Por Lusa, in RTP
Cerca de 90% das adolescentes e das mulheres jovens de países mais pobres não acedem à Internet, indicou um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF, na sigla em inglês).
Esta percentagem é mais elevada quando comparada com a dos rapazes e dos homens da mesma idade, referiu o documento do Fundo, que salienta o papel da educação nestas desigualdades, depois de analisar dados de utilização de inquéritos realizados em 54 países, principalmente de baixos rendimentos e alguns de rendimentos médios.
"Nos países de baixo rendimento, 90% das adolescentes e mulheres jovens com idades compreendidas entre os 15 e os 24 anos (cerca de 65 milhões de pessoas) não estão 'online', em comparação com 78% dos adolescentes e homens jovens da mesma idade (quase 57 milhões) que não utilizam a Internet", de acordo com o estudo agora divulgado.
Em 2020, a UNICEF e a União Internacional das Telecomunicações estimaram que apenas 37% dos jovens entre os 15 e os 24 anos em todo o mundo tinham acesso à Internet em casa.
Mas esta estimativa "esconde disparidades de género impressionantes no acesso ao hardware (equipamento), na utilização da Internet e nas competências digitais dentro de casa", salientou a a agência da ONU.
"Diminuir o fosso digital entre raparigas e rapazes não é apenas proporcionar acesso à Internet e à tecnologia", disse o diretor de educação da UNICEF, Robert Jenkins, num comunicado.
"Trata-se de capacitar as raparigas para se tornarem inovadoras, criadoras e líderes", sublinhou.
O relatório indicou que, embora as raparigas tenham geralmente melhores competências básicas de leitura, tal não se traduz na esfera digital.
Nestes países, "as raparigas adolescentes e as mulheres jovens são esquecidas e deixadas de fora do quadro da literacia digital", lamentou a UNICEF, destacando a importância do ambiente familiar e da educação nesta situação.
"Se quisermos combater a desigualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho, especialmente nas áreas da ciência, da tecnologia, da engenharia e da matemática, temos de começar agora por ajudar os jovens, especialmente as raparigas, a adquirirem competências digitais", afirmou Jenkins.
O relatório apontou também para uma grande lacuna no acesso aos telemóveis. Em 41 dos países inquiridos, as raparigas e as mulheres com idades compreendidas entre os 15 e os 24 anos estão "em grande desvantagem", com uma probabilidade média de 13% de possuírem um telemóvel, "limitando o acesso ao mundo digital", que é tão vital na economia do século XXI.
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23.2.23
Caros supermercados, parem de colocar doces junto à caixa
Andreia Azevedo Soares, in Público
Todos nós, mas especialmente crianças — cujos cérebros ainda não estão maduros —, somos seduzidos por embalagens, promoções e promessas de experiências sensoriais gratificantes.Recebi com enorme alegria a notícia de que, em breve, os CTT vão deixar de vender raspadinhas. A medida, que resulta de uma proposta do Livre, está alicerçada na ideia de que o prestador de um serviço público não pode estar a fomentar um vício. Faz todo o sentido. Numa linha de pensamento próxima, acredito que não deveria ser permitida a venda de doces junto à fila da caixa dos supermercados.
Quem tem filhos pequenos e vive em grandes centros urbanos, certamente já teve esta experiência: a criança vê um chocolate, que está ao alcance das mãos, e expressa efusivamente a vontade de consumi-lo. Os pais, exaustos, após um longo dia de trabalho, loucos para chegar a casa e fazer o jantar, acabam por dizer que sim. Depois, claro está, é pouca a fome para comer um peixinho com brócolos.
Não é novidade que a disposição de produtos nas prateleiras é estudada ao pormenor pelos grandes retalhistas. Da iluminação à temperatura ambiente, quase tudo num espaço comercial tem como objectivo favorecer o consumo. E isso inclui a organização das prateleiras e corredores, sendo a fila da caixa considerada uma área nobre para a promoção de compras impulsivas. Produtos que podem ser do interesse dos mais pequeninos tendem a ficar estrategicamente nas prateleiras mais acessíveis.
A fila para a caixa constitui, com frequência, um espaço afunilado, de passagem obrigatória, onde colocamos produtos sobre a esteira e aguardamos o pagamento. Estamos, de algum modo, encurralados. Trata-se de um lugar que nos pede uma atitude de permanência e paciência — algo muito exigente para crianças. É natural que, nesse compasso de espera, nos sintamos tentados ou obrigados a adquirir artigos de baixo custo e consumo rápido, capazes de proporcionar uma gratificação imediata. Assim são os chocolates, as bolachas recheadas e os rebuçados.
Estas tácticas tornam a rotina de muitas famílias mais difícil, além de prejudicar indirectamente a saúde infantil através do fomento ao consumo de açúcar. A menos que sejamos capazes de produzir os nossos próprios alimentos, ou que façamos sempre compras online — o que representa um custo adicional para o agregado familiar —, não temos outra escolha se não ir ao supermercado para adquirir bens de primeira necessidade. E, quando vamos, no fim, somos forçados a passar pelo temível e stressante portal das guloseimas.
A situação é ainda mais penosa quando se trata de famílias com crianças com deficiência. Meninos autistas, por exemplo, tendem a terminar as compras com uma grande sobrecarga motivada pelo excesso de luzes, ruídos e outras informações sensoriais. Nessa altura, dificilmente terão regulação emocional para ouvir um “não” sem entrarem em crise. É apenas cruel pedir aos pais para conterem fisicamente os filhos na zona da caixa, por forma a evitar que rasguem pacotes e devorem o seu conteúdo. Esta cena, infelizmente, é mais comum do que se pensa.
