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15.5.23

Turismo coloca Portugal entre os que mais crescem na UE este ano

Sérgio Aníbal, in Público


Comissão Europeia passou a sua previsão de crescimento em Portugal este ano de 1% para 2,4%. A explicação está na forte retoma do turismo no primeiro trimestre.


A chegada de um grande número de turistas no início deste ano, vindos principalmente da América do Norte, fez a Comissão Europeia rever em forte alta a previsão de crescimento económico para Portugal em 2023, colocando o país como um dos que registará um melhor desempenho em toda a União Europeia.

Nas previsões de Primavera divulgadas esta segunda-feira, os responsáveis do executivo europeu, animados pelos resultados acima das expectativas registados na economia europeia durante o primeiro trimestre deste ano, reviram as suas estimativas para a variação do PIB ano em toda a União Europeia. Portugal foi, contudo, o país onde essa revisão foi mais acentuada.

Em Fevereiro, colocavam a economia da União Europeia a crescer 0,8% em 2023 (e a da zona euro 0,9%), tendo agora passado a apontar para um crescimento 0,2 percentuais mais elevado, de 1% (1,1% no caso da zona euro).

No que diz respeito a Portugal, depois de se ficar a saber que, no primeiro trimestre do ano, a economia cresceu 1,6% em cadeia, uma forte aceleração face à quase estagnação registada nos trimestres anteriores, Bruxelas fez uma revisão em alta da sua previsão, que em Fevereiro era de um crescimento de 1% em 2023, passando a projectar uma variação do PIB português de 2,4%.

É um número que fica acima dos 1,8% previstos pelo Governo no Programa de Estabilidade, mas que é mais baixo que os 2,6% projectados pelo Fundo Monetário Internacional na semana passada.

Este crescimento de 2,4% de Portugal, a concretizarem-se as estimativas agora divulgadas pela Comissão, voltaria a colocar o país, tal como já aconteceu em 2022, nos lugares cimeiros da UE no que diz respeito ao desempenho da economia.

Em 2022, Portugal, com uma variação do PIB de 6,7%, não só superou a média da UE de 3,5%, como foi, entre os 27 países da UE o terceiro que mais cresceu, apenas atrás da Irlanda e de Malta.

Para 2023, a previsão de crescimento de 2,4% é mais do dobro da média estimada para UE, de 1% e é a quarta maior entre os 27 países da UE, atrás novamente da Irlanda e de Malta, para além também da Roménia.

De notar que, no caso da Irlanda, como destaca a Comissão Europeia nas suas previsões, os fortes crescimentos de 12% no ano passado e de 5,5% previsto para este ano se devem em larga medida aos resultados das multinacionais presentes no país, sendo que “a procura interna modificada, que melhor reflecte a actividade económica subjacente do país, se estima ter crescido 8,2% em 2022 e 2% em 2023”.

Já a explicação para o resultado agora antecipado para a economia portuguesa para este ano está, dizem os responsáveis da Comissão, naquilo que aconteceu durante aos primeiros três meses do ano no sector do turismo. “O sector externo foi o principal motor de crescimento no primeiro trimestre de 2023, beneficiando de uma recuperação das cadeias de distribuição mundiais e de uma aumento muito forte das visitas de turistas, em particular da América do Norte”, escreve a Comissão no relatório publicado esta segunda-feira.

Bruxelas destaca ainda o contributo que foi dado para a variação do PIB português pelo facto de as importações terem crescido de forma mais moderada, algo que está também relacionado com “a forte recuperação das reservas de água em Portugal”, que permitiram uma melhoria do saldo com o exterior, “à medida que a retoma da produção hidroeléctrica reduziu a procura de importações de electricidade e gás natural”.

Para 2024, o optimismo de Bruxelas em relação ao desempenho da economia portuguesa modera-se. É verdade que a Comissão Europeia volta a prever um resultado acima da média da UE, com Portugal a crescer 1,8% e a UE 1,7%. Mas neste caso, as previsões apontam para que a economia portuguesa supere essencialmente as maiores economias do continente, registando uma variação do PIB inferior à da maioria dos seus parceiros de pequena e média dimensão.

Bruxelas prevê que, apesar do crescimento mais forte da economia em 2023, a taxa de desemprego em Portugal suba de 6% para 6,5% no decorrer deste ano, recuando depois ligeiramente para 6,3% em 2024.

No que diz respeito à inflação, em linha com aquilo que também é antecipado pelo Governo, o FMI ou o Banco de Portugal, a Comissão Europeia aponta para uma redução progressiva do ritmo de subida de preços, com a taxa de inflação harmonizada a passar de 8,1% em 2022 para 5,1% em 2023 e 2,7% em 2024, números todos eles ligeiramente abaixo dos projectados para a média da UE.

31.8.22

Economia com crescimento nulo em cadeia no segundo trimestre e 7,1% em termos homólogos

Luís Villalobos, in Público on-line

Comportamento da economia portuguesa foi melhor do que o avançado pelo INE na estimativa rápida divulgada no final de Julho.

A economia portuguesa registou uma taxa de crescimento nula no segundo trimestre deste ano, quando comparado com o trimestre anterior, numa revisão em alta face aos -0,2% adiantados pelo INE na sua estimativa rápida das contas nacionais divulgada no final de Julho. Já o crescimento do PIB em termos homólogos, de acordo com os dados do INE divulgados esta quarta-feira, foi de 7,1%, mais 0,2 pontos percentuais (p.p.) face à estimativa rápida.

Estes dados seguem-se a um crescimento em cadeia no primeiro trimestre de 2,5%, com a variação homóloga a chegar aos 11,8%. Os meses de Abril a Junho deste ano sofreram com as consequências da invasão da Ucrânia pela Rússia, com impactos, entre outros aspectos, no custo das matérias-primas, mas a economia portuguesa acabou por não assistir a uma contracção.

Com os dados agora conhecidos, fica mais perto a hipótese de a economia portuguesa registar, na totalidade do ano, uma taxa de crescimento superior a 6%, como foi projectado tanto pelo Banco de Portugal como pela Comissão Europeia.

Apesar do abrandamento, o impulso da procura interna para a variação do PIB foi de 3,7 pontos percentuais. (10 p.p. no trimestre anterior), tendo a procura externa líquida subido para 3,5 pontos percentuais (contra os 1,7 p.p. do período anterior), com as exportações de bens e serviços a crescerem mais do que as importações, com a ajuda da recuperação do turismo.

“No segundo trimestre, os preços implícitos nos fluxos de comércio internacional aumentaram significativamente, tendo-se registado uma maior aceleração nas exportações devido às componentes de serviços, determinando uma perda menos intensa dos termos de troca que no trimestre anterior”, refere o INE. “O efeito da evolução dos termos de troca conjugado com o comportamento positivo em volume”, refere-se, “resultaram numa melhoria do Saldo Externo de Bens e Serviços em termos nominais, situando-se em -2,2% do PIB (-3,6% do PIB no 1º trimestre)”.

3.9.21

Crescimento da economia de Abril a Junho compensou quebra da terceira vaga

Pedro Crisóstomo, in Público on-line

PIB cresceu perto de 5% em relação aos três primeiros meses do ano e 15,5% face ao segundo trimestre de 2020. Exportações caíram 2% relativamente aos três primeiros meses deste ano.

A economia portuguesa cresceu 4,9% no segundo trimestre em relação aos três primeiros meses do ano, contrabalançando a quebra que se registou entre Janeiro e Março, quando o país esteve sob fortes restrições por causa do pico de contágios durante a terceira vaga da pandemia.

As contas nacionais do segundo trimestre divulgadas nesta terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) confirmam que o Produto Interno Bruto (PIB) “aumentou 4,9% em volume, mais que compensando a variação em cadeia negativa (-3,2%) observada nesse trimestre”.

Quando se compara com o segundo trimestre de 2020, a variação é de 15,5%, porque, como sublinha o INE, está influenciada por um efeito de base: o facto de a economia ter caído de forma abrupta no período de Abril a Junho do ano passado por causa do agravamento da situação epidemiológica a partir de Março.

