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21.5.21

A “droga do século XXI” financia a cultura em Portugal

Susana Duarte, in Público on-line

Mais chocante é sabermos que a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa efectuou um estudo que revela que 76,6% dos jogadores de raspadinha pertencem à classe social baixa ou média-baixa. São estas as pessoas que vão financiar a falta de investimento deste Governo na cultura em Portugal?

No Dia Internacional dos Museus, que se celebrou a 18 de Maio, o Governo lançou, em parceria com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, a lotaria instantânea do património cultural, anunciada em Outubro de 2020. A Lotaria do Património Cultural, afirma o Governo, é uma raspadinha como outra qualquer. No entanto, a diferença está no beneficiário.

A verba arrecadada com a compra destas raspadinhas é integralmente atribuída ao Fundo de Salvaguarda do Património Cultural, destinando-se a despesas com intervenções de salvaguarda e valorização patrimonial.

Ora, que melhor maneira de homenagear a cultura do que apresentar o tão esperado financiamento? Será uma luz ao fundo do túnel para todos os que defendem 1% do Orçamento do Estado? Ou mesmo uma vitória para todos aqueles trabalhadores do sector que viveram um ano de 2020, e ainda atravessam um ano de 2021, com restrições ao acesso a cultura devido a pandemia?

Parece que não. Esta medida não só não vem colmatar as dificuldades que o sector atravessa, como não demonstra uma clara opção do Governo em financiar a cultura. Pelo contrário, alicia os portugueses a suportarem, mais uma vez, de uma nova forma, os custos da salvaguarda do património que é uma obrigação do Estado, passando assim, de certa forma, a responsabilizar a população por incentivar ou não este apoio.

Sabemos ainda que esta medida existe noutros países europeus, como França. Vale a pena reflectir que, segundo o Eurostat, a França aloca cerca de 1,1% à cultura, enquanto Portugal se fica pelos 0,6%. Não deveria o Governo estrear o apoio à cultura com um consistente financiamento e concepção estratégica para o sector, antes de avançar com medidas que deveriam ser apenas analisadas numa segunda fase de desenvolvimento desta estratégia?

Há notícias que mostram como o Centro de Apoio a Toxicodependentes (CAT) tem vindo a receber cada vez mais pedidos de ajuda relativos ao vício em raspadinha, sendo estas vistas por alguns psiquiatras como a “droga do século XXI”. Esta afecta principalmente as classes mais vulneráveis, sobretudo os idosos, que encaram um jogo como uma distracção e uma forma de ganhar dinheiro.

Mais chocante ainda é sabermos que a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa efectuou um estudo que revela que 76,6% dos jogadores de raspadinha pertencem à classe social baixa ou média-baixa. São estas as pessoas que vão financiar a falta de investimento deste Governo na cultura em Portugal?

Se for esta a ideia do Governo, tornar a cultura num vício, que seja para ser um “bom” vício de fruição e expansão da cultura para todos. Mas não para fazer depender o seu financiamento de um vício que intoxica a sociedade moderna e assim também a cultura em Portugal.

As dúvidas sobre esta medida são de tal ordem que o presidente do Conselho Económico e Social (CES), Francisco Assis, já fez saber que vai promover um estudo sobre o impacto social do vício da “raspadinha” e vai informar o Governo dos resultados. Ao que parece para tentar demover o Governo de dar continuidade a esta medida. Não deveriam soar alarmes? Pois parece que não, ou pelo menos para o Governo não há sinal de alarme ou dúvidas sobre a medida.

Assim, a partir de agora, está nas bancas a Lotaria do Património Cultural, a nova forma deste Governo financiar a cultura em Portugal. Retirando mais dinheiro dos contribuintes, principalmente aos mais pobres.

Num país em que muitos dos que irão contribuir para esta raspadinha continuam a não ir a um teatro, museu ou exposição por falta de capacidade económica e de literacia cultural, que claramente continua a não ser um objectivo para este Governo.

É caso para dizer: os pobres que paguem a crise. Neste caso, a crise da cultura em Portugal é paga por quem menos pode. A cultura merece muito mais, mais visão, mais investimento e mais respeito.


