Rita Neto, in Sapo25
A taxa de emprego das mulheres na União Europeia aumentou para 67% em 2018, mas continua a ser inferior à dos homens, que está nos 78%, refere o Eurostat.
A taxa de emprego do sexo feminino aumentou na média da União Europeia (UE), mas continua abaixo da taxa do sexo masculino, refere o Eurostat. Em média, a disparidade salarial é de 12 pontos percentuais (p.p.). Na lista de todos os Estados-membros, Portugal se encontra a meio da tabela, com uma disparidade salarial de sete p.p. entre homens e mulheres.
A disparidade salarial entre géneros diminuiu em toda a UE em 2018, mas as mulheres continuam a sair prejudicadas face aos homens. Nesse ano, refere o Eurostat, a taxa de emprego das mulheres era de 67% nas mulheres, face aos 78% dos homens. Ou seja, uma diferença de 12 p.p., maior em um p.p. do que no ano anterior e em cinco p.p. do que na última década.
Entre todos os Estados-membros da UE, a Suécia é aquele que apresenta a maior taxa de emprego para as mulheres: 80%. Atrás aparece a Lituânia (77%) e a Alemanha (76%). Na ponta oposta da tabela, com as percentagens mais baixas, está a Grécia (49%), Itália (53%) e a Croácia (60%). Fora da UE, destaque para a Irlanda, que apresenta uma taxa de emprego das mulheres de 83%.
Contudo, a disparidade salarial mais baixa é observada na Lituânia, ou seja, apenas quatro pontos percentuais: 80% nas mulheres para 84% nos homens.
Portugal com melhor desempenho do que média da UE
Face a estes números, Portugal apresenta um desempenho mais positivo, uma vez que a disparidade salarial é de sete pontos percentuais: a taxa de emprego das mulheres é de 72,1% face à taxa de 78,9% dos homens. Em 2017 a diferença tinha sido semelhante: 69,8% para as mulheres e 77,3% para os homens.
Os números revelados esta sexta-feira pelo Ministério do Trabalho mostram que a diferença salarial entre homens e mulheres caiu 80 cêntimos para 148,9 euros em 2018. A remuneração base média mensal registada foi de 1.034,9 euros para os homens, enquanto a das mulheres foi de 886 euros, uma diferença de 148,9 euros, menos 80 cêntimos do que em 2017.
Tendo em conta os setores, a disparidade salarial ajustada varia entre um mínimo de 6,9% nas atividades administrativas e dos serviços de apoio e um máximo de 40,8% nas atividades dos organismos internacionais e outras instituições extraterritoriais, sendo que metade dos setores estão abaixo da média global de 11,1%.
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12.3.20
15.1.13
Divergência salarial entre homens e mulheres baixou, mas não de forma estrutural, alerta Bruxelas
Pedro Crisóstomo,in Público online
O peso da mão-de-obra qualificada aumentou mais entre as mulheres do que entre os homens entre 2008 e 2010.
As disparidades salariais entre homens e mulheres na União Europeia (UE) diminuíram entre 2008 e 2010, não por se ter registado uma melhoria estrutural no mercado de trabalho, mas sobretudo pela deterioração das condições económicas em sectores onde predomina a mão-de-obra masculina, nota a Comissão Europeia.
Na Análise Trimestral do Emprego e da Situação Social na União Europeia, divulgada nesta segunda-feira, o executivo comunitário adverte que a redução das disparidades naquele período não é estrutural. Por ser um declínio “de natureza temporária”, esta é uma tendência que poderá inverter-se quando houver uma melhoria das condições económicas.
Segundo o relatório, a diminuição das disparidades deveu-se principalmente ao facto de os sectores tradicionalmente masculinos, como a indústria e a construção, terem “perdido terreno” por causa da crise económica, com consequências para a força de trabalho que neles é a maioria. A indústria, por exemplo, é um dos sectores que mais contribuem para as disparidades salariais entre homens e mulheres. Como foi um dos que mais sofreram o impacto da crise económica, diz a Comissão, é um dos que mais contribuíram para a degradação das condições da força de trabalho masculina.
