in Correio da Manhã
Cerca de 1,4 milhões de crianças estão em risco de morte por desnutrição na Nigéria, Somália, Sudão do Sul e Iémen, alertou hoje o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). A agência da ONU indicou ainda que estas crianças fazem parte dos 22 milhões de menores deslocados que sofrem de fome, doenças e tiveram de abandonar a escola. "As crianças não podem esperar outra declaração de fome para que tomemos medidas", disse o diretor de Emergências da UNICEF, Manuel Fontaine, num comunicado que pediu ajuda para responder às necessidades imediatas destes quatro países afetados pela fome, a seca e os conflitos armados.
"Aprendemos com a [seca na] Somália de 2011 que, quando se declarou a fome, um número incalculável de crianças já tinha morrido. Isto pode voltar a acontecer", afirmou Fontaine. A UNICEF necessita de cerca de 255 milhões de dólares para proporcionar a estas crianças serviços de alimentação, água, saúde, educação, proteção durante os próximos meses, segundo uma atualização do financiamento da organização. A agência da ONU planeou destinar mais de 81 milhões de dólares (74,5 milhões de euros) a programas de nutrição e fornecimento de alimentos terapêuticos, 53 milhões de dólares (48,7 milhões de euros) a serviços de saúde, incluídas as vacinas, e 47 milhões de dólares (43,2 milhões de euros) para programas de água, saneamento e higiene para prevenir doenças mortais.
"À medida que a violência, a fome e a sede forçam as pessoas a deslocarem-se dentro e fora das fronteiras, as taxas de desnutrição continuarão a aumentar, não só nestes quatro países, mas também na bacia do lago Chade e no Corno de África", disse, destacando a situação dos países vizinhos. O Iémen vive a maior emergência alimentar do mundo, com 7,3 milhões de pessoas que necessitam de ajuda neste momento, segundo a ONU. No Iémen, a UNICEF apoia as crianças com desnutrição grave com assistência económica às suas famílias e serviços de água, saneamento, incluindo o fornecimento de água potável e a promoção da higiene. A UNICEF estima que no Iémen, a cada dez minutos uma criança morre de doenças evitáveis e o número de crianças que sofrem de desnutrição grave aguda aumentou em 200% desde o início da guerra civil no país há dois anos.
Atualmente, no Iémen, estima-se que existam 462.000 crianças que sofrem de desnutrição aguda severa, enquanto em 2014 eram 160.000 crianças. No nordeste da Nigéria, a organização pretende chegar neste ano a 3,9 milhões de pessoas com serviços de atenção primária de saúde e tratar 220 mil crianças menores de cinco anos com desnutrição, também proporcionar acesso à água potável a mais de um milhão de pessoas. A UNICEF atendeu 1,7 milhões de crianças menores de cinco anos na Somália, onde tratou 277.00 casos de desnutrição aguda através dos serviços de saúde e postos de nutrição móveis.
No Sudão do Sul, a agência da ONU presta assistência a 145.000 pessoas nas zonas afetadas ou ameaçadas pela fome, entre as quais 33.000 crianças menores de 5 anos. Quase cinco milhões de pessoas necessitam de alimentos de forma desesperada no Sudão do Sul, enquanto no nordeste da Nigéria 5,1 milhões de pessoas sofrem de carência grave de comida. Na Somália, os preços dos alimentos estão a disparar, quase três milhões de pessoas necessitam de assistência e a ONU calcula que um milhão de crianças menores de cinco anos sofram de desnutrição grave neste ano.
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30.3.17
10.2.17
Mais de 120 mil nigerianos arriscarão fome devido à revolta do Boko Haram
in Notícias ao Minuto
Mais de 120.000 nigerianos poderão arriscar a fome devido à revolta do grupo extremista Boko Haram, entre os 11 milhões que este ano enfrentam severa escassez de alimentos no país, indica um relatório da ONU.
O relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) prevê que a maior crise humanitária de África no nordeste da Nigéria se poderá agravar entre junho e agosto.
"As tendências mostram que a insegurança alimentar e a nutrição estão a piorar", refere o documento da FAO, adiantando que "se calcula que 8,7 milhões de pessoas fiquem em condições críticas, dois milhões em situação de emergência e 121.000 em risco de fome, ascendendo o número total de pessoas em insegurança alimentar a 11 milhões".
O mais afetado é o estado de Borno, de onde é originário o Boko Haram, que terá 65% dos que "arriscam a fome".
Segundo agências das Nações Unidas, 515.000 crianças na região podem morrer se não forem ajudadas.
A corrupção e o conflito entre o Governo e as agências humanitárias tem agravado a crise. As autoridades estão a investigar informações de que agências governamentais locais estão a roubar ajuda alimentar.
Mais de 120.000 nigerianos poderão arriscar a fome devido à revolta do grupo extremista Boko Haram, entre os 11 milhões que este ano enfrentam severa escassez de alimentos no país, indica um relatório da ONU.
O relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) prevê que a maior crise humanitária de África no nordeste da Nigéria se poderá agravar entre junho e agosto.
"As tendências mostram que a insegurança alimentar e a nutrição estão a piorar", refere o documento da FAO, adiantando que "se calcula que 8,7 milhões de pessoas fiquem em condições críticas, dois milhões em situação de emergência e 121.000 em risco de fome, ascendendo o número total de pessoas em insegurança alimentar a 11 milhões".
O mais afetado é o estado de Borno, de onde é originário o Boko Haram, que terá 65% dos que "arriscam a fome".
Segundo agências das Nações Unidas, 515.000 crianças na região podem morrer se não forem ajudadas.
A corrupção e o conflito entre o Governo e as agências humanitárias tem agravado a crise. As autoridades estão a investigar informações de que agências governamentais locais estão a roubar ajuda alimentar.
20.7.16
250 mil crianças à beira de morrer de fome na Nigéria
Jorge Almeida, in RTP
Cerca de um quarto de milhão de crianças estão a passar fome no Estado nigeriano de Borno. O alerta é lançado pela UNICEF, que avisa que milhares de pessoas vão morrer se não forem tratadas a curto prazo.
Foram encontradas cerca de 250 mil crianças em estado grave de desnutrição em Borno, na Nigéria, um Estado controlado até há pouco tempo pelo grupo terrorista Boko Haram.
A denúncia foi feita pela UNICEF, que teme ainda não ter conhecimento da verdadeira dimensão desta crise humanitária.
“Ainda não fomos capazes de chegar a cerca de dois milhões de pessoas no Estado de Borno, o que significa que o verdadeiro alcance desta crise ainda está para ser revelado ao mundo”, disse Manuel Fontaine, o diretor regional da UNICEF para a África Ocidental e Central.
“Uma média de 130 crianças vai morrer diariamente de desnutrição se não for dada uma resposta rapidamente (…) Precisamos de todos os parceiros e doadores para avançar. Ninguém pode assumir uma crise desta escala sozinho”, acrescentou o alto responsável das Nações Unidas.
Ofensiva revela tragédia
À medida que as forças do exército nigeriano estão a avançar em zonas controladas pelo Boko Haram no nordeste do país - e tornam possível a ajuda humanitária -, a dimensão da crise de nutrição que afeta milhares de crianças torna-se cada vez mais chocante.
No passado mês de junho uma instituição de caridade denunciou que as pessoas que fogem dos combates estão a morrer à fome. Em áreas que estavam ocupadas pelo Boko Haram, “encontrámos pessoas sem água, alimentos e saneamento”, revelou Manuel Fontaine.
Soldados dos Camarões estão a participar na ofensiva contra o Boko Haram. Foto: Joe Penney
O que é o Boko Haram?
