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12.2.21

Escolas TEIP determinantes para redução histórica do abandono precoce do ensino

Samuel Silva, in Público on-line

Taxa apurada pelo INE foi de 8,9%, abaixo da meta europeia com que Portugal se tinha comprometido (10%). Programas dos Territórios Educativos de Intervenção Prioritária foram a principal razão.

A taxa de abandono escolar precoce atingiu, no ano passado, o valor mais baixo de sempre: 8,9%. O indicador, publicado esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), confirma uma evolução positiva desde há quase três décadas, e que se tornou mais evidente nos últimos dez anos. Pela primeira vez, Portugal está abaixo da média europeia. O programa de apoios às escolas de territórios mais desfavorecidos foi determinante para esta evolução.

Carlinda Leite, do Centro de Investigação e Intervenção Educativa, da Universidade do Porto, não têm dúvidas de que o programa Territórios Educativos de Intervenção Prioritária (TEIP) foi “a principal razão” para a descida acentuada do abandono escolar precoce. A iniciativa destina-se a escolas situadas em territórios fragilizados do ponto de vista socioeconómico e que apresentam maus resultados escolares e altos níveis de abandono, tendo vindo a corrigir esses números nos últimos anos.


O mérito do programa foi “ter sido muito bem estruturado”, avalia Carlinda Leite: “Estas escolas tiveram que se comprometer com objectivos concretos, tanto ao nível do abandono como dos restantes indicadores. E também tiveram que monitorizar a sua evolução, o que implicou um compromisso grande com os resultados”.

Esta forma de funcionamento dos TEIP “obriga as escolas a fazer um plano de melhoria, o que tem sido um estímulo muito importante”, confirma Salvador Ferreira, director do agrupamento de escolas João Araújo Correia, na Régua, que há cerca de uma década integra este programa. A escola tinha um problema de abandono escolar “grave”, que se manifestava logo a partir do 1.º ciclo do ensino básico, recorda o director. Hoje, o fenómeno está prestes a tornar-se “residual”.

Entre as medidas que podem ser aplicadas nas escolas de intervenção prioritária, Salvador Ferreira destaca o aumento de créditos horários. Por cada turma numa escola TEIP há um acréscimo de três horas lectivas, que permite receber mais professores. Estes docentes podem ser dirigidos para prestar apoio aos alunos em situação de riscos ou a turmas em situação mais vulnerável.

Lançado nos anos 1990

O programa TEIP foi lançado em meados dos anos 1990, no primeiro Governo de António Guterres, e retomado pela ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues, em 2006. Actualmente, engloba 137 escolas e agrupamentos.

Na nota enviada à imprensa, a propósito dos números divulgados pelo INE, o Ministério da Educação também inclui o TEIP como um dos exemplos de iniciativas “que se têm traduzido em resultados positivos no combate ao abandono”. A tutela elenca ainda o Programa Nacional de Promoção do Sucesso Escolar, o Apoio Tutorial Específico, a aposta no Ensino Profissional e na Educação Inclusiva e a Autonomia e Flexibilidade Curricular.

Não foram só as escolas TEIP a atacar o problema do abandono nos últimos anos. Por exemplo, o agrupamento de escolas de Alcanena, que em 2017 tinha uma taxa de abandono dos cursos profissionais, ao nível do ensino secundário, de 24%, baixou para 7%. A escola implementou um mecanismo de detecção precoce de casos de risco, que tem em conta dados sobre assiduidade, comportamento e resultados escolares, conta a directora Ana Cláudia Cohen.

“Também houve um grande trabalho de envolvimento da comunidade”, prossegue. Por exemplo, foi preciso sensibilizar o tecido empresarial para deixasse de aceitar alunos que não tivessem concluído a escolaridade obrigatória. Um dos principais problemas encontrados em Alcanena era o apelo do mercado de trabalho, que levava muitos alunos a procurar emprego antes de concluir a escolaridade obrigatória.

