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9.8.23

Maioria das mulheres no Porto diz ter conhecimentos básicos de literacia financeira, salário injusto, e gostava de ter negócio próprio

Rita Robalo Rosa, in Expresso



53,9% das mulheres no Porto diz ter conhecimentos básicos de literacia financeira. A maioria diz estar aquém das suas ambições financeiras, até já pensaram em criar um negócio, mas há vários desafios, inclusive, falta de segurança

Mais de metade das mulheres no Porto tem apenas conhecimentos básicos de literacia financeira. Segundo um inquérito promovido pela comunidade Portuguese Women in Tech (PWIT), em parceria com a Natixis em Portugal, 53,9% tem apenas conhecimentos básicos de literacia financeira e quase 80% diz estar aquém das suas ambições financeiras.

O relatório Women & Wealth - Literacia Financeira no Feminino, lançado esta quarta-feira, revela que apenas 5,2% das mulheres no Porto diz ter conhecimentos avançados de literacia financeira e 7,1% considera mesmo não ter quaisquer conhecimentos.

A esmagadora maioria das mulheres inquiridas no Porto (79,2% num universo de 154 inquéritos) encontra-se aquém das suas
ambições financeiras e apenas 3,2% afirma estar além delas.

A nível pessoal, 44,2% das mulheres inquiridas indicaram ser “as principais responsáveis pelas decisões a nível financeiro no seu agregado familiar” e 51,3% disse que partilha essas decisões. Contudo, mesmo entre aquelas que são as responsáveis pela gestão do orçamento familiar, quase 60% diz ter apenas conhecimentos básicos de literacia financeira.

Por sua vez, no trabalho, a maioria (63,6%) “afirma não ter qualquer contribuição para as decisões financeiras na sua empresa e apenas 7,2% assume a responsabilidade principal pelas decisões financeiras neste contexto”. De destacar que, entre as poucas que assumem responsabilidades, a maioria (72,7%) admite ter apenas conhecimentos básicos relacionados com literacia financeira.

“Não há uma única inquirida a afirmar ser a principal responsável pelas decisões financeiras na sua empresa e, simultaneamente, a assumir ter conhecimentos avançados relacionados com literacia financeira”, lê-se no estudo.

A nível salarial a maioria (58,5%) considera o seu salário injusto. E 55,6% das mulheres que se sentem injustiçadas a nível salarial nunca tentaram renegociar o salário.

Por fim, o relatório refere que mais de metade das mulheres inquiridas já teve a ideia de criar o seu próprio negócio, mas não avançaram, por falta de segurança (64,3%), por dificuldades financeiras (58,9%) ou por falta de conhecimento (44,6%).

“As mulheres continuam a demonstrar pouco conhecimento a nível financeiro e, consequentemente, pouca segurança, o que se traduz em falta de determinação para avançar quando se trata de negociar o salário, apostar na carreira profissional ou criar um negócio”, diz, citada na nota, Inês Santos Silva, cofundadora da Portuguese Women in Tech. “É, por isso, urgente apostar neste tema [literacia financeira] junto do público feminino, para que as questões que fazem com que as mulheres continuem a ter dificuldades em obter posições de poder financeiro”, conclui.

O inquérito foi feito entre os dias 26 de maio e 28 de junho de 2023 a 154 mulheres entre os 21 e os 70 anos a residir no Porto.

11.7.22

Literacia Financeira: Como gerir as contas e as faturas a pagar

in Reconquista 

A EAPN e Segurança Social organizam, em parceria com a Cáritas a Cruz Vermelha a sessão “Literacia Financeira”, dinamizada por Susana Pestana e Cláudia Nunes.

Aprender a controlar as despesas ajuda no orçamento familiar

O Núcleo Distrital de Castelo Branco da Rede Europeia Anti Pobreza (EAPN) e o Centro Distrital da Segurança Social organizam em parceria com a Cáritas Interparoquial e a Delegação de Castelo Branco da Cruz Vermelha Portuguesa a sessão “Literacia Financeira”, dinamizada por Susana Pestana (técnica superior de inovação e projetos da Deco) e Cláudia Nunes (jurista da Deco).

