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3.2.23

Travar o isolamento de idosos está nas mãos da comunidade

Mário Rui André e Jorge Carrilho,  in JN

Envelhecimento populacional com que o país se debate aumenta o risco de haver cada vez mais pessoas da terceira idade a viver em estado de solidão

O isolamento a que boa parte das franjas mais idosas da população está votada constitui-se como um dos assuntos do foro social de maior preocupação, sobretudo tendo em conta o envelhecimento demográfico que se vem registando em Portugal e na Europa. A realidade dos idosos e o trabalho de intervenção de proximidade para combater o seu isolamento foram temas em cima da mesa na quarta edição do "Conversas por Boas Causas", uma rubrica da responsabilidade da TSF, do "Jornal de Notícias" e da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML).

Mário Rui André, coordenador da Unidade de Missão da SCML para o Programa "Lisboa, Cidade de Todas as Idades", chama a atenção do que diz ser "um momento de transição demográfica" para o qual, assegura, "temos de nos preparar, de forma a ir ao encontro das necessidades de pessoas mais velhas e sós". Nesse sentido, o coordenador da Santa Casa considera que, em primeira instância, "cabe a cada cidadão estar atento ao que se passa à sua volta e ajudar o melhor possível" aqueles que não têm a seu lado ninguém a quem possam recorrer.

Também Jorge Carrilho, chefe da Polícia de Segurança Pública (PSP), apela "à consciencialização dos cidadãos para esta problemática". O responsável revelou ainda que a PSP tem acompanhado "os técnicos da Santa Casa no trabalho de auxílio às pessoas mais desprotegidas, não só àquelas com mais de 65 anos como noutros casos, onde existem carências económicas e sociais".

Tanto a PSP como a SCML são, de resto, duas das entidades integrantes do Projeto Radar, um plano de intervenção comunitário, desenvolvido em Lisboa, com o intuito de ajudar os idosos e de alertar a comunidade precisamente para a importância de atender aos seus problemas. Deste modo, segundo Mário Rui André, "é possível chegar às pessoas que estão isoladas e acompanhá-las, evitando que continuem a existir situações críticas de gente que falece em casa e, às vezes, só se dá por ela passados dois ou três meses, o que nos devia deixar a todos envergonhados".

Censos 2022

Operação Censos Sénior 2022 revelou que existem, em Portugal, mais de 44 mil idosos em situação de isolamento.

Cenário alarmante

Segundo a OMS, Portugal é um dos cinco países europeus que menos investem no bem-estar dos seus idosos.

Velho Continente

Mais de um quinto da população da União Europeia tem 65 anos ou mais. Itália é o país mais envelhecido.

Projeto Radar

Iniciativa conta com 33 mil idosos integrados e 3700 radares comunitários (voluntários, comércio local ou vizinhos).

Policiamento de proximidade

Desde 2006 que a PSP tem em curso um programa que visa o contacto mais próximo com os cidadãos desfavorecidos.

28.10.22

Combater o isolamento dos mais idosos

Ana Margarida Azevedo, opinião, in DN

O envelhecimento populacional é um desafio global comum e está prestes a tornar-se na grande transformação social do século XXI, com implicações transversais a todos os setores da sociedade: no mercado laboral, na procura de bens e serviços como a saúde ou a habitação, na proteção social, nas estruturas familiares e laços interrelacionais.

Atualmente, 22% da população portuguesa tem 65 ou mais anos. Prevê-se que, em 2060, esta percentagem atinja os 36%, o que representa quase quatro milhões de portugueses, ou seja, em menos de 40 anos, quase duplicará o número de idosos no nosso país.

Face a esta nova estrutura demográfica e aos problemas sociais que dela advêm, a Fundação Ageas, fundação corporativa integrada no universo do Grupo Ageas Portugal, tem vindo a apoiar diversos projetos no domínio do combate à solidão e promoção de envelhecimento ativo, bem como na melhoria da rede de apoio ao cuidador.

Alguns desses projetos são de base local e possuem intervenções de proximidade junto da comunidade, enquanto outros possuem já modelos de replicabilidade e escalabilidade, levando a que a própria Fundação tenha inovado a sua abordagem à filantropia para melhor as apoiar. Ilustro essa atuação com projetos que têm tido maior visibilidade como o "Pedalar Sem Idade" cuja intervenção já abrange quatro cidades, os "Palhaços d"Opital" que levam sorrisos e alegria aos seniores que se encontram em ambiente hospitalar; ou o projeto "55+" com vista à dinamização ativa de pessoas com um capital de experiência enorme e que desejam permanecer ativas e criar laços com a comunidade.

