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5.7.23

CGD é uma das entidades interessadas em vender Certificados de Aforro

Rosa Soares, in Público

IGCP prepara o lançamento da aplicação para telemóvel que vai facilitar a subscrição dos produtos de poupança do Estado.


O alargamento dos locais de subscrição de Certificados de Aforro (CA) e do Tesouro (CT) e ainda a disponibilização de uma aplicação para telemóveis para compra directa destes produtos vão ser uma realidade brevemente. A agência que gere a dívida do Estado (IGCP) confirma que já recebeu pedidos de instituições bancárias ou de entidades de pagamentos para disponibilizarem estes produtos de poupança. A Caixa Geral de Depósitos (CGD) é uma das interessadas.

A possibilidade de alargamento da rede de distribuição dos CA e CT foi criada pela Portaria n.º 149-A/2023, de 2 de Junho, que pretende acabar com o meio quase exclusivo de colocação dos certificados do Estado através das lojas dos CTT — Correios de Portugal. Para além desta via, apenas era possível fazer a subscrição através do serviço de AforroNet (aforronet.igcp.pt), do próprio IGCP, e de algumas lojas da rede de Espaços Cidadão, sendo sempre obrigatória a abertura de conta nas lojas dos CTT.


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A subscrição dos produtos de poupança do Estado, especialmente os CA, aumentou significativamente nos últimos meses, devido à melhoria significativa da sua rentabilidade, na sequência da forte subida da Euribor a três meses, e da baixa rentabilidade oferecida pelos depósitos a prazo.


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App para telemóvel a caminho

Em termos operacionais, o alargamento da distribuição de CA e CT pode avançar, não estando dependente do plano de investimento na “digitalização” lançado recentemente pelo Estado. “Os trabalhos em curso com as instituições financeiras e de pagamentos que já abordaram o IGCP visam a adopção de soluções tecnológicas assentes nos sistemas actuais do IGCP e dessas entidades registadas no Banco de Portugal”, esclarece a instituição.

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No videocast desta semana do Perguntar Futuro abordamos o tema: "Banca do futuro: Evolução ou Revolução?", com intervenções de Afonso Eça, Director Executivo de Inovação do BPI e Nuno Cortesão, CEO da Zharta (plataforma de empréstimos instantâneos garantidos por NFTs). ​ Perguntar Futuro é uma série editorial em formato de videocast produzida pelo PÚBLICO, com o apoio da Sonae e que pode acompanhar em publico.pt/perguntar-futuro.

[artigo disponível na íntegra só para assinantes aqui]


22.5.23

Amortizações, Certificados de Aforro e fundos levam a fuga de depósitos

Rafaela Burd Relvas, in Público online

Os depósitos dos cinco maiores bancos a operar em Portugal totalizavam, em conjunto, 248 mil milhões de euros no final de Março, uma queda de 4000 milhões face a igual período do ano passado.

Os maiores bancos a operar em Portugal perderam, no arranque deste ano, mais de 4000 milhões de euros em depósitos de clientes. A explicar este fenómeno estão, sobretudo, a procura por produtos com maior rentabilidade, como Certificados de Aforro ou fundos de investimento, e o aumento significativo das amortizações antecipadas de crédito à habitação, numa altura em que as famílias procuram fugir ao impacto da subida das taxas de juro. A banca garante, contudo, que mantém níveis “sólidos” de liquidez.

No primeiro trimestre de 2023, os depósitos da Caixa Geral de Depósitos (CGD), BCP, BPI, Santander e Novo Banco totalizavam, em conjunto, cerca de 248 mil milhões de euros (considerando apenas os depósitos de clientes e excluindo outras parcelas que compõem os recursos totais de clientes, como os fundos geridos ou comercializados pelos bancos ou os seguros). É uma queda superior a 4000 milhões de euros relativamente ao montante que se registava em igual período do ano passado, quando os depósitos ultrapassavam os 252 mil milhões.

Entre estes, a única excepção foi o BCP, que registou uma subida dos depósitos de clientes de cerca de 4% no primeiro trimestre, que o banco diz reflectir “um incremento da poupança de particulares”. De resto, as maiores quedas foram registadas pela Caixa, BPI e Santander, todos com uma redução dos depósitos superior a 4% no primeiro trimestre, enquanto o Novo Banco ficou praticamente estagnado.

Vários factores explicam este movimento. Por um lado, e como admitiram os próprios presidentes dos bancos que prestaram as contas do primeiro trimestre, há uma fuga de uma parte dos depósitos de particulares para produtos mais rentáveis, sobretudo para Certificados de Aforro. Isso mesmo é evidente olhando para os dados das subscrições deste produto de poupança do Estado: só no conjunto dos três primeiros meses do ano, esta aplicação já atraiu 9353 milhões de euros.

Isto, numa altura em que os Certificados de Aforro oferecem uma taxa de remuneração bruta de 3,5%, valor que fica muito acima daquilo que é oferecido pelos bancos. De acordo com os dados mais recentes do Banco de Portugal (BdP), a taxa de juro média de novos depósitos a prazo para particulares era, no final de Março, de 0,9% (um valor que, apesar de ficar ainda muito aquém daquilo que se pode encontrar noutros produtos, já representa uma forte evolução face ao ano passado, quando a taxa média dos novos depósitos a prazo era de 0,04%).

Ao mesmo tempo, há um aumento da procura por fundos de investimento. No final de Março deste ano, ainda de acordo com os dados do BdP, o valor das unidades de participação emitidas pelos fundos de investimento era de 35,9 mil milhões de euros, valor que representa um aumento de cerca de mil milhões em relação ao que era registado no final do ano passado.

A isto, há ainda que somar o dinheiro que saiu dos depósitos directamente para amortizar crédito antecipadamente, numa altura em que a subida das taxas de juro está a encarecer a prestação mensal dos empréstimos. De acordo com o regulador, as amortizações antecipadas de crédito à habitação totalizaram 2622 milhões de euros no primeiro trimestre de 2023, valor que representa um aumento de cerca de 70% em relação às amortizações no valor de 1539 milhões de euros que tinham sido feitas em igual período do ano passado.

Os principais bancos a operar em Portugal garantem, ainda assim, que mantêm níveis de liquidez sólidos, “muito acima” dos requisitos regulatórios. O mesmo é, aliás, confirmado pelo próprio regulador. “Os indicadores de liquidez que temos dos bancos não nos colocam nenhuma dificuldade. Os indicadores de liquidez dos bancos são robustos”, disse o governador do BdP, Mário Centeno, durante a apresentação do mais recente Relatório de Estabilidade Financeira, no passado dia 10 de Maio.

Ainda assim, e apesar de defenderem que a remuneração oferecida pelos bancos tem vindo a aumentar, os banqueiros reconhecem que será necessário adaptar a oferta de produtos ao novo contexto de taxas de juro. Isso mesmo referiu, por exemplo, Paulo Macedo, presidente executivo da Caixa. “Cabe à banca apresentar produtos mais atractivos, como sejam depósitos ou produtos estruturados em que se ofereça capital quase garantido, para taxas já perto de 3%. Aí, muitas das pessoas deixarão de canalizar os seus montantes para Certificados de Aforro”, referiu, durante a apresentação de resultados trimestrais do banco público.

15.2.23

Posso pagar a prestação da casa com o PPR? Conheça as novas regras

Rosa Soares, in Público online

Em plena crise inflacionista e escalada das prestações ligadas à Euribor, é possível mobilizar poupanças para aliviar o orçamento familiar. Mas há condições.