O abandono escolar precoce é um indicador estatístico do Eurostat, que é usado por todos os países europeus para medir a percentagem de jovens entre os 18 anos e os 24 anos, que chegam ao mercado de trabalho sem o ensino secundário completo e que não estão a frequentar um programa de formação.

Portugal tem vindo a registar uma evolução favorável neste indicador. Quando, em 1992, começou a ser calculado, o país tinha uma taxa de abandono de 50%. Até 2004, os números nunca baixaram dos 40%. Desde então, a melhoria tem sido evidente, tendo essa percentagem baixado, na última década, praticamente 20 pontos.

O resultado apurado pelo INE no relatório do emprego relativo ao quarto trimestre do ano passado significa que Portugal ultrapassou a meta europeia com que se tinha comprometido, que era baixar este indicador para 10%. Este indicador tem sofrido uma estagnação a nível europeu e Portugal terá pela primeira vez um valor de abandono escolar precoce mais baixo do que a média da União Europeia – que é de 10,2%.

“Os resultados mostram uma evolução constante, firme e extraordinariamente notável do país”, valoriza o Ministério da Educação. A tutela considera estes resultados “ainda mais marcantes”, tendo em conta que coincidiram com um período de “aumento muito considerável do emprego jovem nos últimos anos”.
Único indicador que país cumpre

Portugal cumpre assim a meta do programa Europa 2020, ficando abaixo dos 10% de abandono. O abandono é, de resto, o único dos indicadores europeus de emprego e qualificação que Portugal cumpriu no ano passado, segundo o INE. A taxa de emprego dos 20 aos 64 anos foi de 74,7%, abaixo da meta de 75%. Já a taxa de escolaridade do ensino superior ficou nos 39,6%, a 0,4 pontos percentuais do compromisso europeu.

Os números divulgados esta quarta-feira pelo INE mostram também que o fenómeno do abandono escolar precoce atinge mais fortemente os rapazes. Entre as raparigas, a taxa é de 5,1%. O indicador mais do que duplica quando se analisam os indivíduos do sexo masculino: 12,6% dos jovens chegaram ao mercado de trabalho antes de terem concluído a escolaridade obrigatória.

Carlinda Pereira entende que há vários factores que tornam mais comum a entrada precoce dos rapazes no mercado de trabalho, mas salienta um aspecto que considera “essencial”: o corpo docente é eminentemente feminino. Muitos dos jovens em risco de abandono são de famílias pouco escolarizadas ou que atribuem menor importância social à escola, faltando-lhes um “modelo”, que os estimule a continuar a estudar. As raparigas acabam por ter mais facilidade em “encontrar esse modelo na professora”, mais do que os rapazes.

10.2.21

Abandono escolar precoce atingiu mínimo histórico no ano passado

Samuel Silva, in Público on-line

Taxa apurada pelo Instituto Nacional de Estatísticas foi de 8,9%, abaixo da meta europeia com que Portugal se tinha comprometido (10%). Indicador mede a percentagem de jovens com mais de 18 anos que chegam ao mercado de trabalho sem o ensino secundário completo e que não estão a frequentar um programa de formação.

A taxa de abandono escolar precoce, no ano passado, foi de 8,9%, o que significa um mínimo histórico. Numa década, o fenómeno recuou 14 pontos percentuais, avança Instituto Nacional de Estatística (INE) no relatório do emprego relativo ao quarto trimestre do ano passado. Isto significa que Portugal ultrapassou a meta europeia com que se tinha comprometido, que era baixar este indicador para 10%.

Segundo o INE, Portugal registou, em 2020, uma taxa de abandono escolar de 8,9%, que foi ainda mais baixa no Continente (8,4%). “Os resultados mostram uma evolução constante, firme e extraordinariamente notável do país”, valoriza o Ministério da Educação, numa nota enviada à imprensa nesta quarta-feira.

