois, o oposto.



10.7.18

Maio: Desemprego baixa na média da OCDE mas sobe uma décima em Portugal

in Notícias ao Minuto

A taxa de desemprego nos países da OCDE baixou uma décima em maio fixando-se nos 5,2% da população ativa, com as maiores quedas a verificarem-se em Itália, Áustria e Espanha, mas com Portugal a contrariar a tendência.

e acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), no conjunto dos países, havia 33,2 milhões de desempregados em maio, mais 0,5 milhões do que em abril, mas menos 16,1 milhões face a janeiro de 2013.

Na zona euro, o desemprego estabilizou em maio, descendo 0,3 pontos percentuais em Itália (para 10,7%) e 0,2 pontos percentuais na Áustria (para 4,6%) e Espanha (para 15,8%).
Em Portugal subiu uma décima para 7,3%, contrariando o ciclo de descidas.

A taxa de desemprego entre os jovens (dos 15 aos 24 anos) foi estável nos 10,9% em maio na média dos países da OCDE, caindo 0,3 pontos percentuais na zona euro para 16,8%, com descidas de 0,5 pontos percentuais ou mais em Itália, Letónia e Espanha.

Em Portugal, o desemprego jovem subiu 0,2 pontos percentuais para 20,8%.

O desemprego jovem permanece acima dos 30% na Grécia (43,2% em março, o último mês com dados disponíveis), Espanha (33,8%) e Itália (31,9%).

15.6.18

São precisas cinco gerações para se sair da pobreza em Portugal

in Jornal de Notícias

Uma família portuguesa de fracos recursos socioeconómicos pode demorar 125 anos até que os descendentes consigam alcançar um salário médio.

A conclusão faz parte de um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) sobre mobilidade social, divulgado esta sexta-feira.

"Tendo em conta a mobilidade de rendimentos de uma geração para a seguinte, bem como o nível de desigualdade salarial em Portugal, pode demorar cinco gerações para que as crianças de uma família na base da distribuição de rendimentos consigam um salário médio", lê-se na avaliação sobre Portugal.

Os dados da OCDE mostram que em Portugal, 33% das pessoas concordam que a educação dos pais é importante para ser bem-sucedido na vida, uma percentagem ligeiramente inferior à média da OCDE, com 37%, ao mesmo tempo que muitos se revelaram pessimistas sobre as suas hipóteses de melhorarem a sua situação financeira.

"Apenas uma minoria (17%) esperava em 2015 que a sua situação económica melhorasse no ano seguinte e há uma preocupação em relação ao futuro dos descendentes", diz a OCDE.

A instituição acrescenta que já em 2018 realizou um inquérito, "Riscos que contam", em que 58% dos pais portugueses colocaram no top três das suas preocupações o risco dos filhos não alcançarem o nível económico e de conforto que eles já têm.

Na comparação com os restantes países analisados (Austrália, Brasil, Chile, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Coreia, México, Espanha, Suécia, Reino Unido e Estados Unidos), Portugal surge como aquele onde a "mobilidade medida em termos de educação é menor".

"Apesar das várias reformas para combater o absentismo escolar e reduzir o abandono escolar precoce, as hipóteses dos mais jovens terem uma carreira de sucesso depende fortemente da sua origem socioeconómica ou do nível de capital humano dos pais", lê-se no relatório.

A mobilidade social não é distribuída uniformemente ao longo das gerações e em Portugal 24% dos filhos de pais com baixos rendimentos acabam também por ter baixos rendimentos. No lado oposto, 39% das crianças cujos pais têm rendimentos elevados crescem para também elas terem rendimentos elevados.

Por outro lado, relativamente ao tipo de ocupação, 55% das crianças filhas de pais trabalhadores manuais acabam com a mesma ocupação dos pais, contra 37% da média da OCDE. Ao mesmo tempo, os filhos de gestores têm cinco vezes mais probabilidades de serem também gestores.

Olhando para a mobilidade ao longo da vida, o fenómeno em Portugal é igualmente limitado, particularmente na base e no topo, sendo que entre os que estão nos 20% com rendimentos mais baixos há poucas hipóteses de subirem durante quatro anos e 67% acabam por nunca sair.

"No topo, a persistência é ainda maior e 69% dos 20% com rendimentos mais altos ficam lá durante um período de quatro anos", diz a OCDE.

