Hugo Bragança Monteiro, Diretor de Comunicação e Marketing da Whitestar Asset Solutions, in Económico
Falar de dinheiro não tem que ser necessariamente mau ou negativo. O estigma que criámos deve dar lugar a conversas construtivas e explicativas, que consciencializem os mais novos para a necessidade de pouparem.
Há um par de anos, durante um programa de voluntariado em Literacia Financeira com a Junior Achievement Portugal, com quem temos uma parceria, estava a lecionar o programa “Economia para o Sucesso” junto de alunos do 9º ano, onde abordámos temas como a poupança e a gestão do orçamento, mas também a diferença entre o que é essencial e o que é frívolo. Um dos temas que mais impactou os miúdos foi a explicação da diferença entre comprar a pronto e a crédito, assim como os custos finais (que desconheciam) de cada uma destas opções.
Após cinco semanas, um dos alunos veio ter comigo no final da aula e explicou-me que tinha consciencializado os pais para a realidade do “crédito fácil” e da iliteracia existente. Aquele aluno viu a luz ao fundo do túnel e ajudou os pais.
É curioso que um estudo da Universidade do Alabama tenha concluído que uma das razões para os pais evitarem falar sobre dinheiro com os filhos deve-se ao facto de recearem saber, eles próprios, pouco sobre dinheiro. A sugestão é que aprendam também com os filhos e que convertam uma conversa pesada em algo divertido, formativo e entendível.
A Literacia Financeira é muito importante no desenvolvimento dos mais jovens e deve abordar-se o tema do dinheiro, o seu uso e, claro, a sua boa gestão, para que não afete a nossa saúde e o bem-estar.
Infelizmente, o dinheiro e a Saúde dão, frequentemente, as mãos provocando consequências negativas. É conhecido que o endividamento ou o sobre-endividamento levam ao aumento do stresse, da preocupação, do nervosismo, da ansiedade, provocam distúrbios do sono e depressão, entre outros. E nas crianças e jovens estes distúrbios também ocorrem muito por nossa culpa, adultos e pais, que tendemos a não falar de dinheiro com eles por considerarmos que é algo negativo ou porque estigmatizámos o tema.
Felizmente, por estes dias já só olhamos para a frente, para o fundo do túnel porque estamos a ver – queremos muito ver! – a luz. O desbloqueio gradual das nossas vidas e da Economia têm sido muito suportados pela vontade já descontrolada de voltarmos ao que éramos. De comprarmos tudo. E isso vê-se nos centros comerciais, nas esplanadas e em todos os espaços entretanto abertos. Estão a abarrotar.
Pode dizer-se que, no geral, estamos otimistas com a evolução da pandemia. É normal, como é normal que nos esqueçamos que, pelo meio deste otimismo, há – e haverá mais – desemprego; empresas a fecharem portas; dificuldades para uma economia pequena como a nossa; que as famílias terão de fazer ainda mais contas. São as contas da pandemia.
Ainda assim, e mesmo que as contas sejam difíceis, é importante que falemos dos assuntos do dinheiro com transparência, em casa, mas também no local de trabalho. Não é por acaso que surgem cada vez mais programas nas televisões, nas plataformas online e nas próprias empresas, com o objetivo de formar e literar as pessoas.
Falarmos de dinheiro não tem que ser necessariamente mau ou negativo. O estigma que criámos deve dar lugar a conversas construtivas e explicativas, onde se consciencialize os mais novos para a necessidade de, por exemplo, pouparem. A título de curiosidade, os dados da Pordata mostram que a taxa de poupança das famílias em Portugal era de 7,2% em 2019 (último ano disponível), tendo crescido três décimas face a 2018, mas correspondendo a praticamente metade dos valores que se registavam no início dos anos 2000.
Lembremo-nos da história do miúdo que alertou o pai para as reais necessidades de comprarem algo e de o fazerem a pronto ou a crédito. Recordem-se das conclusões a que chegou: sabermos o verdadeiro preço das coisas e o que custa a vida faz toda a diferença.
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28.4.21
11.11.20
Portugueses com mais qualidade de vida: Estão mais seguros e economicamente estáveis. Só o emprego não acompanha
Sónia Bexiga, in Executive Digest
O Índice de Bem-estar (IBE) da população portuguesa evoluiu positivamente entre 2004 e 2019, tendo registado uma inflexão em 2007, 2008 e em 2012. Recuperou no ano seguinte, estimando-se uma continuação de crescimento para 2019, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgados esta terça-feira.Dos dez domínios que integram o IBE, a Segurança pessoal, a Educação, conhecimento e competências e o Bem-estar económico, são os que apresentaram uma evolução mais favorável no período analisado.
Inversamente, o domínio do Emprego foi o que apresentou evolução mais desfavorável, embora tenha vindo a recuperar continuamente desde 2013. A evolução mais recente dos dez domínios, permite concluir que entre 2014 e 2019, nove de entre eles apresentaram uma evolução positiva.
O IBE reflete a evolução do bem-estar da população recorrendo a dez índices sintéticos. Estes índices traduzem duas perspetivas de análise: Condições materiais de vida e Qualidade de vida.
Entre 2007 e 2008, e entre 2010 e 2013 estes dois índices evoluíram em sentidos opostos. No primeiro período as Condições materiais de vida evidenciam uma tendência crescente e a Qualidade de vida uma tendência decrescente, invertendo-se esta situação no segundo período. A partir de 2013 iniciaram uma evolução no mesmo sentido.
Segundo o INE, dos sete domínios que explicam o bem-estar em matéria de Qualidade de vida, quatro contribuíram destacadamente para a evolução globalmente positiva registada nesta perspetiva.
Em primeiro lugar, o domínio da Segurança pessoal, cujo índice desceu de 2006 a 2009, cresceu a partir desse ano, atingindo em 2016 o seu valor mais elevado, e decresceu ligeiramente a partir daí.
Em segundo, a Educação, conhecimento e competências cresceu continuamente no período em estudo, com a exceção apenas do ano 2012.
Em terceiro, o domínio da Saúde apresenta também uma evolução tendencialmente crescente do índice, apenas com uma quebra em 2014.
Por último, a evolução do índice relativo ao domínio do Ambiente recuou apenas em 2007 e manteve-se relativamente estável a partir de 2013. Trata-se do domínio que durante todo o período apresenta os valores mais elevados do índice, refletindo assim uma posição relevante de Portugal em termos internacionais.
Os índices relativos aos restantes domínios apresentaram evoluções inferiores ao desempenho global da perspetiva Qualidade de vida. Em termos de variação no período 2004-2019, os domínios Participação cívica e governação e Relações sociais e bem-estar subjetivo apresentam comportamentos semelhantes.
Já o domínio do Balanço vida-trabalho é o domínio pertencente à perspetiva da Qualidade de vida que menos cresce no período, mantendo-se relativamente estável sobretudo a partir de 2010.
No que diz respeito às Condições Materiais de Vida, o domínio Bem-estar económico apresentou um crescimento significativo até 2010, inverteu essa tendência até 2012 e iniciou uma recuperação desde então. É de relevar nesta recuperação a evolução favorável dos indicadores de desigualdade e concentração e da despesa de consumo final das famílias.
Estes indicadores e em menor grau o da avaliação subjetiva das condições materiais de vida são os que tiveram o comportamento mais favorável no período. Os indicadores relativos ao património foram não só os que tiveram a evolução mais contida, como também os que apresentaram durante o período valores mais baixos.
O domínio Emprego é a componente do bem-estar com evolução mais desfavorável, devido essencialmente à evolução da disparidade salarial entre homens e mulheres, a qual só muito recentemente tem diminuído, e do subemprego dos trabalhadores a tempo parcial. O indicador com evolução mais favorável, embora muito ligeira, foi o da proporção de pessoas que pensam ser provável ou muito provável perder o seu emprego nos seis meses seguintes. O índice deste domínio que decresceu continuamente até 2013, inverteu a tendência a partir desse ano, tendo-se projetado para 2019 a continuação desta melhoria.
O domínio Vulnerabilidade económica ocupa o segundo lugar dos que apresentam a evolução mais desfavorável ao longo do período em estudo, refletindo a progressiva vulnerabilidade das famílias induzida pelo afastamento das mesmas do mercado de trabalho e pela intensificação da dificuldade em pagar os compromissos assumidos com a habitação. A generalidade dos indicadores decresceu de forma menos pronunciada até 2010, e de forma abrupta nos três anos seguintes. No entanto, registaram-se evoluções positivas a partir de 2014, devidas sobretudo à redução da taxa de privação
material, da taxa de intensidade de pobreza e da intensidade laboral muito reduzida. A partir desse ano, todos os indicadores deste domínio apresentaram uma evolução favorável.
A Segurança pessoal permanece o domínio com evolução positiva mais pronunciada entre os dez índices constituintes do IBE. A variação deste domínio permite observar três fases distintas: uma evolução positiva inicial até 2007, uma segunda fase de relativa estabilidade entre 2007 e 2010 e finalmente, a partir de 2010 e até 2016, um crescimento contínuo. Em 2017 verificou-se uma quebra projetando-se uma ligeira recuperação em 2019. Todos os indicadores apresentam uma evolução positiva. Salientam-se os indicadores relativos à mortalidade em acidentes com veículos a motor e com
menor relevo, o indicador de confiança na polícia, e da taxa de homicídio. Igualmente, deve ser relevada a importância do
indicador relativo à criminalidade, o qual assume valores muito elevados ao longo do período, contribuindo assim para valores mais elevados do índice de Segurança pessoal.
