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30.5.23

Confiança dos consumidores atinge máximo desde fevereiro de 2022 e clima económico cai

Por Lusa, in RR


O indicador de confiança dos consumidores aumentou em maio para o valor máximo desde fevereiro de 2022, enquanto o indicador de clima económico diminuiu pela primeira vez este ano.

O indicador de confiança dos consumidores aumentou em maio para o valor máximo desde fevereiro de 2022, enquanto o indicador de clima económico diminuiu pela primeira vez este ano, divulgou hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE).

Segundo os resultados dos "Inquéritos de Conjuntura às Empresas e aos Consumidores" do INE, "o indicador de confiança dos consumidores aumentou entre dezembro e maio, atingindo o valor máximo desde fevereiro de 2022, após ter registado em novembro o valor mais baixo desde o início da pandemia, em abril de 2020".

Quanto ao indicador de clima económico, "diminuiu em maio, após ter aumentado entre janeiro e abril", tendo os indicadores de confiança diminuído em todos setores inquiridos: Indústria transformadora, construção e obras públicas, comércio e serviços.

20.4.23

IVA zero: supermercados cumprem, mas há dúvidas por esclarecer (Expresso em reportagem de norte a sul)

Margarida Cardoso, Isabel Vicente, Vítor Andrade, Pedro Lima, Ana Baião e Carlos Estevesin Expresso


Várias dezenas de produtos alimentares básicos chegaram esta terça-feira alguns cêntimos mais baratos às prateleiras dos supermercados. Não houve corrida às compras e o dia foi tranquilo, de norte a sul, com alguns consumidores indiferentes às alterações impostas pelo Governo. Nos cerca de 100 casos observados pelo Expresso, houve seis onde os preços não mexeram e outros seis cuja redução ficou aquém do que seria esperado com a isenção do IVA


O Expresso foi às compras de norte a sul do país e confirmou que, na maioria esmagadora dos casos, as alterações foram feitas. Ou seja, a maior parte das superfícies comerciais adotaram o IVA 0% nos 46 produtos indicados pelo Governo.

O Expresso recolheu os preços de quase 100 produtos de IVA zero em supermercados e mercearias de vários pontos do país e conclui que a grande maioria desceu os preços na proporção da isenção fiscal. Mesmo assim houve seis casos onde os preços não mexeram e outros seis cuja redução ficou aquém do que seria esperado com a isenção do IVA.

No entanto, ainda há confusão e dúvidas por esclarecer e também alguma falta de agilidade de processos, nomeadamente em pequenas mercearias, para conseguir acompanhar a mudança de preços nas prateleiras e nas caixas registadoras em tempo útil.

Desde logo, há alguma desinformação por parte dos consumidores que não sabem o que tem IVA zero ou sequer que o IVA zero entrou hoje em vigor. Os próprios funcionários dos supermercados, por vezes, mostraram-se alheios à mudança.

Outra dificuldade sentida, em vários pontos da reportagem feita pelo Expresso, tem a ver com a comparação de preços, devido aos programas de descontos em vigor em algumas superfícies comerciais.

DIA TRANQUILO NOS SUPERMERCADOS

Apesar de tudo foi um dia aparentemente tranquilo nos supermercados. Um dia de compras normal sem aumento da procura nem carrinhos cheios.

Algumas cadeias de distribuição aproveitaram a oportunidade para incentivar as compras. O Continente enviou mensagens aos seus clientes referindo que “a partir de hoje, no Continente, mais de 6000 produtos com IVA zero. Nas lojas foram colocadas referências nas etiquetas dos preços ao facto de aquele ser um produto sem este imposto.


No Pingo Doce os produtos com 'IVA Zero' apresentam uma nova etiqueta, onde se pode ver o preço sem IVA e o preço com IVA. E no Auchan de Cascais foi colocada uma faixa na zona das bebidas vegetais a chamar a atenção para o facto de o IVA daqueles produtos ter passado a ser de 0%.

Mas apesar do cumprimento generalizado verificado pelo Expresso de norte a sul, o cabaz de 97 produtos analisados pelo Expresso em que deveria estar o IVA a 0% não esteve isento de falhas. Um exemplo é a loja Meu Super, de Cascais, que mantinha o preço de um litro de leite UHT Magro Matinal a 0,98 euros, o mesmo preço que com IVA a 6%, apesar de na fatura estar referido que o produto está isento de IVA. As lojas Meu Super têm uma parceria com o Continente.

ALGUNS PROBLEMAS TÉCNICOS

Mas houve também problemas técnicos na aplicação da isenção. Numa mercearia de Barcarena, no concelho de Oeiras, os produtos ainda apareciam com os valores antigos com IVA a 6% porque a proprietária ainda estava a alterar os preços no sistema. Segundo a própria, começou a fazer as alterações na segunda-feira à tarde, tendo pedido ajuda a quem trata do sistema, mas não obteve resposta. Ainda assim, garantiu que esta quarta-feira já deverá estar tudo regularizado: "vou fazer por isso".

O Expresso comprou dois produtos onde o IVA deveria ter sido reduzido e na fatura ainda apareceu o IVA a 6%. Perante a frustração de um sistema que não colaborava, foi dada a diferença em dinheiro, apesar do pagamento ter sido feito com cartão bancário.

Houve também dúvidas em alguns produtos. Por exemplo, o atum em conserva está isento de IVA e por isso a generalidade das latas de atum verificadas pelo Expresso estavam com o IVA a 0%. Mas uma lata de atum Ramirez “assado à algarvia” não teve descida de IVA – e a indicação na fatura é de que não se trata de um produto isento. De igual modo, uma embalagem de Becel não tem também isenção, apesar de as manteigas estarem isentas. A explicação poderá estar relacionada com o facto de este produto ser classificado como um “creme de barrar” – a embalagem comprada pelo Expresso continha a referência “sabor a manteiga”.

Nas portas de vidro do Mercadona, em Matosinhos, que dão entrada para a loja está afixado um cartaz a identificar que é aplicada a descida do IVA (com desenhos como pão e leite, que dão a entender o tipo de produtos a que se aplica), da mesma forma que o IVA zero está anunciado nos separadores usados nas caixas para dividir os produtos entre clientes. Nas prateleiras aparece uma seta de descida de preço de forma indiferenciada, sem indicar se uma descida de preço em resultado do IVA zero ou de outra razão.

"QUALQUER CÊNTIMO É DINHEIRO"

Já no Intermarché dos Carvalhos, na zona do pão, uma senhora nos seus 60 anos, sabia da medida do IVA zero, mas não memorizou o dia em que ia entrar em vigor. Não se vai deixar levar pelo IVA zero, comprará apenas aquilo que necessitar e não mais quantidade só porque o IVA desceu. Claro que qualquer cêntimo é dinheiro: "se vir um cêntimo no chão apanho."

Considera a medida injusta porque beneficia de igual forma quem ganha 500 ou 5000. "Eu queria era que eles mexessem nos salários e nas reformas", disse.


Não muito longe deste supermercado, numa confeitaria, a empregada comenta para quem está que o pão baixou um cêntimo. "Todo o pão. Vamos voltar ao tempo dos cêntimos", disse. "Baixou o pão, o queijo e mais algumas coisas." Mas isso não se refletiu na minha fatura: normalmente pago €2,50 por um pão com queijo e um galão e hoje paguei a mesma coisa. No ato do pagamento, perguntei à empregada se não deveria pagar menos um cêntimo (já só estava a pensar no pão). Ela sorriu e responde: ‘Não, é só no pão’".

No Pingo Doce da Avenida da Boavista, no Porto, repetem-se anúncios no altifalante a informar os clientes que a equipa está disponível para esclarecer todas as dúvidas sobre o IVA zero. Na caixa, a operadora diz à cliente mistério do Expresso que alguns clientes têm colocado questões. "É normal porque ainda não estão familiarizados com a lista de produtos contemplados", acrescenta. Mas os produtos com IVA zero estão sinalizados.