Não podemos argumentar aqui que só compra quem quer. Todos nós, mas especialmente crianças — cujos cérebros ainda não estão maduros —, somos seduzidos por embalagens, promoções e promessas de experiências sensoriais gratificantes. E é sabido que muitas marcas se digladiam para conquistar um lugar, muitas vezes negociado, junto à caixa.
“Não podemos tirar o marketing da equação. A escolha individual depende muito do marketing”, explicou-me Marion Nestle, professora de saúde pública na Universidade de Nova Iorque, numa entrevista há vários anos. “As empresas investem milhões de dólares em marketing de alimentos. Não conseguimos pensar criticamente sobre o que estamos a comprar. O marketing visa actuar abaixo do radar do pensamento crítico”, remata a investigadora.
Há muito que a UNICEF alerta para a importância de construirmos ambientes não nocivos para crianças, o que implica a disponibilidade de alimentos saudáveis. “É cada vez mais reconhecido que os ambientes alimentares pouco saudáveis violam vários direitos da criança”, indica um relatório da agência das Nações Unidas para a infância. Sendo os espaços onde compramos bens essenciais um local frequentado por crianças, não deveríamos, enquanto sociedade, garantir que este grupo vulnerável não estivesse exposto a compras impulsivas junto à fila da caixa?
Reparem que a ideia não é nova. No Reino Unido, por exemplo, as principais cadeias de supermercado removeram os produtos açucarados da zona de pagamento. Um artigo da CNN refere também que em Berkeley, nos Estados Unidos, foi aprovada em 2020 a lei da “saída saudável”. O diploma regulamenta os produtos alimentares que podem ser vendidos perto da caixa, restringindo doces e refrigerantes e incentivando frutas frescas, iogurtes e frutos secos.
Estes exemplos mostram que é possível desenhar políticas públicas que protejam a saúde das famílias. Ou, havendo menos coragem, que os retalhistas criem pelo menos zonas de pagamento amigas das crianças. Sonho com o dia em que poderei chegar à zona da caixa sem apreensão, sem ter de segurar o meu filho para que ele não abra chocolates que, depois, sou obrigada a comprar. Estou a sonhar muito alto?
21.11.22
Racismo e discriminação contra crianças e adolescentes são comuns em países de todo o mundo
in UNICEF
Novo relatório descreve como as crianças e os adolescentes são discriminados na educação, nos serviços de saúde e no acesso a recursos do governo; a análise de 22 países mostra que os grupos mais favorecidos têm duas vezes mais chances de ter habilidades
Nova Iorque, 18 de novembro de 2022 – Racismo e discriminação contra crianças e adolescentes com base em sua raça, etnia, idioma e religião são comuns em países de todo o mundo, de acordo com um novo relatório do UNICEF publicado às vésperas do Dia Mundial da Criança, comemorado em todo mundo em 20 de novembro, e do Dia da Consciência Negra, celebrado no mesmo dia no Brasil.
Direitos negados: O impacto da discriminação em crianças e adolescentes (Rights denied: The impact of discrimination on children – disponível somente em inglês) mostra até que ponto o racismo e a discriminação afetam a educação, a saúde, o acesso de meninas e meninos a um registro de nascimento e a um sistema de justiça justo e igualitário, e destaca disparidades generalizadas entre minorias e grupos étnicos.
“O racismo estrutural e a discriminação colocam crianças e adolescentes em risco de privação e exclusão que podem durar a vida toda”, disse a diretora executiva do UNICEF, Catherine Russell. “Isso prejudica todos nós. Proteger os direitos de cada criança – seja ela quem for, venha de onde vier – é o caminho mais seguro para construir um mundo mais pacífico, próspero e justo para todos”.
Entre os novos achados, o relatório mostra que crianças e adolescentes de grupos étnicos, linguísticos e religiosos marginalizados em uma análise de 22 países estão muito atrás de seus pares em habilidades de leitura. Em média, os estudantes de 7 a 14 anos do grupo mais favorecido têm duas vezes mais chances de ter habilidades básicas de leitura do que os do grupo menos favorecido.
Uma análise dos dados sobre a taxa de crianças registradas ao nascer – um pré-requisito para o acesso aos direitos básicos – encontrou disparidades significativas entre crianças de diferentes grupos religiosos e étnicos. Por exemplo, no Laos, 59% das crianças menores de 5 anos no grupo étnico minoritário mon-khmer têm seus nascimentos registrados, em comparação com 80% entre o grupo étnico lao-tai.
A discriminação e a exclusão aprofundam a privação e a pobreza intergeracional e resultam em piores resultados de saúde, nutrição e aprendizado para as crianças e os adolescentes, maior probabilidade de encarceramento, taxas mais altas de gravidez entre as adolescentes e taxas de emprego e rendimentos mais baixos na idade adulta.
Embora a covid-19 tenha exposto profundas injustiças e discriminações em todo o mundo e os impactos das mudanças climáticas e dos conflitos continuem a revelar desigualdades em muitos países, o relatório destaca como a discriminação e a exclusão persistem há muito tempo para milhões de crianças e adolescentes de grupos étnicos e minoritários, incluindo acesso a imunização, serviços de água e saneamento e um sistema de justiça justo.
O relatório também destaca como crianças, adolescentes e jovens estão sentindo o fardo da discriminação em seu dia a dia. Uma nova pesquisa do U-Report, que gerou mais de 407 mil respostas, descobriu que quase dois terços sentem que a discriminação é comum em seus ambientes, enquanto quase metade sente que a discriminação afetou de maneira significativa sua vida ou a de alguém que conhecem.
No Brasil
O racismo persiste no cotidiano das crianças e adolescentes brasileiros e se reflete nos números das desigualdades entre negros, indígenas e brancos. Meninos e meninas que vivem em contexto de desigualdade e são vítimas do racismo nas escolas, nas ruas, nos hospitais deparam-se constantemente com situações de discriminação, de preconceito ou segregação.
