DN/Lusa
Em maio, o número de jovens desempregados inscritos nos centros de emprego também teve uma diminuição face ao mês anterior, recuou 5,8% (-1.861 pessoas).
O número de desempregados inscritos nos centros de emprego caiu 3,6% em maio em termos homólogos, para 285.855, "o valor mais baixo de sempre" nesse mês e 3,2% abaixo de abril, anunciou esta terça-feira o Governo.
Segundo um comunicado do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, "em maio estavam inscritas 285.855 pessoas no IEFP [Instituto do Emprego e Formação Profissional], o que representa uma diminuição de 3,2% (-9.567 pessoas) relativamente ao mês anterior e -3,6% (-10.539 pessoas) comparativamente ao nível observado em maio de 2022".
Já o número de jovens desempregados inscritos recuou 5,8% (-1.861 pessoas) face ao mês anterior, "atingindo o segundo valor mais baixo de sempre no mês de maio", mas ficou 1,2% acima (+359 pessoas) de maio de 2022.
Quanto ao desemprego de longa duração (116.729 pessoas), apresentou uma quebra em cadeia de 2,5% (-2.871 pessoas) e recuou 21,8% face a maio de 2022 (-31.784 pessoas).
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1.10.21
GNR, Cáritas e Centro de Emprego juntam-se a núcleo de apoio aos sem-abrigo de Faro
Por Sul Informação
O Núcleo e Planeamento e Intervenção dos Sem-Abrigo de Faro é tido como exemplo de boas práticas
A GNR, a Cáritas Diocesana do Algarve e o Centro de Emprego e Formação Profissional de Faro do IEFP juntaram-se, no passado dia 9 de Setembro, ao Núcleo de Planeamento e Intervenção dos Sem-Abrigo (NPISA) de Faro.
Durante a cerimónia de adesão dos novos parceiros, foram apresentadas duas iniciativas que se encontram a funcionar – o projeto TMN – Tua, Minha, Nossa, que está a ser desenvolvido pelo MAPS – Movimento de Apoio à Problemática da SIDA, e tem como objetivo a inserção de pessoas em situação de sem abrigo na sociedade.
Durante o seu ainda curto período de existência, já passaram pelos dois apartamentos partilhados, promovidos por esta iniciativa, um total de 18 utentes, sendo que seis utentes já foram integrados na sociedade.
Quanto ao projeto “Legos”, uma parceria com o GATO, MAPS, CASA, APF, GRATO, tem como objetivo a inserção de pessoas em situação de sem abrigo, em conjunto com a rede de parceiros existente, promover a implementação do modelo de intervenção integrado de todos os agentes que, no respetivo concelho, atuam com e para a população em situação de sem abrigo.
A candidatura em curso refere-se ao projeto “Porta Xis1” apresentado pela associação MAPS -Movimento de Apoio à Problemática da Sida em parceria com o com a Associação Xis – Grupo para a Promoção e Proteção LGBTI e com o Município de Faro.
O objetivo é a celebração de protocolo para o funcionamento de apartamentos partilhados para pessoas LGBTIQ + em situação de sem abrigo.
O Núcleo e Planeamento e Intervenção dos Sem-Abrigo de Faro é tido como exemplo de boas práticas no seu funcionamento e intervenção em função da problemática das Pessoas em situação de sem-abrigo.
Rogério Bacalhau, presidente da Câmara de Faro, diz que «este modelo de intervenção visa um acompanhamento de proximidade que assenta numa premissa de qualificação e rentabilização de recursos humanos e financeiros, estando demonstrada a sua importância e utilidade, face aos resultados apresentados».
Com a adesão dos novos parceiros, a rede passa a contar com as seguintes entidades: Município de Faro, União de Freguesias de Faro (Sé e São Pedro), Comando Distrital de Faro – Polícia de Segurança Pública, Serviço de Estrangeiros e Fronteiras – Direção Regional do Algarve
Instituto de Segurança Social, IP- Centro Distrital de Faro, Grupo de Ajuda a Toxicodependentes, Movimento de Apoio à Problemática da Sida, Santa Casa da Misericórdia de Faro, Fábrica da Igreja de São Pedro de Faro, Fábrica da Igreja da Paróquia de São Luís, Centro Hospitalar Universitário do Algarve, Administração Regional de Saúde do Algarve, Centro de Apoio aos Sem-Abrigo, Cruz Vermelha Portuguesa – Delegação Faro-Loulé, Rede Europeia Anti Pobreza, Cáritas Diocesana do Algarve, Guarda Nacional Republicana de Faro Centro de Emprego e Formação Profissional de Faro do Instituto do Emprego e Formação Profissional.