A operadora de uma das caixas do Continente de Matosinhos confessa que nem se lembrava de que o IVA zero entrava em vigor. "Mas do meu lado, o trabalho é o mesmo porque a informática faz tudo sozinha", afirma sem evitar uma nota de desvalorização aos descontos em causa: "até vou ficar atenta para ver se percebo alguma descida no valor das faturas", diz à cliente mistério do Expresso.

Dentro do hipermercado, o ambiente era tranquilo e as pessoas iam fazendo compras indiferentes à entrada em vigor do IVA zero.

Na segunda feira muitos consumidores não sabiam que faltavam menos de 24 horas para poderem comprar maçãs ou tomate sem IVA. Outros, como José Teixeira, de 76 anos, optavam por ignorar a diferença.

Afinal, teve de ir ao hipermercado comprar detergentes e optou por levar logo os tomates e outros legumes de que iria precisar durante a semana . "Quanto é 6% de 3,49 euros (o preço do quilo do tomate de coração de boi)? nem faço as contas, mas não será por isso que vou deixar de fazer a minha saladinha ao almoço", diz apesar de reconhecer que “qualquer ajuda é sempre bem vinda, em especial quando o dinheiro para a comida não chega até ao fim do mês, como acontece em muitas casas”.

MANTER AS ROTINAS

Ana Sarmento, de 85 anos, também manteve a rotina de ir às compras na segunda-feira, na companhia da filha. Sabe que nem é o dia melhor para os frescos, "mas é quando ela (a filha) tem a manhã livre na escola e pode ajudar", explica sem saber como vão fazer "para alterar os preços assim de um dia para o outro"- Mas um funcionário a arrumar prateleiras na zona das massas explica: "há colegas que vão ficar a trabalhar à noite para estar tudo pronto de manhã".

E na verdade, esta terça-feira, era fácil ver a identificação dos produtos com IVA zero e os novos preços um pouco por todo o lado no mesmo supermercado. "Foi uma noite de São João", comenta um trabalhador, enquanto na caixa, a operadora garante que até as 11h30 da manhã ninguém lhe tinha colocado qualquer questão sobre faturas ou IVA. E o movimento? "Tranquilo, a descida do IVA neste cabaz não justifica uma corrida as compras".


Um dos produtos comprados pelo Expresso foi uma embalagem de 12 unidades de Mini Babybel light. No dia 17, a fatura, ainda com IVA de 6%, indicava 3,89 euros com uma poupança de 0,70 euros . Esta terça, o mesmo produto custou 3,67 euros, já sem IVA e, de acordo com a fatura, a poupança concedida caiu para 0,66 euros

Na segunda-feira, enquanto escolhia o que comprar, a cliente mistério do Expresso abordou quatro pessoas junto à zona dos iogurtes repetindo uma pergunta simples: "Sabe se os iogurtes estão na lista de produtos que passam a ter IVA zero a partir de amanhã?" E ninguém soube responder.

Junto à prateleira do arroz, a abordagem foi diferente e a pergunta passou a ser: "Então não espera pelo dia de amanhã para ter desconto no IVA?". De novo, dois clientes ainda jovens desconheciam que terça-feira era o dia D do IVA zero e um terceiro retorquiu, de imediato que não ia voltar á loja por dois ou 3 cêntimos.

Na caixa, a operadora confirmou o ambiente tranquilo e normal para uma segunda-feira naquela superfície comercial. Confirmou, também, que o seu trabalho continuaria a ser exatamente o mesmo porque a máquina "assume a mudança", mas alguns colegas iam ter de trabalhar à noite "como em dia de inventario, porque havia cerca de 900 preços para mudar depois do supermercado fechar".


E na terça de manhã, tudo parecia ter sido feito de forma eficiente. Os produtos abrangidos pelo cabaz estavam referenciados de forma visível como tendo IVA zero e não havia carrinhos lotados á vista. "Na verdade, estamos a falar de alguns produtos e de alguns cêntimos em cada compra, nada que mova as pessoas a correrem á loja", diz o operador que estava de serviço na caixa na terça-feira.

A poupança pode não ser muita, mas estes alimentos são considerados essenciais e para quem quer poupar no supermercado pode ser uma ajuda, apontou, em conversa com o Expresso, Helena Real, secretária-geral da Associação Portuguesa de Nutrição (APN). A associação espera que a medida "possa ter algum impacto" e que se "realmente funcionar" possa ser uma opção escolher estes alimentos em vez de outros.

CONJUNTO DE “ALIMENTOS ESSENCIAIS”

"É um cabaz que tem um conjunto de alimentos essenciais e se os consumirmos temos uma alimentação diversificada e completa", declarou, acrescentando, contudo, que "poderia ter mais diversidade", nomeadamente entre as frutas os produtos hortícolas. Tendo em conta que a medida teria "de começar por algum lado", a secretária-geral apela agora a uma constante "análise" e reavaliação para se ajustar à sazonalidade, uma vez que a medida, que vai até outubro, acaba por abarcar três estações do ano diferentes.

No Pingo Doce do edifício Tridente, em Faro, todos os produtos verificados apresentaram uma redução de preços entre o final da tarde de segunda-feira e a manhã de terça, na segunda visita.

Os preços dos produtos, inclusivamente, apresentavam o valor sem IVA e o valor que seria cobrado se fosse aplicado o imposto.


Alguns produtos, como o frango de churrasco embalado e a dourada fresca, não estavam disponíveis esta terça-feira mas poderia ser pela diferença na hora das visitas (poderiam ‘ainda’ não estar disponíveis).


Verificado o site do Pingo Doce, os valores que lá estão batem certo com os que estão a ser praticados na loja (tanto na segunda feira como na terça).

Alguns clientes falavam com os funcionários e comentavam que notavam que os produtos isentos de IVA estavam mais baratos.

Depois da visita de António Costa ao Continente de Telheiras, o Expresso fez uma visita pelo hipermercado com João Pedro Lopes diretor de operações do Continente. A maratona do primeiro-ministro pelo Continente e Pingo Doce foi esta manhã, mas a de milhares de funcionários foi pela madrugada fora. " Só para mudar de preços e de etiquetagem foram milhares de funcionários pelas 300 lojas Continentes. Aqui foram 45 pessoas, depois de fechar as porta ontem, dia 17 às 23 horas", diz João Pedro Lopes.

No Continente do Colombo, foi a partir da meia-noite que o trabalho começou porque encerra uma hora mais tarde. "Foi preciso mudar os preços em todos as lojas e em todas as marcas que fazem parte dos produtos do cabaz de 46 produtos", diz o diretor de operações ao Expresso.

Tem nas duas lojas vários funcionários que continuam a ver se tudo está certo, como constatou o Expresso.

São mais de 6000 produtos , entre as várias marcas de arroz ou massa, ou azeite, ou leite entre outras, desde as marcas próprias a todas as outras e depois há também os preços nos produtos com promoção. "Também esses são alterados retirando-se dos mesmos os 6% do IVA que normalmente os supermercados, mercearias e outras lojas devolvem ao Estado. O IVA deixa de ser recebido nos próximos 6 meses e durante este tempo "não temos o que devolver", adianta o responsável das operações do Continente.

PREPARAR OS SISTEMAS OPERATIVOS E A ETIQUETAGEM

O mais difícil, prossegue , "foi preparar o sistemas operativos de informática e a reetiquetagem, porque só o podíamos fazer durante a noite (de 17 para 18) e está tudo a funcionar".

Quando questionado sobre se não há falhas, refere que "nada , nem ninguém é infalível", mas "temos equipas a confirmar tudo desde cedo e não temos informação de erros".

Para saber se está mesmo tudo bem, o consumidor só tem de verificar se depois na fatura que paga está lá o produto e a identificação do IVA zero.

Não se admire se os enlatados de grão ou feijão não têm IVA zero, só mesmo o grão e o feijão a granel têm zero de IVA durante os próximos meses, os que vêm em frascos ou latas têm IVA a 23% , por isso não estão no Cabaz de 46 produtos que o governo escolheu. Já os cornkflakes sem glúten têm IVA zero.