Para a organização, a falta de mobilidade na base pode estar relacionada com os níveis elevados de desemprego de longa duração e a segmentação do mercado laboral.

A OCDE refere que a falta de mobilidade social não é uma inevitabilidade e que há margem para políticas que aumentem a mobilidade entre gerações e ao longo da vida, deixando três objetivos: apoiar as crianças de meios desfavorecidos, assegurando uma boa educação pré-escolar, combater o desemprego de longa duração e aumentar o nível de qualificações através da educação para adultos.

O relatório pretende mostrar os prejuízos da fraca mobilidade social, em que as pessoas mais pobres, na base da escada remuneratória, têm poucas hipóteses de subir, da mesma maneira que os que estão no topo permanecem lá.
De acordo com a OCDE, isto tem consequências negativas tanto em termos sociais, como económicos e políticos, já que a falta de mobilidade social implica que muitos talentos não estejam a ser aproveitados, o que diminui o potencial crescimento económico, além de reduzir o bem-estar e a coesão social.

Filho de pobre tem dificuldade em chegar a rico em Portugal

in Jornal de Notícias

Portugal surge como aquele onde a “mobilidade medida em termos de educação é menor” e 24% dos filhos de pais com baixos rendimentos acabam por ter baixos rendimentos enquanto 39% das crianças cujos pais têm rendimentos elevados crescem para ter o mesmo futuro, segundo indica o relatório da (OCDE) sobre mobilidade social

A condição económica transmite-se “fortemente” de geração em geração, de tal modo que o filho de um pobre tem dificuldade em chegar a rico em Portugal. As conclusões constam de um estudo da OCDE, onde se mostra que uma família portuguesa de fracos recursos socioeconómicos pode demorar 125 anos até que os seus descendentes consigam alcançar um salário médio.

Segundo o trabalho da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), “tendo em conta a mobilidade de rendimentos de uma geração para a seguinte, bem como o nível de desigualdade salarial em Portugal, pode demorar cinco gerações para que as crianças de uma família na base da distribuição de rendimentos consigam um salário médio", lê-se na avaliação sobre Portugal.

Os dados da OCDE mostram que em Portugal, 33% das pessoas concordam que a educação dos pais é importante para ser bem-sucedido na vida, uma percentagem ligeiramente inferior à média da OCDE, com 37%, ao mesmo tempo que muitos se revelaram pessimistas sobre as suas hipóteses de melhorarem a sua situação financeira.

"Apenas uma minoria (17%) esperava em 2015 que a sua situação económica melhorasse no ano seguinte e há uma preocupação em relação ao futuro dos descendentes", diz a OCDE.

A instituição acrescenta que já em 2018 realizou um inquérito, "Riscos que contam", em que 58% dos pais portugueses colocaram no top três das suas preocupações o risco dos filhos não alcançarem o nível económico e de conforto que eles já têm.

Na comparação com os restantes países analisados (Austrália, Brasil, Chile, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Coreia, México, Espanha, Suécia, Reino Unido e Estados Unidos), Portugal surge como aquele onde a "mobilidade medida em termos de educação é menor".

"Apesar das várias reformas para combater o absentismo escolar e reduzir o abandono escolar precoce, as hipóteses dos mais jovens terem uma carreira de sucesso depende fortemente da sua origem socioeconómica ou do nível de capital humano dos pais", lê-se no relatório.

A mobilidade social não é distribuída uniformemente ao longo das gerações e em Portugal 24% dos filhos de pais com baixos rendimentos acabam também por ter baixos rendimentos. No lado oposto, 39% das crianças cujos pais têm rendimentos elevados crescem para também elas terem rendimentos elevados.

Por outro lado, relativamente ao tipo de ocupação, 55% das crianças filhas de pais trabalhadores manuais acabam com a mesma ocupação dos pais, contra 37% da média da OCDE. Ao mesmo tempo, os filhos de gestores têm cinco vezes mais probabilidades de serem também gestores.

Olhando para a mobilidade ao longo da vida, o fenómeno em Portugal é igualmente limitado, particularmente na base e no topo, sendo que entre os que estão nos 20% com rendimentos mais baixos há poucas hipóteses de subirem durante quatro anos e 67% acabam por nunca sair.

"No topo, a persistência é ainda maior e 69% dos 20% com rendimentos mais altos ficam lá durante um período de quatro anos", diz a OCDE.

