Paula Sofia Luz, in DN
O último relatório da APAV, referente ao ano de 2021, revela que uma média de quatro idosos por dia são vítimas de violência. A partir de Coimbra, a Fundação Bissaya Barreto e a linha SOS Pessoa Idosa registaram o dobro dos pedidos de ajuda. Agressões de familiares aumentam.
Um total de 1594 pessoas idosas foram vítimas de crime e de violência no ano passado, o que corresponde a uma média de quatro pessoas por dia. Os dados são da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) e foram disponibilizados a propósito do Dia Internacional da Pessoa Idosa, que se celebrou no início do mês.
No que diz respeito ao perfil da vítima, esta é geralmente do sexo feminino (cerca de 75,5%), com idades compreendidas entre os 70 e os 74 anos. Já o autor do crime é, em cerca de 52,3% das situações, do sexo masculino e com uma média de idades (16%) acima dos 65 anos. Em cerca de 29% dos casos, a vítima é pai ou mãe do autor do crime.
"Reconhecendo que a violência contra as pessoas idosas constitui um problema social e de Saúde Pública, consideramos que o seu eficaz combate pode contribuir para um futuro mais inclusivo, onde todos sejam respeitados ao longo do ciclo de vida, nomeadamente no contexto de um envelhecimento ativo e saudável", refere a APAV.
Duplicam pedidos de ajuda
Os números continuam a revelar aquilo que a pandemia escondeu durante dois anos. Neste caso, é a violência contra os os idosos, mais precisamente daqueles que se encontram em casa, aos cuidados de familiares. Em 2021, o serviço da linha SOS Pessoa Idosa, da Fundação Bissaya Barreto, contabilizou um total de 1812 contactos telefónicos, e-mails e articulações interinstitucionais, o que significa o dobro do que ocorrera no ano anterior.
Desde o início de 2022 e até ao final do verão, os pedidos de ajuda recebidos deram origem à abertura de 244 processos internos, "que obrigaram ao acompanhamento frequente e intervenção, bem como a articulações interserviços", refere uma nota que acompanha um relatório daquela instituição, sediada em Coimbra.
"As denúncias foram realizadas por e-mail/formulário (52,5%), por telefone (47%) e presencialmente (0,5%)", acrescenta o mesmo documento.
"O que verificamos é um aumento de pessoas idosas que são vítimas a residir com familiares - e é uma diferença significativa", confirma ao DN Marta Ferreira, uma das técnicas responsáveis pelo serviço. "Anteriormente o número mais elevado dirigia-se a pessoas a residirem sozinhas. Esta residência partilhada nós cremos que pode ficar a dever-se à pandemia e ao encerramento temporário de alguns serviços, como os Centros de Dia - que fez com que filhos se mobilizassem para casa dos pais ou que contratassem cuidadores para minimizar os danos do contexto pandémico -, e de algum encerramento temporário de serviços de apoio, que são fundamentais para pessoas nestas idades". E aquilo que deveria ter sido benéfico, como a convivência com os familiares, acabou por se revelar o contrário.
"Por outro lado, quando as pessoas já estão a iniciar um quadro de demência, os profissionais que realizam todo o apoio - que nem sequer é profissionalizado - muitas vezes notam que temos por trás desta violência situações de cansaço do cuidador, prevalência elevada de dependência física e situações de saúde mental", sublinha Marta Ferreira.
A responsável lembra que, em anos anteriores, a linha registava um elevado número de mulheres em situação de viuvez. "Aqui, no caso das mulheres casadas, não se refere propriamente a situação de violência conjugal, mas sim o facto de termos enquadrada a categoria de casal como vítimas."
Secundando Lisboa, Setúbal passou a ser o distrito com mais denúncia de casos, ultrapassando o Distrito do Porto. O serviço da Fundação Bissaya Barreto considera que tal fica a dever-se "ao facto de termos uma comunicação muito fácil com as entidades locais, comparativamente com outras zonas do país. E acreditamos que este passa-a-palavra pode ter tido bons resultados em edições anteriores, e que este aumento do número de casos é também pela facilidade que as pessoas têm em denunciá-los, beneficiando por terem visto ou por terem sabido de outras situações bem resolvidas. Temos um grande apoio por parte da PSP e da GNR (do Apoio 65) que fazem aqui um bom acompanhamento", considera.
