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20.7.23

Habitação: Lisboa tem o maior aumento de rendas entre 30 cidades de todo o mundo

Rita Robalo Rosa, in Expresso

Segundo um estudo da consultora imobiliária Savills, Lisboa e Singapura são as cidades mais pressionadas pelos estrangeiros, que escolheram essas localizações para viver e fizeram subir as rendas em localizações centrais

Lisboa é a cidade, numa amostra de 30 localizações em todo o mundo, que mais sente a pressão dos estrangeiros no crescimento do valor das rendas das casas em localizações centrais, segundo um estudo da consultora imobiliária Savills, noticiado esta quinta-feira pela “Bloomberg”.

De acordo com o estudo da consultora, em Lisboa as rendas prime cresceram 13,9% entre dezembro de 2022 e junho de 2023, numa altura em que cada vez mais estrangeiros se deslocam para a capital portuguesa para viver - seja por uns meses ou por longos períodos de tempo. O segundo maior aumento foi registado em Singapura, com 13,6%.

A subida é ainda maior se compararmos com junho de 2022. Os dados fornecidos ao Expresso pela Savills Portugal indicam um crescimento homólogo de 32,7%. E essa é a maior variação entre as 30 cidades analisadas pela Savills, seguida pelo crescimento de 32,3% de Singapura, pelos 23% do Dubai e pelos 12,7% de Berlim.

Lisboa tem sentido um grande afluxo de estrangeiros para a capital, tendo sido colocada por diversas vezes entre as melhores cidades para nómadas digitais, mas também devido ao programa de vistos gold.

A subida das rendas em Lisboa - e, no geral, em Portugal - foi um dos motivos que levaram o Governo a lançar o programa Mais Habitação, que foi aprovado na quarta-feira e que seguiu para Belém para ser promulgado pelo Presidente da República. Desde arrendar para subarrendar, até à penalização ao alojamento local, são várias as medidas que visam travar a subida dos preços e dar alojamento mais acessível à população.

O crescimento das rendas em Lisboa deu-se a um ritmo semelhante ao de Singapura (13,6% desde dezembro e 32,3% face ao mês homólogo). Mas estas duas cidades registaram subidas do valor das rendas muito superiores às restantes 28 cidades que são incluídas no Prime Residential World Cities Index.

A cidade que ocupa o terceiro lugar no crescimento das rendas em seis meses é Berlim (9,2%), seguida do Dubai (5,4%). Já no crescimento anual invertem posições, com as rendas no Dubai a crescerem 23% e em Berlim 12,7%.

Por outro lado, em Miami, Seoul, São Francisco e Shenzhen o valor das rendas caiu desde dezembro. Nas últimas duas até houve um recuo das rendas face a junho de 2022.

Em Madrid, por exemplo, as rendas subiram 5,8% em termos homólogos e 2,9% em comparação com dezembro de 2022. Em Londres avançaram 5,7% e 1,9%, respetivamente.

18.7.23

Estado da Nação: Aumento de rendas e do custo de vida tornam mais difícil morar no Porto

 Sofia Cortez, in Lusa


Porto, 18 jul 2023 (Lusa) - Com as despesas alimentares a duplicarem e o custo de vida a aumentar, Gonçalo, Ana Maria e Luís partilham uma história em comum: a de quem precisa de ajuda para encontrar uma solução habitacional estável para permanecer no Porto.

Natural de Couto Mineiro do Pejão, em Castelo de Paiva, Gonçalo Gomes mudou-se para o Porto com 18 anos.

Na cidade invicta começou a trabalhar nos barcos, na zona da Ribeira, e do cais passou rapidamente para a marinhagem.

Durante 10 anos, o rio Douro foi o seu local de trabalho, mas a sazonalidade e precariedade associadas ao setor, levaram-no a procurar outro emprego.

Passou pela jardinagem, construção civil e limpezas. Passou por lares e Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS). Viajou rumo à Islândia para trabalhar na plantação de árvores durante cinco meses, mas regressou ao Porto.

Hoje, volvidos 18 anos desde que chegou à cidade, admite à Lusa que “tudo mudou”.

Se à época, Gonçalo pagava 75 euros mensais por um quarto na zona da Ribeira, hoje, divide uma casa com mais sete pessoas na zona de Paranhos e paga 350 euros por mês pelo seu quarto.

Para suportar esta despesa, Gonçalo, que está de momento no desemprego, tem recorrido a poupanças de antigos trabalhos.

