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27.10.22
O risco de exclusão social
José Bastos, in RR
José Alberto Lemos, Nuno Garoupa e Nuno Botelho na análise da atualidade.
Números divulgados pela base de dados estatísticos da Fundação Francisco Manuel dos Santos – FFMS - para assinalar o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, indicam que face a três indicadores chave Portugal regrediu: a percentagem da população em risco de pobreza, a taxa de risco da pobreza e a desigualdade na distribuição de rendimento.
O estudo da Pordata sugere que já em 2020, primeiro ano da pandemia, o número de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social aumentou 12,5% - o pior registo desde 2014 – o que fez Portugal recuar 5 lugares (13º/8º) nos países com mais população em risco de pobreza entre os 27 da União Europeia.
Os grupos mais afetados pela pobreza são os agregados com crianças dependentes, os menores de 18 anos e os desempregados, apontam os dados da Pordata. Em Portugal, o valor abaixo do qual se é considerado pobre situava-se, em 2020, nos 6.653 euros anuais, o equivalente a 554 euros mensais.
A Pordata revela que sem apoios sociais 4,5 milhões de portugueses são pobres ou têm rendimentos abaixo do limiar da pobreza (os 554 euros mensais). Mesmo com os apoios do estado, dois milhões de pessoas estão neste limiar, quase 20% da população. Num país que definiu ter menos 765 mil pobres até 2030, há cada vez mais ricos e os ricos são cada vez mais ricos, mas também há cada vez mais pobres.
Em 2022 vive-se uma nova crise que afeta desproporcionalmente os mais desfavorecidos. Neste fim de semana surgem notícias de que dispararam os furtos de bens alimentares básicos em supermercados no atual contexto de inflação e subida exponencial dos preços. O Expresso deu conta de que aumentam “os roubos para comer” e já há “alarmes em alimentos”.
São estes os sintomas avançados de uma iminente emergência social? Onde se falhou nos últimos 30 anos? Como foi aplicado o dinheiro? O que vai ser feito de diferente agora com o PRR num país onde pouco se discute o crescimento e mais a distribuição de uma riqueza não existente?
Este é um dos temas para debate num espaço onde se olhará também para as críticas ao presidente da República, as incompatibilidades de membros do governo, atrasos na Entidade para a Transparência, e para a Ucrânia e Reino Unido.
A análise é de Nuno Garoupa, professor da GMU Scalia Law, Nuno Botelho, presidente da ACP – Câmara de Comércio e Indústria e do jornalista José Alberto Lemos
José Alberto Lemos, Nuno Garoupa e Nuno Botelho na análise da atualidade.
Números divulgados pela base de dados estatísticos da Fundação Francisco Manuel dos Santos – FFMS - para assinalar o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, indicam que face a três indicadores chave Portugal regrediu: a percentagem da população em risco de pobreza, a taxa de risco da pobreza e a desigualdade na distribuição de rendimento.
O estudo da Pordata sugere que já em 2020, primeiro ano da pandemia, o número de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social aumentou 12,5% - o pior registo desde 2014 – o que fez Portugal recuar 5 lugares (13º/8º) nos países com mais população em risco de pobreza entre os 27 da União Europeia.
Os grupos mais afetados pela pobreza são os agregados com crianças dependentes, os menores de 18 anos e os desempregados, apontam os dados da Pordata. Em Portugal, o valor abaixo do qual se é considerado pobre situava-se, em 2020, nos 6.653 euros anuais, o equivalente a 554 euros mensais.
A Pordata revela que sem apoios sociais 4,5 milhões de portugueses são pobres ou têm rendimentos abaixo do limiar da pobreza (os 554 euros mensais). Mesmo com os apoios do estado, dois milhões de pessoas estão neste limiar, quase 20% da população. Num país que definiu ter menos 765 mil pobres até 2030, há cada vez mais ricos e os ricos são cada vez mais ricos, mas também há cada vez mais pobres.
