12.6.09

Cultura: "As bibliotecas itinerantes combatem a info-exclusão", defende especialista espanhol

in Expresso

As bibliotecas itinerantes são a forma mais fácil de combater a info-exclusão, defendeu hoje na Batalha o presidente da Asociación de Profesionales de Bibliotecas Móviles de Espanha, Roberto Arranz.

As bibliotecas itinerantes são a forma mais fácil de combater a info-exclusão, defendeu hoje na Batalha o presidente da Asociación de Profesionales de Bibliotecas Móviles de Espanha, Roberto Arranz.

Arranz, um dos convidados do I Encontro Internacional de Bibliotecas Itinerantes que arrancou hoje, considera que a itinerância permite às bibliotecas "satisfazer as necessidades de várias comunidades sem grandes custos".

"Actualmente a internet é um grande instrumento que permite que todas as barreiras de espaço, tempo e psicológicas que existem nas bibliotecas deixem de existir", sublinha o especialista, que defende as bibliotecas itinerantes como "a forma mais fácil de lutar contra a info-exclusão e de permitir às populações o contacto com a sociedade da informação".

Roberto Arranz lembra que "basta existir um cidadão que não possa aceder a uma biblioteca para que sejam necessárias mais bibliotecas itinerantes".

"O objectivo delas é que cem por cento da população tenha serviço bibliotecário. Os objectivos são os mesmos de uma biblioteca fixa: a formação dos cidadãos, a informação desses mesmos cidadãos e a sua formação quanto às novas tecnologias. Mas as itinerantes vão um pouco mais longe. Elas criam um espaço público onde ele não existe, são um ponto de reunião de vizinhos", destaca.

O presidente da associação espanhola diz que Portugal e Espanha estão, neste campo das bibliotecas sobre rodas, "medianamente bem":

"Em Espanha temos 81, mas devia haver duzentas. Em Portugal, há 53 mas seguramente são precisas mais. Há poucas bibliotecas itinerantes para as necessidades reais".

Outro especialista em bibliotecas itinerantes presente na Batalha é Ian Stringer, responsável da IFLA, a federação internacional das associações de bibliotecas. Há dois anos que visita países à procura de bibliotecas itinerantes.

Na Europa já visitou 24 países, mas também já esteve no Evereste e nos desertos australianos. "As bibliotecas itinerantes são muito diferentes de país para país: há bibliotecas a camelo, bibliotecas em cestos, bibliotecas em barcos...", descreve.

O britânico está a preparar um documento para demonstrar que "devemos ter mais bibliotecas itinerantes, pela sua utilidade e capacidade de chegar a sítios difíceis".

Ian Stringer conheceu nepaleses que levam livros às costas, num cesto, "montanha acima", a comunidades que habitam no Evereste. Na Austrália descobriu autocarros de 13 metros que carregam cinco mil livros e que andam por sítios com temperaturas de 40 graus. Na Finlândia, os livros vão ao encontro dos leitores com dez graus negativos. "E em Singapura há bibliotecas em motas, para rapidamente darem a volta à cidade. E os principais clientes são prostitutas -- o que é particularmente triste é que a sua leitura preferida são romances..."

O especialista britânico destaca o voluntarismo e dedicação de quem trabalha em bibliotecas:

"Muito poucos técnicos superiores de uma câmara municipal se prestariam limpar o seu próprio local de trabalho e até a arranjarem-no... Os técnicos das bibliotecas itinerantes fazem-no".

E com a internet associada às bibliotecas itinerantes, Ian Stringer destaca a capacidade que "uma viatura com livros tem de permitir a consulta de uma enorme enciclopédia de 24 volumes" ou de facilitar a quem não vê "o download de audio-livros directamente para o leitor de mp3".

Mas apesar de o investigador do IFLA defender a existência de mais bibliotecas itinerantes, nem tudo são boas notícias:

"Frequentemente, quando as bibliotecas itinerantes estão bem, é sinal de que vivemos tempos menos bons -- porque significa que as bibliotecas fixas estão a fechar. O crescimento das bibliotecas itinerantes nem sempre é um bom sinal..."

MLE

Lusa/fim