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15.12.15

Clima: 185 países apresentaram compromissos para a redução de emissões

in Notícias ao Minuto

Cerca de 185 países apresentaram à Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP21), em Paris, compromissos para reduzir emissões de gases em 2015-2030, insuficientes para manter o aquecimento global nos dois graus Celsius.

Se todos estes compromissos forem alcançados, noticia a AFP, o planeta atingirá um aquecimento global de mais três graus Celsius em relação ao nível pré-industrial, e nada será feito contra uma subida de quatro a cinco graus Celsius.

O projeto de acordo final visa conter o aquecimento global abaixo dos dois graus Celsius e limitá-lo aos 1,5 e prevê uma verba de 100 mil milhões de dólares (90,9 mil milhões de euros) por ano para os países em desenvolvimento a partir de 2020.

Os 185 Estados cobrem a quase totalidade das emissões globais de gases que causam o efeito de estufa.

1 -- China
O maior emissor mundial (cerca de um quarto das emissões) compromete-se, pela primeira vez, a limitar as suas emissões, o mais tardar em 2030, depois de durante muito tempo o ter recusado, em nome dos imperativos do desenvolvimento.

A China é o maior consumidor mundial de carvão, a energia mais prejudicial, e, ao mesmo tempo, o primeiro investidor nas energias renováveis, Pequim quer reduzir entre 60 e 65 por cento a sua "intensidade de carbono" (emissões de CO2 referenciados ao crescimento) em 2030, relativamente a 2005.

2 -- Estados Unidos
O segundo maior poluidor mundial promete reduzir entre 26 e 28% as suas emissões até 2025 em relação a 2005. Esse objetivo fica abaixo dos países europeus, mas acima das anteriores propostas de Washington. "Os Estados Unidos agora, pelo menos, apresentam um plano credível", disse Jennifer Morgan, do Instituto de Recursos Mundiais, acrescentando que a administração do Presidente Obama é "a primeira a enfrentar o problema."

3 -- União Europeia
No início de março, a União Europeia (emitindo cerca de 10% das emissões, ocupava o 3.º lugar) foi a primeira potência a apresentar um plano: reduzir em pelo menos 40% até 2030 as suas emissões em relação a 1990.

"Estes compromissos visam incutir uma dinâmica positiva, mas estes países poderão melhorar as suas contribuições", a firmou a Fundação Hulot, enquanto centro de investigação da Climate Action Tracker considera que este nível de compromisso "médio".

4 -- Índia
A Índia promete reduzir a sua "intensidade de carbono" em 35% até 2030, em relação aos níveis de 2005, mas sem fixar como objetivo a redução global das emissões.

Nova Deli conta com as energias renováveis que produzirão 40% da sua eletricidade até 2030, reconhecendo a sua dependência do carvão (duplicando a prodição prevista até 2030)

5 -- Rússia
O quinto emissor mundial garante uma redução entre os 35 e os 30% entre 1990 e 2030.

Se se retirar o impacto positivo gerado pelas suas vastas florestas, esta é apenas uma redução das emissões de gases com efeito de estufa industriais por seis a 11%, destacou a Climate Action Tracker, que considera este esforço inadequado.

6 -- Japão
Tóquio promete reduzir as emissões em 26% entre 2013 e 2030, contando com o retorno da energia nuclear, referindo-se que a central de Fukushima não está em funcionamento.

As organizações não-governamentais julgam insuficiente o projeto nipónico, grande consumidor de carvão.

7 -- Brasil
O Brasil (03% das emissões) anunciou que pretende reduzir em 43% as suas emissões até 2030 em relação ao nível de 2005, e promete diversificar as fontes de energias renováveis.

Esse plano foi logo bem acolhido no início da cimeira, afirma a AFP.

8 -- Irão
Teerão compromete-se a reduzir até 2030 as suas emissões em 04%.

O oitavo poluidor mundial evoca um esforço suplementar de 08% sob reserva de apoio finanaceiro e o levantamento de todas as "sanções injustas".

9 -- Indonésia
Jacarta anuncia menos 29% de emissões em 2030, número que poderá passar a menos 41% se obtiver ajudas financeiras.

10 -- Canadá
O anterior Governo de Otava (conservador), que decidiu abandonar o Protocolo de Quioto, tinha anunciado uma redução das emissões de 30% até 2030, relativamente a 2005.

Essa contribuição foi considerada insuficiente pelas organizações não--governamentais face ao peso da produção de petróleo a partir de areias betuminosas.

O novo executivo (liberal) prometeu rever o documento.

OUTROS

Numerosos países em vias de desenvolvimento divulgaram os seus compromissos, todos condicionados ao envio de ajudas.

O México foi o primeiro de entre os países emergentes a fazê-lo, e o Gabão doi o primeiro Estado africano.