O movimento extremista islâmico classificada como terrorista foi fundado em 2002 com objetivo de combater o estilo de educação ocidental. Aliás, as palavras “Boko Haram” significam “educação ocidental proibida”.
Os membros da organização, que aparecem bem equipados militarmente em vídeos de propaganda, iniciaram as hostilidades em 2009 no nordeste da Nigéria.
Ficaram conhecidos em todo o mundo quando em abril de 2014 raptaram cerca de 220 jovens estudantes de uma escola em Chibok. A grande maioria destas jovens continua em poder dos extremistas islâmicos.
Os combates dos últimos sete anos já provocaram cerca de 20 mil mortos e mais de dois milhões de deslocados no nordeste da Nigéria. A incapacidade de resposta ao Boko Haram levou à derrota eleitoral do Presidente Goodluck Jonathan nas eleições do ano passado.
Cerca de um quarto de milhão de crianças estão a passar fome no Estado nigeriano de Borno. O alerta é lançado pela UNICEF, que avisa que milhares de pessoas vão morrer se não forem tratadas a curto prazo.
Foram encontradas cerca de 250 mil crianças em estado grave de desnutrição em Borno, na Nigéria, um Estado controlado até há pouco tempo pelo grupo terrorista Boko Haram.
A denúncia foi feita pela UNICEF, que teme ainda não ter conhecimento da verdadeira dimensão desta crise humanitária.
“Ainda não fomos capazes de chegar a cerca de dois milhões de pessoas no Estado de Borno, o que significa que o verdadeiro alcance desta crise ainda está para ser revelado ao mundo”, disse Manuel Fontaine, o diretor regional da UNICEF para a África Ocidental e Central.
“Uma média de 130 crianças vai morrer diariamente de desnutrição se não for dada uma resposta rapidamente (…) Precisamos de todos os parceiros e doadores para avançar. Ninguém pode assumir uma crise desta escala sozinho”, acrescentou o alto responsável das Nações Unidas.
Ofensiva revela tragédia
À medida que as forças do exército nigeriano estão a avançar em zonas controladas pelo Boko Haram no nordeste do país - e tornam possível a ajuda humanitária -, a dimensão da crise de nutrição que afeta milhares de crianças torna-se cada vez mais chocante.
No passado mês de junho uma instituição de caridade denunciou que as pessoas que fogem dos combates estão a morrer à fome. Em áreas que estavam ocupadas pelo Boko Haram, “encontrámos pessoas sem água, alimentos e saneamento”, revelou Manuel Fontaine.
Soldados dos Camarões estão a participar na ofensiva contra o Boko Haram. Foto: Joe Penney
O que é o Boko Haram?
O movimento extremista islâmico classificada como terrorista foi fundado em 2002 com objetivo de combater o estilo de educação ocidental. Aliás, as palavras “Boko Haram” significam “educação ocidental proibida”.
Os membros da organização, que aparecem bem equipados militarmente em vídeos de propaganda, iniciaram as hostilidades em 2009 no nordeste da Nigéria.
Ficaram conhecidos em todo o mundo quando em abril de 2014 raptaram cerca de 220 jovens estudantes de uma escola em Chibok. A grande maioria destas jovens continua em poder dos extremistas islâmicos.
Os combates dos últimos sete anos já provocaram cerca de 20 mil mortos e mais de dois milhões de deslocados no nordeste da Nigéria. A incapacidade de resposta ao Boko Haram levou à derrota eleitoral do Presidente Goodluck Jonathan nas eleições do ano passado.
27.6.16
Mais de 1200 refugiados morrem à fome na Nigéria
Filipa de Sousa, in Público on-line
Só no último mês morreram 188 pessoas em Bama.
Segundo a organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF), mais de 1200 pessoas morreram à fome ou vítimas de doença num campo de refugiados localizado no nordeste da Nigéria, em Bama. De acordo com o que foi relatado pelos MSF, cerca de 24 mil pessoas – 15 mil das quais são crianças e 4500 com menos de cinco anos – estão alojadas na cidade do estado de Borno, depois de terem fugido do grupo terrorista Boko Haram.
