Sofia Lorena, in "Público"
Quando os políticos não fazem o seu trabalho e as regras não servem, há sempre alguém que não desiste. Lora Pappa não desistiu da Europa, mesmo quando a Europa desistiu dela.
Aconselhou governos e foi consultora do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR). Depois de décadas a identi? car as falhas no sistema de acolhimento de refugiados percebeu que só tinha uma opção.
“Começámos do zero, decidimos fazer o que ninguém estava a fazer”, explica. Em 2010, fundou a ONG METAdrasi para ajudar as crianças que sobrevivem às guerras e se perderam dos pais a começar de novo. “O que eu mais queria era que o nosso trabalho deixasse de ser necessário”, diz a activista, em Lisboa para receber o Prémio Norte-sul do Conselho da Europa.
Como é que ninguém se tinha lembrado que as crianças têm necessidades especiais? Em situações normais, o mandato do ACNUR é pressionar os governos a fazer o que é preciso.
Nos anos todos que lá passei, fui percebendo quais eram as grandes falhas do sistema de acolhimento grego. A maior de todas era que muitos menores sem acompanhantes estavam em centros de detenção. E o mais extraordinário é que já havia centros só para menores em Atenas, mas não havia quem se responsabilizasse e os acompanhasse até lá.
O problema era a falta de guardiões legais? Exacto. Foi um grande risco, porque há crianças que fogem e nós podemos ter problemas com a Justiça. Mas decidimos que valia a pena. Dissemos, “alguém tem de o fazer”. Começámos devagar, formámos assistentes sociais e treinámos intérpretes.
O objectivo era que as crianças não passassem mais de 24 horas no centro de detenção. No nosso primeiro ano de actividade, 2011, tivemos muitos problemas com tra? cantes e fomos obrigados a contratar seguranças. Estes miúdos estão perdidos, não con? am em ninguém. E se alguém que viram no barco as convence a fugir para seguir viagem, é muito difícil explicar-lhes que é mais seguro ? car.
Quantas crianças já acompanharam? Mais de 3700. Há os números o? ciais e há a realidade, que é muito diferente. Percebemos que muitos menores não acompanhados nem sequer são registados como crianças. Dizem à polícia que têm 18 ou 19 anos porque têm medo de ser presos.
E os polícias não têm culpa, não estão treinados para saber como agir.
E em que estado é que estas crianças vos chegam às mãos? Quando uma criança sobreviveu à guerra e depois sobreviveu a um naufrágio, quando se perdeu dos pais e nem sabe se ainda tem família, tem de aparecer um adulto que perceba que tem de começar por lhe lembrar que é uma criança. São casos muito especiais, é preciso criar uma rede para que os miúdos voltem a sentir-se seguros. Por isso é que criámos a ? gura do guardião. Em muitos casos, elas nem sabem o que querem, já só sabem o que lhes disseram para fazer.
“Tens de chegar à Alemanha”, “Vens connosco, que vamos tratar de ti”. Às vezes, basta um dia connosco para voltarem a lembrar-se que são crianças.
O Governo e as instituições europeias já perceberam a razão de ser do vosso trabalho? Demorou, mas agora percebem.
Aliás, as outras ONG e os serviços do Governo estão sempre a pedir-nos ajuda. Quando a crise começou nós já tínhamos os guardiões nas fronteiras, nas ilhas, e em Atenas. Era só uma gota do oceano, mas era uma gota fundamental. Mas há quem ainda não entenda o nosso trabalho, quem pense que basta pôr-lhe um prato de comida à frente. Mas não pode ser, as crianças são crianças.
Uma criança refugiada não se salva com comida, é preciso darlhe colo. Devíamos conseguir que cada criança tivesse o seu guardião, mas nas alturas mais complicadas temos de fazer opções. A certa altura, tivemos de dar prioridade aos rapazes até aos 15 anos, mas conseguimos sempre guardiões para todas as raparigas com menos de 18. Ter um guardião aumenta em 40% as possibilidades de uma criança ? car na Grécia em vez de seguir caminho e cair nas redes de tra? cantes. Nós não as largamos, se os pais ? caram para trás não descansamos até os encontrar.