Estima-se que o domínio da Saúde, ocupe o terceiro lugar relativamente aos sete domínios que constituem a perspetiva da Qualidade de vida, em termos de evolução favorável, no período 2004-2019. Esta evolução foi muito acentuada até 2006, mais suave desse ano até 2013, e com uma descida mais acentuada em 2014 (devida sobretudo à evolução negativa da população que refere limitação na realização de atividades habituais devido a um problema de saúde prolongado e
da esperança de vida em saúde), voltou a crescer suavemente a partir daí. A esperança de vida, a mortalidade por doenças do aparelho circulatório, a avaliação positiva os serviços de saúde e a taxa de mortalidade infantil foram os indicadores que
apresentaram uma evolução superior à do índice de domínio.
Balanço vida-trabalho. A capacidade de conciliação entre o tempo dedicado ao trabalho e a outras vertentes da vida pessoal, como a família, os amigos ou o lazer em geral, é um importante fator de caraterização do bem-estar. A conciliação vida-trabalho apresentou uma evolução positiva durante o período, mais pronunciada até 2010. A partir deste ano tem vindo a diminuir ligeiramente. Esta diminuição recente resulta do movimento de sentido oposto dos seguintes indicadores: da evolução desfavorável do índice de realização de atividades de apoio familiar e o da conciliação do trabalho com as responsabilidades familiares; este desenvolvimento não foi suficientemente compensado pela evolução positiva do índice de autoapreciação do tempo empregue nos contactos familiares ou outros e em atividades de lazer e pelo índice de satisfação com o trabalho, vida familiar e social.
O domínio da Educação foi a componente do bem-estar com o segundo melhor desempenho. Este índice teve uma evolução positiva durante todos os anos do período, com exceção de um pequeno decréscimo em 2012. A evolução do indicador do abandono precoce de educação e formação é a principal responsável pelo andamento positivo do índice, coadjuvada a partir de 2013 pelas evoluções igualmente positivas da taxa de jovens não empregados que não estão em educação ou formação e pelo índice de consumos culturais. Devem também ser assinalados, pela sua evolução positiva, os
indicadores relativos às publicações científicas e à proporção de pessoas (30-34 anos) com nível de escolaridade completo correspondente ao ensino superior e do número médio de anos de escolaridade completa da população ativa.
A variação do índice no período 2004-2019, no domínio das Relações sociais e bem-estar subjetivo, foi positiva, embora com oscilações (decréscimo entre 2006 e 2008 e 2012 e 2014). A variação favorável registada a partir de 2014 deve-se sobretudo à evolução do grau de felicidade e da satisfação com a vida em geral. Independentemente da análise da sua contribuição para a evolução do índice, sublinhe-se os valores praticamente sempre reduzidos do índice de confiança
interpessoal e os valores sempre elevados dos relacionamentos com familiares, amigos ou colegas de
trabalho.
Participação cívica e governação. Este domínio decresce duma forma suave até 2010 e cresce a partir daí, mais pronunciadamente a partir de 2012. Esta evolução positiva, posterior a 2012, resulta sobretudo do índice de participação em atividades públicas e do grau de interesse pela política. Deve também ser evidenciado o índice de governação
que assume quase sempre no período, valores mais elevados do que os dos restantes indicadores. Uma nota negativa para o índice de participação eleitoral que tem decrescido quase linearmente durante todo o período, assumindo no seu final valores mínimos por comparação com o grupo de países de referência.
O domínio do Ambiente apresenta uma evolução com tendência positiva e pequenas flutuações (um ligeiro decréscimo no ano de 2007 resultante da evolução negativa, nesse ano, de seis dos seus oito indicadores). O indicador com maior contributo na evolução positiva do índice foi a variação da população servida por estações de tratamento de águas residuais. Com contribuições positivas, embora menores, é possível apontar o caso da evolução dos indicadores praias com Bandeira Azul e população que reporta problemas de poluição, sujidade ou outros problemas ambientais na vizinhança da sua residência. Refiram-se por fim, os valores sempre muito elevados ao longo do período, dos indicadores relativos à água segura e total de emissões de gases com efeito de estufa.
27.10.20
Jovens, precários e sem poupanças. Como pensar na reforma?
André Rito, in Expresso
Projetos Expresso. Pensões. Em Portugal, a poupança é um privilégio de poucos. Com o envelhecimento da população e as baixas taxas de natalidade, a sustentabilidade da proteção social é uma incógnita
O problema não é exclusivo de Portugal, mas assume contornos mais graves quando comparado com outros países europeus. Daqui a 40 anos o nosso cenário demográfico será substancialmente diferente: haverá menos crianças e adolescentes, mais escolas fechadas, zonas do interior despovoadas e a maior parte da população terá mais de 50 anos. As consequências do envelhecimento e da baixa taxa de natalidade são uma ameaça ao sistema de proteção social: quem vai pagar as reformas da atual população ativa? “As projeções que conhecemos do Instituto Nacional de Estatística e da Eurostat mostram um agravamento da tendência: uma diminuição muito expressiva da população portuguesa até 2070, com consequências para o crescimento económico e financiamento das pensões”, afirmou o secretário de Estado da Segurança Social, Gabriel Bastos, na abertura da conferência “Preparar o Futuro”, organizada esta semana pelo Expresso, em parceria com o Santander, dedicada ao tema da reforma. “Vivemos tempos de incerteza, e perante tantos desafios a curto e médio prazo não podemos perder de vista os desafios a longo prazo.”
Há dados atuais que podem ajudar a traçar alguns cenários. Um deles é a taxa de poupança, ou seja, a percentagem que as famílias conseguem guardar do rendimento disponível. Em Portugal, este valor situava-se nos 7,2% em 2019, tendo vindo a crescer nos últimos dois anos. Há um dado incontornável: só uma percentagem reduzida da população é capaz de acumular um pé-de-meia. Trata-se de um privilégio só acessível às famílias mais ricas. “Em 2017, 67% dos mais ricos estavam entre os grandes poupadores. Os jovens fazem face apenas às despesas do quotidiano, embora não exista uma perceção, baseada em estudos, sobre como se comportam perante a reforma”, afirmou a economista Susana Peralta, da Nova School of Business and Economics, apontando outro dado relevante: a riqueza líquida nesse ano apresentava valores mínimos nas famílias em que o indivíduo de referência é mais jovem e máximos nas famílias cuja referência é um trabalhador por conta própria ou que completou o ensino superior. Num tempo de acesso difícil ao emprego, uma boa parte da população jovem vive mais de estímulos ao consumo do que à poupança ou expostos a projeções de sustentabilidade a longo prazo. “O ser humano é mau a prever o futuro. Há alguma evidência que mostra que os jovens vivem muito no presente, querem aproveitar a juventude, há até alguns estudos internacionais que mostram uma certa pressão social para os jovens gastarem. E existe também uma visão negativa daqueles que são mais aforradores, porque estão a desperdiçar a sua juventude em vez de estarem a consumir.”
Nos casos opostos — em que existe essa preocupação relativa ao futuro —, os investimentos feitos durante a vida ativa podem fazer a diferença quando a idade da reforma chegar, tendo em conta que o compromisso de gerações em que assenta o modelo da Segurança Social pode tornar-se insustentável a longo prazo. “O facto de os jovens pouparem pouco pode refletir vários fatores. Temos de pensar que poupam pouco devido também ao ciclo que atravessam em termos financeiros. É normal que façam os seus investimentos, nestas idades, numa casa própria, na educação dos filhos, e só depois comecem a poupar”, disse ao Expresso o economista Amílcar Moreira, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Perante o problema demográfico do envelhecimento e as sucessivas crises que Portugal tem vivido nos últimos 20 anos, a necessidade de introduzir mudanças no sistema de proteção social torna-se inevitável. “Desde há muito que discutimos a sustentabilidade da Segurança Social e refletimos sobre os ajustes a introduzir no sistema”, disse o secretário de Estado. “Há duas possibilidades: uma mais disruptiva, com as reformas sistémicas que alteram a matriz do modelo, e pequenos ajustes para poder corresponder ao desafio do envelhecimento da população.”
Em Portugal existem 127 idosos por cada 100 jovens. O aumento da esperança média de vida é um sinal de evolução na saúde de uma população, mas a fraca regeneração cria pressões sobre a economia, sistemas de saúde e Segurança Social. É por isso que Amílcar Moreira defende uma aposta na “criação de valor”. “Como é que conseguimos reestruturar a economia num contexto de menor poupança? A verdadeira forma é ter um crescimento superior ao das últimas décadas”. João Pratas, presidente da Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Patrimónios, considera uma alteração do modelo atual para uma espécie de sistema híbrido, que envolva também as empresas e os particulares. “Um sistema por defeito, que induza à poupança”, disse durante o debate.
Apenas as famílias ricas economizam. Jovens são das faixas etárias com menos rendimentos e sem poupanças acumuladas
Trata-se de um dado que ilustra as assimetrias de Portugal. Segundo um inquérito à situação financeira das famílias — realizado pelo o Instituto Nacional de Estatística (INE) e pelo Banco de Portugal (BdP), as famílias do conjunto das 10% com maior riqueza líquida detinham mais de metade da riqueza líquida total das famílias portuguesas. Embora nos últimos anos se tenha registado um aumento da riqueza líquida, este crescimento ocorreu sobretudo entre as classes mais favorecidas.
Entre os grupos com menor capacidade de poupar estão os jovens abaixo dos 35 anos. “Têm uma poupança liquida mesmo muito reduzida, que depois aumenta com o ciclo de vida e volta a diminuir a partir dos 64 anos”, explica a economista Susana Peralta, da Nova Business of School and Economics, acrescentando que existe uma “enorme desproporção” entre as faixas etárias mais jovens. “São pessoas que poupam muito pouco e têm vindo a diminuir cada vez mais essa poupança.” Os principais ativos de quem consegue poupar são imóveis — residência principal e outras, assim como negócios por conta própria e veículos motorizados. Já os depósitos à ordem são o ativo financeiro com maior peso para as famílias com menores rendimentos. “O que temos é de criar políticas públicas que possam influenciar os comportamentos tendo isto como um dado”, conclui a economista.
