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4.9.23

Mais 24,8 mil desempregados inscritos em agosto em Espanha

Por Lusa, in Notícias ao Minuto


O número de inscritos em centros de desemprego em Espanha aumentou em 24.824 em agosto, para 2,7 milhões de pessoas, após cinco meses de consecutivos de descida, segundo dados oficiais conhecidos hoje.


m paralelo, o mercado de trabalho espanhol perdeu 185.285 postos de trabalho, com o número de trabalhadores inscritos na Segurança Social a cair para 20,7 milhões.


Nos dois casos são números menos negativos dos que habitualmente se registam no mês de agosto, de acordo com os dados do governo espanhol.

O aumento do desemprego em agosto deveu-se, sobretudo, ao setor dos serviços.

Nos meses anteriores, Espanha registou recordes de trabalhadores inscritos na segurança social e, em paralelo, mínimos históricos nos desempregados oficialmente registados nos centros de emprego.

Espanha tem uma das taxas de desemprego mais elevadas da União Europeia.

Segundo os dados mais recentes, a taxa de desemprego em Espanha era 11,6% no final de junho, uma descida de 1,67 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior, terminado em março.

Na zona euro (os países que têm a moeda única europeia), a taxa de desemprego recuou em junho para os 6,4%, na União Europeia caiu para os 5,9%, em relação ao período homólogo de 2022.

Entre os Estados-membros da UE, Espanha (11,7%), Grécia (11,1%), Suécia e Lituânia (7,5%) tinham as maiores taxas de desemprego em junho, enquanto Malta (2,6%), República Checa e Polónia (2,7%) e a Alemanha (3,0%) tinham as menores.

Portugal registou em junho uma taxa de 6,4%.

11.5.23

Libertados 15 portugueses vítimas de tráfico humano. Dois portugueses em prisão preventiva

in Público online

Investigação no País Basco permitiu à PJ identificar 15 vítimas portuguesas, levadas de zonas rurais do Norte do país e exploradas. Os detidos têm antecedentes pelo mesmo crime.

A Polícia Judiciária (PJ) anunciou esta quarta-feira a detenção de dois cidadãos portugueses, de 36 e 42 anos, indiciados de traficar pessoas de zonas rurais do Norte de Portugal.

Em nota enviada ao PÚBLICO, a PJ informou que a Operação Worker, iniciada a 4 de Maio no País Basco, em Espanha, resultou da colaboração da Directoria do Norte com a Guardia Civil de Alava.

Da investigação resultou "o desmantelamento de um grupo criminoso e a libertação de 15 cidadãos portugueses" que se encontravam em "escravatura moderna".

De acordo com a PJ, as vítimas foram "captadas" e transportadas para locais onde trabalhavam 12 horas todos os dias, sob "ameaças permanentes". Além de residirem em "casas velhas", sem condições de segurança e higiene, estas pessoas foram privadas de receber apoio familiar e expostas a um "estado de total vulnerabilidade".

Antes de regressarem a Portugal, os 15 cidadãos identificados pela Polícia Judiciária foram acolhidos por instituições espanholas.

Os detidos residem em Espanha e já contavam com antecedentes criminais por tráfico de seres humanos. Depois de presentes às autoridades judiciais espanholas, foi determinada prisão preventiva para os dois portugueses.

8.3.23

Administrações das cotadas em Espanha terão de ter 40% de elementos do género sub-representado


Numa iniciativa para promover uma maior presença feminina em cargos de topo, o governo espanhol vai obrigar as grandes empresas a terem 40% dos seus conselhos de administração compostos pelo género sub-representado

O governo espanhol vai decretar esta semana, no dia 7 de março, um dia antes do Dia Internacional da Mulher, a obrigatoriedade de que todos os conselhos de administração de empresas sejam compostos em no mínimo 40% por elementos do género sub-representado, anunciou o primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez, no sábado.

O decreto torna assim obrigatória aquela que era até aqui uma recomendação da congénere espanhola da CMVM, a CNMV, de as empresas cotadas terem 40% do género sup-representado na composição dos seus conselhos de administração.

Segundo a Bloomberg, em notícia desta segunda-feira, 6 de março, o documento vai também obrigar o executivo governamental a cumprir essa mesma quota e obrigar os partidos a alternarem entre candidatos do género masculino e feminino.

Estas alterações à lei constituem a implementação de uma diretiva europeia neste sentido, obrigando à aprovação até 2026 de mecanismos de paridade de género nas gestão.

O decreto, que vai ser remetido ao Congresso espanhol, a câmara baixa do Parlamento, depois da aprovação em conselho de ministros desta semana, prevê que no mínimo 40% dos membros dos conselhos de administração sejam do género menos representado, e que haja paridade de género da gestão de topo.

Após aprovação, a lei entrará em vigor a 1 de julho de 2024, aplicando-se a todas as empresas cotadas em bolsa. As empresas com pelo menos 250 trabalhadores e 50 milhões de euros em receitas anuais têm um período de implementação alargado até 30 de junho de 2026, segundo a Bloomberg.

20.12.22

Em Espanha, o desemprego jovem está a diminuir (e os contratos a melhorar)

in Público online

Uma reformulação nas leis laborais de Espanha levou a um aumento de 142% de jovens trabalhadores com contrato de trabalho efectivo, num país onde as taxas de desemprego e subemprego têm estado entre as mais altas da Europa desde a crise financeira global.

O aumento é uma prova de que a alteração laboral feita há nove meses pelo Governo socialista está a reverter as medidas que facilitavam a contratação e o despedimento e que tinham entrado em vigor depois da crise de há uma década — as regras foram elogiadas na altura como as responsáveis por colocar o país numa situação de baixo custo e competitiva, mas também foram criticadas por minarem direitos dos trabalhadores e levarem muitos jovens espanhóis a emigrar.

As taxas de desemprego jovem, que chegaram a mais de 55% nos anos depois da crise financeira, caíram para 31% no terceiro trimestre — contra uma taxa de desemprego geral de 12,6%, de acordo com o Gabinete Nacional de Estatística.


O desemprego jovem é um problema crónico nos países do sul da Europa. Um em cada quatro jovens estava desempregado em Itália durante o Verão, de acordo com o Eurostat.

Os números do Eurostat mostram também que em Portugal a taxa de desemprego jovem se fixa nos 15,9%, mais alta do que a média europeia, que está nos 13%. Também por cá este número baixou e ficou abaixo dos valores registados antes da pandemia.

A Grécia, onde as taxas de desemprego jovem são semelhantes às de Espanha, quer reduzir a taxa de desemprego para 18% em 2030 e está a apresentar verbas para despesas com pensões e saúde para reduzir os custos laborais, bem como programas de formação especiais.

Ainda que as taxas de desemprego jovem tenham melhorado em Espanha com a recuperação económica depois da crise financeira, no Verão de 2021 sete em cada dez jovens com menos de 24 anos tinham um contrato temporário. A taxa caiu 13 pontos percentuais no terceiro trimestre de 2022, depois dos novos regulamentos laborais, tornando a Espanha melhor neste campo do que economias mais ricas, como os Países Baixos ou a Itália.
“Tenciono poupar dinheiro”

A revisão laboral, negociada com empregadores e sindicatos e introduzida em Março acabou com a maioria dos trabalhos temporários, numa tentativa de criar estabilidade laboral e reduzir a taxa de desemprego. Antes, os empregadores usavam os contratos temporários como uma rede de segurança em tempos de crise.

"Encontrar um apartamento vai ser mais fácil agora", disse Cristina Garcia, 24 anos, que conseguiu o seu primeiro contrato efectivo como recepcionista numa multinacional em Madrid, em Setembro.

O caso de Cistina é anormal em Espanha, onde apenas 4% das pessoas entre os 16 e os 24 anos conseguiram sair da casa dos seus pais na primeira metade de 2022, de acordo com o Conselho da Juventude de Espanha. Segundo o Eurostat, a média da União Europeia é sair de casa aos 26,5 anos, um ano mais cedo se forem mulheres; em Portugal, o país da UE em que os jovens saem mais tarde de casa dos pais, tal só acontece aos 33,6 anos.

Ainda assim, os jovens dizem que as coisas estão a mudar.

Depois de cinco anos a trabalhar como informático numa empresa de tecnologia em Madrid, Sami Khalaf, 28 anos, assinou o seu primeiro contrato efectivo em Fevereiro. "Tenciono poupar dinheiro, vejo as coisas de forma diferente", disse Khalaf, que saiu da casa dos pais há alguns meses.

Contratos estáveis podem aumentar a confiança do consumidor e a vontade de gastar, referiu Raymond Torres, economista do grupo de investigação Funcas, em Madrid. Torres afirmou que a força do mercado espanhol tem sido um dos pilares da inesperada resiliência económica do país durante um período de fraqueza global.

Antes da reforma laboral, a taxa de contratos temporários, que na última década esteve em cerca de 25% dos trabalhos, resultou numa mudança de panorama nos empregos, contribuindo para a taxa de desemprego geral.

"Temos que acabar com a ideia que a introdução de jovens no mercado de trabalho tem de ser feita através de contratos instáveis", afiançou Joaquin Perez-Rey, secretário de Estado do ministério do Emprego e Economia Social — o gabinete que desenhou a mudança laboral, à Reuters.

