Mostrar mensagens com a etiqueta Carências económicas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Carências económicas. Mostrar todas as mensagens

23.2.15

Milhares vivem anos limitados a um quarto de pensão

in SicNotícias

A Grande Reportagem “Às Paredes Confesso”, que a SIC emite esta quinta-feira no Jornal da Noite, mostra uma realidade que, na maior parte dos casos, nos passa despercebida. Milhares de pessoas vivem anos a fio em quartos de pensão ou de casas particulares, com enormes carências económicas, sociais e familiares.

26.9.13

Médicos do Mundo alerta que há idosos que ou comem ou tomam os medicamentos

in iOnline

Em Lisboa e no Porto há cada vez mais situações de idosos que, fruto do deterioramento da sua situação económica, veem-se obrigados a ter de escolher entre tomar os medicamentos ou fazer uma refeição por dia

A associação Médicos do Mundo (MdM) alertou hoje que há cada vez mais idosos obrigados a optar entre a toma dos medicamentos ou comer uma refeição diária, fruto da crise e do corte nos apoios sociais.

Dia 01 de outubro assinala-se o Dia Internacional do Idoso, data que a Médicos do Mundo pretende assinalar com várias iniciativas pelo país, mas também aproveitando para chamar a atenção para o que se passa com muitas das pessoas idosas.

Em declarações à Lusa, a coordenadora dos projetos nacionais da MdM apontou que no trabalho realizado no terreno, principalmente nas cidades de Lisboa e do Porto, têm encontrado cada vez mais situações de idosos que, fruto do deterioramento da sua situação económica, veem-se obrigados a ter de escolher entre tomar os medicamentos ou fazer uma refeição por dia.

"Esta situação está a acontecer mais este ano", sublinhou Carla Fernandes, não especificando quantos casos destes foram já detetados.

Na opinião da responsável, uma das explicações está ligada ao facto dos agregados familiares se terem alterado e existirem muitos adultos que se viram obrigados a voltar a viver em casa dos pais.

"O pouco rendimento que existe, e que é do idoso, vai ter de ser dividido, em vez de ser por dois, é dividido por cinco porque aquele filho já traz também os netos", apontou Carla Fernandes.

De acordo com a responsável da MdM, não há um padrão detetado e esta situação tanto ocorre entre idosos isolados como entre os que vivem com outros familiares.

Carla Fernandes apontou que o trabalho da MdM junto da população idosa decorre em Lisboa, Porto e Évora, mas que é principalmente nas duas primeiras que esta situação mais ocorre.

A coordenadora da associação referiu que detetaram igualmente situações em que os idosos reduzem a toma de medicamentos ou adquirem apenas os medicamentos mais baratos da prescrição médica.

"Isto, ao nível da saúde, traz as suas consequências, como é óbvio. Não conseguimos trabalhar ao nível da prevenção, o que traz pessoas idosas mais doentes, mais custos para a sociedade, e isto transforma-se numa bola de neve", alertou.

Segundo a responsável, só em 2012, a organização fez 1.418 apoios ao nível dos medicamentos a idosos. Por outro lado, nos últimos três anos, apoiaram 1.101 idosos.

Em comunicado, a MdM alerta que a "crise está a ter enorme impacto na qualidade de vida dos seniores portugueses", situação agravada com "os cortes significativos nas pensões e no Complemento Solidário para Idosos".

Para alertar para estas e outras situações, a associação Médicos do Mundo vai assinalar o Dia Internacional do Idoso sob o lema "Sou Idoso, sou Valioso", com atividades em Lisboa, Porto e Évora.

Em Lisboa, por exemplo, o dia começa pelas 09:00 com uma ação de rua no Bairro da Picheleira, seguindo-se depois uma Feira da Saúde, onde haverá não só lugar à divulgação do que deve ser uma alimentação saudável, mas também rastreios auditivos, visuais e outros.

25.3.13

Dois em cada três idosos sem rendimentos para pagar o lar

in Jornal de Notícias

Dois em cada três idosos que vivem em lares têm um rendimento inferior à mensalidade da instituição, tendo de recorrer a poupanças ou à família para conseguir pagar, revela um inquérito da Deco que envolveu 690 portugueses.

O estudo da revista Proteste, que decorreu em março de 2012 em Portugal, na Bélgica, na Espanha e em Itália, envolveu uma amostra da população entre os 50 e os 65 anos, tendo como destinatários familiares de utentes de lares que acompanharam o processo de institucionalização.

A Proteste recebeu 3.130 respostas, sendo 690 portuguesas, a maioria (70%) de filhos de idosos institucionalizados.

Os resultados do inquérito, publicados na edição de março/abril da Proteste, indicam que um em cada quatro idosos precisa de mais de 500 euros por mês para completar o valor da fatura.

A estadia num lar custa, em média, 770 euros mensais, um valor que é inflacionado pelas mensalidades das instituições privadas, cuja média ronda os 925 euros. Nas públicas situa-se nos 550 euros.

Dados do Ministério da Solidariedade e Segurança Social, divulgados na base de dados Pordata, indicam que, em 2011, quase 1,2 milhões de pensionistas de velhice do regime geral da Segurança Social (cerca de três quartos do total) auferiam uma reforma entre 251 e 500 euros.

O estudo demonstra que, em mais de metade dos casos (53%) são os familiares que desembolsam o dinheiro em falta.

Já 38% dos utentes vão buscar essa parcela às suas poupanças. Na Bélgica, em Espanha e em Itália a tendência é inversa, com 69%, 51%, 50% dos idosos, respetivamente, a recorrerem ao seu pé-de-meia para fazerem face às despesas com o lar.

A esmagadora maioria dos inquiridos que disse apoiar o familiar não tem nenhum tipo de apoio financeiro. Os cerca de 10% que beneficiam recebem, em média, 420 euros.

Além da mensalidade fixa, os lares podem cobrar bens e serviços extras, como fraldas, medicamentos e fisioterapia, que representam, em média, um gasto mensal de 125 euros.

Mais de três quartos dos inquiridos disseram ter de pagar a mensalidade por inteiro quando os familiares se ausentam do lar por longos períodos. Apenas 5% afirmaram estar isentos até um determinado número de dias, fixado pela instituição, e terem beneficiado de um abatimento equivalente ao preço da alimentação.

Os autores do estudo consideram "compreensível que determinadas despesas fixas da instituição tenham de ser cobradas, independentemente de o idoso estar ou não presente", mas defendem que deve haver, pelo menos, uma redução da mensalidade durante esse período.

Cerca de 30% dos idosos pagaram uma caução para serem admitidos, na maioria dos casos a rondar os mil euros, que serve de garantia de pagamento de prestações em dívida ou de eventuais danos causados ao mobiliário ou às instalações.

Contudo, cerca de dois terços revelaram não ter recebido a caução quando os idosos deixaram a instituição, sendo a situação mais frequente nos lares público-privados: oito em cada dez ficaram com o dinheiro.

O inquérito indica ainda que 40% denunciaram problemas relativamente aos "aspetos legais e financeiros do funcionamento dos lares", como custos inesperados, incumprimento de atividades prometidos e aumento inesperado da mensalidade.