O serviço existe desde maio de 2014. Marta Ferreira nota o aumento de casos denunciados, paulatinamente, ao longo dos anos. "Temos feito alguma alteração nas estratégias de intervenção, porque estamos no terreno e começamos a perceber o que é que resulta melhor. E no caso das pessoas idosas estes casos têm de ser tratados de forma muito personalizada e muito especial. Temos tentado aprimorar e fazer uma intervenção personalizada a quem precisa de ajuda. É a grande diferença ao longo dos anos", sublinha Marta, que integra uma equipa constituída por psicólogas, assistentes sociais, e uma psicogerontóloga.
Muitas situações de violência são continuadas no tempo, "e às vezes por parte de filhos". Não raramente, são famílias "multiproblemáticas, com problemas de saúde mental, alcoolismo ou toxicodependência", lembra a responsável.
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24.5.21
Jurista afirma ser necessária informação para que idosos não sejam infantilizados
in o Observador
Quando as pessoas mais velhas vão para um lar, "mesmo mantendo a sua capacidade cognitiva, entram na generalidade dos casos num processo de infantilização", explica a jurista.
▲Embora saliente a existência de "muitas exceções", a jurista Paula Guimarães lamentou que "grande parte" desde tipo de comportamento ainda acontece
A jurista Paula Guimarães defendeu esta segunda-feira que as pessoas mais velhas, quando entram numa instituição, tendem a entrar num “processo de infantilização“, evitável se houver informação sobre a legislação que os protege de abusos.
As pessoas, a partir do momento em que entram numa instituição, mesmo mantendo a sua capacidade cognitiva, entram na generalidade dos casos num processo de infantilização”, censurou a advogada, em declarações à agência Lusa.
Para a causídica, com trabalho em instituições ligadas à prevenção da violência contra as pessoas idosas, “este é um processo desnecessário e que acaba por aumentar o apressar da própria senilidade, porque se a pessoa começa a ser afastada do centro da decisão, acaba ela própria por começar a demitir-se da sua própria vida”.
Embora saliente a existência de “muitas exceções“, Paula Guimarães lamentou que “grande parte deste tipo de situações ainda aconteça“.
A jurista referiu ter-se feito “um grande caminho em Portugal no que diz respeito ao edificado” e na formação técnica, mas disse haver “um problema sério” na formação jurídica dos profissionais do setor, “designadamente na questão dos direitos pessoais“. “A maior parte dos profissionais da área da saúde e da área social não tem conhecimento da legislação”, acrescentou.
Paula Guimarães considerou a intervenção nas instituições “muito centrada na satisfação das necessidades básicas” e, se por um lado classifica a qualidade do tratamento a esse nível “cada vez melhor”, no que toca ao “tratamento da dimensão da dignidade, ainda há muito caminho para andar”.
Nós temos tendência a considerar que as pessoas, independentemente da sua situação concreta, quando são mais velhas, são incapazes, e isso não é verdade”, salientou a advogada, em declarações à agência Lusa.
Na opinião da jurista falta estar generalizado um sistema de prestação de informação relevante às pessoas mais velhas sobre os seus direitos, para que elas “possam escolher“, possam “antever a sua situação” e “tomar medidas que previnam” abusos.
Se as pessoas fossem informadas de algumas questões, elas não eram colocadas compulsivamente nos lares, não deixavam que os seus familiares gerissem os seus dinheiros, podiam prevenir, inclusive, a perda de autonomia dentro da sua casa. O que é facto é que nós não ensinamos as pessoas a prevenir o envelhecimento e, portanto, a maior parte das situações em que elas são vítimas é por desconhecimento da lei”, analisou Paula Guimarães.
A causídica dá como exemplos a Lei do Testamento Vital, que entrou em vigor em 2012 e permite a cada um “escolher o que for melhor para si e, no âmbito da saúde, ter a possibilidade de escolher um procurador de saúde”.
Paula Guimarães mencionou também o Regime do Maior Acompanhado, que permite aos maiores de 18 anos escolher por quem ser apoiado no caso de vir a perder capacidades.
