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13.6.22

Brexit e aumento de custo de vida deixa portugueses no limbo

in Notícias ao Minuto

O Brexit, a pandemia e a crise económica deixaram a comunidade portuguesa no limbo entre ficar no Reino Unido e regressar a Portugal, dizem dirigentes associativos e empresários na véspera da visita do Presidente da República a Londres.

Marcelo Rebelo de Sousa estará na capital britânica de 10 a 12 de junho por ocasião das celebrações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, numa altura em que muitos questionam a permanência no país de acolhimento.

"Nunca me senti imigrante, achei que era tratado como igual. Mas depois do Brexit já me sinto estrangeiro", confessou à agência Lusa o empresário e Conselheiro das Comunidades Madeirenses José Silva.

No Reino Unido há 40 anos, subiu a pulso e construiu um grupo económico com restaurantes e a importação de produtos alimentares portugueses.

Durante este tempo, viu o tipo de emigração portuguesa mudar, de pessoas menos qualificadas e com poucos conhecimentos da língua inglesa que se ficavam pelas limpezas, construção civil e restauração, para profissionais como médicos, engenheiros e arquitetos.

Depois do referendo de 2016, quando os britânicos votaram a saída da União Europeia (UE), o ambiente mudou.

"Não me tratam de maneira diferente, dizem 'tu és um bom estrangeiro'. Mas no fim do dia somos todos imigrantes", lamentou, desiludido.

Em Cardiff, o empresário Nuno Silva diz que milhares de portugueses deixaram nos últimos seis anos o País de Gales, país onde tinham chegado recrutados em grupo por agências para trabalhar em fábricas.

Alguns, explica, regressaram a Portugal porque não conseguiram o estatuto de residente, outros nem tentaram, desiludidos.

"Eu também quero ir daqui a uns dois anos. Desde o Brexit que nunca mais me senti à vontade", revelou à Lusa.

Ana Silva, presidente da Associação Portuguesa de Watford, nos arredores de Londres, relata que muitas famílias continuam a regressar a Portugal, não só por causa do Brexit, mas também, mais recentemente, devido ao impacto da pandemia e da crise económica.


"Em 2016 ninguém pensava voltar a Portugal", recordou, "mas depois as pessoas começaram a pensar", acrescentando à lista de queixas as dificuldades de viajar causadas pela pandemia e o aumento de custo de vida.

Numa altura em que o aumento da inflação já está a ter impacto nos orçamentos familiares, a solução para reduzir as despesas tem sido a separação de famílias.

"Algumas esposas estão a voltar a Portugal com os filhos para ver se se adaptam, e, se gostarem, ficam. Os maridos, ou ficam cá e passam a ir lá mais de férias, ou vão de vez", revela a organizadora de eventos.

Segundo José Manuel Sousa, dirigente do Grupo Desportivo Cultural, muitos emigrantes optam por ficar porque não querem deixar para trás filhos ou netos, a casa e uma vida construída ao longo de décadas.

Este cozinheiro de profissão vê algumas semelhanças entre a época em que chegou, em 1989, e o pós-Brexit: muita oferta de emprego, comprovada pela taxa de desemprego de 3,7%, o nível mais baixo desde 1974.

"Temos muitos trabalhos, mas não há pessoal. Tenho muitas pessoas da Madeira a pedirem-me para vir, mas com o Brexit é mais difícil contratar estrangeiros", exclama.

Domingos Cabeças, gerente da agência de recrutamento Netos em Londres, também nota a redução de portugueses à procura de emprego numa altura em que mais precisa.

"Antes do Brexit tinha 60-80 pessoas por dia, agora a média é de 10-15. Tenho empregadores que telefonam todos os dias a saber se há gente. Aumentaram salários e mesmo assim não há gente", conta.

No Reino Unido há 31 anos, Cabeças explica que os salários elevados, em alguns casos quatro vezes superiores aos praticados em Portugal, atraíram muitos emigrantes, que chegavam a acumular vários empregos para juntar economias.

Porém, além de despesas mais altas com alojamento e transportes, agravadas pelo aumento do custo de vida, a mentalidade da comunidade portuguesa mudou, para pessoas que querem aproveitar melhor a vida, acabando por voltar a Portugal.

"As pessoas já não querem ser escravas do dinheiro, vão comer fora, passear ao fim de semana. Chega a um ponto em já não vale a pena cá estarem, não conseguem juntar dinheiro. Em Portugal não ganham o mesmo, mas ao menos estão no país deles", resume.


3.5.22

Inflação em Portugal acelera e chega aos 7,2% em Abril

Luís Villalobos, in Público

Valor é o mais elevado desde Março de 1993. Taxa de variação homóloga do índice de produtos energéticos situou-se nos 26,7%, de acordo com a estimativa rápida do INE.

A taxa de inflação voltou a subir e chegou aos 7,2% em Abril em termos homólogos, de acordo com a estimativa rápida publicada esta sexta-feira pelo INE (em Março o valor foi de 5,3%).

De acordo com o INE, esta variação do Índice de Preços no Consumidor (IPC) é a mais elevada desde Março de 1993. Grande parte do impulso veio de produtos como os combustíveis.

Segundo o INE, a estimativa é a de que a taxa de variação homóloga do índice que reúne os produtos energéticos seja de 26,7% (19,8% em Março), um valor que não se verificava desde Maio de 1985.

Os produtos alimentares não transformados também tiveram uma subida expressiva, embora inferior aos produtos energéticos, com uma variação do índice de 9,5% (5,8% em Março).

O indicador de inflação subjacente, que não tem em conta estes dois grupos de produtos, “terá registado uma variação de 5% (3,8% em Março), o “registo mais elevado desde Setembro de 1995. Os valores definitivos serão conhecidos no dia 11 de Maio.

Já o Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC) português “terá registado uma variação homóloga de 7,4%” (5,5% em Março). Este é o indicador que, após alguns acertos, permite fazer a comparação com outros países europeus.