Aprender com os seniores

Um dos principais desafios da terceira idade é o isolamento e abandono a que muitas vezes está sujeita. E não falamos apenas de seniores que não têm família direta; falamos também de quem, apesar de ter família próxima, não tem uma visita, um telefonema, um programa lúdico com aqueles de quem mais gosta. Seja porque "não há tempo", ou simplesmente porque é precisa paciência, empatia e carinho, e muitas são as famílias que se esquecem que é um privilégio poder conviver com pessoas mais velhas e experientes.

É uma convivência que traz benefícios para todos, sejam familiares, amigos ou vizinhos. Partilhar vivências, histórias, demonstrar interesse, fazer perguntas, são pequenos gestos que enriquecem os mais novos e ajudam os mais idosos a sentirem-se úteis e com interesse. Cria também vínculos sociais, tão importantes no contexto da sociedade individualista em que se vive atualmente.

Como combater o isolamento social

Há pequenos gestos que podem ajudar a melhorar a vida dos mais velhos e a fazer com que estes se sintam parte ativa da sociedade, sobretudo, evitando o seu isolamento social.

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Atividades de grupo: dar uma voltinha pela vizinhança frequentar um parque, café, ou uma universidade sénior ou centro de dia, pode manter as relações de amizade e proximidade que fazem companhia e reduzem o tempo em que se está sozinho.


Atividade desportiva: respeitando a condição física de cada um e, de preferência, acompanhado por um profissional de saúde, a atividade física moderada ajuda a manter o corpo mais forte e são, promovendo, ao mesmo tempo, o convívio social. Caminhadas ao ar livre, a hidroginástica ou o mesmo pilates são algumas das atividades mais aconselhadas para a terceira idade.

Tecnologia: pode ser benéfica - evita o isolamento social, pois permite a comunicação mais fácil com amigos e familiares; possibilita que se mantenham a par da atualidade; estimulam, a partir de jogos, atividades cerebrais, prevenindo lapsos de memória e o avanço de algumas doenças neurológicas associadas a uma idade mais avançada.

Hobbies: a oferta é cada vez mais variada e deve ser incentivada - seja aprender uma língua nova, estudar história universal ou fazer um curso de teatro, culinária ou mesmo música. Aprender algo novo é sinónimo de ginástica cerebral em qualquer idade e é extremamente importante para os seniores.

Olhar para o envelhecimento como uma evolução natural e um momento privilegiado da vida é essencial para combater o preconceito da velhice. Os idosos não devem ser vistos como pessoas frágeis, com tratamento infantilizado, e pouco úteis, mas, ao invés, como um ativo importante da sociedade, uma parte essencial da nossa população e um riquíssimo reservatório de conhecimento e sabedoria. Cada um de nós tem uma história particular e intransferível que deve ser respeitada e valorizada.

Envelhecer é natural, e felizmente os cuidados de saúde aumentam a nossa esperança de vida, então é importante que saibamos envelhecer bem.



Secretária-Geral da Fundação Ageas

20.4.21

Projeto recorre a um "tablet" e ajuda a combater a solidão de idosos em Coimbra

in o Observador

"Há muitos idosos a morar sozinhos na baixa e que precisavam de um acompanhamento de proximidade. Este projeto surge para dinamizar o dia-a-dia deles e criar alguma atividade", explica a responsável.

▲O projeto está a ser implementado no terreno pela Associação Cozinhas Económicas Rainha Santa Isabel (ACERSI), com a distribuição de "tablets" junto de 20 idosos, a maioria a morar na baixa de Coimbra

O projeto ACERSI Cuida+ começou há cerca de um mês a distribuir “tablets” por idosos de Coimbra, com o dispositivo eletrónico a transformar-se numa espécie de companhia e numa forma de minimizar a solidão vincada pela pandemia.


Rosalina Bernardo, de 81 anos, a morar na baixa de Coimbra, esquece a conversa que estava a ter e concentra-se no jogo de memória que tem à sua frente, num “tablet”. “Eu adoro isto. Isto é tão bom, tão bom”, disse à agência Lusa a mulher que mora sozinha e que foi a primeira a receber o equipamento.

O projeto, financiado pelo BPI e Fundação La Caixa a partir da Iniciativa Social Descentralizada, está a ser implementado no terreno pela Associação Cozinhas Económicas Rainha Santa Isabel (ACERSI), com a distribuição de “tablets” junto de 20 idosos, a maioria a morar na baixa de Coimbra.

Na aplicação, é possível ouvir músicas, ver filmes, jogar jogos, fazer videochamadas com familiares, ver o terço ou acompanhar a missa em Fátima e no Vaticano ou ainda acionar um botão de emergência associado à equipa da ACERSI.