por Daniel Rosário, in RR
Na hora da despedida, presidente do Eurogrupo revela que propôs várias vezes o reajustamento das “condições financeiras e orçamentais” do programa português.
Quase de saída do cargo, o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, vem agora defender que países considerados cumpridores, como Portugal, deviam ver os esforços recompensados com um alívio do programa de ajustamento.
Respondendo a uma pergunta da eurodeputada socialista Elisa Ferreira, na Comissão Parlamentar de Assuntos Económicos da União Europeia, Jean-Claude Junker revelou que gostava que tivesse sido “criado um sistema, e não o digo de forma paternalista, de recompensa para os países que fazem todos os esforços que lhes exigimos”.
“Um país que faz as coisas bem, hoje não recebe recompensa”, lamentou.
Em relação ao caso português, o luxemburguês disse ter proposto várias vezes, nas reuniões do Eurogrupo, um ajustamento das condições: “Gostava, e propus várias vezes que, nomeadamente no caso de Portugal, reajustássemos o mecanismo de ajustamento e as condições financeiras e orçamentais que o acompanham.”
Na hora da despedida, Jean-Claude Jucker decidiu contar um pouco o que lhe vai na alma em relação a algumas opções políticas europeias e os seus efeitos em países como Portugal, revelando algumas dúvidas.
“Estou cheio de interrogações acerca do ritmo de ajustamento aplicado a alguns Estados-membros da Zona Euro. Nós, alguns Governos, subestimamos de uma maneira geral a enorme tragédia do desemprego, que acaba por nos esmagar”, admitiu.
São palavras que destoam do que tem sido o discurso europeu oficial e que talvez se justifiquem pelo facto de Juncker abandonar a presidência do Eurogrupo no final do mês. Falta saber que consequências práticas poderão ter as suas declarações para os países directamente interessados.
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10.1.13
5.9.12
Mais crise e desemprego são «evidência» para a troika
in Agência Financeira
Representantes do Fundo Monetário Internacional, do Banco Central Europeu e da Comissão Europeia estiveram reunidos com partidos durante pouco mais de uma hora
Os representantes da troika partilham a «evidência» que a situação económica e os níveis de desemprego são mais graves em Portugal do que se perspetivava no início do programa de assistência financeira. Quem o diz é o deputado do PS Pedro Marques, depois de uma reunião que durou pouco mais de hora com os chefes da missão da troika em Portugal.
Interrogado pelos jornalistas se o PS entendeu que os representantes da troika manifestaram uma posição menos reservada face a medidas de estímulo ao crescimento económico, o ex-secretário de Estado socialista recusou-se a especificar quais as posições assumidas ao longo da reunião.
Porém, Pedro Marques referiu que as reuniões trimestrais com as autoridades portuguesas se destinam «a ajustar o Programa de Assistência Financeira a Portugal às circunstâncias presentes».
«Tal como em outros momentos anteriores, também hoje foi evidente para a troika que a situação económica e a situação do desemprego é muito mais grave do que se perspetivava. Foi isso que o PS procurou defender e foi isso que alguma forma ouvimos», disse o deputado citado pela Lusa.
A seguir, Pedro Marques colocou no Governo a responsabilidade cimeira por uma eventual mudança na trajetória no que respeita à forma de cumprimento do processo de ajustamento de Portugal.
«Efetivamente, esperamos da parte do Governo - porque é o Governo quem tem a primeira responsabilidade pelo Orçamento do Estado para 2013 e não a troika - faça uma análise da realidade mais perto daquela que é feita pela generalidade da sociedade portuguesa».
Questionado pelos jornalistas se a troika mostrou flexibilidade no que respeita ao cumprimento das metas do défice no final deste ano e em 2013, o Pedro Marques deu a seguinte resposta: «Eu não inferi esse tipo de conclusões».
«Temos de aguardar pela evolução do processo orçamental deste ano e pela apresentação da proposta orçamental do próximo ano. Estamos a meio de uma avaliação trimestral».
Perante os representantes da troika, Pedro Marques disse que o objetivo essencial do PS passou por defender mudanças de fundo no cumprimento do processo de ajustamento.
Pedro Marques salientou que o PS «entende que Portugal precisa de um ajustamento com medidas para o crescimento económico».
Representantes do Fundo Monetário Internacional, do Banco Central Europeu e da Comissão Europeia estiveram reunidos com partidos durante pouco mais de uma hora
Os representantes da troika partilham a «evidência» que a situação económica e os níveis de desemprego são mais graves em Portugal do que se perspetivava no início do programa de assistência financeira. Quem o diz é o deputado do PS Pedro Marques, depois de uma reunião que durou pouco mais de hora com os chefes da missão da troika em Portugal.
Interrogado pelos jornalistas se o PS entendeu que os representantes da troika manifestaram uma posição menos reservada face a medidas de estímulo ao crescimento económico, o ex-secretário de Estado socialista recusou-se a especificar quais as posições assumidas ao longo da reunião.
Porém, Pedro Marques referiu que as reuniões trimestrais com as autoridades portuguesas se destinam «a ajustar o Programa de Assistência Financeira a Portugal às circunstâncias presentes».
«Tal como em outros momentos anteriores, também hoje foi evidente para a troika que a situação económica e a situação do desemprego é muito mais grave do que se perspetivava. Foi isso que o PS procurou defender e foi isso que alguma forma ouvimos», disse o deputado citado pela Lusa.