Se tivesse comprado um quilo de bacalhau graúdo da Noruega, um litro de oléo vaqueiro, um azeite continente (750ml) uma manteiga primor (250 gr) , 12 ovos matinados (criação ao ar livre) , 200gr de queijo Terra Nostra, um quilo de banana da madeira, e um quilo de maças golden, um quilo de arroz carolino Saludâes, 500 gramas de massa búzios da nacional, um litro de leite magro Mimosa e uma lata de atúm Pitéu (72grmas) teria poupado 4,4 euros, face ao preço a que teria comprado estes 12 produtos antes do IVA zero .


Reportagem com Rita Robalo Rosa, Amadeu Araújo, João Mira Godinho, Margarida Mota, Salomé Fernandes, Teresa Amaro Ribeiro e Elisabete Miranda. Infografia: Carlos Esteves

17.5.22

Deco alerta para a crescente exclusão dos mais vulneráveis no acesso à banca

in Jornal Económico

Embora muitos consumidores “seniores” utilizem o banco online, nem todos consideram possuir a informação e os conhecimentos necessários para o fazer, sentindo-se frustrados e excluídos.

A DECO, preocupada com a exclusão de grupos de consumidores, nomeadamente idosos, populações rurais e do interior, defende a proteção do consumidor vulnerável para que o processo de digitalização da banca não deixe ninguém para trás.

A transformação do setor bancário, acelerada pela Pandemia e pela concorrência dos novos operadores de mercado (fintech), tem levado ao encerramento de balcões, agências e “caixas automáticos”, nomeadamente ATM, e ao incremento da cobrança de comissões aos clientes.

Com a redução de pessoal, o atendimento ao cliente tem sido prejudicado, sendo os consumidores “empurrados” para as aplicações bancárias “pouco amigáveis” ou para as “caixas multibanco” que são cada vez mais escassas.

Embora muitos consumidores “seniores” utilizem o banco online, nem todos consideram possuir a informação e os conhecimentos necessários para o fazer, sentindo-se frustrados e excluídos.

A DECO considera que os consumidores mais idosos e vulneráveis, que não conseguem usar as novas tecnologias, não podem ser excluídos do sistema financeiro. Operações de consumo rotineiras, como ir ao banco ou fazer levantamentos da reforma para pagar as despesas comuns da casa, da farmácia, ou de alimentação, não podem ser dificultadas ou limitadas. Tal como a saúde ou a energia, os serviços financeiros são essenciais na gestão da economia doméstica.

Embora muitos consumidores “seniores” utilizem o banco online, nem todos consideram possuir a informação e os conhecimentos necessários para o fazer, sentindo-se frustrados e excluídos.

6.5.22

Consumidores belgas acusam nervosismo com subida do custo de vida

De Méabh Mc Mahon, in Euronews

A inflação na zona do euro atingiu números recorde e na Bélgica, passou os 8%.

Com mais gastos em alimentos, transportes e serviços públicos, os consumidores acusam a pressão na carteira.

Não estão em pânico mas também não escondem o nervosismo.

Há receio de que a guerra na Ucrânia provoque ainda mais pobreza e exclusão social na Europa, ainda a recuperar de uma pandemia e de anos de austeridade.

Veja o vídeo acima para conhecer mais detalhes.

24.2.22

Consumidores de gás natural vão sentir aumento "inevitável" do preço

in TSF

O aumento deve-se à situação na Ucrânia. João Pedro Matos Fernandes explica que uma das formas de se proteger a independência energética é a aposta nas energias renováveis.

ministro do Ambiente disse esta quarta-feira que quem consome diretamente gás natural vai sentir aumento "inevitável" dos preços, devido à situação na Ucrânia, que levou a Alemanha a suspender a certificação do Nord Stream 2, para transporte de gás russo.

"Quem usa diretamente gás natural, vai sentir esse aumento porque é inevitável, Portugal não fixa esse preço, é o preço de uma 'commodity' [matéria-prima], que é fixado a nível mundial", disse aos jornalistas o ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Matos Fernandes, à margem da conferência final do Projeto E+C -- Economia Mais Circular promovida pela CIP -- Confederação Empresarial de Portugal, no Teatro Thalia, em Lisboa.

Ainda que cerca de 35% da eletricidade em Portugal seja gerada a partir de gás natural, o governante lembrou que se trata de um aumento de preço na origem que não significa um aumento para os consumidores.

"Quem está no mercado regulado não vai sentir esse aumento, mas sobretudo os produtores industriais, apesar do esforço que o Governo fez para que quase não tivesse havido aumentos, reconhecidamente têm contratos mais curtos e, portanto, esse risco [de aumento dos preços] existe", acrescentou o ministro do Ambiente.

Para o governante, uma das formas de se proteger a independência energética é a aposta nas energias renováveis, lembrando que, em 2021, Portugal conseguiu mais 700 megawatts de energias renováveis, "mais do que aquilo que a central do Pego produzia".

Na terça-feira, a Alemanha tomou medidas para interromper o processo de certificação do gasoduto Nord Stream 2, para distribuição de gás natural russo na Europa.

O executivo alemão está a tomar medidas para responder às ações de Moscovo na Ucrânia e, conforme explicou o chanceler alemão, Olaf Scholz, aos jornalistas "sem aquela certificação, o Nord Stream 2 não pode ser colocado em funcionamento".

A União Europeia (UE) depende fortemente das importações de gás natural, que é o segundo combustível mais utilizado nos 27 Estados-membros, a seguir ao petróleo e derivados, sendo a Rússia o maior exportador.

30.11.21

Tarifa social de Internet visa consumidores com baixos rendimentos e abrange universo de 780 mil

Dinheiro Vivo/Lusa


A tarifa social de Internet fornece serviços de acesso à Internet em banda larga fixa ou móvel e destina-se a consumidores com baixos rendimentos ou com necessidades sociais especiais, abrangendo um universo de 780 mil beneficiários.

O objetivo desta medida, que entra em vigor no próximo ano, é promover a inclusão e a literacia digital, no âmbito do programa do Governo Plano de Ação para a Transição Digital e do InCoDe.2030, que visa contribuir para redução dos riscos de exclusão e desigualdade.

A pandemia acelerou a necessidade de acesso à Internet, nomeadamente no acesso aos serviços públicos e privados, como em situações como o teletrabalho e o ensino à distância, "registando-se especial premência em garantir a universalidade deste mesmo acesso", de acordo com o Ministério da Economia.

Com a criação desta tarifa, que em 2022 terá um custo de cinco euros mais IVA (6,15 euros), foram criadas condições necessárias para que as pessoas com baixos rendimentos e em situação de maior fragilidade possam aceder aos serviços de Internet de banda larga (fixa ou móvel).

A tarifa disponibiliza um conjunto de 11 serviços mínimos, onde se inclui o correio eletrónico, os motores de pesquisa (que permitem procurar e consultar todos os tipos de informação), jornais e notícias na Internet e comprar ou encomendar bens e serviços 'online'.

Ferramentas de formação e educativas de base na Internet, bem como a procura de emprego e instrumentos de procura de emprego ou ligação em rede a nível profissional são outros dos serviços.

Serviços bancários 'online', utilização de serviços da Administração Pública em linha, utilização de redes sociais e mensagens instantâneas e chamadas e videochamadas com qualidade padrão também estão incluídas nos serviços mínimos disponibilizados.

Estima-se um universo potencial de 780 mil famílias que podem ter acesso a esta tarifa, os quais são considerados consumidores com baixos rendimentos ou com necessidades sociais.

Aqui incluem-se os beneficiários do complemento solidário para idosos, os do rendimento social de inserção, os que recebem prestações de desemprego, bem como os beneficiários do abono de família.

Incluem-se também os beneficiários da pensão social de invalidez do regime especial de proteção na invalidez ou do complemento da prestação social para inclusão, os agregados familiares com rendimento anual igual ou inferior a 5.808,00 euros, acrescidos de 50% por cada elemento do agregado familiar que não disponha de qualquer rendimento, incluindo o próprio, até um limite de 10 pessoas.

