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27.3.23

Avenida dos Aliados vai ser palco das comemorações do 25 de Abril no Porto

Por Lusa, in Público

Entre os concertos previstos, a autarquia destaca o Luta Livre, projecto de música de intervenção de Luís Varajoto. O concerto decorre no dia 24 de Abril no palco dos Aliados.

A Avenida dos Aliados, no Porto, vai ser palco das celebrações dos 49 anos do 25 de Abril, com concertos de Luta Livre, Jorge Lomba e da Brigada Vitor Jara, bem como do habitual desfile, foi anunciado esta sexta-feira.

Em comunicado, a Câmara do Porto adianta que este ano, as comemorações do 25 de Abril sobem “ao palco dos Aliados para festejar a liberdade".

Entre os concertos previstos, a autarquia destaca o Luta Livre, projecto de música de intervenção de Luís Varajoto em que "o jazz e o rock servem de base a um discurso sobre desigualdade, injustiça, desinformação e outros temas que o inquietam enquanto cidadão".

O concerto decorre no dia 24 de Abril, pelas 22h, no palco dos Aliados e assinala o "arranque do programa" numa noite que conta também com a actuação do Coral de Letras da Universidade do Porto e termina com "fogo-de-artifício à meia-noite".

No feriado, a manhã é dedicada às crianças, com jogos tradicionais na Praça do General Humberto Delgado a partir das 10h.

Já pelas 14h30, está prevista uma homenagem aos resistentes antifascistas no Largo de Soares dos Reis, junto à antiga sede da PIDE no Porto.

É precisamente desse local que parte o desfile da liberdade, cortejo de "celebração e reivindicação" que passa pela Avenida de Rodrigues de Freitas, Rua de D. João IV, Rua de Santo Ildefonso, Rua de Passos Manuel, Rua de Sá da Bandeira, Praça de D. João I e Rua de Rodrigues Sampaio, terminando na Avenida dos Aliados.

No palco dos Aliados, Jorge Lomba interpretará, pelas 15:00, músicas de José Afonso e Adriano Correia de Oliveira, bem como criações próprias.

Pelas 16h15 e já depois de "uma breve intervenção" da Comissão para as Comemorações Populares do 25 de Abril, sobre ao palco a histórica Brigada Victor Jara, trazendo aos Aliados os temas "mais emblemáticos e também novas abordagens a canções do imaginário nacional".

27.4.15

“Quem não tem pão não tem liberdade. E há cada vez menos pão na mesa dos portugueses”

Maria João Lopes (Texto) e Enric Vives-Rubio (Fotos), in Público on-line

Apesar do dia cinzento, pessoas de todas as idades desceram a Avenida da Liberdade, em Lisboa. Protestou-se contra o Governo, contra a austeridade, contra o desemprego. E também houve quem lembrasse que a liberdade de imprensa é um valor de Abril.



Álvaro Faria, 68 anos, tem um cravo na lapela e um autocolante, também com um cravo, no casaco. A mulher brinca: “Só te faltou trazer um cravo testa”. O director- geral de uma multinacional, ramo de software, faz questão de sair à rua no 25 de Abril. Mas não esconde algum desencanto: “Este Governo está a recuar em relação aos valores que foram conquistados por Abril, na saúde, na educação, na liberdade. Quem não tem pão, não tem liberdade. E há cada vez menos pão na mesa dos portugueses.”

Foi um entre os “muitos milhares”, segundo a Associação 25 de Abril, que se concentraram no Marquês de Pombal para desfilar pela Avenida da Liberdade. Apesar da tarde cinzenta e de uns pequenos pingos de chuva, os cartazes mantêm-se erguidos e as músicas de intervenção misturam-se com as palavras de ordem.

Nos Restauradores, Álvaro Faria conta que viu as notícias sobre a polémica proposta, segundo a qual os órgãos de comunicação social teriam de apresentar um plano de cobertura das eleições a uma comissão mista constituída pela Comissão Nacional de Eleições e pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social. “Tudo o que seja limitativo da liberdade, sobretudo de expressão, é uma ameaça”, diz, acrescentando que as conquistas de Abril “estão vivas do ponto de vista pessoal, mas do ponto de vista político estão altamente ameaçadas”.

