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1.8.23

Com escalada das Euribor, 75% da prestação são juros pagos ao banco

Rosa Soares, in Público

Capital amortizado “encolhe” drasticamente com a subida das Euribor. Taxas a seis e a 12 meses dão sinais de estabilização.

Mais um mês que chega ao fim e que significa, para muitas famílias, mais um aumento considerável na prestação da casa. O agravamento é bem mais acentuado para quem tem empréstimos associados à Euribor a 12 meses, prazo que apresenta o valor mais elevado, e que tem revisões mais espaçadas, o que faz com que as actualizações também sejam mais acentuadas. Os contratos a rever em Agosto e os novos empréstimos com esta taxa utilizarão a média mensal de 4,149% verificada em Julho (mais 142 pontos que os 4,007% em Junho), que fica bem acima dos 0,992% registados há um ano.

Nos restantes prazos, as subidas na prestação continuam expressivas, especialmente se tivermos em conta os valores actuais, mas como são revistos mais vezes, a cada três e seis meses, conforme a taxa associada, as actualizações são mais suaves.


A seis meses, a taxa média subiu em Julho para 3,942%, mais 0,117 pontos face ao valor do mês anterior (3,825%). E a três meses avançou para 3,672%, uma subida de 0,136 pontos face aos 3,536% de Junho.

Com os valores actuais, o aumento das prestações é muito significativo e é duplamente penalizador para as famílias, uma vez que o valor pago em juros representa mais de três quartos da prestação, com apenas um quarto a corresponder ao pagamento do capital emprestado. A variação das duas componentes fica mais clara através da simulação de um empréstimo. Assim, a um crédito de 150 mil euros, a 30 anos, associado à Euribor a 12 meses (4,149% da média de Julho), acrescido de 1% de spread (ou margem suplementar aplicada em função do risco da operação), vai corresponder uma prestação de 818,95 euros. Este valor representa um aumento de 265,10 euros face ao pagava com a taxa de Julho de 2022.


Nesta prestação de 818,95 euros, o valor correspondente a juros é de 643,63 euros, ou seja, 78,7% do valor a pagar mensalmente. Já a componente de amortização do capital em dívida representa os restantes 175,32 euros, cerca de 21,3% da prestação.

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Sinais de abrandamento

A subida das taxas Euribor em Julho foi mais suave que nos meses anteriores, mas o nível a que se encontram é elevado, especialmente para quem pediu empréstimos durante os cerca de seis anos em que as Euribor permaneceram em terreno negativo e para quem, por força da subida dos preços das casas, pediu empréstimos de montantes mais elevados.

A simulação, realizada pelo PÚBLICO, para um empréstimo de 150 mil euros, a 30 anos e com um spread de 1%, associado à média mensal da Euribor a 12 meses, revela um agravamento de 265 euros na prestação no espaço de um ano, elevando-a a 818,95 euros. Mas no mesmo cálculo para um empréstimo de 200 mil euros, a prestação já dispara 353,49 euros para 1091,93 euros.

Seguindo o mesmo modelo de cálculo, no caso da Euribor a seis meses, a rever em Agosto, o aumento é bastante inferior, de 96,03 euros, para 799,92 euros. A última revisão aconteceu em Fevereiro do corrente ano, com a média de Janeiro da Euribor a seis meses (2,858%). Neste prazo, a prestação subdivide-se em 617,75 euros de juros (77,3%) e 182,17 euros de capital (22,7%).


Na Euribor a três meses, a última actualização da taxa é bem mais recente, de Maio, e com a revisão em Agosto o valor a pagar sobe 43,7 euros, para 775,43 euros. Deste valor, 584 euros correspondem a juros (75,4%) e 191,43 a pagamento do montante em dívida (24,6%).

Nas últimas sessões diárias, as Euribor têm dado sinais de estabilização, especialmente nos prazos de seis e 12 meses, parecendo indiciar que a subida de taxas por parte do Banco Central Europeu (BCE) possa ter terminado.


A mostrar que o prazo mais longo tem perdido fôlego na subida, o valor diário desta segunda-feira ficou abaixo da média mensal, ao cair para 4,064%, e do máximo (desde Dezembro de 2008) registado a 7 de Julho, quando atingiu 4,193%.
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Os contratos de futuros para este prazo, o único para que há este produto financeiro, apontam para valores ligeiramente acima da média de Julho (3,672%). No caso do contrato de Setembro, o valor apontava, esta segunda-feira, para 3,825%, e do de Dezembro para 3,885%.

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A novidade na última reunião, e que justifica a recente desaceleração das Euribor, está no facto de o banco central ter deixado em aberto a possibilidade de uma pausa na subida das taxas directoras, decisão que dependerá da evolução de vários indicadores económicos, nomeadamente da inflação nos países da zona euro.


Mas nada está garantido, já que a presidente do BCE, Christine Lagarde, se limitou a dizer que “existe a possibilidade de uma subida [de taxas de juro na próxima reunião]. Existe a possibilidade de uma pausa. É um talvez decidido”, repetindo por diversas vezes a ideia de que a decisão do banco central em Setembro dependerá da forma como evoluírem os indicadores económicos nas próximas semanas.

[artigo disponível na íntegra só para assinantes aqui]


11.7.23

Euribor sobe a 6 meses, toca novo máximo a 3 meses e cai a 12 meses

in TSF


A taxa Euribor a 12 meses, que atualmente é a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, recuou esta terça-feira para 4,184%.

As taxas Euribor subiram esta terça-feira a três e a seis meses, no prazo mais curto para um novo máximo desde novembro de 2008, e desceram a 12 meses.