O Núcleo e Planeamento e Intervenção dos Sem-Abrigo de Faro é tido como exemplo de boas práticas
A GNR, a Cáritas Diocesana do Algarve e o Centro de Emprego e Formação Profissional de Faro do IEFP juntaram-se, no passado dia 9 de Setembro, ao Núcleo de Planeamento e Intervenção dos Sem-Abrigo (NPISA) de Faro.
Durante a cerimónia de adesão dos novos parceiros, foram apresentadas duas iniciativas que se encontram a funcionar – o projeto TMN – Tua, Minha, Nossa, que está a ser desenvolvido pelo MAPS – Movimento de Apoio à Problemática da SIDA, e tem como objetivo a inserção de pessoas em situação de sem abrigo na sociedade.
Durante o seu ainda curto período de existência, já passaram pelos dois apartamentos partilhados, promovidos por esta iniciativa, um total de 18 utentes, sendo que seis utentes já foram integrados na sociedade.
Quanto ao projeto “Legos”, uma parceria com o GATO, MAPS, CASA, APF, GRATO, tem como objetivo a inserção de pessoas em situação de sem abrigo, em conjunto com a rede de parceiros existente, promover a implementação do modelo de intervenção integrado de todos os agentes que, no respetivo concelho, atuam com e para a população em situação de sem abrigo.
A candidatura em curso refere-se ao projeto “Porta Xis1” apresentado pela associação MAPS -Movimento de Apoio à Problemática da Sida em parceria com o com a Associação Xis – Grupo para a Promoção e Proteção LGBTI e com o Município de Faro.
O objetivo é a celebração de protocolo para o funcionamento de apartamentos partilhados para pessoas LGBTIQ + em situação de sem abrigo.
O Núcleo e Planeamento e Intervenção dos Sem-Abrigo de Faro é tido como exemplo de boas práticas no seu funcionamento e intervenção em função da problemática das Pessoas em situação de sem-abrigo.
Rogério Bacalhau, presidente da Câmara de Faro, diz que «este modelo de intervenção visa um acompanhamento de proximidade que assenta numa premissa de qualificação e rentabilização de recursos humanos e financeiros, estando demonstrada a sua importância e utilidade, face aos resultados apresentados».
Com a adesão dos novos parceiros, a rede passa a contar com as seguintes entidades: Município de Faro, União de Freguesias de Faro (Sé e São Pedro), Comando Distrital de Faro – Polícia de Segurança Pública, Serviço de Estrangeiros e Fronteiras – Direção Regional do Algarve
Instituto de Segurança Social, IP- Centro Distrital de Faro, Grupo de Ajuda a Toxicodependentes, Movimento de Apoio à Problemática da Sida, Santa Casa da Misericórdia de Faro, Fábrica da Igreja de São Pedro de Faro, Fábrica da Igreja da Paróquia de São Luís, Centro Hospitalar Universitário do Algarve, Administração Regional de Saúde do Algarve, Centro de Apoio aos Sem-Abrigo, Cruz Vermelha Portuguesa – Delegação Faro-Loulé, Rede Europeia Anti Pobreza, Cáritas Diocesana do Algarve, Guarda Nacional Republicana de Faro Centro de Emprego e Formação Profissional de Faro do Instituto do Emprego e Formação Profissional.
23.4.20
Centro de emprego paga 1420 bolsas de emergência em IPSS
Alexandra Figueira, in JN
Programa já aprovou contratações para 275 instituições. Há mais 75 pedidos para 386 trabalhadores em tramitação. Encontrar pessoas com perfil certo é o mais difícil.
Cruz Vermelha de Matosinhos, Santa Casa do Porto, Associação Lavrense de Apoio ao Diminuído Intelectual (ALADI) e Associação Reformados e Idosos da Freguesia da Amora (ARIFA) estão a contratar trabalhadores, financiados por um programa de emergência do Ministério do Trabalho. Durante até três meses, os centros de emprego pagarão 90% da bolsa dos 1420 trabalhadores já aprovados pelo Apoio ao Reforço de Emergência de Equipamentos Sociais e Saúde.
Em Matosinhos, foi com "angústia" que Patrícia Faro soube que duas pessoas iam entrar em isolamento social. "Há serviços que não podem parar", diz a presidente da Cruz Vermelha. No caso, uma casa-abrigo para vítimas de violência doméstica e o serviço de apoio domiciliário a idosos. "No dia em que enviámos o formulário, recebemos quatro chamadas", disse.