Em conjunto, o documento da Etiópia e o de Marrocos estão entre os raros que as organizações não-governamentais qualificam como suficientes.

O Reino da Arábia Saudita foi o último Estado-Membro do G-20 a enviar o seu plano, no passado dia 10 de novembro.

Entre os 10 países absentistas, a Nicarágua explicou que esperava que a ONU fixasse quotas o mais rapidamente possível, além da Venezuela, Coreia do Norte, Líbia e República do Nepal.

2.12.15

Paris entre o clima e a pobreza

Victor Ângelo, in Visão

Evitar o aquecimento global e eliminar a pobreza são as duas traves mestras do futuro


Apesar das declarações otimistas, ouvidas durante a cerimónia de abertura da conferência de Paris sobre as alterações climáticas (COP21), o resultado final deverá ficar aquém das expectativas. Terá, no entanto, valido a pena, mesmo considerando os custos ambientais que uma reunião desta magnitude irá ocasionar. Ao fim de 15 dias de discussão, a atmosfera terá recebido cerca de 21 000 toneladas de dióxido de carbono suplementares, sem contar com o impacto resultante das viagens de mais de 40 000 participantes. Mas atenção, está-se a procurar solucionar um dos dois desafios que mais pesam sobre o futuro da humanidade. E aqui, permitam-me um aparte. O outro grande desafio não é, na minha opinião e aí discordo do Presidente francês, o do terrorismo. A pobreza é a outra face da moeda. Trata-se, isso sim, de resolver as carências extremas relacionadas com a fome, a água potável, a habitação, a educação e os cuidados primários de saúde. Esquecer essas evidências é excluir da agenda global à volta de 2 mil milhões de pessoas. Evitar o aquecimento global e eliminar a pobreza são as duas traves mestras do futuro.

Vários governos estão na COP 21 depois de terem preparado um plano em cima do joelho, um faz-de-conta para conferencista ver, em vez de um quadro de ações concreto e verificável, o que seria um compromisso nacional de redução das emissões de carbono e de promoção de energias alternativas. Outros estão na reunião à espera de contribuições dos países mais ricos, no seguimento da proposta de criação de um fundo global que compense os países menos desenvolvidos, que são simultaneamente os que menos gases com efeito de estufa produzem. Outros ainda ir-se-ão opor a tudo o que possa soar a obrigação de agir.

O mais provável é que se fique, de novo, pelo menor denominador comum, no que respeita à parte governamental da COP 21. Mas temos que acreditar, pelo menos de vez em quando, no bom senso, no sentido histórico e na coragem dos políticos. Será agora?

Existe hoje uma consciência muito mais apurada da urgência da resposta ao aquecimento global. O processo que começou em 1992, com a conferência do Rio de Janeiro sobre o meio ambiente, ganhou uma vastíssima gama de apoiantes. Muita gente, um pouco por toda a parte, sobretudo nos países que mais pesam em termos de emissões de dióxido de carbono, sabe que é preciso tomar medidas que evitem um aquecimento superior a dois graus centígrados. A opinião pública pode, assim, exercer uma pressão significativa sobre as opções políticas.

Essa pressão já se nota. Não obstante as contradições internas com que se debatem, os EUA, a China e a UE vieram a Paris com a intenção clara de fazer avançar a agenda climática. As palavras ditas pelos líderes foram das mais apropriadas. É verdade que no caso americano a opinião mais retrógrada, ligada ao Partido Republicano, continua a negar a evidência sobre as causas das alterações climáticas. Mas também se deve reconhecer que a administração do Presidente Obama, bem como muitos líderes ao nível das cidades e de alguns estados têm transformado a maneira de produzir energia ao nível local. Por seu turno, diversas fundações filantrópicas estão prontas para canalizar muitos milhares de milhões para a investigação científica e tecnológica de ponta, colocando o acento na eficiência e na redução dos custos, para que as novas técnicas possam ser rentáveis. Também há vários exemplos de grandes corporações a ir no mesmo sentido. No caso europeu, há uma promessa formal de contribuir para o fundo global e de aumentar significativamente a produção de eletricidade a partir de fontes renováveis.

A Índia veio para as negociações com uma posição muito crítica em relação ao mundo desenvolvido. Todavia, é justo fazer uma referência positiva à iniciativa que acaba de lançar, em parceria com a França. O objetivo é o de mobilizar meios que permitam uma expansão excecional – e em conta, a preços acessíveis – da utilização da energia solar nas zonas tropicais, entre os Trópicos de Câncer e de Capricórnio. A maioria das populações mais pobres encontra-se nessa faixa do globo. Se o projeto tiver sucesso contribuirá, nos próximos quinze anos, para uma melhoria considerável das condições de vida dessas pessoas. Terá também um efeito multiplicador sobre o crescimento económico. Deverá, no entanto, ser acompanhado, no meu entender, por uma revolução verde, ou seja, por uma modernização radical, sustentada e amiga da natureza, da agricultura desses países. Estaremos, então, mais próximos da resolução dos dois desafios que acima mencionei.