67%
das famílias mais ricas correspondem ao grupo dos maiores poupadores em Portugal. Entre os grupos com menor capacidade de economizar estão os jovens abaixo dos 35 anos
ESTADO. A SUSTENTABILIDADE DAS PENSÕES E DA SEGURANÇA SOCIAL
Com o envelhecimento progressivo da população portuguesa, as estimativas a longo prazo do sistema social não são otimistas
No final de março do ano passado, o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social alcançou o valor histórico de €18 mil milhões, correspondentes a 8,9% do produto interno bruto (PIB) do país.
O primeiro-ministro, António Costa, garantia que “o horizonte de sustentabilidade do sistema previdencial melhorou 11 anos e o horizonte eventual de aplicação do fundo de estabilização foi adiado em mais 19 anos”. Há, no entanto, um problema demográfico que Portugal enfrenta e que pode alterar este cenário: o envelhecimento da população e as baixas taxas de natalidade. “É evidente que isto cria pressões a longo prazo na Segurança Social: por um lado aumenta o número de pessoas que no futuro serão pensionistas e menos pessoas em idade ativa”, diz ao Expresso o economista Amílcar Moreira, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. “Um segundo problema será a diminuição da população. Menos gente a produzir e a consumir. Isto tem um forte impacto no crescimento da economia e determina a capacidade futura das pensões”, acrescenta Amílcar Moreira.
4,8
milhões era o número de beneficiários ativos da Segurança Social, em 2019. No futuro, aumentará o número de pensionistas
PENSIONISTAS. ALARGAR A IDADE DA REFORMA, MAIS CONTRIBUIÇÕES OU UM SISTEMA MISTO?
Como acumular dinheiro para se estar financeiramente saudável quando chega a idade da reforma?
Os jovens não conseguem poupar, a classe média está cada vez mais reduzida e a grande fatia de pensionistas perde rendimentos com a reforma. Como se garantem condições para os últimos anos de vida? A solução passa por um aumento das contribuições, pelo alargamento da idade da reforma ou pela redução dos benefícios. Mas para isso, defende João Pratas, presidente da Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Patrimónios (APFIPP), seria necessário criar um regime “alternativo” da Segurança Social. “Em vez de ser apenas público, deve fazer-se uma aposta no segundo pilar e no terceiro pilar, ou seja, envolver as empresas e os particulares.” Uma opção que poderá passar pelo aumento do esforço dos trabalhadores, embora a questão seja para onde deverá ser canalizado esse esforço. “Se for para o segundo e terceiro pilares, numa perspetiva de direitos adquiridos, o contribuinte vê melhor o bolo que está a construir para a reforma. E esse bolo é menos permeável, no futuro, a alterações das políticas públicas.”
O modelo seria então “um mix de planos de pensões”. “Se mantivermos tudo como está, arriscamo-nos a sobrecarregar os mais novos com os problemas que os mais velhos não conseguiram resolver.”
15%
do PIB é o valor que a Segurança Social gasta com prestações sociais e subsídios, como pensões, rendimento social de inserção, desemprego e maternidade
IDEIAS-CHAVE
“Em 2001, 64% dos jovens abaixo de 29 anos tinham casa própria. Em 2011, eram apenas 45%. Vamos ver o que nos dizem os próximos censos, mas o número terá reduzido para perto de um quarto. Os jovens poupam pouco e cada vez menos”
Susana Peralta
Economista
“Temos de distinguir entre sustentabilidade financeira — que tem a ver com a capacidade de as receitas da Segurança Social cobrirem as suas despesas — e a própria sustentabilidade social. É preciso receitas que assegurem uma transição para a reforma, que não quebrem rendimentos e protejam contra a pobreza”
Amílcar Moreira
Economista
“Neste quadro atual de contribuições, o sistema poderá não ser sustentável a longo prazo, tendo presente o problema das curvas contrárias, do crescimento da população ativa e não ativa. Há um problema intergeracional: se mantivermos tudo como está, arriscamo-nos a sobrecarregar as gerações mais novas. Se estamos a caminhar para um desequilíbrio futuro da Segurança Social, serão os nossos filhos a carregar o problema”
João Pratas
Presidente da APFIPP
Textos originalmente publicados no Expresso de 24 de outubro de 2020
Projetos Expresso. Pensões. Em Portugal, a poupança é um privilégio de poucos. Com o envelhecimento da população e as baixas taxas de natalidade, a sustentabilidade da proteção social é uma incógnita
O problema não é exclusivo de Portugal, mas assume contornos mais graves quando comparado com outros países europeus. Daqui a 40 anos o nosso cenário demográfico será substancialmente diferente: haverá menos crianças e adolescentes, mais escolas fechadas, zonas do interior despovoadas e a maior parte da população terá mais de 50 anos. As consequências do envelhecimento e da baixa taxa de natalidade são uma ameaça ao sistema de proteção social: quem vai pagar as reformas da atual população ativa? “As projeções que conhecemos do Instituto Nacional de Estatística e da Eurostat mostram um agravamento da tendência: uma diminuição muito expressiva da população portuguesa até 2070, com consequências para o crescimento económico e financiamento das pensões”, afirmou o secretário de Estado da Segurança Social, Gabriel Bastos, na abertura da conferência “Preparar o Futuro”, organizada esta semana pelo Expresso, em parceria com o Santander, dedicada ao tema da reforma. “Vivemos tempos de incerteza, e perante tantos desafios a curto e médio prazo não podemos perder de vista os desafios a longo prazo.”
Há dados atuais que podem ajudar a traçar alguns cenários. Um deles é a taxa de poupança, ou seja, a percentagem que as famílias conseguem guardar do rendimento disponível. Em Portugal, este valor situava-se nos 7,2% em 2019, tendo vindo a crescer nos últimos dois anos. Há um dado incontornável: só uma percentagem reduzida da população é capaz de acumular um pé-de-meia. Trata-se de um privilégio só acessível às famílias mais ricas. “Em 2017, 67% dos mais ricos estavam entre os grandes poupadores. Os jovens fazem face apenas às despesas do quotidiano, embora não exista uma perceção, baseada em estudos, sobre como se comportam perante a reforma”, afirmou a economista Susana Peralta, da Nova School of Business and Economics, apontando outro dado relevante: a riqueza líquida nesse ano apresentava valores mínimos nas famílias em que o indivíduo de referência é mais jovem e máximos nas famílias cuja referência é um trabalhador por conta própria ou que completou o ensino superior. Num tempo de acesso difícil ao emprego, uma boa parte da população jovem vive mais de estímulos ao consumo do que à poupança ou expostos a projeções de sustentabilidade a longo prazo. “O ser humano é mau a prever o futuro. Há alguma evidência que mostra que os jovens vivem muito no presente, querem aproveitar a juventude, há até alguns estudos internacionais que mostram uma certa pressão social para os jovens gastarem. E existe também uma visão negativa daqueles que são mais aforradores, porque estão a desperdiçar a sua juventude em vez de estarem a consumir.”
Nos casos opostos — em que existe essa preocupação relativa ao futuro —, os investimentos feitos durante a vida ativa podem fazer a diferença quando a idade da reforma chegar, tendo em conta que o compromisso de gerações em que assenta o modelo da Segurança Social pode tornar-se insustentável a longo prazo. “O facto de os jovens pouparem pouco pode refletir vários fatores. Temos de pensar que poupam pouco devido também ao ciclo que atravessam em termos financeiros. É normal que façam os seus investimentos, nestas idades, numa casa própria, na educação dos filhos, e só depois comecem a poupar”, disse ao Expresso o economista Amílcar Moreira, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Perante o problema demográfico do envelhecimento e as sucessivas crises que Portugal tem vivido nos últimos 20 anos, a necessidade de introduzir mudanças no sistema de proteção social torna-se inevitável. “Desde há muito que discutimos a sustentabilidade da Segurança Social e refletimos sobre os ajustes a introduzir no sistema”, disse o secretário de Estado. “Há duas possibilidades: uma mais disruptiva, com as reformas sistémicas que alteram a matriz do modelo, e pequenos ajustes para poder corresponder ao desafio do envelhecimento da população.”
Em Portugal existem 127 idosos por cada 100 jovens. O aumento da esperança média de vida é um sinal de evolução na saúde de uma população, mas a fraca regeneração cria pressões sobre a economia, sistemas de saúde e Segurança Social. É por isso que Amílcar Moreira defende uma aposta na “criação de valor”. “Como é que conseguimos reestruturar a economia num contexto de menor poupança? A verdadeira forma é ter um crescimento superior ao das últimas décadas”. João Pratas, presidente da Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Patrimónios, considera uma alteração do modelo atual para uma espécie de sistema híbrido, que envolva também as empresas e os particulares. “Um sistema por defeito, que induza à poupança”, disse durante o debate.
Apenas as famílias ricas economizam. Jovens são das faixas etárias com menos rendimentos e sem poupanças acumuladas
Trata-se de um dado que ilustra as assimetrias de Portugal. Segundo um inquérito à situação financeira das famílias — realizado pelo o Instituto Nacional de Estatística (INE) e pelo Banco de Portugal (BdP), as famílias do conjunto das 10% com maior riqueza líquida detinham mais de metade da riqueza líquida total das famílias portuguesas. Embora nos últimos anos se tenha registado um aumento da riqueza líquida, este crescimento ocorreu sobretudo entre as classes mais favorecidas.
Entre os grupos com menor capacidade de poupar estão os jovens abaixo dos 35 anos. “Têm uma poupança liquida mesmo muito reduzida, que depois aumenta com o ciclo de vida e volta a diminuir a partir dos 64 anos”, explica a economista Susana Peralta, da Nova Business of School and Economics, acrescentando que existe uma “enorme desproporção” entre as faixas etárias mais jovens. “São pessoas que poupam muito pouco e têm vindo a diminuir cada vez mais essa poupança.” Os principais ativos de quem consegue poupar são imóveis — residência principal e outras, assim como negócios por conta própria e veículos motorizados. Já os depósitos à ordem são o ativo financeiro com maior peso para as famílias com menores rendimentos. “O que temos é de criar políticas públicas que possam influenciar os comportamentos tendo isto como um dado”, conclui a economista.