O relatório inclui exemplos de programas para melhorar as oportunidades de crianças e adolescentes de grupos que sofrem de discriminação, entre eles a Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial no Brasil.
Um decreto em 2003 levou à criação da Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial no Brasil, prevendo ações afirmativas com base em raça e etnia. Desde 2004, existem cotas em algumas universidades que possibilitam maior acesso ao ensino superior e, em 2012, foi aprovada a Lei de Cotas que estabelece uma cota mínima de 50% de acesso às universidades federais.
O exemplo reforça como é fundamental fortalecer e criar políticas públicas que assegurem a representação de grupos historicamente com maior dificuldade de acesso a espaços políticos e institucionais para lidar com a problemática da desigualdade racial, que o Brasil ainda enfrenta.
“No Dia Mundial da Criança e em todos os dias, cada criança, cada adolescente tem o direito de ser incluído, protegido e ter a mesma chance de atingir todo o seu potencial”, disse Russell. “Todos nós temos o poder de lutar contra a discriminação contra crianças e adolescentes – em nossos países, nossas comunidades, nossas escolas, nossos lares e nosso próprio coração. Precisamos usar esse poder”.
Novo relatório descreve como as crianças e os adolescentes são discriminados na educação, nos serviços de saúde e no acesso a recursos do governo; a análise de 22 países mostra que os grupos mais favorecidos têm duas vezes mais chances de ter habilidades
Nova Iorque, 18 de novembro de 2022 – Racismo e discriminação contra crianças e adolescentes com base em sua raça, etnia, idioma e religião são comuns em países de todo o mundo, de acordo com um novo relatório do UNICEF publicado às vésperas do Dia Mundial da Criança, comemorado em todo mundo em 20 de novembro, e do Dia da Consciência Negra, celebrado no mesmo dia no Brasil.
Direitos negados: O impacto da discriminação em crianças e adolescentes (Rights denied: The impact of discrimination on children – disponível somente em inglês) mostra até que ponto o racismo e a discriminação afetam a educação, a saúde, o acesso de meninas e meninos a um registro de nascimento e a um sistema de justiça justo e igualitário, e destaca disparidades generalizadas entre minorias e grupos étnicos.
“O racismo estrutural e a discriminação colocam crianças e adolescentes em risco de privação e exclusão que podem durar a vida toda”, disse a diretora executiva do UNICEF, Catherine Russell. “Isso prejudica todos nós. Proteger os direitos de cada criança – seja ela quem for, venha de onde vier – é o caminho mais seguro para construir um mundo mais pacífico, próspero e justo para todos”.
Entre os novos achados, o relatório mostra que crianças e adolescentes de grupos étnicos, linguísticos e religiosos marginalizados em uma análise de 22 países estão muito atrás de seus pares em habilidades de leitura. Em média, os estudantes de 7 a 14 anos do grupo mais favorecido têm duas vezes mais chances de ter habilidades básicas de leitura do que os do grupo menos favorecido.
Uma análise dos dados sobre a taxa de crianças registradas ao nascer – um pré-requisito para o acesso aos direitos básicos – encontrou disparidades significativas entre crianças de diferentes grupos religiosos e étnicos. Por exemplo, no Laos, 59% das crianças menores de 5 anos no grupo étnico minoritário mon-khmer têm seus nascimentos registrados, em comparação com 80% entre o grupo étnico lao-tai.
A discriminação e a exclusão aprofundam a privação e a pobreza intergeracional e resultam em piores resultados de saúde, nutrição e aprendizado para as crianças e os adolescentes, maior probabilidade de encarceramento, taxas mais altas de gravidez entre as adolescentes e taxas de emprego e rendimentos mais baixos na idade adulta.
Embora a covid-19 tenha exposto profundas injustiças e discriminações em todo o mundo e os impactos das mudanças climáticas e dos conflitos continuem a revelar desigualdades em muitos países, o relatório destaca como a discriminação e a exclusão persistem há muito tempo para milhões de crianças e adolescentes de grupos étnicos e minoritários, incluindo acesso a imunização, serviços de água e saneamento e um sistema de justiça justo.
O relatório também destaca como crianças, adolescentes e jovens estão sentindo o fardo da discriminação em seu dia a dia. Uma nova pesquisa do U-Report, que gerou mais de 407 mil respostas, descobriu que quase dois terços sentem que a discriminação é comum em seus ambientes, enquanto quase metade sente que a discriminação afetou de maneira significativa sua vida ou a de alguém que conhecem.
No Brasil
O racismo persiste no cotidiano das crianças e adolescentes brasileiros e se reflete nos números das desigualdades entre negros, indígenas e brancos. Meninos e meninas que vivem em contexto de desigualdade e são vítimas do racismo nas escolas, nas ruas, nos hospitais deparam-se constantemente com situações de discriminação, de preconceito ou segregação.
O relatório inclui exemplos de programas para melhorar as oportunidades de crianças e adolescentes de grupos que sofrem de discriminação, entre eles a Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial no Brasil.
Um decreto em 2003 levou à criação da Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial no Brasil, prevendo ações afirmativas com base em raça e etnia. Desde 2004, existem cotas em algumas universidades que possibilitam maior acesso ao ensino superior e, em 2012, foi aprovada a Lei de Cotas que estabelece uma cota mínima de 50% de acesso às universidades federais.
O exemplo reforça como é fundamental fortalecer e criar políticas públicas que assegurem a representação de grupos historicamente com maior dificuldade de acesso a espaços políticos e institucionais para lidar com a problemática da desigualdade racial, que o Brasil ainda enfrenta.
“No Dia Mundial da Criança e em todos os dias, cada criança, cada adolescente tem o direito de ser incluído, protegido e ter a mesma chance de atingir todo o seu potencial”, disse Russell. “Todos nós temos o poder de lutar contra a discriminação contra crianças e adolescentes – em nossos países, nossas comunidades, nossas escolas, nossos lares e nosso próprio coração. Precisamos usar esse poder”.