Na terça-feira realizou-se a primeira visita dos MSF à cidade de Bama após esta ter sido resgatada do grupo terrorista, em Março de 2015, relata o jornal The Guardian.
“Disseram-nos que pessoas de lá, incluindo crianças, morreram à fome. De acordo com as informações dadas à MSF por pessoas que vivem agora em Bama, novas campas aparecem diariamente. Foi-nos dito que em alguns dias mais de 30 pessoas morreram devido a fome ou doença”, explica Ghada Hatim, responsável pela missão nesta cidade nigeriana, através de um comunicado divulgado esta quinta-feira pelos Médicos Sem Fronteiras.
Nessa visita descobriram uma crise que caracterizam de “emergência humanitária catastrófica”. Dezasseis crianças com malnutrição aguda grave, em risco de morte, foram encaminhadas para um centro em Maiduguri para receberem tratamento. Foram ainda encontradas 1233 campas que foram escavadas no último ano - 480 pertencem a crianças.
Segundo a BBC, o Boko Haram já provocou 20 mil mortos e mais de dois milhões de deslocados durante a revolta que dura há sete anos, para além de terem sido os autores de milhares de sequestros, como o rapto de raparigas em Chibok de há dois anos.
Apesar de o exército nigeriano ter conseguido recuperar grande parte do território antes ocupado pelo grupo terrorista, que no ano passado jurou fidelidade ao Estado Islâmico, os ataques de bombistas suicidas continuam a acontecer com frequência, acrescenta The Guardian. Segundo um relatório publicado este ano pela UNICEF, o Boko Haram recorre cada vez mais a crianças para os ataques suicidas.
Texto editado por Ana Gomes Ferreira
Só no último mês morreram 188 pessoas em Bama.
Segundo a organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF), mais de 1200 pessoas morreram à fome ou vítimas de doença num campo de refugiados localizado no nordeste da Nigéria, em Bama. De acordo com o que foi relatado pelos MSF, cerca de 24 mil pessoas – 15 mil das quais são crianças e 4500 com menos de cinco anos – estão alojadas na cidade do estado de Borno, depois de terem fugido do grupo terrorista Boko Haram.
Na terça-feira realizou-se a primeira visita dos MSF à cidade de Bama após esta ter sido resgatada do grupo terrorista, em Março de 2015, relata o jornal The Guardian.
“Disseram-nos que pessoas de lá, incluindo crianças, morreram à fome. De acordo com as informações dadas à MSF por pessoas que vivem agora em Bama, novas campas aparecem diariamente. Foi-nos dito que em alguns dias mais de 30 pessoas morreram devido a fome ou doença”, explica Ghada Hatim, responsável pela missão nesta cidade nigeriana, através de um comunicado divulgado esta quinta-feira pelos Médicos Sem Fronteiras.
Nessa visita descobriram uma crise que caracterizam de “emergência humanitária catastrófica”. Dezasseis crianças com malnutrição aguda grave, em risco de morte, foram encaminhadas para um centro em Maiduguri para receberem tratamento. Foram ainda encontradas 1233 campas que foram escavadas no último ano - 480 pertencem a crianças.
Segundo a BBC, o Boko Haram já provocou 20 mil mortos e mais de dois milhões de deslocados durante a revolta que dura há sete anos, para além de terem sido os autores de milhares de sequestros, como o rapto de raparigas em Chibok de há dois anos.
Apesar de o exército nigeriano ter conseguido recuperar grande parte do território antes ocupado pelo grupo terrorista, que no ano passado jurou fidelidade ao Estado Islâmico, os ataques de bombistas suicidas continuam a acontecer com frequência, acrescenta The Guardian. Segundo um relatório publicado este ano pela UNICEF, o Boko Haram recorre cada vez mais a crianças para os ataques suicidas.