“A maior parte das pessoas não sabe e depois é apanhada na curva. São ludibriados, explorados pelas pessoas que lhes prestam cuidados”, acentuou a jurista, que alertou ainda para a existência da lei dos Direitos das Pessoas em Contexto de Doença Avançada e em Fim de Vida, “fundamental para saberem aquilo a que têm direito quando estão nos hospitais“.
A advogada afirmou-se convicta de que “se as pessoas fossem informadas e se começassem cedo a preparar a sua velhice, metade dos problemas não acontecia“.
Bastava dizer que metade das pessoas seriam elas a escolher o equipamento para onde queriam ir, ou poderiam escolher ir para um lar ou ficar com apoio domiciliário, ou se querem fazer uma cotitularidade de conta ou se preferem fazer uma procuração”, pormenorizou.
“Temos imensas situações de exploração financeira das pessoas mais velhas em Portugal. A maior parte dessas situações são perpetradas por familiares ou por cuidadores. Ou seja, pelas pessoas que estão mais próximas”, afiançou, com base em casos que acompanha diretamente e em relatos de instituições ou da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima.
Em lares, enfatizou, em contexto de pandemia, “as pessoas aí residentes também viram os seus direitos enquanto clientes dessas instituições reduzidos“, mas referiu que não é um cenário agravado pela Covid-19, antes se “tornou mais visível”.
Paula Guimarães fez referência à Constituição, à salvaguarda dos direitos pessoais, e aludiu a situações em que as instituições fazem a gestão do património dos residentes, “sem o seu consentimento“.
“Na maior parte dos casos” os episódios de intervenções de saúde são autorizadas pelos familiares “sem legitimidade para o fazer”, e não pelo próprio, disse, questionando se as pessoas a residirem num lar “têm direito à intimidade, à reserva da vida privada, a poderem escolher um parceiro para ficar no quarto com elas“.
A pandemia não veio trazer novos problemas, o que veio foi acender a luz. Agora, ou apagamos a luz outra vez, ou tomamos medidas”, reforçou a jurista.
Quando as pessoas mais velhas vão para um lar, "mesmo mantendo a sua capacidade cognitiva, entram na generalidade dos casos num processo de infantilização", explica a jurista.
▲Embora saliente a existência de "muitas exceções", a jurista Paula Guimarães lamentou que "grande parte" desde tipo de comportamento ainda acontece
A jurista Paula Guimarães defendeu esta segunda-feira que as pessoas mais velhas, quando entram numa instituição, tendem a entrar num “processo de infantilização“, evitável se houver informação sobre a legislação que os protege de abusos.
As pessoas, a partir do momento em que entram numa instituição, mesmo mantendo a sua capacidade cognitiva, entram na generalidade dos casos num processo de infantilização”, censurou a advogada, em declarações à agência Lusa.
Para a causídica, com trabalho em instituições ligadas à prevenção da violência contra as pessoas idosas, “este é um processo desnecessário e que acaba por aumentar o apressar da própria senilidade, porque se a pessoa começa a ser afastada do centro da decisão, acaba ela própria por começar a demitir-se da sua própria vida”.
Embora saliente a existência de “muitas exceções“, Paula Guimarães lamentou que “grande parte deste tipo de situações ainda aconteça“.
A jurista referiu ter-se feito “um grande caminho em Portugal no que diz respeito ao edificado” e na formação técnica, mas disse haver “um problema sério” na formação jurídica dos profissionais do setor, “designadamente na questão dos direitos pessoais“. “A maior parte dos profissionais da área da saúde e da área social não tem conhecimento da legislação”, acrescentou.
Paula Guimarães considerou a intervenção nas instituições “muito centrada na satisfação das necessidades básicas” e, se por um lado classifica a qualidade do tratamento a esse nível “cada vez melhor”, no que toca ao “tratamento da dimensão da dignidade, ainda há muito caminho para andar”.
Nós temos tendência a considerar que as pessoas, independentemente da sua situação concreta, quando são mais velhas, são incapazes, e isso não é verdade”, salientou a advogada, em declarações à agência Lusa.
Na opinião da jurista falta estar generalizado um sistema de prestação de informação relevante às pessoas mais velhas sobre os seus direitos, para que elas “possam escolher“, possam “antever a sua situação” e “tomar medidas que previnam” abusos.