24.10.22
Guerra e crise económica criam mais quatro milhões de crianças pobres
por Cristina Sambado, in RTP
A guerra na Ucrânia e a consequente desaceleração da economia atiraram para a pobreza mais quatro milhões de crianças, só na Europa de leste e Ásia central. No Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, a UNICEF adverte que situação pode levar a um acentuado aumento do abandono escolar e da mortalidade infantil.
Um estudo da UNICEF publicado esta segunda-feira, que analisa o impacto da guerra na Ucrânia e a subsequente recessão económica e pobreza infantil na Europa de leste e Ásia central – que representa 22 países nas regiões –, revela que as crianças estão a suportar o fardo mais pesado da crise económica provocada pela invasão russa da Ucrânia, a 24 de fevereiro."Embora as crianças representem 25 por cento da população (dessa região), representam também quase 40 por cento dos 10,4 milhões de pessoas que passaram este ano a viver na pobreza", acrescenta a análise.
A Federação Russa é responsável por quase três quartos do aumento total das crianças que vivem na pobreza devido à guerra na Ucrânia e ao crescimento do custo de vida em toda a região.
Na Rússia, mais de 2,8 milhões de crianças vivem agora em agregados familiares abaixo do limiar da pobreza.
A Ucrânia surge a seguir na lista, com mais meio milhão de crianças a viver na pobreza, à frente da Roménia, que tem agora mais 110 mil crianças pobres.
“Para além dos horrores óbvios da guerra - a morte e mutilação e a deslocação em massa – consequência do conflito militar na Ucrânia estão a ter um impacto devastador nas crianças em toda a Europa de leste e Ásia central”, afirmou o diretor regional da UNICEF, Afshan Khan.
Segundo Afshan Khan, “as crianças dessas regiões estão a ser prejudicadas pelos terríveis efeitos da guerra. Se não as apoiarmos e às famílias, o acentuado aumento da pobreza infantil resultará quase certamente em vidas e aprendizagem perdidas, assim como os futuros”.
O estudo da UNICEF revela ainda que as consequências da pobreza infantil vão muito além das famílias que vivem com dificuldades financeiras. O acentuado aumento poderá resultar na morte de mais de 4.500 crianças antes de celebrarem o seu primeiro aniversário. Já as perdas de aprendizagem podem equivaler ao abandono escolar de mais de 117 mil crianças, só este ano.
Quanto mais pobre for a família, maior será a proporção do seu rendimento comprometida com necessidades como a alimentação e o combustível.
Quando o custo dos bens básicos sobe, diminui o dinheiro disponível para satisfazer outras necessidades, tais como cuidados de saúde e educação.
O estudo frisa que “a subsequente crise do custo de vida significa que as crianças mais pobres têm ainda menos probabilidades de aceder a serviços essenciais e estão mais expostas ao risco de violência, exploração e abuso”.
Para muitos, a pobreza infantil dura uma vida inteira. Uma em cada três crianças nascidas e criadas na pobreza viverão a sua vida adulta nesta situação, o que leva a um ciclo intergeracional de dificuldades e privações.Apelo aos governos
Os desafios enfrentados pelas famílias que vivem na pobreza ou à beira da pobreza agravam-se quando os governos reduzem a dívida pública, aumentam os impostos sobre o consumo ou põem em prática medidas de austeridade num esforço para impulsionar as economias a curto prazo, uma vez que isso diminui o alcance e a qualidade de serviços de apoio dos quais as famílias dependem.
O estudo estabelece um quadro para ajudar a reduzir o número de crianças que vivem na pobreza e evitar que mais famílias caiam em dificuldades financeiras:
- Proporcionar benefícios monetários universais às crianças e garantir um rendimento mínimo de segurança;
- Expandir as prestações de assistência social a todas as famílias com crianças necessitadas, incluindo refugiados;
- Proteger as despesas sociais, especialmente para as crianças de famílias mais vulneráveis;
- Proteger e apoiar a prestação de serviços de saúde, nutrição e assistência a mães grávidas, bebés e crianças em idade pré-escolar;
- Introduzir regulamentos de preços sobre produtos alimentares básicos para as famílias.
A UNICEF estabeleceu recentemente uma parceria com a Comissão Europeia para a iniciativa UE Child Guarantee que visa mitigar o impacto da pobreza nas crianças e proporcionar-lhes oportunidades de prosperar na vida adulta.
Com mais crianças e famílias a serem empurradas para a pobreza, é necessária uma resposta robusta em toda a Europa.
A UNICEF apela, ainda, a um apoio contínuo e alargado para reforçar os sistemas de proteção social nos países de alto e médio rendimento da Europa Oriental e Ásia Central; e a priorização do financiamento de programas de proteção social, incluindo programas de assistência monetária para crianças e famílias vulneráveis.
“As medidas de austeridade irão prejudicar sobretudo as crianças – mergulhando ainda mais crianças na pobreza e dificultando as famílias que já estão a lutar”, acrescentou Khan.
“Temos de proteger e expandir o apoio social às famílias vulneráveis antes que a situação de agrave”, apelou.
A guerra na Ucrânia e a consequente desaceleração da economia atiraram para a pobreza mais quatro milhões de crianças, só na Europa de leste e Ásia central. No Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, a UNICEF adverte que situação pode levar a um acentuado aumento do abandono escolar e da mortalidade infantil.
Um estudo da UNICEF publicado esta segunda-feira, que analisa o impacto da guerra na Ucrânia e a subsequente recessão económica e pobreza infantil na Europa de leste e Ásia central – que representa 22 países nas regiões –, revela que as crianças estão a suportar o fardo mais pesado da crise económica provocada pela invasão russa da Ucrânia, a 24 de fevereiro."Embora as crianças representem 25 por cento da população (dessa região), representam também quase 40 por cento dos 10,4 milhões de pessoas que passaram este ano a viver na pobreza", acrescenta a análise.