As reformas laborais de Março incluíram uma cláusula controversa que tornava mais fácil a atribuição de contratos efectivos a trabalhadores sazonais como os do turismo e agricultura. Esses trabalhadores estão elegíveis para benefícios quando não estão a trabalhar, mas não são contabilizados como desempregados, uma vez que podem ser chamados a qualquer altura pelo seu empregador.

O número destes chamados contratos de trabalho intermitentes, assinados por pessoas com menos de 24 anos, cresceu cinco vezes até Novembro, sendo essa a faixa etária como uma das que mais tinham esse tipo de contratos.

"Se isto é melhor ou pior do que ter vários contratos de trabalho temporários é debatível", disse Miguel Angel Malo, professor de Economia da Universidade de Salamanca, referindo-se aos contratos intermitentes.

O sistema de licenças espanhol, introduzido na maioria do mercado laboral durante a pandemia, também impulsionou a contratação efectiva, afirmou Adrian Todoli, professor de direito laboral da Universidade de Valência.


"Os empregadores agora sabem que podem confiar nestes mecanismos se houver uma crise, como aconteceu com a pandemia", referiu Todoli.

Cristina Garcia diz que o seu contrato de quatro horas e meia diárias dá-lhe o suficiente para começar a procurar um apartamento com o seu companheiro. "Quero trabalhar aos fins-de-semana para ganhar um pouco mais, mas fiz as contas e conseguimos."

1.8.22

Taxa de desemprego em Espanha cai para 12,48%, valor mais baixo desde

in Expresso

O número de desempregados em Espanha diminuiu entre abril e junho para menos de três milhões de pessoas e a taxa de desemprego fixou-se em 12,48%, o valor mais baixo desde 2008

A taxa de desemprego em Espanha fixou-se em 12,48% no segundo trimestre deste ano, o valor mais baixo desde final de 2008, segundo dados oficiais divulgados esta quinta-feira.

O número de desempregados em Espanha diminuiu em 255.300 entre abril e junho e ficou abaixo dos três milhões de pessoas (2.919.400) pela primeira vez desde 2008, revelou o Instituto Nacional de Estatística espanhol.

Comparando com o mesmo período de 2021, há mais 796.400 pessoas empregadas em Espanha (um crescimento de 4%).

O número de pessoas empregadas aumentou sobretudo nos serviços (mais 320.200), mas houve também um aumento quer na indústria (79.500), quer na construção (21.900).

Por outro lado, há menos 38.400 pessoas a trabalhar na agricultura em Espanha.

29.7.22

Crise energética: Bruxelas pede solidariedade, Portugal e Espanha respondem não ao corte de 15% do gás

Susana Frexes, in Expresso

A Comissão Europeia quer que todos os países cortem no consumo de gás e apela à solidariedade dos que estão menos expostos aos fornecimentos russos. Devem estar disponíveis para poupar, mas também partilhar. Portugal e Espanha já disseram que estão contra a proposta. A discussão promete aquecer até à reunião de ministros da Energia da próxima semana

Um corte total do gás russo pode custar uma nova quebra de 1,5% à economia europeia. Um problema que, para a Comissão Europeia, não é apenas dos países dependentes do fornecimento de Moscovo, mas de todos.

"Todos os Estados-membros vão sofrer as consequências", avisa a presidente da Comissão Europeia. Ursula von der Leyen reconhece que uns países são mais vulneráveis do que outros, mas que os 27, sem exceção, devem avançar com um corte de 15% no consumo de gás, preparando-se para serem também solidários: "é importante que contribuam para a poupança, para o armazenamento e que estejam prontos para partilhar gás com os vizinhos, caso seja necessário".

As opções de partilha "são várias", quer através de gasoduto, quer pela permuta (swap) de contratos, permitindo, por exemplo", que o GNL destinado a um Estado-membro, vá para outro onde é mais necessário".

Bruxelas receia uma disrupção no Mercado Interno provocada pela paragem da indústria europeia, a começar pela alemã. E com o argumento da defesa da economia como um todo, insiste que resolver a escassez energética exige também "solidariedade". Se não for de forma voluntária, então terá de passar por um mecanismo obrigatório.

"A solidariedade energética é um princípio fundamental nos tratados", lembra a alemã. Aponta para a legislação já existente sobre a segurança no abastecimento, "que prevê que os Estados-membros possam contar uns com os outros", e propõe um novo instrumento de emergência, a ser acionado caso a Rússia feche drasticamente a torneira do gás.

Questionada pelo Expresso durante a conferência de imprensa, sobre se este é um apelo direto aos países que, como Portugal, pouco ou nada dependem do gás russo, Von der Leyen preferiu passar a pergunta à sua comissária para a Energia. A estónia Kadri Simson também não respondeu diretamente, recorrendo antes ao caso da Finlândia, que já cortou drasticamente no consumo - é um dos países afetados pelos cortes da Rússia - deixando aos restantes um recado: evitar o pior cenário depende "do espírito de solidariedade".

PENÍNSULA IBÉRICA JÁ DISSE NÃO

Mas a proposta não caiu bem na Península Ibérica. Portugal já disse que é "completamente contra". E Espanha também. O secretário de Estado do Ambiente e da Energia, João Galamba, compreende que "há países que não se protegeram e agora pedem ajuda" mas critica a Comissão Europeia por desenhar uma proposta "insustentável", que obriga o país a ficar sem eletricidade.

Também a ministra da Transição Ecológica de Espanha, Teresa Ribera, dispara para Bruxelas recusando "assumir um sacrifício". "Ao contrário de outros países, nós, espanhóis, não vivemos acima das nossas possibilidades do ponto de vista energético", atira. Declarações a fazer lembrar outras, feitas noutros tempos por países mais a norte sobre os do sul, durante a crise da dívida soberana e da troika.

Para Ribera, a solidariedade não passa pelo corte, mas está disposta a disponibilizar infra-estruturas. "A nossa solidariedade é muito mais útil se pudermos utilizar as nossas infra-estruturas para fornecer gás ao resto da Europa, mas não à custa dos consumidores domésticos e industriais que pagam contas muito elevadas há muito tempo", afirmou.

Os dois países obtiveram recentemente a luz verde da Comissão à chamada exceção ibérica. Um mecanismo temporário que lhes permite limitar o preço do gás que alimenta as centrais, levando a uma redução na factura de electricidade das famílias.

A discussão promete continuar a aquecer até terça-feira, dia em que está previsto um conselho extraordinário de energia, que deveria servir para dar o primeiro aval à proposta da Comissão Europeia, antes das férias de verão. Os países terão, em particular, de chegar a acordo sobre a parte legislativa da proposta que prevê - em caso de "alerta da União" - uma redução obrigatória da procura de gás a todos os Estados-membros. Uma redução que seria imposta pela Comissão, em caso de escassez severa.

SOLIDARIEDADE EM RISCO

É um conceito fundamental da União Europeia, várias vezes vezes evocada - e também criticada - das crises migratórias e dos refugiados, à economia ou mais recentemente ao embargo ao petróleo russo, contra o qual esteve a Hungria e que, graças à solidariedade e compreensão dos restantes, vai poder continuar a importar petróleo russo.

Esta quarta-feira, a solidariedade voltou a ser lembrada por Ursula von der Leyen e pelos três comissários que a acompanharam na Conferência de Imprensa. Não foi por acaso que lembrou a recente partilha de vacinas contra a covid - considerada um caso de sucesso da coordenação europeia - mas também o pacote de recuperação de 800 mil milhões de euros - a chamada bazuca europeia - com milhões de euros a fundo perdido a serem canalizados para os países mais afetados pela pandemia.

A crise energética promete reabrir a discussão norte-sul, com uma nova solidariedade a ser pedida para países como a Alemanha, Polónia, Letónia, Finlândia e outros expostos aos cortes no abastecimento russo.

5.1.22

Desemprego cai para mínimo de mais de 10 anos em Espanha

Texto: Rita Robalo Rosa, in Expresso

Número de cidadãos registados como desempregados em Espanha no final de dezembro era o mais baixo desde 2008

Os serviços públicos de emprego estatais (SEPE) espanhóis registaram 3.105.905 desempregados no final de 2021, menos 782.232 face a 2020, ou seja, uma queda de cerca de 20%. Segundo o jornal espanhol “Expansión”, esta foi a maior queda anual de sempre.

Assim, o desemprego em Espanha chegou, pelo menos, aos níveis de 2008. Em dezembro desse ano, quando se iniciava a última grande crise mundial que afetou particularmente o sul da Europa, foram registados 3.128.963 desempregados, antes o valor estava sempre abaixo dos 3 milhões.

Face a fevereiro de 2020 – altura em que a Covid-19 chegou ao país – são menos 140.142 desempregados. Já comparando com o ano de 2019, a queda é menos acentuada mas existe: são menos 57.700 pessoas em situação de desemprego.

De acordo com os dados do SEPE, quase 59% dos desempregados são mulheres e mais de 222 mil têm menos de 25 anos.


15.9.21

Cerca de 4,5 milhões de pessoas em situação de pobreza extrema em Espanha

in AbrilAbril

No seu relatório mais recente, a EAPN-ES mostra a dimensão da pobreza extrema em Espanha, e derruba alguns mitos: a maioria da população nesta situação é espanhola, alguma tem estudos superiores e emprego.