Se as pessoas fossem informadas de algumas questões, elas não eram colocadas compulsivamente nos lares, não deixavam que os seus familiares gerissem os seus dinheiros, podiam prevenir, inclusive, a perda de autonomia dentro da sua casa. O que é facto é que nós não ensinamos as pessoas a prevenir o envelhecimento e, portanto, a maior parte das situações em que elas são vítimas é por desconhecimento da lei”, analisou Paula Guimarães.
A causídica dá como exemplos a Lei do Testamento Vital, que entrou em vigor em 2012 e permite a cada um “escolher o que for melhor para si e, no âmbito da saúde, ter a possibilidade de escolher um procurador de saúde”.
Paula Guimarães mencionou também o Regime do Maior Acompanhado, que permite aos maiores de 18 anos escolher por quem ser apoiado no caso de vir a perder capacidades.
“A maior parte das pessoas não sabe e depois é apanhada na curva. São ludibriados, explorados pelas pessoas que lhes prestam cuidados”, acentuou a jurista, que alertou ainda para a existência da lei dos Direitos das Pessoas em Contexto de Doença Avançada e em Fim de Vida, “fundamental para saberem aquilo a que têm direito quando estão nos hospitais“.
A advogada afirmou-se convicta de que “se as pessoas fossem informadas e se começassem cedo a preparar a sua velhice, metade dos problemas não acontecia“.
Bastava dizer que metade das pessoas seriam elas a escolher o equipamento para onde queriam ir, ou poderiam escolher ir para um lar ou ficar com apoio domiciliário, ou se querem fazer uma cotitularidade de conta ou se preferem fazer uma procuração”, pormenorizou.
“Temos imensas situações de exploração financeira das pessoas mais velhas em Portugal. A maior parte dessas situações são perpetradas por familiares ou por cuidadores. Ou seja, pelas pessoas que estão mais próximas”, afiançou, com base em casos que acompanha diretamente e em relatos de instituições ou da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima.
Em lares, enfatizou, em contexto de pandemia, “as pessoas aí residentes também viram os seus direitos enquanto clientes dessas instituições reduzidos“, mas referiu que não é um cenário agravado pela Covid-19, antes se “tornou mais visível”.
Paula Guimarães fez referência à Constituição, à salvaguarda dos direitos pessoais, e aludiu a situações em que as instituições fazem a gestão do património dos residentes, “sem o seu consentimento“.
“Na maior parte dos casos” os episódios de intervenções de saúde são autorizadas pelos familiares “sem legitimidade para o fazer”, e não pelo próprio, disse, questionando se as pessoas a residirem num lar “têm direito à intimidade, à reserva da vida privada, a poderem escolher um parceiro para ficar no quarto com elas“.
A pandemia não veio trazer novos problemas, o que veio foi acender a luz. Agora, ou apagamos a luz outra vez, ou tomamos medidas”, reforçou a jurista.
14.6.18
Violência psicológica é a mais comum contra os idosos
in Correio de Oeiras
Violência psicológica é a mais comum contra os idosos Para assinalar o dia Mundial da Consciencialização da Violência contra a Pessoa Idosa que é celebrado no da 15 do Junho fornos perceber qual é o perfil da vitima idosa.
A violência contra os idosos nao é o tipo de violência mais comum no pais, ainda assim tem algum peso nas estatísticas principalmente quando se fala em violência psicológica que segundo Sinais de Violência Psicológica/ Verbal Se convive com pessoas idosas esteja atento aos sin ais de possível Violência PsicológicaNerbal e denuncie sempre que desconfiar de uma situaçao destas: A pessoa idosa encontra-se emocionalmente perturbada; Aparenta isolamento; Insónias: Medo das outras pessoas: a APAV 'é a segunda causa mais comum de violência sobre as pessoas idosas, imediatamente a seguir ã Negligência".
Segundo Monica Pereira, administradora da residência Aso, este tipo de violência é na sua maioria praticada por familiares próximos da vitima. Muitas vezes soo os próprios filhos que se tornam violentos para os pais com o objetivo de se apropriarem dos bens e poupanças destas pessoas. Esta violência é feita de forma manipuladora e provoca no idoso dor, angústia e isolamento social, sentimentos que as associações de apoio à vitima e aos idosos querem combater pela dignidade das pessoas, mostrando o outro lado, independentemente do que lhes possa ter acontecido, que ainda há vida para alem disso.