Portugal cumpre assim a meta do programa Europa 2020, ficando abaixo dos 10% de abandono. No ano passado, Portugal já se tinha aproximado do compromisso europeu – tinha registado uma taxa de abandono escolar precoce de 10,6%, menos 1,2 pontos percentuais do que no ano anterior. Este indicador tem sofrido uma estagnação a nível europeu e Portugal terá pela primeira vez um valor de abandono escolar precoce mais baixo do que a média da União Europeia.

O abandono é, de resto, o único dos indicadores europeus de emprego e qualificação que Portugal cumpriu no ano passado, segundo o INE. A taxa de emprego dos 20 aos 64 anos foi de 74,7%, abaixo da meta de 75%. Já a taxa de escolaridade do ensino superior ficou nos 39,6%, a 0,4 pontos percentuais do compromisso europeu.

O abandono escolar precoce é um indicador estatístico do Eurostat, que é usado por todos os países europeus para medir a percentagem de jovens com mais de 18 anos que chegam ao mercado de trabalho sem o ensino secundário completo e que não estão a frequentar um programa de formação.

O indicador tem vindo a ter uma evolução favorável. Em 2011, a taxa era de 23%. “Há duas décadas, quando começou a ser apurado este indicador, segundo uma metodologia comum à escala europeia, Portugal registava valores próximos dos 50% de abandono escolar precoce e que ultrapassavam em cerca de 30% o valor da média europeia”, recorda também o Ministério da Educação

A tutela considera estes resultados “ainda mais marcantes”, tendo em conta que coincidiram com um período de “aumento muito considerável do emprego jovem nos últimos anos”.

“O Ministério da Educação saúda as comunidades educativas por mais este sucesso do sistema de educação e formação, destacando a necessidade de prossecução deste caminho, nomeadamente, através do aprofundamento de várias iniciativas que se têm traduzido em resultados positivos no combate ao abandono. São disso exemplos o programa TEIP (Territórios Educativos de Intervenção Prioritária), o Programa Nacional de Promoção do Sucesso Escolar, o Apoio Tutorial Específico, a aposta no Ensino Profissional e na Educação Inclusiva, e a Autonomia e Flexibilidade Curricular, entre outras”, acrescenta o comunicado do ministério de Tiago Brandão Rodrigues. para rematar: “O desafio de redução do abandono escolar precoce continua e agrava-se em tempos de pandemia. Por isso mesmo, em período de confinamento, determinou-se que são recebidos presencialmente as crianças e jovens em risco, através do reforço da comunicação entre escolas e Comissões de Protecção de Crianças e Jovens.”

29.7.20

Tribunal de Contas diz que não se conhecem “reais números” do abandono escolar

Samuel Silva, in Público on-line

Metodologia das estatísticas é decidida a nível europeu, mas auditoria põe em causa a sua fiabilidade. Também o controlo de frequência da escolaridade obrigatória é questionado. Ministério da Educação está a implementar soluções.

O Tribunal de Contas (TdC) considera que não são conhecidos “os reais números do abandono” escolar em Portugal, apesar de o país ter melhorado nas estatísticas oficiais e estar perto de cumprir a meta internacional neste domínio. Num relatório de auditoria que é publicado esta terça-feira, é questionada a fiabilidade do indicador que tem vindo a ser usado e também os mecanismos de que dispõe o Ministério da Educação para controlar a frequência da escolaridade obrigatória.

Segundo a auditoria – que incidiu nos anos lectivos 2017/18 e 2018/19 – “não existem” no sistema educativo nacional indicadores apropriados para medir o fenómeno. O tribunal presidido por Vítor Caldeira entende que isso põe em causa “a implementação eficiente das medidas preventivas e de recuperação dos alunos”.

O indicador comummente usado (Taxa de Abandono Precoce de Educação e Formação) para avaliar o fenómeno é apurado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) a partir do Inquérito ao Emprego e tem em consideração os jovens dos 18 aos 24 anos. O TdC aponta como limitação o facto de este não “integrar os jovens dos 6 aos 18 anos, nem esclarecer o nível de ensino em que ocorreu o abandono”.

