in ECO Seguros
Em cerca de 80 países pobres, os custos de recuperação de catástrofes representam em média 29 mil milhões de dólares por ano e apenas 3% desse valor está coberto por seguros.
O PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (UNDP na sigla inglesa) anunciou o lançamento de uma iniciativa para apoiar governos (setor público) e entidades privadas de países menos desenvolvidos (PMD) a implementar seguros para situações de crise como pandemias e catástrofes naturais, anunciou em comunicado a agência das Nações Unidas (ONU) para o Desenvolvimento.
O IRFF – Insurance and Risk Finance Facility, um instrumento no âmbito das facilidades de financiamento e investimento promovidos para auxiliar PMD a enfrentarem pobreza, alterações climáticas e outras crises globais, pretende catalisar recursos financeiros e contribuições de várias fontes e doadores, incluindo o próprio PNUD.
Nos países mais pobres, um total de 77 nações, os custos de recuperação de catástrofes representam em média 29 mil milhões de dólares por ano e apenas 3% desse valor está coberto por seguros. Este gap faz com que estes países suportem, com esforço próprio, os custos da reconstrução ou, como é comum, dependam de auxílio humanitário.
Só em 2020, cerca de 980 eventos catastróficos originados por perigos naturais custaram à economia global 290 mil milhões de dólares. Sob o impacto da pandemia (Covid-19), cerca 150 milhões pessoas voltaram a ser remetidas à pobreza, salienta o comunicado. “(…) Sem resiliência financeira, os mais vulneráveis arriscam ficar enclausurados numa espiral descendente de pobreza e endividamento,” adverte Achim Steiner, administrador do PNUD.
Para já, o IRFF conta com 35 milhões de euros de apoio já avançado pela Alemanha, através do Ministério da Economia, Cooperação e Desenvolvimento (BMZ). Segundo Maria Flachsbarth, secretária de Estado do BMZ, o país está “fortemente empenhado no fortalecimento da InsuResilience Global Partnership”, fundo lançado em 2017, na COP23, cimeira do Clima realizada em Bona, na Alemanha.
O objetivo do IRFF é o de contribuir para criação de seguros e soluções financeiras público-privadas que permitam cobrir riscos em mais de 50 países em desenvolvimento até 2025, contribuindo desta forma para esforço de concretização da InsuResilience Vision 2025, uma parceria amplamente apoiada por países do G7, Banco Mundial e o Insurance Development Forum (seguradoras globais), envolvidos no reforço da resiliência dos países mais vulneráveis ao impacto das alterações climáticas.
A visão global partilhada pelos países e organizações que integram a Vision 2025 coincide com um objetivo que voltará a ser reafirmado na COP26, agendada para novembro, em Glasgow: assegurar, até 2025, que 500 milhões de pessoas pobres e vulneráveis tenham cobertura e proteção contra desastres relacionados com as alterações climáticas, crises sanitárias e riscos socioeconómicos.
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1.10.21
15.2.21
“Incerteza do futuro e medo de arriscar” explicam depósitos elevados
Rosa Soares, in Público on-line
Num levantamento feito junto das seguradoras, a Deco Proteste encontrou apenas dois seguros de taxa fixa. Ao PÚBLICO, António Ribeiro, analista financeiro desta entidade, admite que os fundos de investimento “são uma solução para o investimento a longo prazo, mas sem garantia de capital”.
O que explica o elevado montante de dinheiro deixado nas contas de depósito à ordem?
A tendência tem sido de aumento do montante aplicado nos depósitos, seja à ordem ou a prazo. Por um lado, isso é explicado pela falta de alternativas de poupança e pelo medo de arriscar em produtos sem garantia de capital (que aumentou durante a pandemia, com a queda das bolsas no primeiro trimestre de 2020 e a incerteza de uma crise económica que se avizinha). Por outro, pelo elevado desconhecimento e iliteracia financeira dos portugueses. As baixas taxas de juro dos depósitos não explicariam o montante aplicado a aumentar, até poderia ser contraditório: mas a incerteza do futuro sim, a necessidade de liquidez e o medo de arriscar. Claro que, às taxas de juro actuais, próximas de zero, não há motivação para aplicar os montantes a prazo, já que o rendimento é praticamente idêntico ao das contas à ordem.
Para além da baixa literacia financeira também há um certo “comodismo” dos portugueses em relação à poupança?
Num levantamento feito junto das seguradoras, a Deco Proteste encontrou apenas dois seguros de taxa fixa. Ao PÚBLICO, António Ribeiro, analista financeiro desta entidade, admite que os fundos de investimento “são uma solução para o investimento a longo prazo, mas sem garantia de capital”.
O que explica o elevado montante de dinheiro deixado nas contas de depósito à ordem?
A tendência tem sido de aumento do montante aplicado nos depósitos, seja à ordem ou a prazo. Por um lado, isso é explicado pela falta de alternativas de poupança e pelo medo de arriscar em produtos sem garantia de capital (que aumentou durante a pandemia, com a queda das bolsas no primeiro trimestre de 2020 e a incerteza de uma crise económica que se avizinha). Por outro, pelo elevado desconhecimento e iliteracia financeira dos portugueses. As baixas taxas de juro dos depósitos não explicariam o montante aplicado a aumentar, até poderia ser contraditório: mas a incerteza do futuro sim, a necessidade de liquidez e o medo de arriscar. Claro que, às taxas de juro actuais, próximas de zero, não há motivação para aplicar os montantes a prazo, já que o rendimento é praticamente idêntico ao das contas à ordem.