A possibilidade de utilização antecipada de poupanças aplicadas em planos de poupança reforma (PPR) ou em planos de poupança reforma e educação (PPR/E) foi alargada, e foi suspensa penalização fiscal. Assim, é possível mobilizar essas aplicações para pagar a prestação da casa ou para fazer face a outras despesas, mas dentro de alguns limites, que importa conhecer.

Posso resgatar de uma só vez o dinheiro aplicado em PPR?

Não. As novas regras, em vigor até 31 de Dezembro de 2023, não permitem levantar o valor de uma só vez. O que é permitido é o resgate mensal de valores para pagar a prestação mensal do crédito à habitação própria e permanente (não cobre segundas habitações) ou para fazer face a despesas.

Quanto posso levantar para pagar a prestação da casa?

Neste momento, é possível retirar mensalmente um montante igual ao da prestação da casa. Neste domínio verificou-se uma alteração substancial, porque, inicialmente, só era permitido retirar o equivalente ao valor do Indexante de Apoios Sociais (IAS) fixado para 2023, que corresponde a 480,43 euros.

Posso retirar dinheiro para fazer face a outras despesas?

Sim. Mas até ao limite do IAS. Ou seja, passou a ser possível retirar mensalmente 480,43 euros, sem ter de justificar a que finalidade se destina esse dinheiro. Para esta finalidade, apenas é possível levantar valores que tenham sido aplicados até 30 de Setembro de 2022.

Posso utilizar o PPR para pagar a prestação da casa e para outras despesas, ao mesmo tempo?

Sim. É possível resgatar mensalmente as poupanças aplicadas nos PPR para as duas finalidades, mas dentro dos limites fixados, ou seja, até ao valor da prestação do empréstimo da casa, ou até ao valor do IAS.

Tenho vários PPR em instituições diferentes, posso retirar dinheiro de todos em simultâneo?

Sim e não. Pode retirar dinheiro de vários PPR, mas apenas até aos limites fixados para pagar a prestação do crédito ou os 480,43 euros para outras finalidades. Sobre esta questão, o Fisco veio exigir que quando os resgates forem feitos em mais do que um PPR e não se destinem ao pagamento do empréstimo da casa, os particulares terão de declarar que não levantam mensalmente mais do que o equivalente ao IAS. O limite de 490,43 euros aplica-se a cada contribuinte e não por apólice de PPR ou instituição onde foi subscrito.

Até quando posso usar o PPR para pagar a prestação da casa e outras despesas sem penalização fiscal?

As alterações introduzidas à mobilização antecipada dos PPR, sem penalização fiscal, para pagar a prestação da casa e outras despesas pretendem apoiar as famílias face à subida da inflação e dos juros do crédito à habitação e só vigoram até 31 de Dezembro de 2023. O alargamento deste prazo, não está, neste momento garantido.

Em que outras situações posso resgatar o PPR sem penalização fiscal?

Por se tratar de um produto de poupança a longo prazo, a mobilização dos PPR só deve acontecer quando o subscritor atinja a idade da reforma, ou por morte deste, ou ocorram despesas com educação. Contudo, foram sendo criadas outras situações para a mobilização antecipada, como no caso de doença grave ou incapacidade para o trabalho, ou ainda de desemprego prolongado do aforrador.

Qual é o benefício fiscal garantido pelos PPR?

É considerável. São dedutíveis à colecta do IRS, 20% dos valores aplicados no respectivo ano por sujeito passivo não casado, ou por cada um dos cônjuges não separados judicialmente de pessoas e bens, tendo como limite máximo de 400 euros por contribuinte com idade inferior a 35 anos, de 350 euros com idade os 35 e os 50 anos, e de 300 com idade superior a 50 anos.

Qual é a penalização fiscal se mobilizar o PPR fora das condições prevista na lei?

É elevada. O contribuinte terá de devolver o benefício fiscal, acrescido de 10%, por cada ano ou fracção, relativos aos últimos cinco anos em que foi exercido o direito à dedução.

26.12.22

Taxa de poupança das famílias cai para mínimos de mais de uma década

Rosa Soares, in Público online

Aumento do consumo privado, em 2%, foi superior ao do crescimento do rendimento disponível (1%), atirando a taxa de poupança para mínimos de mais de uma década.

Depois do forte crescimento durante o pico da pandemia de covid-19, em que atingiu os 14%, a taxa de poupança das famílias tem vindo a cair, recuando, no terceiro trimestre, para 5,1% do rendimento disponível bruto (RDB), menos um ponto percentual relativamente ao trimestre anterior, e mínimo de mais de uma década. Para a queda contribuiu o aumento de 2% do consumo privado (2,7% no trimestre anterior, na variação em cadeia), superior ao crescimento de 1% do rendimento disponível.

Por cada 100 euros disponíveis, as famílias pouparam 5,1 euros de Julho a Setembro, o valor mais baixo desde o segundo trimestre de 2008, avança o Instituto Nacional de Estatística (INE), nas Contas Nacionais Trimestrais, divulgadas nesta sexta-feira.


“O RDB das Famílias aumentou 1% face ao trimestre anterior, verificando-se crescimentos de 1,8% e 1% das remunerações e do valor acrescentado bruto (VAB), respectivamente.”

Do lado da despesa de consumo final, o aumento foi de 2,0% (2,7% no trimestre anterior), determinando a redução da taxa de poupança para 5,1% (6,1% no trimestre anterior), o que conduziu a um défice ou necessidade de financiamento de 0,2% do produto interno bruto (PIB). Esta queda contrasta com a capacidade de financiamento dos particulares no trimestre anterior, que era de 0,4% do PIB.

O RDB ajustado nominal das famílias per capita fixou-se em 17,6 mil euros, mais 1% do que no trimestre anterior, mas em termos reais diminuiu 0,4% no período em análise, adianta o INE.

O INE salvaguarda, contudo, que nas variáveis apresentadas em termos nominais, como é o caso do consumo privado, a sua evolução é marcada pela aceleração dos preços "evidenciada pelo Índice de Preços no Consumidor no terceiro trimestre de 2022".

A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) das famílias, que corresponde essencialmente à FBCF em habitação, registou uma taxa de variação de 0,8% face ao trimestre anterior e um aumento de 3% face ao mesmo período de 2021.

E a taxa de investimento das famílias manteve-se em 6,0% entre o segundo e o terceiro trimestre.

Já nas contas públicas, o terceiro trimestre terminou com um saldo orçamental positivo de 2,8%, muito acima do resultado previsto para a totalidade do ano.


30.8.22

DECO. Famílias portuguesas estão a poupar menos

in RR

Para a organização de defesa do consumidor, o aumento de preços de bens de primeira necessidade é cada vez mais preocupante.

A taxa de poupança das famílias iniciou um trajeto de queda acentuada para valores próximos do período pré-covid, situando-se agora nos 8%, ou seja, menos do que os 10,7% registados no primeiro trimestre do ano, alerta a DECO.

Segundo um comunicado da organização de defesa do consumidor, se em 2021 houve registo da maior taxa de poupança das últimas décadas (14,3%), os atuais níveis de inflação e o previsível aumento das prestações de crédito devido à subida das taxas de juro originou uma inversão.

Os dados do Instituto Nacional de Estatística, de acordo com a Deco Proteste, mostram que o rendimento das famílias portuguesas aumentou 1,4% entre abril e junho deste ano face ao primeiro trimestre de 2022. No entanto, "a despesa de consumo final subiu 4,1% determinando uma redução da taxa de poupança".

Para a DECO, o aumento de preços de bens de primeira necessidade é cada vez mais preocupante. A título de exemplo, o cabaz alimentar custa atualmente mais 22,11 euros do que no início do ano e o setor da energia já antecipa aumentos nas suas faturas que terão um novo impacto na gestão orçamental dos portugueses.