A variação de 15,5% “é influenciada por um efeito de base, uma vez que as restrições sobre a actividade económica em consequência da pandemia se fizeram sentir de forma mais intensa nos primeiros dois meses do segundo trimestre de 2020 [Abril e Maio], conduzindo então a uma contracção sem precedente da actividade económica”, explica o INE.

Com a reabertura da economia, depois do confinamento geral, registou-se um aumento da procura interna.

As despesas de consumo das famílias cresceram 8,8% em relação ao primeiro trimestre (aumentaram 12,5% nos bens duradouros e 8,4% nos bens não duradouros e serviços).

O consumo público aumentou 9,8% em termos reais no segundo trimestre (variação homóloga de 2,8% no 1.º trimestre). Note-se que o consumo público registou uma taxa de variação homóloga negativa no 2.º trimestre de 2020 (de -3,9%), traduzindo o impacto negativo na produção não mercantil em volume das medidas de confinamento, que implicaram o encerramento de vários serviços públicos.

Já o investimento, embora tenha recuperado em relação ao período homólogo (ao crescer 10,5%), baixou em relação aos três primeiros meses de 2020 (diminuiu 3,2%).

A formação bruta de capital fixo caiu 2,1%, tendo-se registado uma quebra mais expressiva nos equipamentos de transporte (7,6%) e nas outras máquinas e equipamentos (5,7%). Na construção também se registou uma quebra, mas ligeira (de 0,7%). Só nos produtos de propriedade intelectual, onde se inclui a investigação e desenvolvimento, é que se observou um aumento do investimento (de 1,1%).
Perda nas trocas

Segundo o INE, “o contributo da procura interna para a variação homóloga do PIB foi positivo, enquanto o contributo da procura externa foi nulo”. O instituto estatístico sublinha que de Abril a Junho se registou “uma perda nos termos de troca” em relação ao segundo trimestre do ano passado, “tendo o comportamento do deflator das importações sido influenciado, em larga medida, pelo crescimento pronunciado dos preços dos produtos energéticos”.

As exportações de bens e serviços (onde se inclui o turismo) cresceram 39,4% no segundo trimestre face ao período homólogo (depois de terem caído 9,6% no trimestre anterior em termos homólogos e quando a queda no segundo trimestre de 2020 fora igualmente de 39,2%).

No entanto, as vendas ao exterior baixaram 2% em relação ao primeiro trimestre deste ano, “verificando-se variações em cadeia de sentidos opostos nas duas componentes”, com uma queda de 5,2% na componente de bens e um aumento de 9,6% na de serviços, explica o INE.

As importações cresceram 34,3% em termos homólogos, mas caíram 0,8% em cadeia (face ao primeiro trimestre).

Outros dados divulgados nesta terça-feira pelo INE, relativos ao turismo, mostram que, já em Julho, o mercado interno registou um crescimento. Com 1,6 milhões de hóspedes e 4,5 milhões de dormidas nesse mês, os níveis da actividade turística ficaram, ainda assim, abaixo dos valores que se registavam antes da pandemia. Face a Julho de 2019 há uma diminuição de superior a 40% no número de hóspedes e uma quebra de 45% nas dormidas.

“Comparando ainda com Julho de 2019, observa-se um crescimento de 6,4% nas dormidas de residentes e um decréscimo de 67,6% nas dormidas de não residentes”, refere o INE.

31.8.21

Famílias já consomem mais do que em 2019 e o investimento também está acima do pré-crise (mas as exportações estão muito abaixo)

Sónia M. Lourenço, in Expresso

Produto Interno Bruto português no segundo trimestre ficou apenas 3,4% abaixo do mesmo período de 2019. Despesas de consumo das famílias e das Administrações Públicas já ultrapassaram o patamar pré-crise, tal como o investimento. Mas as exportações, penalizadas pelo turismo, ainda contabilizam uma quebra superior a 15%

Perto de 1750 milhões de euros. Foi essa a distância a que o Produto Interno Bruto (PIB) português no segundo trimestre deste ano ficou do valor registado no mesmo período de 2019, ou seja, antes da crise pandémica. A diferença foi de apenas 3,4%, sinalizando que a economia portuguesa está perto de regressar ao patamar pré-crise. Mas, uma análise do Expresso aos dados publicados esta terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), mostram que a recuperação está a ser assimétrica. Na frente interna, o consumo das famílias e das Administrações Públicas já ficou no segundo trimestre acima do segundo trimestre de 2019. Também o investimento ultrapassou o patamar pré-crise. Mas, na frente externa, as exportações, penalizadas pelo turismo, ainda contabilizam perdas a dois dígitos.

Um crescimento histórico de 15,5% - o mais elevado desde pelo menos 1978. Foi assim o comportamento da economia portuguesa no segundo trimestre deste ano, beneficiando tanto do efeito de base - um ano antes Portugal enfrentou o primeiro confinamento geral para travar a pandemia de covid-19 e a atividade económica caiu a pique - como do impulso dado pela reabertura do país após o segundo confinamento geral no início de 2021.

Como resultado, o PIB atingiu 48,99 mil milhões de euros, ficando a cerca de 1750 milhões de euros de distância do valor do segundo trimestre de 2019. Em termos percentuais, a quebra foi de 3,4%.

Contudo, por trás destes números, estão velocidades de recuperação diferentes entre os vários componentes do PIB. Na frente interna predominam as boas notícias, mas na frente externa os dados são mais sombrios.

Os números do INE indicam que no segundo trimestre deste ano a procura interna em Portugal - consumo privado e público, bem como investimento - ficou 1,1% acima do registado no segundo trimestre de 2019.

As despesas de consumo final ultrapassaram o patamar pré-crise, com o valor do segundo trimestre a ultrapassar em 1,5% o do mesmo período de 2019. E tanto as famílias residentes no país (mais 0,6%), como as Administrações Públicas (mais 5,6%) consumiram acima do período homólogo de 2019.

Onde é que as famílias estão a gastar mais? Comparando as despesas de consumo final no segundo trimestre de 2021 e no mesmo período de 2019, conclui-se que houve um aumento de 7,1% nos bens alimentares. Já nos bens duradouros - automóveis, mobílias e computadores, entre outros bens - as despesas de consumo final das famílias ficaram praticamente em linha com 2019, com uma quebra muito ligeira de 0,5%. Por fim, nos bens correntes não alimentares e serviços, o patamar pré-crise ainda não foi atingido, mas por uma margem pequena (redução de 1%).

Passando para o investimento, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) é o indicador mais importante na análise e regista um crescimento de 2,8% entre o segundo trimestre de 2019 e o mesmo período deste ano. Mais ainda, todas as componentes da FBCP, com exceção do equipamento de transporte, estão acima do patamar pré-crise pandémica. Os incrementos são de 0,4% nos recursos biológicos cultivados, de 2,3% nas outras máquinas e equipamentos e sistemas de armamento, de 9,8% na construção, e de 0,6% nos produtos de propriedade intelectual. Em sentido inverso, como referido, a FBCF em equipamento de transporte contabiliza uma queda acentuada, de 29,6%.

TURISMO PENALIZA EXPORTAÇÕES

O cenário é diferente quando se analisa a frente externa da economia portuguesa. No segundo trimestre deste ano as exportações ficaram 15,3% abaixo do valor alcançado no mesmo período de 2019, muitos penalizadas pela componente dos serviços, onde o turismo tem um peso decisivo. De facto, os dados do INE mostram que, em termos reais, as exportações de bens ficaram perto do patamar pré-crise (quebra de 5,6% entre o segundo trimestre de 2019 e o mesmo período de 2021), mas nos serviços ainda estão muito longe desse nível (menos 36,1%). Até porque a retoma parcial que se tem sentido no sector do turismo tem sido conseguida sobretudo com turistas nacionais. Já o turismo internacional com destino a Portugal permanece débil.

Quanto às importações, ficaram 4,7% abaixo do patamar do segundo trimestre de 2019, com reduções de 2,6% nos bens e de 15,2% nos serviços.