E os pais nunca desistem, há famílias que passam quatro meses na Grécia à procura dos ? lhos.
E quando já não há pais nem outros familiares? Explicamos-lhes que é melhor ? carem connosco. Muitas vezes eles não sabem que os pais morreram, só sabem que se perderam deles. É preciso darlhes tempo até poderem decidir por si próprios. Outras vezes viram os pais morrer, sabem que se afogaram. Mas para podermos avançar e requerer o asilo exigemnos corpos e certi? cados de óbito. Como é que explica aos burocratas em Bruxelas que os corpos foram comidos pelos peixes? Com o acordo entre a União Europeia e os turcos, os refugiados que já estavam na Grécia foram todos encerrados em centros de detenção à espera de serem devolvidos à Turquia. Como é que isso difi cultou o vosso trabalho? O acordo é uma loucura. A luta já era constante, mas ? cou tudo pior. Quando a fronteira foi encerrada, em Fevereiro, nós estimámos que havia 2000 crianças desacompanhadas a tentar passar para a Macedónia.
Finalmente, há duas semanas, os serviços gregos de asilo começaram o pré-registo dos menores... Já encontraram 500 na Grécia continental e mais de 300 nas ilhas. Estavam detidas nos centros e ninguém sabia.
A União Europeia abandonou os gregos? Quando a União assinou o acordo com a Turquia nem pensou no que estava a fazer à Grécia. Toda a gente sabia que os serviços de asilo gregos têm 250 funcionários. É preciso ser-se de outro planeta para não perceber que no dia seguinte à entrada em vigor do acordo toda aquela gente ia requerer asilo. E de um momento para outro temos 8000 Lora Pappa Há 21 anos que o Centro Norte-Sul do Conselho da Europa distingue duas pessoas que promovem a solidariedade entre os hemisférios. No ano da crise de solidariedade a que os líderes chamaram crise de refugiados, a premiada do Norte só podia ser a grega Lora Pappa “Uma criança refugiada não se salva com comida, é preciso dar-lhe colo” “Quando uma criança sobreviveu à guerra e depois a um naufrágio, quando se perdeu dos pais e nem sabe se ainda tem família, tem de aparecer um adulto para lhe lembrar que é uma criança” Entrevista Sofia Lorena
um comunicado de imprensa e em dois dias tivemos 280 telefonemas. Gregos a dizer “já tenho um quarto, tragam-me a criança amanhã”. Claro que não é assim, é preciso saber se as famílias cumprem determinadas condições. Mas foi tão comovente.
E os resultados estão a ser os que esperavam? Ainda melhores! Já colocámos 12 crianças com famílias. E bastam umas semanas para estes miúdos estarem a falar-nos dos seus “pais gregos”. É incrível o que eles crescem e se abrem quando se vêem de novo a viver com uma família. Tivemos o caso de uma miúda de 12 anos que estava a tomar conta do irmão, mais pequeno, desde a Síria. Claro que já não sabia o que era ser criança, já não se lembrava. É maravilhoso.
O principal obstáculo então não é a falta de dinheiro. É mesmo a burocracia? Exactamente, é incrível, mas o custo de colocar uma criança refugiada numa família é três vezes menor do que o custo de a manter num abrigo. Claro que as famílias recebem um subsídio, mas é tão pequeno, ninguém faz isto pelo dinheiro. Quem decide receber uma criança só tem de ter empatia e paciência. Se os miúdos dão problemas é por lhes faltarem adultos que os mandem dormir, pessoas a pedir asilo e os mesmos 250 funcionários. Toda a ajuda que ia chegar nunca chegou.