As mudanças positivas observadas na composição das habilitações académicas da mão-de-obra masculina e feminina também terão o seu peso na redução das disparidades (que baixou de 17,3% para 16,2% em 2010). Mas a conclusão da Comissão Europeia é de que isto não foi determinante, tendo havido uma convergência salarial feita à custa da degradação do mercado de trabalho – e não o seu contrário. Tendências que, diz a Comissão Europeia, “podem ser invertidas assim que a crise terminar” – se os sectores que historicamente mais agravam as disparidades salariais de género voltarem a crescer sem a preocupação de ser eliminado este fosso no mercado de trabalho.
Um relatório da Comissão de 2002, recordado na análise agora conhecida, alertava para a marginalização das mulheres em determinadas áreas profissionais, com uma elevada concentração feminina em ocupações com salários mais baixos e “considerados muitas vezes sectores e ocupações com baixa produtividade”.
O peso da mão-de-obra qualificada aumentou mais entre as mulheres do que entre os homens: enquanto a formação superior das mulheres aumentou em termos nominais 7% entre 2008 e 2010, nos homens a progressão foi de 4%.
Ao mesmo tempo, ao trabalho temporário estão associadas expectativas salariais mais baixas. E como o emprego temporário estabilizou entre os homens e diminuiu entre as mulheres, também este deve ser um factor importante a ter em conta, sustenta ainda a Comissão.
Para além do “ajustamento” dos sectores dominados por homens, como lhe chama a Comissão, estes dados devem ser lidos à luz da evolução do mercado de trabalho entre os jovens, que “tende a ser relativamente mais forte entre os homens”, e o aumento do emprego em tempo parcial.
O peso da mão-de-obra qualificada aumentou mais entre as mulheres do que entre os homens entre 2008 e 2010.
As disparidades salariais entre homens e mulheres na União Europeia (UE) diminuíram entre 2008 e 2010, não por se ter registado uma melhoria estrutural no mercado de trabalho, mas sobretudo pela deterioração das condições económicas em sectores onde predomina a mão-de-obra masculina, nota a Comissão Europeia.
Na Análise Trimestral do Emprego e da Situação Social na União Europeia, divulgada nesta segunda-feira, o executivo comunitário adverte que a redução das disparidades naquele período não é estrutural. Por ser um declínio “de natureza temporária”, esta é uma tendência que poderá inverter-se quando houver uma melhoria das condições económicas.
Segundo o relatório, a diminuição das disparidades deveu-se principalmente ao facto de os sectores tradicionalmente masculinos, como a indústria e a construção, terem “perdido terreno” por causa da crise económica, com consequências para a força de trabalho que neles é a maioria. A indústria, por exemplo, é um dos sectores que mais contribuem para as disparidades salariais entre homens e mulheres. Como foi um dos que mais sofreram o impacto da crise económica, diz a Comissão, é um dos que mais contribuíram para a degradação das condições da força de trabalho masculina.
As mudanças positivas observadas na composição das habilitações académicas da mão-de-obra masculina e feminina também terão o seu peso na redução das disparidades (que baixou de 17,3% para 16,2% em 2010). Mas a conclusão da Comissão Europeia é de que isto não foi determinante, tendo havido uma convergência salarial feita à custa da degradação do mercado de trabalho – e não o seu contrário. Tendências que, diz a Comissão Europeia, “podem ser invertidas assim que a crise terminar” – se os sectores que historicamente mais agravam as disparidades salariais de género voltarem a crescer sem a preocupação de ser eliminado este fosso no mercado de trabalho.
Um relatório da Comissão de 2002, recordado na análise agora conhecida, alertava para a marginalização das mulheres em determinadas áreas profissionais, com uma elevada concentração feminina em ocupações com salários mais baixos e “considerados muitas vezes sectores e ocupações com baixa produtividade”.
O peso da mão-de-obra qualificada aumentou mais entre as mulheres do que entre os homens: enquanto a formação superior das mulheres aumentou em termos nominais 7% entre 2008 e 2010, nos homens a progressão foi de 4%.
Ao mesmo tempo, ao trabalho temporário estão associadas expectativas salariais mais baixas. E como o emprego temporário estabilizou entre os homens e diminuiu entre as mulheres, também este deve ser um factor importante a ter em conta, sustenta ainda a Comissão.
