De Méabh Mc Mahon, in Euronews
A inflação na zona do euro atingiu números recorde e na Bélgica, passou os 8%.
Com mais gastos em alimentos, transportes e serviços públicos, os consumidores acusam a pressão na carteira.
Não estão em pânico mas também não escondem o nervosismo.
Há receio de que a guerra na Ucrânia provoque ainda mais pobreza e exclusão social na Europa, ainda a recuperar de uma pandemia e de anos de austeridade.
Veja o vídeo acima para conhecer mais detalhes.
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1.3.16
Autoridades francesas iniciam desmantelamento parcial da "Selva" de Calais
Pedro Reis, in Público on-line
A polícia fez um pré-aviso aos habitantes do campo antes de começar a destruí-lo. Mais de três mil pessoas, incluíndo crianças, serão afectadas por esta decisão.
Dezenas de polícias iniciaram, esta manhã, o desmantelamento parcial do campo de refugiados em Calais, no Norte de França. As operações na zona sul da chamada “Selva” de Calais começaram depois de a justiça francesa dar luz verde à demolição.
Há registo de confrontos entre polícia, migrantes e activistas. Segundo informações avançadas pela agência Reuters, a polícia lançou gás lacrimogénio contra cerca de 150 migrantes e activistas que estavam a atirar pedras. Três abrigos improvisados foram incendiados e um activista britânico foi detido.
Várias ONG informaram o jornal The Guardian de que a polícia fez um pré-aviso aos residentes do campo, que teriam uma hora para o abandonar. Caso não o fizessem, seriam detidos. “As pessoas foram informadas de que tinham de sair, caso contrário seriam presas. Muita gente estava confusa. Estavam a sair com os seus sacos-cama, não sei para onde estariam a ir”, afirmou uma porta-voz da organização britânica Help Refugees.
Na quinta-feira, o Tribunal de Lille confirmou uma ordem do Governo francês para expulsar os migrantes que vivem na parte sul do acampamento de Calais, embora algumas infra-estruturas sociais improvisadas - como escolas ou teatros - devam permanecer intactas.
As autoridades francesas afirmaram no início do mês que pretendiam desmantelar parte da "Selva" de Calais, avisando que entre 800 e mil migrantes teriam que abandonar o campo. O ministro do Interior Francês, Bernard Cazeneuve, afirmou na semana passada que as autoridades francesas iriam trabalhar em conjunto com organizações humanitárias para recolocar os migrantes em contentores ou em outros centros de acolhimento em França.
Apesar disso, o número de migrantes afectados pelo desmantelamento da parte sul da “Selva” de Calais poderá ser muito maior do que aquele que é avançado pelas autoridades francesas. Várias ONG estimam que o número real corresponda a cerca de 3,400 pessoas, onde se contam 445 crianças, 305 delas desacompanhadas, números avançados pelo The Guardian.
Os habitantes da “Selva” de Calais vêm sobretudo de países em conflito no Médio Oriente, como a Síria, Iraque ou Afeganistão, assim como de países africanos como a Eritreia ou o Sudão. Grande parte destas pessoas tem como objectivo atravessar o Canal da Mancha e chegar a Inglaterra, muitas vezes através de traficantes que lhes permitem entrar no país ilegalmente.
A decisão de desmantelar parte da “Selva” de Calais levou a Bélgica a restabelecer o controlo das suas fronteiras, com receio de que um grande fluxo migratório se possa dirigir para o porto belga de Zeebrugge.
Texto editado por Joana Amado
A polícia fez um pré-aviso aos habitantes do campo antes de começar a destruí-lo. Mais de três mil pessoas, incluíndo crianças, serão afectadas por esta decisão.
Dezenas de polícias iniciaram, esta manhã, o desmantelamento parcial do campo de refugiados em Calais, no Norte de França. As operações na zona sul da chamada “Selva” de Calais começaram depois de a justiça francesa dar luz verde à demolição.