No desfile, há pessoas de todas as idades. João Farinha, arquitecto de 25 anos de Lisboa, também acompanhou a polémica sobre a cobertura eleitoral. Admite que o “espírito” do projecto o “incomodou”. Afasta tudo que o represente “uma ingerência no jornalismo e na independência dos meios de comunicação social”. Mas a questão que mais o preocupa, 41 anos após o 25 de Abril, é “igualdade de oportunidades que está por cumprir”: “A sociedade está cada vez mais desigual, e foi com isso que o 25 de Abril quis romper”.

Essa revolta está estampada nos cartazes contra a austeridade, nas críticas e caricaturas com o Presidente da República, o primeiro-ministro, a chanceler alemã. Grita-se: “É mesmo necessário um aumento de salário”.

“O nosso amanhecer”
Passados 40 anos sobre as eleições para a Assembleia Constituinte, a 25 de Abril de 1975, o capitão de Abril Vasco Lourenço lamenta que hoje em dia haja “muito desencanto”: “As pessoas estão desiludidas com esta política. Quem está no poder dá a sensação que está a comportar-se como os herdeiros dos que foram vencidos no 25 de Abril”, diz, acrescentando que estão “a tentar destruir tudo aquilo que tem que ver com o 25 de Abril”.

E mostrou-se espantado com a recente polémica em torno cobertura eleitoral: “É incompreensível como no Portugal de Abril, passados 41 anos, ainda há deputados que têm ideias desse tipo. Pôr essa hipótese é absolutamente incompreensível. Não se percebe”. Diz mesmo: “Deve estar tudo louco.” Também a porta-voz do BE, Catarina Martins, reage à controvérsia: “A democracia em Portugal tem sofrido muito, mas é forte o suficiente para não deixar passar nenhuma censura, era o que mais faltava.”

No desfile, o ex-reitor Sampaio da Nóvoa, que se vai candidatar à Presidência da República, diz que o que aconteceu “foi um pequeno equívoco” que espera “que seja corrigido rapidamente”: “O 25 de Abril é o dia maior da minha vida. É imprescindível que todos estejamos desse lado, do lado da liberdade.”

De manhã, o Presidente da República, Cavaco Silva, tinha defendido que o “diálogo e o consenso” permitirão alcançar compromissos “imprescindíveis” para garantir a “estabilidade política e a governabilidade do país”. Sampaio da Nóvoa não ouviu o discurso. Ainda assim, concorda que haja consensos, mas não “para deixar tudo na mesma”. O ex-reitor espera que as legislativas e presidenciais tragam um “grande momento de mudança para Portugal”.

Sampaio da Nóvoa recorda a primeira vez que votou, em 1975: “Estava na luta por essa liberdade, traduzida numa democracia que se consolida a partir desse momento.” Acredita que muitos dos valores de Abril se cumpriram, mas ainda “há muita coisa que falta fazer, sobretudo no que diz respeito à dimensão social, do desenvolvimento deste país, à dimensão cultural”.

Também o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, insistiu que “Abril está a cumprir-se, a política de direita é que não”: “É preciso actualizar, trazer à ordem do dia os valores de Abril, que perspectivaram um outro caminho, de esperança, de confiança, de direitos, de conquistas.”

No palco montado no Rossio ainda houve tempo para discursos. Ao microfone, o militar Bargão dos Santos afirmou que “o 25 de Abril, apesar dos que o têm pretendido denegrir ou destruir, está vivo e viverá sempre”: “Foi o nosso amanhecer”, disse. E citou o conhecido poema de Sophia de Mello Breyner: “Esta é a madrugada que eu esperava / O dia inicial inteiro e limpo”.