Uma nota importante a ter em conta na evolução de exportações e importações em termos reais foi a deterioração dos termos de troca para Portugal, penalizando o contributo da frente externa para o PIB. O INE destaca que "no segundo trimestre de 2021, em termos homólogos, registou-se uma perda nos termos de troca, tendo o comportamento do deflator das importações sido influenciado, em larga medida, pelo crescimento pronunciado dos preços dos produtos energéticos".

16.11.20

PIB português ainda a 6,4% do nível pré-crise, o quarto valor mais alto da UE

Sérgio Aníbal, in Público on-line

O crescimento em cadeia do PIB de 13,3% no terceiro trimestre deste ano ficou ainda longe de compensar as perdas recorde registadas na primeira metade do ano

Feitas as contas à queda a pique registada a partir de Maio e à recuperação de parte da actividade durante o terceiro trimestre, a economia portuguesa é uma das que na União Europeia está neste momento mais longe de regressar aos níveis anteriores à pandemia.

A segunda estimativa para os valores do PIB do terceiro trimestre de 2020 publicada esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística e pela maior parte das outras autoridades estatísticas europeias veio confirmar para todos os países da UE aquilo que já tinha sido avançado há 15 dias: depois de fortes quedas no primeiro e segundo trimestres do ano, as economias começaram a recuperar no terceiro trimestre, mas não com a força suficiente para regressar imediatamente aos níveis em que se encontravam antes da pandemia.

E, neste capítulo, mostram os números agora revelados, Portugal é para já um dos que mais deixou por recuperar. De acordo com os dados do INE, depois de uma diminuição do PIB de 4% logo no primeiro trimestre e de uma queda recorde de 13,9% no segundo, a economia portuguesa cresceu 13,3% no período entre Julho e Setembro.

Isto significa que, no terceiro trimestre deste ano, o valor do PIB português ainda foi 6,4% menor do que no quarto trimestre de 2019, o último em que não se sentiu qualquer efeito da pandemia na actividade económica (os efeitos começaram a ser sentidos a partir de Março de 2020).

Este diferencial de 6,4% que ainda há por superar é, entre os 20 países da União Europeia para os quais já há informações do PIB para o terceiro trimestre, o terceiro maior. Apenas em Espanha, com uma perda de 9,1%, e na Roménia, de 7,3%, o impacto negativo da pandemia na actividade económica foi maior.

Esse facto também é visível na variação homóloga do PIB (terceiro trimestre de 2020 face ao terceiro trimestre de 2019), que em Portugal foi de -5,7%, o quarto valor mais negativo, apenas melhor que a Espanha, Roménia e República Checa.

No total da zona euro, que no terceiro trimestre cresceu 12,6%, o PIB encontra-se agora 4,4% abaixo do nível anterior à pandemia. E os países que se encontram mais próximos do PIB pré-crise são a Polónia, Lituânia Eslováquia Holanda, todos com diferenças situadas entre 2% e 3%.

Isto significa que Portugal, apesar de até ter sido o quarto país da UE com um crescimento em cadeia mais alto no terceiro trimestre (atrás de Espanha, Itália e França), está a revelar especiais dificuldades em compensar uma parte significativa das perdas acumuladas na primeira metade do ano.

O peso que o sector do turismo tem na economia e o espaço de manobra relativamente reduzido para aplicar uma política orçamental mais expansionista são explicações possíveis para este resultado, tendo sido já avançadas pela Comissão Europeia quando, na semana passada, Portugal no grupo de nove países da zona euro que “não vão conseguir regressar em 2022 ao nível em que se encontravam em 2019”.
Exportações mais de 15% abaixo

Na segunda estimativa rápida das contas nacionais publicada esta sexta-feira pelo INE, são ainda apresentados mais detalhes sobre o comportamento das diversas componentes do PIB. Tanto ao nível da procura externa (exportações menos importações) como da procura interna (consumo e investimento privados e públicos), a tendência foi a mesma: depois da queda abrupta dos meses anteriores, registou-se uma recuperação no terceiro trimestre à medida que as medidas do confinamento foram sendo aliviadas, mas a retoma não foi o suficiente para se regressar aos níveis do passado.


No caso das exportações, aquilo que aconteceu foi que, depois de quedas de 6,7% e de 37% nos primeiros e segundo trimestres, registou-se no terceiro trimestre um crescimento de 38,8%. Isso não chega no entanto para ficar perto dos níveis pré-pandemia. Comparando com o valor das exportações no período homólogo, a queda das exportações é ainda de 15,2% e relativamente ao quarto trimestre de 2019 (o último sem os efeitos da pandemia) a perda registada é de 18,4%.

Esta dificuldade das exportações regressarem ao nível do passado sente-se sobretudo ao nível dos serviços, sinaliza o INE, que diz que a recuperação do terceiro trimestre acontece “devido em grande medida à evolução das exportações de bens, uma vez que as de serviços mantiveram reduções expressivas”. Entre as exportações de serviços encontram-se as relacionadas com o sector do turismo para não residentes, um dos mais persistentemente afectados durante a presente crise.

A evolução das exportações tem sido mais negativa que a das importações, onde a variação homóloga se situa agora em -11,6%, o que significa que o contributo da procura externa para a evolução do PIB está a ser negativo.

Do lado da procura interna, depois de quedas de 1,8% e de 10,8% nos primeiro e segundo trimestres, registou-se no terceiro trimestre um crescimento de 10,1%, o que significa que se continua a um nível 4,1% abaixo do registado em igual período do ano anterior. O INE não divulga ainda dados relativos à evolução do consumo privado, investimento e consumo público, algo que apenas acontecerá no próximo dia 30 de Novembro.

30.10.20

PIB da zona euro aumenta 12,7% no terceiro trimestre

Isabel Aveiro, in Público on-line

Economia recuperou no terceiro trimestre face ao período de Abril a Junho, em que o continente esteve na sua maioria com medidas de confinamento mais ou menos severas. Face ao terceiro trimestre de 2019, as quedas são de 4,3% na zona euro e de 3,9% na União Europeia

O Produto Interno Bruto (PIB) da zona euro subiu 12,7% no terceiro trimestre deste ano, face ao trimestre imediatamente anterior, de acordo com a estimativa rápida do Eurostat, divulgada esta sexta-feira. Na União Europeia a 27 Estado-membros, o crescimento trimestral em cadeia foi de 12,1%.

O gabinete estatístico da União Europeia avança, no comunicado emitido esta manhã, que as tuas subidas trimestrais em cadeia, na zona euro e na UE, “foram, de longe, a maiores observadas desde que a série teve início, em 1995”.

São também uma recuperação das quedas verificadas no PIB do segundo trimestre (de Abril a Junho de 2020), quando a economia sofreu uma contracção de 11,8% na zona euro e de 11,4% na União a 27 Estados.

Ao comparar com o mesmo trimestre, mas de 2019, a evolução permanece, contudo, negativa, de 4,3% para a zonae euro e de 3,9% para o conjunto da União Europeia.

Portugal, já o Instituto Nacional de Estatística (INE) tinha divulgado minutos antes, registou uma recuperação de 13,2% em cadeia no terceiro trimestre, face aos três meses imediatamente anteriores (quando o PIB teve uma queda abrupta de 13,9%). Todavia, face a igual período de 2019, o PIB português registou uma queda de 5,8%.

O desempenho português é pior que a queda homóloga média já referida para a zona euro e para a UE, face ao terceiro trimestre de 2019, mas melhor do que a Espanha (cujo PIB caiu 8,7% face a igual período do ano passado).

Espanha foi, contudo, o segundo país da UE com a maior recuperação trimestral em cadeia, de 16,7% (recuperando parcialmente da queda do PIB de 17,8% no segundo trimestre, em cadeia), só superada pela França, cuja economia cresceu 18,2% entre Julho e Setembro, face aos três meses anteriores (e após uma queda de 13,7% do PIB no segundo trimestre).

A Alemanha, maior economia da zona euro, registou uma subida de 8,2% do PIB no terceiro trimestre, face ao segundo (quando a economia tinha contraído 9,8%). Face a igual trimestre de 2019, o PIB germânico recuou 4,2% entre Julho e Setembro.