E como é que os serviços gregos tentam fazer face a isto? O que sei é que é os gregos fazem o que podem. Mas sem a solidariedade dos outros Estados-membros é uma missão impossível. Em Agosto do ano passado, por exemplo, percebi que o número o? cial de menores não acompanhados era igual ao do Verão de 2014. Com toda a gente que estava a chegar, claro que não podia ser! Apanhei um avião para [a ilha de] Lesbos e nem queria acreditar, havia crianças sozinhas por todo o lado.
Mas os polícias não sabiam o que fazer. “Obrigo-as a irem para os centros de detenção? Já nem há que os obriguem a fazer a cama.
Estas crianças deixaram de saber o que é ter regras, disciplina. É tão simples quanto isso.
Outra área em que a METAdrasi foi absolutamente revolucionária é a formação dos intérpretes. O Governo, a ONU, toda a gente quer os vossos intérpretes e vos pedem para dar formação. O que é que não estava a ser feito? Até nós aparecermos ninguém se preocupava com a qualidade dos intérpretes. Ninguém achava importante que se falasse a língua.
Nós temos pessoas que falam 33 línguas. É uma irresponsabilidade enorme, achar que isso é secundário. Estes intérpretes não são simples tradutores, são a voz de pessoas que se encontram nas situações mais frágeis que se pode imaginar, podem fazer a diferença entre a vida e a morte. Se alguém se queixa de dores no “coração” e o intérprete traduz “rim”, o que é que vai acontecer àquela pessoa? A maioria dos nossos intérpretes são ex-refugiados ou imigrantes, passaram por muito, estiveram em situações limite. Mas nem eles estavam preparados para o horror de que a Grécia tem sido cenário.
Quando os corpos dão à costa, são eles que agarram nos pais em pranto enquanto esperam para reconhecer os ? lhos. São coisas que eles nunca mais vão esquecer.
“A Comissão Europeia tem o seu ritmo. O monstro da burocracia não se compadece com a realidade” não se compadece com a realidade. Talvez tudo mude agora com o “Brexit”. Não estou muito optimista, mas gostava que fosse uma chamada de atenção, que obrigasse quem decide a parar para pensar. Infelizmente, não acredito. Às vezes penso que os líderes europeus só vão acordar no dia em que o continente estiver em guerra.
Se o acordo for levado à letra, a ideia é que a Grécia não respeite os direitos humanos e as Convenções de Genebra. O que eu sei é que os funcionários fazem o possível e o impossível para não tornar a vida destas pessoas ainda mais difícil.
A somar a tudo o que foi prometido à Grécia e nunca se fez, por causa do acordo houve ONG estrangeiras que decidiram sair do país.
Sim, é um luxo que nós não temos, por mais que discordemos do acordo. As pessoas continuam lá e precisam ainda mais de ajuda.
As ONG que distribuíam comida, por exemplo, foram-se embora.
E nós íamos deixar estas pessoas à fome? Não podíamos. Primeiro estão as pessoas, lutamos com elas, por elas, o que não podemos é abandoná-las. Decidimos que tínhamos de encontrar outras maneiras de protesto. E a verdade é que ainda nenhum sírio foi expulso para a Turquia, os que saírem decidiram fazê-lo. Vamos lutar por estas pessoas até ao ? m, nos tribunais da Grécia ou nos tribunais internacionais, com todos os meios ao nosso dispor.
O vosso projecto mais recente passa por encontrar famílias de acolhimento para estas crianças. Como é que isso está a correr? Nós já sabíamos que as melhores práticas implicavam criar essa estrutura. É o que se faz há muitos anos na Holanda ou na Bélgica.
Mas o ideal é colocar as crianças em famílias com o mesmo contexto cultural e geográ? co, que falem a língua... E quando avançámos, no ? m de 2014, percebemos que na Grécia, com a crise económica, os imigrantes vivem todos em casas minúsculas e passam por muitas di? culdades.
Acabámos por concluir que o único caminho era abrir esta possibilidade a famílias gregas, sem termos ideia de qual seria a reacção das pessoas. Começámos muito discretamente, ? zemos áreas separadas”, diziam-me. Não podem ser os polícias a decidir o destino destas crianças. Foi aí que percebemos que tínhamos de criar centros de trânsito especiais.