7.5.20

Portugueses gastaram quase mil milhões de euros em casinos online entre Janeiro e Março

in Público on-line

Trata-se de um crescimento de 58% no montante apostado, comparando com o mesmo período do ano passado — ou seja, mais 352 milhões de euros.

Os portugueses gastaram quase mil milhões de euros em apostas em casinos online entre Janeiro e Março deste ano, de acordo com as contas do Serviço de Regulação e Inspecção de Jogos, citadas pelo Jornal de Notícias (JN) desta quinta-feira.

Só no primeiro semestre de 2020, os portugueses gastaram 961 milhões de euros em jogos de fortuna ou azar virtuais. Trata-se de um crescimento de 58% no montante apostado, comparando com o mesmo período do ano passado — ou seja, mais 352 milhões de euros.

A receita das casas de aposta cresceu 47% (passando de 47 milhões para 70 milhões) e o valor em impostos arrecadados pelo Estado também aumentou: de 15 milhões para 21 milhões.

Para estes valores contribuíram, de acordo com o JN, o facto de existirem três novas entidades exploradoras de apostas e jogos de fortuna e azar com autorização para operar online. Este ano são 12 as entidades com autorização para operar.

O confinamento pode ter contribuído para este número, mas a análise não permite traçar grandes conclusões, uma vez que, dos 91 dias deste trimestre, apenas 15 foram passados em confinamento ao abrigo do estado de emergência declarado a 16 de Março.

O impacto do confinamento no jogo online são “dados que só vamos conhecer melhor no próximo trimestre”, disse Pedro Hubert, psicólogo e director do Instituto do Apoio ao Jogador, ao JN. “É possível e é provável que haja uma migração das apostas desportivas para o jogo de fortuna e azar.” A maior preocupação para este especialista continua a ser os casinos e casas de apostas ilegais, uma vez que não há qualquer forma de protecção do jogador.

Em Abril, o mesmo especialista tinha falado com o PÚBLICO e alertado para a possibilidade de se observar um aumento do jogo compulsivo durante o período de confinamento. Com os jogos de futebol suspensos e os casinos cada vez mais acessíveis, a aposta online torna-se uma hipótese para quem está tanto tempo fechado em casa. A esse cocktail junta-se ainda outro factor: o resultado da aposta é conhecido no mesmo minuto, o que pode ser o “gatilho” cerebral perfeito para viciar jogadores.

21.2.20

Estudo revela que raspadinhas estão a tornar-se vício preocupante em Portugal e apela a nova regulamentação

Helena Bento, in Expresso

Portugal é o país da Europa onde se gasta mais dinheiro em raspadinhas. Só em 2018 os portugueses gastaram quase 1,6 mil milhões de euros neste jogo - são mais de quatro milhões de euros por dia (há casos de portugueses a gastarem 500 euros em 24 horas). O problema tem sido “negligenciado” e urge impor medidas para regulamentar o jogo, diz ao Expresso o psiquiatra Pedro Morgado, autor do estudo publicado esta quinta-feira na revista “The Lancet Psychiatry”

Comprar raspadinhas para tentar ganhar dinheiro é um ato tão banal que quase já faz parte do quotidiano, mas um relatório divulgado esta quinta-feira, da autoria de dois investigadores da Escola de Medicina da Universidade do Minho, e publicado na revista internacional “The Lancet Psychiatry”, mostra uma realidade bem mais preocupante do que isso. Em 2018, os portugueses gastaram quase 1,6 mil milhões de euros em raspadinhas - 4,4 milhões por dia, em média. O número é, em si, muito elevado, mas ainda mais se comparado com dados de 2010, em que foram gastos 100 milhões de euros neste jogo. E também se comparado com países como Espanha, onde foram gastos cerca de 600 milhões de euros em 2018.