Em maio deste ano, já tinha alertado que quatro em cada dez portugueses não tinham margem financeira para enfrentar um eventual agravamento da crise.

A associação do consumidor diz, ainda, que os portugueses já "começaram a diminuir outras despesas", incluindo as relativas ao consumo de água ou energia.

Um estudo recente diz que as atividades sociais, culturais e de lazer também sofreram uma redução e a compra de produtos de lazer e de vestuário está em compasso de espera ou foi mesmo cancelada. E 10% dos inquiridos assume mais dificuldades quanto ao pagamento das despesas de educação dos filhos.

15.2.21

“Incerteza do futuro e medo de arriscar” explicam depósitos elevados

Rosa Soares, in Público on-line

Num levantamento feito junto das seguradoras, a Deco Proteste encontrou apenas dois seguros de taxa fixa. Ao PÚBLICO, António Ribeiro, analista financeiro desta entidade, admite que os fundos de investimento “são uma solução para o investimento a longo prazo, mas sem garantia de capital”.

O que explica o elevado montante de dinheiro deixado nas contas de depósito à ordem?

A tendência tem sido de aumento do montante aplicado nos depósitos, seja à ordem ou a prazo. Por um lado, isso é explicado pela falta de alternativas de poupança e pelo medo de arriscar em produtos sem garantia de capital (que aumentou durante a pandemia, com a queda das bolsas no primeiro trimestre de 2020 e a incerteza de uma crise económica que se avizinha). Por outro, pelo elevado desconhecimento e iliteracia financeira dos portugueses. As baixas taxas de juro dos depósitos não explicariam o montante aplicado a aumentar, até poderia ser contraditório: mas a incerteza do futuro sim, a necessidade de liquidez e o medo de arriscar. Claro que, às taxas de juro actuais, próximas de zero, não há motivação para aplicar os montantes a prazo, já que o rendimento é praticamente idêntico ao das contas à ordem.

Para além da baixa literacia financeira também há um certo “comodismo” dos portugueses em relação à poupança?

Baixa literacia, comodismo, sim; mas também a incerteza relativamente ao futuro e a necessidade de liquidez, de ter o dinheiro ao alcance, caso seja necessário, como já referi.

As seguradoras têm apostado nos fundos de investimentos (sem capital e taxa de remuneração garantidos). Mas são adequadas a todos os clientes?
As seguradoras também têm tido uma postura muito conservadora. Este poderia até ser um momento de oportunidade para os seguros de taxa fixa de médio e longo prazo, enquanto alternativa aos depósitos a prazo. Mas não se tem verificado uma grande aposta nestes produtos. Há uns meses fizemos uma recolha de informação pelas seguradoras e não existiam seguros de taxa fixa, apenas dois na Lusitânia Vida [da Associação Mutualista Montepio Geral] que, ao mudar o ano, renovou as séries desses produtos. Mas parece ser a excepção. Dentro dos produtos de capital garantido, não há muitas opções: os melhores depósitos, os Certificados de Aforro e os Certificados do Tesouro. Os seguros PPR também são uma solução, mas para o longo prazo, como complemento para a reforma, e os fundos de investimento, também para o longo prazo (sempre mais de cinco anos), mas sem garantia de capital. No longo prazo, o potencial de rendimento destes produtos é superior, mas a curto prazo isso pode não acontecer. Períodos de crise, como o que vivemos em 2020, podem ser desfavoráveis, ainda que por períodos curtos. Por isso, o conselho é sempre aplicar nestes produtos apenas o montante que tem a certeza de não vir a necessitar nos próximos cinco anos. Além disso, deve sempre diversificar o investimento, por sectores, por mercados, como forma de diluir o risco. Para pequenas poupanças ou quem não tem muitos conhecimentos financeiros, um fundo misto é o mais adequado – mas sempre para prazos superiores a cinco anos.

O facto de os certificados de Aforro e do Tesouro serem feitos unicamente em nome do aforrador, não é um entrave à escolha destas alternativas por pessoas mais idosas ou menos conhecimentos financeiros?
Actualmente, os certificados de Aforro apenas podem ser subscritos por pessoas singulares. Ao contrário das anteriores, a série em subscrição (E) não permite a figura do movimentador. Esta opção prende-se provavelmente com a necessidade de canalizar a movimentação destes produtos para o canal online. Claro que as gerações mais velhas, menos familiarizadas com as novas ferramentas tecnológicas, poderão ter mais dificuldades. Já a indicação de um beneficiário existe apenas nos seguros de capitalização e fundos de pensões.


29.10.20

Covid-19: Portugal entre os cinco países europeus onde menos se consegue poupar

 in Público on-line

As famílias portuguesas com filhos são as que menos conseguem poupar devido à pandemia (60%), em comparação com as que não têm filhos (40%)

Portugal está entre os cinco países europeus onde a população está a poupar menos do que antes da pandemia de covid-19, com uma percentagem de 48%, superior à média europeia, de 39%.

Segundo o estudo da Intrum, ECPR — European Consumer Payment Report 2020, que avaliou como a covid-19 está a afectar as finanças dos consumidores em Portugal, as famílias com filhos são as que menos conseguem poupar devido à pandemia (60%), em comparação com as que não têm filhos (40%).

A análise feita conclui que o país que mais está a sentir esta crise é a Polónia, com uma percentagem de 64%, seguindo-se a Hungria (56%), Itália (53%), Grécia (52%) e Portugal (48%), em contraste com a Dinamarca (18%), país onde os consumidores sentem menos o impacto da pandemia nas suas poupanças.

Questionados sobre a capacidade de economizar a longo prazo, de forma a garantir uma boa reforma, as faixas etárias dos 38 aos 44 e entre os 55 e os 64 anos são as que se mostram menos confiantes.

O estudo revela ainda que a percentagem de mulheres (47%) que afirmam que não vão conseguir poupar para a sua reforma é superior à dos homens (38%).

Num comunicado enviado à agência Lusa, o responsável em Portugal da empresa promotora do estudo, que envolveu 5000 consumidores em 24 países, em Maio último, frisa que a pandemia afectou de forma diferente as finanças e os hábitos de consumo dos portugueses.

“Enquanto uns estão a enfrentar uma realidade difícil, a sofrer cortes salariais ou até mesmo a perder os seus empregos, mas continuam com as mesmas despesas para pagar, outros, aqueles que não viram os seus rendimentos diminuídos, estão com um nível de poupança inigualável nos últimos anos”, acentua o director geral da Intrum Portugal, Luís Salvaterra, citado na nota divulgada.

O estudo foi feito no âmbito do Dia Mundial da Poupança, que se assinala a 31 de Outubro, criado pela Sociedade Mundial de Bancos de Poupança para promover a poupança pessoal e fortalecer a auto-suficiência económica das pessoas.


21.10.20

Portugal é pouco poupador e tem patrões e trabalhadores com baixa escolaridade

 in Público on-line

Estudo da Pordata compara vários indicadores sócio-económicos de Portugal com os restantes 26 países da União Europeia.

Portugal é um país envelhecido, com idosos a viverem sozinhos, pouco poupador e onde o trabalho é precário, os patrões e empregados têm baixa escolaridade e há poucas mulheres na polícia, revela uma publicação da Pordata divulgada esta terça-feira.


O “Retrato de Portugal na Europa” - edição de 2020 - é uma publicação lançada pela Pordata, a base de dados estatísticos da Fundação Francisco Manuel dos Santos, na data em que se assinala o Dia Europeu da Estatística.