Texto editado por Ana Gomes Ferreira
5.5.15
Bem-estar das raparigas e mulheres salvas na Nigéria é absoluta prioridade
in Amnistia Internacional
O resgate de quase 300 raparigas e mulheres pelo Exército nigeriano, que tinham sido capturadas pelo Boko Haram, é um desenvolvimento animador, mas também apenas um pequeno passo para garantir a segurança de milhares de raparigas e mulheres que são raptadas pelo grupo armado islamita desde 2014, considera a Amnistia Internacional.
A organização de direitos humanos insta ainda as autoridades a assegurarem que o trauma vivido por aquelas que foram “salvas” não é agravado agora com longas detenções para investigações e rastreios de segurança.
“Este desenvolvimento é claramente algo a celebrar e sem dúvida um alívio enorme para as raparigas e mulheres e para as suas famílias. Mas é apenas a ponta do iceberg; há milhares mais de mulheres e raparigas, e de rapazes e homens, que foram raptados pelo Boko Haram”, lembra o diretor da Amnistia Internacional para a região de África, Netsanet Belay.
O Exército nigeriano anunciou na quarta-feira, 29 de abril, ter “salvado” aquele grupo de mulheres e raparigas numa ofensiva contra o Boko Haram na área de floresta de Sambisa, no Nordeste do país.
Um relatório recente da Amnistia Internacional apurou que mais de 2.000 raparigas e mulheres foram raptadas pelo grupo armado islamita. Com base em entrevistas de muitas que conseguiram escapar, aquele relatório revela como civis são executados, torturados, violados e sujeitos a casamentos forçados nos campos, vilas e cidades sob o controlo do Boko Haram.
Em casos anteriores em que raparigas e mulheres se escaparam ao jugo do Boko Haram, as forças de segurança nigerianas mantiveram-nas detidas ao longo de semanas para investigações de segurança. A Amnistia Internacional urge as autoridades da Nigéria a assegurarem que o bem-estar físico e psicológico destas mulheres é a prioridade suprema e absoluta.
“O trauma que estas raparigas e mulheres sofreram é verdadeiramente horrível. Algumas foram repetidamente violadas, vendidas como escravas sexuais e doutrinadas ou mesmo obrigadas a combater pelo Boko Haram”, frisa Netsanet Belay. “Aquilo que elas precisam agora é de cuidados médicos e psicológicos, de apoio e de privacidade. O Governo tem de garantir que não vai aumentar o seu sofrimento com detenções prolongadas e investigações de segurança que apenas irão tornar o tormento e a dor ainda maiores”, prossegue o perito da organização de direitos humanos.
Sobreviventes de violação e de outras formas de violência sexual com base no género, seja qual for a sua idade e seja qual for o seu género, têm o direito a receber compensação de forma absoluta e por todos os danos sofridos. A Amnistia Internacional insta a que:
O Governo nigeriano preste serviços de assistência médica, psicológica e social urgentemente necessários a todos que viveram sob o jugo do Boko Haram, incluindo todos os serviços e informação sobre saúde sexual e reprodutiva.
O Governo nigeriano garanta a privacidade de quem foi “salvo” ou que conseguiu fugir pelos seus próprios meios, além de tomar outras medidas para assegurara que estas pessoas sãos capazes de se reintegrar nas suas famílias e comunidades.
O Boko Haram ponha fim aos raptos de civis e liberte imediatamente todos os que estão detidos sob guarda armada.
5.500 civis mortos e 2.000 raptadas desde 2014
O Boko Haram, termo que se traduz por “a educação ocidental é proibida”, pretende criar um estado islâmico e declarou-se aliado de outro grupo armado islamita, o autodesignado Estado Islâmico que atua no Médio Oriente. Desde 2009 que o Boko Haram mantem uma campanha de violência contra os civis no Nordeste da Nigéria.