“Há muita oferta, mas é precária (…). Nunca na vida com um trabalho instável vamos conseguir, nem angariar dinheiro, nem um crédito para arrendar melhor ou até conseguir comprar casa, mas isso, está fora de questão”, observou.

À renda, somam-se as despesas com a alimentação, que para Gonçalo duplicaram. Se antes, o cabaz mensal ficava por 150 euros, hoje fica por 300 euros.

“A situação é cada vez mais difícil. Tanto é que uma pessoa tem de recorrer a apoio alimentar”, admitiu.

Nos meses mais difíceis é à Paróquia Senhora da Conceição, na Praça do Marquês, e a outras instituições sociais que Gonçalo recorre e, na fila, vê tantos outros em circunstâncias semelhantes à sua.



“A maior parte são trabalhadores da construção civil, de entregas de alimentos e de jardinagem. Malta que constrói a cidade, mete a cidade em funcionamento, e, no fundo, não tem a dignidade de viver aqui, muito menos de conseguir sobreviver”, observou.

Gonçalo já tentou candidatar-se ao programa municipal de arrendamento acessível, mas a sua taxa de esforço não permite. Também já tentou candidatar-se a uma habitação social, mas os seus rendimentos são superiores aos admitidos.

“Isto é uma palhaçada porque, no fundo, sou rico de mais para me candidatar a habitação social, mas sou pobre de mais para me candidatar a arrendamento acessível”, confessou.

Ao contrário de Gonçalo, Ana Maria Rebelo e o marido, Luís Rebelo, de 76 e 73 anos, conseguiram vaga para atribuição de uma habitação social. Na lista de espera são o número 400.

Depois de nove anos a viver numa pequena habitação na zona de Cedofeita, o casal, que à guarda tem uma filha de 47 anos com deficiência intelectual acentuada, foi avisado no início do ano que o contrato não seria renovado.

Deveriam ter saído em maio da casa, mas não têm para onde ir, contaram à Lusa.

“Não podemos pagar os preços que nos estão a pedir (…) É uma exorbitância”, afirmou Ana Maria Rebelo, admitindo que para pagar o que pedem no mercado de arrendamento, a família tem “de ir roubar”.

Com um rendimento de cerca de 1.230 euros por mês, resultante da reforma do casal e da Prestação Social para a Inclusão da filha, a família continua a depositar na conta do senhorio os 436 euros da renda.

“É um dia de cada vez”, acrescentou Ana Maria.

À incerteza se são despejados daquela casa, visivelmente preenchida por humidade, soma-se a incerteza diária do aumento do custo de vida.

“Deus me livre, está de mais. Um pacote de chá custava 1,24 euros e está a 1,99 euros. Um pacote de chá?”, comentou Ana Maria, acrescentando que o aumento dos preços foi geral.

“Compro o que preciso para o dia. Não posso comprar para hoje, amanhã e depois. Todos os dias compro o que preciso e não me posso esticar”, admitiu.

Para os três, o cabaz de alimentos ronda os 300 euros por mês. A este valor acrescem ainda as despesas na farmácia de Luís, que tem uma doença degenerativa do sistema nervoso central que o impossibilita de estar de pé, e de Ana Maria, que tem um grave problema de coluna devido a um acidente.

Até receberem notícias do senhorio, e na impossibilidade de saírem, Ana Maria, Luís e a filha vão continuar a viver naquela casa, com a certeza de que no Porto “só há Alojamentos Locais e hotéis".

"Habitação para as pessoas não há", acrescentou Ana Maria.

SPC//LIL

Lusa/Fim

13.7.23

Rendas de habitação registaram em Junho o maior aumento desde 2014

Rafaela Burd Relvas, in Público

As rendas estão a contrariar a tendência de abrandamento que se verifica na inflação de bens e serviços e continuam a aumentar a um ritmo cada vez mais acelerado. Governo não exclui novo travão


As rendas habitacionais sofreram, em Junho deste ano, o maior aumento homólogo desde o final de 2014, numa altura em que mantêm uma trajectória ininterrupta de subidas desde há várias décadas. E os dados conhecidos até à data já apontam para que o coeficiente que determinará a actualização automática de rendas no próximo ano volte a ser historicamente elevado, tal como teria acontecido este ano se o Governo não tivesse intervindo. Perante este cenário, o Executivo não exclui a hipótese de voltar a impor um limite a esta actualização no próximo ano.

[artigo disponível na íntegra só para assinantes aqui]