8.10.20

Exportações aceleram a norte. O desemprego também

 Margarida Cardos, in Expresso

Entre abril e julho, as exportações da região dispararam em 95%. Sobem mais do que a média nacional e "ultrapassam o valor anterior ao da crise pandémica", diz o boletim Norte Conjuntura, da CCDRN.

"As exportações na região Norte dispararam 95% entre abril e julho de 2020, atingindo o valor de 2040 milhões de euros e superando o crescimento da média nacional (em torno dos 71%), destaca o Boletim Norte Conjuntura, divulgado esta quarta-feira pela CCDRN - Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte.

Apontando este desempenho como um indicador de que começam a ser "visíveis os primeiros sinais de retoma" após a quebra da economia regional no período de confinamento, o boletim sublinha que "a resiliência do sector exportador da Região Norte em contexto de crise foi superior à nacional" . "Em Portugal, o valor das exportações em julho era ainda inferior ao registado em janeiro", enquanto no Norte as vendas ao exterior "ultrapassam o valor anterior ao da crise pandémica", refere.

Já o número de desempregados inscritos nos centros de emprego da região cresceu 20% em termos homólogos, uma variação também inferior aos 30,6% registados a nível nacional. "O elevado número de trabalhadores (20,1% da população empregada da região) em regime de 'lay-off' permitiu atenuar significativamente a quebra potencial no emprego", diz este relatório sobre o desempenho económico regional.

No entanto, o salário médio mensal líquido dos trabalhadores da região teve uma evolução positiva refletida na tendência de convergência relativamente ao salário médio nacional: "a diferença entre o salário nacional e o da região foi de 43 euros" e esta é "a menor diferença desde que existem registos de remunerações por NUTSII", diz o documento.

Em números, o salário médio no Norte atingiu os 909 euros no 2.º trimestre de 2020, enquanto o salário médio nacional está nos 956 euros.

Comparando o segundo trimestre do ano com o mesmo período de 2019, o balanço continua, no entanto, a ser negativo e a quebra das exportações da região ronda os 29%, abaixo dos 30,6% do país. Julho, no entanto, apresenta valores "mais otimistas", com uma quebra de apenas 6,9% face ao mês homólogo.

No que respeita ao turismo, os indicadores "refletem uma evolução favorável, ainda que se situem bastante aquém de 2019", com o número de hóspedes a subir "exponencialmente entre abril e julho", apesar de ficar a "menos de metade do valor homólogo do ano transacto". "A recuperação do sector do turismo terá sido, ainda assim mais rápida na região do que no conjunto do país", refere o relatório.

8.10.15

Crescimento em Portugal limitado por queda acentuada da população

Sérgio Aníbal, in Público on-line

Até 2060, o envelhecimento da população pode custar 19 pontos percentuais ao PIB per capita, calcula o Banco de Portugal, um efeito que já se está a sentir na actualidade.

O endividamento das famílias, a obrigatoriedade de cumprimento das regras orçamentais europeias ou a baixa qualificação da mão de obra. Todas estas são limitações, muitas vezes referidas, ao crescimento da economia portuguesa. Mas há um problema, bastante menos debatido, que se está a revelar como um dos mais sérios obstáculos a uma retoma: a tendência de diminuição e envelhecimento da população que se regista desde 2010 e que promete prolongar-se ainda por mais algumas décadas.

O tema foi destacado pelo Banco de Portugal no boletim económico de Outubro publicado esta quarta-feira. A instituição liderada por Carlos Costa calculou o impacto negativo que as tendências demográficas terão durante o período de 2015 a 2060 e chegou a números preocupantes.

Nesse período, a diminuição do rácio entre a população com idade entre os 15 e os 64 anos e a população total poderá contribuir para uma perda acumulada do PIB per capita português de 19 pontos percentuais. O efeito é especialmente negativo até 2040 e já está, neste preciso momento a fazer-se sentir.

De acordo com os dados publicados pelo Banco de Portugal, o efeito demográfico já está a ter um efeito negativo no PIB per capita de 2015 de 0,2 pontos percentuais e em 2016 serão mais 0,25 pontos percentuais.

Ao longo dos anos, assinala o Banco de Portugal, espera-se que este efeito demográfico negativo seja contrabalançado quase totalmente pela crescente qualificação da força de trabalho, à medida que trabalhadores mais novos (em média mais qualificados) substituem os mais velhos (em média menos qualificados).

Depois há ainda o efeito no PIB total que é muito mais significativo do que no PIB per capita. A redução da população é responsável desde já para que, desde 2011 até 2015, se verifique uma diferença bastante significativa entre a variação do PIB e a variação do PIB per capita. Enquanto o primeiro caiu 3,8%, o segundo caiu 1,8%, mostram os números do Banco de Portugal. No primeiro semestre, o PIB per capita cresceu 2,1% e o PIB apenas 1,6%.

O fenómeno em que a evolução demográfica afecta o crescimento económico é sentido em diversos países, em especial na Europa e, num grau mais acentuado, no Japão. No entanto, Portugal é um dos países mais sensíveis a este problema. Nos últimos anos, com a combinação de uma taxa de fecundidade extremamente baixa e de uma inversão para a negativa dos fluxos migratórios, tem estado entre os países do Globo com maiores reduções da população.

Mais consumo
No boletim económico agora publicado, o Banco de Portugal reafirma a previsão de uma taxa de crescimento de 1,7% em 2015. Este valor é ligeiramente mais alto do que os 1,6% projectados pelo Governo em Maio e pelo Fundo Monetário Internacional já esta semana.

As projecções agora apresentadas, apesar do resultado total no PIB ser o mesmo, mostram algumas diferenças significativas face ao que tinha sido previsto pela autoridade monetária em Junho, no último boletim económico.

Em primeiro lugar, o consumo cresceu mais do que era estimado, passando de uma variação anual de 2,2% para 2,6%. Este resultado contribui decisivamente para que as importações também cresçam mais do que aquilo que era esperado em Junho. Agora a previsão é de 7,9%, quando antes era de 5,7%. Um crescimento mais forte das importações tem um efeito negativo no PIB.

Pela positiva, as exportações também estão a crescer mais do que o projectado inicialmente, com o Banco de Portugal a rever a sua estimativa em alta, de 4,8% para 6,1%.

Feitas as contas, o facto de o diferencial entre o ritmo de crescimento das importações e das exportações ter aumentado leva a que a previsão para o saldo comercial se tenha tornado também menos positiva. Em vez de um excedente de 2,1% do PIB na balança de bens e serviços, o banco central aponta agora para um excedente de 1,7%. O excedente total com o exterior também foi revisto de 3% do PIB para 2,3%.

O Banco de Portugal, contudo, defende que o padrão de crescimento a que neste momento se assiste na economia portuguesa é consistente com a manutenção de equilíbrios económicos fundamentais.

11.2.15

Alemanha é o país que mais desviou crescimento de Portugal

por Luís Reis Ribeiro, in Diário da República

Alemanha é o país que mais desviou crescimento de Portugal

Exportações de bens subiram 1,9% em 2014, o registo mais fraco desde o tempo de Sócrates. Maiores prejuízos vêm da zona euro.

A Alemanha foi o país que, em 2014, mais crescimento desviou da economia portuguesa via comércio de mercadorias, isto é, levando em conta o impacto do saldo comercial (exportações menos importações). Esta conclusão não conta com a balança de serviços (ainda não apurada). Nesse caso, Portugal passa a ser excedentário.

Num ano marcado por uma aceleração rápida das importações e por um enfraquecimento pronunciado do ritmo das exportações de bens, o défice de Portugal com a Alemanha piorou de 962 milhões para 1645 milhões de euros entre 2013 e o final do ano passado.

Os dados de base, ontem divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), vêm mostrar, uma vez mais, que o sucesso e os excedentes de uns países europeus são os prejuízos de outros, não havendo ainda nesta altura mecanismos que compensem os desequilíbrios.

O semestre europeu e os novos pactos de estabilidade, que visam penalizar países com economias deficitárias, mas também as estruturalmente excedentárias (como a Alemanha), ainda não estão a ter consequências práticas.

Assim, a existência de excedentes externos em alguns países (sobretudo os do Centro e Norte da Europa) também acontece à custa de posições deficitárias noutros Estados europeus mais fracos (ver texto na página seguinte).