A publicação, que reúne dados do Eurostat, o gabinete de estatísticas da União Europeia (UE), compara, sempre que possível, vários indicadores socio-económicos de Portugal com os restantes 26 Estados-Membros, incluindo população, rendimentos, educação, saúde, emprego, protecção social, macroeconomia, ciência e tecnologia, ambiente, energia, turismo, justiça e segurança.

As estatísticas mais actuais disponíveis centram-se nos anos 2018 e 2019 (com excepção das relativas à protecção social, que recuam a 2017).

Em 2018, Portugal tinha 157 idosos (com 65 ou mais anos) por 100 jovens (com menos de 15 anos), superando a média da UE a 27 países (132 idosos) e ocupando o terceiro lugar da tabela, liderada por Itália (171 idosos).

O país subiu para a segunda posição, em 2019, ao ter 55% de agregados domésticos de uma só pessoa com 65 ou mais anos, ultrapassando a média de 40% da UE. Neste item, a Croácia é o país que tem mais idosos a viverem sozinhos (66% dos agregados) e a Suécia menos (13%).

Genericamente, contudo, sem considerar a idade, Portugal figurava em 2019, a par da Croácia e da Eslováquia, no último lugar da tabela dos países com agregados domésticos de uma só pessoa (23%), enquanto a Suécia na primeira posição (57%), transpondo a média da UE (35%).

Portugal liderava, em 2019, o pódio em termos de percentagem de empregadores e trabalhadores por conta de outrem sem o ensino secundário ou superior, respectivamente com 47,4% e 39,8% (a média europeia era de 16,3% em ambos os casos).

O país manteve-se no pódio, mas baixando para a terceira posição, ao ter 20,8% da população empregada com contrato de trabalho temporário (Espanha ocupava o primeiro lugar com 26,3%, sendo que a média da UE era 15,0%).

Segundo as estatísticas, Portugal era, em 2019, o sétimo país com maior número médio de horas de trabalho por semana (35,6 horas para os trabalhadores dependentes, sendo que a média da UE era 29,9 horas). Neste campo, a Polónia foi o país que despendeu mais horas de trabalho semanais (38,0) e a Alemanha menos (25,6).

O sétimo lugar também é ocupado por Portugal quanto à taxa de abandono escolar precoce, que, em 2019, se situou nos 10,6% entre os jovens dos 18 aos 24 anos que não completaram o ensino secundário (a média da UE a 27 foi 10,2%, com a Espanha a figurar no topo, com 17,3%).

A percentagem da população residente em Portugal sem o ensino secundário ou superior (com idade entre os 25 e os 34 anos) foi, no ano passado, a terceira mais alta (24,8%) de uma tabela liderada novamente por Espanha (30,2%).


Portugal foi também, em 2019, o terceiro país com mais consumo privado e dívida nas administrações públicas em percentagem do Produto Interno Bruto (respectivamente 64,1% e 117,7%), numa lista encabeçada, em ambas as situações, pela Grécia (respectivamente 68,0% e 176,6%).

No ano passado, a maioria das empresas em Portugal (com 10 ou mais pessoas ao serviço) tinha uma página na Internet (59%), mas o país figurava nos três piores lugares de uma lista liderada pela Dinamarca, no topo com (94%), e em que a média da UE é de 77%.

Portugal integra igualmente as três piores posições quanto ao número de agregados domésticos com ligação à Internet (81%). Esta categoria é liderada pela Holanda (98%) e a média europeia está fixada nos 90%.

Apesar de, em 2018, ser o quinto país com mais polícias por 100 mil habitantes (451), Portugal é o que tem, no mesmo ano, menos mulheres nas polícias (8,1%), ao contrário da Lituânia (39,3%).

Ainda de acordo com as estatísticas, Portugal era, em 2018, um dos sete países com menos emissões de gases com efeito de estufa per capita, com 6,6 toneladas equivalentes de dióxido de carbono (contra 17,3 do Luxemburgo, no topo da tabela, e 8,4 da média da UE).

No mesmo ano, muito embora Portugal fosse o terceiro país com mais médicos por 100 mil habitantes (515), ultrapassando a média europeia (378), era um dos oito com menos camas em hospitais por 100 mil habitantes (345), numa tabela em que o “campeão” foi a Bulgária (757).

Portugal foi, em 2018, o quinto país que mais gastou em saúde, sector que representou 5,3% do total das despesas das famílias (a Bélgica é líder com 6,6%), e o quarto com mais nascimentos de bebés fora do casamento (55,9%), depois da Eslovénia, Bulgária e França (líder, com 60,4%).

Ainda no mesmo ano, Portugal foi um dos sete países onde as famílias menos pouparam (7,1%), ao contrário do Luxemburgo, o país mais poupador (21,9%).


16.6.16

Criado supermercado com produtos perto do fim do prazo

in Jornal de Notícias

Têm "todas as condições de segurança" e descontos até 70%.

Os consumidores portugueses (e espanhóis) têm a partir desta quinta-feira um supermercado com produtos perto ou fora da data preferencial de consumo.

A iniciativa, no ano em que se assinala o combate ao desperdício alimentar, surgiu de uma empresa portuguesa e é destinada a portugueses e espanhóis. Tem também como objetivo sensibilizar os consumidores para a questão dos prazos de validade dos produtos, porque "consumir até" não é o mesmo que "consumir de preferência antes de", dizem os responsáveis.

O supermercado, em www.goodafter.com, vende os produtos através da sua página na internet e garante a entrega (via correios) em menos de 24 horas. E os produtos são fornecidos pelos próprios fabricantes, como explicou à Lusa uma das fundadoras responsáveis pelo supermercado online, a gestora Chantal de Gispert.

O supermercado está repleto de "marcas conhecidas", porque "precisamos que o consumidor acredite na ideia", e não vendemos frescos e pretendemos ter tudo, mas sim "oportunidades que vão surgindo", produtos alimentares ou não, em fim de linha, obsoletos ou descontinuados, acrescentou.

O objetivo é facultar uma nova vida a todos os produtos que já não têm lugar nos seus canais habituais e cujo destino seria muito possivelmente o lixo, explica a empresa, que tem a plataforma logística em Vila do Conde, norte de Portugal, e tem a aprovação da Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) e é do conhecimento da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE).

"Nascemos com três ideias, a pensar numa nova vida de produtos moribundos: poupança das famílias, combate ao desperdício, alimentar e não só, e educar sobre os prazos. Porque deitar fora comida é pecado", diz Chantal de Gispert.

A responsável garante que o supermercado online terá cada vez mais produtos e admite que no futuro possam existir mesmo espaços físicos, explicando que a ideia já há muito tempo foi posta em prática em países do norte da Europa e com sucesso.

Uma coisa é certa, assegura, nenhum produto à venda estará impróprio para consumir, ainda que possa ter passado o prazo "de preferência", e os preços são muito mais baixos. Porque, diz, não se comercializarão produtos fora de prazo, mas sim produtos que podem estar fora da data de consumo preferencial.

Numa volta pelo supermercado encontram-se por exemplo gel de limpeza com 40% de desconto, bolachas e sumos ou champôs a metade do preço, frutos secos ou alimentos para animais 70% mais baratos.

"Fala-se muito de economia circular e faz todo o sentido. O que não faz sentido é deitar fora produtos que podem ter um ciclo económico", refere a responsável.

Leia mais: Criado supermercado com produtos perto do fim do prazo http://www.jn.pt/economia/interior/criado-supermercado-com-produtos-perto-do-fim-do-prazo-5220470.html#ixzz4BjbaqL00
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14.1.16

Poupança das famílias na zona euro com subida ligeira para 12,8%

in Público on-line

Taxa regressa aos valores dos últimos dois trimestres de 2014.

