18.11.10

Já são mais de 600 mil sem trabalho

Ana Paula Lima, in Jornal de Notícias

Governo mantém inalterada taxa prevista para 2010. Há mais 61,7 mil desempregados do que há um ano


O desemprego já atinge 609400 pessoas em Portugal e ultrapassou a taxa prevista pelo Governo para este ano, situando-se no terceiro trimestre nos 10,9%. Mesmo assim, o Executivo acredita ser possível que o desemprego se fique pelos 10,6%.

A ministra do Trabalho, Helena André, garantiu, ontem, depois de conhecidos os números do desemprego do Instituto Nacional de Estatística (INE) que "neste momento não" é necessário rever a taxa para 2010. O crescimento de 11% no número de desempregados, face ao terceiro trimestre de 2009, confirma-se numa altura em que a economia nacional cresceu 0,4% e a explicação para esta subida do desemprego está na conjugação de vários fenómenos. Por um lado, as empresas continuam num processo de "optimização permanente de meios, processos e tecnologias", procurando fazer mais e melhor com menos pessoas, refere o economista Luís Bento, salientando que o "que é dramático é este processo coincidir neste momento com a profunda crise económica e financeira que, ela própria, está a gerar ainda mais desemprego".

Nos meses de Julho, Agosto e Setembro as mulheres voltaram a ser as mais afectadas pelo desemprego, com uma taxa de 12,4%, assim como os jovens com menos de 25 anos, com uma taxa de 23,4%. Uma realidade "preocupante", na visão de Luís Bento, porque "muitos destes desempregados irão permanecer nessa situação durante mais de dois anos e meio".

O desemprego aumentou em todas as regiões do país, mas as regiões do Norte e Algarve continuam a registar as maiores subidas, tanto na comparação com o terceiro trimestre de 2009 como em relação ao segundo trimestre deste ano. Luís Bento acredita que o desemprego se vai agravar nestas regiões "onde predominam empresas de mão-de-obra intensiva e mais sujeitas à sazonalidade". O economista entende que, em 2011, a taxa de desemprego chegue aos 11%, ao contrário da previsão de 10,8% do Governo.