Tal como acontece com o saldo orçamental e as condições de acesso ao crédito bancário, é mais uma forma de divergência e de fragmentação económica, mais grave quando se pensa na zona euro, que é uma união monetária. Reflete também o grau de avanço tecnológico, de produtividade e de competitividade das economias. Portugal, por exemplo, é altamente dependente de tecnologia importada, que usa depois para investir e criar emprego.

Cálculos do DN/Dinheiro Vivo a partir desses dados do comércio de mercadorias até final de 2014 mostram que a Alemanha é, de longe, o país que mais ganha em termos económicos nas relações comerciais com Portugal.

No ano passado, o défice comercial português agravou-se em 682 milhões de euros. Os alemães compraram 5624 milhões em exportações nacionais, mais 2,2% do que em 2013. Mas, em compensação, Portugal comprou aos alemães 7269 milhões de euros, um aumento de 12,4% no período em causa.

Portugal compra à Alemanha bens de alto valor acrescentado, como automóveis, produtos petroquímicos e farmacêuticos. Para a Alemanha, Portugal também vende carros (a Autoeuropa, dos alemães, é a maior exportadora a seguir à Galp), mas depois exporta aparelhos mecânicos e elétricos, calçado e vestuário.

No ranking da expansão do défice, surge Espanha, o segundo país que tira mais crescimento ao PIB via comércio de bens. A tradicional relação desequilibrada entre Portugal e o país vizinho, que é o maior parceiro no volume de importações e de exportações, também se aprofundou no ano passado. O défice comercial de bens estava em 7161 milhões de euros e subiu para 7714 milhões no final de 2014. É 553 milhões de euros pior.

Quanto maior a expansão destes défices, maior o impacto negativo no ritmo do PIB. Do outro lado da balança há contributos positivos para o crescimento.

Em 2014 e na Europa, a maior ajuda vem de fora da moeda única, do Reino Unido. Portugal tem com a economia britânica uma relação comercial favorável (exporta mais mercadorias do que importa) e até conseguiu melhorar um pouco a posição. O excedente comercial passou de 938 milhões para 1131 milhões de euros, mais 193 milhões.

O país com o qual Portugal mais lucra em termos de crescimento é, sem sombra de dúvida, Angola. O excedente comercial subiu 1088 milhões de euros, para 1570 milhões.

Mas o comércio com a Europa continua a dominar amplamente as relações comerciais portuguesas (mais de 70% das exportações e das importações). Apesar de minoritária e deficitária, a relação com as economias não europeias ofereceu um impulso favorável ao crescimento do PIB. Portugal conseguiu reduzir esse défice em 1063 milhões de euros entre 2013 e 2014. A maior ajuda veio da economia angolana.

Até aqui vimos como foi a evolução dos saldos comerciais. Já os saldos finais apurados em 2014 mostram os países que mais beneficiam (ou não) do comércio com Portugal. Espanha é, de longe, a relação mais desequilibrada, prejudicando o nível do produto interno bruto em 7713 milhões de euros.

Os seis países que mais penalizam as contas portuguesas são todos da zona euro. A seguir a Espanha vem Alemanha (com a qual Portugal tem um défice de 1645 milhões), Itália (1512 milhões de euros), Holanda (1083 milhões), Irlanda (426 milhões) e Bélgica (défice de 260 milhões de euros em 2014).

Fora da União Europeia, as relações mais desvantajosas para Portugal acontecem com os produtores de petróleo e gás e com a China. Com o Cazaquistão, o défice comercial ascende a 810 milhões de euros e com a Arábia Saudita o desequilíbrio chegou aos 673 milhões de euros no final do ano transato.

Com a China, de onde Portugal importa grande variedade de produtos, o défice português é 758 milhões de euros, o segundo maior fora do espaço europeu.

Ontem, o vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, disse que "é evidente que quanto mais se cresce mais difícil é continuar a subir, mas as exportações portuguesas voltaram a crescer em 2014", "o melhor ano de sempre".

Estaria a falar no valor nominal em euros porque em termos de taxa de crescimento as vendas cresceram apenas 1,9%, o pior registo desde 2009 (-18%), quando o PS estava no poder e o país a ser atingido em cheio pela crise económica global.

(Notícia alterada às 10.15, com a transcrição completa da versão publicada na edição de hoje do DN)

1.7.14

Como a queda da poupança está a ajudar a economia a crescer

Sérgio Aníbal, in Público on-line

Portugueses estão a poupar uma parte menor do seu rendimento. Isso tem sido decisivo para o crescimento da economia nos últimos meses, mas causa preocupação em relação à sustentabilidade da retoma.

É graças a uma redução acentuada da taxa de poupança dos máximos atingidos no segundo trimestre de 2013 que o consumo privado em Portugal está a conseguir recuperar mesmo num ambiente em que os rendimentos continuam a diminuir. E assim, contribuindo de forma decisiva para o regresso do país a taxas de crescimento positivas conseguida desde o final do ano passado.

De acordo com os dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística esta sexta-feira, a taxa de poupança das famílias (que mede a percentagem do rendimento disponível que não é usado para consumo) desceu no primeiro trimestre deste ano para 11,9%. Acentua-se assim, uma descida que se iniciou depois de no segundo trimestre de 2013 se ter registado uma taxa de 13,5%, o valor mais alto desde a criação do euro em 1999.

É essencialmente esta redução da poupança que consegue explicar a aceleração do consumo privado registado no país durante o mesmo período. O consumo, que apresentava uma variação homóloga negativa de 2,3% no segundo trimestre do ano passado, registou um crescimento de 1,5% no primeiro trimestre de 2014, tal como já tinha revelado o INE nos dados das contas nacionais publicados no mês passado. A subida de consumo não aconteceu contudo como uma resposta a um aumento do rendimento disponível, um indicador que registou taxas de variação homólogas negativas nos quatro últimos trimestres.

O que se passou foi que, depois de um longo período em que os portugueses, em média, cortaram o mais que puderam naquilo que consumiam, começam agora a recuperar a confiança e a arriscar gastar uma maior parte do seu rendimento. Há vários factores a contribuírem para esta mudança. Por um lado, os níveis de confiança dos consumidores têm vindo a subir, registando-se uma menor preocupação relativamente à evolução da economia, do desemprego e da situação financeira particular de cada família. Depois da chegada da troika e do agravamento da austeridade, a confiança atingiu níveis mínimos históricos. Por outro, há consumos de bens duradouros, como automóveis, que foram adiados durante anos consecutivos e que agora se torna natural que registem alguma recuperação.

Este cenário de recuperação da confiança dos consumidores até pode ser considerado normal e desejável à medida que a economia recupera. O preocupante é se o crescimento da economia estiver apenas sustentado nesta melhoria de expectativas. Nesse caso, e tendo em conta o elevado nível de endividamento das famílias portuguesas, esta subida do optimismo poderia revelar-se rapidamente insustentável.

Há alguns sinais de que isso possa estar a ocorrer em Portugal. É o consumo – baseado na redução da poupança – que tem vindo a sustentar a aceleração da economia portuguesa. O crescimento homólogo do PIB de 1,3% no primeiro trimestre foi garantido graças ao contributo positivo de 2,8 pontos da procura interna (consumo mais investimento). Pelo contrário, a procura externa líquida (exportações menos importações) teve um contributo negativo de 1,6 pontos.

Não é por isso coincidência, como revelou também esta sexta-feira o INE, que Portugal tenha voltado a registar um défice externo negativo durante os primeiros três meses deste ano. Abrandamento das exportações e, principalmente, aceleração das importações (também ajudadas pelo consumo), levaram a um saldo negativo com o exterior equivalente a 1,4% do PIB, algo que já não acontecia há três trimestres.

Ao nível das finanças públicas, o INE revelou que o défice público registado em Portugal durante o primeiro trimestre deste ano foi de 6% do PIB. Estes são os primeiros dados oficiais publicados para este período utilizando a metodologia aplicada pelo Sistema Europeu de Contas, aquele que conta para a avaliação do cumprimento das metas com que o Estado português se comprometeu junto das autoridades europeias e da troika.