Em 2022 vive-se uma nova crise que afeta desproporcionalmente os mais desfavorecidos. Neste fim de semana surgem notícias de que dispararam os furtos de bens alimentares básicos em supermercados no atual contexto de inflação e subida exponencial dos preços. O Expresso deu conta de que aumentam “os roubos para comer” e já há “alarmes em alimentos”.
São estes os sintomas avançados de uma iminente emergência social? Onde se falhou nos últimos 30 anos? Como foi aplicado o dinheiro? O que vai ser feito de diferente agora com o PRR num país onde pouco se discute o crescimento e mais a distribuição de uma riqueza não existente?
Este é um dos temas para debate num espaço onde se olhará também para as críticas ao presidente da República, as incompatibilidades de membros do governo, atrasos na Entidade para a Transparência, e para a Ucrânia e Reino Unido.
A análise é de Nuno Garoupa, professor da GMU Scalia Law, Nuno Botelho, presidente da ACP – Câmara de Comércio e Indústria e do jornalista José Alberto Lemos
9.2.21
Quase uma em cada três pessoas com deficiência em Portugal em risco de pobreza ou exclusão social
Ema Gil Pires, in EcoOnline
Os valores registados em Portugal estão muito próximos dos registados na União Europeia, onde 28,4% da população com deficiência estava, em 2019, em risco de pobreza ou exclusão social.
As pessoas com deficiência estavam, no ano de 2019, em maior risco de pobreza e exclusão social do que aquelas que não tinham qualquer tipo de incapacidade. Os dados divulgados pelo Eurostat esta segunda-feira mostram como esta é uma realidade válida tanto para Portugal, como para a globalidade da União Europeia.
28,7% das pessoas com idade mínima de 16 anos e com algum tipo de deficiência, em Portugal, severamente privadas materialmente, a viver num agregado familiar cuja intensidade de trabalho era muito baixa ou em risco de pobreza. Por outro lado, apenas 18,1% da população sem qualquer deficiência vivia nessas mesmas condições.
Estes valores não se afastam muito da média da União Europeia. Os valores registados na totalidade dos 27 Estados-membros mostram que apenas 18,4% dos indivíduos sem qualquer tipo de limitação se encontram numa situação dessa natureza, percentagem que sobe para os 28,4% quando considerado o caso das pessoas com deficiência.
Tal como esclarece o Eurostat, foi nos Estados-membros que, em 2019, “se encontravam em maior risco de pobreza ou exclusão social” que se registou uma maior proporção de pessoas com deficiência a viverem nessas condições de maior dificuldade — Bulgária (50,7%), Letónia (42,1%), Estónia (40,0%), Lituânia (39,9%) e Irlanda (37,8%).
Por outro lado, Eslováquia (19,2%), Dinamarca (20,3%), Áustria (22,2%), Finlândia (22,5%) e França (22,9%) apresentaram-se como os países onde as pessoas com deficiência detinham uma menor probabilidade de estarem sujeitas a situações de pobreza, de privação material ou de baixa intensidade de trabalho dentro do seu agregado familiar.
Os dados divulgados pelo Eurostat esta segunda-feira mostram ainda que em nenhum dos 27 Estados-membros os indivíduos sem deficiência detinham um maior risco de pobreza e de exclusão social do que as pessoas com algum tipo de incapacidade.
Os valores registados em Portugal estão muito próximos dos registados na União Europeia, onde 28,4% da população com deficiência estava, em 2019, em risco de pobreza ou exclusão social.
As pessoas com deficiência estavam, no ano de 2019, em maior risco de pobreza e exclusão social do que aquelas que não tinham qualquer tipo de incapacidade. Os dados divulgados pelo Eurostat esta segunda-feira mostram como esta é uma realidade válida tanto para Portugal, como para a globalidade da União Europeia.
28,7% das pessoas com idade mínima de 16 anos e com algum tipo de deficiência, em Portugal, severamente privadas materialmente, a viver num agregado familiar cuja intensidade de trabalho era muito baixa ou em risco de pobreza. Por outro lado, apenas 18,1% da população sem qualquer deficiência vivia nessas mesmas condições.