A Rede Europeia de Luta contra a Pobreza e a Exclusão Social no Estado Espanhol (EAPN-ES) apresentou na sexta-feira passada o informe intitulado «El Mapa de la Pobreza Severa en España. El Paisaje del Abandono».

Segundo o organismo, no Estado espanhol há 4,5 milhões de pessoas em situação de pobreza extrema, 9,5% da população ou quase uma em cada dez pessoas que vivem no país. O fenómeno não é novo e o estudo alerta para a consolidação de uma bolsa de pobreza estrutural, formada por uma parte da população que estava já no «abandono» antes da pandemia.

«O fenómeno não é novo e o estudo alerta para a consolidação de uma bolsa de pobreza estrutural»

Os rendimentos das pessoas em situação de pobreza extrema são inferiores a 40% da média dos rendimentos em Espanha (p. 5). Grande parte desta população está em situação de privação severa e sobrevive com grandes dificuldades, vendo-se forçada a decidir, por exemplo, se paga o aluguer da casa ou a alimentação.

Outra conclusão do relatório é a da consolidação da desigualdade, com o rendimento médio da população que não está em situação de pobreza a quintuplicar o de quem vive em pobreza extrema. Por isso, a EAPN-ES destaca a necessidade de «completar sem mais demora as medidas económicas e sociais de apoio e protecção que foram implementadas apenas muito parcialmente» (p. 9).

O relatório também reflecte desigualdades territoriais, que faz com que estas «bolsas» de pobreza extrema se consolidem mais numas comunidades que noutras: «A taxa de pobreza extrema aumentou em oito regiões, nas quais se acumulam 583 mil novas pessoas em situação de pobreza extrema, e diminuiu noutras nove, nas quais quase 400 mil pessoas deixaram de o estar» (p. 19), afirma.
Desigualdade entre territórios: as Canárias

Entre as comunidades autónomas particularmente afectadas por estas carências, destacam-se as Canárias, Valência e as Astúrias «com percentagens de pessoas em pobreza extrema que oscilam entre 12,2% e 16,7% do total da população» (p. 13), revela o relatório.

Em conversa com El Salto, Juan Carlos Lorenzo, presidente da EAPN-Canarias, manifestou a sua preocupação pelo facto de, em 2020, se ter registado um aumento de 132 mil pessoas em situação de pobreza extrema nas ilhas.

«Mesmo nos anos em que recebemos dez, 13, 15 milhões de turistas nas Canárias, esse desenvolvimento não gerou qualquer tipo de crescimento ou de bem-estar para a maioria da população»

O presidente de EAPN no arquipélago enquadra estes números numa realidade estrutural, lembrando que, na Península, os relatórios costumam mostrar, assim em grandes rasgos, uma divisão entre um Norte mais rico e um Sul com maior índice de pobreza.

«Nas Canárias, a realidade do mundo do trabalho ou da estrutura de protecção social sempre foi de certa provisionalidade, por comparação com outros territórios», diz Lorenzo a El Salto.

«Nas ilhas, também pela sua condição de região periférica e afastada, existem menos oportunidades de trabalho e de protecção social para seguir em frente». Assim, a dependência do sector turístico e dos serviços limita ainda mais o quadro: «Mesmo nos anos em que recebemos dez, 13, 15 milhões de turistas nas Canárias, esse desenvolvimento não gerou qualquer tipo de crescimento ou de bem-estar para a maioria da população.»

Como acontece noutras regiões autónomas, o rendimento mínimo de inserção canário é insuficiente, defende Lorenzo; daí que considere interessante a proposta de um rendimento mínima estatal, que, diz, é uma «medida positiva que precisa de ser melhorada em vários aspectos».
Perfil da pobreza extrema: espanhóis, também com estudos superiores e emprego

Ter filhos é um «factor de risco». De acordo com a EAPN-ES, 39,9% dos lares em situação de pobreza extrema são compostos por dois adultos e um ou mais menores (p. 54). Se a família é monoparental, a situação é preocupante, com 49,1% destas famílias em risco de pobreza e exclusão.

«Quando se trata de lutar contra a pobreza, é verdade que para não ser pobre é preciso ter um trabalho, mas o contrário é falso: como mostram os dados, pode-se conseguir um trabalho e ser pobre e, inclusive, trabalhar e ser muito pobre»

Uma das conclusões do relatório deita por terra um dos lugares-comuns xenófobos, porque não é verdade que as pessoas mais carenciadas sejam migrantes: «Três de cada quatro (71,5%), ou seja, a imensa maioria das pessoas de 16 anos ou mais que estão em pobreza extrema são espanholas» (p. 18). Além disso, se a uma educação melhor correspondem melhores números, isso não significa que as pessoas com educação superior se livrem de entrar neste perfil.

Nem sequer o emprego é um factor decisivo: mais de um quinto (22,2%) das pessoas desempregadas estão em pobreza extrema – mostrando, afirma o informe, «lacunas significativas no sistema de protecção por desemprego» (p. 19). Mas a EAPN-ES também mostra que se pode estar a trabalhar e ser pobre. «Quando se trata de lutar contra a pobreza, é verdade que para não ser pobre é preciso ter um trabalho, mas o contrário é falso: como mostram os dados, pode-se conseguir um trabalho e ser pobre e, inclusive, trabalhar e ser muito pobre» (p. 28), afirma.

Viver em situação de privação material severa implica que o dinheiro não dê para chegar ao fim do mês com frequência, nem para fazer frente a despesas imprevistas, para comer carne, frango ou peixe dia sim, dia não, para ir de férias ou para realizar as actividades de «ócio, cultura e de relações sociais indispensáveis ao desenvolvimento pessoal, bem-estar emocional e melhoria das oportunidades disponíveis» (p. 46), nota o relatório.

14.9.21

Três amigos usam o Instagram para fazer “currículos” de pessoas que vivem na rua — e arranjar-lhes trabalho

Mariana Durães, in Público on-line

“Un Mismo Equipo” é o nome do projecto criado por três espanhóis que pretendem tirar pessoas de situação de exclusão arranjando-lhes um emprego. Em três meses, a conta de Instagram já tem 16 mil seguidores e já conseguiu trabalho para dez pessoas em situação de sem-abrigo.

“Marian procura urgentemente emprego em Madrid. Tem bastante experiência e é encantador”: assim começa uma conta de Instagram que, em apenas três meses, já ajudou dez pessoas em situação de sem-abrigo a encontrar trabalho. É gerida pelos espanhóis Gonzalo Perales, Pablo García e Miguel Jiménez, que, enquanto vagueavam pelas ruas de Madrid, se lembraram de descobrir e contar a história dos que lá vivem, na esperança de os ajudar a sair da situação de vulnerabilidade.

Nasceu assim uma espécie de “rede de talentos” desconhecidos que, como qualquer outra página numa rede social, “pode ser muito potente se a souberes usar”, afiança Perales. Foi o próprio que a impulsionou quando, na sua página pessoal, a divulgou. O sucesso foi tanto que, numa questão de dias, começaram a aparecer propostas de emprego: “No mesmo dia em que abri o perfil no Instagram, lançámos também o site e contratámos um senhor que estava na rua e fazia parte da minha rede do Linkedin”, conta Perales ao El País.

Juntou-se a Miguel Jiménez, criaram uma associação e baptizaram o projecto — Un Mismo Equipo. Aconteceu tudo muito rápido: já estão em fase de crescimento e prestes a transformar o projecto numa startup que deverá dispor de uma lista muito vasta e diversa de profissionais: carpinteiros, camareiros, directores de comunicação ou chefs. Os perfis são, na sua maioria, de homens com mais de 50 anos, não só de Madrid, mas também de outras regiões de Espanha.

“Há pessoas que não têm roupa, apartamento ou transporte. Precisam de carregamentos no telemóvel até que tenham o primeiro salário. O que estamos a fazer é ponderar quanto custa tirar uma pessoa de uma situação tão frágil como esta e a ideia é que a partir deste Outono comecemos a falar com diversas empresas para que, além de contratar, nos possam doar dinheiro ou material durante a transição”, refere Perales, citado no mesmo texto.

Mas mesmo que não tenham ainda dado esse passo, já podem congratular-se por ter ajudado Iván (nome fictício) a voltar ao mercado laboral, depois de meses a viver na rua e com problemas de alcoolismo. “Era o mais novo. É complicado ter uma conversa normal e ser razoável com quem já leva muito tempo na rua, e eu não queria terminar assim”, confessa Iván, a viver em Salamanca.

“No primeiro mês [a viver na rua] perdi 30 quilos, porque só comia duas barras de chocolate por dia. Não sabia de associações, não tinha amigos, tinha perdido tudo”, refere o informático de 39 anos que, durante os últimos meses, procurou livros no caixote do lixo para depois os vender e conseguir assim algum dinheiro.

Sobre os criadores do Un Mismo Equipo, diz: “Não ajudam todos, mas aqueles que vêem ter algo aqui dentro. Deram-me um telemóvel para que pudesse fazer entrevistas. Custou-me conseguir trabalho porque, na área da informática, um ano sem trabalhar nota-se. Começo a trabalhar na próxima segunda-feira e estou muito feliz. Só me falta casa, está complicado. A ver se consigo antes de começar”, auspicia.