O relatório publicado pela Amnistia Internacional há duas semanas – “‘Our job is to shoot, slaughter and kill’: Boko Haram’s reign of terror” (“O nosso trabalho é disparar, massacrar e matar”: o reino de terror do Boko Haram) – documenta crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos pelo grupo armado desde 2014. A organização de direitos humanos apurou que o Boko Haram matou mais de 5.500 civis desde o início do ano passado e raptou mais de 2.000 raparigas e mulheres em raides lançados em vilas e cidades. Desde julho de 2014, o Boko Haram mantem o controlo territorial de grandes cidades no Nordeste do país, impondo as suas regras brutais aos civis apanhados sob o seu jugo.
As forças armadas nigerianas, com a assistência prestada pelos Camarões, Chade e Níger, têm forçado o Boko Haram a recuar, desde fevereiro de 2015, de algumas dessas cidades mais populosas. Centenas de civis poderam então regressar a casa, depois de o Exército ter ganho controlo dessas zonas.
Mas o conflito está longe de findo e o Boko Haram continua a ter a capacidade de atacar e matar civis. O Exército nigeriano também cometeu crimes consagrados na lei internacional e violações de direitos humanos neste conflito, incluindo execuções extrajudiciais, mortes sob custódia das forças de segurança, tortura, detenções ilegais e prisões arbitrárias. A Amnistia Internacional tem repetidamente e de forma consistente instado o Governo da Nigéria a lançar investigações independentes à conduta de ambas as partes envolvidas no conflito e aos crimes previstos na lei internacional que foram cometidos.
O Governo nigeriano deve também adotar e pôr em marcha um plano para prestar assistência às crianças nascidas da violação de raparigas e mulheres, garantindo serviços adequados e a proteção dessas crianças e das mães. A Nigéria deve também prestar treino de formação profissional e de formas de subsistência para ajudar à reintegração das raparigas e mulheres na vida do dia-a-dia. Deve ainda garantir que é assegurado o exercício dos direitos sexuais a sobreviventes de crimes de violência sexual ou baseada no género que estão previstos na lei internacional, e que estas pessoas têm acesso a todos os programas e serviços de saúde sexual e reprodutiva de que precisem.
A Amnistia Internacional mantem ativa desde há um ano uma petição instando o Governo da Nigéria a tudo fazer para assegurar o resgate das raparigas raptadas da escola de Chibok pelo Boko Haram, e para que os responsáveis sejam julgados. Assine o apelo, em defesa de todas as raparigas e mulheres visadas pela violência do grupo armado: http://bit.ly/PeticaoBringBackOurGirls!
O resgate de quase 300 raparigas e mulheres pelo Exército nigeriano, que tinham sido capturadas pelo Boko Haram, é um desenvolvimento animador, mas também apenas um pequeno passo para garantir a segurança de milhares de raparigas e mulheres que são raptadas pelo grupo armado islamita desde 2014, considera a Amnistia Internacional.
A organização de direitos humanos insta ainda as autoridades a assegurarem que o trauma vivido por aquelas que foram “salvas” não é agravado agora com longas detenções para investigações e rastreios de segurança.
“Este desenvolvimento é claramente algo a celebrar e sem dúvida um alívio enorme para as raparigas e mulheres e para as suas famílias. Mas é apenas a ponta do iceberg; há milhares mais de mulheres e raparigas, e de rapazes e homens, que foram raptados pelo Boko Haram”, lembra o diretor da Amnistia Internacional para a região de África, Netsanet Belay.
O Exército nigeriano anunciou na quarta-feira, 29 de abril, ter “salvado” aquele grupo de mulheres e raparigas numa ofensiva contra o Boko Haram na área de floresta de Sambisa, no Nordeste do país.
Um relatório recente da Amnistia Internacional apurou que mais de 2.000 raparigas e mulheres foram raptadas pelo grupo armado islamita. Com base em entrevistas de muitas que conseguiram escapar, aquele relatório revela como civis são executados, torturados, violados e sujeitos a casamentos forçados nos campos, vilas e cidades sob o controlo do Boko Haram.