67%
das famílias mais ricas correspondem ao grupo dos maiores poupadores em Portugal. Entre os grupos com menor capacidade de economizar estão os jovens abaixo dos 35 anos
ESTADO. A SUSTENTABILIDADE DAS PENSÕES E DA SEGURANÇA SOCIAL
Com o envelhecimento progressivo da população portuguesa, as estimativas a longo prazo do sistema social não são otimistas
No final de março do ano passado, o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social alcançou o valor histórico de €18 mil milhões, correspondentes a 8,9% do produto interno bruto (PIB) do país.
O primeiro-ministro, António Costa, garantia que “o horizonte de sustentabilidade do sistema previdencial melhorou 11 anos e o horizonte eventual de aplicação do fundo de estabilização foi adiado em mais 19 anos”. Há, no entanto, um problema demográfico que Portugal enfrenta e que pode alterar este cenário: o envelhecimento da população e as baixas taxas de natalidade. “É evidente que isto cria pressões a longo prazo na Segurança Social: por um lado aumenta o número de pessoas que no futuro serão pensionistas e menos pessoas em idade ativa”, diz ao Expresso o economista Amílcar Moreira, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. “Um segundo problema será a diminuição da população. Menos gente a produzir e a consumir. Isto tem um forte impacto no crescimento da economia e determina a capacidade futura das pensões”, acrescenta Amílcar Moreira.
4,8
milhões era o número de beneficiários ativos da Segurança Social, em 2019. No futuro, aumentará o número de pensionistas
PENSIONISTAS. ALARGAR A IDADE DA REFORMA, MAIS CONTRIBUIÇÕES OU UM SISTEMA MISTO?
Como acumular dinheiro para se estar financeiramente saudável quando chega a idade da reforma?
Os jovens não conseguem poupar, a classe média está cada vez mais reduzida e a grande fatia de pensionistas perde rendimentos com a reforma. Como se garantem condições para os últimos anos de vida? A solução passa por um aumento das contribuições, pelo alargamento da idade da reforma ou pela redução dos benefícios. Mas para isso, defende João Pratas, presidente da Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Patrimónios (APFIPP), seria necessário criar um regime “alternativo” da Segurança Social. “Em vez de ser apenas público, deve fazer-se uma aposta no segundo pilar e no terceiro pilar, ou seja, envolver as empresas e os particulares.” Uma opção que poderá passar pelo aumento do esforço dos trabalhadores, embora a questão seja para onde deverá ser canalizado esse esforço. “Se for para o segundo e terceiro pilares, numa perspetiva de direitos adquiridos, o contribuinte vê melhor o bolo que está a construir para a reforma. E esse bolo é menos permeável, no futuro, a alterações das políticas públicas.”
O modelo seria então “um mix de planos de pensões”. “Se mantivermos tudo como está, arriscamo-nos a sobrecarregar os mais novos com os problemas que os mais velhos não conseguiram resolver.”
15%
do PIB é o valor que a Segurança Social gasta com prestações sociais e subsídios, como pensões, rendimento social de inserção, desemprego e maternidade
IDEIAS-CHAVE
“Em 2001, 64% dos jovens abaixo de 29 anos tinham casa própria. Em 2011, eram apenas 45%. Vamos ver o que nos dizem os próximos censos, mas o número terá reduzido para perto de um quarto. Os jovens poupam pouco e cada vez menos”
Susana Peralta
Economista
“Temos de distinguir entre sustentabilidade financeira — que tem a ver com a capacidade de as receitas da Segurança Social cobrirem as suas despesas — e a própria sustentabilidade social. É preciso receitas que assegurem uma transição para a reforma, que não quebrem rendimentos e protejam contra a pobreza”
Amílcar Moreira
Economista
“Neste quadro atual de contribuições, o sistema poderá não ser sustentável a longo prazo, tendo presente o problema das curvas contrárias, do crescimento da população ativa e não ativa. Há um problema intergeracional: se mantivermos tudo como está, arriscamo-nos a sobrecarregar as gerações mais novas. Se estamos a caminhar para um desequilíbrio futuro da Segurança Social, serão os nossos filhos a carregar o problema”
João Pratas
Presidente da APFIPP
Textos originalmente publicados no Expresso de 24 de outubro de 2020
7.7.20
Metade das famílias portuguesas só tem poupanças até cinco meses, diz estudo do Bruegel
in Expresso
Portugal aparece entre os países com menor robustez no estudo do think tank Bruegel
As poupanças das famílias portugueses, antes da pandemia, já eram magras. Agora, tudo indica, devem ter ainda menos volume. De acordo com um estudo de três economistas do think tank Bruegel, metade das famílias em Portugal, até ao início de março, só tinha poupanças para, no máximo, cinco meses de consumos básicos. Esta notícia é avançada pelo “Jornal de Negócios” esta terça-feira.
Os economistas do Bruegel analisaram os dados do Eurostat e do Banco Central Europeu sobre rendimentos, consumo e níveis de vida das famílias europeias e concluíram que a fragilidade financeira é grande.
“Uma em cada três famílias na União Europeia não está preparada para reagir a choques inesperados, quanto mais numa pandemia”, aponta o estudo.
Na generalidade dos países europeus, as famílias apresentam uma fragilidade que os economistas consideram elevada. Portugal aparece entre os países com menor robustez: metade das famílias esgota as poupanças em pouco mais de cinco meses.
Malta e Áustria destacam-se como os países com maior robustez financeira, com capacidade para aguentar os consumos básicos durante mais de 15 meses.
Portugal aparece entre os países com menor robustez no estudo do think tank Bruegel
As poupanças das famílias portugueses, antes da pandemia, já eram magras. Agora, tudo indica, devem ter ainda menos volume. De acordo com um estudo de três economistas do think tank Bruegel, metade das famílias em Portugal, até ao início de março, só tinha poupanças para, no máximo, cinco meses de consumos básicos. Esta notícia é avançada pelo “Jornal de Negócios” esta terça-feira.
Os economistas do Bruegel analisaram os dados do Eurostat e do Banco Central Europeu sobre rendimentos, consumo e níveis de vida das famílias europeias e concluíram que a fragilidade financeira é grande.
“Uma em cada três famílias na União Europeia não está preparada para reagir a choques inesperados, quanto mais numa pandemia”, aponta o estudo.
Na generalidade dos países europeus, as famílias apresentam uma fragilidade que os economistas consideram elevada. Portugal aparece entre os países com menor robustez: metade das famílias esgota as poupanças em pouco mais de cinco meses.
Malta e Áustria destacam-se como os países com maior robustez financeira, com capacidade para aguentar os consumos básicos durante mais de 15 meses.
6.11.18
Portugueses só poupam em média 80 euros por mês
in SicNotícias
Os portugueses só conseguem poupar, em média, 80 euros por mês, um dos valores mais baixos entre os países da União Europeia, segundo o 'European Payment Consumer Report' da Intrum, hoje divulgado.
O relatório revelou "que os portugueses conseguem poupar em média 80 euros por mês, valor este bastante baixo em relação à média europeia que é de 385 euros", disse, em comunicado a Intrum.
Países como a Suíça (250 euros), a Noruega (198 euros) e a Suécia (184 euros) possuem os valores de poupança mais elevados.
Abaixo da média de Portugal estão a Polónia (69 euros), a Lituânia (67 euros), a Letónia (44 euros), a Hungria (40 euros), a Roménia (40 euros) e a Grécia (31 euros).
No entanto, mais de metade (57%) dos portugueses inquiridos acreditam que a sua situação económica vai melhorar, enquanto a média europeia se fixa nos 64%.
Por sua vez, o estudo revelou que 58% dos portugueses conseguem poupar dinheiro mensalmente, um valor praticamente igual ao da média europeia que ronda os 57%.
Entre os principais motivos que levam os portugueses a poupar contam-se pagar despesas inesperadas (76%), viajar (42%), juntar mais dinheiro para uma eventual perda de emprego ou de outro rendimento (31%) ou para a reforma (26%).
De acordo com o 'European Payment Consumer Report', 66% dos portugueses têm uma conta poupança, valor superior à média europeia que é de 56%.
"Mais de metade dos portugueses possui uma conta poupança e isso demonstra o quão importante é a gestão do nosso dinheiro. Poupar é a melhor forma de nos prevenirmos de situações menos boas que possam ocorrer", disse, em comunicado, o diretor-geral da Intrum Portugal, Luís Salvaterra.
Para a realização do estudo, elaborado no âmbito do dia mundial da poupança que se realiza em 31 de outubro, foram entrevistados 24.401 consumidores europeus, 1.009 dos quais em Portugal.
Lusa
Os portugueses só conseguem poupar, em média, 80 euros por mês, um dos valores mais baixos entre os países da União Europeia, segundo o 'European Payment Consumer Report' da Intrum, hoje divulgado.
O relatório revelou "que os portugueses conseguem poupar em média 80 euros por mês, valor este bastante baixo em relação à média europeia que é de 385 euros", disse, em comunicado a Intrum.
Países como a Suíça (250 euros), a Noruega (198 euros) e a Suécia (184 euros) possuem os valores de poupança mais elevados.
Abaixo da média de Portugal estão a Polónia (69 euros), a Lituânia (67 euros), a Letónia (44 euros), a Hungria (40 euros), a Roménia (40 euros) e a Grécia (31 euros).
No entanto, mais de metade (57%) dos portugueses inquiridos acreditam que a sua situação económica vai melhorar, enquanto a média europeia se fixa nos 64%.
Por sua vez, o estudo revelou que 58% dos portugueses conseguem poupar dinheiro mensalmente, um valor praticamente igual ao da média europeia que ronda os 57%.