A Federação Russa é responsável por quase três quartos do aumento total das crianças que vivem na pobreza devido à guerra na Ucrânia e ao crescimento do custo de vida em toda a região.
Na Rússia, mais de 2,8 milhões de crianças vivem agora em agregados familiares abaixo do limiar da pobreza.
A Ucrânia surge a seguir na lista, com mais meio milhão de crianças a viver na pobreza, à frente da Roménia, que tem agora mais 110 mil crianças pobres.
“Para além dos horrores óbvios da guerra - a morte e mutilação e a deslocação em massa – consequência do conflito militar na Ucrânia estão a ter um impacto devastador nas crianças em toda a Europa de leste e Ásia central”, afirmou o diretor regional da UNICEF, Afshan Khan.
Segundo Afshan Khan, “as crianças dessas regiões estão a ser prejudicadas pelos terríveis efeitos da guerra. Se não as apoiarmos e às famílias, o acentuado aumento da pobreza infantil resultará quase certamente em vidas e aprendizagem perdidas, assim como os futuros”.
O estudo da UNICEF revela ainda que as consequências da pobreza infantil vão muito além das famílias que vivem com dificuldades financeiras. O acentuado aumento poderá resultar na morte de mais de 4.500 crianças antes de celebrarem o seu primeiro aniversário. Já as perdas de aprendizagem podem equivaler ao abandono escolar de mais de 117 mil crianças, só este ano.
Quanto mais pobre for a família, maior será a proporção do seu rendimento comprometida com necessidades como a alimentação e o combustível.
Quando o custo dos bens básicos sobe, diminui o dinheiro disponível para satisfazer outras necessidades, tais como cuidados de saúde e educação.
O estudo frisa que “a subsequente crise do custo de vida significa que as crianças mais pobres têm ainda menos probabilidades de aceder a serviços essenciais e estão mais expostas ao risco de violência, exploração e abuso”.
Para muitos, a pobreza infantil dura uma vida inteira. Uma em cada três crianças nascidas e criadas na pobreza viverão a sua vida adulta nesta situação, o que leva a um ciclo intergeracional de dificuldades e privações.Apelo aos governos
Os desafios enfrentados pelas famílias que vivem na pobreza ou à beira da pobreza agravam-se quando os governos reduzem a dívida pública, aumentam os impostos sobre o consumo ou põem em prática medidas de austeridade num esforço para impulsionar as economias a curto prazo, uma vez que isso diminui o alcance e a qualidade de serviços de apoio dos quais as famílias dependem.
O estudo estabelece um quadro para ajudar a reduzir o número de crianças que vivem na pobreza e evitar que mais famílias caiam em dificuldades financeiras:
- Proporcionar benefícios monetários universais às crianças e garantir um rendimento mínimo de segurança;
- Expandir as prestações de assistência social a todas as famílias com crianças necessitadas, incluindo refugiados;
- Proteger as despesas sociais, especialmente para as crianças de famílias mais vulneráveis;
- Proteger e apoiar a prestação de serviços de saúde, nutrição e assistência a mães grávidas, bebés e crianças em idade pré-escolar;
- Introduzir regulamentos de preços sobre produtos alimentares básicos para as famílias.
A UNICEF estabeleceu recentemente uma parceria com a Comissão Europeia para a iniciativa UE Child Guarantee que visa mitigar o impacto da pobreza nas crianças e proporcionar-lhes oportunidades de prosperar na vida adulta.
Com mais crianças e famílias a serem empurradas para a pobreza, é necessária uma resposta robusta em toda a Europa.
A UNICEF apela, ainda, a um apoio contínuo e alargado para reforçar os sistemas de proteção social nos países de alto e médio rendimento da Europa Oriental e Ásia Central; e a priorização do financiamento de programas de proteção social, incluindo programas de assistência monetária para crianças e famílias vulneráveis.
“As medidas de austeridade irão prejudicar sobretudo as crianças – mergulhando ainda mais crianças na pobreza e dificultando as famílias que já estão a lutar”, acrescentou Khan.
“Temos de proteger e expandir o apoio social às famílias vulneráveis antes que a situação de agrave”, apelou.
14.4.16
UNICEF. Portugal entre países com crianças pobres e em piores circunstâncias
Liliana Monteiro, in RR
Os dados mostram que as disparidades de rendimentos de agregados com crianças aumentaram na maioria dos países desde que começou a crise económica.
Portugal está entre os países onde as crianças desfavorecidas vivem em piores circunstâncias. Os dados são da UNICEF que analisou 41 países da União Europeia e Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e avaliou parâmetros como o rendimento do agregado, a saúde, educação e satisfação com a vida.
O relatório compara as desigualdades entre as crianças classificadas como estando numa situação mediana e as que se encontram no patamar mais baixo.
A crise económica atirou Portugal para a lista de países onde as crianças mais pobres vivem em piores circunstâncias. Desse grupo fazem parte ainda o Chipre, Espanha, Grécia e a Itália.
Os dados mostram que as disparidades de rendimentos de agregados com crianças aumentaram na maioria dos países desde que começou a crise económica, uma tendência que o relatório aponta como “gritante” nos países do sul da Europa.
Portugal é também apontado como o país onde as desigualdades em termos de alimentação saudável (ou seja, consumo de fruta e vegetais) mais aumentaram.
Olhando para a lista de 41 países analisados, a Dinamarca surge no topo da tabela como o que tem menores desigualdades entre crianças. Já Israel surge em último lugar.