Esta ação está agendada para o dia 12 de julho, às 10H00, no Instituto Português de Desporto e Juventude de Castelo Branco, entidade parceira do Projeto “A voz social” nesta iniciativa, que tem como destinatários o Conselho Local de Cidadãos do Núcleo Distrital de Castelo Branco (CLC), beneficiários do Rendimento Social de Inserção (RSI) e Famílias Apoiadas pelo Programa Operacional de Apoio às Pessoas mais Carenciadas (POAPMC). Segundo os promotores, esta segunda edição visa capacitar os elementos do CLC e as famílias apoiadas pelas entidades parceiras, a refletir sobre a forma de gerir as suas finanças pessoais.

Em termos de conteúdo, serão abordados temas como “finanças pessoais em tempos de crise; contributo para a promoção da literacia financeira; promoção de uma melhor gestão das finanças pessoais; identificação de vantagens da ferramenta orçamento mensal; evidencia dos benefícios da adoção de novos comportamentos; faturas à lupa (saiba o que lhe está a ser cobrado); saber o que são SPE; identificar as regras associadas aos SPE; recursos e apoios disponíveis para apoiar consumidores; medidas a adotar em caso de dificuldade financeira; ou o que fazer quando as contas se complicam.

28.4.21

O miúdo que ensinou os pais a poupar

Hugo Bragança Monteiro, Diretor de Comunicação e Marketing da Whitestar Asset Solutions, in Económico

Falar de dinheiro não tem que ser necessariamente mau ou negativo. O estigma que criámos deve dar lugar a conversas construtivas e explicativas, que consciencializem os mais novos para a necessidade de pouparem.

Há um par de anos, durante um programa de voluntariado em Literacia Financeira com a Junior Achievement Portugal, com quem temos uma parceria, estava a lecionar o programa “Economia para o Sucesso” junto de alunos do 9º ano, onde abordámos temas como a poupança e a gestão do orçamento, mas também a diferença entre o que é essencial e o que é frívolo. Um dos temas que mais impactou os miúdos foi a explicação da diferença entre comprar a pronto e a crédito, assim como os custos finais (que desconheciam) de cada uma destas opções.

Após cinco semanas, um dos alunos veio ter comigo no final da aula e explicou-me que tinha consciencializado os pais para a realidade do “crédito fácil” e da iliteracia existente. Aquele aluno viu a luz ao fundo do túnel e ajudou os pais.

É curioso que um estudo da Universidade do Alabama tenha concluído que uma das razões para os pais evitarem falar sobre dinheiro com os filhos deve-se ao facto de recearem saber, eles próprios, pouco sobre dinheiro. A sugestão é que aprendam também com os filhos e que convertam uma conversa pesada em algo divertido, formativo e entendível.

A Literacia Financeira é muito importante no desenvolvimento dos mais jovens e deve abordar-se o tema do dinheiro, o seu uso e, claro, a sua boa gestão, para que não afete a nossa saúde e o bem-estar.

Infelizmente, o dinheiro e a Saúde dão, frequentemente, as mãos provocando consequências negativas. É conhecido que o endividamento ou o sobre-endividamento levam ao aumento do stresse, da preocupação, do nervosismo, da ansiedade, provocam distúrbios do sono e depressão, entre outros. E nas crianças e jovens estes distúrbios também ocorrem muito por nossa culpa, adultos e pais, que tendemos a não falar de dinheiro com eles por considerarmos que é algo negativo ou porque estigmatizámos o tema.

Felizmente, por estes dias já só olhamos para a frente, para o fundo do túnel porque estamos a ver – queremos muito ver! – a luz. O desbloqueio gradual das nossas vidas e da Economia têm sido muito suportados pela vontade já descontrolada de voltarmos ao que éramos. De comprarmos tudo. E isso vê-se nos centros comerciais, nas esplanadas e em todos os espaços entretanto abertos. Estão a abarrotar.