Entre os principais motivos que levam os portugueses a poupar contam-se pagar despesas inesperadas (76%), viajar (42%), juntar mais dinheiro para uma eventual perda de emprego ou de outro rendimento (31%) ou para a reforma (26%).
De acordo com o 'European Payment Consumer Report', 66% dos portugueses têm uma conta poupança, valor superior à média europeia que é de 56%.
"Mais de metade dos portugueses possui uma conta poupança e isso demonstra o quão importante é a gestão do nosso dinheiro. Poupar é a melhor forma de nos prevenirmos de situações menos boas que possam ocorrer", disse, em comunicado, o diretor-geral da Intrum Portugal, Luís Salvaterra.
Para a realização do estudo, elaborado no âmbito do dia mundial da poupança que se realiza em 31 de outubro, foram entrevistados 24.401 consumidores europeus, 1.009 dos quais em Portugal.
Lusa
3.8.16
Famílias têm mais dinheiro disponível. Mas pouco
Vitor Martins, in Diário de Notícias
Rendimento disponível das famílias portuguesas subiu 5,7% face ao mínimo de 2014. Na OCDE aumentou 21,2%
Dinheiro não compra felicidade, mas ajuda... pelo menos a elevar os padrões de qualidade de vida. Em Portugal, de acordo com o Índice para uma Vida Melhor, realizado pela OCDE, o rendimento médio disponível líquido das famílias, ajustado per capita, é hoje de 19 882 por ano. São mais 1076 dólares (+5,7%) do que o valor de 2014, quando bateu mínimos dos últimos anos. Mas está muito longe dos 29 016 dólares da média da OCDE, onde o rendimento subiu 21,2% no mesmo período. E há uma diferença importante entre os mais ricos e os mais pobres - os 20% mais favorecidos ganham quase seis vezes mais do que os 20% menos favorecidos.
Portugal apresenta bom desempenho em apenas algumas das 11 medidas de bem-estar do Índice para uma Vida Melhor. Portugal está acima da média na habitação, segurança pessoal e qualidade do meio ambiente, mas abaixo da média no rendimento, estado de saúde, educação e emprego.
Veja-se o exemplo do emprego - 63% dos portugueses com idade entre 15 a 64 anos têm emprego remunerado. Na OCDE são 66%. Em Portugal, 10% dos empregados fazem horas extraordinárias, abaixo dos 13% da média da OCDE. Dado curioso: 13% dos homens trabalham horas extra, contra apenas 7% das mulheres.
Boa educação e qualificações ajudam a conseguir um emprego. Em Portugal, só 43% dos adultos com idades entre 25 e 64 anos concluíram o ensino médio, muito abaixo da média da OCDE (76%) e um dos menores índices entre as 34 economias mais desenvolvidas. Há mais mulheres com o ensino médio (48%) do que homens (39%). E a qualidade do sistema educativo também fica um pouco abaixo da média da OCDE - o aluno médio obteve pontuação de 488 no domínio de leitura, matemática e ciências, no Programa Avaliação de Estudante Internacional (PISA, na sigla em inglês), contra uma pontuação média de 497 na OCDE. Em Portugal, os estudantes do sexo feminino superaram o desempenho dos estudantes masculinos em dez pontos; na OCDE a diferença é de oito pontos.
Mas estamos à frente na saúde e no ambiente. A esperança de vida no nascimento, em Portugal, é de quase 81 anos, mais um ano do que na OCDE. E o nível de PM2,5 atmosféricas - partículas de poluentes do ar pequenas o suficiente para entrar e causar danos aos pulmões - é de 9,9 microgramas por metro cúbico, abaixo dos 14,05 microgramas da OCDE. Portugal apresenta também bom desempenho na qualidade da água: 89% dos portugueses estão satisfeitos com a qualidade da água, acima da média de 81% da OCDE.
São números que mostram por que é que os portugueses estão menos satisfeitos com as suas vidas. Numa escala de zero a dez, os portugueses classificam-se num nível de 5,1 quanto à satisfação com a vida que têm. É a taxa mais baixa da OCDE, cuja média é de 6,5.
Rendimento disponível das famílias portuguesas subiu 5,7% face ao mínimo de 2014. Na OCDE aumentou 21,2%
Dinheiro não compra felicidade, mas ajuda... pelo menos a elevar os padrões de qualidade de vida. Em Portugal, de acordo com o Índice para uma Vida Melhor, realizado pela OCDE, o rendimento médio disponível líquido das famílias, ajustado per capita, é hoje de 19 882 por ano. São mais 1076 dólares (+5,7%) do que o valor de 2014, quando bateu mínimos dos últimos anos. Mas está muito longe dos 29 016 dólares da média da OCDE, onde o rendimento subiu 21,2% no mesmo período. E há uma diferença importante entre os mais ricos e os mais pobres - os 20% mais favorecidos ganham quase seis vezes mais do que os 20% menos favorecidos.
Portugal apresenta bom desempenho em apenas algumas das 11 medidas de bem-estar do Índice para uma Vida Melhor. Portugal está acima da média na habitação, segurança pessoal e qualidade do meio ambiente, mas abaixo da média no rendimento, estado de saúde, educação e emprego.
Veja-se o exemplo do emprego - 63% dos portugueses com idade entre 15 a 64 anos têm emprego remunerado. Na OCDE são 66%. Em Portugal, 10% dos empregados fazem horas extraordinárias, abaixo dos 13% da média da OCDE. Dado curioso: 13% dos homens trabalham horas extra, contra apenas 7% das mulheres.
Boa educação e qualificações ajudam a conseguir um emprego. Em Portugal, só 43% dos adultos com idades entre 25 e 64 anos concluíram o ensino médio, muito abaixo da média da OCDE (76%) e um dos menores índices entre as 34 economias mais desenvolvidas. Há mais mulheres com o ensino médio (48%) do que homens (39%). E a qualidade do sistema educativo também fica um pouco abaixo da média da OCDE - o aluno médio obteve pontuação de 488 no domínio de leitura, matemática e ciências, no Programa Avaliação de Estudante Internacional (PISA, na sigla em inglês), contra uma pontuação média de 497 na OCDE. Em Portugal, os estudantes do sexo feminino superaram o desempenho dos estudantes masculinos em dez pontos; na OCDE a diferença é de oito pontos.
Mas estamos à frente na saúde e no ambiente. A esperança de vida no nascimento, em Portugal, é de quase 81 anos, mais um ano do que na OCDE. E o nível de PM2,5 atmosféricas - partículas de poluentes do ar pequenas o suficiente para entrar e causar danos aos pulmões - é de 9,9 microgramas por metro cúbico, abaixo dos 14,05 microgramas da OCDE. Portugal apresenta também bom desempenho na qualidade da água: 89% dos portugueses estão satisfeitos com a qualidade da água, acima da média de 81% da OCDE.
São números que mostram por que é que os portugueses estão menos satisfeitos com as suas vidas. Numa escala de zero a dez, os portugueses classificam-se num nível de 5,1 quanto à satisfação com a vida que têm. É a taxa mais baixa da OCDE, cuja média é de 6,5.
18.11.15
Deco diz que mais vale ter o dinheiro "debaixo do colchão"
in Jornal de Notícias
A Deco diz que as aplicações nos bancos em Portugal "significam perder dinheiro", sendo que "em 10 bancos é preferível" colocá-lo "debaixo do colchão", segundo uma análise efetuada pela revista Proteste Investe.
A instituição de defesa do consumidor foi a 20 bancos procurar soluções para aplicar 2500 euros por um ano e chegaram à conclusão que as instituições bancárias "cobram mais em comissões de manutenção de conta do que os juros" que o cliente irá receber.
No teste realizado, a revista Proteste Investe indica que nos bancos 'online' "não são cobradas comissões, o que os torna mais atrativos para aplicar as pequenas poupanças, mas o rendimento fica abaixo da inflação".
A Deco indica que os bancos oferecem para a aplicação de 2500 euros juros entre 1,8 e 36 euros, "mas as comissões de manutenção das contas podem chegar aos 83,2 euros", sendo que os depósitos de pequeno montante são devorados pelas comissões e inflação.
No teste, a Deco refere que "em 10 bancos, abrir uma conta especificamente para aplicar 2500 euros a um ano significa então perder dinheiro, pois cobram mais em comissões de manutenção da conta do que os juros que vai receber".
Segundo as contas da Proteste Investe, se um português "tem um pequeno pé-de-meia - 2500 euros, por hipótese - no seu banco de sempre" e tendo em conta que o rendimento médio de um depósito a 12 meses anda na casa dos 0,3% ao ano, "ao fim de um ano terá aumentado o seu pecúlio em uns estonteantes 7,5 euros".
Ou seja, "menos do que precisaria de receber para fazer face à inflação prevista em 2016 (1,2%) e cerca de 5 a 11 vezes menos do que paga ao próprio banco para este guardar o seu dinheiro e usá-lo em benefício próprio, para se autofinanciar".
A Deco volta a lembrar que a proibição de "as instituições bancárias de cobrarem comissões por manutenção de contas é uma luta" que se mantém há dois anos.
Por isso, a Deco reiterou junto do Banco de Portugal e dos partidos parlamentares, "a urgência na aprovação de legislação que proíba as comissões de manutenção, ou que, em alternativa, as permita, mas apenas na medida em que correspondam a encargos pelos serviços adicionais efetivamente prestados ao consumidor".
A Deco diz que as aplicações nos bancos em Portugal "significam perder dinheiro", sendo que "em 10 bancos é preferível" colocá-lo "debaixo do colchão", segundo uma análise efetuada pela revista Proteste Investe.
A instituição de defesa do consumidor foi a 20 bancos procurar soluções para aplicar 2500 euros por um ano e chegaram à conclusão que as instituições bancárias "cobram mais em comissões de manutenção de conta do que os juros" que o cliente irá receber.