Há registo de confrontos entre polícia, migrantes e activistas. Segundo informações avançadas pela agência Reuters, a polícia lançou gás lacrimogénio contra cerca de 150 migrantes e activistas que estavam a atirar pedras. Três abrigos improvisados foram incendiados e um activista britânico foi detido.
Várias ONG informaram o jornal The Guardian de que a polícia fez um pré-aviso aos residentes do campo, que teriam uma hora para o abandonar. Caso não o fizessem, seriam detidos. “As pessoas foram informadas de que tinham de sair, caso contrário seriam presas. Muita gente estava confusa. Estavam a sair com os seus sacos-cama, não sei para onde estariam a ir”, afirmou uma porta-voz da organização britânica Help Refugees.
Na quinta-feira, o Tribunal de Lille confirmou uma ordem do Governo francês para expulsar os migrantes que vivem na parte sul do acampamento de Calais, embora algumas infra-estruturas sociais improvisadas - como escolas ou teatros - devam permanecer intactas.
As autoridades francesas afirmaram no início do mês que pretendiam desmantelar parte da "Selva" de Calais, avisando que entre 800 e mil migrantes teriam que abandonar o campo. O ministro do Interior Francês, Bernard Cazeneuve, afirmou na semana passada que as autoridades francesas iriam trabalhar em conjunto com organizações humanitárias para recolocar os migrantes em contentores ou em outros centros de acolhimento em França.
Apesar disso, o número de migrantes afectados pelo desmantelamento da parte sul da “Selva” de Calais poderá ser muito maior do que aquele que é avançado pelas autoridades francesas. Várias ONG estimam que o número real corresponda a cerca de 3,400 pessoas, onde se contam 445 crianças, 305 delas desacompanhadas, números avançados pelo The Guardian.
Os habitantes da “Selva” de Calais vêm sobretudo de países em conflito no Médio Oriente, como a Síria, Iraque ou Afeganistão, assim como de países africanos como a Eritreia ou o Sudão. Grande parte destas pessoas tem como objectivo atravessar o Canal da Mancha e chegar a Inglaterra, muitas vezes através de traficantes que lhes permitem entrar no país ilegalmente.
A decisão de desmantelar parte da “Selva” de Calais levou a Bélgica a restabelecer o controlo das suas fronteiras, com receio de que um grande fluxo migratório se possa dirigir para o porto belga de Zeebrugge.
Texto editado por Joana Amado
23.11.15
Serão as ruas desertas de Bruxelas uma imagem da Europa do futuro?
Clara Viana, in Público on-line
Paris pode ser a imagem da raiva e Bruxelas a do medo, mas também poderão vir a ser um retrato do passado e do futuro europeu, O futuro de ruas vazias que o Daesh deseja para o mundo. As reacções ao terror vistas por investigadores e não só.
Será Paris, com pessoas na rua e nas esplanadas, uma imagem do passado? E Bruxelas, quase deserta este fim-de-semana, uma imagem do futuro? A interrogação é lançada pelo sociólogo Filipe Carreira da Silva, quando questionado pelo PÚBLICO sobre o que justificará a diferença de reacção nas duas capitais face à ameaça terrorista.
Uma semana após os atentados que fizeram 130 mortos, muitos parisienses saíram à rua, como sempre fizeram, mas desta vez com um propósito claro: “Se beber uns copos, ir ao concerto ou ao jogo se vai tornar um combate, podem tremer, terroristas, porque nós estamos bem treinados!”, proclamava-se num cartaz afixado na capital francesa.
Tem sido assim desde o dia seguinte aos atentados, embora com menos gente do que é habitual nas ruas de Paris. Para Carreira da Silva, que é investigador do Instituto de Ciências Sociais, em Lisboa, e foi professor na Universidade de Cambridge, “à primeira vista, a diferença entre o que se passa nas duas capitais será o facto de em Paris já ter acontecido e em Bruxelas ser ainda ‘só’ um alerta".
