18.11.10

Desemprego a descer 5% em Felgueiras

José Vinha, in Jornal de Notícias

Joaquim Carvalho e Luís Alberto Sá, empresários do sector do calçado, em Felgueiras, sorriem ao saberem que, ao contrário do país e do distrito do Porto, o desemprego baixou naquele concelho, onde até faltam subcontratados. Explicam o fenómeno com a aposta em marcas próprias no calçado e em mercados internacionais.

A fórmula não é mágica e nos negócios não há fórmulas mágicas, adverte Joaquim Carvalho, sócio-gerente da "Calafe", uma fábrica de calçado com 130 operários, em Pombeiro (Felgueiras). O empresário olha para os números: Felgueiras é o único concelho onde a taxa de desemprego diminuiu para 5,2% no período de um ano, face a Setembro de 2009.

Há dez anos que as principais indústrias de calçado souberam prever a crise, garante. "Criámos as nossas próprias marcas e mantivemos as linhas brancas", frisa. Além disso, os empresários do calçado "investiram muito nos mercados internacionais". A "Eject" e a "Prophecy" são duas marcas de calçado concebidas no ateliê da fábrica gerida por Joaquim Carvalho, que exporta mais de 90%. "A nossa empresa dinamiza os seus próprios modelos e coloca-os em 32 mercados de todo o Mundo", explica.

Assim, a empresa gerida por Joaquim Carvalho registou, em dez anos, um aumento de 5% de empregabilidade e ainda tem capacidade para absorver mão-de--obra. "No nosso sector, para quem quiser trabalhar, não há desemprego", assegura.

Luís Alberto Sá, director-geral da "Jóia, Calçado SA" em Penacova, Felgueiras, trabalha numa PME líder, com 142 operários. A empresa tem um departamento de modelação e além de desenvolver a sua própria linha branca criou a Y.E.S., considerada uma das promissoras marcas de calçado. Os mercados russo e escandinavo são mercados emergentes, a par dos mercados sólidos de França e Alemanha.

"A crise não nos demove", afirma o gestor. Além de não notar desemprego no sector, o empresário diz que faltam subcontratados ao nível de corte e costura no calçado. "Há empresas que precisam de mandar fazer fora determinados serviços, mas notámos que faltam soluções porque a procura é superior à oferta", frisa, rematando: "Não queremos definir o futuro, mas fazer parte dele no sector do calçado".