24.4.14

25 de Abril: empreendedorismo de Abril

Texto de Gabriel Leite Mota, in Público on-line (P3)

Muitos queixam-se que Portugal ainda não cumpriu Abril. Uns queixaram-se logo em Novembro de 1975. Outros queixam-se, hoje, face ao beco (sem saída?) a que a crise nos conduziu


Há quarenta anos atrás, a 25 de Abril de 1974, consumou-se um verdadeiro e fundamental acto empreendedor. Um conjunto de capitães do exército português tomou nas suas mãos a difícil tarefa de pôr fim à ditadura que reinava em Portugal desde 1926. Fê-lo de uma forma simples, eficaz e duradoura. Sem esse acto de empreendedorismo não se sabe por quantos mais anos Portugal teria continuado a ser o país cinzento à beira-mar.

Num tempo em que está tão na moda o empreendedorismo (até há aqueles que vivem apenas de o pregar), muitos esquecem-se que há vários tipos de empreendedorismo e de empreendedores e que certos empreendimentos são muito mais importantes que outros.

Em Abril de 1974 materializou-se todo um processo que, laboriosa e astutamente, um conjunto de jovens capitães decidiu pôr em marcha. Juntando o inconformismo à coragem e à capacidade organizativa e de liderança, esses capitães foram capazes de levar a cabo o mais importante dos projectos: dar paz (porque acabaram com a guerra colonial) e liberdade (porque implantaram a democracia parlamentar) ao povo português. Nesse sentido, o empreendedorismo de Abril é o pai de todos os outros que se seguiram.

Muitos queixam-se que Portugal ainda não cumpriu Abril. Uns queixaram-se logo em Novembro de 1975. Outros queixam-se, hoje, face ao beco (sem saída?) a que a crise nos conduziu.

Mas de nada disso o 25 de Abril tem culpa. Muito pelo contrário: quase todos os males da nossa democracia têm a ver com o facto de termos estado demasiado tempo em ditadura (enquanto os países do norte da Europa já eram democracia maduras). A democracia é um jogo que requer um largo tempo de aprendizagem. Portugal, com 48 anos de ditadura anacrónica, partiu, em 1974, com um défice democrático difícil de ultrapassar. O baixíssimo desenvolvimento humano, que os portugueses tinham em 1974, é a principal causa para que Portugal não se tenha conseguido tornar numa democracia desenvolvida e pujante.

Aquilo que, hoje, funciona mal na nossa democracia tem essencialmente a ver com vícios da ditadura: a corrupção, o caciquismo, o amiguismo, empresários a viverem à custa do Estado (as PPPs são um exemplo paradigmático), o anacronismo de certas instituições ou a falta de espírito crítico e empreendedor são consequências do regime ditatorial onde imperava a censura, o orgulhosamente sós, o conservadorismo e o dogmatismo. E tudo isso é péssimo, não só para a democracia como para o bom funcionamento do sistema capitalista.

Ou seja, a única coisa de que poderíamos acusar os capitães de Abril é o facto de não terem sido empreendedores mais cedo. Se, por exemplo, o 25 de Abril tivesse ocorrido em 1958, Humberto Delgado talvez tivesse ganho as eleições presidenciais desse ano. Depois, tudo teria sido diferente e Portugal seria hoje, provavelmente, um melhor país para se viver.

15.4.14

Conferência. Soares sobre Eanes: "Votei duas vezes nele"

in iOnline

Os três ex-presidentes da República estiveram juntos num encontro histórico para falar sobre os 40 anos da revolução. O momento do país é difícil, mas é preciso não esquecer as conquistas de Abril


O país enfrenta a maior crise social dos últimos 40 anos, a riqueza encolheu vários pontos desde o início do resgate e a dívida pública escalou para 130% do PIB em três anos. Mas, para os três ex-presidentes da República, continua a valer a pena ter feito o 25 de Abril de 74.

Juntos na Fundação Calouste Gulbenkian para falar sobre a Revolução dos Cravos, quatro décadas depois, Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio foram poupados nas palavras quando o debate passou por perceber o que trouxe Portugal ao terceiro resgate externo desde 1974. Mas foi o general quem primeiro ensaiou um caminho futuro, ao considerar que é preciso encontrar um "pacto" alargado e uma "estratégia" nacional para sair da crise, sem pôr em causa a "solidariedade" e a "unidade popular".