Mas há também esse outro cenário mais arrepiante que o investigador avança, a de Paris como a imagem de uma Europa do passado e a de Bruxelas como o retrato do futuro “desejado pelo Daesh [o nome em árabe do autoproclamado Estado Islâmico] para a Europa e o Ocidente”. “Será o nosso futuro com ruas vazias de pessoas e o exército nas ruas como neste fim-de-semana em Bruxelas?”, questiona, adiantando que para que tal “não se torne verdade não basta desejar: "Há que agir concertadamente, em nome dos valores que nos unem, de modo a garantir a paz na Europa e no próprio Médio Oriente."
O eurodeputado Paulo Rangel, que na quinta-feira chegou da capital belga, lembra que, ao contrário de Bruxelas, “Paris nunca esteve em estado de sítio”. “Há tanques nas ruas e recomendações expressas do Governo para que não se use os transportes e outros espaços públicos e as pessoas estão a seguir essas directivas. Por outro lado, as escolas e o metro vão continuar fechados e basta isso para mudar o quotidiano de toda a gente”, diz.
Ao contrário do que sucedeu em Paris, onde os principais monumentos e espaços públicos ficaram com segurança reforçada, em Bruxelas todas as forças de segurança estão envolvidas “numa caça ao homem”, em rusgas sucessivas, que as impede de assegurar a vigilância dos espaços mais movimentados, o que aumenta o sentimento de insegurança entre os habitantes, adianta Rangel, acrescentando que se vive ali com a percepção de que, em qualquer altura, poderá acontecer um “acto violento” – já não talvez o atentado para o qual as autoridades alertaram, mas uma acção levada a cabo pelos suspeitos que continuam a ser procurados e que sentem “não ter já nada a perder”. “As pessoas e as autoridades têm essa percepção”, diz.
Por toda a Europa, as medidas de segurança têm vindo a ser reforçadas, incluindo em Portugal. Rangel conta a propósito que, na quinta-feira, foi-lhe pedido o passaporte quando desembarcou em Lisboa vindo de Bruxelas. Foi a primeira vez que tal lhe sucedeu desde que Portugal aderiu ao espaço Schengen, em 1991, mas agora os voos a partir da capital da União Europeia passaram a estar sob suspeita.
Medo versus raiva
Luísa Lima, professora de Psicologia Social no ISCTE, adianta que “têm sido estudadas dois tipos de reacção emocional a situações de terrorismo: uma centrada no medo, outra na raiva”. “O medo é um sentimento inibidor, de retracção e que aumenta a percepção de ameaça. A raiva, pelo contrário, tem um perfil mais activo, motivando à acção e que diminui a percepção de risco”, explica.
Bruxelas poderá ser assim a imagem do medo e Paris a da raiva. “O que diferencia o espoletar de uma das duas emoções é a percepção de controlo. Quando acreditamos que se pode fazer alguma coisa para prevenir novos atentados, tendemos a sentir menos medo (e mais raiva)”, especifica a investigadora, para acrescentar que, “neste caso, falamos de um tipo de controlo que não é individual, mas prende-se com a confiança nas autoridades, na tecnologia e nas instituições do próprio país”.
Este controlo “prende-se também com o orgulho nacional e a identificação com os valores associados à pátria”, sendo que, nos inquéritos internacionais, “os franceses aparecem como um dos povos em que o orgulho nacional é maior”, lembra Luísa Lima. “Esta forte identidade nacional é outra das bases de combate ao medo”, frisa.
A Bélgica está, neste aspecto, no pólo oposto, constata a socióloga Margarida Marques, da Universidade Nova de Lisboa: “É um país dividido em duas comunidades (francófona e flamenga), que vivem de costas voltas uma para a outra e com frequentes ameaças de cisão”. Por outro lado, acrescenta, “Paris sempre foi uma cidade muito mais cosmopolita do que Bruxelas e com uma muito maior tradição de ocupação do espaço público”. A acrescentar a tudo isto, refere ainda Margarida Marques, e por ser uma cidade muito mais pequena do que Paris, a percentagem da população muçulmana em Bruxelas faz-se sentir com mais acuidade, o que também poderá explicar as ruas desertas da capital belga: “Há uma maior retracção da população muçulmana nestes momentos, porque tem medo não só de ser também atingida por actos terroristas, como de ser atacada devido à facilidade com que, nestas situações, se cola tudo o que é muçulmano ao terrorismo”.