A taxa de poupança das famílias da zona euro fixou-se, no terceiro trimestre do ano passado, em 12,8% do rendimento disponível, subindo muito ligeiramente em relação aos três meses anteriores.

A estimativa divulgada pelo Eurostat para o período de Julho a Setembro aponta para um aumento de apenas 0,1 pontos percentuais em relação ao segundo trimestre, em que a taxa estava nos 12,7%, igual à dos três primeiros meses de 2015.

A poupança das famílias no conjunto dos países da moeda única regressa assim aos valores registados nos últimos dois trimestres de 2014.

Já a taxa de investimento das famílias estava nos 8,3% no terceiro trimestre, mantendo-se igual em relação aos dois trimestres anteriores, mas recuando de forma ligeira face ao período homólogo, altura em que a taxa estava nos 8,4%.

Em Portugal, o INE já tinha divulgado a sua estimativa para a taxa de poupança das famílias, que voltou a cair, fixando-se num valor historicamente baixo. A poupança equivalia no terceiro trimestre a 4% do rendimento disponível, o valor mais baixo em, pelo menos, 16 anos (desde o primeiro trimestre de 1999).

Segundo explicou então o INE, a poupança diminuiu por causa do consumo privado e da ligeira diminuição do rendimento disponível.

26.1.15

As palavras que este poder tornou malditas: "poupanças"

José Pacheco Pereira, in Público on-line

Quando se ouve um governante dizer que se estão a fazer “poupanças” neste ou naquele ministério, a palavra devia ser imediatamente substituída por “cortes”.

A palavra “poupança” tinha até há uns anos boa fama. Era razoável, prudente, sensato “poupar”. As primeiras gerações de portugueses que saíram da pobreza, à custa de um trabalho de uma vida inteira, “poupavam”. No fim da vida, aplicavam essa poupança, quase sempre comprando uma casa modesta, ou pagando parte da sua própria reforma, tendo uma vida mais confortável do que as pensões quase de miséria que vieram a receber já na década de sessenta, em si mesmo uma verdadeira revolução, a da “previdência para os rurais”, a somar à longa conquista do direito à reforma paga.

Alguns caíram no erro de “poupar” tornando-se senhorios, também de muito pequena dimensão, e acabaram na quase miséria. Outros colocaram o dinheiro nas fórmulas mais conservadoras que existiam, rodeadas de todas as garantias possíveis. Certificados de aforro, depósitos a prazo, num banco que já se conhecia bem, onde muitas vezes as relações com o cliente eram pessoais. Com as várias febres da bolsa, houve quem timidamente colocasse algum dinheiro em acções, arrastando consigo amigos e conhecidos. O “gato por lebre” queimou muitos e, a não ser por surtos nalgumas subscrições, o investimento em bolsa nunca foi o modo preferido de colocar “poupanças”. Houve também a D. Branca e alguma agiotagem de pequena dimensão. Mas, com a memória da pobreza ainda fresca, uma geração atrás ou uma juventude atrás, as “poupanças” permaneceram sempre muito conservadoras, e a propriedade foi sempre a mais conservadora das fórmulas.

Depois, a natureza das “poupanças” começou a mudar, à medida que o turnover geracional mudava hábitos, costumes e necessidades. Com uma reforma ou pensão assegurada, com o emprego público garantido, com uma razoável protecção na saúde e com vários mecanismos de Segurança Social, a memória da pobreza foi ficando para trás, para os pais e os avós, e aquilo que o país nunca tinha tido, uma classe média significativa, foi-se criando. Deixou de se poupar como antes, porque já não parecia necessário, e foi-se consumindo mais e muitas vezes melhor.

Uma forma dominante de endividamento substituiu o principal objectivo da poupança antiga, a compra de casa própria. Milhares de portugueses tomaram a decisão, absolutamente racional, de pedir dinheiro ao banco para comprar casa. Tinham salários que lhes permitiam pagar as prestações e os juros eram bonificados e baixos. O que é que se esperava, que num país que não tinha mercado de arrendamento, alguém fizesse de outra maneira? E este foi o principal factor de endividamento das famílias.

Claro que houve endividamento excessivo e desperdício, mas estes são excepções. A maioria dessa classe média começou a poupar menos e gastar mais, a consumir mais, o que também é absolutamente normal e vantajoso para a economia. O resultado foi uma pequena revolução na vida de muitos portugueses que nunca tinham tido acesso a um vasto número de bens de consumo, e a bens de consumo simbólicos e imateriais, educação, consumos culturais, media, férias, viagens. À sua volta, as cidades mudaram, novas formas de comércio surgiram, produtos até então reservados aos mais ricos democratizaram-se. A publicidade e o marketing ganharam uma dimensão fundamental, perante consumidores que, pela primeira vez, podiam escolher sem ser apenas pelo preço. No topo dessa classe média, já não se bebia, escolhia-se o vinho pelas marcas, regiões, uvas, e, na parte de baixo, acedia-se a DVD, melhores televisores, podia sonhar-se em passar umas férias baratas no Algarve ou em dar aos filhos as sapatilhas que ele queria, mesmo que fosse uma marca de contrafacção. Um número significativo de mulheres deixaram de ser “domésticas”, ou “donas de casa”. As mulheres, empregadas no Estado ou assalariadas em várias indústrias de mão-de-obra intensiva, tinham salários próprios e iam mais vezes ao cabeleireiro, e as mais novas tentavam seguir as modas que, das telenovelas às revistas do coração, forneciam novos padrões. Como há setenta anos se tinha generalizado o relógio masculino, agora toda a gente tinha telemóvel, alguns “leitores” portáteis e máquinas fotográficas e de vídeo.

Podia continuar aqui a descrever a saída de milhões de portugueses dos não-consumos da pobreza, da obsessão com a poupança defensiva, ao domínio do consumo de massas, uma história de progressiva melhoria da qualidade e das condições de vida das pessoas. Sim, tinham mais dinheiro e podiam gastar mais, gastaram-no consigo próprios, com a sua família, com os seus pais e filhos, e isso tornou-os mais senhores da sua vida e menos escravos da necessidade. Tornou-os mais cosmopolitas e mais cultos, mas, acima de tudo, mais felizes. É isto que se chama melhorismo social, é este o objectivo da política em democracia: fazer com que os homens e as mulheres que estão vivos, tenham um dia ou cem anos, usufruam da liberdade que lhes traz poderem escolher viver a sua própria vida. A política em democracia não é neo-malthusiana e não se põe a prever um futuro, que nunca é o que prevíamos. Vive no presente e para o presente, e só assim tem futuro.

A esquerda nunca compreendeu este processo, pensando que o consumismo era uma nova prisão e que os consumidores, por o serem, ficavam menos cidadãos. Criticavam as sociedades ocidentais, onde se vivia com uma liberdade pessoal inimaginável no passado, pelos malefícios da publicidade e pelas distracções das novas culturas urbanas. Presos nas categorias rígidas do conflito social, não perceberam que fazer estas críticas em Portugal, onde a maioria dos seus concidadãos estava a aceder pela primeira vez a bens de consumo libertadores (em particular das mulheres, como o aspirador ou a máquina de lavar), acabaram por prestar um péssimo serviço ao abrir caminho para o desprezo e punição moral que à direita se veio fazer do “viver acima das suas posses”, ou seja, o desprezo pela classe média que queriam ter como alvo e proletarizar de novo.