Pode dizer-se que, no geral, estamos otimistas com a evolução da pandemia. É normal, como é normal que nos esqueçamos que, pelo meio deste otimismo, há – e haverá mais – desemprego; empresas a fecharem portas; dificuldades para uma economia pequena como a nossa; que as famílias terão de fazer ainda mais contas. São as contas da pandemia.

Ainda assim, e mesmo que as contas sejam difíceis, é importante que falemos dos assuntos do dinheiro com transparência, em casa, mas também no local de trabalho. Não é por acaso que surgem cada vez mais programas nas televisões, nas plataformas online e nas próprias empresas, com o objetivo de formar e literar as pessoas.

Falarmos de dinheiro não tem que ser necessariamente mau ou negativo. O estigma que criámos deve dar lugar a conversas construtivas e explicativas, onde se consciencialize os mais novos para a necessidade de, por exemplo, pouparem. A título de curiosidade, os dados da Pordata mostram que a taxa de poupança das famílias em Portugal era de 7,2% em 2019 (último ano disponível), tendo crescido três décimas face a 2018, mas correspondendo a praticamente metade dos valores que se registavam no início dos anos 2000.

Lembremo-nos da história do miúdo que alertou o pai para as reais necessidades de comprarem algo e de o fazerem a pronto ou a crédito. Recordem-se das conclusões a que chegou: sabermos o verdadeiro preço das coisas e o que custa a vida faz toda a diferença.

28.10.14

Falta de literacia financeira dificulta escolhas acertadas

Por Margarida Vaqueiro Lopes, in iOnline




O Plano Nacional de Formação Financeira nasceu em 2011. Reguladores querem mais e melhor literacia financeira em Portugal




A falta de literacia financeira é um problema que se tem arrastado em Portugal durante as últimas décadas. Muitas são as pessoas que ainda têm dificuldade em entender alguns conceitos aplicados pelos bancos, por exemplo, condição indispensável para fazer escolhas acertadas e responsáveis.

Foi neste contexto que em 2011 o Conselho Nacional de Supervisores Financeiros decidiu lançar o Plano Nacional de Formação Financeira (PNFF), um instrumento que, nas palavras dos seus responsáveis, quer "contribuir para elevar o nível de conhecimentos financeiros da população e promover a adopção de comportamentos financeiros adequados". Desta forma, espera-se, população e sistema financeiro ganham com atitudes mais conscientes e responsáveis.

O PNFF tem como plataforma base o site www.todoscontam.pt. Neste portal é possível encontrar ajuda para alguns gestos essenciais, como planear o orçamento familiar, fazer pagamentos, poupar e investir, fazer um seguro e mesmo para criar uma empresa.

Vários simuladores podem ajudá-lo se quiser calcular a sua taxa de esforço, os seus rendimentos e despesas, ou mesmo se quiser saber quanto deve poupar por mês para chegar a um determinado objectivo.

Mas o PNFF também o pode ajudar a prevenir a fraude e a esclarecer dúvidas sobre produtos de investimento, além de apoiar entidades quer do sector público quer do sector privado que promovam iniciativas de formação financeira. E não são poucas as entidades que têm criado programas nesta áreas. Todos os bancos têm já programas - por norma apoiados em portais na internet - que ajudam a esclarecer dúvidas e a aprender conceitos relacionados com literacia financeira. Muitas das acções são também desenvolvidas junto dos mais novos, uma vez que se acredita que na infância é mais fácil criar hábitos e rotinas de poupança ou responsabilidade financeira.

Nota para as várias iniciativas desenvolvidas pelos bancos, como os sites Saldo positivo, da Caixa Geral de Depósitos, o Ei-Montepio, do Montepio Geral, os programas Fazer contas à vida, do Barclays, ou a Fundação Millennium BCP, do banco com o mesmo nome. E estes são apenas os projectos listados pela Associação Portuguesa de Bancos (APB). No entanto, o BBVA, por exemplo, tem também um programa educativo orientado para os três ciclos do ensino básico. O Valores de Futuro, que está implementado nos Estados Unidos, na América Latina e em Espanha, tem chegado a mais de 100 mil alunos por ano.