Batemos a todas as portas a pedir dinheiro e a União Europeia respondeu que não nos podia ajudar, estava a gastar tudo com as ONG estrangeiras. Finalmente, conseguimos o ? nanciamento através de jovens gregos que vivem nos Estados Unidos. E a situação era dramática, tínhamos crianças a enforcarem-se, uma rapariga foi violada.
Como é que é possível que as regras estejam tão longe da realidade? Não sei. O que sei é que a Comissão Europeia tem o seu ritmo. O “monstro” da burocracia DR
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30.6.16
1.6.16
IPL mostra realidade das crianças refugiadas em exposição
In "Diário de Leiria"
As 'Ilustrações sobre a realidade das crianças refugiadas', da autoria de Sofia Lança Zambujo, mestre em Design de ambientes, está patente nos átrios da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (ESECS) e da Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTG), pólos do Instituto Politécnico de Leiria (IPL), até amanhã.
A mostra pretende alertar consciências e sensibilizar a população para a temática actual dos refugiados.
A exposição conta com várias ilustrações da autora, com rostos de crianças refugiadas e de crianças portuguesas – demonstrando que 'Uma criança é uma criança em qualquer parte do mundo' – acompanhadas de frases de crianças de diversas escolas de Portugal, sobre a guerra e as crianças refugiadas A iniciativa tem o apoio das associações ‘Meninos do Mundo’, ‘Vida Activa’, ‘Associação de Mediadores do Oeste’ e Rede Europeia Anti-Pobreza.
As 'Ilustrações sobre a realidade das crianças refugiadas', da autoria de Sofia Lança Zambujo, mestre em Design de ambientes, está patente nos átrios da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (ESECS) e da Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTG), pólos do Instituto Politécnico de Leiria (IPL), até amanhã.
A mostra pretende alertar consciências e sensibilizar a população para a temática actual dos refugiados.
A exposição conta com várias ilustrações da autora, com rostos de crianças refugiadas e de crianças portuguesas – demonstrando que 'Uma criança é uma criança em qualquer parte do mundo' – acompanhadas de frases de crianças de diversas escolas de Portugal, sobre a guerra e as crianças refugiadas A iniciativa tem o apoio das associações ‘Meninos do Mundo’, ‘Vida Activa’, ‘Associação de Mediadores do Oeste’ e Rede Europeia Anti-Pobreza.
25.5.16
Leiria «olha» para crianças refugiadas
Juliana Baptista, in "Fátima Missionária"
Uma conferência e uma exposição na cidade de Leiria lançam «um olhar sobre as crianças refugiadas», através da arte e do contributo de vários especialistas~
O drama das crianças refugiadas está em foco na cidade de Leiria com uma conferência e uma exposição. O objetivo é contribuir para o debate e despertar consciências para o problema. Sob o nome «Uma criança é uma criança em qualquer parte do mundo – um olhar sobre as crianças refugiadas: sentir, pensar, agir», a conferência está marcada para a próxima quarta-feira, 25 de maio, e terá lugar no Auditório 1, do Edifício B, da Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTG), a partir das 15h30.
Ao longo da tarde, os participantes vão ter oportunidade para assistir ao visionamento do documentário «Testemunhos de meninos sírios refugiados no Líbano», e a um excerto da peça de teatro «Vento Leste». Entre os oradores encontram-se Ana Cancela, do Movimento Solidariedade sem Fronteiras, Ana Maria Filipe, do Instituto de Apoio à Criança, e Elisabete Maisão, autora da exposição fotográfica «Cartas para refugiados».
Durante a conferência, com entrada livre, também serão abordados «Os direitos das crianças em qualquer parte do mundo», assim como «O papel dos Estados e da sociedade civil na proteção das crianças refugiadas».
