Por Luís Villalobos, in Jornal Público
O volume de negócios consolidado das empresas ligadas à indústria transformadora caiu 15 por cento para os 69,4 mil milhões de euros em 2009, ano em que houve uma forte retracção das exportações.
A este indicador, segundo os dados provisórios do Instituto Nacional de Estatística (INE) relativos às sociedades não financeiras, junta-se o que terá sido o resultado da quebra de receitas: o número de pessoas empregadas por estas empresas desceu 7,2 por cento, face a 2008, para 665.207 trabalhadores, perdendo-se assim 51.653 postos de trabalho (a maior perda absoluta entre todos os sectores em análise), e o número de sociedades decresceu 2,8 por cento para 40.335.
O comércio foi outro sector atingido em 2009, ano em que se assistiu ao encerramento de 1645 lojas, a maior redução do número de sociedades verificada entre as várias áreas de negócio analisadas.
Também a construção sofreu impactos negativos, evidenciando o maior decréscimo percentual, quer no número de sociedades (menos 3,3 por cento, existindo 47.450 empresas), quer no número de pessoas ao serviço (menos 7,4 por cento, quedando-se nos 389 mil trabalhadores). No entanto, a descida das receitas, em termos percentuais, foi menor do que em outras actividades. Em 2009, o volume de negócios foi de 33 mil milhões de euros, uma redução de 2,5 por cento face a 2008.
Apesar de se ter registado uma "forte diminuição da actividade económica", como sublinha o INE, houve sectores em crescimento, como a Educação e a Saúde. Este último foi mesmo o que mais cresceu, com um aumento de 11,4 por cento no volume de negócios, chegando aos 9,2 mil milhões de euros.
No entanto, a subida deu-se "essencialmente pela continuação da entrada de novas sociedades no sector empresarial" e que, até agora, estavam ligadas à administração pública. Ou seja, houve uma transferência, e não um crescimento real.
A nível global, diz o INE, verificou-se no ano passado um decréscimo de 0,5 por cento no número total de sociedades não financeiras em Portugal (no final de 2009 estavam contabilizadas 348.994 empresas).
No que diz respeito ao número de postos de trabalho houve uma queda de 3,9 por cento face a 2008 (registando-se 2.889.112 empregados) e o volume de negócios de todas as empresas não financeiras sofreu uma redução de 8,2 por cento (fixando-se nos 319,8 mil milhões de euros). As mais atingidas foram as empresas de média dimensão, que empregam entre 50 a 250 pessoas.


