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3.8.22

Costa admite que Portugal 2030 pode ser o último acordo de parceria com Bruxelas

in Dinheiro Vivo

Novo alargamento europeu implica "nova arquitetura institucional da União Europeia e, sobretudo, uma nova arquitetura orçamental", referiu primeiro-ministro.



Porto 30/ 04/ 2022 - António Costa, primeiro ministro, na abertura do Congresso Nacional 2022 da EAPN Diálogos sobre a pobreza, que decorreu na Faculdade de Economia do Porto. ( Igor Martins / Global Imagens )

O primeiro-ministro advertiu esta quinta-feira para os efeitos do projetado alargamento europeu a leste e aos Balcãs em matéria de fundos de coesão e admitiu que o Portugal 2030 possa ser o último acordo de parceria com Bruxelas.

Para onde vão os 23 mil milhões de euros em fundos do Portugal 2030?

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Costa teve "conversa bastante agradável" com Montenegro e voltarão a falar sobre aeroporto

Esta nota sobre a provável evolução da União Europeia foi deixada por António Costa na parte final do seu discurso no Fundão, distrito de Castelo Branco, no encerramento da cerimónia de assinatura do acordo de parceria entre Portugal e a Comissão Europeia para a execução do Portugal 2030, programa comunitário que envolve cerca de 23 mil milhões de euros.

"Há muitos anos que ouvimos dizer que vai ser a última oportunidade [de acesso a fundos comunitários]. De tanto ouvirmos dizer que vai ser a última oportunidade, fomos deixando de acreditar que a última oportunidade poderia ser mesmo a última oportunidade", começou por referir o líder do executivo.

A seguir, o primeiro-ministro apontou uma recente alteração de circunstâncias na União Europeia, em consequência direta do pedido de adesão da Ucrânia à União Europeia e da pressão política e diplomática internacional exercida nesse sentido.

"Recentemente, a União Europeia aprovou um muito ambicioso programa de novo alargamento a leste e à região dos Balcãs. Admitindo que essa decisão foi tomada com seriedade, que as negociações vão ser desenvolvidas com seriedade e que esses países vão alcançar sucesso no seu processo de adesão, então, independentemente da nossa capacidade de desenvolvimento, o mero efeito estatístico dessa adesão pode ter transformado esta cerimónia na última cerimónia de assinatura de um acordo de parceria", admitiu António Costa.

A seguir, o primeiro-ministro disse esperar que, a médio prazo, haja "o bom senso não de travar as adesões" dos países candidatos à União Europeia, mas de "compreender que o processo de adesão para ter sucesso implica uma nova arquitetura institucional da União Europeia e, sobretudo, uma nova arquitetura orçamental".

"Temos de provar que o atual modelo de financiamento, com base na política de coesão, continua a ser um modelo de sucesso em Portugal, assim como temos de provar que somos excelentes a executar esse novo modelo de fundos europeus que constitui o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Quem sabe, poderá ser o modelo futuro da arquitetura do novo modelo orçamental da União Europeia a partir de 2027", acrescentou.

Na sua intervenção, António Costa fez várias referências ao processo de descentralização de competências em Portugal e à projetada regionalização do país, sustentando que o Portugal 2030 contempla um "significativo" crescimento de dotações para as regiões.

"Os programas regionais, desta vez, foram elaborados por regiões eleitas maioritariamente pelos autarcas e que respondem pelos autarcas. Este é um passo de gigante no nosso processo de descentralização", disse.

Depois, fez uma alusão à controvérsia em torno da criação de regiões administrativas em Portugal, mas sem mencionar a posição do PSD de recusar um referendo sobre esta matéria.

"Se haverá outros passos, espero que sim, mas, para já, este é o primeiro grande teste após o passo que demos na democratização ao nível da organização do Estado no escalão regional de Portugal continental", advogou.