Esta quarta-feira, começou a trabalhar a primeira contratada, uma psicóloga, na casa-abrigo. Para o apoio a idosos, a Cruz Vermelha ainda aguarda candidatos. "Há muito alarmismo em torno dos lares, admito que as pessoas tenham medo", justifica.
O programa do Ministério da Segurança Social entrou em vigor a 1 de abril e, até sexta-feira, tinha aprovado 275 candidaturas, para contratar 1420 pessoas, com um custo de 890 mil euros. Ainda em tramitação estavam 75 pedidos, para contratar 386 trabalhadores, indicou o ministério.
Os centros de emprego estão a procurar nas bases de dados inscritos com perfil ajustado às necessidades, disse Patrícia Faro. Mas assegura que também ela poderia indicar alguém.
Em Lavra, a ALADI tem dois lares residenciais onde 40% dos funcionários estão de baixa, acompanhamento aos filhos ou quarentena. Para mais, usa um sistema de rotatividade, em espelho: 25 trabalham sete dias enquanto os outros 25 descansam, diz Ricardo Rodrigues, assessor da Direção. A associação espera contratar 37 pessoas e esta quarta-feira recebeu as primeiras candidaturas.
Auxiliares e operacionais
Fernando Sousa, presidente da ARIFA, confirma. "O problema é encontrar as pessoas com perfil certo". A associação tem um lar, cuidados continuados, creche, centro de dia e de convívio. "Temos 125 funcionários e candidatamo-nos a receber dez pessoas", disse. Esta semana, quatro começaram o processo de admissão. Precisa sobretudo de auxiliares e operacionais e Fernando Sousa confirma também não ser fácil encontrar pessoas com o perfil certo.
Tem sido esta a desvantagem dos programas de voluntariado já criados: "boa vontade não chega, é precisa vocação e saber", diz Patrícia Faro. Por isso, como noticiou o JN na semana passada, muitas instituições estão a recusar voluntários. A Santa Casa de Misericórdia do Porto mantém hoje os voluntários que tinha antes da Covid-19. Fonte oficial confirmou que se candidatou ao programa e que os centros de emprego selecionaram os candidatos.
Programa já aprovou contratações para 275 instituições. Há mais 75 pedidos para 386 trabalhadores em tramitação. Encontrar pessoas com perfil certo é o mais difícil.
Cruz Vermelha de Matosinhos, Santa Casa do Porto, Associação Lavrense de Apoio ao Diminuído Intelectual (ALADI) e Associação Reformados e Idosos da Freguesia da Amora (ARIFA) estão a contratar trabalhadores, financiados por um programa de emergência do Ministério do Trabalho. Durante até três meses, os centros de emprego pagarão 90% da bolsa dos 1420 trabalhadores já aprovados pelo Apoio ao Reforço de Emergência de Equipamentos Sociais e Saúde.
Em Matosinhos, foi com "angústia" que Patrícia Faro soube que duas pessoas iam entrar em isolamento social. "Há serviços que não podem parar", diz a presidente da Cruz Vermelha. No caso, uma casa-abrigo para vítimas de violência doméstica e o serviço de apoio domiciliário a idosos. "No dia em que enviámos o formulário, recebemos quatro chamadas", disse.
Esta quarta-feira, começou a trabalhar a primeira contratada, uma psicóloga, na casa-abrigo. Para o apoio a idosos, a Cruz Vermelha ainda aguarda candidatos. "Há muito alarmismo em torno dos lares, admito que as pessoas tenham medo", justifica.
O programa do Ministério da Segurança Social entrou em vigor a 1 de abril e, até sexta-feira, tinha aprovado 275 candidaturas, para contratar 1420 pessoas, com um custo de 890 mil euros. Ainda em tramitação estavam 75 pedidos, para contratar 386 trabalhadores, indicou o ministério.
Os centros de emprego estão a procurar nas bases de dados inscritos com perfil ajustado às necessidades, disse Patrícia Faro. Mas assegura que também ela poderia indicar alguém.
Em Lavra, a ALADI tem dois lares residenciais onde 40% dos funcionários estão de baixa, acompanhamento aos filhos ou quarentena. Para mais, usa um sistema de rotatividade, em espelho: 25 trabalham sete dias enquanto os outros 25 descansam, diz Ricardo Rodrigues, assessor da Direção. A associação espera contratar 37 pessoas e esta quarta-feira recebeu as primeiras candidaturas.
Auxiliares e operacionais
Fernando Sousa, presidente da ARIFA, confirma. "O problema é encontrar as pessoas com perfil certo". A associação tem um lar, cuidados continuados, creche, centro de dia e de convívio. "Temos 125 funcionários e candidatamo-nos a receber dez pessoas", disse. Esta semana, quatro começaram o processo de admissão. Precisa sobretudo de auxiliares e operacionais e Fernando Sousa confirma também não ser fácil encontrar pessoas com o perfil certo.