Iván não foi o único. Outra pessoa em situação de sem-abrigo, que prefere não divulgar a identidade por não querer que a filha de 17 anos saiba que há um ano e meio pede pelas ruas, conseguiu trabalho como estofador de motas, com a ajuda da associação. Durante esse tempo, chegava a casa com três ou quatro euros; num dia de sorte conseguia uma nota: “Perdi dez quilos por causa dos nervos. Nos quatro primeiros meses não pregava olho, não por mim, mas pela minha filha. Não desejo isto a ninguém. Às vezes não comia por ela”, lamenta.

Todas as semanas chegam cerca de 20 emails à Un Mismo Equipo, muitos são de cartazes de empresas que procuram funcionários. Na página de Instagram, vão publicando fotografias de potenciais candidatos, juntamente com um pequeno perfil. Os seguidores vão perguntando novidades, se Marian já arranjou emprego, aplaudem quando os gestores da página contam que Fernando conseguiu emprego como director de comunicação. E também partilham histórias de pessoas com quem se vão cruzando na rua, na esperança de lhes mudar o rumo.

Os criadores do projecto também pedem donativos para conseguirem proporcionar alojamento, transporte, telefone, higiene, comida e roupa. Durante o Verão, contam no Instagram, tiraram dinheiro das suas próprias poupanças para conseguirem fornecer tudo isto àqueles que se encontram em situação de exclusão. E adiantam que, em breve, vão abrir um programa de voluntariado para todos os que estão interessados em ajudar. Afinal, é isso mesmo que o projecto pretende, como o nome já adianta. Que todos joguem na mesma equipa.


25.5.21

Madrid vacina os sem-abrigo

 in Euronews

O centro de acolhimento de sem abrigo San Isidro, em Madrid, é um dos maiores em Espanha. Os seus 300 residentes estão finalmente a ser vacinados contra a Covid-19.

À margem da sociedade, a população de sem abrigo do país, estimada em cerca de 300.000 pessoas, estava, até recentemente, também à margem da campanha de vacinação no território espanhol. Mas as autoridades sanitárias avançaram agora com um plano para garantir que mesmo os que vivem na rua recebem as doses necessárias da vacina.

As filas de espera são longas no centro San Isidro. Ángela Alfonsa Cordones, de 67 anos, é uma das beneficiárias.

Ángela Alfonsa Cordones, residente do centro San Isidro:"Agora que estou vacinada, sinto-me bastante aliviada e agradeço aos médicos e todos os que o tornaram possível."

Com acesso limitado às máscaras de proteção e material de desinfeção, os sem abrigo têm sido um dos grupos da sociedade espanhola mais expostos ao vírus. Vaciná-los representa vários desafios para as autoridades sanitárias. A vacina da Janssen, que apenas precisa de uma dose, facilita o processo.

Maribel Cebrecos del Castillo, diretora do centro San Isidro:"É uma grande vantagem, porque o risco de não conseguir localizar a pessoa, quando chega a altura da segunda dose, é bastante grande, com a população com a qual trabalhamos."

A Espanha já imunizou 20 por cento da população e perto de 90 por cento das pessoas com mais de 60 anos já receberam pelo menos uma dose da vacina. ONGs e responsáveis de vários centros de acolhimento alertavam, há bastante tempo, para a necessidade de considerar os sem abrigo como um grupo de risco.

María Fernández, vice-presidente da Sociedade Espanhola de Medicina Familiar e Comunitária:"Providenciar o acesso dos sem abrigo aos serviços sanitários é uma questão de Saúde Pública, são pessoas com maior morbilidade e trata-se também de um direito."

Um passo importante na campanha para garantir a imunização da totalidade da população espanhola, mas que está ainda longe de estar concluído.

Jaime Velazquez, euronews: _"Os Serviços Sociais do município de Madrid começaram a vacinar os 1600 desfavorecidos que vivem em centros de acolhimento como este, mas os que vivem ainda nas ruas terão de esperar pelo menos mais duas semanas."

21.5.21

#GraciasLuna: a Internet agradece à voluntária que confortou migrante senegalês em Ceuta

Carolina Amado, in Público on-line

Luna Reyes, voluntária da Cruz Vermelha, abraçou um migrante senegalês na chegada a Ceuta. As imagens ficaram virais e a jovem foi alvo de insultos racistas e xenófobos. Agora, uma corrente de elogios silencia o ódio.

As imagens mostram o momento em que Luna Reyes, voluntária da Cruz Vermelha, abraça e consola um migrante senegalês, visivelmente aflito, na chegada a Ceuta, território espanhol no norte de África.

Desde o início da semana, milhares de pessoas entraram em Ceuta, vindas de Marrocos, que transfere, assim, o controlo da chegada de migrantes e requerentes de asilo para Espanha, e pressiona Bruxelas e Madrid.

“Ele estava a chorar, eu dei-lhe a minha mão e ele abraçou-me”, disse Luna Reyes ao canal de televisão espanhol RTVE. “Ele agarrou-se a mim. Esse abraço foi um salva-vidas.”

À medida que as fotografias e vídeos se tornaram populares, Luna Reyes começou a receber ameaças e insultos racistas e xenófobos nas redes sociais por parte de apoiantes do Vox, partido de extrema-direita espanhol, o que a levou a restringir o acesso às suas contas, indica o El País.

“Viram que o meu namorado era negro, não paravam de insultar-me e dizer-me coisas racistas, horríveis”, disse a jovem de 20 anos à RTVE, voluntária na Cruz Vermelha desde Março, como estágio da licenciatura em Integração Social.

Contudo, a par da onda de ódio, recebeu uma avalanche de agradecimentos e aplausos, silenciando os insultos com a hashtag #GraciasLuna. “#GraciasLuna Somos uma organização onde existem muitas Lunas, que diariamente ajudam pessoas como as que chegam a Ceuta, a Arguineguín ou às Canárias. Ou que estão no teu bairro. Em todo o mundo”, escreveu a Cruz Vermelha Espanhola na sua conta de Twitter.

“#GraciasLuna por representares os melhores valores da nossa sociedade”, disse a ministra da Economia de Espanha, Nadia Calviño. Também Yolanda Díaz, ministra do Trabalho, se pronunciou: “Muito mais do que uma fotografia. Um símbolo de esperança e solidariedade”.

Luna Reyes desconhece o destino deste migrante, e teme que seja um dos mais de cinco mil adultos que foram expulsos de Ceuta, de volta para território marroquino. A estudante não mencionou, aos jornalistas, as mensagens de apoio recebidas, dizendo, apenas: “Eu só lhe dei um abraço. Abraçar alguém que pede ajuda é a coisa mais normal do mundo.”


12.1.21

Covid-19: escolas abertas ou escolas fechadas? Na Europa não há uma receita única

Maria João Guimarães, in Público on-line

França, que recomeçou as aulas presenciais na semana passada, é a maior excepção.

Muitos países europeus estão a adiar o regresso às aulas depois de estudos apontarem para um maior papel das crianças e adolescentes na transmissão do vírus que provoca a covid-19. França é a maior excepção e aposta nos testes rápidos para detectar casos antecipadamente.

Espanha

Muitas regiões mantêm as escolas sem aulas, algumas por causa das taxas de incidência do coronavírus, outras por causa dos nevões e do frio. A Catalunha é uma das excepções e depois de três dias extra nas férias de Natal, as aulas presenciais recomeçaram esta segunda-feira.

As autoridades espanholas defendem que as escolas não são locais de grande contágio, apoiados pelos dados do primeiro trimestre do ano lectivo.

No geral, o aumento da taxa de incidência no país (quase 300 casos por cem mil habitantes) levou a mais restrições em várias regiões, incluindo encerrar mais cedo restaurantes ou mesmo permitir apenas que funcionem com refeições para fora. Há restrições adicionais para a circulação que afectam mais de um milhão de residentes.

Alemanha

As escolas continuam fechadas desde que foi decretado o segundo confinamento no país (de 16 de Dezembro) e vão manter-se assim na maior parte dos estados federados. A partir desta segunda-feira, cada estado poderia decidir reabrir as escolas, se a média de novos casos a sete dias descesse (para 50 novas infecções por cem mil habitantes).

O maior problema na Alemanha é que as aulas à distância nem sempre funcionam – as plataformas de ensino à distância caem e os alunos ficam sem aulas, conta uma reportagem da emissora Deutsche Welle.

Noutras restrições no país, está encerrado o comércio não essencial, lazer e cultura, restaurantes funcionam apenas em take-away e é fomentado o teletrabalho. Moradores de regiões com alta incidência de casos (mais de 200 novos casos por 100 mil habitantes nos últimos sete dias) não se podem afastar mais de 15 km sem motivo válido.

França

As aulas recomeçaram a 4 de Janeiro, e o ministro da Educação, Jean-Michel Blanquer, diz que o encerramento apenas se justifica “em países com vagas epidémicas particulares” e sublinhando que em França “há um protocolo já com provas dadas” e que será “reforçado” se for necessário. Antes das férias de Natal, a taxa de infecções nas escolas não era mais do que 0,3%, justificou, e vão ser feitos um milhão de testes rápidos nas escolas durante o mês de Janeiro.