Mas também a Associação Portuguesa de Bancos (APB) tem o seu próprio portal ( www.boaspraticasboascontas.pt), onde pode encontrar uma espécie de manual de boas práticas financeiras, que não só esclarece muitas dúvidas como também disponibiliza um glossário dos termos financeiros mais úteis. Ou seja: não há desculpas do cidadão para não haver melhores práticas financeiras no país.


“Os portugueses são bons a gerir o seu dinheiro”

Susana Albuquerque, secretária-geral da ASFAC

Diz-se popularmente que “é de pequenino que se torce o pepino”. No que diz respeito à educação financeira, Susana Albuquerque não podia estar mais de acordo. A secretária-geral da Associação de Instituições de Crédito Especializado (ASFAC) é especialista em educação financeira e frisou, em entrevista ao i, que, “com as crianças, se trabalharmos a base estamos a formar comportamentos”, e isso é mais fácil “que alterá-los, como acontece com os adultos”. Basicamente, “cada criança tem direito a ser bem alimentada e protegida. Mas isso torna as crianças activamente responsáveis por respeitarem os seus recursos, por pouparem água, e por aí em diante”. O importante é fazê-las perceber que “o dinheiro é um recurso. Explicar qual é a sua função primeira, que é ser um meio de troca. E depois perceber como é feita a gestão deste recurso”, diz a especialista, notando que “esta é a linha que tem comprovadamente mais resultados”.

Desde 2005 que a ASFAC tem vários programas de formação e educação financeira, tendo estabelecido diversas parcerias com escolas, desenvolvido uma plataforma de e-learning para pais e formadores que querem saber como podem educar financeiramente os filhos e mantendo um programa de apoio a famílias que precisam de uma ajuda mais individualizada.

Questionada sobre se os portugueses não sabem efectivamente gerir o seu dinheiro,Susana Albuquerque é peremptória: “Os portugueses são bons a gerir o seu dinheiro. Claro que houve pessoas que tiveram dificuldades e que ainda têm, mas por dois grande motivos: a perda de emprego e a diminuição de rendimentos. Isto tem um impacto enorme no estilo de vida e na capacidade financeira das famílias.” Mas a verdade, sublinha, é que os dados do Banco de Portugal revelam que “assim que estalou a crise as pessoas passaram a consumir menos e a poupar mais”, conclui.

29.1.14

Falta de literacia financeira agrava problemas das famílias

Por Margarida Bon de Sousa, in iOnline

Aconselhamento permite às famílias reduzirem encargos

Na maioria dos casos, um divórcio, a morte do cônjuge, o aumento inesperado do agregado familiar, o desemprego, a diminuição de horas extraordinárias no trabalho, uma situação de doença ou alterações inesperadas provocam quebra do rendimento e a impossibilidade de cumprimento das obrigações financeiras por parte das famílias. A estas causas, muitas vezes soma--se a tomada de decisões erradas devido à insuficiente formação financeira. Se a sua situação apresenta algum dos indícios anteriormente descritos, não deixe arrastar a situação por mais tempo, porque só vai agravar as circunstâncias.

O SOS Famílias Endividadas tem como principal objectivo ajudá-lo a manter os seus bens e evitar as penhoras e execuções através de uma negociação judicial.

Entre as situações já resolvidas encontra-se a de um casal com um dependente, ambos funcionários do privado e com um rendimento mensal de 2253 euros. Com a reestruturação, a família conseguiu a redução dos seus encargos mensais com entidades bancárias de 1858,08 euros para 951,89 euros, com o crédito à habitação incluído.

Um outro caso envolve uma divorciada com dois dependentes, funcionária pública e um rendimento mensal de 1978 euros. Com a negociação, conseguiu a redução dos seus encargos mensais com entidades bancárias de 3059,07 euros para 885,94 euros, com o crédito à habitação incluído.

Por fim, um casal com um dependente, ambos trabalhadores no sector privado, com um rendimento mensal de 2022 euros, conseguiu, através da reestruturação dos créditos, reduzir os encargos mensais com entidades bancárias de 2362,80 para 240,63 euros.