Tem sido esta a desvantagem dos programas de voluntariado já criados: "boa vontade não chega, é precisa vocação e saber", diz Patrícia Faro. Por isso, como noticiou o JN na semana passada, muitas instituições estão a recusar voluntários. A Santa Casa de Misericórdia do Porto mantém hoje os voluntários que tinha antes da Covid-19. Fonte oficial confirmou que se candidatou ao programa e que os centros de emprego selecionaram os candidatos.
9.11.15
Crescimento económico ainda muito ténue do país acaba por se reflectir na fraca criação de emprego
in iOnline
Governo tinha prometido recorrer a empresas privadas de colocação para reintegrar trabalhadores no mercado, mas meses depois o projecto ainda não viu a luz do dia.
O desemprego tem vindo a baixar de forma consistente mas, apesar disso, ainda existem 589 mil desempregados registados nos centros de emprego, menos 77 mil do que se verificava no ano passado. Deste total, 87,5% têm mais de 25 anos, procurando 88,4% um novo emprego. A somar a este número ainda é preciso contabilizar o número de portugueses que emigraram. De acordo com os últimos dados do Observatório da Emigração, anualmente saem do país cerca de 110 mil pessoas em direcção a outros países europeus, nomeadamente para o Reino Unido, França e Suíça. A verdade é que nem todos estavam desempregados, mas mesmo aqueles que tinham uma ocupação foram à procura de melhores condições de vida.
Filipe Garcia, economista da IMF – Informação de Mercados Financeiros, admite ao i que as perspectivas não são animadoras. A explicação é simples: vamos continuar a assistir à criação de emprego a um ritmo baixo, mas só enquanto a economia continuar a crescer. “Estamos perante uma alteração de paradigma que implica fraca criação de emprego. Da mesma forma que a industrialização e a globalização tiveram impacto em termos de empregos gerados, estamos agora a chegar aos serviços, que estão cada vez mais a ser virtualizados. Os efeitos de incrementos de produtividade do trabalho que se verificaram na indústria nas últimas duas ou três décadas estão agora a sentir-se nos serviços”, alerta.
Já o gestor da corretora XTB Pedro Ricardo Santos mostra-se satisfeito com a diminuição do número de inscritos no Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), mas lembra que esta redução deve-se não só ao crescimento da actividade económica, mas também porque temos vindo a assistir a uma redução da população activa em Portugal. “Existem indivíduos que deixam de procurar activamente trabalho, desaparecendo das estatísticas dos centros de emprego e engrossando os números da população inactiva A conjugação destes dois factores permitiu que a taxa de desemprego se mantivesse inalterada nos 11,9% no terceiro trimestre de 2015”, salienta.
Segundo o responsável, as melhorias registadas na nossa economia vão levar inevitavelmente a uma criação líquida de emprego. “Apesar de ser um indicador com melhorias muito lentas, o estímulo ao consumo poderá trazer boas notícias para a população actualmente sem trabalho. Por outro lado, urge a necessidade de flexibilizar as condições laborais, no sentido de incentivar a criação de postos de trabalho por parte das empresas.”
O facto de o número de desempregados com maiores qualificações ter vindo a subir não preocupa Filipe Garcia. “Não vejo isso como algo negativo em si porque o grupo com mais estudos tem, à partida, mais armas para conseguir colocações futuras e reinventar a sua carreira, se necessário. Ao contrário seria sempre pior, porque são indivíduos mais vulneráveis do ponto de vista do mercado de trabalho”, acrescenta.
Implementar medidas Filipe Garcia defende, ao mesmo tempo, a necessidade de as políticas não serem ser demasiadamente intervencionistas, uma vez que, no seu entender, a planificação da economia não funciona. “Quem cria o emprego são as empresas. Tudo o que puder ser feito para facilitar as condições de negócio será positivo para o emprego.”
Já Pedro Ricardo Santos advoga que uma das principais medidas para combater o desemprego junto do segmento com mais qualificações poderia passar pela adaptação das vagas do ensino superior à procura do mercado de trabalho. “É questionável o motivo de as universidades portuguesas continuarem a produzir licenciados que o mercado de trabalho não consegue absorver, na maior parte das vezes financiadas pelos contribuintes portugueses.” O gestor considera ainda que seria importante criar incentivos para as empresas que contratem trabalhadores mais velhos, para combater o desemprego entre os que têm mais idade.