Em caso de endurecimento de medidas, as escolas serão as últimas a fechar, disse o ministro. O director-geral da Saúde, Jérôme Salomon, declarou que é preciso estar “muito atento ao meio escolar e universitário” também pela possibilidade de regresso de jovens a viagens ao Reino Unido onde circula uma variante com maior transmissibilidade. Os professores deverão ser vacinados em Abril, logo que termine a actual fase de vacinação de grupos prioritários.

Entre as restrições em vigor neste momento estão o recolher obrigatório (das 20h às 6h, em algumas regiões das 18h às 6h), e os restaurantes mantém-se fechados apenas com serviço de take-away até meados de Fevereiro.

Itália

A grande maioria das regiões italianas optaram por manter as escolas (excepto as primárias) fechadas e as aulas em regime virtual, e apenas três regiões permitiram o regresso de alguns alunos às escolas (Toscânia, Abruzzo, Valle D’Aosta).

Houve uma série de protestos de alunos e pais pedindo o regresso às aulas presenciais – que o Executivo nacional defendia (para 50% dos alunos), mas a decisão foi deixada às regiões e a maioria preferiu não ter aulas presenciais, o que segundo o jornal Il Sole 24 Ore causou “uma confusão geral e disparidade entre alunos” pelo país.

As regiões prevêem recomeçar as aulas presenciais até 1 de Fevereiro, mas o país deverá reforçar medidas restritivas na sexta-feira.

Quanto a outras medidas, de momento está em vigor uma restrição de movimento entre regiões, e restaurantes operam (até às 18h, ou apenas com take-away) conforme a taxa de transmissão em cada região.

Reino Unido

Escolas e universidades estão em regime de ensino à distância até pelo menos meados de Fevereiro, e os exames de final do ano já não vão ser feitos como estava previsto. O Governo de Boris Johnson diz que as medidas são necessárias por causa da nova variante que se transmite com maior facilidade, e pede um esforço adicional na “última fase da luta”, quando as restrições acontecem ao mesmo tempo que a vacinação e as autoridades de saúde avisam que a situação “ainda vai piorar antes de ficar melhor”.

As escolas continuam, como no primeiro confinamento, a receber alunos em situação vulnerável ou de trabalhadores essenciais. Mas responsáveis de várias escolas em Inglaterra estão a queixar-se, segundo o Guardian, de receber muito mais pedidos de pais para que os filhos tenham aulas presenciais do que no primeiro confinamento, levando a medo de que esgotem a sua capacidade.

O país está no seu terceiro confinamento, com restrições como encorajamento do teletrabalho e restaurantes apenas com take-away.

Áustria

Na Áustria, as escolas estão em ensino à distância pelo menos até ao final desta semana. O ministro da Educação, Heinz Fassmann, diz que não é possível ainda dizer quando recomeçará o ensino presencial, algo que admite que gostaria que acontecesse o mais rapidamente possível. O Governo vai ter, a partir de 18 de Janeiro, 5 milhões de testes rápidos que esperam que sejam feitos antes de os alunos regressarem às salas de aula.

Além disso, os professores deverão começar a ser vacinados em Fevereiro. Antes, duas medidas para combater a transmissão do vírus nas escolas foram declaradas ilegais pelo Tribunal Constitucional: os juízes disseram que o Governo não deu razões suficientes para decretar o uso obrigatório de máscara e a divisão de turmas em dois turnos alternados (alguns alunos à 2ª e 3ª feira, outros à 4ª, 5ª e 6ª, tendo de ficar em casa nos outros dias).

A Áustria está no seu terceiro confinamento nacional, mantendo abertas apenas lojas essenciais.


30.10.20

PIB da zona euro aumenta 12,7% no terceiro trimestre

Isabel Aveiro, in Público on-line

Economia recuperou no terceiro trimestre face ao período de Abril a Junho, em que o continente esteve na sua maioria com medidas de confinamento mais ou menos severas. Face ao terceiro trimestre de 2019, as quedas são de 4,3% na zona euro e de 3,9% na União Europeia

O Produto Interno Bruto (PIB) da zona euro subiu 12,7% no terceiro trimestre deste ano, face ao trimestre imediatamente anterior, de acordo com a estimativa rápida do Eurostat, divulgada esta sexta-feira. Na União Europeia a 27 Estado-membros, o crescimento trimestral em cadeia foi de 12,1%.

O gabinete estatístico da União Europeia avança, no comunicado emitido esta manhã, que as tuas subidas trimestrais em cadeia, na zona euro e na UE, “foram, de longe, a maiores observadas desde que a série teve início, em 1995”.

São também uma recuperação das quedas verificadas no PIB do segundo trimestre (de Abril a Junho de 2020), quando a economia sofreu uma contracção de 11,8% na zona euro e de 11,4% na União a 27 Estados.

Ao comparar com o mesmo trimestre, mas de 2019, a evolução permanece, contudo, negativa, de 4,3% para a zonae euro e de 3,9% para o conjunto da União Europeia.

Portugal, já o Instituto Nacional de Estatística (INE) tinha divulgado minutos antes, registou uma recuperação de 13,2% em cadeia no terceiro trimestre, face aos três meses imediatamente anteriores (quando o PIB teve uma queda abrupta de 13,9%). Todavia, face a igual período de 2019, o PIB português registou uma queda de 5,8%.

O desempenho português é pior que a queda homóloga média já referida para a zona euro e para a UE, face ao terceiro trimestre de 2019, mas melhor do que a Espanha (cujo PIB caiu 8,7% face a igual período do ano passado).

Espanha foi, contudo, o segundo país da UE com a maior recuperação trimestral em cadeia, de 16,7% (recuperando parcialmente da queda do PIB de 17,8% no segundo trimestre, em cadeia), só superada pela França, cuja economia cresceu 18,2% entre Julho e Setembro, face aos três meses anteriores (e após uma queda de 13,7% do PIB no segundo trimestre).

A Alemanha, maior economia da zona euro, registou uma subida de 8,2% do PIB no terceiro trimestre, face ao segundo (quando a economia tinha contraído 9,8%). Face a igual trimestre de 2019, o PIB germânico recuou 4,2% entre Julho e Setembro.

29.5.20

Madrid aprova rendimento mínimo vital para cerca de 2,3 milhões de pessoas

in Dinheiro Vivo

Este rendimento mínimo vai começar a ser pago pela Segurança Social espanhola já em junho a cerca de 100 mil agregados familiares.

O Governo espanhol aprovou esta sexta-feira a atribuição de um rendimento mínimo vital, entre 461 e 1 100 euros por mês, que deverá beneficiar 850 mil famílias, um total de cerca de 2,3 milhões de pessoas, que sofrem de pobreza extrema.

Este rendimento mínimo vai começar a ser pago pela Segurança Social espanhola já em junho a cerca de 100 mil agregados familiares e terá um custo anual de cerca de três mil milhões de euros. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, congratulou-se esta manhã, através da rede social Twitter, pela aprovação desta “medida histórica” que, segundo ele, é “um novo pilar” do “Estado Previdência, que fará de Espanha um país mais justo e solidário”.

O chefe do Governo já tinha explicado no passado fim de semana que esta ajuda é semelhante às que já existem noutros países europeus e que irá beneficiar quatro em cada cinco pessoas (80%) em Espanha que sofrem de pobreza extrema. O Ministro da Inclusão, Segurança Social e Migrações, José Luis Escrivá, avançou que poderão beneficiar deste rendimento mínimo, no total, cerca de 850 mil agregados familiares, que incluem 2,3 milhões de pessoas, metade das quais com filhos, e cujo rendimento por unidade de consumo é inferior a 230 euros por mês. A ajuda mensal será concedida tendo em conta o rendimento familiar, calculado com base no seu património líquido, menos a dívida e excluindo a residência habitual, embora tome em conta o valor da habitação.

A aprovação desta medida, estava incluída no programa de Governo minoritário entre o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) e o Unidas Podemos (extrema-esquerda). Várias comunidades autónomas espanholas já têm medidas de apoio deste tipo em vigor que agora são alargadas a nível nacional e multiplicam por três o número de beneficiários.

26.5.20

Medida que o governo espanhol quer aprovar nesta terça-feira prevê ajudar 850 mil famílias e terá um custo de três mil milhões de euros.

in DN

"Vemos Portugal e parece normal a unidade política. Em Espanha o governo é frágil e não procura o consenso"

Com 21,5% da população em risco de pobreza - uma percentagem superior à da zona euro (17%) -, o governo espanhol deverá aprovar esta semana o rendimento mínimo vital, uma medida que prevê ajudar 2,3 milhões de pessoas (850 mil famílias) e que terá um custo de três mil milhões de euros.

Ainda não é totalmente certo que o projeto seja aprovado nesta terça-feira no Conselho de Ministros, mas está decidido, conforme anunciou no sábado o primeiro-ministro Pedro Sánchez, que o rendimento mínimo vital veja a luz do dia esta semana. Ou seja, poderá ser aprovado num Conselho de Ministros extraordinário.

O Executivo tentou implementar esta medida durante toda a legislatura mas, ao contrário do que aconteceu com outras propostas, esta foi acelerada pela pandemia de covid-19.

