14.6.09

Trinta por cento dos desempregados no Luxemburgo são portugueses

Ana Cristina Pereira, in Jornal Público

Crise apanhou de surpresa mais de quatro mil imigrantes no grão-du-cado. Conselheiro das comunidades pede respostas ao Governo


A crise já chegou ao Luxemburgo. O desemprego atingiu em Abril 5,5 por cento da população, o que significa mais 1,3 pontos percentuais do que em Abril do ano passado. E 30 por cento destas 12.761 pessoas são portugueses, diz o líder sindical Eduardo Dias, conselheiro das comunidades portuguesas.

Um terço dos inscritos na Administração do Emprego luxemburguesa, o equivalente ao Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), está desempregado há 12 meses ou mais. São trabalhadores de capacidade reduzida ou de idade superior à apetecível pelos empregadores. Apenas metade dos inscritos tinha a escolaridade obrigatória - dois terços tinham-na obtido no estrangeiro.

O boletim estatístico desagrega os desempregados por idade, sexo e sector de actividade. O sindicalista pediu dados por nacionalidade: os portugueses desempregados integram-se, sobretudo, nos sectores da construção civil e obras públicas, hotelaria e restauração e limpezas. Noutros sectores, a presença de cidadãos de nacionalidade portuguesa "é marginal".

Segundo o conselheiro, "a maior parte" destes portugueses cabe na categoria de desempregado de longa duração. Por esta razão, parece-lhe "urgente fazer alguma coisa em termos de formação".

O sindicalista reconhece que a formação é da responsabilidade dos países de acolhimento. Lembra, no entanto, que no grão-ducado a formação profissional é dada em francês e alemão. "O Luxemburgo está disposto a pagar, mas não tem formadores para ensinar em português", explica.

Eduardo Dias culpa as autoridades portuguesas pela falta de oportunidade daqueles trabalhadores deslocados do país de origem: "Já houve uma conversa com o presidente do IEPF, ele disse que ia estudar. Está há um ano a estudar? Nunca mais deu qualquer resposta".

O emprego começou a diminuir no início de 2008 e a tendência tem vindo a agravar-se. As perspectivas não são animadoras. Pelas previsões do Statec, o serviço central de estatística e estudos económicos do Luxemburgo, a taxa de desemprego pode atingir os 5,9 no final deste ano e pode saltar para os sete por cento já em 2010, um nível nunca alcançado no país.

No mês passado, houve uma concentração contra o desemprego crescente na Place de la Gare, na cidade do Luxemburgo. O apelo ao protesto foi lançado pela OGBL, a associação que Eduardo Dias integra. O conselheiro não sabe precisar quantas das "20 mil a 30 mil pessoas que estiveram na rua" eram de nacionalidade portuguesa. "Havia muitos", diz.

12.761
Era o número de desempregados no Luxemburgo em Abril. Um terço é português.