O valor de 6% registado durante os primeiros três meses do ano fica acima da meta de 4% projectada pelo Governo para a totalidade deste ano, o que significa que, no resto de 2014 este resultado terá de ser compensado com défices mais baixos por forma a que o objectivo seja atingido.

No entanto, é de notar que olhando para a série histórica dos saldos orçamentais em Portugal, se verifica que o primeiro trimestre de cada ano é aquele em que normalmente o défice é mais elevado. No ano passado, o valor registado foi de 10% do PIB, o que não impediu que, também com a ajuda de receitas extraordinárias, se registasse um défice de 5% no total do ano.

25.6.14

Emprego voltou a aumentar no Norte, após cinco anos em queda

Abel Coentrão, in Público on-line

Taxa de desemprego recuou, mas aumentou a percentagem dos que estão sem trabalho há mais de um e dois anos.

Foram mais de cinco anos consecutivos sempre a cair. Para variar, a taxa de emprego na região Norte teve uma primeira inversão, positiva, no primeiro trimestre deste ano, em que aumentou 1,5%. Foi uma subida insuficiente para pôr este indicador (59,7%) ao nível do verificado no país, onde a taxa da população entre os 15 e os 64 anos que tem trabalho é de 61,7%.

Os dados são esmiuçados à lupa no relatório trimestral Norte Conjuntura, publicado esta semana pela Comissão de Coordenação da Região Norte (CCDRN). Com base em estatísticas de vários organismos, a CCDRN percebeu que as grandes responsáveis por este aumento do emprego na região foram as empresas do sector transformador, que criaram 21 mil dos 22 mil novos empregos, com os quais alimentaram o seu fluxo de exportações. Estas, como no país, estão a crescer a um ritmo inferior ao dos trimestres anteriores, mas tiveram um desempenho melhor do que do país no seu todo, onde o abrandamento verificado foi superior.

A região ganhou mais trabalhadores por conta de outrem (+3,7%, em termos homólogos) e empregadores (+5,3%), mas perdeu trabalhadores isolados por conta própria (-7,8%). Por níveis de escolaridade, o maior aumento do emprego continuou a observar-se entre os trabalhadores com habilitação ao nível do ensino secundário (+23,3% face ao trimestre homólogo), enquanto o número de indivíduos empregados com escolaridade igual ou inferior ao ensino básico se manteve em queda (-6,3%). O relatório destaca ainda o facto de o emprego regional ter voltado a crescer entre os licenciados (+6,3%), depois de três trimestres em queda.

No 1.º trimestre de 2014, a taxa de desemprego na Região Norte recuou para 15,8%, valor que compara com 16,4% no trimestre anterior e com 18,5% no trimestre homólogo do ano passado. Em todo o caso, e como tem acontecido nos últimos anos, o nível de desemprego regional continuou a ser superior à média nacional, que foi de 15,1% no 1.º trimestre deste ano e, dado importante também, entre os 291 mil indivíduos sem emprego apontados pelo INE, é cada vez maior o peso dos que não encontram trabalho há um ano ou mais.

“O desemprego de longa duração atinge agora uma expressão nunca antes observada na Região do Norte. No 1.º trimestre de 2014, 68,2% dos desempregados desta região estavam há mais de um ano em situação de desemprego (valor que compara com 65,5% no trimestre anterior e com 60,8% no trimestre homólogo do ano passado). Desde há um ano, verifica-se também que aqueles indivíduos que estão desempregados há pelo menos dois anos representam mais de dois quintos do total de desempregados da Região Norte (42,8% no 1.º trimestre de 2014)”, lê-se no relatório.

O Norte continua a ser também uma das regiões mais assoladas pelo desemprego juvenil. A taxa de desemprego de jovens (dos 15 aos 24 anos) voltou a subir, chegando aos 36,6% no 1º trimestre de 2014 (resultado que compara com 35,7% no trimestre anterior e com 39,7% há um ano).

Outra leitura que resulta da análise dos dados do INE é que a população desempregada residente na Região Norte teve uma quebra de 54 mil pessoas, número muito superior ao aumento observado do lado do emprego (+22 mil empregados). Segundo a CCDRN isto acontece “num contexto em que também a estimativa de população residente na Região Norte com idade entre os 15 e os 64 anos de idade se apresenta em queda (-24 mil residentes, face ao trimestre homólogo do ano passado)”.

Olhando de novo para os sinais positivos, percebe-se, pela distribuição geográfica das melhores taxas de quebra de desemprego registado (dados do Instituto de Emprego), o peso da indústria transformadora, e do vestuário (responsáveis por dois quintos do aumento das exportações), para a tendência. Por local de residência, o município que, na média do 1.º trimestre de 2014, mais contribuiu para a descida do desemprego registado na Região Norte face ao trimestre homólogo do ano passado, foi Guimarães, com menos 1971 desempregados inscritos (variação homóloga de -13,9%). Seguem-se-lhe os municípios de Santo Tirso (com -1131 desempregados, representado -15,1%) e de Vila Nova de Famalicão (-1027 desempregados, ou -9,4%).

Pelo contrário, o Porto, (+1904 desempregados inscritos do que há um ano, representando +9,3%) e da Maia (com +726 desempregados) foram os concelhos com piores contributos para o desemprego registado na Região do Norte.

12.2.14

Setor do calçado supera máximo histórico de exportações

in Jornal de Notícias

As exportações da indústria portuguesa de calçado aumentaram 8% em 2013 e ultrapassaram, pela primeira vez, o máximo histórico de 1.700 milhões de euros.

Em comunicado, a Associação Portuguesa dos Industriais do Calçado, Componentes, Artigos de Pele e Seus Sucedâneos (APICCAPS) destaca que, desde 2010, o setor já cresceu 28%, sendo hoje o preço médio do calçado português o segundo mais alto do mundo, atingindo os 23,45 euros.

Dado o muito mais modesto ritmo de crescimento das importações, que aumentaram 2,9% no ano passado, o contributo do setor de calçado para a balança comercial ascende agora a 1,3 mil milhões de euros, "o mais elevado da economia portuguesa".

Constituída por 1.696 empresas, responsáveis por 41.295 postos de trabalho, a fileira do calçado é dominada pelo setor do calçado (com 1.354 empresas e 35.355 colaboradores), mas os setores de componentes (com 245 empresas e 4.919 trabalhadores) e de artigos de pele (97 empresas e 1.021 trabalhadores) têm também, segundo destaca a APICCAPS, "contribuído decididamente para a evolução da economia portuguesa".

Atualmente, nota, o calçado português chega a 132 países nos cinco continentes.

A este propósito, a associação destaca que o setor dos componentes tem assumido uma vocação "cada vez mais internacional", tendo as respetivas exportações crescido 2% em 2013 face a 2012, para 45 milhões de euros.

Já o segmento dos artigos de pele demonstrou estar "em franco crescimento", ao registar um aumento de 39% nas vendas para o exterior, para mais de 113 milhões de euros, enquanto os curtumes exportaram mais de 88 milhões de euros.

9.1.14

Exportações aumentaram 7% e importações 3,7%

in Jornal de Notícias

As exportações portuguesas aumentaram 7,0% e as importações 3,7% no trimestre terminado em novembro de 2013, face ao mesmo período de 2012, divulgou o Instituto Nacional de Estatística.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), esta evolução traduziu-se numa redução de 278,7 milhões de euros do défice da balança comercial e num aumento da taxa de cobertura de 2,6 pontos percentuais (p.p.), para 82,5%.

Considerando apenas o mês de novembro, as exportações de bens registaram um aumento homólogo de 7,2% e as importações de bens subiram 3,2% (o que compara com aumentos de, respetivamente, 4,5% e 3,9% em outubro de 2013).

O aumento das exportações em novembro resultou "sobretudo da evolução do comércio intra-UE [União Europeia]", generalizada a quase todos os grupos de produtos, mas particularmente nos combustíveis minerais", refere o INE.

Já a subida das importações refletiu o acréscimo no comércio intra-UE e generalizado à quase totalidade dos grupos de produtos (mas em especial nos veículos e outro material de transporte, produtos agrícolas e máquinas e aparelhos), que superou a diminuição no comércio extra-UE.