Eanes considera que foi a falta de um "norteamento estratégico" para o pós-Revolução que acabou por conduzir o país a um novo pedido de ajuda externa. "Navegámos à vista e conseguimos realizações extraordinárias, mas conseguimo-lo gastando mais do que produzíamos".

Aqui chegados, para onde seguimos? Agora é preciso parar para "pensar", diz Eanes. Contido, é quando fala na falta de esperança com que se depara nas ruas que Eanes se solta, por momentos, da postura sóbria que o define. "Os homens da minha geração não acreditam que haja futuro neste país? É preciso um grande esforço para que a unidade se mantenha", alerta o general. Aos aplausos do público juntam-se os de Mário Soares, quando o general fala no "nível de desempregados", na "miséria" e nos portugueses que passam hoje fome, "que é uma coisa que não se devia permitir".

Antes, o primeiro chefe de Estado eleito em democracia já tinha sido surpreendido por Soares. "Tenho muita consideração pelo presidente Eanes, votei duas vezes nele", confessou o socialista. "É evidente que tivemos pegas, mas isso não é o relevante", acrescentou Soares.

O também ex-primeiro-ministro falou nos "altos e baixos" da democracia, mas destacou a "paz" e a descolonização feita com "uma rapidez extraordinária" como momentos fundamentais dos últimos quarenta anos. "Não me perguntem se valeu a pena", disse, por diversas vezes, Mário Soares, depois de citar o poema de Sophia de Mello Breyner sobre o 25 de Abril.

O encontro de ontem foi, sobretudo, uma lição de história dada na primeira pessoa pelos protagonistas que estiveram na linha da frente da decisão política da democracia portuguesa. Mas houve espaço para olhar o futuro do país, a um mês e meio do fim do programa de assistência financeira.

E, nesse ponto, Ramalho Eanes defendeu a necessidade de um "pacto" para a reforma do Estado". Sem fazer referências a partidos e sem arriscar o desenho de eventuais coligações partidárias para depois de 2015, o general colocou a tónica na preservação do Estado social. Porque, "sem ele", diz, "o pluralismo indiscutível e aceite, a tolerância que conduz à paz social, o confronto político aberto, tudo isso está em perigo".

É a esse panorama actual - não apenas português como também europeu - que Jorge Sampaio se refere quando diz que "para as sociais-democracias é um momento de grande desafio" pensarem que políticas defender "para uma sociedade contemporânea em permanente mutação". O socialista evita falar em pactos, entendimentos ou compromissos - "já estou queimado com a palavra" -, mas arrisca um novo enquadramento da acção governativa no país, não de cima para baixo, mas "de baixo para cima". Os responsáveis políticos devem sentar-se à mesma mesa e discutir que Portugal querem ter nas próximas duas décadas.

E, tal como Ramalho Eanes, Jorge Sampaio põe a tónica na defesa do Estado social, para que o país possa "dar o salto" e fazer com que "a desigualdade e pobreza não sejam tão chocantes". Há "novos horizontes de que precisamos seriamente" e o horizonte para Portugal, neste momento, passa por dedicar mais esforços ao aprofundamento do projecto comunitário a que o país aderiu em 1986. "É preciso ver mais longe - porque o nosso lugar é na Europa" e porque "sozinhos não vamos a lado nenhum".

26.4.12

As vitórias e o falhanço do 25 de Abril

Bruno Proença, in Económico on-line

Além de se celebrarem, as heranças do 25 de Abril devem ser analisadas. A festa sem significado serve de pouco. Falar de cravos, do movimento dos capitães e do fim da ditadura é importante mas insuficiente para ensinar a real relevância do 25 de Abril às novas gerações que não viveram o antigo regime.

Para muitos, tornou-se um feriado sem especial significado. A celebração tem de ir para além dos clichés habituais e das palavras gastas.

Após 38 anos de 25 de Abril, o que temos? Pela positiva, uma democracia moderna. Apesar de alguns problemas que derivam da juventude do regime, a democracia funciona. As liberdades essenciais dos cidadãos estão garantidas. Os principais problemas continuam a residir no sentimento de que há uma Justiça para ricos e outra para pobres e na sua lentidão. Quem tem dinheiro para um bom advogado consegue arrastar os casos nos tribunais, muitas vezes até à prescrição. Ainda assim, esta democracia é melhor do que qualquer outro regime político que Portugal teve no passado.