Os beneficiários da pensão social de velhice e também os estudantes universitários, inseridos em agregados familiares elegíveis, e que se desloquem para outros municípios do país para estudar, podem também beneficiar da atribuição da tarifa social de Internet.

Os requisitos técnicos do serviço são de 12 Mbps (Megabits por segundo) de 'download' e um débito mínimo de 'upload' de 2 Mbps, com um tráfego mensal em banda larga de 15 GB (Gigabyte).

Para aceder à tarifa é preciso fazer um pedido junto do operador, sendo a atribuição automática após confirmação da elegibilidade.

Os consumidores a quem não seja aplicada automaticamente a tarifa podem apresentar requerimento para a respetiva atribuição a uma das operadoras de comunicações eletrónicas, podendo anexar os documentos comprovativos de que são elegíveis.

O beneficiário que deixe de reunir os requisitos para a tarifa deve comunicá-lo à prestadora do serviço no prazo de 30 dias.

8.9.21

“IVAucher” vai funcionar nas máquinas de pagamento habituais, sem desconto na hora

Pedro Crisóstomo, in Público on-line

Consumidores já reuniram 47,5 milhões para descontar entre Outubro e Dezembro. Ainda falta fazer a conta às facturas de Agosto. Regras para utilizar IVA acumulado serão diferentes do previsto.

As empresas da restauração, alojamento e cultura que aderirem ao “IVAucher” terão apenas de associar o seu Número de Identificação Fiscal (NIF) ao programa e indicar a “matrícula” (uma espécie de número de identidade) dos terminais de pagamento automáticos (TPA) onde os clientes pagam através dos cartões. Independentemente do banco que fornece a máquina, todos os terminais servirão, desde que o TPA esteja identificado, explicou fonte da Saltpay, operadora do sistema do programa.

Afinal, ao contrário do que foi previsto inicialmente pelo Governo, não será preciso que os terminais tenham como fornecedor uma instituição financeira aderente do “IVAucher” ou a própria Saltpay. Os bancos passam a ser uma peça central, mas noutro vértice, o dos cartões utilizados para pagar as compras alvo do desconto.

A segunda fase do “IVAucher” arranca dentro de poucas semanas. A partir de Outubro, os consumidores que pediram facturas com NIF ao longo de Junho, Julho e Agosto nas empresas de restauração, alojamento e cultura poderão começar a reaver, aos poucos, a totalidade do IVA acumulado, descontando esse montante em novos gastos nos mesmos sectores de actividade através de um desconto de 50%, no máximo, em cada nova compra.

A fase do desconto vai de 1 de Outubro a 31 de Dezembro. E para que um consumidor usufrua do benefício, é essencial que se cumpram três condições: que a pessoa se inscreva no programa; que faça a compra num comerciante aderente; e que pague com o cartão bancário de uma instituição financeira que também participa no “IVAucher”.

As duas primeiras já eram um requisito de base, mas a terceira é uma novidade, porque o Governo anunciou recentemente que os bancos comerciais farão parte da solução de pagamento, o que obrigou o executivo e a Saltpay a ajustar o funcionamento das regras para uniformizar a forma de reembolsar o IVA.

Os principais bancos que operam em Portugal vão celebrar protocolos de participação no “IVAucher” com a Saltpay e, regra geral, um consumidor só conseguirá usufruir do desconto se fizer o consumo com o cartão de uma dessas instituições financeiras (a lista dos bancos que já deram o “sim” ainda não é conhecida, mas a Saltpay prevê divulgá-la em breve no site oficial do “IVAucher”, o mesmo onde os consumidores podem aderir).
A alternativa

Mesmo que um cliente vá a uma loja que seja aderente do “IVAucher” poderá não conseguir accionar o desconto se o emissor do seu cartão bancário for uma instituição que não entre no barco do “IVAucher” (ou até se o fizer com um cartão de refeição), esclareceu fonte da Saltpay.

No entanto, a empresa prevê que quase todos os principais bancos entrem e explica que, com essa capilaridade, sejam poucos os casos em que os consumidores ficarão impedidos de aplicar o desconto.

Até agora, já aderiram ao "IVAucher" cerca de 260 mil consumidores

Há ainda uma outra possibilidade, embora o impacto seja marginal: o cliente de um banco que não esteja envolvido no programa poderá utilizar o desconto se fizer a compra num estabelecimento associado à rede da Saltpay (por exemplo, um restaurante que instale a funcionalidade “IVAucher” no software de facturação). Mas o impacto deverá ser marginal por causa da posição de mercado da empresa em Portugal.

O desconto em cada nova compra é de 50% (desde que haja saldo suficiente para tal) e, quanto a isso, não há alterações.

No entanto, a participação dos bancos traz outra mudança de monta: afinal, ao contrário do que estava previsto, a redução no “preço” não acontecerá na hora. O reembolso será diferido. O consumidor paga com o cartão bancário e, nesse momento, suporta o valor na totalidade (como habitualmente); depois, o banco emite um reembolso correspondente a 50% da compra num prazo máximo de dois dias úteis (nuns bancos, a devolução poderá acontecer no dia seguinte, noutros, no tal prazo máximo de dois dias definido pelo Governo). No limite, como o sistema funciona à base dos cartões bancários de que um contribuinte seja titular, um consumidor consegue aplicar o desconto mesmo se não pedir ao comerciante que coloque o seu NIF.

Os bancos conseguirão fazer o acerto diferido na conta dos clientes porque, ao entrarem para a solução tecnológica do “IVAucher”, poderão fazer um cruzamento de informação: por um lado, saberão quais são os clientes que se inscreveram no “IVAucher”; por outro, saberão que o seu cliente fez uma compra num terminal de pagamento de uma empresa aderente (que se inscreveu porque tem um código de actividade principal abrangido pelo programa). Cabe à Saltpay confirmar aos bancos qual é o valor do saldo que pode ser utilizado, de forma a que o banco faça a compensação.

600 empresas

Para já, o programa conta com 260 mil consumidores inscritos. Nos dois primeiros meses (Junho e Julho), os consumidores acumularam 47,5 milhões de euros para utilizar. De acordo com dados do Ministério das Finanças, este valor resulta de consumos de 381 milhões de euros — correspondentes a 13,2 milhões de facturas emitidas com NIF — em empresas que têm como código de actividade principal (CAE) uma das referências abrangidas pelo “IVAucher”, onde se incluem desde consumos em hotéis, restaurantes, cafés, pastelarias, a casas de turismo rural, alojamentos locais mobilados para turistas, pensões, a bilhetes de cinema, espectáculos de teatro, dança, lojas de discos, consumos em actividades nos museus, arquivos, bibliotecas, entradas para monumentos, jardins zoológicos, parques e reservas naturais.

Dos 47,5 milhões acumulados em Junho e Julho, 22,7 milhões correspondem a consumos do primeiro mês e 24,8 milhões do segundo, sendo que 77% vêm de consumos na restauração (cafés, pastelarias e restaurantes).

O valor de Julho ainda é preliminar porque, este ano, com a introdução das chamadas “férias fiscais”, os comerciantes tiveram mais tempo para comunicar as facturas à Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) — puderam fazê-lo até 31 de Agosto — e a contabilização dos valores ainda não está fechada, segundo o Ministério das Finanças. A estes cerca de 50 milhões vai somar-se o montante do IVA acumulado em Agosto, sendo que os comerciantes têm até 12 de Setembro para comunicar as suas facturas ao fisco.

Para já, só cerca de 600 empresas se inscreveram na plataforma, mas neste leque há cadeias empresariais que têm vários estabelecimentos espalhados pelo país (por exemplo, livrarias ou cadeias de restauração). Por outro lado, não quer dizer que o número de empresas se fique por aqui, porque, tal como os consumidores, também as empresas podem aderir em qualquer momento (poderão colar um selo oficial do “IVAucher” nos estabelecimentos para os clientes saberem que, se consumirem ali, irão beneficiar do desconto, ainda que diferido).