12.9.17

OCDE. Portugal manteve média do desemprego da zona euro

in Sol

Dados da OCDE foram divulgados esta segunda-feira

Os dados divulgados esta segunda-feira pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) mostram que o desemprego neste conjunto de países manteve-se nos 5,8% no mês de julho.

Ou seja, de acordo com os dados, havia nos 35 países membros 36,2 milhões de desempregados, mais 3,6 milhões do que em 2008, altura em que se começaram a sentir os efeitos da crise.

Do total de desempregados na OCDE, 470 mil dizem respeito a Portugal. Neste caso, a taxa de desemprego harmonizada manteve-se nos 9,1%, pelo segundo mês consecutivo, igualando o comportamento da média da zona euro.

Na lista de países com as maiores taxas está a Grécia (21,7%), Espanha (17,1%), Itália (11,3%) e França (9,8%).

Os dados referentes aos 35 países da OCDE mostram ainda que o desemprego jovem baixou em julho de 12,0% para os 11,9%.

INE. Taxa de desemprego baixa para 8,8%

A taxa de desemprego recuou no segundo trimestre deste ano, caindo dos 10,1% para os 8,8%.

De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgados em agosto, falamos assim do valor mais baixo desde 2011.

No entanto, esta tendência não é nova porque nos últimos anos o desemprego afunda sempre entre o mês de abril e o mês de junho, dada a sazonalidade do mercado de trabalho.

A comprovar a sazonalidade está o facto de a maior descida da taxa de desemprego se ter verificado no Algarve, que passou a ter a segunda taxa mais baixa do país (passou de 10,6% para 7,6%).

O documento do INE evidencia ainda que "a população desempregada, estimada em 461,4 mil pessoas, registou uma diminuição trimestral de 11,9% (menos 62,5 mil), prosseguindo as diminuições trimestrais observadas desde o 2.º trimestre de 2016. Em relação ao trimestre homólogo, verificou-se uma diminuição de 17,5% (menos 97,9 mil)".

Já sobre o emprego, o Instituto Nacional de Estatística refere ainda que “em relação ao trimestre homólogo, verificou-se um aumento de 3,4% (mais 157,9 mil), o maior desde o 4.º trimestre de 2013".

13.11.15

Este é o país onde se toma mais antidepressivos

In SOL

O relatório Health at a Glance 2015, feito com base nos indicadores recolhidos pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) revela os países onde se consome mais antidepressivos.

O país que ocupa o topo da lista é a Islândia, seguida pela Austrália. Portugal surge na terceira posição, com 88 comprimidos consumidos diariamente por cada 1000 pessoas.

Os dados referem-se ao ano de 2013.

Aqui estão os 10 países que ocupam o topo da lista:

1º Islândia

2 º Austrália

3º Portugal

4º Canadá

5º Suécia

6º Reino Unido

7º Dinamarca

8º Nova Zelândia

9º Bélgica

10º Finlândia

3.12.12

Mais um terço dos imigrantes em dez anos nos países da OCDE

in Jornal de Notícias

O número de imigrantes a viver nos 34 países da OCDE aumentou um terço entre 2000-01 e 2009-10 e atingiu 110 milhões, o que representa 9% do total da população desses países.

O relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que apresenta indicadores sobre a integração dos imigrantes e é apresentado, esta segunda-feira, na sede da organização em Paris, mostra a imigração como um fenómeno em expansão, apesar das recentes quedas associadas à crise económica, que começou em 2008.

Mostra também que o fenómeno varia muito de país para país, com o Luxemburgo a apresentara maior taxa de população estrangeira (38%) seguida da Austrália, Suíça e Israel, todos com 26% de imigrantes.

No extremo oposto estavam os países da América Latina, da Ásia, e alguns países da Europa de Leste, como a Eslováquia, a Polónia e a Hungria, onde a proporção de estrangeiros não atinge os 4%.

Portugal apresentava uma taxa inferior à média da OCDE, com 6,3%.

Mais de um terço dos 110 milhões de imigrantes vivia nos EUA, enquanto a população norte-americana representa apenas um quarto da população da OCDE. O segundo país com mais imigrantes em números absolutos é a Alemanha, que alberga quase 10% de todos os migrantes na OCDE, seguida da França (7,2 milhões) e do Reino Unido (6,8 milhões).

A percentagem de imigrantes na população aumentou em quase todos os países da OCDE entre 2000-01 e 2009-10, com duas exceções: Estónia e Israel.