No teste realizado, a revista Proteste Investe indica que nos bancos 'online' "não são cobradas comissões, o que os torna mais atrativos para aplicar as pequenas poupanças, mas o rendimento fica abaixo da inflação".
A Deco indica que os bancos oferecem para a aplicação de 2500 euros juros entre 1,8 e 36 euros, "mas as comissões de manutenção das contas podem chegar aos 83,2 euros", sendo que os depósitos de pequeno montante são devorados pelas comissões e inflação.
No teste, a Deco refere que "em 10 bancos, abrir uma conta especificamente para aplicar 2500 euros a um ano significa então perder dinheiro, pois cobram mais em comissões de manutenção da conta do que os juros que vai receber".
Segundo as contas da Proteste Investe, se um português "tem um pequeno pé-de-meia - 2500 euros, por hipótese - no seu banco de sempre" e tendo em conta que o rendimento médio de um depósito a 12 meses anda na casa dos 0,3% ao ano, "ao fim de um ano terá aumentado o seu pecúlio em uns estonteantes 7,5 euros".
Ou seja, "menos do que precisaria de receber para fazer face à inflação prevista em 2016 (1,2%) e cerca de 5 a 11 vezes menos do que paga ao próprio banco para este guardar o seu dinheiro e usá-lo em benefício próprio, para se autofinanciar".
A Deco volta a lembrar que a proibição de "as instituições bancárias de cobrarem comissões por manutenção de contas é uma luta" que se mantém há dois anos.
Por isso, a Deco reiterou junto do Banco de Portugal e dos partidos parlamentares, "a urgência na aprovação de legislação que proíba as comissões de manutenção, ou que, em alternativa, as permita, mas apenas na medida em que correspondam a encargos pelos serviços adicionais efetivamente prestados ao consumidor".
9.4.15
Depois da energia, um leilão para poupar no supermercado
in RR
Iniciativa lançada pela Deco. Quanto mais consumidores se inscreverem, maior o interesse por parte das cadeias e o desconto a alcançar, diz a associação.
A Deco vai fazer um leilão para ajudar os consumidores a poupar nas compras do supermercado durante um ano. O objectivo é alcançar um desconto num cabaz com cerca de 35 produtos essenciais, como o leite ou a fruta.
Ajudar as famílias portuguesas, "neste momento de crise", a recuperar o poder de compra que tinham há alguns anos é o objectivo da Associação Portuguesa para Defesa do Consumidor.
"Com este leilão, a Deco vai convidar os principais operadores a colaborarem para se obter um desconto significativo para os consumidores no acesso a 35 categorias de produtos essenciais. Ou seja, aqueles que são comprados com mais frequência", explica à Renascença Miguel Laje, da Deco.
As cadeias de supermercados vão fazer as suas melhores propostas de preços, durante um ano, e os consumidores escolhem. A iniciativa é semelhante à que foi feita pela Deco para a energia.
A associação garante que a pessoa terá total liberdade de comprar a marca que entender na cadeia vencedora. Para isso, basta registar-se até 31 de Maio na plataforma "Poupe no Cabaz". O leilão está marcado para dia 2 de Junho.
A associação apela à participação de todos: quanto mais consumidores se inscreverem, maior o interesse por parte das cadeias e o desconto a alcançar.
Os produtos alimentares representam a terceira maior despesa dos agregados familiares.
Iniciativa lançada pela Deco. Quanto mais consumidores se inscreverem, maior o interesse por parte das cadeias e o desconto a alcançar, diz a associação.
A Deco vai fazer um leilão para ajudar os consumidores a poupar nas compras do supermercado durante um ano. O objectivo é alcançar um desconto num cabaz com cerca de 35 produtos essenciais, como o leite ou a fruta.
Ajudar as famílias portuguesas, "neste momento de crise", a recuperar o poder de compra que tinham há alguns anos é o objectivo da Associação Portuguesa para Defesa do Consumidor.
"Com este leilão, a Deco vai convidar os principais operadores a colaborarem para se obter um desconto significativo para os consumidores no acesso a 35 categorias de produtos essenciais. Ou seja, aqueles que são comprados com mais frequência", explica à Renascença Miguel Laje, da Deco.
As cadeias de supermercados vão fazer as suas melhores propostas de preços, durante um ano, e os consumidores escolhem. A iniciativa é semelhante à que foi feita pela Deco para a energia.
A associação garante que a pessoa terá total liberdade de comprar a marca que entender na cadeia vencedora. Para isso, basta registar-se até 31 de Maio na plataforma "Poupe no Cabaz". O leilão está marcado para dia 2 de Junho.
A associação apela à participação de todos: quanto mais consumidores se inscreverem, maior o interesse por parte das cadeias e o desconto a alcançar.
Os produtos alimentares representam a terceira maior despesa dos agregados familiares.
30.1.15
Famílias vão poupar até 16 euros por ano com a fatura do gás
por Ana Margarida Pinheiro, in Dinheiro Vivo
Contribuição poderá resultar numa poupança para os consumidores de gás natural.
A fatura do gás vai encolher já em abril. O Governo aprovou uma alteração à contribuição especial sobre as energéticas que deverá trazer um encaixe extraordinário de 150 milhões de euros. Com esse valor, a fatura do gás cairá 3% a 5% durante três anos.
Se a medida for para a frente, uma família com filhos que tenha uma fatura média mensal de 26,68 euros e um consumo tipo de 320 m3 de gás, dados da ERSE, conseguirá poupar até 16 euros por ano. Já um casal sem filhos com consumo tipo de 150 m3 deverá ver a conta do gás cair até 8,4 euros/ ano, de acordo com os mesmos dados.
A medida aprovada ontem em Conselho de Ministros obriga a que a Galp pague pelas mais-valias obtidas entre 2006 e 2012 - quando detinha o monopólio da distribuição do gás natural- através de um processo de take or pay com a Argélia e a Nigéria. Como contratava uma determinada quantidade de gás sem garantia de que seria utilizada pagava um preço mais baixo. Mas o governo diz que "os benefícios não foram alargados aos consumidores". "Durante muito tempo o sistema salvaguardou os riscos [desses contratos] mas não acautelou os benefícios pelas circunstâncias de se ter revendido esse gás", afirmou ontem o ministro da energia. "Como no passado, fizemos incidir uma sobretaxa sobre os ativos [tangíveis e intangíveis]. Também consideramos que contratos take or pay, traduzindo-se num ativo, devem ser alvo da contribuição", justificou Jorge Moreira da Silva.
Mas a batalha pela cobrança destas mais-valias não se adivinha fácil. O Governo já tem um braço de ferro com a REN e a Galp, precisamente pela versão inicial da contribuição extraordinária, que começou em 0,85% e incidia sobre os ativos das energéticas. O impacto estimado na Galp era de 35 milhões de euros, enquanto na REN o número se estimava em 24 milhões de euros. A EDP foi a principal contribuinte taxa, estando responsável por cerca de 45 milhões de euros, mas foi também a única que a pagou.
O Dinheiro Vivo questionou a Galp relativamente à aprovação de uma nova taxa, mas a empresa não respondeu até ao fecho desta edição. No entanto, o presidente da empresa, Ferreira de Oliveira, disse no início do mês, quando se adivinhava este desfecho, que rejeita que a petrolífera seja penalizada por "ter contribuído para minimizar as consequências" de contratos de longo prazo de aquisição de gás natural que seriam "gravíssimas" para os consumidores.
Depois da aprovação dos ministros, o diploma ainda vai a discussão no Parlamento, pelo que poderá ser alterado. Fonte do mercado lembra que há muitas dúvidas neste momento, especialmente sobre "que instrumento virá a ser criado para converter o encaixe numa poupança para as famílias". O ministério do Ambiente também não respondeu às questões do Dinheiro Vivo.
Contribuição poderá resultar numa poupança para os consumidores de gás natural.
A fatura do gás vai encolher já em abril. O Governo aprovou uma alteração à contribuição especial sobre as energéticas que deverá trazer um encaixe extraordinário de 150 milhões de euros. Com esse valor, a fatura do gás cairá 3% a 5% durante três anos.
Se a medida for para a frente, uma família com filhos que tenha uma fatura média mensal de 26,68 euros e um consumo tipo de 320 m3 de gás, dados da ERSE, conseguirá poupar até 16 euros por ano. Já um casal sem filhos com consumo tipo de 150 m3 deverá ver a conta do gás cair até 8,4 euros/ ano, de acordo com os mesmos dados.
A medida aprovada ontem em Conselho de Ministros obriga a que a Galp pague pelas mais-valias obtidas entre 2006 e 2012 - quando detinha o monopólio da distribuição do gás natural- através de um processo de take or pay com a Argélia e a Nigéria. Como contratava uma determinada quantidade de gás sem garantia de que seria utilizada pagava um preço mais baixo. Mas o governo diz que "os benefícios não foram alargados aos consumidores". "Durante muito tempo o sistema salvaguardou os riscos [desses contratos] mas não acautelou os benefícios pelas circunstâncias de se ter revendido esse gás", afirmou ontem o ministro da energia. "Como no passado, fizemos incidir uma sobretaxa sobre os ativos [tangíveis e intangíveis]. Também consideramos que contratos take or pay, traduzindo-se num ativo, devem ser alvo da contribuição", justificou Jorge Moreira da Silva.
Mas a batalha pela cobrança destas mais-valias não se adivinha fácil. O Governo já tem um braço de ferro com a REN e a Galp, precisamente pela versão inicial da contribuição extraordinária, que começou em 0,85% e incidia sobre os ativos das energéticas. O impacto estimado na Galp era de 35 milhões de euros, enquanto na REN o número se estimava em 24 milhões de euros. A EDP foi a principal contribuinte taxa, estando responsável por cerca de 45 milhões de euros, mas foi também a única que a pagou.