Ao longo deste mês de Setembro, o Governo conta divulgar o programa junto das pequenas empresas, como por exemplo, em sessões de esclarecimento em conjunto com a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (Ahresp) e a Ordem dos Contabilistas Certificados, explicou fonte oficial do Ministério das Finanças.

25.8.21

Letras pequeninas nos contratos ao consumidor proibidas a partir de hoje

in Público on-line

Lei publicada em Maio decreta fim das cláusulas redigidas com um “tamanho de letra inferior a 11 ou a 2,5 milímetros, e com um espaçamento entre linhas inferior a 1,15”.

Foto Novas regras aplicam-se a contratos de serviços como a electricidade, água ou telecomunicações Nelson Garrido

Contratos com letras pequeninas, pouco espaço entre linhas e palavras e com cláusulas contratuais previamente redigidas para o consumidor, nomeadamente por bancos ou fornecedores de telecomunicações ou água, estão proibidos a partir de hoje, quarta-feira, 25 de Agosto.

Uma quarta revisão do regime das cláusulas contratuais gerais, de 1985, publicada em Maio, com entrada em vigor hoje, acrescentou uma nona cláusula: Estão em absoluto proibidas cláusulas que “se encontrem redigidas com um tamanho de letra inferior a 11 ou a 2,5 milímetros, e com um espaçamento entre linhas inferior a 1,15”.


O tamanho da letra e espaçamento de linhas juntam-se agora a outras cláusulas proibidas, como alterar regras respeitantes ao ónus da prova (obrigação de provar facto ou afirmação) ou à distribuição do risco.

Para garantir que não são aplicadas, por outras entidades, as cláusulas já consideradas proibidas por decisão de um tribunal, a lei prevê que seja criado, por regulamentação do Governo, um sistema de controlo e prevenção de cláusulas abusivas.

As novas regras do regime das cláusulas contratuais gerais resultaram de projectos do Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV) e Bloco de Esquerda (BE), apresentados em 2020, e foram aprovadas em Abril por maioria, com a abstenção do PS, o CDS a votar contra e votos a favor do PSD, BE, PCP, PAN, PEV, Chega, Iniciativa Liberal e das duas deputadas não inscritas Joacine Katar Moreira (ex-Livre) e Cristina Rodrigues (ex-PAN).

O Presidente da República promulgou em 22 de Maio esta alteração legislativa.

20.10.20

Deco recolhe assinaturas contra fim desigual de comissão bancária

 in TSF

Quanto à cobrança da comissão de processamento da prestação dos créditos, esta foi proibida, mas apenas para os novos contratos celebrados a partir da data de entrada em vigor da lei, ou seja, 1 de janeiro de 2021.

A Deco está a recolher assinaturas para pedir ao parlamento a proibição da comissão de processamento de prestação para todos os contratos, considerando uma "desigualdade gritante" que seja só para créditos a partir de 1 de janeiro próximo.

Em julho, o parlamento aprovou mudanças na lei sobre comissões bancárias, proibindo algumas comissões (como comissão pela emissão de distrate, o documento que comprova a liquidação de um crédito) e limitando outras (por exemplo, limitou ao máximo de 0,3% sobre o valor da transação a comissão cobrada em plataformas eletrónicas como MB Way).

Quanto à cobrança da comissão de processamento da prestação dos créditos, esta foi proibida, mas apenas para os novos contratos celebrados a partir da data de entrada em vigor da lei, ou seja, 1 de janeiro de 2021. Assim, os milhões de consumidores com um contrato de crédito em vigor antes dessa data continuarão a pagar essa comissão e a estar sujeitos a eventuais aumentos de preçário decididos pelos bancos.

Segundo a associação de defesa do consumidor Deco, tal configura uma "desigualdade gritante" entre consumidores, defendendo que a proibição seja para todos os contratos de créditos (já em vigor ou novos), pelo que preparou uma carta aberta a enviar à Assembleia da República e está a recolher assinaturas.

Em declarações à Lusa, o responsável pelas relações institucionais da Deco Proteste, Tito Rodrigues, considerou que não faz sentido que a lei "deixe para trás consumidores fragilizados, espoliados no seu património", estimando que num contrato de crédito à habitação a 30 anos o consumidor que tenha um contrato anterior a 01 de janeiro de 2021 paga mais 950 euros do que outro que o faça após 01 de janeiro próximo.

Atualmente, segundo a Deco, esta comissão custa em média 2,65 euros por mês nos contratos de crédito à habitação. Há de momento cerca de dois milhões de contratos de crédito à habitação em vigor.

A comissão de processamento de prestação também é aplicada pelos bancos aos outros contratos de crédito, designadamente crédito ao consumo, sendo em média atualmente de em média de 1,75 euros por mês, em que também haverá a desigualdade. Neste momento há 11 milhões destes contratos em vigor.

A Deco estima em 285 milhões de euros a receita anual dos bancos com esta comissão de processamento da prestação de crédito.

"Tudo somado dá 285 milhões de euros por ano por uma bizarria criativa da banca por um serviço que nem é um serviço efetivamente prestado", afirmou Tito Rodrigues.

Ainda segundo o responsável, já desde a lei de 2015 (que só permite comissões bancárias quando há um "serviço efetivamente prestado") que esta comissão não devia existir.

"O consumidor está a pagar o que deve ao banco, através transferência feita mensalmente, não há razão para que se cobre ao consumidor só por estar a cumprir o contrato", defendeu, considerando que com a lei atual se está a "proteger os bancos".

A carta aberta da Deco tem o objetivo de que os partidos com assento parlamentar alterem novamente a legislação para alargar o âmbito da proibição de cobrança da comissão de processamento da prestação a todos os contratos e não apenas aos contratos celebrados após a sua entrada em vigor (1 de janeiro de 2021).

1.3.17

Confiança dos consumidores em máximo de 17 anos

in TSF

INE destaca as contribuições positivas das expectativas relativas à evolução do desemprego, à evolução da situação financeira do agregado familiar, da situação económica do país e da poupança.

O indicador de confiança dos consumidores aumentou entre setembro de 2016 e fevereiro de 2017, sobretudo nos últimos três meses, atingindo máximos desde março de 2000, indicou o INE. Também o clima económico subiu nos últimos dois meses.

De acordo com o Instituto Nacional de Estatísticas (INE), o indicador de confiança dos consumidores aumentou entre setembro e fevereiro, "retomando a trajetória positiva" verificada desde o início de 2013 e apresentando o valor mais elevado desde março de 2000.

Em fevereiro, diz o gabinete de estatísticas, o comportamento do indicador resultou do "contributo positivo" de todas as componentes, "mais expressivo no caso das expectativas relativas à evolução do desemprego", mas também no que diz respeito às perspetivas relativas à evolução da situação financeira do agregado familiar, da situação económica do país e da poupança.

No mesmo sentido, o indicador de clima económico aumentou nos últimos dois meses, depois das quedas registadas em novembro e dezembro.
Em fevereiro, o indicador de confiança da indústria transformadora estabilizou em fevereiro, interrompendo a expressiva trajetória positiva iniciada em junho, destacando-se por um lado o contributo positivo das opiniões sobre a procura global, mas por outro o contributo negativo das perspetivas de produção e das apreciações sobre a evolução dos 'stocks' de produtos acabados.

Sem a utilização de médias móveis de três meses, o indicador de confiança da indústria transformadora diminuiu em fevereiro, diz o INE.
O indicador de confiança da construção e obras públicas aumentou em janeiro e fevereiro, de forma expressiva em fevereiro, atingindo o máximo desde setembro de 2008, devido à evolução positiva das duas componentes, perspetivas de emprego e opiniões sobre a carteira de encomendas.

O indicador de confiança do comércio aumentou nos últimos dois meses, após ter diminuído nos três meses anteriores, resultado do contributo positivo das opiniões sobre o volume de vendas e do saldo das perspetivas de atividade, tendo as apreciações sobre o volume de 'stocks' contribuído negativamente.

O indicador de confiança dos serviços também aumentou nos últimos três meses, verificando-se uma evolução positiva nos últimos dois meses das opiniões sobre a atividade da empresa e das perspetivas sobre a evolução da carteira de encomendas.