Porém, esta aceleração não foi pacífica no seio do governo. Em abril, o segundo vice-presidente, Pablo Iglesias, reivindicou um rendimento extraordinário para ajudar as vítimas da crise desencadeada pela pandemia que não tinham outros rendimentos. Mas José Luís Escrivá, ministro da Segurança Social, já tinha um projeto preparado para implementar uma renda extraordinária.

Muitos detalhes da medida já foram conhecidos. Sabe-se que esta ajuda garante às famílias um rendimento mínimo, dependendo da situação da família. Os esboços do documento definem até 14 tipos de família. O valor mais baixo será de 462 euros para adultos que moram sozinhos e o mais alto para 1015. Este rendimento completará o rendimento familiar, não será acrescido, revelou o El País.

Para medir o valor a atribuir a cada beneficiário terá em conta o património, declarações contributivas dos últimos anos e referências mais recentes como o impacto das consequências económicas do covid-19.

Além do rendimento mínimo vital, todas as comunidades autónomas distribuem alguns tipos de rendimentos, mas de forma muito desigual. Segundo dados da Associação de Diretores e Gerentes de Serviços Sociais, no País Basco esses rendimentos chegam a pouco mais de 70% dos pobres, e em Navarra, a dois terços. Em contraste, em Castilla-La Mancha e na Andaluzia, chega apenas a 2%. E a média em Espanha não chega a 10%.
Agora, ambas as ajudas poderão ser compatíveis, mas essa compatibilidade poderá envolver muito trabalho legal.

22.5.20

É no bairro mais rico de Madrid que se protesta contra o governo

César Avó, in DN

A chamada Resistência Democrática teve origem no Bairro de Salamanca, há uma dúzia de dias. O movimento contra a gestão do executivo socialista tem a mensagem do Twitter mais partilhada de sempre.

Começou por se chamar Movimento Bairro de Salamanca 'Nuñez de Balboa' (o nome da rua e do respetivo bairro de Madrid), com protestos diários iniciados no dia 10 e que começaram a juntar centenas de pessoas. Três dias depois passou a chamar-se Resistência Democrática de Espanha, um grupo que se diz apartidário, mas "contra toda a ingerência antiespanhola especialmente a comunista chavista".
Como acontece desde meados de abril, às 21.00, em Madrid como um pouco por todo o país, os espanhóis agradecem aos profissionais de saúde e a todos os que estão na primeira linha no combate à pandemia. Mas naquele domingo, antes da hora do "panelaço", um grupo de dezenas de jovens estava reunido junto a uma casa na rua Nuñez de Balboa, da qual se ouvia música.
Quando a polícia apareceu para dispersar o ajuntamento proibido pelo estado de emergência, alguns moradores começaram aos gritos de "liberdade" e "demissão do governo", em protesto com a ação policial, que identificou os jovens e multou uma dúzia deles.

Assim arrancou um protesto diário que foi ganhando cada vez mais expressão e se articulou nas redes sociais. A Resistência Democrática responsabiliza o executivo de coligação de esquerda de "destruição sanitária, económica e democrática".
No primeiro caso pela forma como a ação do governo contribuiu para que a Espanha seja o país com mais mortos por milhão de habitantes e com mais profissionais de saúde contaminados; no segundo pelo confinamento que, dadas as medidas "sem justificação objetiva do ponto de vista sanitário" e "absurdas e letais" para o setor do turismo, poderão levar o país a sair do euro e até da União Europeia; e por fim vê no "governo frentista" um aproveitamento da "manutenção artificial" do estado de emergência para "impor uma agenda oculta" que vai tentar criar "condições para a perpetuação de um regime de liberdades limitadas com uma orientação coletivista".


E conclui: "Não é difícil prever um Estado democrático falhado ou, na terminologia atual, um Estado neocomunista que oscilará, dependendo da situação económica, entre a Venezuela e a China."
A revolta dos mais ricos

O El País classifica o movimento de "a revolta do 1%". Isto é, do grupo mais rico de madrilenos e de Espanha. Isto porque o epicentro da revolta situa-se numa rua que atravessa o bairro de Salamanca, no qual o rendimento médio dos moradores é o do topo do topo do país. Por graça, escrevem os jornalistas do diário espanhol que é um bairro com tanto dinheiro que até o fabricam. É lá que está sedeada a Casa da Moeda, a Fábrica Nacional de Moneda y Timbre.

O revolucionário Luís Figo dá que falar em Espanha
A dar a cara pelo movimento está María Luisa Fernández., de 54 anos, que se descreve como uma perita em geoestratégia e serviços de informações, ex-militante do Partido Popular (centro-direita) e que já foi contactada pelo Vox (extrema-direita) há uns meses, mas garante não ter ligações a nenhum partido. No entanto, no seu canal do Youtube descreveu o Vox como o "partido mais limpo", e o do "futuro".

Se o seu canal não despertou o interesse de mais do que dezenas de pessoas (exceto o vídeo que foi partilhado pelo El País, no qual Fernández advoga a saída de Espanha da UE) a conta do Twitter do movimento já conta com mais de 13 700 seguidores e uma mensagem publicada nesta rede social foi vista mais de 8,3 milhões de vezes.

María Luisa Fernández, que mora a 30 quilómetros do bairro Salamanca, onde reside a sua mãe, rejeita alegações de que esteja ao serviço de um falso movimento espontâneo coordenado pelo Vox. "Não apareci do nada, sou uma mulher íntegra, de valores", afirma ao El País.
As manifestações receberam o apoio da controversa presidente da Comunidade de Madrid, Isabel Díaz Ayuso. "Esperem até ver as pessoas a sair às ruas. Vai parecer uma piada as [manifestações] de Nuñez Balboa", disse Ayuso, que acusou o governo de Pedro Sánchez de querer impor um "controlo ditatorial".


20.5.20

Pandemia agravou a pobreza e a fome em Espanha

por RTP

Em Espanha, a somar aos mais de 27 mil mortos juntam-se agora as vítimas do desemprego. Só em Madrid, o Banco alimentar e a Igreja falam em mais de 100 mil famílias a passar fome.
Centenas de pessoas, esperam diariamente à porta de refeitórios sociais para conseguir apenas uma refeição quente.

19.5.20

Espanha arranca com rendimento mínimo garantido para 100 mil famílias

in Negócios on-line

O Governo espanhol pretende aprovar o rendimento mínimo garantido no último conselho de ministros deste mês, tendo como objetivo que este programa de apoio arranque com 100 mil famílias.

O apoio, denominado rendimento mínimo vital (IMV, na sigla em espanhol), vai chegar primeiro a 100 mil famílias mais vulneráveis. José Luis Escrivá, ministro da Segurança Social, estima que o apoio pode chegar a 1 milhão de pessoas e vai representar um custo para o estado espanhol entre 3 a 3,5 mil milhões de euros.

O ministro garantiu numa entrevista à RNE que o IMV não vai sofrer mais atrasos e que assim que for aprovado pelo Governo vai ser disponibilizado com "bastante rapidez".

Apesar de prever o arranque do programa com 100 mil famílias, Escrivá adiantou que um número muito maior de espanhóis pode solicitar o acesso ao IMV e começar a receber este apoio.

O IMV será pago através de prestações mensais e será igual para todo o país, embora o seu valor vá variar consoante as características de cada família, sendo que os agregados familiares com filhos e famílias monoparentais terão maiores benefícios.

A criação de um rendimento mínimo garantido faz parte do programa do Governo de esquerda espanhol que terá acelerado a sua implementação devido ao aumento do desemprego e diminuição de rendimento de muitas pessoas devido aos efeitos da pandemia criada pela covid-19.

O Rendimento Básico Incondicional (RBI,como é conhecido internacionalmente), é um instrumento que atribui dinheiro às pessoas que não têm outras fontes de rendimento. Já foi testado em vários países e os resultados não foram os mais favoráveis, embora algumas conclusões tenham sido positivas. Por exemplo na Finlândia concluiu-se que o impacto no emprego foi muito limitado, mas o bem-estar das pessoas aumentou.

11.5.20

Portugal, Espanha e Itália pedem rendimento mínimo europeu

in SicNotícias

Três subscritores do artigo dizem que a União Europeia carece de um quadro comum de rendimento mínimo.

Ministros dos Governos de Portugal, Espanha e Itália defendem a criação de um sistema de rendimento mínimo europeu, apelando à solidariedade como veículo para minimizar a crise provocada pelo novo coronavírus, covid-19.
A proposta, publicada hoje no jornal Público, é defendida num texto conjunto assinado pela ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social de Portugal, Ana Mendes Godinho, pelo vice-presidente do Governo de Espanha, Ministro dos Direitos Sociais e Agenda 2030, Pablo Iglesias, e pela ministra do Trabalho e Políticas Sociais de Itália, Nunzia Catalfo.

"É necessário assegurar que todas as pessoas tenham garantida a satisfação das suas necessidades básicas. Para isso, precisamos de um sistema comum de rendimento mínimo que permita combater a pobreza e a exclusão social numa perspetiva ambiciosa e integrada", referem os governantes no artigo com o título "Rumo a um rendimento mínimo europeu".

Os três subscritores do artigo dizem que a União Europeia carece de um quadro comum de rendimento mínimo, que não esteja limitado a níveis de sobrevivência ou ao rácio de pobreza calculado a partir do rendimento médio europeu, mas que seja antes um quadro juridicamente vinculativo, que permita que todos os Estados membros estabeleçam um rendimento mínimo, adequado e adaptado ao nível e ao modo de vida de cada país.