Para além do “ajustamento” dos sectores dominados por homens, como lhe chama a Comissão, estes dados devem ser lidos à luz da evolução do mercado de trabalho entre os jovens, que “tende a ser relativamente mais forte entre os homens”, e o aumento do emprego em tempo parcial.
9.7.12
“Diferença de salário entre homens e mulheres torna economia mais pobre”
Por Ana Rute Silva, in Público on-line
Quando a discrepância salarial não é justificada pela produtividade, um país perde dinheiro, afirma o professor e investigador José A. Tavares.
José A. Tavares, 46 anos, analisou os custos da discriminação salarial entre homens e mulheres, em conjunto com Tiago Cavalcanti, professor na Universidade de Cambridge. O professor associado da Universidade Nova de Lisboa, investigador do Centre for Economic Policy Research, em Londres, e membro do conselho científico da Fundação Francisco Manuel dos Santos, acredita que o aumento do desemprego e a pressão para baixar salários pode reduzir a desigualdade de ordenados, mas “pelas piores razões”. Ter uma economia com ordenado mínimo e igual para todos não é o modelo a seguir.
Na União Europeia as mulheres ganham em média menos 17,5% do que os homens. Quanto é que custa esta desigualdade?
O maior custo é o custo social associado à discriminação. São custos diários e comezinhos, como o facto de as mulheres terem uma proporção mais elevada das tarefas domésticas a seu cargo. Mas se falarmos a nível económico, de um ponto de vista macro, verificamos que há economias onde esses custos explicam grande parte da diferença de produtividade e de produto por trabalhador em relação a outros países, como os Estados Unidos. Essas são as sociedades que mais discriminam e não são, em geral, europeias. São sobretudo do Médio Oriente e algumas só não são pobres porque têm a bonança do petróleo.
Nos países onde hoje se verifica uma grande crescimento económico, como o Brasil e a China, detectaram alguma diminuição da desigualdade salarial?
Olhamos mais para experiências de longo prazo, mas o que se sabe é que os países emergentes têm em geral grandes taxas de criação de empresas. O Brasil é mais empreendedor do que os EUA. Países muito pobres da África subsariana são muito mais empreendedores do que o Japão. É uma reacção à falta de instituições de governo da sociedade. A boa notícia é que quando há mais empreendedorismo, há uma maior participação das mulheres. Numa sociedade desenvolvida, como a portuguesa, as mulheres são uma minoria de empreendedores. Nas menos desenvolvidas acaba por ser uma forma de emancipação.
Podemos dividir o mundo por blocos? Quanto mais desenvolvido menos desigualdade salarial?
A discriminação está associada a várias coisas, nomeadamente a questões culturais. Em geral, em países mais desenvolvidos há menos discriminação salarial. O empreendedorismo de que falámos pode até ser uma compensação dessa realidade, mas parcial. A verdade é que se pode explicar a mudança de atitude dos homens por questões de desenvolvimento. Ou seja, se o parceiro decide que não é apropriado a parceira trabalhar, isso implica um custo de rendimento para o casal. Se a economia é mais desenvolvida, o custo é mais alto.
Porque há um patamar de produtividade maior, conseguido por mais mulheres integradas no mercado de trabalho?
Ter uma pessoa em casa tem um maior custo de oportunidade. Mesmo que culturalmente uma sociedade seja inclinada a discriminar, felizmente à medida que a economia seja mais produtiva e rica, os agentes que discriminam pensam duas vezes. A cultura também é endógena. Se pensarmos na Primavera Árabe, por exemplo, na Tunísia, se as mulheres começarem a ter mais poder isso vai alterar a atitude da sociedade e tornará a economia mais robusta.
No estudo que fez com Tiago Cavalcanti concluiu que um aumento de 50% no desequilíbrio salarial reduz 25% o rendimento per capita. Como chegaram a esta conclusão?
O nosso modelo explica três variáveis: o crescimento, a natalidade e participação feminina. A discriminação é uma variável que não explicamos. Modelamos esta economia como se fosse a economia americana, ou seja, os dados que usamos como referência (como a taxa de juro ou de progresso tecnológico) são dos EUA. Tendo essa base, colectámos, por exemplo, o índice de discriminação de um país como o Egipto e colocámo-lo na simulação da economia americana. É como ter uma economia em tudo americana excepto na discriminação de género, que é a do Egipto. Resultado: altera-se o crescimento económico, a natalidade e a participação. A discriminação de género da Arábia Saudita, por exemplo, levaria uma economia como a americana a níveis de produto inferiores ao observado para esse país do Médio Oriente.