1.3.16

Novas regras aplicadas à EDP poupam 120 milhões aos consumidores

Ana Brito, in Público on-line

Regulador da energia aperta vigilância sobre a EDP para garantir o cumprimento de regras que limitam as receitas do grupo liderado por António Mexia.

O conselho de administração da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) aprovou uma directiva que vai obrigar a EDP a apresentar informação detalhada sobre as transacções das suas centrais eléctricas com contratos de longo prazo (os chamados CMEC ou custos para a manutenção do equilíbrio contratual) no mercado de serviços de sistema.

No comunicado que divulga esta terça-feira, a ERSE diz esperar “uma poupança de custos para o consumidor de electricidade de cerca de 120 milhões de euros até 2020” (ou 24 milhões por ano) pelo simples facto de garantir que a EDP está a cumprir as regras que foram introduzidas num despacho de 2014. O diploma, de Abril, assinado pelo anterior secretário de Estado da Energia, Artur Trindade, veio limitar o potencial de receitas do grupo liderado por António Mexia no mercado de serviços de sistema.

Este mercado traduz-se na venda de energia nos momentos em que o gestor do sistema, a REN, identifica um desequilíbrio entre a oferta (geração) e a procura de electricidade no mercado grossista. O serviço permite evitar a ocorrência de falhas graves de fornecimento, mas é também um dos custos que os consumidores suportam nas tarifas.

A actuação da EDP neste mercado está há muito sob o radar da ERSE. Em Março de 2013, a entidade liderada por Vítor Santos enviou à Autoridade da Concorrência (AdC) e ao Governo uma análise sobre os custos destes serviços que identificava “a possibilidade de estarem a ser incumpridas disposições da lei da concorrência” pela EDP, que tem posição dominante no mercado. Foi o ponto de partida para uma intervenção da AdC e do executivo então em funções, que determinou a realização de uma auditoria independente para averiguar se a EDP foi sobrecompensada no passado por via da fórmula de cálculo dos CMEC graças a uma potencial distorção das regras da concorrência.

O PÚBLICO apurou que os trabalhos desta auditoria, que está a ser conduzida por auditores externos contratados pela REN (e acompanhada pela ERSE, pela AdC e pela Direcção-geral de Energia, que integram a comissão de auditoria), estão já numa fase avançada. A conclusão será depois remetida ao Governo.

Ganhos adicionais
No comunicado, a ERSE recorda que comprovou em 2012 que os preços dos serviços de sistema subiram de forma “significativa”, mesmo tendo havido um aumento “expressivo da capacidade” existente em mercado para os prestar. Por isso realizou a análise com base na qual o anterior Governo viria a publicar o despacho que limitou administrativamente os preços dos serviços de sistema (uma medida que segundo a ERSE já poupou 50 milhões de euros aos consumidores). O mesmo despacho obrigou à “existência de proporcionalidade na participação” das centrais com CMEC no mercado de serviços de sistema e no mercado grossista de electricidade. Isto, pelas suspeitas de que a EDP privilegiava o uso das centrais sem CMEC na resposta aos pedidos da REN, de forma a conseguir ganhos adicionais.

Uma vez que as centrais com CMEC já têm um rendimento garantido com os serviços de sistema (por força destes contratos de longo prazo), a EDP podia subutilizá-las, favorecendo antes as centrais em mercado, que assim receberiam também uma remuneração. Isso mesmo afirmou a AdC em Novembro de 2013 (antes da publicação do despacho), quando recomendou ao Governo que revisse os CMEC, nomeadamente o mecanismo de revisibilidade, ou seja, a chamada parcela de acerto, em que também se incluem as receitas dos serviços de sistema.

Dizia então a autoridade reguladora que o facto de a EDP actuar neste mercado com centrais com contrato e centrais em mercado era susceptível de “criar um conflito de interesses na gestão das centrais CMEC”. Segundo a AdC, a EDP não tinha um “incentivo explícito” para maximizar as receitas de serviços dos sistemas com centrais CMEC (que já recebem por isso), preferindo antes favorecer as outras centrais, que poderiam assim beneficiar de uma receita adicional, via tarifa.

A AdC apresentava como exemplo o comportamento da hídrica de Picote, que tem três grupos produtores com CMEC e um grupo produtor em mercado, que entrou em funcionamento no final de 2011. O PÚBLICO sabe que foi precisamente a entrada em funcionamento do reforço de potência em Picote (no Douro) que permitiu à ERSE concluir em 2012 que as centrais com CMEC participavam menos neste mercado. Um dado que ajuda a ler alguns números divulgados na recomendação da AdC: entre 1 de Janeiro e 31 de Agosto de 2012, as receitas de serviços das centrais CMEC da barragem de Picote não foram além dos 51.900 euros, mas as da nova central em mercado atingiram 7,7 milhões.

Há “um risco de sobrecompensação” na revisibilidade dos CMEC que constitui “um factor de distorção da concorrência, por permitir à beneficiária ampliar a vantagem económica sobre os seus concorrentes”, afirmava então a AdC, recomendando alterações ao modo de cálculo dos CMEC e a realização da auditoria independente.

4.7.14

Consumidores pouparam em média 24% com descontos nos supermercados

Ana Rute Silva, in Público on-line

Quase 20% dos produtos de grande consumo foram vendidos em promoção nas primeiras 20 semanas do ano, diz a empresa Kantar Wordlpanel.

Em média, o nível de descontos conseguidos nas compras de produtos de grande consumo chegou aos 24% nas primeiras 20 semanas de 2014. E, nesse período, 19% das vendas foram feitas com promoção. Os dados da Kantar Wordlpanel, divulgados nesta sexta-feira, mostram que os portugueses estão a ir com menos frequência aos supermercados, mas compram mais de cada vez e a preços mais baixos.

De acordo com os dados da Kantar, que monitoriza as compras feitas em cerca de quatro mil lares em Portugal Continental, a frequência de compra caiu 4% entre Janeiro e meados de Maio, em comparação com o mesmo período de 2013. “Isso quer dizer que o aumento da pressão promocional neste início de ano não conduziu a um aumento da frequência de compra”, diz a consultora. Ou seja, os descontos não atraíram mais os portugueses às lojas. Os clientes preferiram ir menos vezes e encher mais o carrinho de compras. Há, por isso, um aumento do volume consumido pelas famílias (1,1%), a um preço mais baixo (menos 2,1%).

A Kantar explica este fenómeno – uma inversão do que se verificou em 2013 – com a “pressão promocional”. O estudo, que considera apenas os descontos presentes em folhetos e não inclui produtos frescos, revela que 19% das compras são feitas em promoção, valor ligeiramente abaixo do que tem sido estimado pela Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (cerca de 25%). “Parece claro que que as promoções podem estar a ajudar o consumidor a comprar mais barato. Mas como consequência há uma redução do valor de mercado dos bens de grande consumo em Portugal”, sublinha a empresa.

O valor bruto deste negócio caiu 1,7%, mas excluindo o valor das promoções, a queda foi mais pronunciada e atingiu os 2,1%. Trata-se de uma “depreciação” do mercado, a que se junta ainda a inflação, que tem registado valores negativos. As empresas de grande distribuição têm apostado em fortes campanhas de descontos, oferecendo modalidades cada vez mais sofisticadas. Dos descontos em cartão e promoções directas, ao “compre três, pague dois”, os supermercados têm conseguido segurar os volumes de vendas graças a estratégias de promoções. Contudo, os portugueses parecem ter perdido o impulso de ir à loja para aproveitar determinada campanha, já que todos os dias as prateleiras parecem ter ofertas atractivas.

Analisando mais em detalhe o perfil dos consumidores, a Kantar conclui que esta tendência também é seguida pelos que acompanham atentamente os folhetos e dedicam mais de 55% do seu orçamento em produtos em promoção. “São curiosamente aqueles que apresentam uma grande redução na frequência de compra (-20,9%) comparativamente ao que fizeram no ano passado”, diz a Kantar, defendendo que se assiste a uma mudança de paradigma “onde a lógica promocional terá de ser avaliada e bem gerida”.