De acordo com Pedro Morgado, um dos autores do estudo, e psiquiatra no Hospital de Braga, Portugal é, aliás, o país da Europa onde se gasta mais dinheiro em raspadinhas per capita, correspondendo este valor a mais do dobro da média europeia. Uma das perguntas que se coloca de imediato é — mas porquê? E embora a resposta não seja definitiva, o problema pode ser justificado assim: “Em primeiro lugar, trata-se de um jogo facilmente acessível, sem qualquer controlo, um jogo popular e com boa imagem. Ou seja, ninguém se sente envergonhado por comprar raspadinhas”.

Outro aspeto tem que ver com a “falta de literacia sobre os riscos” deste jogo em concreto. “Não passa pela cabeça da maioria das pessoas que podem ficar viciadas”, diz o investigador, para quem o facto de se saber imediatamente qual o resultado do jogo, e se se ganhou um prémio ou não, “faz com que haja um maior potencial de vício e de adição”. Finalmente, há ainda a considerar aquilo a que se refere como o contributo dos meios de comunicação social para o problema. “São publicadas muitas, muitas notícias sobre casos concretos e que passam a ideia de que se pode ganhar muito gastando pouco, e isso ajuda a criar uma ideia distorcida da probabilidade de ganhar”, aponta.

“No caso das raspadinhas, não há quaisquer mecanismos para proteger as pessoas”
Pedro Morgado não tem dados sobre quantos portugueses compram, de facto, raspadinhas, e até admite que “possa haver um elevado número de pessoas que jogam muito” e que “a maioria das pessoas que joga não tem um problema de adição”. “Ainda assim, parece haver, em Portugal, uma maior apetência para este tipo de jogo no que no resto da Europa” e, por isso, “era expectável que entidades com responsabilidade neste jogo tivessem curiosidade em perceber se existem ou não problemas de dependência”.

Algo que, na realidade, não acontece porque “não existe nenhuma estratégia para entender por que razão os portugueses jogam tanto, nem foi ainda realizado qualquer estudo epidemiológico para perceber a magnitude do jogo patológico associado às raspadinhas”. “Tudo indica que o problema pode ser muito importante mas precisamos de o quantificar.” Além disso, diz, “não existem quaisquer medidas no sentido de controlar os problemas que podem derivar dessa adição”. Refere-se, em concreto, à possibilidade de criar um mecanismo que permita à pessoa autoexcluir-se de jogar, através, por exemplo, da criação de um cartão do jogador. “Eu não sou a favor da proibição”, esclarece, “mas sim a favor de se dar às pessoas a possibilidade de se excluírem de jogar, como acontece noutros jogos, como os jogos de casino, em que há um risco elevado de desenvolvimento de doença associada à dependência”.

No caso do jogo do casino, compara ainda, “também não há estudos epidemiológicos que permitam perceber qual a dimensão do problema, mas os doentes com um problema de jogo patológico podem requerer inibição de entrar nesses locais”. “Neste caso não há mesmo quaisquer mecanismos para proteger as pessoas e as pessoas que atendo no consultório não conseguem controlar o acesso às raspadinhas dos seus familiares dependentes”.
“Há pessoas que gastam 500 euros num dia em raspadinhas”

E isso leva-nos para a sua experiência clínica e para os casos que tem atendido. “Às vezes recebo pessoas que gastaram todas as poupanças da sua vida nas raspadinhas sem que nenhum familiar se tivesse apercebido. Ou pessoas que pediram emprestado dinheiro a vários familiares dizendo que era para outros fins que não o jogo, como tratamentos no dentista ou para pagar o arranjo do carro.” Pedro Morgado conhece ainda casos de pessoas que gastaram “500 euros num único dia em raspadinhas” ou “20 a 30 mil euros” ao longo de um ano. “São pessoas que jogam todos os dias e gastam por dia cerca de 100 euros. Há várias pessoas com adição que compram mais do que 10 raspadinhas por dia, ou só de uma vez ou em várias idas à tabacaria ou ao local onde elas são vendidas. Estão sempre na expectativa de que vão ganhar e se não for agora é na próxima vez ou na próxima ou na próxima.”