Como se posiciona Portugal face a outros países?
Portugal surge como um dos países em que a discriminação de género “explica” menos. E, de facto, se olharmos as duas consequências de discriminação de género no nosso modelo (baixa participação laboral feminina e alta fertilidade) não são características da nossa economia. Por outro lado, a nossa diferença de rendimento em relação ao país de referência, os Estados Unidos, é demasiado elevada para que um factor tão parcelar como a discriminação “conte grande parte da história”. Com a Espanha e a Itália é diferente, evidenciam maiores perdas com a discriminação, que explica uma parte substancial do seu menor produto per capita em relação aos Estados Unidos da América.
O ganho médio mensal das mulheres portuguesas corresponde a 79% do valor pago aos homens. Esta realidade prejudica o desenvolvimento económico do país?
Historicamente Portugal tem níveis de participação mais elevados do que países com o mesmo nível de desenvolvimento. Há a comparação clássica com a Espanha. São culturas semelhantes mas em Espanha a participação das mulheres é menos elevada. Nesse sentido, Portugal tem um menor custo de discriminação. O facto de a imigração ter sido mais intensa cá, ou a Guerra Colonial, podem ajudar a explicar esta diferença em relação a Espanha.
Há também dados que indicam que quanto mais qualificadas, maior é a desigualdade salarial face aos homens.
Tem também a ver com progressões de carreira, interrompida pela gravidez por exemplo. Essa desigualdade tem a ver com discriminação.
Portugal conseguiria ter uma economia mais robusta se diminuísse o gap salarial?
A diferença salarial relacionada com a produtividade (quer seja entre homens e mulheres, quer entre os trabalhadores em geral) faz parte do funcionamento geral da economia. O que chamamos de discriminação são diferenças que não têm a ver com produtividade. Ou seja, entre uma mulher e um homem igualmente produtivos, a mulher recebe um salário menor. Sempre que isto acontece, é o mesmo que deitar dinheiro à rua. Sempre que há uma diferença de salário sem diferença de produtividade a economia está a tornar-se mais pobre.
Que consequências práticas é que isso provoca?
Se uma mulher tem uma produtividade de 100 e só é paga a 50 e vive num país onde há muita discriminação, pensará duas vezes se quer trabalhar ou não. E ao não trabalhar está a diminuir o produto da economia. Esta mulher estava disposta a trabalhar por 100. Além, claro, das questões de motivação. Se ao longo dos anos, as mulheres verificam que a sua progressão não é a mesma dos homens, desmotivam-se.
O aumento do desemprego, a quebra de rendimento e a pressão para aceitar salários mais baixos podem fazer reduzir a diferença salarial em Portugal?
Pode atenuar-se pelas piores razões. A discriminação não deve ser encarada isoladamente. Se uma economia for feita só de pobres a desigualdade é mínima, mas não é esta a sociedade que queremos. Se tivermos uma economia onde todos ganhem o salário mínimo não há discriminação entre homens e mulheres, mas não é isso que queremos. É preciso equilíbrio.
Quando a retoma chegar, chegará mais para os homens?
A longo prazo, a boa notícia é que a diferença salarial tende a diminuir. As pessoas trabalham mais, há menos discriminação, logo há mais produtividade. Um trabalho muito interessante feito por uma economista da Universidade de Nova Iorque mostra que às vezes há choques culturais que mudam a discriminação. Quando os americanos participaram na II Guerra Mundial, as mulheres foram chamadas a participar. Os homens que observaram as suas mães irem para o mercado de trabalho durante a guerra discriminaram menos.
20.6.12
Portugal teve o segundo maior aumento da diferença salarial entre homens e mulheres
in Público on-line
A diferença salarial entre homens e mulheres aumentou 3,6% em Portugal entre 2008 e 2010, a segunda maior subida nos 27 países da União Europeia, revela a Agência da UE para os Direitos Fundamentais (FRA).