Deprossao nao habitual; Manifesta uma recusa inexplicável em participar nas atividades normais: Depreciaçao e/ou ameaças por parte de membros da família Falar sobre o assunto Para consciencializar a populaçao para este problema vao decorrer vários eventos. Na residência MO, por exemplo, haverá um fórum debate no dia 14 de junho, com entrada gratuita mediante insaiçao prévia. Neste evento estarao presentes a APAV e a GNR para explicarem como as pessoas podem reportar estas situações. O professor José Pinto da Costa, vai falar de casos de violência mais fisica, e no final falar-se-á sobre perspetivas futuras, nomeadamente tornar as questões mais humanizadas.
Violência psicológica é a mais comum contra os idosos Para assinalar o dia Mundial da Consciencialização da Violência contra a Pessoa Idosa que é celebrado no da 15 do Junho fornos perceber qual é o perfil da vitima idosa.
A violência contra os idosos nao é o tipo de violência mais comum no pais, ainda assim tem algum peso nas estatísticas principalmente quando se fala em violência psicológica que segundo Sinais de Violência Psicológica/ Verbal Se convive com pessoas idosas esteja atento aos sin ais de possível Violência PsicológicaNerbal e denuncie sempre que desconfiar de uma situaçao destas: A pessoa idosa encontra-se emocionalmente perturbada; Aparenta isolamento; Insónias: Medo das outras pessoas: a APAV 'é a segunda causa mais comum de violência sobre as pessoas idosas, imediatamente a seguir ã Negligência".
Segundo Monica Pereira, administradora da residência Aso, este tipo de violência é na sua maioria praticada por familiares próximos da vitima. Muitas vezes soo os próprios filhos que se tornam violentos para os pais com o objetivo de se apropriarem dos bens e poupanças destas pessoas. Esta violência é feita de forma manipuladora e provoca no idoso dor, angústia e isolamento social, sentimentos que as associações de apoio à vitima e aos idosos querem combater pela dignidade das pessoas, mostrando o outro lado, independentemente do que lhes possa ter acontecido, que ainda há vida para alem disso.
Deprossao nao habitual; Manifesta uma recusa inexplicável em participar nas atividades normais: Depreciaçao e/ou ameaças por parte de membros da família Falar sobre o assunto Para consciencializar a populaçao para este problema vao decorrer vários eventos. Na residência MO, por exemplo, haverá um fórum debate no dia 14 de junho, com entrada gratuita mediante insaiçao prévia. Neste evento estarao presentes a APAV e a GNR para explicarem como as pessoas podem reportar estas situações. O professor José Pinto da Costa, vai falar de casos de violência mais fisica, e no final falar-se-á sobre perspetivas futuras, nomeadamente tornar as questões mais humanizadas.
12.3.18
"Temos de ter resposta para os idosos vítimas de violência"
Céu Neves, in Diário de Notícias
Isabel Dias é professora na Faculdade de Letras da Universidade do Porto
Afirma, no projeto HARMED, Abuso de idosos: determinantes sociais, económicas e de saúde, que estes são mais vulneráveis à violência e a maus-tratos, porquê?
Estamos a falar de pessoas com baixo grau de autonomia, que estão dependentes da prestação de cuidados de terceiros, cuidadores familiares ou cuidados formais, e que estão mais vulneráveis. Não quero com isto dizer que existe uma relação direta entre dependência e vulnerabilidade, mas é um fator de risco.
Em que contexto é mais provável acontecerem esses abusos?
O abuso pode acontecer em contexto familiar ou institucional. Em contexto institucional, nos lares, a questão é ainda mais problemática porque o abuso é perpetrado por pessoas que são pagas para prestar cuidados ao contrário do que acontece na família. Na família, a prestação de cuidados pode causar um certo stress do cuidador que vê essa prestação como um fardo, uma sobrecarga. Mas nos lares, quando não há uma supervisão das instituições, é maior a exposição a abusos. Há, ainda, outra questão: muitas vezes os idosos não têm a consciência de que aquela má prática configura uma situação de abuso.