Em casos anteriores em que raparigas e mulheres se escaparam ao jugo do Boko Haram, as forças de segurança nigerianas mantiveram-nas detidas ao longo de semanas para investigações de segurança. A Amnistia Internacional urge as autoridades da Nigéria a assegurarem que o bem-estar físico e psicológico destas mulheres é a prioridade suprema e absoluta.
“O trauma que estas raparigas e mulheres sofreram é verdadeiramente horrível. Algumas foram repetidamente violadas, vendidas como escravas sexuais e doutrinadas ou mesmo obrigadas a combater pelo Boko Haram”, frisa Netsanet Belay. “Aquilo que elas precisam agora é de cuidados médicos e psicológicos, de apoio e de privacidade. O Governo tem de garantir que não vai aumentar o seu sofrimento com detenções prolongadas e investigações de segurança que apenas irão tornar o tormento e a dor ainda maiores”, prossegue o perito da organização de direitos humanos.
Sobreviventes de violação e de outras formas de violência sexual com base no género, seja qual for a sua idade e seja qual for o seu género, têm o direito a receber compensação de forma absoluta e por todos os danos sofridos. A Amnistia Internacional insta a que:
O Governo nigeriano preste serviços de assistência médica, psicológica e social urgentemente necessários a todos que viveram sob o jugo do Boko Haram, incluindo todos os serviços e informação sobre saúde sexual e reprodutiva.
O Governo nigeriano garanta a privacidade de quem foi “salvo” ou que conseguiu fugir pelos seus próprios meios, além de tomar outras medidas para assegurara que estas pessoas sãos capazes de se reintegrar nas suas famílias e comunidades.
O Boko Haram ponha fim aos raptos de civis e liberte imediatamente todos os que estão detidos sob guarda armada.
5.500 civis mortos e 2.000 raptadas desde 2014
O Boko Haram, termo que se traduz por “a educação ocidental é proibida”, pretende criar um estado islâmico e declarou-se aliado de outro grupo armado islamita, o autodesignado Estado Islâmico que atua no Médio Oriente. Desde 2009 que o Boko Haram mantem uma campanha de violência contra os civis no Nordeste da Nigéria.
O relatório publicado pela Amnistia Internacional há duas semanas – “‘Our job is to shoot, slaughter and kill’: Boko Haram’s reign of terror” (“O nosso trabalho é disparar, massacrar e matar”: o reino de terror do Boko Haram) – documenta crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos pelo grupo armado desde 2014. A organização de direitos humanos apurou que o Boko Haram matou mais de 5.500 civis desde o início do ano passado e raptou mais de 2.000 raparigas e mulheres em raides lançados em vilas e cidades. Desde julho de 2014, o Boko Haram mantem o controlo territorial de grandes cidades no Nordeste do país, impondo as suas regras brutais aos civis apanhados sob o seu jugo.
As forças armadas nigerianas, com a assistência prestada pelos Camarões, Chade e Níger, têm forçado o Boko Haram a recuar, desde fevereiro de 2015, de algumas dessas cidades mais populosas. Centenas de civis poderam então regressar a casa, depois de o Exército ter ganho controlo dessas zonas.
Mas o conflito está longe de findo e o Boko Haram continua a ter a capacidade de atacar e matar civis. O Exército nigeriano também cometeu crimes consagrados na lei internacional e violações de direitos humanos neste conflito, incluindo execuções extrajudiciais, mortes sob custódia das forças de segurança, tortura, detenções ilegais e prisões arbitrárias. A Amnistia Internacional tem repetidamente e de forma consistente instado o Governo da Nigéria a lançar investigações independentes à conduta de ambas as partes envolvidas no conflito e aos crimes previstos na lei internacional que foram cometidos.