O relatório anual da agência, que é apresentado ao Parlamento Europeu esta tarde, avança que a diferença salarial entre homens e mulheres diminuiu 1% na União Europeia entre 2008 e 2010, mas as mulheres ainda recebem, em média, menos 16,4% do que os homens.
Em Portugal, essa diferença ronda os 13%, o que coloca o país em oitavo lugar dos mais igualitários, embora a evolução entre 2008 e 2010 seja negativa.
As menores diferenças encontram-se na Eslovénia (4,4%), Itália (5,5%) e Malta (6,1%), ao passo que as maiores disparidades estão na Áustria (25,5%), República Checa (25,5%) e na Alemanha (23,1%).
Entre os 27 Estados-membros, apenas sete registaram aumentos da diferença salarial e os piores foram a Letónia (4,2%), Portugal (3,6%), a Roménia (3,5%) e a Bulgária (2,1%).
Dos 15 países que registaram reduções da diferença salarial, os melhores foram a Lituânia (-7%), a Eslovénia (-4,1%), Malta (-2,5%) e o Reino Unido.
A Comissão Europeia, lembra a FRA num relatório anterior, alertava, em 2009, para as “persistentes” diferenças salariais entre homens e mulheres e disparidades em matéria de taxa de emprego ou número de horas trabalhadas. E considerava, segundo a agência, que “a dimensão do género deve ser reforçada em todas as esferas da sociedade”.
O relatório anual analisa a situação dos direitos fundamentais na União Europeia a quatro níveis – liberdades, igualdade, direitos dos cidadãos e justiça. Portugal foi, em 2011, o oitavo país com mais violações do direito de acesso à justiça, registando 27 julgamentos em que o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH) identificou pelo menos uma dessas violações.
Quase metade (13) desses 27 casos tem a ver com a duração excessiva do processo, um problema que, segundo disse à Lusa o director da agência, afecta muitos outros países europeus. “Mas também sei, depois de visitar Portugal [na semana passada], que a ministra da Justiça tomou medidas sérias para lidar com este assunto”, disse Morten Kjaerum.
Outra área em que Portugal surge mal classificado pelo relatório é o da recolha de dados sobre crimes racistas, já que o país está entre os dez países com “informação limitada”, ou seja, onde a recolha de dados é limitada a poucos incidentes e não é geralmente publicada.
Nos países mais bem classificados – Finlândia, Holanda, Suécia e Reino Unido – as autoridades registam as motivações dos crimes racistas, as características das vítimas e dos agressores, que tipo de crime foi cometido, além de que os dados são divulgados publicamente.
Portugal é citado no mesmo documento por boas práticas, como por exemplo, o IV Plano Nacional contra a Violência Doméstica, por considerar que os cidadãos LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais) merecem “especial atenção” e requerem “uma intervenção específica e inovadora”.
Também o IV Plano Nacional para a Igualdade, Género, Cidadania e não Discriminação é elogiado, por identificar a “orientação sexual e a identidade de género” como um domínio estratégico, definindo medidas de sensibilização dirigidas para o público em geral e também para profissionais como os políticos, funcionários públicos, profissionais de saúde, educação e assistentes sociais. Outro exemplo português destacado é a campanha “May I Help You”, da Associação de Apoio à Vítima, que visa informar e apoiar turistas vítimas de crime ou violência no país.
O relatório recorda ainda a legislação adoptada no ano passado pelas autoridades portuguesas para facilitar o procedimento de mudança de sexo e de nome próprio no registo civil.
A diferença salarial entre homens e mulheres aumentou 3,6% em Portugal entre 2008 e 2010, a segunda maior subida nos 27 países da União Europeia, revela a Agência da UE para os Direitos Fundamentais (FRA).
O relatório anual da agência, que é apresentado ao Parlamento Europeu esta tarde, avança que a diferença salarial entre homens e mulheres diminuiu 1% na União Europeia entre 2008 e 2010, mas as mulheres ainda recebem, em média, menos 16,4% do que os homens.
Em Portugal, essa diferença ronda os 13%, o que coloca o país em oitavo lugar dos mais igualitários, embora a evolução entre 2008 e 2010 seja negativa.
As menores diferenças encontram-se na Eslovénia (4,4%), Itália (5,5%) e Malta (6,1%), ao passo que as maiores disparidades estão na Áustria (25,5%), República Checa (25,5%) e na Alemanha (23,1%).