Deveria haver legislação que visasse apenas os idosos?
Sim. A lei cobre todo o tipo o tipo de vítimas mas temos um paradigma muito voltado para a violência de género. As estatísticas justificam isso, não estou a dizer que não. Agora é importante não perdermos o foco em algumas categorias sociais específicas como as crianças e os idosos. Neste momento, temos um conjunto de medidas muito voltadas para apoiar as mulheres vítimas, que são muito importantes, mas temos igualmente que ter respostas sociais para os idosos que são vítimas de violência em contexto familiar ou institucional. Há que desenvolver campanhas de sensibilização sobre os maus-tratos e negligência contra idosos.
Isabel Dias é professora na Faculdade de Letras da Universidade do Porto
Afirma, no projeto HARMED, Abuso de idosos: determinantes sociais, económicas e de saúde, que estes são mais vulneráveis à violência e a maus-tratos, porquê?
Estamos a falar de pessoas com baixo grau de autonomia, que estão dependentes da prestação de cuidados de terceiros, cuidadores familiares ou cuidados formais, e que estão mais vulneráveis. Não quero com isto dizer que existe uma relação direta entre dependência e vulnerabilidade, mas é um fator de risco.
Em que contexto é mais provável acontecerem esses abusos?
O abuso pode acontecer em contexto familiar ou institucional. Em contexto institucional, nos lares, a questão é ainda mais problemática porque o abuso é perpetrado por pessoas que são pagas para prestar cuidados ao contrário do que acontece na família. Na família, a prestação de cuidados pode causar um certo stress do cuidador que vê essa prestação como um fardo, uma sobrecarga. Mas nos lares, quando não há uma supervisão das instituições, é maior a exposição a abusos. Há, ainda, outra questão: muitas vezes os idosos não têm a consciência de que aquela má prática configura uma situação de abuso.
Deveria haver legislação que visasse apenas os idosos?
Sim. A lei cobre todo o tipo o tipo de vítimas mas temos um paradigma muito voltado para a violência de género. As estatísticas justificam isso, não estou a dizer que não. Agora é importante não perdermos o foco em algumas categorias sociais específicas como as crianças e os idosos. Neste momento, temos um conjunto de medidas muito voltadas para apoiar as mulheres vítimas, que são muito importantes, mas temos igualmente que ter respostas sociais para os idosos que são vítimas de violência em contexto familiar ou institucional. Há que desenvolver campanhas de sensibilização sobre os maus-tratos e negligência contra idosos.
24.2.15
Estudo revela que 12,3% dos idosos portugueses podem ser alvo de violência
in Público on-line
Inquérito da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) confirma que a violência contra os idosos parte, muitas vezes, dos familiares ou amigos.
Em cada mil portugueses com 60 ou mais anos, 123 pode ser alvo de algum tipo de violência por parte de familiares, amigos ou pessoas que trabalham com idosos, revela um estudo realizado entre 2011 e 2014 pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV). O trabalho envolveu instituições nacionais nos últimos quatro anos e os dados foram revelados esta segunda-feira, no Porto, numa conferência organizada pela Universidade Portucalense para discutir o tema Violência Doméstica. A APAV nota que a média nos outros países da União Europeia é de “21 a 22 casos por cada mil pessoas".
"São dados alarmantes e que confirmaram os alertas que a APAV tem vindo a fazer há vários anos", disse Maria de Oliveira, técnica da APAV , que explicou que este estudo foi feito através de chamadas telefónicas, a 1123 pessoas. Estes dados têm preocupado a associação que, para reforçar a informação dada às pessoas, apresentou esta segunda-feira uma campanha sobre os direitos das vítimas de crime. Esta ideia lança uma aplicação para telemóveis, androids e iphones de forma a esclarecer da melhor forma possível todas as vítimas de violência.
Envolvendo a APAV, GNR, Instituto de Medicina Legal, Instituto de Segurança Social e o Instituto Ricardo Jorge, os resultados do estudo demonstraram que são vários os factores associados a este tipo de situações. A idade, a incapacidade funcional e a reduzida escolaridade foram os mais destacados. Depois dos 76 anos, a possibilidade de o idoso sofrer algum tipo de violência cresce 10% a cada ano e a limitação para actividades diárias pode potenciar actos violentos.