Em matéria de cuidados de saúde apenas Espanha e os Estados Unidos melhoraram. Já a Estónia, Irlanda, Letónia e Polónia conseguiram reduzir as desigualdades em matéria de Educação.
Em nome do bem-estar das crianças propõe-se que se proteja os rendimentos dos agregados familiares das crianças mais pobres; se promova o sucesso escolar dos mais desfavorecidos; promova estilos de vida saudáveis para todas as crianças.
Madalena Marçal Grilo, directora executiva do comité português para a UNICEF, salienta à Renascença que “o estudo avalia o bem-estar das crianças nos países ricos. Avalia as desigualdades que separam as crianças classificadas num nível mediano e mais baixo”.
A mesma resposável lembra também que “as várias dimensões da pobreza afectam a criança agora e nas suas perspectivas de futuro”. A pobreza infantil, aponta, “diminui ou limita as oportunidades de futuro e de as crianças se desenvolverem de uma forma mais saudável e harmoniosa”.
Os dados mostram que as disparidades de rendimentos de agregados com crianças aumentaram na maioria dos países desde que começou a crise económica.
Portugal está entre os países onde as crianças desfavorecidas vivem em piores circunstâncias. Os dados são da UNICEF que analisou 41 países da União Europeia e Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e avaliou parâmetros como o rendimento do agregado, a saúde, educação e satisfação com a vida.
O relatório compara as desigualdades entre as crianças classificadas como estando numa situação mediana e as que se encontram no patamar mais baixo.
A crise económica atirou Portugal para a lista de países onde as crianças mais pobres vivem em piores circunstâncias. Desse grupo fazem parte ainda o Chipre, Espanha, Grécia e a Itália.
Os dados mostram que as disparidades de rendimentos de agregados com crianças aumentaram na maioria dos países desde que começou a crise económica, uma tendência que o relatório aponta como “gritante” nos países do sul da Europa.
Portugal é também apontado como o país onde as desigualdades em termos de alimentação saudável (ou seja, consumo de fruta e vegetais) mais aumentaram.
Olhando para a lista de 41 países analisados, a Dinamarca surge no topo da tabela como o que tem menores desigualdades entre crianças. Já Israel surge em último lugar.
Em matéria de cuidados de saúde apenas Espanha e os Estados Unidos melhoraram. Já a Estónia, Irlanda, Letónia e Polónia conseguiram reduzir as desigualdades em matéria de Educação.
Em nome do bem-estar das crianças propõe-se que se proteja os rendimentos dos agregados familiares das crianças mais pobres; se promova o sucesso escolar dos mais desfavorecidos; promova estilos de vida saudáveis para todas as crianças.
Madalena Marçal Grilo, directora executiva do comité português para a UNICEF, salienta à Renascença que “o estudo avalia o bem-estar das crianças nos países ricos. Avalia as desigualdades que separam as crianças classificadas num nível mediano e mais baixo”.
A mesma resposável lembra também que “as várias dimensões da pobreza afectam a criança agora e nas suas perspectivas de futuro”. A pobreza infantil, aponta, “diminui ou limita as oportunidades de futuro e de as crianças se desenvolverem de uma forma mais saudável e harmoniosa”.
30.1.14
6,6 milhões de crianças com menos de cinco anos morreram em 2012
in Público on-line
A boa notícia são os "progressos notáveis" que impediram que "cerca de 90 milhões" morressem, devido à redução da mortalidade infantil, desde os anos 1990.
Cerca de 6,6 milhões de crianças com menos de cinco anos morreram em 2012, a maioria de causas evitáveis, revelou esta quinta-feira a UNICEF, no seu relatório anual sobre "A Situação Mundial da Infância em Números 2014". Para o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), estas mortes constituem uma "violação do direito fundamental das crianças à sobrevivência e ao desenvolvimento".
O relatório sobre a situação das crianças em 2012 revela que 15% das crianças do mundo são colocadas a fazer trabalho que "compromete o seu direito à protecção contra a exploração económica e infringe o direito de aprender e de brincar que lhes assiste".
A UNICEF aponta outro exemplo de violação dos direitos das crianças: as 11% de raparigas que casam antes dos 15 anos, afectando o seu acesso à saúde, educação e protecção.
Por outro lado, o documento refere "progressos notáveis", em particular após a assinatura da Convenção sobre os Direitos da Criança em 1989 e a definição dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, em 2015.
"Cerca de 90 milhões de crianças, que teriam morrido antes dos cinco anos se as taxas de mortalidade infantil se tivessem mantido nos níveis de 1990, sobreviveram. Em larga medida, graças aos progressos na prestação de serviços de imunização, saúde, e água e saneamento", refere a UNICEF.
A organização diz ainda que as melhorias na nutrição permitiram diminuir em 37% os atrasos de crescimento, desde o início da década de 1990, e a frequência no ensino primário aumentou, incluindo nos países menos desenvolvidos.
"Em 1990, apenas 53% das crianças eram admitidas na escola (nesses países), em 2011, a percentagem aumentou para 81%", indica a UNICEF.
Os dados da UNICEF revelam também "lacunas e desigualdades, mostrando que os ganhos de desenvolvimento estão distribuídos de forma desigual".
"As crianças mais pobres do mundo têm perto de três vezes menos (2,7) probabilidades do que as mais ricas de ter uma pessoa qualificada a assistir ao seu nascimento, o que aumenta o risco de complicações relacionadas com o parto tanto para elas próprias como para as mães", segundo o relatório.
Quase 40% das crianças da Guiné-Bissau trabalham
O relatório revela que a Guiné-Bissau é o país lusófono com a maior taxa de trabalho infantil: 38% das crianças trabalham. Timor-Leste, com 28%, e Angola, com 24%, são os países de língua portuguesa que se seguem com maior taxa de trabalho infantil. Em Moçambique a taxa é de 22%.
