Ana Paula Lima, in Jornal de Notícias
Governo mantém inalterada taxa prevista para 2010. Há mais 61,7 mil desempregados do que há um ano
O desemprego já atinge 609400 pessoas em Portugal e ultrapassou a taxa prevista pelo Governo para este ano, situando-se no terceiro trimestre nos 10,9%. Mesmo assim, o Executivo acredita ser possível que o desemprego se fique pelos 10,6%.
A ministra do Trabalho, Helena André, garantiu, ontem, depois de conhecidos os números do desemprego do Instituto Nacional de Estatística (INE) que "neste momento não" é necessário rever a taxa para 2010. O crescimento de 11% no número de desempregados, face ao terceiro trimestre de 2009, confirma-se numa altura em que a economia nacional cresceu 0,4% e a explicação para esta subida do desemprego está na conjugação de vários fenómenos. Por um lado, as empresas continuam num processo de "optimização permanente de meios, processos e tecnologias", procurando fazer mais e melhor com menos pessoas, refere o economista Luís Bento, salientando que o "que é dramático é este processo coincidir neste momento com a profunda crise económica e financeira que, ela própria, está a gerar ainda mais desemprego".
Nos meses de Julho, Agosto e Setembro as mulheres voltaram a ser as mais afectadas pelo desemprego, com uma taxa de 12,4%, assim como os jovens com menos de 25 anos, com uma taxa de 23,4%. Uma realidade "preocupante", na visão de Luís Bento, porque "muitos destes desempregados irão permanecer nessa situação durante mais de dois anos e meio".
O desemprego aumentou em todas as regiões do país, mas as regiões do Norte e Algarve continuam a registar as maiores subidas, tanto na comparação com o terceiro trimestre de 2009 como em relação ao segundo trimestre deste ano. Luís Bento acredita que o desemprego se vai agravar nestas regiões "onde predominam empresas de mão-de-obra intensiva e mais sujeitas à sazonalidade". O economista entende que, em 2011, a taxa de desemprego chegue aos 11%, ao contrário da previsão de 10,8% do Governo.