Sobre o mesmo tema, está neste momento a decorrer a exposição «Ilustrações sobre a realidade das crianças refugiadas». A mostra é da autoria de Sofia Lança Zambujo, e apresenta obras «ilustradas» por afirmações de crianças de várias escolas de Portugal. É possível visitar a exposição até quarta-feira nos átrios da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (ESECS) e nos átrios dos Edifícios A, B e D da ESTG.
Esta iniciativa é organizada pela ESTG e pela ESECS, do Instituto Politécnico de Leiria (IPL), e também pelas Associações Meninos do Mundo, Vida Activa, InterMEDIAR – Associação de Mediadores [de conflitos] do Oeste e pela Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN).
Uma conferência e uma exposição na cidade de Leiria lançam «um olhar sobre as crianças refugiadas», através da arte e do contributo de vários especialistas~
O drama das crianças refugiadas está em foco na cidade de Leiria com uma conferência e uma exposição. O objetivo é contribuir para o debate e despertar consciências para o problema. Sob o nome «Uma criança é uma criança em qualquer parte do mundo – um olhar sobre as crianças refugiadas: sentir, pensar, agir», a conferência está marcada para a próxima quarta-feira, 25 de maio, e terá lugar no Auditório 1, do Edifício B, da Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTG), a partir das 15h30.
Ao longo da tarde, os participantes vão ter oportunidade para assistir ao visionamento do documentário «Testemunhos de meninos sírios refugiados no Líbano», e a um excerto da peça de teatro «Vento Leste». Entre os oradores encontram-se Ana Cancela, do Movimento Solidariedade sem Fronteiras, Ana Maria Filipe, do Instituto de Apoio à Criança, e Elisabete Maisão, autora da exposição fotográfica «Cartas para refugiados».
Durante a conferência, com entrada livre, também serão abordados «Os direitos das crianças em qualquer parte do mundo», assim como «O papel dos Estados e da sociedade civil na proteção das crianças refugiadas».
Sobre o mesmo tema, está neste momento a decorrer a exposição «Ilustrações sobre a realidade das crianças refugiadas». A mostra é da autoria de Sofia Lança Zambujo, e apresenta obras «ilustradas» por afirmações de crianças de várias escolas de Portugal. É possível visitar a exposição até quarta-feira nos átrios da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (ESECS) e nos átrios dos Edifícios A, B e D da ESTG.
Esta iniciativa é organizada pela ESTG e pela ESECS, do Instituto Politécnico de Leiria (IPL), e também pelas Associações Meninos do Mundo, Vida Activa, InterMEDIAR – Associação de Mediadores [de conflitos] do Oeste e pela Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN).
24.5.16
IPL alerta para o drama das crianças refugiadas
In "Diário de Leiria"
Mostrar o dia-a-dia das crianças refugiadas, alertar para as condições precárias em que vivem, e sensibilizar a população para o drama dos refugiados é o objectivo da conferência ‘Uma criança é uma criança em qualquer parte do Mundo – um olhar sobre as crianças refugiadas: sentir, pensar, AGIR’, que irá decorrer no próximo dia 25, na Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTG) de Leiria.
O evento tem como principal objectivo “a discussão de uma temática que está na ordem do dia, e pretende despertar consciências para o problema dos refugiados e das condições em que vivem, incentivando a população a contribuir para o auxílio nesta causa”, faz saber o Instituto Politécnico de Leiria (IPL) numa nota informativa.
Com uma dupla vertente, o programa inclui ainda a exposição ‘Ilustrações sobre a realidade das crianças refugiadas’, da autoria de Sofia Lança Zambujo, mestre em Design de Ambientes e ilustradora. As ilustrações são acompanhadas por afirmações de crianças de várias escolas de Portugal sobre a realidade dos refugiados, e estarão presentes no átrio da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (ESECS), e nos átrios dos edifícios A, B e D da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Leiria, entre os dias 18 e 25 de Maio.
Para Susana Sardinha Monteiro e Filomena Carvalho, docentes do IPL e membros da organização da conferência, “trata-se de uma iniciativa de cidadania activa e participativa, relevante pela sua actualidade e pertinência, de interesse transversal e de âmbito social, económico, político e académico”.