Voltemos, pois, às “poupanças”. Vimos como serviram de mecanismo de transição da pobreza, e como abriram caminho para uma classe média que podia viver uma vida decente sem a obsessão de poupar, mas mesmo assim deixando mais aos seus filhos, nem que seja pela educação e qualificação. Claro que vale sempre a pena prevenirmos, como dizem os anglo-saxónicos, para um rainy day e continua a haver valor social em se poupar parte do que se ganha. Mas o que tornou a palavra “poupanças” numa palavra maldita é ela hoje servir para esconder hipocritamente actos que nada têm de “poupança” e, a prazo, significam mais despesa.

Quando se ouve um governante dizer que se estão a fazer “poupanças” neste ou naquele ministério, a palavra devia ser imediatamente substituída por “cortes”. É o primeiro combate a travar contra o doublespeak orwelliano de que o poder tanto gosta. Depois vai-se ver os cortes e começam sempre pelos despedimentos, e depois por cortes em despesas fundamentais para os serviços públicos funcionarem com qualidade mínima. Há alguns cortes bem feitos e necessários? Com certeza que haverá, mas são excepções. Quando se chama “poupanças” aos cortes, já há gato escondido… com o rabo de fora.

As “poupanças” estão hoje a colocar, nessa outra mistificação orwelliana que é a “requalificação”, centenas de trabalhadores da Segurança Social na rua. As “poupanças” colocaram milhares de professores no desemprego, mesmo nos casos em que é vital haver mais professores, como nos alunos com necessidades especiais. As “poupanças” significam que muitas escolas do Interior e do Norte não são aquecidas como deviam. As “poupanças” criaram uma situação de urgências nos hospitais, particularmente aguda no Inverno e com um surto de gripe, cortando nos médicos disponíveis, deixando doentes em situação de alto risco muitas horas à espera.

São estas “poupanças” poupanças sem aspas? Não são. Todas implicam custos acrescidos, mesmo nalguns casos a curto prazo. Não é possível no Estado embaratecer todos os serviços, sem encarecer tudo a montante, até porque o custo social das disfunções em serviços vitais é pago por todos. Basta haver alguns processos em tribunal em que se prove negligência do Serviço Nacional de Saúde para que tudo o que se “poupou” num hospital ir numa indemnização, já para não falar do valor de cada vida.

É outro dos preços que os portugueses estão a pagar indevidamente pela concentração das “poupanças” nos serviços públicos essenciais, por incapacidade ou falta de vontade em ir “poupar” para outras bandas mais abonadas. A degradação do Estado, que já estava longe de ser perfeito antes, é outra das heranças malditas dos dias de hoje. E como é muito mais fácil estragar do que compor, imaginem o que estas “poupanças” nos vão custar.

5.11.14

Famílias carenciadas da Mealhada “aprenderam” a poupar

in Jornal da Mealhada

A Câmara Municipal da Mealhada promoveu um leque de atividades de sensibilização para a problemática da pobreza e da exclusão social, que decorreram no concelho no passado mês de outubro, no âmbito da Semana Pelo Combate à Pobreza e à Exclusão Social, um evento que tem vindo a ser dinamizado pela Rede Europeia Anti Pobreza, desde a celebração do Ano Europeu do Combate à Pobreza e Exclusão Social, em 2010. Trata-se de uma iniciativa de âmbito nacional, que pretende sensibilizar a sociedade portuguesa para esta problemática. A autarquia da Mealhada, ao associar-se a esta campanha, pretendeu dar o seu contributo, sensibilizando a população da Mealhada para esta causa e mobilizando-a a lutar contra este fenómeno.

Saiba as campanhas da “Roda Viva – Loja Social do Município da Mealhada” do mês de novembro, na edição impressa de 12 de novembro.

1.7.14

Como a queda da poupança está a ajudar a economia a crescer

Sérgio Aníbal, in Público on-line

Portugueses estão a poupar uma parte menor do seu rendimento. Isso tem sido decisivo para o crescimento da economia nos últimos meses, mas causa preocupação em relação à sustentabilidade da retoma.

É graças a uma redução acentuada da taxa de poupança dos máximos atingidos no segundo trimestre de 2013 que o consumo privado em Portugal está a conseguir recuperar mesmo num ambiente em que os rendimentos continuam a diminuir. E assim, contribuindo de forma decisiva para o regresso do país a taxas de crescimento positivas conseguida desde o final do ano passado.

De acordo com os dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística esta sexta-feira, a taxa de poupança das famílias (que mede a percentagem do rendimento disponível que não é usado para consumo) desceu no primeiro trimestre deste ano para 11,9%. Acentua-se assim, uma descida que se iniciou depois de no segundo trimestre de 2013 se ter registado uma taxa de 13,5%, o valor mais alto desde a criação do euro em 1999.

É essencialmente esta redução da poupança que consegue explicar a aceleração do consumo privado registado no país durante o mesmo período. O consumo, que apresentava uma variação homóloga negativa de 2,3% no segundo trimestre do ano passado, registou um crescimento de 1,5% no primeiro trimestre de 2014, tal como já tinha revelado o INE nos dados das contas nacionais publicados no mês passado. A subida de consumo não aconteceu contudo como uma resposta a um aumento do rendimento disponível, um indicador que registou taxas de variação homólogas negativas nos quatro últimos trimestres.

O que se passou foi que, depois de um longo período em que os portugueses, em média, cortaram o mais que puderam naquilo que consumiam, começam agora a recuperar a confiança e a arriscar gastar uma maior parte do seu rendimento. Há vários factores a contribuírem para esta mudança. Por um lado, os níveis de confiança dos consumidores têm vindo a subir, registando-se uma menor preocupação relativamente à evolução da economia, do desemprego e da situação financeira particular de cada família. Depois da chegada da troika e do agravamento da austeridade, a confiança atingiu níveis mínimos históricos. Por outro, há consumos de bens duradouros, como automóveis, que foram adiados durante anos consecutivos e que agora se torna natural que registem alguma recuperação.

Este cenário de recuperação da confiança dos consumidores até pode ser considerado normal e desejável à medida que a economia recupera. O preocupante é se o crescimento da economia estiver apenas sustentado nesta melhoria de expectativas. Nesse caso, e tendo em conta o elevado nível de endividamento das famílias portuguesas, esta subida do optimismo poderia revelar-se rapidamente insustentável.

Há alguns sinais de que isso possa estar a ocorrer em Portugal. É o consumo – baseado na redução da poupança – que tem vindo a sustentar a aceleração da economia portuguesa. O crescimento homólogo do PIB de 1,3% no primeiro trimestre foi garantido graças ao contributo positivo de 2,8 pontos da procura interna (consumo mais investimento). Pelo contrário, a procura externa líquida (exportações menos importações) teve um contributo negativo de 1,6 pontos.

Não é por isso coincidência, como revelou também esta sexta-feira o INE, que Portugal tenha voltado a registar um défice externo negativo durante os primeiros três meses deste ano. Abrandamento das exportações e, principalmente, aceleração das importações (também ajudadas pelo consumo), levaram a um saldo negativo com o exterior equivalente a 1,4% do PIB, algo que já não acontecia há três trimestres.

Ao nível das finanças públicas, o INE revelou que o défice público registado em Portugal durante o primeiro trimestre deste ano foi de 6% do PIB. Estes são os primeiros dados oficiais publicados para este período utilizando a metodologia aplicada pelo Sistema Europeu de Contas, aquele que conta para a avaliação do cumprimento das metas com que o Estado português se comprometeu junto das autoridades europeias e da troika.