A segunda vitória de Abril foi a construção do Estado Social, no âmbito da integração europeia. Como qualquer Estado moderno, Portugal passou a garantir uma rede de protecção aos seus cidadãos para um conjunto alargado de eventualidades que vão para além do desemprego, doença ou velhice. Houve uma preocupação real do Estado em combater a pobreza. Os resultados já são mais discutíveis. O Estado Social português é ineficiente - gasta demais para os resultados que alcança - e cresceu de forma desordenada, sendo demasiado generoso em algumas situações. Por isso, agora é insustentável. A economia não suporta este Estado Social e uma sociedade envelhecida e, portanto, está a ser desmantelado com o alto patrocínio da ‘troika'.

A economia foi o falhanço do pós 25 de Abril. O país está obviamente mais rico do que na ditadura mas a democracia falhou a promessa de garantir um desenvolvimento sustentado. Desde 1974, Portugal já foi obrigado a pedir ajuda financeira internacional por três vezes, abdicando da sua soberania. Os períodos de crescimento foram sempre frágeis e nunca suportados por empresas competitivas na economia global. No final desta crise, o rendimento dos portugueses deverá ter regressado ao nível da primeira metade dos anos noventa.

O 25 de Abril é de todos os portugueses, por isso são responsáveis por construir uma economia privada, moderna, competitiva, virada para fora e sustentada nas empresas exportadoras. Sem criação de riqueza, todas as outras vitórias de Abril estão em causa. Mesmo a liberdade.

Ramalho Eanes alerta para aumento ameaçador do desemprego

in Público on-line

O general Ramalho Eanes considera que o aumento do desemprego no país “começa a ser ameaçador” e as medidas de austeridade “estão a destruir a classe média”, alertou, numa entrevista à RTP1.

Na entrevista, de cerca de uma hora, transmitida quarta-feira pelo canal público de televisão, o ex-presidente da República, 77 anos, avaliou que “as medidas de austeridade que estão a ser aplicadas pelo Governo são muito violentas” e “agravam as desigualdades sociais”.

Apesar de concordar com a necessidade de reformas estruturais no país, Ramalho Eanes considera que deveriam ser tomadas “medidas selectivas” na sua prossecução.

Questionado sobre o que pensa do actual primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, o ex-presidente da República, descreveu-o como “um governante sério, interessado e determinado”.

Ainda sobre a situação no país, e a forma como a sociedade portuguesa está a reagir à crise económica, Ramalho Eanes apontou que tem vindo a reparar no trabalho das organizações de solidariedade, e no aumento da sua acção, bem como na maior importância da família.

“O apoio das famílias tem sido muito importante, mas mesmo assim há muitos portugueses que estão a desistir do país e a emigrar”, lamentou.

Presidente por dois mandatos a seguir à Revolução de 1974 - venceu as eleições presidenciais em 1976 e 1980 - António Ramalho Eanes recordou, na entrevista, muitos dos momentos conturbados do período pós-revolucionário.

Ramalho Eanes encontrava-se em serviço militar em Angola quando se deu a Revolução de 25 de Abril, aderiu ao Movimento das Forças Armadas e regressou a Portugal, onde chegou a ser director de programas e presidente do conselho de administração da RTP até Março de 1975.

Sobre o 25 de Abril, comentou que esse episódio da História de Portugal, “foi sobretudo a assunção das Forças Armadas da sua responsabilidade nacional em restituir a liberdade aos portugueses para dirigirem o seu destino”.

Falando sobre várias figuras militares e políticas, considerou que Otelo Saraiva de Carvalho “liderou muito bem o 25 de Abril”, mas, nalguns momentos, “foi infantil”.

Sobre o histórico socialista e também ex-presidente da República Mário Soares, Eanes disse: “Tenho uma grande consideração por Mário Soares enquanto batalhador pela democracia, mas não tenho estima nenhuma por ele”.