Estes valores não se afastam muito da média da União Europeia. Os valores registados na totalidade dos 27 Estados-membros mostram que apenas 18,4% dos indivíduos sem qualquer tipo de limitação se encontram numa situação dessa natureza, percentagem que sobe para os 28,4% quando considerado o caso das pessoas com deficiência.
Tal como esclarece o Eurostat, foi nos Estados-membros que, em 2019, “se encontravam em maior risco de pobreza ou exclusão social” que se registou uma maior proporção de pessoas com deficiência a viverem nessas condições de maior dificuldade — Bulgária (50,7%), Letónia (42,1%), Estónia (40,0%), Lituânia (39,9%) e Irlanda (37,8%).
Por outro lado, Eslováquia (19,2%), Dinamarca (20,3%), Áustria (22,2%), Finlândia (22,5%) e França (22,9%) apresentaram-se como os países onde as pessoas com deficiência detinham uma menor probabilidade de estarem sujeitas a situações de pobreza, de privação material ou de baixa intensidade de trabalho dentro do seu agregado familiar.
Os dados divulgados pelo Eurostat esta segunda-feira mostram ainda que em nenhum dos 27 Estados-membros os indivíduos sem deficiência detinham um maior risco de pobreza e de exclusão social do que as pessoas com algum tipo de incapacidade.
10.10.14
Portugal foi o único país da troika onde o risco de exclusão social não aumentou desde 2010
por Eva Gaspar, in Negócios on-line
O risco de pobreza ou de exclusão social em Portugal persiste acima da média da UE, mas não aumentou desde 2010, ao contrário do que sucedeu em 18 dos seus 28 Estados. Em contrapartida, há mais famílias sem trabalho e que reportam viver em privação material severa.
O risco de pobreza ou de exclusão social em Portugal persiste acima da média da União Europeia, mas não aumentou desde 2010, ao contrário do que sucedeu em 18 dos seus 28 Estados-membros, entre os quais estão os outros países resgatados pela troika (Grécia, Irlanda e Chipre).
Os dados comparativos foram divulgados pela Comissão Europeia por ocasião da conferência que decorre esta tarde em Bruxelas, onde se constatará que a Europa não está no bom caminho para cumprir a meta de tirar 20 milhões da pobreza até 2020.
O risco de pobreza ou de exclusão social em permaneceu em Portugal em 25,3% entre 2010 e os anos 2012/2013, acima da média dos países da União Europeia, onde subiu oito décimas para 24,8%.
Este indicador tenta captar a população que cumpre pelo menos uma das seguintes condições: está em risco de pobreza (rendimento monetário abaixo do limiar de pobreza, que é fixado em 60% do rendimento mediano nacional disponível, após transferências sociais); está severamente privada de bens materiais (a falta de recursos impede, por exemplo, manter a casa adequadamente aquecida, pagar a renda ou pagar um carro ou uma TV a cores); ou vive em agregados familiares com intensidade de trabalho muito baixa (trabalharam menos do que 20% do seu potencial total de trabalho durante o ano anterior).
Portugal é o 13º país, entre os 28, onde é maior o risco de pobreza ou de exclusão social, que regista variações muito amplas na União, oscilando entre o mínimo de 15,3% na Holanda e o máximo de 48% na Bulgária. Entre 2010 e 2012/2013, o maior agravamento deste risco foi observado na Grécia, onde passou de 27,7% para 34,6%. Seguem-se Itália (mais 3,9 pontos para 28,4%), Hungria (mais 3,6 pontos para 33,5%), Chipre (mais 3,2 pontos para 27,8%), Malta (2,8 pontos para 24%) e Irlanda (mais 2,7 pontos percentuais para 27,3%).