"Apoiamos a abordagem que tem sido feita desta crise, que assenta no facto de que ninguém fica para trás e que presta particular atenção aos grupos mais vulneráveis. Por isso, apoiamos o estabelecimento de uma iniciativa que permita apoiar a generalização de sistemas de rendimento mínimo dignos e adequados em todos os Estados-membros", defendem.

Os três ministros frisam que a Europa enfrenta atualmente o "maior desafio desde a Segunda Guerra Mundial": combater a pandemia de covid-19, salvando o maior número possível de vidas.

Os impactos sociais e económicos desta crise, escrevem, começam a fazer-se sentir ao nível nacional e europeu, com particular enfoque para o mercado de trabalho, com impactos profundos na vida dos cidadãos.

"Este é o momento para a União Europeia olhar para o futuro e prosseguir o seu programa, tendo em vista a apresentação de um plano de ação para a implementação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais e, assim, lançar um 'escudo social europeu'", afirmam.

Os três ministros destacam os "grupos mais vulneráveis" e a necessidade de medidas "ambiciosas e corajosas" de solidariedade para evitar o risco de pobreza e exclusão social.

"Atualmente, a Europa tem mais de 113 milhões de pessoas em risco de pobreza e exclusão social e 25 milhões de crianças que vivem abaixo do limiar da pobreza. Torna-se necessário adotar medidas urgentes para evitar o aumento desse número e, ao invés, contribuir para a sua redução", afirmam.

Para os governantes que assinam o texto, a situação é ampliada pela pandemia de covid-19 e, por isso, exige soluções globais e integradas, para além de todas as medidas nacionais em curso.

"A Europa deve unir-se em torno da solidariedade. É necessária uma resposta europeia coordenada para evitar uma nova crise económica e social como a que vivemos após a crise de 2008", dizem no texto.

Como enquadramento político e legislativo, o artigo destaca o Pilar Europeu dos Direitos Sociais, aprovado em 2017 pelo Parlamento Europeu, o Conselho e a Comissão Europeia, durante a Cimeira Social que se realizou em Gotemburgo.

No Princípio 14 desse documento, lembram os governantes, refere-se que qualquer pessoa que não disponha de recursos suficientes tem direito a prestações de rendimento mínimo adequadas que lhe garantam um nível de vida digno em todas as fases da vida, bem como a um acesso eficaz a bens e serviços de apoio. Para as pessoas aptas para o trabalho, as prestações de rendimento mínimo devem ser conjugadas com incentivos para (re)integrar o mercado de trabalho.

Os três subscritores, membros dos governos de Lisboa, Madrid e Roma, recordam que "Portugal foi pioneiro a este nível, tendo lançado em 1996 o Rendimento Mínimo Garantido, atualmente designado Rendimento Social de Inserção".

28.4.20

Com menos covid-19 e mais desemprego, Velha Europa começa desconfinamento

Susana Salvador, in DN

À medida que as taxas de infeção vão caindo e aumentam as dificuldades económicas e a pressão das populações para o fim do confinamento, Espanha, França, Itália, Alemanha e Reino Unido dão passos para a nova normalidade.

Com os resultados do confinamento a que grande parte da população foi sujeita nas últimas semanas a começarem a sentir-se nos números divulgados diariamente de infetados e de mortes por novo coronavírus, ao mesmo tempo que os números da economia vão acentuando a ideia de crise, os governos começam a planear a seguinte fase: o desconfinamento. Mas se mandar toda a gente para casa foi fácil, permitir que saiam revela-se um processo muito mais complicado.

Na Velha Europa, Espanha e França apresentam nesta terça-feira as suas estratégias. Itália já o fez neste domingo, enquanto a Alemanha já começou na semana passada a tomar algumas medidas de abertura. O Reino Unido, que demorou mais tempo a optar pelo confinamento, está também mais atrasado.

De volta ao trabalho depois de ele próprio ter sido infetado, o primeiro-ministro Boris Johnson pede paciência e avisa que ainda é cedo para começar a levantar as restrições, admitindo sempre ter consciência do impacto que tal decisão tem para a economia.

Todos os planos vêm sempre acompanhados de alertas para eventuais segundas vagas de covid-19, que poderiam levar a novo confinamento. E uma das coisas que têm em comum é o facto de preverem todos o uso obrigatório de máscaras, nem que seja nos espaços públicos fechados e nos transportes.

A Organização Mundial de Saúde alertou para o risco de um desconfinamento precipitado poder ter um "impacto maior" a nível económico. "Os governos têm que pôr na balança as vidas e a economia. Mas sem dar passos demasiado rápidos, arriscam-se a sofrer um impacto maior na economia", disse o diretor executivo Mike Ryan.

Espanha

É o segundo país do mundo com mais casos de covid-19 confirmados, depois dos EUA, tendo o primeiro caso positivo sido detetado a 31 de janeiro. No balanço divulgado já esta terça-feira voltou a registar-se uma quebra no número de mortos - mais 301 em 24 horas, para um total de 23 822 desde o início da epidemia. Foram ainda registados mais 1308 casos, num total de 210 773. Destes, 102 548 estão curados. Na prática, isso significa pouco mais de 85 mil casos ativos. A taxa de infeção (R) é atualmente de 1.

O momento mais visível do início do desconfinamento foi a saída à rua, este domingo e pela primeira vez desde que foi decretado o estado de alarme a 14 de março, das crianças com menos de 14 anos. Segundo as regras, estas podem agora sair uma vez por dia, entre as 9.00 e as 21.00, mas num raio de um quilómetro das suas casas e sempre acompanhadas por um adulto.

MUNDO
Espanha. Um mês e meio depois, as crianças voltaram à rua (veja as fotos)
O desconfinamento começará contudo apenas a partir de 2 de maio, devendo ser aprovado esta terça-feira pelo governo espanhol. Uma coisa é certa, a aplicação não será igual em todo o território espanhol e, ao contrário do que queriam as diferentes comunidades autónomas, será coordenado pelo executivo.

Há comunidades autónomas que já têm os seus planos próprios, mas tudo vai depender do que o governo disser esta terça-feira, depois do conselho de ministros. O plano, disse Sánchez no fim de semana, está a ser preparado há três semanas, sendo que os líderes autonómicos foram ouvidos esta segunda, para darem as suas sugestões.

A ideia é a partir deste 2 de maio ser possível sair à rua para fazer desporto, sozinho ou com as pessoas com quem vive. Até agora, os adultos só podiam sair para ir trabalhar (se não o pudessem fazer através de teletrabalho), comprar comida, ir à farmácia ou ao médico, passear o cão ou ajudar familiares com necessidades.

Mas o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, reitera que é preciso ir com calma, aplicando medidas de prevenção e dando atenção especial à higiene. "Convém não subestimar o inimigo", referiu. O estado de alarme declarado a 14 de março, tendo a 28 de março sido proibidas todas as atividades não essenciais no país (que só levantou a 13 de abril). O estado de alarme já foi prorrogado em três ocasiões e tudo indica que será uma quarta vez, até 24 de maio.


ESPANHA
"Como é possível Portugal ter 700 mortos e nós mais de 20.000"? A pergunta da oposição a Pedro Sánchez
A nível económico, as previsões mais otimistas são para uma queda de 7% do PIB este ano, mas as mais pessimistas apontam para uma queda de 12,5%. Em Espanha, cerca de quatro milhões de trabalhadores em lay-off e mais de um milhão de trabalhadores por conta própria pediram ajuda por terem sido obrigados a suspender a atividade. A 20 de abril, havia ainda registo de 3,7 milhões de desempregados.

França

As autoridades francesas anunciaram mais 437 mortes por covid-19 esta segunda-feira, elevando para 23 293 o número de mortes desde o início da pandemia no país. Há 128 339 casos, dos quais 28 055 hospitalizados (menos 162 que na véspera).

O primeiro-ministro francês, Édouard Philippe, vai apresentar esta terça-feira às 15.00 (14.00 em Lisboa) o plano de desconfinamento, que deverá começar a ser implementando a partir de 11 de maio. Os franceses estão confinados desde 17 de março e, segundo uma sondagem da semana passada, já só 43% apoiam as medidas de confinamento -- menos oito pontos percentuais que na semana anterior.

A ideia é que o plano, apresentado por Philippe aos deputados, seja discutido e votado de seguida, apesar das queixas da oposição, por ter pouco tempo para o estudar. "Vou apresentar a estratégia nacional de desconfinamento esta terça-feira à tarde, na Assembleia Nacional, em volta de seis temas: a saúde (máscaras, testes, isolamento...), escola, trabalho, comércio, transportes e reuniões de pessoas", escreveu o primeiro-ministro no Twitter.

O plano será nacional, com o Palácio do Eliseu a ter rejeitado a ideia de um desconfinamento por região. Para proteção, o uso de máscaras será obrigatório, sendo que desde esta segunda-feira que as farmácias podem voltar a vendê-las (tinham sido todas confiscadas no início de março e estavam indisponíveis). A ideia é haver 26 milhões de máscaras disponíveis para o público em geral todas as semanas.