Já para o ex-eurodeputado e historiador Rui Tavares, as diferenças de base entre as duas cidades, onde já viveu, não são assim tão visíveis. “São duas cidades europeias, que não se distinguem muito uma da outra, embora Paris seja muito maior e com uma vivência mais acentuada, enquanto Bruxelas é mais contida e compartimentada”.
Tavares considera assim também que as imagens diferentes que chegam de um lado e de outro têm a ver sobretudo com o facto de em Paris a ameaça já ter sido concretizada, e por isso a saída à rua reveste a forma de um “desafio colectivo”, enquanto em Bruxelas ainda se está na fase do “pré-acto, estando as pessoas a cooperar com as autoridades”.
Voltando a uma abordagem mais psicológica, poder-se-á afinal dizer o que já se sabe a propósito de outras situações de trauma: "não parar" é, também, uma forma de fazer o luto por uma enorme tragédia que, de facto, já aconteceu em Paris e que, para já, é "apenas" uma ameaça em Bruxelas.
Paris pode ser a imagem da raiva e Bruxelas a do medo, mas também poderão vir a ser um retrato do passado e do futuro europeu, O futuro de ruas vazias que o Daesh deseja para o mundo. As reacções ao terror vistas por investigadores e não só.
Será Paris, com pessoas na rua e nas esplanadas, uma imagem do passado? E Bruxelas, quase deserta este fim-de-semana, uma imagem do futuro? A interrogação é lançada pelo sociólogo Filipe Carreira da Silva, quando questionado pelo PÚBLICO sobre o que justificará a diferença de reacção nas duas capitais face à ameaça terrorista.
Uma semana após os atentados que fizeram 130 mortos, muitos parisienses saíram à rua, como sempre fizeram, mas desta vez com um propósito claro: “Se beber uns copos, ir ao concerto ou ao jogo se vai tornar um combate, podem tremer, terroristas, porque nós estamos bem treinados!”, proclamava-se num cartaz afixado na capital francesa.
Tem sido assim desde o dia seguinte aos atentados, embora com menos gente do que é habitual nas ruas de Paris. Para Carreira da Silva, que é investigador do Instituto de Ciências Sociais, em Lisboa, e foi professor na Universidade de Cambridge, “à primeira vista, a diferença entre o que se passa nas duas capitais será o facto de em Paris já ter acontecido e em Bruxelas ser ainda ‘só’ um alerta".
Mas há também esse outro cenário mais arrepiante que o investigador avança, a de Paris como a imagem de uma Europa do passado e a de Bruxelas como o retrato do futuro “desejado pelo Daesh [o nome em árabe do autoproclamado Estado Islâmico] para a Europa e o Ocidente”. “Será o nosso futuro com ruas vazias de pessoas e o exército nas ruas como neste fim-de-semana em Bruxelas?”, questiona, adiantando que para que tal “não se torne verdade não basta desejar: "Há que agir concertadamente, em nome dos valores que nos unem, de modo a garantir a paz na Europa e no próprio Médio Oriente."
O eurodeputado Paulo Rangel, que na quinta-feira chegou da capital belga, lembra que, ao contrário de Bruxelas, “Paris nunca esteve em estado de sítio”. “Há tanques nas ruas e recomendações expressas do Governo para que não se use os transportes e outros espaços públicos e as pessoas estão a seguir essas directivas. Por outro lado, as escolas e o metro vão continuar fechados e basta isso para mudar o quotidiano de toda a gente”, diz.