A conferência resulta da organização conjunta da ESTG e da ESECS, em conjunto com as associações Meninos do Mundo; Vida Activa; InterMEDIAR – Associação de Mediadores do Oeste, e EAPN: Rede Europeia Anti-Pobreza. Para além do painel de oradores convidados, com experiência na área, representando a sociedade civil e os meios associativo e académico, a conferência, organizada de forma interactiva, irá ainda contar com algumas surpresas destinadas aos participantes.
O evento tem entrada livre, condicionada a inscrição prévia, e decorre no próximo dia 25, a partir das 15h30, no Auditório 1 do edifício B da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Leiria.
| IPL alerta para o drama das crianças refugiadas Iniciativa Conferência na ESTG de Leiria, no próximo dia 25, pretende alertar a população para o drama dos refugiados, sobretudo, das crianças ARQUIVO Conferência na ESTG conta com vários oradores convidados Programa inclui ainda uma exposição com ilustrações sobre a realidade das crianças refugiadas, patente na ESTG e ESECS
Mostrar o dia-a-dia das crianças refugiadas, alertar para as condições precárias em que vivem, e sensibilizar a população para o drama dos refugiados é o objectivo da conferência ‘Uma criança é uma criança em qualquer parte do Mundo – um olhar sobre as crianças refugiadas: sentir, pensar, AGIR’, que irá decorrer no próximo dia 25, na Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTG) de Leiria.
O evento tem como principal objectivo “a discussão de uma temática que está na ordem do dia, e pretende despertar consciências para o problema dos refugiados e das condições em que vivem, incentivando a população a contribuir para o auxílio nesta causa”, faz saber o Instituto Politécnico de Leiria (IPL) numa nota informativa.
Com uma dupla vertente, o programa inclui ainda a exposição ‘Ilustrações sobre a realidade das crianças refugiadas’, da autoria de Sofia Lança Zambujo, mestre em Design de Ambientes e ilustradora. As ilustrações são acompanhadas por afirmações de crianças de várias escolas de Portugal sobre a realidade dos refugiados, e estarão presentes no átrio da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (ESECS), e nos átrios dos edifícios A, B e D da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Leiria, entre os dias 18 e 25 de Maio.
Para Susana Sardinha Monteiro e Filomena Carvalho, docentes do IPL e membros da organização da conferência, “trata-se de uma iniciativa de cidadania activa e participativa, relevante pela sua actualidade e pertinência, de interesse transversal e de âmbito social, económico, político e académico”.
A conferência resulta da organização conjunta da ESTG e da ESECS, em conjunto com as associações Meninos do Mundo; Vida Activa; InterMEDIAR – Associação de Mediadores do Oeste, e EAPN: Rede Europeia Anti-Pobreza. Para além do painel de oradores convidados, com experiência na área, representando a sociedade civil e os meios associativo e académico, a conferência, organizada de forma interactiva, irá ainda contar com algumas surpresas destinadas aos participantes.
O evento tem entrada livre, condicionada a inscrição prévia, e decorre no próximo dia 25, a partir das 15h30, no Auditório 1 do edifício B da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Leiria.
| IPL alerta para o drama das crianças refugiadas Iniciativa Conferência na ESTG de Leiria, no próximo dia 25, pretende alertar a população para o drama dos refugiados, sobretudo, das crianças ARQUIVO Conferência na ESTG conta com vários oradores convidados Programa inclui ainda uma exposição com ilustrações sobre a realidade das crianças refugiadas, patente na ESTG e ESECS
10.5.16
Impedir acesso de crianças e jovens refugiados à educação é criar "gerações perdidas"
In "TVI 24"
Antigo Presidente da República Jorge Sampaio defende ensino superior em situações de emergência para formar novos líderes
O antigo chefe de Estado português Jorge Sampaio defendeu nesta terça-feira, em Lisboa, a necessidade de impulsionar o ensino superior em situações de emergência para formar "uma nova geração de líderes".