Para além da baixa literacia financeira também há um certo “comodismo” dos portugueses em relação à poupança?
Baixa literacia, comodismo, sim; mas também a incerteza relativamente ao futuro e a necessidade de liquidez, de ter o dinheiro ao alcance, caso seja necessário, como já referi.
As seguradoras têm apostado nos fundos de investimentos (sem capital e taxa de remuneração garantidos). Mas são adequadas a todos os clientes?
As seguradoras também têm tido uma postura muito conservadora. Este poderia até ser um momento de oportunidade para os seguros de taxa fixa de médio e longo prazo, enquanto alternativa aos depósitos a prazo. Mas não se tem verificado uma grande aposta nestes produtos. Há uns meses fizemos uma recolha de informação pelas seguradoras e não existiam seguros de taxa fixa, apenas dois na Lusitânia Vida [da Associação Mutualista Montepio Geral] que, ao mudar o ano, renovou as séries desses produtos. Mas parece ser a excepção. Dentro dos produtos de capital garantido, não há muitas opções: os melhores depósitos, os Certificados de Aforro e os Certificados do Tesouro. Os seguros PPR também são uma solução, mas para o longo prazo, como complemento para a reforma, e os fundos de investimento, também para o longo prazo (sempre mais de cinco anos), mas sem garantia de capital. No longo prazo, o potencial de rendimento destes produtos é superior, mas a curto prazo isso pode não acontecer. Períodos de crise, como o que vivemos em 2020, podem ser desfavoráveis, ainda que por períodos curtos. Por isso, o conselho é sempre aplicar nestes produtos apenas o montante que tem a certeza de não vir a necessitar nos próximos cinco anos. Além disso, deve sempre diversificar o investimento, por sectores, por mercados, como forma de diluir o risco. Para pequenas poupanças ou quem não tem muitos conhecimentos financeiros, um fundo misto é o mais adequado – mas sempre para prazos superiores a cinco anos.
O facto de os certificados de Aforro e do Tesouro serem feitos unicamente em nome do aforrador, não é um entrave à escolha destas alternativas por pessoas mais idosas ou menos conhecimentos financeiros?
Actualmente, os certificados de Aforro apenas podem ser subscritos por pessoas singulares. Ao contrário das anteriores, a série em subscrição (E) não permite a figura do movimentador. Esta opção prende-se provavelmente com a necessidade de canalizar a movimentação destes produtos para o canal online. Claro que as gerações mais velhas, menos familiarizadas com as novas ferramentas tecnológicas, poderão ter mais dificuldades. Já a indicação de um beneficiário existe apenas nos seguros de capitalização e fundos de pensões.
As seguradoras têm apostado nos fundos de investimentos (sem capital e taxa de remuneração garantidos). Mas são adequadas a todos os clientes?
As seguradoras também têm tido uma postura muito conservadora. Este poderia até ser um momento de oportunidade para os seguros de taxa fixa de médio e longo prazo, enquanto alternativa aos depósitos a prazo. Mas não se tem verificado uma grande aposta nestes produtos. Há uns meses fizemos uma recolha de informação pelas seguradoras e não existiam seguros de taxa fixa, apenas dois na Lusitânia Vida [da Associação Mutualista Montepio Geral] que, ao mudar o ano, renovou as séries desses produtos. Mas parece ser a excepção. Dentro dos produtos de capital garantido, não há muitas opções: os melhores depósitos, os Certificados de Aforro e os Certificados do Tesouro. Os seguros PPR também são uma solução, mas para o longo prazo, como complemento para a reforma, e os fundos de investimento, também para o longo prazo (sempre mais de cinco anos), mas sem garantia de capital. No longo prazo, o potencial de rendimento destes produtos é superior, mas a curto prazo isso pode não acontecer. Períodos de crise, como o que vivemos em 2020, podem ser desfavoráveis, ainda que por períodos curtos. Por isso, o conselho é sempre aplicar nestes produtos apenas o montante que tem a certeza de não vir a necessitar nos próximos cinco anos. Além disso, deve sempre diversificar o investimento, por sectores, por mercados, como forma de diluir o risco. Para pequenas poupanças ou quem não tem muitos conhecimentos financeiros, um fundo misto é o mais adequado – mas sempre para prazos superiores a cinco anos.
O facto de os certificados de Aforro e do Tesouro serem feitos unicamente em nome do aforrador, não é um entrave à escolha destas alternativas por pessoas mais idosas ou menos conhecimentos financeiros?
Actualmente, os certificados de Aforro apenas podem ser subscritos por pessoas singulares. Ao contrário das anteriores, a série em subscrição (E) não permite a figura do movimentador. Esta opção prende-se provavelmente com a necessidade de canalizar a movimentação destes produtos para o canal online. Claro que as gerações mais velhas, menos familiarizadas com as novas ferramentas tecnológicas, poderão ter mais dificuldades. Já a indicação de um beneficiário existe apenas nos seguros de capitalização e fundos de pensões.
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