A utilização desta taxa para medir o abandono escolar está uniformizada a nível europeu, seguindo as recomendações do Eurostat, há mais de duas décadas. Isso mesmo é sublinhado pela Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência no contraditório ao relatório, em que salienta que “no curto prazo, será difícil implementar outra alternativa”.
"Controlo de matrículas"

No mesmo documento, o TdC considera ainda que “o controlo de matrículas e de frequência na escolaridade obrigatória não é suficientemente robusto para identificar todas as situações de abandono”. O tribunal põe sobretudo em causa que as matrículas, nos casos de mudança de ciclo ou transferência de escola, não sejam automáticas, o que “pode fragilizar o controlo do dever de frequência”.

Além disso, no início da escolaridade obrigatória, o controlo do cumprimento do dever de matrícula “é deficiente, existindo o risco de haver crianças e alunos em idade escolar que nunca tenham ingressado no sistema de ensino”. O relatório refere, a título de exemplo, uma notícia do PÚBLICO do ano passado sobre duas gémeas, então com dez anos, da Amadora, que nunca tinham ido à escola e que as autoridades foram incapazes de localizar, apesar de a sua situação ter sido sinalizada pela Comissão de Protecção de Crianças e Jovens.

No contraditório apresentado pelo Ministério da Educação é sublinhado que para responder a estas limitações as inscrições para o próximo ano lectivo passaram a ser feitas integralmente no Portal das Matrículas, centralizando os processos. Essa alteração “é susceptível de contribuir para a melhoria do controlo da escolaridade obrigatória, bem como para a monitorização das situações de abandono na transição de anos lectivos”, reconhece o tribunal.

A redução do abandono escolar tem tido “uma evolução muito positiva”, avalia o TdC, passando de 50%, em 1992, para 10,6%, em 2019 – pelo meio houve alterações na metodologia e quebras de série no Inquérito ao Emprego. No final do ano passado, Portugal estava já próximo da meta de 10% de abandono escolar que foi estabelecida para 2020, que terá sido atingida no início deste ano. Em Maio, numa entrevista ao PÚBLICO e à Rádio Renascença, o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues revelou que, no primeiro trimestre, antes do início da pandemia, o indicador tinha baixado para 10%.

O Ministério da Educação criou, em 2016, o Plano Nacional de Promoção do Sucesso Escolar e o Apoio Tutorial Específico, que abrange 20 mil alunos do 2.º e 3.º ciclos com dois ou mais chumbos, que vieram juntar-se a outras medidas de combate ao insucesso e abandono precoce como o programa Territórios Educativos de Intervenção Prioritária (TEIP), cuja origem remonta a 2012. Ainda assim, na auditoria agora publicada, o TdC considera que não existe “uma estratégia global, com coordenação horizontal e vertical”, que avalie as medidas de combate ao abandono escolar.

20.4.17

Jovens entre 13 e 16 anos do ensino regular são os que mais abandonam a escola

Carla Dias, in Correio dos Açores

Fabiola Cardoso (à esquerda), Mélia Amaral, Maria José Raposo e, à direita, Paula Dutra Borges No concelho da Ribeira Grande São os jovens de 13 aos 16 anos do ensino regular os que mais faltam e abandonam a escola O concelho da Ribeira Grande tem uma plataforma pedagógica, integrada no Plano Concelhio de Combate ao Abandono e Absentismo Escolar, e que permite uma interacção mais assídua entre as escolas e a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ).

Esta ferramenta. que fará parte do regulamento interno de cada escola do concelho enquanto instrumento de trabalho, permite que a escola também sinalize crianças que estão em risco de abandono escolar mas também verificar os alunos que estão a ser acompanhados pela CPCJ.