E, normalmente, não são as próprias pessoas que pedem ajuda, mas sim os seus familiares, que, “apercebendo-se de que o dinheiro está a ser todo gasto, convencem-nas a vir à consulta”. Não há pessoas mais afetadas que outras em termos de sexo ou idade ou outros parâmetros, diz ainda o psiquiatra, segundo o qual o problema está presente “tanto em homens como mulheres, e nas várias idades”, ainda que “havendo uma ligeira prevalência entre as pessoas com idades mais avançadas”. “Os mais novos podem ter outro tipo de adições mais relacionadas com o jogo online e, pelo contrário, os idosos têm menos experiências em jogos online, sendo as raspadinhas um jogo muito popular nesta faixa etária.”

Além de mais controlo e mais estudos e investigação, Pedro Morgado fala também em prevenção, através da divulgação de “informação sobre os riscos associados” e de “sensibilização junto dos meios de comunicação social no sentido de não publicarem tantas histórias de grandes ganhos com pequenos investimentos”. A publicidade a estes jogos também é algo que deveria ser repensado, diz o investigador. Que faz um apelo: “A verdade é que Portugal tem as taxas mais baixas da Europa em termos de toxicodependência, o que se explica pelas políticas públicas que foram adotadas no país. O mesmo terá de ser feito para este problema em concreto e esse é o nosso apelo. São necessárias políticas públicas para diminuir os problemas associados às raspadinhas”.

13.2.14

Portugueses ganharam em 10 anos 4,5 mil milhões no euromilhões mas apostaram o dobro

in iOnline




O concurso europeu teve o primeiro sorteio a 13 de Fevereiro de 2004, em Paris, e faz na quinta-feira 10 anos




Os portugueses apostaram, numa década, quase nove mil milhões de euros no euromilhões, concurso que distribuiu no país metade desse valor (4,5 mil milhões), indicou à Lusa a Santa Casa de Misericórdia de Lisboa.

O concurso europeu teve o primeiro sorteio a 13 de fevereiro de 2004, em Paris, faz na quinta-feira 10 anos. Portugal entrou a 02 de outubro desse ano e o concurso atingiu rapidamente popularidade, que ainda hoje se mantém.

No balanço de uma década, fonte oficial dos Jogos Santa Casa disse à Lusa que, até 30 de novembro passado, os portugueses apostaram aproximadamente 8.913 milhões de euros. Só entre 01 de janeiro e 30 de novembro do ano passado foram gastos em apostas 854,9 milhões de euros.

Os países organizadores do euromilhões foram a Espanha, a França e o Reino Unido, e Portugal entrou depois com outros cinco países (Irlanda, Áustria, Bélgica, Suíça e Luxemburgo). Do “bolo” de apostas, os portugueses ganharam prémios, nesta década, no valor de 4.456 milhões de euros.

Até agora, segundo fonte oficial, foram atribuídos 51 primeiros prémios em Portugal, país que ocupa um terceiro lugar na lista dos mais sortudos, atrás da França (62 primeiros prémios) e da Espanha (54 primeiros prémios).

Ainda assim não foi em nenhum destes países que ficou o maior prémio de sempre do euromilhões. Em Portugal o maior prémio de sempre foi a 25 de março de 2011, com cerca de 69 milhões de euros, nada comparado com os 190 milhões de um primeiro prémio atribuído no Reino Unido.

Segundo os dados da Santa Casa enviados à Lusa, só no ano passado, até novembro, foram atribuídos sete primeiros prémios a apostadores portugueses, correspondendo a 149 milhões de euros.

E porque a vontade de ganhar não é apanágio nacional, no grupo dos nove países e numa década investiram-se no jogo mais de 60 mil milhões de euros. Só no ano passado, até 30 de novembro (últimos dados disponíveis) o volume de vendas foi superior a seis mil milhões.

Ainda assim, de acordo com a Santa Casa, nestes 10 anos, vários prémios nunca foram reclamados, alguns de valores significativos, como dois segundos prémios (um de 351 mil euros e outro de 192 mil) e um terceiro prémio de 79 mil euros (dinheiro que reverte para a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa).