O valor de 6% registado durante os primeiros três meses do ano fica acima da meta de 4% projectada pelo Governo para a totalidade deste ano, o que significa que, no resto de 2014 este resultado terá de ser compensado com défices mais baixos por forma a que o objectivo seja atingido.

No entanto, é de notar que olhando para a série histórica dos saldos orçamentais em Portugal, se verifica que o primeiro trimestre de cada ano é aquele em que normalmente o défice é mais elevado. No ano passado, o valor registado foi de 10% do PIB, o que não impediu que, também com a ajuda de receitas extraordinárias, se registasse um défice de 5% no total do ano.

6.11.13

Portugueses têm de ser mais modestos nos gastos, diz patriarca de Lisboa

in iOnline

“Havia famílias que já tinham um orçamento muito modesto, mas que agora tem de ser reforçado porque apoiam filhos que estão desempregados e netos”, comentou


O patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, considerou hoje que os portugueses têm de ser “mais modestos” e reduzir despesas, mas defendeu que os sacríficos só podem ser pedidos a quem tem recursos.

A sociedade portuguesa está a atravessar ”um momento muito complexo”, com “muita falta de recursos próprios, com muita dependência de recursos externos e também com muita dívida a pagar”, afirmou Manuel Clemente aos jornalistas, no final da celebração dos Fiéis Defuntos, na Sé Patriarcal de Lisboa.

Para ultrapassar esta situação, os portugueses têm de “ser mais modestos nos gastos e mais solidários nos proventos”.

Mas “as forças sociais, políticas, sindicais, etc. divergem na maneira de conseguirmos esse objetivo”, adiantou patriarca de Lisboa.

“O Governo na sua proposta de orçamento entende que isso passa por uma baixa nas pensões”, com o argumento de que devem ser reduzidas para que possam continuar a ser pagas no futuro.

Já as “forças sindicais e sociais entendem que não era necessário isso e que era possível chegar lá de outra maneira, com outros cortes noutros setores, concretamente na despesa", disse.

“Mas é para isso que existe a concertação social, a Assembleia da República e é para isso que a lei do orçamento do Estado”, aprovada na sexta-feira na generalidade, vai ser apreciada na especialidade.

“Que as argumentações de todos apareçam, sejam claras e depois se decida democraticamente para o futuro, mas com um grande envolvimento solidário de todos”, frisou.

Manuel Clemente defendeu ainda que não podem ser pedidos sacrifícios a quem já não tem nada para dar: “Quando se pedem sacrifícios também no sentido de sermos mais módicos, mais frugais, isso só pode ser pedido a quem ainda pode ser mais frugal e não àqueles que já não podem ter mais frugalidade nenhuma”.

Realçou ainda o trabalho “notável” do setor social e da sociedade nos últimos três anos para ajudar as famílias que se encontram em “grandes dificuldades” e que se debatem com “o problema acrescido do desemprego”.

“Havia famílias que já tinham um orçamento muito modesto, mas que agora tem de ser reforçado porque apoiam filhos que estão desempregados e netos”, comentou.

Toda esta situação “impende muito fortemente sobre a vida das famílias”, disse, apelando à “solidariedade geral e particular e a uma melhor intervenção daqueles que têm mais meios e mais recursos para socorrer aquilo que é de todos”.

Questionado sobre a suspensão do feriado do Dia de Todos-os-Santos, Manuel Clemente disse esperar que seja reposto.

“Espero que possamos ter de novo o feriado, até porque se tratou de uma suspensão”, disse, justificando: “O que o Estado combinou com a Igreja foi por um período de cinco anos e que depois seria avaliado”.

“Os Santos têm uma grande tradição em Portugal”, apesar que o Dia já estava “um bocadinho desvirtuado", porque as pessoas aproveitavam o feriado para lembrar os defuntos.

30.10.13

Cada português consumiu menos 1500 euros desde 2011

por André Cabrita Mendes, in Diário de Notícias

Cada português consumiu menos 1500 euros desde 2011


Cada português gastou menos 760 euros anualmente, num total de 1520 euros apenas nos últimos dois anos. A queda no consumo individual levou a que entrassem menos 7,6 mil milhões de euros na economia nacional entre o segundo trimestre de 2011 - altura da entrada da troika em Portugal - e o segundo trimestre deste ano.

Fazendo as contas, cada português perdeu 6,7% do seu poder de compra durante este período, segundo os dados divulgados ontem pelo gabinete de estatísticas europeu, o Eurostat.

A par da descida violenta do consumo individual, o rendimento bruto disponível das famílias portuguesas também caiu 640 euros durante este período, menos 320 euros por ano, ou seja, os lares perderam cerca de 3,2 mil milhões de euros entre 2011 e 2013, num total de 2,6% do seu rendimento.

Leia também: Empresas têm de devolver três dias de férias a trabalhadores

“Estas descidas eram expectáveis”, disse ao DN/Dinheiro Vivo o economista Bagão Félix. “Existem três fatores principais para a quebra do rendimento disponível e também do consumo: há o efeito do desemprego, que é muito forte, há o efeito fiscal agravado e há o efeito de diminuição real dos salários”.

Os dados do Eurostat revelam assim uma crua realidade: enquanto os países periféricos têm vindo a perder rendimento e poder de compra, os países no coração da Europa continuam sem sentir os efeitos da crise, com os mesmos indicadores a aumentarem, como no motor da economia europeia, a Alemanha. Entre 2011 e 2013, as famílias germânicas viram o seu rendimento disponível aumentar em quase 5%. O consumo também aumentou, com cada alemão a gastar mais 5,3% durante este período. Também França assistiu a um aumento de 2,2% do rendimento das famílias e de 2,8% do consumo individual. Mais a sul, em Espanha, outro país gravemente atingido pela crise económica, as famílias também perderam 3,6% do seu rendimento, com os cidadãos a reduzirem em 1,5% o seu consumo.

Por outro lado, a quebra do consumo em Portugal teve um efeito positivo, como sublinha o economista Pedro Cosme Vieira, devido à diminuição das importações. “Isto é uma correção natural da economia face ao exterior: agora a nossa balança comercial está equilibrada”, afirmou o professor da Faculdade de Economia do Porto.

Nos 28 países da União Europeia, os números demonstram assim que a crise sente-se de forma mais aguda na periferia: o rendimento das famílias cresceu 3,1% e o consumo individual subiu 3,6%. Nos 17 países da zona euro, o panorama é semelhante: as famílias tiveram um aumento de rendimento de 1,4%, enquanto o consumo individual cresceu 1,8% entre 2011 e 2013.

16.5.13

Investimento nos países em desenvolvimento será maior que nos países desenvolvidos

Margarida Madaleno, in Público on-line

Um relatório do Banco Mundial revela que em 2030 os países em desenvolvimento contribuirão mais para as poupanças mundiais que os países desenvolvidos.

Segundo um relatório divulgado nesta quinta-feira pelo Banco Mundial, dentro de 17 anos, os países em desenvolvimento dominarão as poupanças e o investimento mundial.

Para ilustrar o futuro do investimento global, o Banco Mundial idealiza dois cenários diferentes: um em que a convergência entre países desenvolvidos e em países em desenvolvimento é mais gradual, e outro em que é mais rápida. Assim, prevê-se que, num cenário mais pessimista, em 2030 o rendimento per capita dos países em desenvolvimento será equivalente a 16% do dos países desenvolvidos. De acordo com expectativas mais optimistas, este valor será igual a 19%.