A ferramenta já tem sido usada e ontem, nos -Encontros sobre Educação na Ribeira Grande" que se debruçaram sobre "absentismo e abandono escolares", Paula Dutra. Borges, representante da Direcção Regional da Educação na CPCJ da Ribeira Grande, referiu que permite ter acesso a estatísticas nomeadamente quantas alunos forma sinalizados por escola, por nivel de ensino e ter uma noção do panorama geral do concelho.

Para já, são os jovens entre os 13 e os 16 anos que frequentam o ensino regular quem mais falta e abandona a escola no concelho da Ribeira Grande. Esta. ferramenta usada no concelhu permite um estreitamente do diálogo entre as escolas e a CPCJ, mas Paula Dutra Borges admite que há ainda necessidade de melhorar esta plataforma no sentido de perceber quantos alunos sinalizados provêm de famílias desestraturadas. ou quantos dos casos abertos são reincidentes, ou quantas destes casos foram acompanhados pelos serviços de psicologia.

Para garantir haja êxito nas estratégias dctinidas, Paula Dutra Borges defende que "deve haver apenas um plano dc intervenção para cada um dos jovens" que geralmente vêm de famílias onde há situações de violência. negligência e mesmo falta de comunicação em casa.

Mas a responsável alerta que nem sempre há tempo na sala de aula -para perceber as necessidades e as desmotivações dos alunos" e que "o professor não é remédio para todos os problemas da sociedade". No entanto, "deve investir-se mais na articulação e no diálogo aberto e franco", concluiu.

Paula Dutra Borges falava no painel "familia - escola - sociedade: constrangimentos e desafios", onde esteve também a presidente da UMAR, Maria José Raposo, que também integra a CPCJ da Ribeira Grande, e alertou para algumas situações de violência familiar que devem ser tidas em conta quando se fala em insucesso escolar. "Grande parte dos miúdos vem de um ambiente familiar desestruturado" e os técnicos têm de observar os comportamentos que as crianças e jovens desenvolvem e aos indicadores de risco. "Cada criança é única e é nossa obrigação estarmos atentos à diferença", explicou Maria José Raposo que é da opinião que "em caso de dúvida, se sinalize" a criança uma vez que o "sexto sentido fundamentado pode querer dizer alguma coisa". Mas a presidente da UMAR defende que "Nunca é de ânimo leve que uma criança e retirada da familia e é o último recurso", explicou ao acrescentar que é a família que é "a base de tudo e é tarobém um espaço determinante para a criança aprender na sua trajectória de vida".

Por seu lado Nélia Amaral, Coordenadora da Equipa Técnica do Comissariado dos Açores para a infância, alertou que as próprias escolas "Não podem ser um instrumento dc exclusão" das crianças e jovens e que enquanto é defendida uma escola inclusiva, "as escolas nem sempre têm os recursos necessários para levar a bom porto essa inclusão" e defendeu que os professores deveriam ter uma outra aquisição de competências que permitam "que as crianças estejam na escola com o máximo de igualdade de circunstâncias".

Nélia Amaral defendeu que a escola deve estabelecer parcerias entre as várias instituiçaes que lidam de perto com os casos mais problemáticos de jovens e das suas famílias, como as CPCJ e os serviços de acção social.
Mas deixou a interrogação "yuc espaço tem a escola para essas parcerias?".

Fabiola Cardoso, professora da Escola Secundária da Lagoa que pertence à Comissão Coordenadora do ProSucesso e antiga Directora Regional da Educação, apresentou por seu lado um projecto levado a cabo nas três escolas do concelho da Lagoa. O projecto comunitário para o sucesso educativo envolveu envolve actualmente 146 alunos sinalizadas ao Instituto da Segurança social dos Açores (ISSA), mas logo nas primeiras análises apenas 38 destes alunos eram de famílias acompanhadas pelo ISSA. Fabiola Cardoso explicou que foram estabelecidas parcerias e o contacto directo entre os técnicos de acção social e os directores de turma e foram envolvidos os alunos e as familias para que se comprometessem com o sucesso educativo_ Os resultados iniciais dão conta que depois da intervenção dos técnicos, por exemplo, o número de pais que passou a supervisionar os trabalhos escolares dos filhos aumentou substancialmente.
Além disso, no 1" período, o número de alunos em risco de retenção por ciclo reduziu, bem como as medidas disciplinares aplicadas aos alunos. Apesar de preliminares, os resultados do 2° período indicam que também baixou o número de alunos em risco de retenção.