“Os beneficiários dos Jogos Sociais do Estado abrangem áreas que envolvem a promoção da saúde e prevenção da doença e da incapacidade, programas de combate à pobreza e exclusão social, a proteção civil, a segurança social, o policiamento de espetáculos desportivos, o desporto escolar, o turismo social e sénior”, disse fonte oficial à Lusa, a propósito desse dinheiro.

Com um gabinete de apoio às pessoas com prémios superiores a um milhão de euros, a Santa Casa recebeu 216 contactos desde 2004, a maior parte (88) de premiados no totoloto, seguindo-se o euromilhões (com 85 contactos) e o joker (40 contactos). De acordo com a fonte oficial, a perceção é a de que os portugueses “têm sabido lidar com os prémios avultados de forma positiva”.

15.6.12

Crise económica fez aumentar viciados no jogo

in Diário de Notícias

A crise económico-financeira tem potenciado o número de viciados em jogo, que acreditam que aí encontrarão o milagre para as dívidas, podendo haver já cerca de 100 mil dependentes em Portugal.

A problemática do jogo compulsivo vai estar em debate na segunda Convenção de Jogadores Anónimos de Portugal, que decorre domingo, dia 17, em Carcavelos, e onde haverá lugar a reuniões para jogadores e familiares, e também uma sessão de informação pública aberta a todos.

Um dos terapeutas que vai estar presente nessa sessão pública é Pedro Hubert que adiantou à Lusa que, no total da população portuguesa Portugal, haverá perto de um por cento de viciados no jogo, número que poderá não refletir com exatidão a realidade, já que não existem estudos sobre a prevalência da doença.

Ainda assim, Pedro Hubert acredita que a realidade em Portugal será semelhante à dos restantes países europeus, apontando que há uma variação entre os 0,6 por cento da população adulta no Reino Unido ou 1,5 por cento em Itália ou França.

"Mas supondo que seja um por cento da população adulta, estamos a falar à volta de cem mil pessoas, e estamos a falar mesmo de patologia, ou seja, de dependência, porque depois há todos aqueles que têm um problema de abuso, que têm problemas, mas ainda vão gerindo a sua vida", revelou.

De acordo com o terapeuta, "o número [de viciados no jogo] tem vindo a aumentar dramaticamente", principalmente por causa dos jogos disponíveis na internet, que facilitou o acesso "a todo o tipo de apostas desportivas, campeonatos de póquer e casinos virtuais, que têm todos os jogos que existem nos casinos".

Pedro Hubert explicou que o que normalmente leva estas pessoas a tratarem-se é a crise financeira em que ficam depois de gastarem o que têm no jogo, e acredita que a atual crise financeira contribuiu para aumentar o número de jogadores compulsivos.

"Potencia porque as pessoas vão à espera da salvação e um bocadinho ali de um milagre e pensam: 'eu até mereço e com um bocado de sorte isto vai correr tudo bem e resolvo todas as dificuldades do momento'. Nota-se claramente que isto acontece", disse o terapeuta.

Em termos de perfil, Pedro Hubert apontou para alguém na casa dos 35 anos, com habilitações literárias entre o 12.º ano e a licenciatura, maioritariamente (75 por cento) do sexo masculino.

Um dos membros dos Jogadores Anónimos, que pediu para não ser identificado, explicou que a intenção da Convenção "é de alguma forma informar a população sobre a problemática do jogo".

"Apesar de ser um tema que cada vez mais a sociedade civil está a par, ainda acha que o jogo é uma questão recreativa e não é encarado como um problema como a droga ou como o álcool. Esta convenção serve para mostrar que o problema existe, mas também que há um caminho e uma esperança", adiantou.

Para isso mesmo haverá a sessão de informação pública, a decorrer a partir das 16:00 de domingo, aberta a todas as pessoas que queiram saber mais sobre o vício do jogo, havendo espaço para a colocação de perguntas.

O terapeuta Pedro Hubert explicou ainda que o sintoma que chama mais à atenção é a perda de dinheiro, mas alertou para idas recorrentes ao casino ou muito tempo passado em frente ao computador.