Entre os 27 Estados-membros, apenas sete registaram aumentos da diferença salarial e os piores foram a Letónia (4,2%), Portugal (3,6%), a Roménia (3,5%) e a Bulgária (2,1%).
Dos 15 países que registaram reduções da diferença salarial, os melhores foram a Lituânia (-7%), a Eslovénia (-4,1%), Malta (-2,5%) e o Reino Unido.
A Comissão Europeia, lembra a FRA num relatório anterior, alertava, em 2009, para as “persistentes” diferenças salariais entre homens e mulheres e disparidades em matéria de taxa de emprego ou número de horas trabalhadas. E considerava, segundo a agência, que “a dimensão do género deve ser reforçada em todas as esferas da sociedade”.
O relatório anual analisa a situação dos direitos fundamentais na União Europeia a quatro níveis – liberdades, igualdade, direitos dos cidadãos e justiça. Portugal foi, em 2011, o oitavo país com mais violações do direito de acesso à justiça, registando 27 julgamentos em que o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH) identificou pelo menos uma dessas violações.
Quase metade (13) desses 27 casos tem a ver com a duração excessiva do processo, um problema que, segundo disse à Lusa o director da agência, afecta muitos outros países europeus. “Mas também sei, depois de visitar Portugal [na semana passada], que a ministra da Justiça tomou medidas sérias para lidar com este assunto”, disse Morten Kjaerum.
Outra área em que Portugal surge mal classificado pelo relatório é o da recolha de dados sobre crimes racistas, já que o país está entre os dez países com “informação limitada”, ou seja, onde a recolha de dados é limitada a poucos incidentes e não é geralmente publicada.
Nos países mais bem classificados – Finlândia, Holanda, Suécia e Reino Unido – as autoridades registam as motivações dos crimes racistas, as características das vítimas e dos agressores, que tipo de crime foi cometido, além de que os dados são divulgados publicamente.
Portugal é citado no mesmo documento por boas práticas, como por exemplo, o IV Plano Nacional contra a Violência Doméstica, por considerar que os cidadãos LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais) merecem “especial atenção” e requerem “uma intervenção específica e inovadora”.
Também o IV Plano Nacional para a Igualdade, Género, Cidadania e não Discriminação é elogiado, por identificar a “orientação sexual e a identidade de género” como um domínio estratégico, definindo medidas de sensibilização dirigidas para o público em geral e também para profissionais como os políticos, funcionários públicos, profissionais de saúde, educação e assistentes sociais. Outro exemplo português destacado é a campanha “May I Help You”, da Associação de Apoio à Vítima, que visa informar e apoiar turistas vítimas de crime ou violência no país.
O relatório recorda ainda a legislação adoptada no ano passado pelas autoridades portuguesas para facilitar o procedimento de mudança de sexo e de nome próprio no registo civil.
3.3.12
Mulheres ganham em média menos 16,4% do que os homens
in Jornal de Notícias
As mulheres na União Europeia ganham, em média 16,4% menos do que os homens, apresentando Portugal uma diferença salarial de 12,8%, segundo dados divulgados esta sexta-feira pela Comissão Europeia, em Bruxelas.
O pior exemplo vem da Estónia, onde as mulheres ganham menos 27,6% do que os homens, e o melhor da Polónia, com uma diferença de 1,9%, segundo dados da Comissão Europeia no Dia Europeu da Igualdade Salarial.
"O Dia Europeu da Igualdade Salarial chama a atenção para os dias e horas que as mulheres têm estado a trabalhar 'de graça' desde 1 de janeiro. O princípio do salário igual para trabalho igual está consagrado nos Tratados da UE desde 1957. É mais do que altura de ser posto em prática em todo o lado", disse a vice-presidente da Comissão e Comissária da Justiça Viviane Reding.
A comissão destaca, no entanto, que Portugal é um dos Estados-membros - a par da Bulgária, França, Letónia, Hungria e Roménia - onde as disparidades salariais estão a aumentar.
As disparidades divulgadas esta sexta-feira são calculadas com base em dados de 2010 do gabinete de estatísticas da União Europeia, Eurostat.