Carla Dias Mas também há casos de sucesso nos cursos alternativos que dãoferramentas mais áticas A Escola secundária da Ribeira Grande tem há dois anos Cursas de Formação Vocacional (CFV) que dão aos alunos a equivalência ao V' ano de escolaridade. Actualmente há 43 alunos nestes cursos, divididos por três turmas. Uma turma de 16 alunos do 1" ano no curso de educação sócio cultural, e duas turmas de 27 alunos, do 2° ano dos cursos. de educação sócio cultural, padaria e pastelaria e restauro.

Carla Batista Saudade, coordenadora dos Cursos de Formação .Vacacional do 3° ciclo da Escola Secundária da Ribeira Grande, traçou um perfil destes cursos que implementam planos de recuperação individuais e onde há urna componente vocacional prática e até a necessidade de realizarem estágios. Contudo alertou para a necessidade de haver currículos mais flexíveis, e tempo e espaço de trabalho adequados bem como a necessidade de se organizar urna bolsa de amorosas que queiram colaborar com a escola nos estágios.

Duas destas turmas e directora de turma de uma delas, deu o seu testemunho pessoal onde contou que além de leccionar inglês também tinha de ensinar técnicas de pastelaria e padaria, bem como "conversas sobre postura, respeito e vestuário adequado a uma escola eram diárias".

Perante 16 adolescentes entre os 15 e os. 17 anos que se recusavam a realizar tarefas, yue não se reviam na escola e que riem ali queriam estar, muna pequena sala apenas com um fogão e um lava loiça, a professora garante que foi importante realizarem visitas dc estudo "a todas os locais dc padaria e pastelaria do concelho", até que visitaram o museu municipal que tem um forno de lenha.

Aquele forno passou a ser quase urna extensão da sala de aula e a motivação passou a ser diferente.
muito com o apoio cio Centro de Inclusão Juvenil (CDU) Escolha Certa que também ajuda nas.
aulas de orientação pessoal. Os técnicos do CDU reúnem semanalmente com os docentes e responsáveis dos cursos e são feitas as planificações.

para a semana seguinte "mas também se trocam experiências" e definem-se estratégias de como encarar e ajudar jovens adolescent.es que não querem estrs na escola e não vtêm mais-valias em concluir o seu percurso escolar. No final, e depois do sociólogo Rui Tavares ter apresentado um vídeo onde alguns dos alunos manifestam a maisvalia de terem seguido um curso dc formação vocacional, foram os próprios alunos que agradeceram às professoras responsáveis entregandolhes uma flor em jeito de homenagem. CD.
Alguns alunos do CFV agradecem às professoras

21.4.16

Quem deixa os estudos mais cedo? Portugal (muito) perto do pódio

POR João Oliveira, in Notícias ao Minuto

Três primeiros lugares sao ocupados por Espanha, Malta e Roménia.

Dados de um estudo do Eurostat, relativos ao ano de 2014, colocam Portugal muito perto dos três países líderes no que diz respeito a abandonar os estudos mais cedo. Por abandono escolar, leia-se, estudantes (com idades entre os 18 e 24 anos) que deixam os estudos após o 12.º ano, ou seja, que não entram para o ensino superior.
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Nos dados desse estudo, Espanha é líder com quase 22% (21,9%) da população sem interesse ou acesso ao ensino universitário. Seguem-se Malta e Roménia, com 20,3% e 18,1%, respetivamente.

Em quarto lugar surge Portugal, onde 17,4% dos estudantes não chegam ao terceiro nível de ensino profissional, apresentando valores acima da média europeia, onde um em cada dez alunos abandona os estudos após o ensino secundário.