O objetivo do governo é que as crianças possam regressar progressivamente às creches e às escolas a partir de 11 de maio, indo contra o defendido pelo conselho científico, que queria um regresso apenas em setembro. Os pais que não queiram que os filhos voltem à escola estão obrigados a seguir com o ensino à distância, mas a medida enfrenta também a oposição de alguns professores.

Crianças transmitem o vírus? Novo estudo sobre caso em França levanta dúvidas
A nível do regresso ao trabalho e da abertura dos comércios, ainda não são conhecidos pormenores. A abertura progressiva da economia permitirá começar a lidar com a crise que o coronavírus trouxe. O governo prevê que o PIB caia 8% este ano.

França registou, esta segunda-feira, um aumento histórico no número de desempregados da categoria A (a maioritária, que inclui aqueles que são obrigados a uma procura ativa de emprego) em março: foram mais 246 100, isto é, 7,1%, para um total de 3,7 milhões de pessoas sem emprego nesta categoria no país. No total, nas categorias A a C (que inclui aqueles que fizeram trabalho temporário no último mês) o número dos sem emprego ascende a 5,7 milhões.

Itália

É o país europeu com maior número de mortos, ficando a nível global apenas atrás dos EUA. A Itália registou na segunda-feira mais 333 mortes, elevando para 26 977 o total desde o início da pandemia. Há ainda a registar mais 1739 casos, para os 199 414. Há ainda 66 624 recuperados. Os casos ativos são assim cerca de 105 mil.

As restrições impostas em Itália a 9 de março vão começar a ser levantadas a 4 de maio, mas o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, já avisou que todos vão ter que usar máscaras em locais públicos e continuar com as medidas de distanciamento social. A Itália vai entrar numa era de "responsabilidade e coexistência com o vírus", disse o chefe de governo numa declaração à nação, no domingo.

Nessa mesma intervenção, Conte anunciou o cronograma de retoma da atividade económica. Já esta segunda-feira, as empresas consideradas "estratégicas", nomeadamente aquelas com atividades produtivas e industriais mais orientadas para a exportação (indústria automóvel e moda) puderam reabrir. Empresas de construção e fábricas podem retomar quando tiverem garantidas as condições de segurança para funcionários.

A 4 de maio, haverá a abertura de mais algumas atividades, podendo ser possível passeios nos parques (que vão reabrir) e visitar familiares (mantendo sempre as distâncias de segurança). As reuniões sociais continuam proibidas.

A celebração de funerais será retomada, mesmo que com apenas a presença de 15 pessoas (de preferência ao ar livre e sempre com máscara). A Igreja Católica já lamentou que no cronograma não haja referência ao retomar das cerimónias religiosas, com Conte a ouvir as críticas e a convocar os bispos para consultas.

A 18 de maio, a ideia é reabrir os comércios, museus, estabelecimentos culturais e bibliotecas, estando a reabertura completa de bares e restaurantes prevista para 1 de junho, quando também devem reabrir salões de beleza. As medidas de segurança têm sempre que ser respeitadas.

No desporto, os atletas de desportos individuais podem voltar aos treinos a 4 de maio, mas os de desportos coletivos só o podem fazer duas semanas depois, no dia 18. O que não agradou às equipas de futebol. As competições de futebol devem regressar em junho.

A reabertura das escolas será só em setembro.

A pandemia e as medidas de confinamento paralisaram a economia italiana. Segundo previsões do governo, o país deve entrar em recessão este ano, com uma queda de 8% do PIB. O défice público subirá para os 10,4% do PIB, contra os 2,2% que eram esperados antes do coronavírus, e a dívida pública deve saltar para 155,7% do PIB.

Alemanha

Regresso às aulas na Baviera.

Graças a uma estratégia de testagem alargada, a Alemanha conseguiu responder à pandemia, sem que o seu sistema de saúde ficasse sobrecarregado (ajudou até os países vizinhos), e mantendo os números de mortos controlados.

Esta segunda-feira, a Alemanha confirmou mais 1018 casos de covid-19, num total de 155 193 desde o início da pandemia, e o número de mortos subiu 110 para os 5750. A taxa de infeção caiu há duas semanas abaixo de 1, com o ministro da Saúde, Jens Spahn, a dizer que a pandemia estava controlada.

Mas esse controlo faz com que comecem a surgir críticas, pedindo um rápido levantar do confinamento para começar o mais rapidamente a travar a crise económica.

As restrições começaram a ser levantadas na semana passada, com a abertura dos comércios de até 800 metros quadrados, sendo que cada estado tem liberdade para implementar o calendário que quiser. E os especialistas temem que possa haver uma interpretação criativa das regras, levando a um novo pico.

O uso de máscaras é agora obrigatório nos transportes públicos e, nalguns estados, dentro das lojas, sendo que elas podem ser adquiridas em máquinas de venda automática.

A maior parte das crianças ainda vão continuar em casa, mas há alunos já de volta às aulas, sendo que os que se preparam para os exames vão voltar até dia 4. Nas escolas, as máscaras devem ser usadas nos corredores e durante os intervalos -- nas aulas as carteiras estão a uma distância de segurança umas das outras e é mais fácil a limpeza com desinfetante.

Livrarias, stands de automóveis e lojas de bicicletas também reabriram na semana passada. Os negócios que tinham sido fechados por não serem considerados essenciais, como por exemplo cabeleireiros, vão reabrir também a partir de dia 4.

Grandes eventos e ajuntamentos de pessoas continuam a ser proibidos, pelo menos até 31 de agosto. Restaurantes, cinemas e lojas de grandes dimensões também vão continuar para já fechadas.

Apesar de os alemães concordarem com as medidas de confinamento, e da chanceler Angela Merkel gozar de uma elevada aprovação na forma como lidou com a pandemia, começam a ouvir-se vozes de descontentamento, tanto da extrema-direita como da extrema-esquerda. Este fim de semana houve um protesto em Berlim a pedir "liberdade" e o fim do confinamento.

ALEMANHA
Merkel quer sair em 2021. Vai a pandemia mudar isso?
E os políticos também não poupam críticas. "Quando oiço que proteger vidas deve ser mais importante do que tudo o resto, não acho que seja totalmente verdade" disse o ex-ministro das Finanças e atual presidente do Parlamento alemão, Wolfgang Schäuble, numa entrevista ao Der Tagesspiegel. "Os efeitos enormes económicos, sociais, psicológicos e outros precisam de ser pesados", acrescentou.

O gigante europeu não está imune em termos económicos à pandemia, com as previsões a apontarem para uma contração da economia em 7% em 2020, com o país já tecnicamente em recessão.

No início de abril, havia registo de quase meio milhão de empresas a pedir o apoio do estado, estimando-se que quase nove milhões de trabalhadores estivessem em lay-off. Há especialistas que acreditam que o desemprego, em queda há anos na Alemanha, pode subir para os 6% (era de pouco mais de 3% em fevereiro).

Reino Unido

O país que começou por apostar na ideia de imunidade de grupo até perceber que esta podia implicar 250 mil mortes, não quer para já falar de desconfinamento. Mas aumenta a pressão sobre o governo britânico para apresentar os planos para uma reabertura da economia.

Esta segunda-feira, o Reino Unido anunciou mais 360 mortes por coronavírus nos hospitais, elevando para 21 092 o número total de óbitos desde o início da pandemia. Dados que não incluem, por exemplo, os "milhares de mortos" nos lares de idosos, segundo os trabalhadores da área.

No regresso ao trabalho após ter estado ele próprio infetado (e hospitalizado, com uma passagem pelos cuidados intensivos), Boris Johnson pediu aos britânicos para "conterem a impaciência". O confinamento começou a 23 de março no país.

Admitindo os problemas que o confinamento prolongado representa para a economia, o primeiro-ministro avisou contudo que é preciso "reconhecer o risco de um segundo pico, o risco de perder o controlo do vírus", porque isso "seria não apenas uma segunda vaga de morte e doença, mas um desastre económico".

REINO UNIDO
Boris: da "imunidade de grupo" ao medo do segundo pico
Só em duas semanas no final de março, perto de um milhão de pessoas concorreram a benefícios estatais para lidar com a perda de rendimentos, sendo que o governo implementou também um programa de ajuda às empresas que podem aplicar o lay-off.

As previsões são para uma queda do PIB de 6,8%, se as restrições à economia começarem a ser levantadas já em maio. Se estas continuarem até junho, a situação será ainda pior.

Johnson não se quer comprometer com uma data para o levantamento das medidas de restrição, mas agora que está de volta a Downing Street deverá começar a pensar no plano que poderá aplicar assim que a pandemia estiver mais contida.

O novo líder da oposição, Keir Starmer, quer contudo que o governo comece um diálogo para começar a desenhar o plano de saída do confinamento. O líder do Labour lembrou que o governo foi lento a entrar no confinamento, tem sido lento a fazer mais testes e lento a garantir a proteção necessária ao pessoal médico que está na linha da frente e que tem a oportunidade de corrigir a situação na hora de levantar as restrições.

Na semana passada, os governos autónomos da Escócia e País de Gales publicaram documentos com os princípios que vão guiar o desconfinamento nas regiões e esta segunda-feira a primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, disse que revelar as diferentes opções existentes "nos próximos dias".