15.3.13

Consumidores mais atentos com a crise

por Céu Neves, in Diário de Notícias

A Deco recebeu 434 840 queixas dos consumidores em 2012, um aumento de 19% comparativamente ao ano anterior. Jurista da associação diz que a a crise está a mudar os hábitos de consumo dos portugueses que estão mais atentos às faturas e aos contratos e mais exigentes.

Hoje è o Dia Mundial dos Direitos dos Consumidores, efeméride assinalada pela Deco com a apresentação das queixas em 2012. "Houve um acréscimo de reclamações nunca antes visto, o que decorrerá dos tempos de crise que vivemos", explica Ana Tapadinhas, jurista da Deco.

O aumento de queixas tem, também, a ver com três conflitos de consumo emblemáticos ocorridas o ano passado e que não estão totalmente resolvidos: a televisão digital terrestre (TDT), os contadores bi-horários da EDP e os vouchers A Vida é Bela, tendo esta empresa fechado devido a problemas financeiros.

Os serviços de interesse geral, como a água, luz e gás, voltaram à lista dos setores mais reclamados. Foram 34 347 pessoas que se queixaram, o que corresponde a 7,9% dos consumidores que contactaram a Deco: por telefone, pessoalmente ou por escrito.

Mas são as telecomunicações que originam mais protestos na divisão por setores, 57 989 em 2012 (13,3% do total). Seguem-se a banca (50 927) e a compra e venda (39 012).

A lista das empresas mais reclamadas é liderada pela PT, a que se juntam a EDP, A Vida é Bela, a Optimus, a ZON, oSantander Totta, a Caixa Geral de Depósitos e a Cofidis.

14.3.13

Crise leva portugueses a procurar produtos mais baratos nacionais

in Jornal de Notícias

O criador de marcas Carlos Coelho defendeu, esta quinta-feira, que a crise económica vai alterar as prioridades no que diz respeito ao consumo, levando as pessoas a procurar produtos mais baratos ou de produção portuguesa.

Em declarações à agência Lusa a propósito do Dia Mundial do Consumo -- que se assinala na sexta-feira -, Carlos Coelho explicou que se está a assistir a uma nova tendência, a que chama "Free-conomie".

"A crise obriga a amplificar o conceito de 'desmonetarização' do consumo, reorganizando as prioridades e recolocando o dinheiro como apenas uma das variáveis", disse.

Segundo adiantou, "a sociedade, com mais tempo livre para consumir, procurará a gratuitidade dos espaços públicos, da natureza, das suas casas e de tudo o que lhe for oferecido para 'consumir' mais momentos de felicidade por menos dinheiro".

"Com uma população envelhecida, um elevado desemprego jovem e um rendimento familiar baixo, tudo terá que custar menos", admitiu, ressalvando, no entanto, que custar menos não tem necessariamente de significar menor qualidade, o que resultará na procura por produtos "mais genuínos".

Para Carlos Coelho, também presidente da agência Ivity Brand Corp, as tendências de consumo "são um espelho da alma de uma sociedade" e, embora a "free-conomie" possa parecer "uma utopia", é apenas "uma evolução do consumismo materialista para o consumismo humanista, menos dispendioso e muito mais sustentável".

Mas a crise terá outras consequências, desde logo, aquilo que Carlos Coelho denomina como "Portugal Sou Eu".

Por causa da crise, "o consumo de produtos e serviços portugueses será o grande motor do consumo e do orgulho nacional, será até moda", defendeu o especialista.

Para o criador de marcas, a crise desqualificou os estrangeirismos e obrigou os portugueses a cuidar de Portugal.

"O consumo de produtos e serviços portugueses" vai criar em cada cidadão "a consciência de que a sustentabilidade da economia depende da atitude de consumo de cada um dos portugueses".

Por outro lado, os consumidores deverão passar a fazer compras de forma mais lenta, dedicando mais tempo a procurar o que querem e ao melhor preço.

"As lojas de conveniência, que vendiam 'tempo' para uma sociedade apressada, que não tinha tempo de ir às compras, dão lugar a lugares vagarosos", para permitir rentabilizar o orçamento disponível, disse, adiantando ainda que se irá verificar também uma procura pelo que é acessível, ético e sustentável.

"O quadrante social do consumo será cada vez mais valorizado. Produtos acessíveis, produzidos em condições de trabalho responsáveis e de acordo com padrões de gestão sustentáveis encontrarão junto dos consumidores uma adesão cada vez maior", defendeu o especialista, explicando que "as dificuldades individuais acordaram as consciências coletivas".

A redução dos orçamentos das famílias leva a outra consequência: a reciclagem criativa, alerta Carlos Coelho.

"De uma sociedade descartável, com rápidos ciclos de consumo, passaremos a uma sociedade de reciclagem criativa onde se mantêm os ciclos, mas se alteram as variáveis: reusar, repintar, remisturar, rever, vender, comprar, trocar".

A criatividade, afirmou, "será uma das mais valiosas moedas destes novos tempos", em que as novas tecnologias ajudam "a comparar preços online".

26.2.13

Consumidores podem forçar descida do preço da electricidade

Por Ana Suspiro, in iOnline

DECO organiza leilão entre as eléctricas para promover a baixa do preço da electricidade aos consumidores domésticos. O pré-registo termina no dia 30 de Abril e o leilão realiza-se a 2 de Maio


Apesar dos recordes alcançados, mês após mês, no número de consumidores domésticos que fecham contrato com um fornecedor, no final de Janeiro ainda havia 4,7 milhões de clientes na tarifa regulada. Na mesma altura tinham já mudado mais de 1,2 milhões de famílias, mas representavam apenas 21% do consumo total do segmento residencial.

Há uma larga maioria de portugueses que resiste a aderir ao mercado. E antes que a conta chegue mais alta no segundo trimestre do ano, a DECO lança uma iniciativa inovadora que pretende fazer “mexer o mercado” de electricidade, já que as respostas das eléctricas não estão a ser verdadeiramente competitivas.

O objectivo é juntar o maior número possível de consumidores domésticos numa bolsa de procura que tenha dimensão para estimular a concorrência entre os comercializadores. A oferta limita-se para já à electricidade porque não houve disponibilidade dos operadores para uma coisa mais arrojada que incluísse o gás, adiantou ao i Rita Rodrigues, da associação de defesa do consumidor – embora isso possa a prazo concretizar-se.

O primeiro passo é fazer o pré--registo e nos dias seguintes comunicar os dados sobre o consumo, a potência contratada e a factura. Esta fase de recolha de intenções decorre até 30 de Abril. O leilão, para o qual a DECO já obteve manifestações de interesse dos comercializadores, realiza-se a 2 de Maio. Os resultados serão apurados nos 15 dias seguintes e depois cada aderente será informado de qual será a poupança no seu caso, em função das condições resultantes do leilão.

A entidade que ganhar terá de aceitar as condições contratuais validadas pela DECO, que asseguram um preço válido por um ano num contrato que permitirá ao cliente sair antecipadamente sem penalização. Outra condição para concorrer é garantir uma oferta nacional em todo o território continental, o que aliás travou a expansão da iniciativa ao mercado do gás, porque limitaria o número de potenciais fornecedores.

O preço e as condições do contrato serão asseguradas independentemente do número de clientes que aderirem a esta oferta, acrescentou Rita Rodrigues. Ontem às 18 horas, primeiro dia do lançamento da campanha, já tinham feito o pré-registo mais de 6 mil clientes potenciais.

Além das vantagens para quem aderir, a DECO quer contribuir para divulgar o tema, reconhecendo que não tem sido feito o suficiente por parte das autoridades, e lembrar que os consumidores que permanecerem na tarifa regulada enfrentam o risco de sofrer aumentos de preços trimestrais.

Enquanto o governo não lança a prometida campanha de divulgação, a ERSE (Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos) considera “positivas todas as iniciativas que tenham por objectivo dinamizar o mercado liberalizado de energia, uma vez que as mesmas contribuem para atingir um mercado de energia mais participado e concorrencial”.