"O aumento foi particularmente espetacular em Espanha, onde a percentagem dos estrangeiros na população triplicou", escreve a OCDE, acrescentando que no final do período o país tinha 6,5 milhões de imigrantes, um número comparável com o do Canadá e maior do que o da Austrália.

Na Irlanda e na Islândia, a percentagem de imigrantes duplicou, para 14% e 11%, respetivamente.

Tal como nos números, os indicadores sobre a integração dos imigrantes variam muito consoante o país e conforme os critérios, mas a OCDE sublinha que nenhum Estado pode ser identificado como o melhor país de acolhimento em todos os domínios.

Nas suas conclusões, a organização refere também que as diferenças na integração dos imigrantes são maiores de país para país do que entre os imigrantes e os nacionais do país que os acolheu.

Ainda assim, embora haja casos que fogem à regra, em média os imigrantes apresentam piores indicadores sociais do que os nativos: os imigrantes têm maior risco de pobreza (17,3%) do que os nativos (15%), têm uma taxa de desemprego 50% maior do que os nacionais (12% contra 8% em 2009-10) e têm maior probabilidade de ter excesso de qualificações no seu trabalho do que os locais (28,3% contra 17,6%).

No que diz respeito aos rendimentos, por exemplo, a mediana dos rendimentos das famílias imigrantes é mais baixa do que a dos nacionais em todos os países para os quais há informação disponível e, em metade dos países, representa menos 80% do que a mediana dos rendimentos dos nativos.

Já nas famílias mistas, em que coexistem nacionais e imigrantes, os rendimentos são semelhantes aos das famílias nativas ou até substancialmente maiores, como na Austrália, Noruega, Portugal, Suíça, Reino Unido ou EUA.

Para a OCDE, esta vantagem poderá significar que os lares mistos beneficiam de uma maior rede familiar e ocupacional no país de residência do que as famílias em que só existem imigrantes.

10.10.12

Portugal é o terceiro com mais desemprego na OCDE

in Correio de Manhã

Portugal era em Agosto o 3.º país da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) com a taxa de desemprego mais elevada, com um novo máximo de 15,9 por cento, apenas superada pelos 25,1 por cento da Espanha e 24,4 por cento (em Junho) da Grécia.

De acordo com os dados divulgados esta terça-feira pela OCDE, a taxa de desemprego harmonizada em Portugal subiu de 15,7 por cento em Julho para 15,9 por cento em Agosto.

Nesse mês, a taxa de desemprego média nos países da OCDE manteve-se nos 7,9 por cento, enquanto nos países da Zona Euro permaneceu estável pelo segundo mês consecutivo, nos 11,4 por cento, após 13 meses de sucessivos aumentos.

Ainda assim, os níveis de Agosto continuam 4,1 pontos percentuais (p.p.) acima do recorde mínimo de 7,3 por cento em Março de 2008.

Em comunicado, a OCDE destaca a subida de 0,3 p.p. na taxa de desemprego no México (para cinco por cento), a quebra de 0,2 p.p. nos EUA (para 8,1 por cento) e a estabilização registada no Canadá, nos 7,3 por cento.

Relativamente aos EUA e ao Canadá, a OCDE avança que os últimos dados disponíveis, relativos a Setembro, assinalam uma diminuição de 0,3 p.p. nos EUA (para 7,8 por cento) e um aumento de 0,1 p.p. no Canadá (para 7,4 por cento).

Apontando as "grandes diferenças" entre as taxas de desemprego registadas nos vários países da organização, a OCDE destaca o contraste entre os níveis recorde de Espanha, Grécia e Portugal e as taxas inferiores a 5,5 por cento na Austrália, Áustria, Alemanha, Japão, Luxemburgo, México e Holanda.

Em Agosto, a taxa de desemprego jovem nos países da OCDE aumentou dos "já elevados" 16 por cento para 16,3 por cento, com destaque para as subidas registadas na Suécia (mais 2,9 p.p., para 25,7 por cento) e Israel (mais 1,8 p.p., para 15,2 por cento).

De acordo com as estimativas da OCDE, em Agosto havia 47,8 milhões de pessoas desempregadas na região, menos 0,1 milhões do que no mês anterior, mais 13,1 milhões do que em Julho de 2008. Destes, 11,9 milhões eram jovens.