No segundo e último dia da conferência "Os Direitos Humanos e os Desafios do Século XXI - Globalizar a Dignidade", Jorge Sampaio sublinhou a importância de "proteger e mobilizar" o grupo crítico dos jovens entre os 18 e os 25 anos, aos quais "caberá a reconstrução dos países destruídos por guerras demolidoras".
A duração média de uma guerra civil é de oito a dez anos e o de permanência num campo de refugiados estende-se a 17 ou 18 anos" e impedir o acesso de crianças e jovens nestas condições à educação é criar "'gerações perdidas' de analfabetos, ignorantes ou de impreparados", declarou, de acordo com a intervenção escrita que enviou à sessão de abertura por estar a convalescer de uma operação.
O também antigo Alto-Representante da ONU para a Aliança das Civilizações propôs a criação de um fundo académico de solidariedade para garantir o financiamento, de contribuições voluntárias.
Se cada estudante ao fazer a sua inscrição anual doar um euro, um dólar ou uma libra (...) teríamos um montante anual de cerca de 230 milhões - o número de estudantes atual no terciário - para cobrir bolsas de estudo para refugiados e outras populações necessitadas", disse.
O ex-presidente português, responsável pela iniciativa Plataforma Global de Assistência Académica de Emergência a Estudantes Sírios, lembrou que nas situações de emergência, criadas por conflitos armados ou desastres naturais, "a educação não é um luxo (...) é um direito e uma obrigação", que está "longe de ser garantido".
A promoção do debate na sociedade portuguesa sobre os direitos humanos é um dos objetivos desta conferência, que vai terminar esta tarde com a assinatura da Declaração de Lisboa.
No documento, os aderentes comprometem-se a promover uma política educativa e a fomentar o debate público em defesa dos direitos humanos e da dignidade humana.
Antigo Presidente da República Jorge Sampaio defende ensino superior em situações de emergência para formar novos líderes
O antigo chefe de Estado português Jorge Sampaio defendeu nesta terça-feira, em Lisboa, a necessidade de impulsionar o ensino superior em situações de emergência para formar "uma nova geração de líderes".
No segundo e último dia da conferência "Os Direitos Humanos e os Desafios do Século XXI - Globalizar a Dignidade", Jorge Sampaio sublinhou a importância de "proteger e mobilizar" o grupo crítico dos jovens entre os 18 e os 25 anos, aos quais "caberá a reconstrução dos países destruídos por guerras demolidoras".
A duração média de uma guerra civil é de oito a dez anos e o de permanência num campo de refugiados estende-se a 17 ou 18 anos" e impedir o acesso de crianças e jovens nestas condições à educação é criar "'gerações perdidas' de analfabetos, ignorantes ou de impreparados", declarou, de acordo com a intervenção escrita que enviou à sessão de abertura por estar a convalescer de uma operação.
O também antigo Alto-Representante da ONU para a Aliança das Civilizações propôs a criação de um fundo académico de solidariedade para garantir o financiamento, de contribuições voluntárias.
Se cada estudante ao fazer a sua inscrição anual doar um euro, um dólar ou uma libra (...) teríamos um montante anual de cerca de 230 milhões - o número de estudantes atual no terciário - para cobrir bolsas de estudo para refugiados e outras populações necessitadas", disse.
O ex-presidente português, responsável pela iniciativa Plataforma Global de Assistência Académica de Emergência a Estudantes Sírios, lembrou que nas situações de emergência, criadas por conflitos armados ou desastres naturais, "a educação não é um luxo (...) é um direito e uma obrigação", que está "longe de ser garantido".
A promoção do debate na sociedade portuguesa sobre os direitos humanos é um dos objetivos desta conferência, que vai terminar esta tarde com a assinatura da Declaração de Lisboa.
No documento, os aderentes comprometem-se a promover uma política educativa e a fomentar o debate público em defesa dos direitos humanos e da dignidade humana.
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