As mulheres na União Europeia ganham, em média 16,4% menos do que os homens, apresentando Portugal uma diferença salarial de 12,8%, segundo dados divulgados esta sexta-feira pela Comissão Europeia, em Bruxelas.
O pior exemplo vem da Estónia, onde as mulheres ganham menos 27,6% do que os homens, e o melhor da Polónia, com uma diferença de 1,9%, segundo dados da Comissão Europeia no Dia Europeu da Igualdade Salarial.
"O Dia Europeu da Igualdade Salarial chama a atenção para os dias e horas que as mulheres têm estado a trabalhar 'de graça' desde 1 de janeiro. O princípio do salário igual para trabalho igual está consagrado nos Tratados da UE desde 1957. É mais do que altura de ser posto em prática em todo o lado", disse a vice-presidente da Comissão e Comissária da Justiça Viviane Reding.
A comissão destaca, no entanto, que Portugal é um dos Estados-membros - a par da Bulgária, França, Letónia, Hungria e Roménia - onde as disparidades salariais estão a aumentar.
As disparidades divulgadas esta sexta-feira são calculadas com base em dados de 2010 do gabinete de estatísticas da União Europeia, Eurostat.
Portugueses consideram disparidade salarial por género um problema grave
in Jornal de Notícias
Quase metade dos portugueses pensa que a disparidade salarial de 16,4%% entre homens e mulheres na União Europeia é um problema grave e 65% defende que seja a UE a encontrar soluções para a situação.
De acordo com um estudo de opinião do Eurobarómetro, em que foram entrevistados 25.539 cidadãos da União Europeia, entre os quais 1.003 portugueses, estes estão um pouco mais otimistas que os seus congéneres europeus relativamente às disparidades salariais entre homens e mulheres.
O estudo só será divulgado na integra na próxima semana, antes do dia internacional da mulher.
A parte divulgada esta sexta-feira pela delegação do Parlamento Europeu em Lisboa a propósito do "Dia Europeu da Igualdade Salarial", mostra que 46% dos portugueses considera grave a disparidade salarial entre homens e mulheres e 18% considera-a muito grave.
Dos cidadãos da UE, 46% consideram a diferença salarial grave e 23% consideram-na muito grave.
Dos inquiridos, 26% dos portugueses consideraram a diferença salarial pouco grave assim como 21% dos cidadãos da UE.
Quanto à resolução do problema, 65% dos portugueses inquiridos consideram que a solução deve partir da UE e 24% consideram que deve ser encontrada a nível nacional.
Do total dos inquiridos, 47% defendem uma solução ao nível da UE e 38% a nível nacional.
O princípio do salário igual para trabalho igual está consagrado nos Tratados da UE desde 1957.
Segundo a Comissão Europeia, Portugal é um dos Estados-membros - a par da Bulgária, França, Letónia, Hungria e Roménia - onde as diferenças salariais entre homens e mulheres têm vindo a aumentar.
Quase metade dos portugueses pensa que a disparidade salarial de 16,4%% entre homens e mulheres na União Europeia é um problema grave e 65% defende que seja a UE a encontrar soluções para a situação.
De acordo com um estudo de opinião do Eurobarómetro, em que foram entrevistados 25.539 cidadãos da União Europeia, entre os quais 1.003 portugueses, estes estão um pouco mais otimistas que os seus congéneres europeus relativamente às disparidades salariais entre homens e mulheres.
O estudo só será divulgado na integra na próxima semana, antes do dia internacional da mulher.
A parte divulgada esta sexta-feira pela delegação do Parlamento Europeu em Lisboa a propósito do "Dia Europeu da Igualdade Salarial", mostra que 46% dos portugueses considera grave a disparidade salarial entre homens e mulheres e 18% considera-a muito grave.
Dos cidadãos da UE, 46% consideram a diferença salarial grave e 23% consideram-na muito grave.
Dos inquiridos, 26% dos portugueses consideraram a diferença salarial pouco grave assim como 21% dos cidadãos da UE.
Quanto à resolução do problema, 65% dos portugueses inquiridos consideram que a solução deve partir da UE e 24% consideram que deve ser encontrada a nível nacional.
Do total dos inquiridos, 47% defendem uma solução ao nível da UE e 38% a nível nacional.