20.5.22

Uma em cada cinco crianças em risco de pobreza em Portugal

in SicNoticias

António Costa anunciou que o Governo vai alargar o apoio dado às famílias mais carenciadas para compensar o aumento dos preços dos alimentos e da energia.

Uma em cada cinco crianças em Portugal estão em risco de pobreza. Os números são preocupantes
O primeiro-ministro garantiu este sábado, no Porto, que já estão a ser tomadas medidas para combater essa realidade.

O Governo vai alargar o apoio dado às famílias mais carenciadas para compensar o aumento dos preços dos alimentos e da energia. Mais 70 mil famílias vão ser abrangidas, anunciou este sábado o primeiro-ministro no Congresso Nacional da Rede Europeia Anti-pobreza, que decorreu na Faculdade de Economia da Universidade do Porto.

O primeiro-ministro considerou “intoleráveis” os níveis de pobreza laboral que se registam em Portugal e apontou o combate à precariedade e à intermitência laboral como “absolutamente essencial”.

3.5.22

Reforço do abono de família para 400 mil crianças neste ano

Joana Amorim, in JN

São 400 mil as crianças que, "já este ano", vão ser abrangidas por "um reforço do abono de família num limite de 70 euros de apoio mensal". Já para os menores em situação de pobreza extrema, a Garantia para a Infância, de igual valor, chegará a 123 mil, anunciou este sábado António Costa, no Porto, por ocasião dos 30 anos da Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN) Portugal.
Numa conferência em que se reafirmou uma ideia-chave: o combate à pobreza tem que ser um desígnio nacional, o primeiro-ministro revelou que o acordo sobre os rendimentos, vital para aumentar o peso dos salários na riqueza nacional, deverá passar para o início do outono.

O primeiro-ministro elencou uma série de medidas dirigidas às famílias e aprovadas na passada sexta-feira em sede de Orçamento do Estado. Precisando que o apoio de 60 euros dados aos 760 mil beneficiários da tarifa social de eletricidade chegará ainda, no final deste mês, a mais 70 mil. Já o valor de referência do Complemento Solidário para Idosos e do complemento da Prestação Social para a Inclusão será reposicionado para ficar "acima do limiar de pobreza" (hoje, nos 554€/mês).

Trabalhar e ser pobre

Num país onde 11,2% dos trabalhadores são pobres - número que o primeiro-ministro considerou "intolerável" e que é o mais elevado dos últimos 10 anos - o objetivo, conforme inscrito na Estratégia Nacional de Combate à Pobreza (ENCP), é retirar, até 2030, 230 mil daquela condição. A causa? "Rendimentos muitos intermitentes, sendo o combate à precariedade essencial", disse.

A "meta mínima" do Governo é atingir, nesta legislatura um peso de 48% dos salários (média europeia) no conjunto da riqueza nacional, contra os atuais 45%. O acordo sobre rendimentos e competitividade será um passo decisivo. Mas a repetição das eleições no círculo da Europa deverá adiar, "muito provavelmente", para o "início do outono", quando o plano inicial era julho, explicou Costa.

Aos presentes, garantiu que o combate à pobreza "é um objetivo central do Governo", entendendo ser possível "alcançar as metas" inscritas na ENCP e apelando a "uma parceria com as autarquias".

"A pobreza mata"

A António Costa, o presidente da EAPN Portugal pediu um plano de implementação. Porque, lembrou o padre Jardim Moreira, "a pobreza mata", sendo urgente "unir a sociedade nesta causa". Num "desígnio nacional", porque "não é um problema só dos pobres, mas da sociedade no seu conjunto".

E a pobreza anda a par das desigualdades, sublinhou o economista Carlos Farinha Rodrigues. "São duas faces da mesma moeda. E, em Portugal, temos o problema que temos porque temos grandes níveis de desigualdades", considerou. O professor do ISEG vincou que a ENCP "não pode ficar confinada ao Ministério da Segurança Social". "Só por si, não são as políticas sociais que resolvem os problemas do país, tem que haver políticas integradas".