Em termos de crescimento global, o Banco Mundial acredita que a taxa de crescimento se situará entre os 2,6% e 3%, com os países em desenvolvimento a crescerem entre 4,8% e 5,5%, contribuindo entre 87% e 93% para o crescimento mundial. Este crescimento, juntamente com a maturação dos mercados financeiros dos países em desenvolvimento, é a chave do crescimento do investimento nestes países.

O envelhecimento da população levará a níveis mais baixos de poupança em todo o mundo. Contudo, isto sucederá a um ritmo mais lento em países em desenvolvimento como o Brasil e o México. A África Subsariana será a única região cujo nível de poupança se manterá inalterado.

Em termos absolutos, continuarão a ser o Médio Oriente e a Ásia os grandes pólos da poupança. A China será o país com o maior nível de poupanças em 2030, contando com cerca de 7 biliões (milhões de mihoes) de euros, tendo ultrapassado os níveis dos Estados Unidos e Japão nos anos 2020. Já os países desenvolvidos diminuirão a sua quota no nível de poupanças mundial, baixando a sua contribuição de 12% para 9,1% da produção global.

Consequentemente, a China será responsável por 30% do investimento mundial, com o Brasil, India e Rússia a representarem 13%. Os países em desenvolvimento irão investir principalmente no sector de serviços e infra-estrutura, em grande parte porque o seu rendimento médio per capita aumentará. Entre 2010 e 2030, o investimento em serviços crescerá de 57% para 61%.

“Sabemos por experiência de países tão diversos como a Coreia do Sul, Indonésia, Brasil, Turquia, e África do Sul que o investimento é fulcral para o crescimento a longo prazo. Em menos de uma geração, o investimento global será dominado pelos países em desenvolvimento. E desses países em desenvolvimento, a China e a India serão os maiores investidores, com os dois países responsáveis por 38% do investimento em 2030. Tudo isto mudará a paisagem da economia global,” diz Kaushik Basu, vice presidente do Banco Mundial.

Com o fim da hegemonia americana e europeia, assistir-se-á a um aumento do número de grandes pólos monetários. Deste modo, a economia global e os países em desenvolvimento serão menos afectados pelas políticas monetárias dos EUA e da Europa.

5.3.13

Poupar mais e comer melhor

in TSF

Escolher alimentos baratos, saudáveis e a melhor forma de os cozinhar. Um livro promovido pela Direção Geral de Saúde, que é lançado hoje, ensina a fazer tudo isso.

O desafio não é fácil e por isso o livro "Alimentação Inteligente - Coma melhor poupe mais" tem dicas muito práticas.

Por exemplo, em tempo de cortar nos euros, quem não puder comprar carne ou peixe, tem uma alternativa mais barata. A nutricionista Maria João Gregório garante que para pessoas saudáveis, um ovo por dia não faz mal. E para quem precisa de poupar, as leguminosas podem ser uma boa solução.

O livro aconselha 4 mandamentos na hora de preparar as refeições: planear, comprar, confeccionar e conservar. E a sopa nunca deve faltar.

Com este manual também se aprende, por exemplo, o que distingue o peixe fresco ou como aproveitar alguns restos de comida.

Não é um manual anti-crise, mas quer ser uma ajuda para poupar mais e comer melhor.

15.1.13

36% dos portugueses diz não ter dinheiro para poupar para a reforma

Félix Ribeiro, in Público on-line

Dos seis países inquiridos, Portugal é o segundo onde mais afirmam que não precisam de poupar.

Dos portugueses questionados num inquérito promovido pela Zürich, 36% consideram que é importante poupar para a reforma, mas afirmam que o seu orçamento não os permite fazê-lo, anunciou nesta terça-feira a seguradora suíça.

O estudo, encomendado à GFK, e desenvolvido em Portugal, Espanha, Itália, Suíça, Alemanha, Áustria e Rússia, debruça-se sobre a confiança dos inquiridos na economia do seu país e sobre as prioridades de poupança e investimento face à redução dos ganhos mensais.

Neste sentido, 80% dos portugueses considera que é importante poupar para a reforma – através de um Plano Poupança Reforma (PPR) –, mas 36% afirma que é incapaz de o fazer. Portugal apresenta a maior proporção de inquiridos que diz ser incapaz de poupar para um plano de reforma. A seguir encontra-se Espanha, com 24% dos inquiridos, e, depois, com os mesmos 22%, Alemanha, Áustria e Rússia

Em Itália, face à pergunta “no actual contexto económico, qual a importância de ter um Plano Poupança Reforma?”, 47% responde que não é importante ou que nunca pensou sobre o tema até ao momento do inquérito – em Portugal este número desce para os 20%. Já em Espanha, os não interessados representam 31%.

Estes valores são muito superiores aos registados na Alemanha (8% de desinteressados), na Suíça (10%) e Áustria (14%). Na Rússia, os resultados vão em linha com os números portugueses, com 23%.

A aparente contradição portuguesa
Apesar de os portugueses serem os que mais afirmam serem incapazes de poupar o suficiente para um plano de reforma, 15% dos inquiridos diz que não tem de fazer cortes no orçamento familiar por não estar à espera de uma redução de vencimentos. Este é o segundo valor mais elevado entre os países inquiridos, só superado pelos 17% em Itália dos que afirmam que não se sentem obrigados a fazer cortes no orçamento.

Espanha tem o valor mais baixo de inquiridos que afirma que não terá de fazer cortes (4%), seguida da Suíça (7%), Áustria e Rússia (9%) e, finalmente, Alemanha (10%).

No campo das áreas em que as famílias estão dispostas a cortar face a uma quebra nos rendimentos, 63 e 62% dos portugueses inquiridos juntaram as áreas de férias e turismo e lazer, respectivamente. Com 49% de votos surge, em seguida, cortes com o vestuário e, com 46%, cortes na alimentação em restaurantes e bares.

O único país mais inclinado a cortar nas férias e turismo é Espanha, com 78%. Ao contrário do que acontece com Portugal, os inquiridos na Alemanha e Suíça mostram-se mais inclinados a cortar na alimentação em restaurantes (59 e 64%, respectivamente), do que em férias e turismo (58% em ambos os casos).

Apesar de 2013 ser um ano de aumentos na carga fiscal nacional, 15% dos portugueses inquiridos pela GFK não espera cortar em nenhuma área porque consideram que não terão uma redução no orçamento disponível.

Do pessimismo português ao optimismo suíço
No estudo, os portugueses aparecem como os mais preocupados em relação à situação actual da economia. À pergunta “está preocupado com a crise económica no seu país?”, 70% dos inquiridos em Portugal responde “estou muito preocupado”. Utilizaram a mesma resposta 65% dos italianos, em segundo lugar; e 59% dos espanhóis, em terceiro.

Apenas metade dos 500 dos inquiridos portugueses que afirmam estar confiantes na retoma breve do bom rumo económico acredita que essa mudança será por via dos agentes políticos no seu país: 8% diz estar confiante que os problemas se vão resolver num futuro próximo, enquanto apenas 4% se mostra confiantes que essa mudança partiria por parte do poder político.

Nestas duas dimensões, Portugal é o mais pessimista a seguir à Itália. Apenas 7% dos italianos que participaram no inquérito acredita que os problemas económicos se vão resolver e só 3% pensa que a melhoria será responsabilidade dos políticos. Já no caso dos espanhóis, novamente terceiros em pessimismo, 12% encontra-se confiante na retoma e 7% na mudança através da força política.

Dentro dos mais confiantes está a Suíça, em que apenas 28% se diz “muito preocupado” com a crise económica e 31% está confiante na retoma. Seguem-se a Alemanha, em que 38% estão muito preocupados e 23% sentem-se optimistas face a uma mudança positiva num futuro próximo.