Em termos das variações mensais, o INE regista, em novembro de 2013, uma diminuição das exportações de 0,7% face a outubro, em resultado da evolução do comércio extra-UE, já que o comércio intra-UE registou um ligeiro aumento.

Quanto às importações, diminuíram 10%, devido principalmente à evolução do comércio extra-UE.

Analisando apenas o comércio intra-UE, de setembro a novembro de 2013 as exportações aumentaram 5,9% e as importações 4,2%, face ao período homólogo de 2012, a que corresponde um défice de 2.285 milhões de euros e uma taxa de cobertura de 79,2%.

No mês de novembro, as exportações aumentaram 6,6% face ao mês homólogo de 2012, refletindo a evolução generalizada a quase todos os grupos de produtos, mas em especial nos combustíveis minerais.

Já as importações aumentaram 6,2%, traduzindo também o acréscimo generalizado da quase totalidade dos grupos de produtos, mas particularmente veículos e outro material de transporte, produtos agrícolas e máquinas e aparelhos. Em novembro face a outubro, as exportações aumentaram 1,0% e as importações diminuíram 3,8%.

Relativamente ao comércio extra-UE, no trimestre terminado em novembro de 2013 e face ao período homólogo de 2012 as exportações aumentaram 9,7% e as importações 2,2%, a que correspondeu um défice de 335,6 milhões de euros e uma taxa de cobertura de 91,6%.

De acordo com o INE, excluindo os combustíveis e lubrificantes, as exportações aumentaram 4,9% e as importações 3,7% em termos homólogos, tendo o saldo da balança comercial atingido um excedente de 1.349,8 milhões de euros, a que correspondeu uma taxa de cobertura de 179,3%.

Em novembro, as exportações para os países terceiros aumentaram 8,7% face ao mesmo mês de 2012 e as importações diminuíram 5,6%.

Relativamente a outubro, as exportações e importações com países terceiros diminuíram 4,7% e 25,9%, respetivamente.

O INE nota que, em novembro, as importações extra-UE registaram "o valor mais baixo do ano 2013", inferior ao das exportações extra-UE.

Numa análise por grandes categorias económicas, destaca-se no trimestre terminado em novembro de 2013 o acréscimo homólogo nas exportações de combustíveis e lubrificantes (mais 54,3%), devido aos produtos transformados, e, no que se refere às importações, o aumento de 11% no material de transporte e acessórios.

7.10.13

Mais exportações e menos desemprego, diz Governo

Por: TVI24

Secretário de Estado Adjunto e da Economia, acredita que Portugal está numa trajetória de recuperação da sua dívida externa

Portugal está numa trajetória de recuperação da sua dívida externa e já não está a viver acima das suas possibilidades, afirmou hoje o secretário de Estado Adjunto e da Economia, durante o Fórum Empresarial do Algarve.

Durante o encerramento da sessão desta manhã onde foi debatido o futuro dos países do sul da Europa, Leonardo Mathias destacou os bons resultados que as empresas portuguesas estão a apresentar ao nível das exportações de bens e serviços.

Afirmações atestadas com os dados económicos oficiais que dão conta de um crescimento das exportações portuguesas que, durante o segundo trimestre deste ano, representaram 41 por cento do PIB (Produto Interno Bruto).

Leonardo Mathias frisou que esta aposta na exportação e diversificação das empresas portuguesas está a alargar-se à economia global e não se cinge tanto ao universo europeu.

«Quem diria há três ou quatro meses que Portugal iria ter estes níveis de crescimento», disse aquele representante do Governo, reportando-se aos resultados económicos portugueses que dão conta de um crescimento de 1,1 por cento do PIB baseado no crescimento das exportações, na estabilização da procura interna e na redução da taxa de desemprego que passou de 17,7 por cento para 16,4 por cento.

«As boas notícias são sempre relativas enquanto houver desemprego», disse o secretário de Estado Adjunto parafraseando Durão Barroso que participou no Fórum Empresarial do Algarve que decorre até domingo, em Vilamoura.

Os números apresentados pelo secretário de Estado indicam que em 2012 as exportações portuguesas para clientes não europeus atingiram os 29 por cento do total de exportações, enquanto em 2000 estavam nos 17,8 por cento.

Dados que levaram Leonardo Mathias a concluir que o país está numa reta de recuperação de competitividade nacional.

22.7.13

Exportações sobem 4,9% e dão excedente de 875 milhões de janeiro a maio

in Jornal de Notícias

As exportações portuguesas de bens e serviços de janeiro a maio subiram 4,9% face ao período homólogo de 2012, para 27,6 mil milhões de euros, resultando num excedente de 875 milhões, o melhor registo desde 2008, segundo a AICEP.

De acordo com os dados da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), a que a Lusa teve acesso, a balança comercial de bens e serviços teve um excedente de 875 milhões, recuperando de um défice de 1.188 milhões registado nos primeiros cinco meses do ano passado, ajudado também pelas importações, que diminuíram de 27,4 mil milhões de euros para 26,6 mil milhões de euros de janeiro a maio deste ano.

Os bons indicadores das exportações portuguesas mantêm, assim, a tendência deste ano, já que, nos primeiros quatro meses do ano, a balança comercial tinha sido favorável a Portugal pela primeira vez, em 431 milhões de euros, o que já tinha acontecido também para o conjunto do ano de 2012, ano em que as trocas comerciais foram favoráveis a Portugal em 111 milhões de euros.

As vendas para a União Europeia, que representam quase 70% do total, subiram 3,5%, enquanto que as vendas para outros países (que representam 31%) cresceram 8,1%.

Olhando para os países de destino das exportações nacionais, o panorama mantém-se inalterado: Espanha (20,3%), França (12,1%), Alemanha (11,2%) e Reino Unido (7,7%) compõem o top cinco, enquanto Angola, com 6,3% e os Estados Unidos da América (4,6%) são os dois principais mercados fora da União Europeia.

19.7.13

Exportações sobem 4,9% e dão excedente de 875 milhões de janeiro a maio

in Jornal de Notícias

As exportações portuguesas de bens e serviços de janeiro a maio subiram 4,9% face ao período homólogo de 2012, para 27,6 mil milhões de euros, resultando num excedente de 875 milhões, o melhor registo desde 2008, segundo a AICEP.

De acordo com os dados da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), a que a Lusa teve acesso, a balança comercial de bens e serviços teve um excedente de 875 milhões, recuperando de um défice de 1.188 milhões registado nos primeiros cinco meses do ano passado, ajudado também pelas importações, que diminuíram de 27,4 mil milhões de euros para 26,6 mil milhões de euros de janeiro a maio deste ano.

Os bons indicadores das exportações portuguesas mantêm, assim, a tendência deste ano, já que, nos primeiros quatro meses do ano, a balança comercial tinha sido favorável a Portugal pela primeira vez, em 431 milhões de euros, o que já tinha acontecido também para o conjunto do ano de 2012, ano em que as trocas comerciais foram favoráveis a Portugal em 111 milhões de euros.

As vendas para a União Europeia, que representam quase 70% do total, subiram 3,5%, enquanto que as vendas para outros países (que representam 31%) cresceram 8,1%.

Olhando para os países de destino das exportações nacionais, o panorama mantém-se inalterado: Espanha (20,3%), França (12,1%), Alemanha (11,2%) e Reino Unido (7,7%) compõem o top cinco, enquanto Angola, com 6,3% e os Estados Unidos da América (4,6%) são os dois principais mercados fora da União Europeia.

9.4.13

Exportações de bens caem 4,4% em fevereiro

in Jornal de Notícias

As exportações de bens caíram 4,4% em fevereiro, face ao mês anterior, devido sobretudo a uma queda nas vendas de Portugal para países da União Europeia, generalizada em quase todos os produtos, segundo o Instituto Nacional de Estatística.

De acordo com as estatísticas do comércio internacional divulgadas, esta terça-feira, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), as importações registaram também um decréscimo de 1,2%, "quase exclusivamente devido à redução registada no comércio Intra-UE nomeadamente nas máquinas e aparelhos".