Essa meta, contudo, é uma das prioridades do programa de crescimento da União Europeia, que pretende que os níveis do abandono escolar “fiquem abaixo dos 10%”, de modo a impulsionar o emprego e por consequência reduzir os níveis de pobreza.

20.5.13

Projecto Abandono Zero faz a diferença. Conheça o caso do Ruben

por Manuela Pires, in RR

Abandono Zero faz a diferença


Nos últimos cinco anos, a associação Empresários pela Inclusão Social devolveu à escola 1.540 alunos em mais de 60 concelhos do país. Durante este tempo foram acompanhados de perto 12 mil alunos.

O 9º ano já está e Ruben quer agora tirar o 12º. O jovem de 18 anos é um dos casos de sucesso do projecto Abandono Zero da Câmara de Sesimbra e da associação EPIS (Empresários pela Inclusão Social).

O jovem vive na quinta do Conde, em Sesimbra, esteve dois anos fora da escola, mas em 2010 integrou o projecto do Abandono Zero. Regressou às aulas, concluiu o 9º ano e agora quer continuar a estudar: “Falei com uns amigos e como estamos sem fazer nada vamos voltar a estudar e tirar o 12º ano. Ainda estou à procura de escolas”.

O próximo passo é falar com uma técnica de orientação vocacional para perceber qual o curso que quer tirar.

Há três anos que as mediadoras da EPIS e da Câmara de Sesimbra acompanham o Ruben, que vai agora fazer um estágio numa oficina de automóveis, pago pela associação. Desde o ano passado, a EPIS apoia a formação profissional ajudando os jovens a integrar o mercado de trabalho.

Nos últimos cinco anos, a associação Empresários pela Inclusão Social conseguiu devolver à escola 1.540 "novos" alunos em mais de 60 concelhos do país. Os projectos decorreram em mais de 150 escolas e durante este tempo foram acompanhados de perto 12 mil alunos.

Em Sesimbra, Teresa Capítulo faz um balanço muito positivo deste projecto à Renascença. A coordenadora do Abandono Zero diz que “15 terminaram o 9º ano, são alunos que continuam na escola, o que é muito gratificante, e fomos construindo respostas à medida que iam surgindo necessidades”.

Desde 2007, que a associação EPIS está a desenvolver o maior programa nacional de combate ao insucesso e abandono escolar no 2º e 3º ciclo – o projecto Abandono Zero.

A associação vai disponibilizar para todos os técnicos da área da educação a metodologia aplicada. A apresentação decorre esta segunda-feira na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, no âmbito do Fórum “Escolas de Futuro”.

8.5.13

Só no Norte 2300 adolescentes abandonaram a escola sem o 9.º ano

Alexandra Figueira, in Jornal de Notícias

Só no Norte, 2300 jovens saíram da escola sem o ensino obrigatório e não há muito que as escolas possam fazer para que regressem. Sobretudo desde que o Governo acabou com as turmas especializadas.

No abandono escolar, o Norte (tal como o resto do país) está a recuperar de um atraso histórico, mas os números continuam altos, indiciando um progressivo afastamento da escola à medida que a idade avança.

Em 2011 e só na região Norte, 2,1% dos adolescentes entre 12 a 14 anos de idade tinham deixado a escola antes do tempo - uma taxa aparentemente baixa, até ser traduzida num número concreto: 2595 adolescentes já não estudavam (eram 4302 em 2001). Desses, 2300 saíram antes de acabar o 9.o ano, na altura ainda o último de frequência obrigatória.

Os dados constam de uma análise feita pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), que mostra uma melhoria nos indicadores de Educação em Portugal e, sobretudo, da região Norte.

10.4.13

Um em cada quatro jovens abandona a escola antes de terminar o 12ª ano

in Jornal de Notícias

O abandono escolar em Portugal está a diminuir, mas um em cada quatro jovens entre os 18 e os 24 anos continua a deixar de estudar antes de terminar o ensino secundário, revela o relatório "Estado da Educação".