O Dinheiro Vivo questionou a Galp relativamente à aprovação de uma nova taxa, mas a empresa não respondeu até ao fecho desta edição. No entanto, o presidente da empresa, Ferreira de Oliveira, disse no início do mês, quando se adivinhava este desfecho, que rejeita que a petrolífera seja penalizada por "ter contribuído para minimizar as consequências" de contratos de longo prazo de aquisição de gás natural que seriam "gravíssimas" para os consumidores.
Depois da aprovação dos ministros, o diploma ainda vai a discussão no Parlamento, pelo que poderá ser alterado. Fonte do mercado lembra que há muitas dúvidas neste momento, especialmente sobre "que instrumento virá a ser criado para converter o encaixe numa poupança para as famílias". O ministério do Ambiente também não respondeu às questões do Dinheiro Vivo.
5.11.13
Metade dos portugueses vai gastar menos nas prendas de Natal
in iOnline
O orçamento para as prendas de Natal este ano é de 114 euros
Cerca de metade dos portugueses esperam gastar menos em presentes de Natal do que no ano passado, revela um estudo do Observador Cetelem. Já 37% pretende gastar o mesmo.
O mesmo estudo concluiu que 65% dos portugueses diz ter perdido poder de compra face a 2012. O estudo “Intenções de Compra para o Natal 2013” revelou também que em prendas para oferecer, 47% opta por vestuário, 15% por perfumes e relógios, smartphones e artigos de Lazer e Viagens e 11% em produtos culturais como livros e CD's.
As Lojas de Centros Comerciais continuam a ser o local de eleição para 66% dos portugueses fazerem as compras de Natal. Seguem-se os hipermercados - 46% - e as lojas de comércio tradicional - 44%.
O orçamento para as prendas de Natal este ano é de 114 euros. Desde 2011 que o valor está em queda: nesse ano foi 192 euros e no ano passado foi 126 euros.
O orçamento para as prendas de Natal este ano é de 114 euros
Cerca de metade dos portugueses esperam gastar menos em presentes de Natal do que no ano passado, revela um estudo do Observador Cetelem. Já 37% pretende gastar o mesmo.
O mesmo estudo concluiu que 65% dos portugueses diz ter perdido poder de compra face a 2012. O estudo “Intenções de Compra para o Natal 2013” revelou também que em prendas para oferecer, 47% opta por vestuário, 15% por perfumes e relógios, smartphones e artigos de Lazer e Viagens e 11% em produtos culturais como livros e CD's.
As Lojas de Centros Comerciais continuam a ser o local de eleição para 66% dos portugueses fazerem as compras de Natal. Seguem-se os hipermercados - 46% - e as lojas de comércio tradicional - 44%.
O orçamento para as prendas de Natal este ano é de 114 euros. Desde 2011 que o valor está em queda: nesse ano foi 192 euros e no ano passado foi 126 euros.
29.10.13
Crianças sabem que poupar é importante e criticam pais quando gastam demais
in SOL
As crianças acreditam que poupar é importante, chegando mesmo a criticar os pais quando acham que eles gastam demasiado, disse à agência Lusa a investigadora Raquel Barbosa Ribeiro.
Segundo a investigadora do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, que em 2011 coordenou o estudo ‘Consumo e poupança infantil: diferenças por contexto socioeconómico’, a poupança nas crianças sempre foi “muito valorizada”.
A maioria das crianças dos oito aos 12 anos inquiridas no estudo, disse acreditar que “quem poupa vive melhor do que quem não poupa (74%)”, disse a socióloga, que falava à Lusa a propósito do Dia Mundial da Poupança, que se assinala na quinta-feira.
Citando o estudo, que inquiriu 245 alunos do 1.º ciclo, Raquel Barbosa Ribeiro disse que 97% das crianças evocou que a sua família dizia que poupar era importante, 79% atribuiu aos pais a mensagem de que o dinheiro não é para desperdiçar e 72% de que não se deve gastar o dinheiro.
“Os conteúdos transmitidos pelos pais aos filhos sobre consumo parecem valorizar muito a poupança”, salientou.
A socióloga adiantou que, segundo outros estudos que tem realizado, o destaque dado à poupança, em diferentes períodos (incluindo o anterior aos primeiros indicadores de recessão económica) manteve-se muito elevado, em diferentes gerações.
“Daí que, pelo menos do ponto de vista das crenças e atitudes, as crianças acreditem que poupar é importante, chegando mesmo a ‘criticar’ os pais quando acham que eles gastam demasiado”, sustentou, observando que este é um traço que se encontra noutros estudos com crianças de diferentes países.
Para sensibilizar os jovens para esta temática, a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor realiza, na quinta-feira, várias actividades dirigidas aos mais novos e acções em escolas.
“As crianças devem começar desde cedo a ter contacto com esta realidade”, disse à Lusa a coordenadora do Gabinete de Apoio ao Sobreendividado da DECO, Natália Nunes.
Para assinalar a efeméride, a DECO lançou a pergunta se “ainda é possível poupar” num ambiente de crise, em que as famílias são confrontadas com a redução do seu rendimento disponível.
Para Natália Nunes, ainda é possível fazê-lo: “É verdade que não é fácil fazê-lo com toda a pressão que existe actualmente”.
Contudo, “fruto desta crise e da incerteza relativamente aos rendimentos futuros, as pessoas já estão conscientes da necessidade de poupar” e têm vindo “a adoptar alguns hábitos de consumo que lhes permite gastar menos e consequentemente poupar”.
“Um dos aspectos positivos desta crise é o de consciencializar as pessoas de que não podem continuar a ter os comportamentos de consumo que tiveram nos últimos tempos”, sublinhou.
Os portugueses têm de “olhar para o seu orçamento, serem mais responsáveis na forma como lidam com o dinheiro e dar um papel fundamental à questão de poupança”, disse Natália Nunes.
Como dicas de poupança, aconselhou a realização de um “orçamento familiar”, o “melhor instrumento” para gerir de “forma responsável” o dinheiro.
É fundamental que as famílias tenham uma poupança para “os imprevistos” e para aquisição de um bem ou serviço a médio prazo.
“Deve haver também uma preocupação com a poupança a longo prazo” a pensar na reforma, sublinhou.
Lusa/SOL
As crianças acreditam que poupar é importante, chegando mesmo a criticar os pais quando acham que eles gastam demasiado, disse à agência Lusa a investigadora Raquel Barbosa Ribeiro.
Segundo a investigadora do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, que em 2011 coordenou o estudo ‘Consumo e poupança infantil: diferenças por contexto socioeconómico’, a poupança nas crianças sempre foi “muito valorizada”.
A maioria das crianças dos oito aos 12 anos inquiridas no estudo, disse acreditar que “quem poupa vive melhor do que quem não poupa (74%)”, disse a socióloga, que falava à Lusa a propósito do Dia Mundial da Poupança, que se assinala na quinta-feira.
Citando o estudo, que inquiriu 245 alunos do 1.º ciclo, Raquel Barbosa Ribeiro disse que 97% das crianças evocou que a sua família dizia que poupar era importante, 79% atribuiu aos pais a mensagem de que o dinheiro não é para desperdiçar e 72% de que não se deve gastar o dinheiro.
“Os conteúdos transmitidos pelos pais aos filhos sobre consumo parecem valorizar muito a poupança”, salientou.
A socióloga adiantou que, segundo outros estudos que tem realizado, o destaque dado à poupança, em diferentes períodos (incluindo o anterior aos primeiros indicadores de recessão económica) manteve-se muito elevado, em diferentes gerações.
“Daí que, pelo menos do ponto de vista das crenças e atitudes, as crianças acreditem que poupar é importante, chegando mesmo a ‘criticar’ os pais quando acham que eles gastam demasiado”, sustentou, observando que este é um traço que se encontra noutros estudos com crianças de diferentes países.
Para sensibilizar os jovens para esta temática, a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor realiza, na quinta-feira, várias actividades dirigidas aos mais novos e acções em escolas.
“As crianças devem começar desde cedo a ter contacto com esta realidade”, disse à Lusa a coordenadora do Gabinete de Apoio ao Sobreendividado da DECO, Natália Nunes.
Para assinalar a efeméride, a DECO lançou a pergunta se “ainda é possível poupar” num ambiente de crise, em que as famílias são confrontadas com a redução do seu rendimento disponível.
Para Natália Nunes, ainda é possível fazê-lo: “É verdade que não é fácil fazê-lo com toda a pressão que existe actualmente”.
Contudo, “fruto desta crise e da incerteza relativamente aos rendimentos futuros, as pessoas já estão conscientes da necessidade de poupar” e têm vindo “a adoptar alguns hábitos de consumo que lhes permite gastar menos e consequentemente poupar”.
“Um dos aspectos positivos desta crise é o de consciencializar as pessoas de que não podem continuar a ter os comportamentos de consumo que tiveram nos últimos tempos”, sublinhou.
Os portugueses têm de “olhar para o seu orçamento, serem mais responsáveis na forma como lidam com o dinheiro e dar um papel fundamental à questão de poupança”, disse Natália Nunes.
Como dicas de poupança, aconselhou a realização de um “orçamento familiar”, o “melhor instrumento” para gerir de “forma responsável” o dinheiro.
É fundamental que as famílias tenham uma poupança para “os imprevistos” e para aquisição de um bem ou serviço a médio prazo.
“Deve haver também uma preocupação com a poupança a longo prazo” a pensar na reforma, sublinhou.
Lusa/SOL
9.4.13
Já é possível dormir sobre o seu dinheiro. Literalmente
Por Diogo Pombo, in iOnline
Empresa espanhola inspirou-se na tradição popular e criou um colchão com um cofre no seu interior. Mas só a troco de 875 euros
Um mais um, são dois. Chegar a este resultado é tão fácil como aceitar o convite ao trocadilho feito pela DESS, empresa espanhola que também aproveitou uma conta de somar para chegar ao seu mais recente produto - juntou a frase popular “guardar o dinheiro debaixo do colchão” ao clima de receio gerado pela taxa aplicada aos depósitos bancários no Chipre. O resultado foi um colchão com um cofre electrónico no interior e que “não baila ao som dos mercados”.