A taxa Euribor a 12 meses, que atualmente é a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, recuou esta terça-feira para 4,184%, menos 0,006 pontos, depois de ter avançado até 4,193% em 7 de julho, um novo máximo desde novembro de 2008.

Segundo dados de março de 2023 do Banco de Portugal, a Euribor a 12 meses representava 41% do stock de empréstimos para habitação própria permanente com taxa variável. Os mesmos dados indicam que a Euribor a seis e a três meses representavam 33,7% e 22,9%, respetivamente.

A média da taxa Euribor a 12 meses avançou de 3,862% em maio para 4,007% em junho, mais 0,145 pontos.

5.7.23

Taxa de juro média no crédito à habitação passa os 4% e atinge um máximo de 11 anos

Isabel Vicente, in Expresso

Em maio a taxa de juro média dos novos empréstimos à habitação em Portugal superou os 4% pela primeira vez em 11 anos. Já nos depósitos a taxa média subiu para 1,26%, registando o valor mais elevado em oito anos

A taxa de juro média dos novos empréstimos à habitação registou uma subida de 3,97% para 4,15%, sendo a primeira vez em 11 anos que ultrapassa os 4%, segundo os dados do Banco de Portugal divulgados esta quarta-feira.

Era uma evolução expectável tendo em conta o aumento das taxas por parte do Banco Central Europeu (BCE) no seu combate à inflação.

Os dados do Banco de Portugal revelam que “o aumento das taxas de juro médias foi mais moderado nas finalidades consumo (de 8,69% em abril para 8,72% em maio) e outros fins (de 5,18% em abril para 5,19% em maio)”.

Na análise do Banco de Portugal limitada aos empréstimos relativos a habitação própria permanente, a taxa de juro média ascendeu a 4,2% nos créditos com taxa variável, indexada à Euribor, e a 4,19% nos novos empréstimos a taxa fixa.

A concessão de crédito novo a particulares no período em análise cresceu em todas as frentes. Totalizou 1189 milhões de euros, mais 495 milhões do que em abril, tendo os novos empréstimos à habitação subido 353 milhões, o crédito ao consumo 90 milhões e o crédito para outros fins 53 milhões de euros.

Também o crédito concedido às empresas registou um aumento de 267 milhões em maio, totalizando 1796 milhões de euros nesse mês.

Neste segmento a taxa de juro média dos novos empréstimos a empresas aumentou de 5,13% para 5,42%. Nos empréstimos até 1 milhão de euros a taxa média subiu de 5,44% para 5,55%, e nos empréstimos acima de 1 milhão de euros de 4,76% para 5,22%, especifica o Banco de Portugal.
TAXAS NOS DEPÓSITOS SOBEM MAS AINDA ESTÃO LONGE DA MÉDIA EUROPEIA

Apesar do aumento na taxa de juro média nos depósitos a prazo de particulares ter subido para 1,26%, e este valor ser o mais elevado em oito anos, é o quarto juro mais baixo da área do euro, revelam as estatísticas do Banco de Portugal. Com taxas médias mais baixas do que as praticadas em Portugal estão a Croácia, Eslóvenia e Chipre. A média da área do euro está nos 2,44%.

O montante de novas operações de depósitos a prazo de particulares totalizou 7490 milhões de euros, mais 1276 milhões do que no mês anterior, informou o BdP.

Na desagregação por prazo, os novos depósitos com prazo até 1 ano representam 76% dos novos depósitos e foram remunerados em média a 1,18%, quando em abril tinham sido remunerados a 0,95%.

Já os novos depósitos de 1 a 2 anos, segundo os dados divulgados, registaram uma remuneração média de 1,47% quando em abril tinham sido pagos a 1,29%.

Com prazos acima de 2 anos, os quais representam apenas 9% das novas operações de depósitos a prazo, encontram-se as remunerações mais elevadas, ao atingirem 1,61%, quando em abril esses depósitos eram remunerados a 1,12%.

Verifica-se assim uma tendência de subida mês após mês.

Nas empresas os novos depósitos a prazo em maio totalizaram 5732 milhões de euros , menos 163 milhões face a abril. A remuneração destes novos depósitos a prazo foi de 2,37% em maio, um aumento marginal de 0,03% face a abril, e segundo os dados do Banco de Portugal “menos expressivo do que o registado em meses anteriores”.

13.6.23

Euribor a três meses fixa novo máximo e supera os 3,5%

Rosa Soares, in Público

As taxas fixadas no mercado interbancário têm vindo a antecipar uma nova subida das taxas directoras do BCE, que deverá ficar-se por mais 0,25 pontos.

As taxas Euribor, que estão na base da grande maioria dos contratos à habitação existentes em Portugal, subiram esta terça-feira, com os prazos a três e a seis meses a fixarem novos máximos desde Novembro de 2008. O prazo mais curto superou a barreira dos 3,5%.

As taxas Euribor, que estão na base da grande maioria dos contratos à habitação existentes em Portugal, subiram esta terça-feira, com os prazos a três e a seis meses a fixarem novos máximos desde Novembro de 2008. O prazo mais curto superou a barreira dos 3,5%.

De acordo com os dados divulgados pela agência Lusa, a Euribor a três meses ficou em 3,526%, mais 0,048 pontos do que nesta segunda-feira.

A média da Euribor a três meses, que serve de referência para novos empréstimos e para as revisões de contratos com esta taxa a ocorrerem em Junho, subiu de 3,179%, em Abril, para 3,372% em Maio, ou seja, um acréscimo de 0,193 pontos percentuais.

A Euribor a 12 meses, actualmente a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, presente em cerca de 40% dos empréstimos, subiu 0,004 pontos para 3,942%. Este valor está ligeiramente abaixo do máximo fixado em 29 de Maio, nos 3,982%.

[Artigo exclusivo para assinantes]