Dentro da UE, as exportações diminuíram 2,5% face ao mês homólogo de 2012, em especial "devido à evolução registada nos veículos e outros materiais de transporte (nomeadamente nos automóveis de passageiros, nos veículos automóveis para transporte de mercadorias e nas partes e acessórios dos veículos automóveis)".

Fora da UE, as exportações para países terceiros diminuíram 2,8% face a fevereiro, em resultado do decréscimo registado principalmente nos combustíveis minerais.

Em termos trimestrais, no entanto, de acordo com o INE, as exportações aumentaram 0,8% no trimestre terminado em fevereiro, face ao período homólogo, tendo-se verificado "uma redução do défice da balança comercial no montante de 931 milhões de euros".

Já as importações de bens diminuíram 6,1% no trimestre terminado em fevereiro de 2013.

12.2.13

Exportações de bens caem em dezembro mas crescem 5,8% em 2012

in Jornal de Notícias

As exportações de bens caíram 18,2% em dezembro face ao mês anterior, devido sobretudo a uma forte queda nas vendas de Portugal para países da União Europeia, mas no acumulado de 2012 cresceram 5,8%, segundo o Instituto Nacional de Estatística.

O final de 2012 ficou marcado por sucessivas greves dos trabalhadores dos portos de Lisboa, Setúbal, Aveiro e Figueira da Foz. Além disso, a crise da dívida soberana também afetou a procura europeia dirigida à economia portuguesa.

De acordo com as estatísticas do comércio internacional hoje divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), as exportações de Portugal caíram em termos mensais 21,7% em dezembro para os países da União Europeia, os principais parceiros comerciais do país, e 9,6% para os restantes países, pelo segundo mês consecutivo.

O INE justifica a queda de 18,2% nas exportações em dezembro, face a novembro, com a "diminuição verificada na quase totalidade dos grupos de produtos" e com maior dimensão no comércio dentro da União Europeia (UE).

Já em termos homólogos, as exportações diminuíram 3,2% em dezembro, devido à "evolução negativa registada no comércio Intra-UE" (-5,7%), sobretudo no setor dos veículos e outro material de transporte e nos minerais e minérios, justifica o INE, acrescentando contudo que as saídas de bens extra-UE aumentaram 2,7%.

As importações também continuaram a cair em dezembro face a novembro: 9,2% relativamente aos países da União Europeia, "reflexo principalmente da redução verificada no comércio Intra-UE", segundo o INE, e 2,9% aos restantes países.

Em termos homólogos, as importações diminuíram 7,9% também devido à "redução verificada no comércio Intra-UE" (-11,2%), principalmente na área das máquinas e aparelhos e veículos e outro material de transporte. Quanto às importações extra-UE revelam uma evolução de 2,2%.

No total dos 12 meses do ano passado as saídas aumentaram 5,8% e as entradas caíram 5,4% face a 2011.

A projeção do Governo para as exportações de bens e serviços para 2012 é de 4,3% e de -6,6% para as exportações.

Já no último trimestre de 2012, as exportações aumentaram 1% e as importações caíram 3% em termos homólogos, o que determinou um desagravamento do défice da balança comercial em 533,7 milhões de euros.

No quarto trimestre de 2012, as maiores quedas nas saídas ocorreram no material de transporte e acessórios (-14,8%) e nos combustíveis e lubrificantes (-8,7%), ao contrário das máquinas e outros bens de capital em que se registou um aumento (+15,2%).

Já nas entradas, destacam-se as quebras no material de transporte e acessórios (-14%) e nos bens de consumo (-7,6%) e o aumento verificado nos combustíveis e lubrificantes (+5,2%).

5.12.12

OIT. Baixos salários e exportações não vão resolver a crise em Portugal

Por Ana Tomás, in iOnline

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) afirma que a redução de salários e a aposta nas exportações não serão suficientes para resolver os problemas económicos portugueses.

O facto de os países europeus estarem muito dependentes entre si nas políticas económicas recessivas que aplicam faz com que se verifiquem bloqueios mútuos ao crescimento, diz a organização.

“Quando vários países europeus com fortes relações comerciais entre si aplicam ao mesmo tempo políticas de desvalorização fiscal, o resultado é uma austeridade concertada que resulta numa recessão simultânea”, considera a organizaçãonum artigo publicado esta quarta-feira, no seu site, e onde Portugal é citado como exemplo desse círculo.

Em matéria de salários, a organização fala da recente revisão laboral, onde se inclui o decréscimo dos valores do trabalho extraordinário e a diminuição dos custos das empresas com os despedimento, e refere que essas mudanças tiveram como objectivo de fundo “aumentar a competitividade do sector exportador em relação a países competidores. Antes da introdução oficial do euro, países com grandes défices comerciais recorriam à desvalorização cambial, instrumento inexistente em países do euro”.

A OIT lembra que países como a Suécia, a Argentina e, recentemente, a Islândia também já adoptaram políticas de redução de salários e da despesa do Estado mas fizeram ao mesmo tempo uma desvalorização cambial.

E mesmo um aumento das exportações não será suficiente para os países crescerem, porque, segundo a organização, haverá uma transferência de trabalhadores de uns países para os outros, resultante da deslocalização de fábricas.

A este factor acrescem as projecções de outras entidades que alertam para uma possível queda das exportações portuguesas, a partir do próximo ano, devido à contracção económica em alguns dos principais mercados de destino, que são a grande maioria (70%) países europeus. Só a Espanha representa 20% da exportações portuguesas.

10.2.12

Crise europeia trava exportações portuguesas na recta final de 2011

Por Pedro Crisóstomo, in Público on-line

As vendas de bens nacionais ao estrangeiro aumentaram, no ano passado, 15,2%. Mas a recta final de 2011 reflecte já o abrandamento da economia europeia. As exportações voltaram a desacelerar em Dezembro, com um crescimento de 4,4% a ser sustentado pela saída de bens para fora da Europa, ao mesmo tempo que as exportações para o espaço europeu recuaram pela primeira vez em termos homólogos.

De acordo com as estatísticas do comércio internacional do último trimestre, hoje divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), as saídas de bens cresceram 12,4%, enquanto as entradas diminuíram 10,5%. Com isto, o défice da balança comercial diminuiu para 2 815,4 milhões de euros.

No conjunto do ano, as exportações portuguesas aumentaram 15,2% em relação a 2010. Cresceram em Outubro, abrandaram em Novembro e desaceleraram no último mês do ano passado.

O ritmo de crescimento das exportações abrandou de forma significativa em termos homólogos em Dezembro, para 4,4%, quando até aqui tinha estado a crescer sempre acima dos dois dígitos.

A desaceleração que se regista quando é comparado o comportamento das exportações entre Dezembro de 2011 e o mesmo mês do ano anterior ficou a dever-se a uma quebra na venda de veículos e materiais de transporte. Em Dezembro, Portugal exportou menos 15,4% do que no mês anterior; foi a segunda maior quebra mensal, num ano em que se registaram comportamentos mensais muito díspares.

Em termos homólogos, houve uma quebra de 1,1% nas exportações para o espaço comunitário – um sinal de desaceleração nas principais economias –, enquanto, para fora da Europa, Portugal conseguiu vender mais 19,2% de bens.

O conjunto dos 27 países da União Europeia continua, contudo, a ser o principal destino das exportações (2.268 milhões de euros), quando os países extracomunitários totalizam 1.001 milhões de euros.

A UE recebeu mais de dois terços dos bens exportados por Portugal no ano passado: 31.379 milhões de euros, contra 10.988 milhões relativos aos países de fora do espaço europeu. Foi neste conjunto de países que se registou um crescimento mais rápido da saída de bens nacionais (19,6%). As exportações para a UE cresceram 13,8%, com um abrandamento de Outubro para Novembro e uma quebra no mês seguinte.

Espanha, Alemanha e França continuam a ser os três países que maior volume de bens (em euros) receberam no ano passado. Fazendo as contas apenas ao último trimestre, foram exportados para Espanha bens no valor de 2.596 milhões de euros, para a Alemanha no valor de 1.420 milhões e para França de 1.237 milhões.