“Tenho um aspecto estúpido?”, é a questão que Francisco Santos, presidente da empresa, coloca num dos vídeos que publicitam o colchão. Nele surge como líder de uma fictícia La Caja de Ahorros Mi Colchón (Caixa de Poupança Meu Colchão, em tradução livre), a brincar com as iniciais TAE - a Taxa Anual Efectiva, negociada entre o banco e o cliente quando uma instituição concede um empréstimo. O objectivo é frisar que a Mi Colchón “não sabe o que é a TAE nem se importa com isso”. A solução que oferece não dá cartões de crédito ou cheques aos clientes, pois “só se preocupa se descansam bem e com o seu dinheiro muito próximo de si”. A publicidade ao produto vai à boleia desta abordagem: realçar as suas vantagens face aos tradicionais depósitos bancários.
Tudo porque, no interior do colchão, foi inserida uma “caixa forte”, com um sistema de código electrónico, feito à base de metal, com dez centímetros de altura por 15 de largura. Em Espanha, os primeiros 20 colchões foram vendidos em menos de 24 horas, todos por um preço a rondar os 875 euros. Para João Lázaro, a empresa não podia ter escolhido melhor altura. “É claramente um negócio de oportunidade”, sublinha ao i dirigente da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV).
E basta recordar o caso de Chipre para explicar porquê. A 25 de Março, o país revelou que os depósitos bancários acima de 100 mil euros seriam taxados. Uma contrapartida do resgate financeiro ao país, avaliado em 10 mil milhões de euros. O pacote abandonou a proposta inicial - de taxar igualmente os depósitos com montantes inferiores - mas não apagou o receio de a medida alastrar a mais países com planos de resgate, como a Grécia, Portugal e Irlanda, onde 98,8% dos 16,4 milhões de depósitos existentes têm montantes inferiores a 100 mil euros, segundo o Fundo de Garantia de Depósitos. “As taxas aos depósitos em Chipre lançaram algum alarme social, um clima de desconfiança no sistema bancário”, lembrou o dirigente da APAV, antes de argumentar que, em termos de marketing, “é uma óptima ideia”.
Aos olhos de Francisco Santos, o colchão tem tanto de criativo como de louco. “Não vou negar que a ideia tem um ponto de loucura, mas acreditamos que com este colchão as pessoas vão descansar melhor”, revelou o presidente da empresa sediada em Salamanca. A originalidade da ideia é reconhecida, mas quando se trata de inserir cofres em casa para esconder e guardar dinheiro, João Lázaro enalteceu que “o local que a pessoa acha ser melhor pode também ser antecipado pelo ladrão”. Afinal de contas, “não se pode esquecer que a vida do ladrão é descobrir os locais onde estão escondidos os valores”, resume o responsável da APAV. Com tanta publicidade, o colchão corre o risco de passar a ser o primeiro local a ser alvo de busca.
Empresa espanhola inspirou-se na tradição popular e criou um colchão com um cofre no seu interior. Mas só a troco de 875 euros
Um mais um, são dois. Chegar a este resultado é tão fácil como aceitar o convite ao trocadilho feito pela DESS, empresa espanhola que também aproveitou uma conta de somar para chegar ao seu mais recente produto - juntou a frase popular “guardar o dinheiro debaixo do colchão” ao clima de receio gerado pela taxa aplicada aos depósitos bancários no Chipre. O resultado foi um colchão com um cofre electrónico no interior e que “não baila ao som dos mercados”.
“Tenho um aspecto estúpido?”, é a questão que Francisco Santos, presidente da empresa, coloca num dos vídeos que publicitam o colchão. Nele surge como líder de uma fictícia La Caja de Ahorros Mi Colchón (Caixa de Poupança Meu Colchão, em tradução livre), a brincar com as iniciais TAE - a Taxa Anual Efectiva, negociada entre o banco e o cliente quando uma instituição concede um empréstimo. O objectivo é frisar que a Mi Colchón “não sabe o que é a TAE nem se importa com isso”. A solução que oferece não dá cartões de crédito ou cheques aos clientes, pois “só se preocupa se descansam bem e com o seu dinheiro muito próximo de si”. A publicidade ao produto vai à boleia desta abordagem: realçar as suas vantagens face aos tradicionais depósitos bancários.
Tudo porque, no interior do colchão, foi inserida uma “caixa forte”, com um sistema de código electrónico, feito à base de metal, com dez centímetros de altura por 15 de largura. Em Espanha, os primeiros 20 colchões foram vendidos em menos de 24 horas, todos por um preço a rondar os 875 euros. Para João Lázaro, a empresa não podia ter escolhido melhor altura. “É claramente um negócio de oportunidade”, sublinha ao i dirigente da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV).
E basta recordar o caso de Chipre para explicar porquê. A 25 de Março, o país revelou que os depósitos bancários acima de 100 mil euros seriam taxados. Uma contrapartida do resgate financeiro ao país, avaliado em 10 mil milhões de euros. O pacote abandonou a proposta inicial - de taxar igualmente os depósitos com montantes inferiores - mas não apagou o receio de a medida alastrar a mais países com planos de resgate, como a Grécia, Portugal e Irlanda, onde 98,8% dos 16,4 milhões de depósitos existentes têm montantes inferiores a 100 mil euros, segundo o Fundo de Garantia de Depósitos. “As taxas aos depósitos em Chipre lançaram algum alarme social, um clima de desconfiança no sistema bancário”, lembrou o dirigente da APAV, antes de argumentar que, em termos de marketing, “é uma óptima ideia”.
Aos olhos de Francisco Santos, o colchão tem tanto de criativo como de louco. “Não vou negar que a ideia tem um ponto de loucura, mas acreditamos que com este colchão as pessoas vão descansar melhor”, revelou o presidente da empresa sediada em Salamanca. A originalidade da ideia é reconhecida, mas quando se trata de inserir cofres em casa para esconder e guardar dinheiro, João Lázaro enalteceu que “o local que a pessoa acha ser melhor pode também ser antecipado pelo ladrão”. Afinal de contas, “não se pode esquecer que a vida do ladrão é descobrir os locais onde estão escondidos os valores”, resume o responsável da APAV. Com tanta publicidade, o colchão corre o risco de passar a ser o primeiro local a ser alvo de busca.
9.11.12
Governador do Banco de Portugal sublinha que “a poupança em si não é produtiva”
por Paulo Pinto com Lusa, in RR
Poupar para investir é a estratégia certa, segundo Carlos Costa, que defendeu ainda a necessidade de avançar rapidamente com a união bancária europeia.
O governador do Banco de Portugal sublinhou esta sexta-feira que a poupança, quando é possível, só é produtiva quando é transformada em investimento. A redução do consumo, por si só, lembra Carlos Costa, tem um impacto negativo na oferta.
“É que a poupança em si não é produtiva, a poupança em si é apenas uma abstenção de consumo. Se essa abstenção de consumo se limita a ficar entesourada ou debaixo de um colchão ou dentro de um cofre, é apenas uma redução da procura com um impacto negativo sobre a oferta”, explica o economista.
“Se essa abstenção de consumo for transformada em investimento significa que há, do lado da procura, uma procura adicional de investimento, e em segundo lugar há um aumento da oferta no futuro”, completa Carlos Costa.
Poupar para investir é a estratégia certa, segundo o governador do Banco de Portugal, que falava num fórum sobre regulação e supervisão no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.
Carlos Costa defendeu ainda a necessidade de avançar rapidamente para uma união bancária europeia, ainda que inclua um período de transição.
“Para um país como o nosso, é fundamental que a união bancária europeia avance, porque é decisiva para assegurar que as relações entre política orçamental e estabilidade financeira, entre as políticas de finanças públicas e de estabilidade financeira, não são perturbadas, porque são totalmente independentes", afirmou o governador.
Carlos Costa defendeu ainda ser "essencial" assegurar que o fundo de garantia de depósitos da União Europeia, o fundo de resolução de conflitos e o mecanismo europeu de supervisão bancária sejam "instalados tão rapidamente quanto possível".
Poupar para investir é a estratégia certa, segundo Carlos Costa, que defendeu ainda a necessidade de avançar rapidamente com a união bancária europeia.
O governador do Banco de Portugal sublinhou esta sexta-feira que a poupança, quando é possível, só é produtiva quando é transformada em investimento. A redução do consumo, por si só, lembra Carlos Costa, tem um impacto negativo na oferta.
“É que a poupança em si não é produtiva, a poupança em si é apenas uma abstenção de consumo. Se essa abstenção de consumo se limita a ficar entesourada ou debaixo de um colchão ou dentro de um cofre, é apenas uma redução da procura com um impacto negativo sobre a oferta”, explica o economista.
“Se essa abstenção de consumo for transformada em investimento significa que há, do lado da procura, uma procura adicional de investimento, e em segundo lugar há um aumento da oferta no futuro”, completa Carlos Costa.
Poupar para investir é a estratégia certa, segundo o governador do Banco de Portugal, que falava num fórum sobre regulação e supervisão no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.
Carlos Costa defendeu ainda a necessidade de avançar rapidamente para uma união bancária europeia, ainda que inclua um período de transição.
“Para um país como o nosso, é fundamental que a união bancária europeia avance, porque é decisiva para assegurar que as relações entre política orçamental e estabilidade financeira, entre as políticas de finanças públicas e de estabilidade financeira, não são perturbadas, porque são totalmente independentes", afirmou o governador.
Carlos Costa defendeu ainda ser "essencial" assegurar que o fundo de garantia de depósitos da União Europeia, o fundo de resolução de conflitos e o mecanismo europeu de supervisão bancária sejam "instalados tão rapidamente quanto possível".
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