Quanto ao casamento infantil, Moçambique lidera a tabela lusófona, com 14% das crianças a casarem-se antes dos 15 anos. Na Guiné-Bissau são 7%.
No Brasil, 9% das crianças trabalham e 11% casam-se muito jovens. Em São Tomé e Príncipe, as taxas baixam para 8% e 5%, respectivamente. Em Cabo Verde e Portugal, o trabalho infantil ainda prevalece para três por cento da população infantil.
No estudo, que reporta dados de 2012, ressalta ainda que Moçambique é o país de língua portuguesa com mais baixa esperança de vida (50 anos), com Angola (51) e a Guiné-Bissau (54) por perto. Em São Tomé, as pessoas vivem em média até aos 66 e em Timor-Leste chegam aos 67 anos.
Com mais idade, os brasileiros têm uma esperança de vida de 74 anos, enquanto os cabo-verdianos podem viver até aos 75 anos. Portugal distancia-se, com uma esperança de vida de 80 anos.
Quanto à mortalidade de crianças com menos de cinco anos, Angola é o segundo país com pior situação, com 164 casos em cada 1000, apenas suplantado pela Serra Leoa. Seguem-se, entre os lusófonos, a Guiné-Bissau (6.º lugar), Moçambique (22.º), Timor (48.º), São Tomé (50.º), Cabo Verde (88.º) e Brasil (120.º). Quase no final da tabela surge Portugal, em 170.º do ranking mundial.
Na taxa de natalidade, Portugal situa-se no fundo da tabela, com 1,3 crianças por mulher. No Brasil, este valor é de 1,8, enquanto em Cabo Verde a taxa é de 2,3. Na Guiné-Bissau, cada mulher poderá dar à luz, em média, 2,6 crianças, enquanto em São Tomé, este número sobre para 4,1. Em Moçambique chega aos 5,3 filhos por mulher e Angola e Timor-Leste registam seis crianças.
Quanto à literacia da população adulta, Moçambique apresenta a taxa mais baixa: apenas metade dos moçambicanos com mais de 15 anos (51%) sabe ler e escrever. Na Guiné-Bissau, esta taxa é de 55% e em Timor é de 58%.
Em Angola e São Tomé e Príncipe, 70% dos adultos sabem ler e escrever. A taxa de literacia em países como Cabo Verde é de 85%, no Brasil alcança os 90% e em Portugal regista 96%.
A UNICEF apelou a um maior investimento em inovações que permitam colmatar situações de exclusão e identificar as dificuldades que afectam 2,2 mil milhões de crianças mais desfavorecidas no mundo e sublinha "a importância dos dados para a concretização de progressos para as crianças". "Só é possível fazer mais progressos se soubermos quais as crianças que são mais negligenciadas, onde há raparigas e rapazes fora da escola, em que locais as doenças estão a aumentar e onde falta saneamento básico", afirma Tessa Wardlaw, chefe da secção de Dados e Analítica da UNICEF.
A boa notícia são os "progressos notáveis" que impediram que "cerca de 90 milhões" morressem, devido à redução da mortalidade infantil, desde os anos 1990.
Cerca de 6,6 milhões de crianças com menos de cinco anos morreram em 2012, a maioria de causas evitáveis, revelou esta quinta-feira a UNICEF, no seu relatório anual sobre "A Situação Mundial da Infância em Números 2014". Para o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), estas mortes constituem uma "violação do direito fundamental das crianças à sobrevivência e ao desenvolvimento".
O relatório sobre a situação das crianças em 2012 revela que 15% das crianças do mundo são colocadas a fazer trabalho que "compromete o seu direito à protecção contra a exploração económica e infringe o direito de aprender e de brincar que lhes assiste".
A UNICEF aponta outro exemplo de violação dos direitos das crianças: as 11% de raparigas que casam antes dos 15 anos, afectando o seu acesso à saúde, educação e protecção.
Por outro lado, o documento refere "progressos notáveis", em particular após a assinatura da Convenção sobre os Direitos da Criança em 1989 e a definição dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, em 2015.
"Cerca de 90 milhões de crianças, que teriam morrido antes dos cinco anos se as taxas de mortalidade infantil se tivessem mantido nos níveis de 1990, sobreviveram. Em larga medida, graças aos progressos na prestação de serviços de imunização, saúde, e água e saneamento", refere a UNICEF.
A organização diz ainda que as melhorias na nutrição permitiram diminuir em 37% os atrasos de crescimento, desde o início da década de 1990, e a frequência no ensino primário aumentou, incluindo nos países menos desenvolvidos.
"Em 1990, apenas 53% das crianças eram admitidas na escola (nesses países), em 2011, a percentagem aumentou para 81%", indica a UNICEF.
Os dados da UNICEF revelam também "lacunas e desigualdades, mostrando que os ganhos de desenvolvimento estão distribuídos de forma desigual".
"As crianças mais pobres do mundo têm perto de três vezes menos (2,7) probabilidades do que as mais ricas de ter uma pessoa qualificada a assistir ao seu nascimento, o que aumenta o risco de complicações relacionadas com o parto tanto para elas próprias como para as mães", segundo o relatório.
Quase 40% das crianças da Guiné-Bissau trabalham
O relatório revela que a Guiné-Bissau é o país lusófono com a maior taxa de trabalho infantil: 38% das crianças trabalham. Timor-Leste, com 28%, e Angola, com 24%, são os países de língua portuguesa que se seguem com maior taxa de trabalho infantil. Em Moçambique a taxa é de 22%.
Quanto ao casamento infantil, Moçambique lidera a tabela lusófona, com 14% das crianças a casarem-se antes dos 15 anos. Na Guiné-Bissau são 7%.
No Brasil, 9% das crianças trabalham e 11% casam-se muito jovens. Em São Tomé e Príncipe, as taxas baixam para 8% e 5%, respectivamente. Em Cabo Verde e Portugal, o trabalho infantil ainda prevalece para três por cento da população infantil.