Ao contrário do que sucedeu em Paris, onde os principais monumentos e espaços públicos ficaram com segurança reforçada, em Bruxelas todas as forças de segurança estão envolvidas “numa caça ao homem”, em rusgas sucessivas, que as impede de assegurar a vigilância dos espaços mais movimentados, o que aumenta o sentimento de insegurança entre os habitantes, adianta Rangel, acrescentando que se vive ali com a percepção de que, em qualquer altura, poderá acontecer um “acto violento” – já não talvez o atentado para o qual as autoridades alertaram, mas uma acção levada a cabo pelos suspeitos que continuam a ser procurados e que sentem “não ter já nada a perder”. “As pessoas e as autoridades têm essa percepção”, diz.
Por toda a Europa, as medidas de segurança têm vindo a ser reforçadas, incluindo em Portugal. Rangel conta a propósito que, na quinta-feira, foi-lhe pedido o passaporte quando desembarcou em Lisboa vindo de Bruxelas. Foi a primeira vez que tal lhe sucedeu desde que Portugal aderiu ao espaço Schengen, em 1991, mas agora os voos a partir da capital da União Europeia passaram a estar sob suspeita.
Medo versus raiva
Luísa Lima, professora de Psicologia Social no ISCTE, adianta que “têm sido estudadas dois tipos de reacção emocional a situações de terrorismo: uma centrada no medo, outra na raiva”. “O medo é um sentimento inibidor, de retracção e que aumenta a percepção de ameaça. A raiva, pelo contrário, tem um perfil mais activo, motivando à acção e que diminui a percepção de risco”, explica.
Bruxelas poderá ser assim a imagem do medo e Paris a da raiva. “O que diferencia o espoletar de uma das duas emoções é a percepção de controlo. Quando acreditamos que se pode fazer alguma coisa para prevenir novos atentados, tendemos a sentir menos medo (e mais raiva)”, especifica a investigadora, para acrescentar que, “neste caso, falamos de um tipo de controlo que não é individual, mas prende-se com a confiança nas autoridades, na tecnologia e nas instituições do próprio país”.
Este controlo “prende-se também com o orgulho nacional e a identificação com os valores associados à pátria”, sendo que, nos inquéritos internacionais, “os franceses aparecem como um dos povos em que o orgulho nacional é maior”, lembra Luísa Lima. “Esta forte identidade nacional é outra das bases de combate ao medo”, frisa.
A Bélgica está, neste aspecto, no pólo oposto, constata a socióloga Margarida Marques, da Universidade Nova de Lisboa: “É um país dividido em duas comunidades (francófona e flamenga), que vivem de costas voltas uma para a outra e com frequentes ameaças de cisão”. Por outro lado, acrescenta, “Paris sempre foi uma cidade muito mais cosmopolita do que Bruxelas e com uma muito maior tradição de ocupação do espaço público”. A acrescentar a tudo isto, refere ainda Margarida Marques, e por ser uma cidade muito mais pequena do que Paris, a percentagem da população muçulmana em Bruxelas faz-se sentir com mais acuidade, o que também poderá explicar as ruas desertas da capital belga: “Há uma maior retracção da população muçulmana nestes momentos, porque tem medo não só de ser também atingida por actos terroristas, como de ser atacada devido à facilidade com que, nestas situações, se cola tudo o que é muçulmano ao terrorismo”.
Já para o ex-eurodeputado e historiador Rui Tavares, as diferenças de base entre as duas cidades, onde já viveu, não são assim tão visíveis. “São duas cidades europeias, que não se distinguem muito uma da outra, embora Paris seja muito maior e com uma vivência mais acentuada, enquanto Bruxelas é mais contida e compartimentada”.
Tavares considera assim também que as imagens diferentes que chegam de um lado e de outro têm a ver sobretudo com o facto de em Paris a ameaça já ter sido concretizada, e por isso a saída à rua reveste a forma de um “desafio colectivo”, enquanto em Bruxelas ainda se está na fase do “pré-acto, estando as pessoas a cooperar com as autoridades”.
Voltando a uma abordagem mais psicológica, poder-se-á afinal dizer o que já se sabe a propósito de outras situações de trauma: "não parar" é, também, uma forma de fazer o luto por uma enorme tragédia que, de facto, já aconteceu em Paris e que, para já, é "apenas" uma ameaça em Bruxelas.
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