Na última década, o número de estudantes que deixou a escola antes do tempo diminuiu brutalmente: em 2001, quase metade dos jovens entre os 18 e os 24 anos (44,2%) não concluiu o 12ºano. Dez anos depois, a taxa de abandono desceu para 23,2% (menos 21 pontos percentuais).

Os números constam do relatório "Estado da Educação 2012 - Autonomia e Descentralização", divulgado esta semana pela presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), que saudou a redução da taxa de abandono precoce registada na última década mas lembrou que ainda há um longo caminho a percorrer.

"Não devíamos ter mais de 10% de pessoas a abandonar a escola, mas neste nível ainda temos 23%", lamentou a responsável do CNE, Ana Maria Bettencourt.

Ter menos de 10% de jovens a abandonar o ensino antes de terminar o secundário é a meta definida pelos países da União Europeia para 2020. Há dois anos, já havia onze países que tinham conseguido esse objetivo: Áustria, Dinamarca, Eslováquia, Eslovénia, Finlândia, Lituânia, Luxemburgo, Países Baixos, Polónia, Republica Checa e Suécia.

Apesar da evolução registada na última década, Portugal ainda está dez pontos percentuais abaixo da média europeia.

Em Portugal, são os rapazes que deixam mais cedo a escola, embora também sejam eles quem tem feito um esforço maior para recuperar. Em 2001, mais de metade dos rapazes entre os 18 e 24 anos não tinha concluído o 12ª ano, enquanto em 2011 esse número baixou quase para metade (28,2% dos casos de abandono precoce). Entre as mulheres, houve uma redução de 36,7% para 18,1%, em dez anos.

O CNE considera que apesar dos "significativos progressos na prevenção do abandono escolar", Portugal ainda está longe das metas europeias.

24.11.12

Abandono escolar precoce em Portugal com o 3.º pior registo da UE

in TSF

O abandono escolar precoce em Portugal atingiu os 23,2% em 2011, o terceiro pior registo entre os Estados-membros da União Europeia (UE), apesar de ter recuado nos últimos anos.

De acordo com os dados divulgados hoje pelo executivo comunitário no âmbito da apresentação da estratégia designada "Repensar a Educação", o abandono escolar precoce "situa-se em níveis inaceitavelmente elevados em vários Estados-membros" da UE, com destaque para Malta (33,5%), Espanha (26,5%) e Portugal (23,2%), sendo a média da União a 27 de 13,5%.

No caso português, a Comissão Europeia afirma que, apesar de o abandono escolar precoce atingir um nível elevado, «o desempenho melhorou significativamente durante o período 2006-2011», precisando que, em 2006, o abandono escolar precoce ascendia a 39,1%.
Bruxelas destaca também os «progressos significativos» feitos por Portugal ao nível do ensino superior, referindo que, apesar de o número de licenciados estar abaixo da média da UE (26,1% contra os 34,6%), praticamente duplicou desde 2006, altura em que se situava nos 18,4%.

Já no que respeita à aprendizagem ao longo da vida, Portugal apresenta um desempenho superior à média da UE: 11,6% contra 8,9%.

A Comissão Europeia realça também a evolução registada ao nível da evolução das competências em Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), que afirma serem «consistentemente acima da média da UE».

O executivo comunitário nota ainda o facto de ter havido uma redução nas verbas para a educação devido à concretização do programa de assistência financeira acordado com a 'troika' (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional ) e aponta como prioridades para Portugal o ensino de línguas estrangeiras, a redução do abandono escolar precoce, a reestruturação do ensino secundário e a melhoria das competências básicas dos jovens estudantes.

Neste contexto, defende Bruxelas, «é fundamental que Portugal tire o melhor proveito possível das oportunidades oferecidas pela programação dos fundos estruturais para a modernização do sistema de educação e formação».