No estudo, que reporta dados de 2012, ressalta ainda que Moçambique é o país de língua portuguesa com mais baixa esperança de vida (50 anos), com Angola (51) e a Guiné-Bissau (54) por perto. Em São Tomé, as pessoas vivem em média até aos 66 e em Timor-Leste chegam aos 67 anos.
Com mais idade, os brasileiros têm uma esperança de vida de 74 anos, enquanto os cabo-verdianos podem viver até aos 75 anos. Portugal distancia-se, com uma esperança de vida de 80 anos.
Quanto à mortalidade de crianças com menos de cinco anos, Angola é o segundo país com pior situação, com 164 casos em cada 1000, apenas suplantado pela Serra Leoa. Seguem-se, entre os lusófonos, a Guiné-Bissau (6.º lugar), Moçambique (22.º), Timor (48.º), São Tomé (50.º), Cabo Verde (88.º) e Brasil (120.º). Quase no final da tabela surge Portugal, em 170.º do ranking mundial.
Na taxa de natalidade, Portugal situa-se no fundo da tabela, com 1,3 crianças por mulher. No Brasil, este valor é de 1,8, enquanto em Cabo Verde a taxa é de 2,3. Na Guiné-Bissau, cada mulher poderá dar à luz, em média, 2,6 crianças, enquanto em São Tomé, este número sobre para 4,1. Em Moçambique chega aos 5,3 filhos por mulher e Angola e Timor-Leste registam seis crianças.
Quanto à literacia da população adulta, Moçambique apresenta a taxa mais baixa: apenas metade dos moçambicanos com mais de 15 anos (51%) sabe ler e escrever. Na Guiné-Bissau, esta taxa é de 55% e em Timor é de 58%.
Em Angola e São Tomé e Príncipe, 70% dos adultos sabem ler e escrever. A taxa de literacia em países como Cabo Verde é de 85%, no Brasil alcança os 90% e em Portugal regista 96%.
A UNICEF apelou a um maior investimento em inovações que permitam colmatar situações de exclusão e identificar as dificuldades que afectam 2,2 mil milhões de crianças mais desfavorecidas no mundo e sublinha "a importância dos dados para a concretização de progressos para as crianças". "Só é possível fazer mais progressos se soubermos quais as crianças que são mais negligenciadas, onde há raparigas e rapazes fora da escola, em que locais as doenças estão a aumentar e onde falta saneamento básico", afirma Tessa Wardlaw, chefe da secção de Dados e Analítica da UNICEF.
Quase 40% das crianças trabalham na Guiné-Bissau, garante UNICEF
in Diário Digital
A Guiné-Bissau é o país lusófono com a maior taxa de trabalho infantil: quase 40% das crianças guineenses trabalham, revela um estudo da UNICEF relativo a 2012, que coloca Timor-Leste e Angola a seguir neste dado.
O relatório sobre A Situação Mundial da Infância em Números 2014, hoje divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), revela que na Guiné-Bissau, 38% das crianças entre os 05 e os 14 anos trabalham e sete por cento estão casadas antes dos 15 anos. Segue-se Timor-Leste, onde 28% dos menores realizam trabalhos e, a seguir, Angola, com uma taxa de 24%.
Quanto ao casamento infantil, Moçambique lidera a tabela dos países onde se fala português, com 14% das crianças a casarem-se antes dos 15 anos. Quase um quarto dos menores moçambicanos (22%) trabalha.
Diário Digital / Lusa
A Guiné-Bissau é o país lusófono com a maior taxa de trabalho infantil: quase 40% das crianças guineenses trabalham, revela um estudo da UNICEF relativo a 2012, que coloca Timor-Leste e Angola a seguir neste dado.
O relatório sobre A Situação Mundial da Infância em Números 2014, hoje divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), revela que na Guiné-Bissau, 38% das crianças entre os 05 e os 14 anos trabalham e sete por cento estão casadas antes dos 15 anos. Segue-se Timor-Leste, onde 28% dos menores realizam trabalhos e, a seguir, Angola, com uma taxa de 24%.
Quanto ao casamento infantil, Moçambique lidera a tabela dos países onde se fala português, com 14% das crianças a casarem-se antes dos 15 anos. Quase um quarto dos menores moçambicanos (22%) trabalha.
Diário Digital / Lusa
UNICEF diz que 6,6 milhões de crianças abaixo dos 5 anos morreram em 2012
in Diário Digital
Cerca de 6,6 milhões de crianças com menos de cinco anos morreram em 2012, a maioria de causas evitáveis, revelou hoje a UNICEF, no seu relatório anual sobre «A Situação Mundial da Infância em Números 2014».
Para o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), estas mortes constituem uma «violação do direito fundamental das crianças à sobrevivência e ao desenvolvimento».
O relatório sobre a situação das crianças em 2012, divulgado hoje, revela que 15 por cento das crianças do mundo são colocadas a fazer trabalho que «compromete o seu direito à proteção contra a exploração económica e infringe o direito de aprender e de brincar que lhes assiste».
Diário Digital / Lusa
Cerca de 6,6 milhões de crianças com menos de cinco anos morreram em 2012, a maioria de causas evitáveis, revelou hoje a UNICEF, no seu relatório anual sobre «A Situação Mundial da Infância em Números 2014».
Para o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), estas mortes constituem uma «violação do direito fundamental das crianças à sobrevivência e ao desenvolvimento».
O relatório sobre a situação das crianças em 2012, divulgado hoje, revela que 15 por cento das crianças do mundo são colocadas a fazer trabalho que «compromete o seu direito à proteção contra a exploração económica e infringe o direito de aprender e de brincar que lhes assiste».
Diário Digital / Lusa
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