2.2.13

Já há um supermercado só para perceber como pensa o consumidor

Ana Rute Silva, in Público on-line

Escola de Gestão da Universidade Católica criou um laboratório de investigação experimental com uma loja fictícia

Saber o que pensam, como se comportam numa loja, por que decidem comprar determinado produto e rejeitar outro, para onde olham, como circulam dentro do espaço comercial, quanto tempo demoram a decidir o que comprar. Das empresas do retalho, às marcas da indústria, investigadores e especialistas de marketing, todos querem traçar o perfil do consumidor, observá-lo ao detalhe, escrutiná-lo, dissecá-lo. Entrar na mente de quem vai às compras significa melhores resultados na caixa registadora. E, numa altura em que o preço dita quase todas as decisões das famílias na hora de ir as compras, conhecer em detalhe o comportamento do consumidor ganha nova relevância.

"Nos últimos 20 anos, tem havido uma evolução muito grande do estudo do comportamento do consumidor. Se olharmos para os trabalhos de investigação dos anos 1980, vemos que são de grande simplicidade. Nessa altura, o estudo nesta área era incipiente", diz Rita Coelho do Vale, professora auxiliar da escola de Gestão da Universidade Católica, em Lisboa, e responsável pelo recém-inaugurado Laboratório de Investigação Experimental.

Analisar expressões faciais

Instalado no primeiro piso da escola numa sala de aulas remodelada, o Lerne (sigla para Laboratory of Experimental Research in Economics and Management) promete dar uma ajuda a investigadores e empresas na observação directa e em "ambiente controlado" de experiências de compra. Servirá não só para estudos sobre o retalho alimentar, como do comércio alimentar. E ajudará a perceber, dentro de alguns anos, o que mudou no consumidor com a crise e a evolução do sector.

Em cubículos forrados de tecido azul, há computadores de ecrã plano onde se vê o sítio do Orix, um supermercado online fictício, criado de raiz, e que está a servir para investigar o impacto da embalagem das marcas da distribuição na escolha do consumidor. "São experiências em software que permitem aferir a reacção a estímulos num ambiente controlado. À distância, não conseguimos apurar o tempo que se demora a escolher um determinado artigo, nem saber em que ambiente é feita a pesquisa", diz Rita Coelho do Vale.

No laboratório experimental, tudo é analisado em detalhe, incluindo as expressões faciais. Há câmaras nos computadores que monitorizam os rostos dos participantes nos estudos. Os programas de software também servem para perceber como olhamos para uma embalagem e a associamos a determinada categoria de produto. Por exemplo, cronometra o tempo que um consumidor demora a identificar a embalagem como sendo de uma garrafa de água ou detergente.

Numa pequena sala, há um minimercado com prateleiras, carrinho de compras e câmaras a vigiar os participantes. "Conseguimos perceber os efeitos das promoções, a influência da disposição dos produtos na prateleira ou até os impactos do tamanho dos carrinhos de compras", explica Rita Coelho do Vale. Num supermercado, não há produtos colocados ao acaso. As bolachas infantis estão quase sempre posicionadas nas prateleiras em baixo, na zona do joelho, para que as crianças as vejam e convençam os pais a comprá-las, exemplifica.

A professora de marketing vai mostrando o Lerne, pensado há quatro anos e financiado em grande parte por um antigo aluno que hoje trabalha no retalho mas preferiu manter o anonimato. As janelas podem ser tapadas com painéis que travam a luz natural, explica Rita Vale, lembrando-se do caso do Wal-Mart, a maior empresa de retalho do mundo.

"Fizeram um estudo em duas lojas. Numa colocaram luz natural numa secção, noutra mantiveram a luz artificial. Concluíram que, na que tinha luz natural, as pessoas demoravam mais tempo a fazer compras e gastavam mais", diz.

O laboratório está pensado para as empresas de retalho e para os investigadores. E é uma ferramenta que pode ajudar a Católica no recrutamento internacional de professores. Ter um pequeno supermercado "era um factor crítico para recrutar" e fundamental "na investigação de topo", diz Rita Vale.

6.11.12

Consumidores queixam-se de assédio e pressões por empresas de recuperação de crédito

in Público on-line

Estão a aumentar as queixas de assédio e pressões psicológicas feitas por empresas de recuperação de crédito, denuncia a Deco, a associação de defesa dos consumidores. Há pessoas que chegam a despedir-se dos seus empregos. É preciso regulamentar o sector, diz a Deco. A Associação Portuguesa de Empresas de Recuperação de Crédito (APERC) confirma que tem recebido queixas.

“As pessoas queixam-se que lhes telefonam para o local de trabalho, para os superiores hierárquicos, para familiares, vizinhos. É uma pressão constante. As pessoas sabem que estão em incumprimento o que as deixa debilitadas, vulneráveis”, conta Natália Nunes, do gabinete de apoio ao sobre-endividado da Deco.

Muitas das queixas contra empresas de recuperação de crédito ultrapassam tudo o que é “admissível do ponto de vista legal e ético”, acrescenta, adiantando que em média recebe oito reclamações por dia, mas que o número já chegou às 30.

Segundo dados da associação, entre Janeiro e Outubro foram recebidas 83 reclamações escritas relativas a cobranças agressivas, sendo que um em cada cinco sobre-endividados foram abordados no local de trabalho.

Os números indicam também que 10,8% dos contactos para efectuar cobrança foram feitos a terceiros (como familiares ou vizinhos), enquanto 68,7% foram contactados diretamente.

A quase totalidade (98%) dos créditos em dívida que levam a estas situações foram feitos junto de entidades de crédito, sendo apenas 2% respeitantes a contratos realizados com instituições bancárias.

No que diz respeito ao tipo de crédito contratado e que deu origem à cobrança, quase dois terços (61,4%) diz respeito a crédito pessoal, um terço (34,9%) a cartão de crédito, 2,4% a contrato automóvel e 1,2% a crédito à habitação.

O problema é potenciado pelas dificuldades económicas que impedem as pessoas de pagar as suas dívidas, mas é, segundo Natália Nunes, uma situação antiga.

“O problema é que não há uma legislação sobre esta área. Temos a APERC que é a única no setor, mas em bom rigor não há um regime jurídico aplicável a este sector”, salienta.

De acordo com Natália Nunes, a APERC defende, à semelhança da Deco, uma regulamentação urgente para as empresas de recuperação de crédito porque com o agravamento da crise e o aumento do crédito malparado há cada vez mais empresas do género a surgir no mercado.

Uma necessidade que a Deco diz ter mesmo chamado a atenção da troika no Verão passado, mas que ficou sem resposta até agora.

Natália Nunes garante que a Deco tem dado a conhecer estas situações ao Banco de Portugal, mas aconselha as pessoas a apresentar uma queixa-crime às autoridades em situações extremas.

Existem cerca de 60 empresas de recuperação de crédito

António Gaspar, presidente da Associação de Empresas de Recuperação de Crédito (APERC) confirma que tem recebido muitas queixas de pessoas que se dizem perseguidas por elementos de entidades do sector, mas afasta que essa prática seja generalizada.

O responsável reconhece que existem cada vez mais empresas de recuperação de crédito que dão má imagem ao sector, alertando para a necessidade urgente de uma regulamentação. “Na sociedade portuguesa, tudo o que é mau espalha-se a uma velocidade vertiginosa. As pessoas e a sociedade no seu todo olham só para o que está mal. É verdade que existem empresas no mercado que ameaçam de forma velada ou não os cidadãos e que usam um diálogo e um modus operandi que nós não aceitamos”, revela.

Segundo António Gaspar existem empresas de recuperação de crédito que são “marginais”, na sua maioria unipessoais (cujo dono é só um e um familiar), que actuam numa franja de mercado específica e que não têm regras nem códigos de ética.

“As empresas que usam as más práticas acabam por ser conhecidas negativamente e dão ao setor uma imagem que não é a melhor. Nós [actualmente existem 29 associados da APERC] consideramos que prestamos um serviço de excelência e cumprimos um código ético e deontológico”, disse.