De acordo com a técnica, chegou-se à conclusão que existe uma maior prevalência da violência financeira e psicológica, seguida da física. Menos relatada neste inquérito foram a negligência e a violência sexual.
Uma outra vertente da investigação incidiu sobre as vítimas assistidas pelos serviços das instituições. Concluiu-se que, das 510 pessoas assinaladas, a maioria mulheres (76,2%), tinham idades compreendidas entre os 60 e os 69 anos, eram casadas, com escolaridade reduzida e baixos rendimentos. Neste grupo, o tipo de violência mais relatada foi a física, seguida da psicológica e da financeira.
A conferência sobre Violência Doméstica reuniu especialistas das áreas da Psicologia e do Direito e Carlos Rodrigues, membro da coordenação científica do encontro, considerou que na sociedade actual "as pessoas imprimem ritmos demasiado acelerados às suas vidas, em lógicas muitas vezes individualistas" e advertiu para "os riscos de uma competitividade excessiva potenciadora dessa violência".
Segundo dados da APAV, entre 2000 e 2013, houve "um aumento de 149%" de processos de apoio a pessoas idosas vítimas de crime, o que "dá uma média de 15 por semana ou de 2,1 por dia".
Inquérito da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) confirma que a violência contra os idosos parte, muitas vezes, dos familiares ou amigos.
Em cada mil portugueses com 60 ou mais anos, 123 pode ser alvo de algum tipo de violência por parte de familiares, amigos ou pessoas que trabalham com idosos, revela um estudo realizado entre 2011 e 2014 pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV). O trabalho envolveu instituições nacionais nos últimos quatro anos e os dados foram revelados esta segunda-feira, no Porto, numa conferência organizada pela Universidade Portucalense para discutir o tema Violência Doméstica. A APAV nota que a média nos outros países da União Europeia é de “21 a 22 casos por cada mil pessoas".
"São dados alarmantes e que confirmaram os alertas que a APAV tem vindo a fazer há vários anos", disse Maria de Oliveira, técnica da APAV , que explicou que este estudo foi feito através de chamadas telefónicas, a 1123 pessoas. Estes dados têm preocupado a associação que, para reforçar a informação dada às pessoas, apresentou esta segunda-feira uma campanha sobre os direitos das vítimas de crime. Esta ideia lança uma aplicação para telemóveis, androids e iphones de forma a esclarecer da melhor forma possível todas as vítimas de violência.
Envolvendo a APAV, GNR, Instituto de Medicina Legal, Instituto de Segurança Social e o Instituto Ricardo Jorge, os resultados do estudo demonstraram que são vários os factores associados a este tipo de situações. A idade, a incapacidade funcional e a reduzida escolaridade foram os mais destacados. Depois dos 76 anos, a possibilidade de o idoso sofrer algum tipo de violência cresce 10% a cada ano e a limitação para actividades diárias pode potenciar actos violentos.
De acordo com a técnica, chegou-se à conclusão que existe uma maior prevalência da violência financeira e psicológica, seguida da física. Menos relatada neste inquérito foram a negligência e a violência sexual.
Uma outra vertente da investigação incidiu sobre as vítimas assistidas pelos serviços das instituições. Concluiu-se que, das 510 pessoas assinaladas, a maioria mulheres (76,2%), tinham idades compreendidas entre os 60 e os 69 anos, eram casadas, com escolaridade reduzida e baixos rendimentos. Neste grupo, o tipo de violência mais relatada foi a física, seguida da psicológica e da financeira.
A conferência sobre Violência Doméstica reuniu especialistas das áreas da Psicologia e do Direito e Carlos Rodrigues, membro da coordenação científica do encontro, considerou que na sociedade actual "as pessoas imprimem ritmos demasiado acelerados às suas vidas, em lógicas muitas vezes individualistas" e advertiu para "os riscos de uma competitividade excessiva potenciadora dessa violência".
Segundo dados da APAV, entre 2000 e 2013, houve "um aumento de 149%" de processos de apoio a pessoas idosas vítimas de crime, o que "dá uma média de 15 por semana ou de 2,1 por dia".
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