O princípio do salário igual para trabalho igual está consagrado nos Tratados da UE desde 1957.
Segundo a Comissão Europeia, Portugal é um dos Estados-membros - a par da Bulgária, França, Letónia, Hungria e Roménia - onde as diferenças salariais entre homens e mulheres têm vindo a aumentar.
21.2.12
Mulheres ganham menos 20 por cento do que os homens, diz CGTP
in SicNotícias
As mulheres têm uma remuneração média 20 por cento inferior aos homens, indica uma nota da central sindical CGTP hoje divulgada a propósito do Dia Europeu da Igualdade Salarial e a realidade em Portugal.
A remuneração média mensal das mulheres é de 831 euros, enquanto nos homens sobe para 1.024 euros, especifica o comunicado para assinalar a efeméride que se celebra na quarta-feira.
Nos vencimentos mais baixos, as mulheres voltam também a ser discriminadas, já que há duas vezes mais trabalhadoras a ganhar o salário mínimo ou menos, acrescenta a nota feita a partir de estatísticas governamentais.
Neste caso a CGTP salienta que o ordenado mínimo (485 euros), depois de deduzidos os descontos, fica reduzido a 432 euros, valor abaixo do limiar da pobreza, fixado em 434 euros.
Também nas pensões, as mulheres recebem, em média, menos 40 por cento que os homens, ficando-se pelos 304 euros mensais contra 516 euros dos reformados masculinos.
O rendimento social de inserção é outro dos indicadores que a central sindical utiliza para ilustrar a desigualdade de rendimentos entre em mulheres e homens, já que mais de metade dos beneficiários (52,4 por cento) são do sexo feminino.
Perante esta realidade, "impõe-se, cada vez mais, a necessidade do crescimento real dos salários e das pensões, bem como o aumento imediato do salário mínimo nacional, como instrumentos fundamentais para reduzir as desigualdades, as discriminações, combater a pobreza e a exclusão social", defende a CGTP.
A central aproveita a ocasião para criticar as recentes declarações do cardeal Manuel Monteiro de Castro, a "lembrar tempos antigos "" quando afirmou que "se deve dar mais valor à mulher em casa".
"A falta de infra-estruturas de apoio à família obriga, por exemplo, a mulher a trabalhar mais 16 horas por semana, em trabalho não remunerado, de apoio à família", contrapõe a nota.
As mulheres têm uma remuneração média 20 por cento inferior aos homens, indica uma nota da central sindical CGTP hoje divulgada a propósito do Dia Europeu da Igualdade Salarial e a realidade em Portugal.
A remuneração média mensal das mulheres é de 831 euros, enquanto nos homens sobe para 1.024 euros, especifica o comunicado para assinalar a efeméride que se celebra na quarta-feira.
Nos vencimentos mais baixos, as mulheres voltam também a ser discriminadas, já que há duas vezes mais trabalhadoras a ganhar o salário mínimo ou menos, acrescenta a nota feita a partir de estatísticas governamentais.
Neste caso a CGTP salienta que o ordenado mínimo (485 euros), depois de deduzidos os descontos, fica reduzido a 432 euros, valor abaixo do limiar da pobreza, fixado em 434 euros.
Também nas pensões, as mulheres recebem, em média, menos 40 por cento que os homens, ficando-se pelos 304 euros mensais contra 516 euros dos reformados masculinos.
O rendimento social de inserção é outro dos indicadores que a central sindical utiliza para ilustrar a desigualdade de rendimentos entre em mulheres e homens, já que mais de metade dos beneficiários (52,4 por cento) são do sexo feminino.
Perante esta realidade, "impõe-se, cada vez mais, a necessidade do crescimento real dos salários e das pensões, bem como o aumento imediato do salário mínimo nacional, como instrumentos fundamentais para reduzir as desigualdades, as discriminações, combater a pobreza e a exclusão social", defende a CGTP.
A central aproveita a ocasião para criticar as recentes declarações do cardeal Manuel Monteiro de Castro, a "lembrar tempos antigos "" quando afirmou que "se deve dar mais valor à mulher em casa".
"A falta de infra-estruturas de apoio à família obriga, por exemplo, a mulher a trabalhar mais 16 horas por semana, em trabalho não remunerado, de apoio à família", contrapõe a nota.
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