A seguir, Pedro Marques colocou no Governo a responsabilidade cimeira por uma eventual mudança na trajetória no que respeita à forma de cumprimento do processo de ajustamento de Portugal.
«Efetivamente, esperamos da parte do Governo - porque é o Governo quem tem a primeira responsabilidade pelo Orçamento do Estado para 2013 e não a troika - faça uma análise da realidade mais perto daquela que é feita pela generalidade da sociedade portuguesa».
Questionado pelos jornalistas se a troika mostrou flexibilidade no que respeita ao cumprimento das metas do défice no final deste ano e em 2013, o Pedro Marques deu a seguinte resposta: «Eu não inferi esse tipo de conclusões».
«Temos de aguardar pela evolução do processo orçamental deste ano e pela apresentação da proposta orçamental do próximo ano. Estamos a meio de uma avaliação trimestral».
Perante os representantes da troika, Pedro Marques disse que o objetivo essencial do PS passou por defender mudanças de fundo no cumprimento do processo de ajustamento.
Pedro Marques salientou que o PS «entende que Portugal precisa de um ajustamento com medidas para o crescimento económico».
7.3.12
Merkel admite preocupação com dívida portuguesa
in Diário de Notícias
Deputados alemães afirmaram hoje que a chanceler Angela Merkel manifestou preocupação com o aumento dos juros das obrigações portuguesas, durante uma reunião à porta fechada, noticiou a agência Reuters.
De acordo com a Reuters, que citou participantes no encontro entre Merkel e deputados do seu partido, a CDU, a chanceler alemã deu conta de algum alívio quanto à evolução do mercado da dívida pública espanhola e italiana, apesar das preocupações com a evolução das taxas de rendibilidade ('yields') da dívida portuguesa.
"Os prémios de risco de Portugal são uma preocupação" terá dito Merkel, de acordo com os participantes na reunião, citados pela Reuters.
No encontro, acrescentaram os participantes, Merkel também demonstrou alguma abertura para o funcionamento paralelo, durante algum tempo, dos dois fundos de resgate da zona euro - o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), temporário, e o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), permanente.
A chanceler alemã não deu qualquer indicação sobre o aumento da capacidade de financiamento dos dois fundos, acima dos 500 mil milhões de euros, tendo também dito, de acordo com as fontes citadas pela Reuters, que "não será tocado" o limite de financiamento de 500 mil milhões de euros do MEE.
Os participantes na reunião disseram ainda que Merkel não deu indicações sobre a possibilidade da Alemanha ceder à pressão de diferentes parceiros alemães para permitir que os recursos combinados do FEEF e do MEE ultrapassem os 500 mil milhões de euros.
As grandes economias mundiais, entre as quais os Estados Unidos e a China, estão a pressionar a Europa para alargar as verbas dos fundos de resgate, como condição para aumentarem os recursos do Fundo Monetário Internacional para combater a crise da dívida soberana na zona euro.
No final do mês, a zona euro deverá chegar a uma decisão sobre o reforço das defesas contra a crise, sendo que uma das possíveis soluções é a junção dos 250 mil milhões de euros remanescentes no FEEF aos limites do MEE, o que daria a este fundo uma capacidade de 750 mil milhões.
Deputados alemães afirmaram hoje que a chanceler Angela Merkel manifestou preocupação com o aumento dos juros das obrigações portuguesas, durante uma reunião à porta fechada, noticiou a agência Reuters.
De acordo com a Reuters, que citou participantes no encontro entre Merkel e deputados do seu partido, a CDU, a chanceler alemã deu conta de algum alívio quanto à evolução do mercado da dívida pública espanhola e italiana, apesar das preocupações com a evolução das taxas de rendibilidade ('yields') da dívida portuguesa.
"Os prémios de risco de Portugal são uma preocupação" terá dito Merkel, de acordo com os participantes na reunião, citados pela Reuters.
No encontro, acrescentaram os participantes, Merkel também demonstrou alguma abertura para o funcionamento paralelo, durante algum tempo, dos dois fundos de resgate da zona euro - o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), temporário, e o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), permanente.
A chanceler alemã não deu qualquer indicação sobre o aumento da capacidade de financiamento dos dois fundos, acima dos 500 mil milhões de euros, tendo também dito, de acordo com as fontes citadas pela Reuters, que "não será tocado" o limite de financiamento de 500 mil milhões de euros do MEE.
Os participantes na reunião disseram ainda que Merkel não deu indicações sobre a possibilidade da Alemanha ceder à pressão de diferentes parceiros alemães para permitir que os recursos combinados do FEEF e do MEE ultrapassem os 500 mil milhões de euros.
As grandes economias mundiais, entre as quais os Estados Unidos e a China, estão a pressionar a Europa para alargar as verbas dos fundos de resgate, como condição para aumentarem os recursos do Fundo Monetário Internacional para combater a crise da dívida soberana na zona euro.
No final do mês, a zona euro deverá chegar a uma decisão sobre o reforço das defesas contra a crise, sendo que uma das possíveis soluções é a junção dos 250 mil milhões de euros remanescentes no FEEF aos limites do MEE, o que daria a este fundo uma capacidade de 750 mil milhões.
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