Se desagruparmos este indicador e olharmos apenas para o risco de pobreza após transferências sociais, este era em Portugal, segundo os dados mais recentes comparáveis, de 17,9%, igual à proporção observada em 2010. Note-se que o valor do limiar de pobreza baixou desde então 9,9 pontos percentuais, o que reflecte a circunstância de a generalidade dos portugueses ter visto o seu rendimento disponível diminuir. Este valor persiste acima da média da União Europeia, onde o risco de pobreza subiu de 16,5% em 2010 para 16,9% em 2012/13.
Em contrapartida, há agora mais agregados familiares onde escasseia o emprego (que trabalharam menos do que 20% do seu potencial total de trabalho durante o ano anterior), tendo essa percentagem passado entre 2010 e 2012/2013 de 8,6% para 10,1%, ainda abaixo da média da UE de 10,5%. Também a proporção de famílias que reporta viver em "privação material severa" subiu, de 9% para 10,9%, sendo agora já superior à média europeia de 9,9%.
O risco de pobreza ou de exclusão social em Portugal persiste acima da média da UE, mas não aumentou desde 2010, ao contrário do que sucedeu em 18 dos seus 28 Estados. Em contrapartida, há mais famílias sem trabalho e que reportam viver em privação material severa.
O risco de pobreza ou de exclusão social em Portugal persiste acima da média da União Europeia, mas não aumentou desde 2010, ao contrário do que sucedeu em 18 dos seus 28 Estados-membros, entre os quais estão os outros países resgatados pela troika (Grécia, Irlanda e Chipre).
Os dados comparativos foram divulgados pela Comissão Europeia por ocasião da conferência que decorre esta tarde em Bruxelas, onde se constatará que a Europa não está no bom caminho para cumprir a meta de tirar 20 milhões da pobreza até 2020.
O risco de pobreza ou de exclusão social em permaneceu em Portugal em 25,3% entre 2010 e os anos 2012/2013, acima da média dos países da União Europeia, onde subiu oito décimas para 24,8%.
Este indicador tenta captar a população que cumpre pelo menos uma das seguintes condições: está em risco de pobreza (rendimento monetário abaixo do limiar de pobreza, que é fixado em 60% do rendimento mediano nacional disponível, após transferências sociais); está severamente privada de bens materiais (a falta de recursos impede, por exemplo, manter a casa adequadamente aquecida, pagar a renda ou pagar um carro ou uma TV a cores); ou vive em agregados familiares com intensidade de trabalho muito baixa (trabalharam menos do que 20% do seu potencial total de trabalho durante o ano anterior).
Portugal é o 13º país, entre os 28, onde é maior o risco de pobreza ou de exclusão social, que regista variações muito amplas na União, oscilando entre o mínimo de 15,3% na Holanda e o máximo de 48% na Bulgária. Entre 2010 e 2012/2013, o maior agravamento deste risco foi observado na Grécia, onde passou de 27,7% para 34,6%. Seguem-se Itália (mais 3,9 pontos para 28,4%), Hungria (mais 3,6 pontos para 33,5%), Chipre (mais 3,2 pontos para 27,8%), Malta (2,8 pontos para 24%) e Irlanda (mais 2,7 pontos percentuais para 27,3%).
Se desagruparmos este indicador e olharmos apenas para o risco de pobreza após transferências sociais, este era em Portugal, segundo os dados mais recentes comparáveis, de 17,9%, igual à proporção observada em 2010. Note-se que o valor do limiar de pobreza baixou desde então 9,9 pontos percentuais, o que reflecte a circunstância de a generalidade dos portugueses ter visto o seu rendimento disponível diminuir. Este valor persiste acima da média da União Europeia, onde o risco de pobreza subiu de 16,5% em 2010 para 16,9% em 2012/13.
Em contrapartida, há agora mais agregados familiares onde escasseia o emprego (que trabalharam menos do que 20% do seu potencial total de trabalho durante o ano anterior), tendo essa percentagem passado entre 2010 e 2012/2013 de 8,6% para 10,1%, ainda abaixo da média da UE de 10,5%. Também a proporção de famílias que reporta viver em "privação material severa" subiu, de 9% para 10,9%, sendo agora já superior à média europeia de 9,9%.
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