O Governo nigeriano deve também adotar e pôr em marcha um plano para prestar assistência às crianças nascidas da violação de raparigas e mulheres, garantindo serviços adequados e a proteção dessas crianças e das mães. A Nigéria deve também prestar treino de formação profissional e de formas de subsistência para ajudar à reintegração das raparigas e mulheres na vida do dia-a-dia. Deve ainda garantir que é assegurado o exercício dos direitos sexuais a sobreviventes de crimes de violência sexual ou baseada no género que estão previstos na lei internacional, e que estas pessoas têm acesso a todos os programas e serviços de saúde sexual e reprodutiva de que precisem.
A Amnistia Internacional mantem ativa desde há um ano uma petição instando o Governo da Nigéria a tudo fazer para assegurar o resgate das raparigas raptadas da escola de Chibok pelo Boko Haram, e para que os responsáveis sejam julgados. Assine o apelo, em defesa de todas as raparigas e mulheres visadas pela violência do grupo armado: http://bit.ly/PeticaoBringBackOurGirls!
15.2.12
61 por cento dos nigerianos vivem abaixo do limiar da pobreza
in A Bola
A pobreza está a aumentar na Nigéria. Neste momento são já mais de 100 milhões de pessoas a viver com menos de um dólar (0,76 cêntimos de euro) por dia, apesar do anunciado crescimento económico do país.
O instituto nacional de estatísticas da Nigéria refere que, em 2010, 60,9 por cento dos nigerianos viviam num estado de absoluta pobreza — em 2004, o valor situava-se nos 54,7 por cento — e a tendência é para aumentar nos próximos anos.
A Nigeria é o maior produtor de petróleo africano, mas o setor tem sido abalado por sucessivas acusações de corrupção.
De acordo com Yemi Kale, presidente daquele organização governamental, citado pela BBC, o país vive um paradoxo.
«Apesar de a economia nigeriana estar a crescer, a percentagem de nigerianos a viver em pobreza aumenta de ano para ano, apesar de ter descido entre 1985 e1992 e entre 1996 e 2004», explicou.
O estudo estatístico revela também que a pobreza relativa é mais expressiva no norte do país, com a região de Sokoto a atingir os 86,4 por cento.
Na parte noroeste e nordeste as percentagens situam-se nos 77,7 por cento e nos 76,3 por cento, respetivamente.
No sudoeste da Nigéria, fica-se pelos 59,1 por cento.
De acordo com o relatório do instituto de estatísca da Nigéria, em 2010, 93,9 por cento da população considerava estar a empobrecer, mais 18,4 por cento do que em 2004.
A pobreza está a aumentar na Nigéria. Neste momento são já mais de 100 milhões de pessoas a viver com menos de um dólar (0,76 cêntimos de euro) por dia, apesar do anunciado crescimento económico do país.
O instituto nacional de estatísticas da Nigéria refere que, em 2010, 60,9 por cento dos nigerianos viviam num estado de absoluta pobreza — em 2004, o valor situava-se nos 54,7 por cento — e a tendência é para aumentar nos próximos anos.
A Nigeria é o maior produtor de petróleo africano, mas o setor tem sido abalado por sucessivas acusações de corrupção.
De acordo com Yemi Kale, presidente daquele organização governamental, citado pela BBC, o país vive um paradoxo.
«Apesar de a economia nigeriana estar a crescer, a percentagem de nigerianos a viver em pobreza aumenta de ano para ano, apesar de ter descido entre 1985 e1992 e entre 1996 e 2004», explicou.
O estudo estatístico revela também que a pobreza relativa é mais expressiva no norte do país, com a região de Sokoto a atingir os 86,4 por cento.
Na parte noroeste e nordeste as percentagens situam-se nos 77,7 por cento e nos 76,3 por cento, respetivamente.
No sudoeste da Nigéria, fica-se pelos 59,1 por cento.
De acordo com o relatório do instituto de estatísca da Nigéria, em 2010, 93,9 por cento da população considerava estar a empobrecer, mais 18,4 por cento do que em 2004.
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