30.11.15

Conheça (algumas) consequências das alterações climáticas

Nuno Guedes, in TSF

Cidades debaixo de água, fome e doenças são cenários para o futuro. Mas no passado as catástrofes naturais, cada vez mais comuns, já mataram 600 mil pessoas nos últimos 20 anos.

As Nações Unidas e o Banco Mundial têm alertado para as consequências das alterações climáticas que já afetam o planeta e que se podem agravar nos próximos anos.

O jornalista Nuno Guedes lembra alguma das consequências das alterações climáticas

Apesar de várias cimeiras no passado, a Organização Meteorológica Mundial concluiu que 2014 teve um novo recorde de concentração de gases com efeito de estufa. Estes valores são, aliás, ultrapassados quase todos os anos, numa altura em que vários especialistas dizem que o gelo do Ártico está a derreter a uma velocidade nunca vista.

A água que descongela no polo Norte é uma das principais razões que levou investigadores do instituto norte-americano Climate Central a dizerem, recentemente, que grandes cidades como Hong Kong, Calcutá, Jacarta, Xangai, Bombaim, Rio de Janeiro, Buenos Aires, Nova Iorque ou Tóquio estão ameaçadas pela subida do nível do mar.


30 mil mortos por ano

O futuro pode ser pior, mas cálculos divulgados pela ONU na semana passada revelam que nos últimos 20 anos as catástrofes naturais, cada vez mais frequentes, mataram 600 mil pessoas, numa média de 30 mil por ano.

Além dos mortos, as Nações Unidas contam, em duas décadas, mais de 4 mil milhões de feridos, desalojados ou pessoas a precisar de ajuda de emergência. E os países pobres são, de longe, os mais afetados.

Razões que levam a ONU a sublinhar a importância de ter um acordo na conferência do clima que começa esta segunda-feira em Paris.

Não é, contudo, apenas no capítulo "mortos e feridos" que as alterações climáticas têm impacto. O Banco Mundial fez contas e concluiu que também podem aumentar a pobreza extrema que se arrisca a atingir mais 100 milhões de pessoas.

Na pobreza, África e Ásia do Sul serão as zonas mais afectadas pelas mudanças no clima, nomeadamente pela via do aumento dos preços dos alimentos que representa, em média, 60% das despesas das famílias destas regiões. E com a fome crescem, naturalmente, uma série de doenças relacionadas, por exemplo, com diarreias ou paludismo.

15.12.14

Acordo na Cimeira do Clima para medidas contra aquecimento global

in Jornal de Notícias

Os países participantes na Cimeira do Clima, no Perú, decidiram, este domingo, que todos terão de aprovar medidas para combater o aquecimento global, mas deixou muitas frentes de debate em aberto.

De acordo com o documento final da cimeira aprovado este domingo, em Lima, intitulado "A chamada à ação de Lima", todos os países terão de apresentar à Organização das Nações Unidas (ONU), antes de 1 de outubro de 2015, compromissos "quantificáveis", "ambiciosos" e "justos" de redução de gases de efeito de estufa.

Também ficou decidido que terão de apresentar informação detalhada das ações para conseguir que essa diminuição se cumpra efetivamente.

Outro grande avanço do acordo de Lima, após a apresentação destes compromissos, é que a Secretaria da Convenção da Mudança Climática irá analisar o impacto dessas contribuições nacionais para verificar se são suficientes para que a temperatura do planeta não aumente mais do que dois graus no final deste século.

No sábado à noite as negociações chegaram a estar paralisadas, e foram feitos apelos por parte de alguns participantes, nomeadamente dos Estados Unidos, no sentido da obtenção de um acordo global em defesa da Terra.

O encontro em Lima deveria ter terminado na sexta-feira, com os representantes dos 190 países presentes na cimeira a desenharem um esboço para um novo acordo, que irá substituir o Protocolo de Quioto.

No entanto, a falta de consenso obrigou a que os trabalhos fossem prolongados, numa tentativa de acertar os termos do esboço para um novo acordo que deverá ser celebrado em 2015, em Paris.

O acordo de Paris deve entrar em vigor em 2020, mas até lá os países devem começar a atuar para reduzir as emissões de gases de efeito de estufa e adaptar-se às alterações climáticas.

Os países desenvolvidos comprometeram-se a reduzir as emissões e a contribuir com 100 mil milhões de dólares de ajuda anual aos países do Sul, até 2020.

Os representantes estiveram reunidos em Lima desde o dia 01 de dezembro para desenhar a fórmula que será usada pelos países durante 25 anos para proteger a Terra do aquecimento global.