Parceria ainda sem data Uma das soluções encontradas pelo governo para reduzir o número de desempregados nos centros de emprego seria avançar com uma colaboração entre o IEFP e as agências privadas de colocação. A ideia seria integra nas empresas cerca de dez mil de-sempregados das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto. No entanto, o projecto continua sem ter data marcada para arrancar. A intenção foi anunciada em 2012 e voltou a ser reafirmada no início de 2015, mas o Instituto do Emprego e Formação Profissional, que está a gerir o processo, ainda não apontou nenhuma data para a sua concretização.
Contactado pelo i, o presidente da Associação Portuguesa das Empresas do Sector Privado de Emprego (APESPE), Afonso Carvalho, diz que ainda está à espera da conclusão do projecto e revela que as opiniões comunicadas ao IEFP foram “razoáveis e tiveram em conta a experiência já realizada noutros países”. Mas chama a atenção para o facto de as empresas privadas de colocação não precisarem de cumprir tantos requisitos como as empresas de trabalho temporário, algo que deveria ser alterado. “As empresas de trabalho temporário, para poderem actuar no mercado temporário, necessitam de ter um alvará e uma caução e têm de cumprir uma série de requisitos. As outras precisam apenas de ser registadas e podem ser criadas em nome individual. Para benefício dos trabalhadores e do Estado, defendemos que é necessário existir outro tipo de requisitos mais fortes para que não se verifiquem situações menos correctas.”
Afonso Carvalho admite, no entanto, a necessidade de agilizar esta parceria para que comece a funcionar rapidamente. “É fundamental que arranque porque, independentemente de ser um negócio ou não, o que interessa é o que está na base deste processo e que tem muito êxito em vários países, como no Reino Unido, Austrália, Espanha, onde conseguem colocar no mercado de trabalho franjas de pessoas que, de outra maneira, seria muito complicado”, conclui.
Recorde-se que se previa nas linhas gerais definidas no início deste ano que a actuação das agências privadas de colocação se desenrolasse num período máximo de 24 meses, repartida por duas fases. A primeira é a “integração profissional”, quando se dá a celebração de um contrato de trabalho (seja a tempo completo, sem termo ou a termo certo de, pelo menos, três meses), e a segunda o “acompanhamento pós-inserção”, que corresponde à duração do contrato de trabalho, ou nas situações em que este seja celebrado por 12 ou mais meses ou sem termo, aos 12 meses iniciais desse contrato.
A intenção seria lançar dois projectos- -piloto nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto. O público-alvo seria cerca de dez mil desempregados que tivessem mais de 23 anos, estivessem inscritos nos centros de emprego há mais de 12 meses (no caso dos desempregados com mais de 45 anos, bastaria estarem inscritos há mais de seis meses) e fossem subsidiados ou beneficiários do rendimento social de inserção. Se, após um período mínimo de um ano, o centro de emprego não conseguisse dar uma resposta a estes desempregados, o serviço público poderia contratualizar com uma agência privada as respostas para estas pessoas.
Subsídios cancelados A somar às dificuldades de encontrar um emprego, os trabalhadores são por vezes confrontados com a situação de serem cancelados os subsídios de desemprego sem aviso. Já chegaram várias queixas ao provedor de Justiça, José de Faria Costa. A cada mês, o IEFP identifica uma amostra de desempregados a quem envia convocatórias para formações profissionais ou comparecência nos centros de emprego. Estas cartas devem ser respondidas num prazo de dez dias e, se os timings não forem cumpridos, os subsídios de desemprego são anulados. O problema está na falta de aviso prévio desse cancelamento.
Governo tinha prometido recorrer a empresas privadas de colocação para reintegrar trabalhadores no mercado, mas meses depois o projecto ainda não viu a luz do dia.
O desemprego tem vindo a baixar de forma consistente mas, apesar disso, ainda existem 589 mil desempregados registados nos centros de emprego, menos 77 mil do que se verificava no ano passado. Deste total, 87,5% têm mais de 25 anos, procurando 88,4% um novo emprego. A somar a este número ainda é preciso contabilizar o número de portugueses que emigraram. De acordo com os últimos dados do Observatório da Emigração, anualmente saem do país cerca de 110 mil pessoas em direcção a outros países europeus, nomeadamente para o Reino Unido, França e Suíça. A verdade é que nem todos estavam desempregados, mas mesmo aqueles que tinham uma ocupação foram à procura de melhores condições de vida.
Filipe Garcia, economista da IMF – Informação de Mercados Financeiros, admite ao i que as perspectivas não são animadoras. A explicação é simples: vamos continuar a assistir à criação de emprego a um ritmo baixo, mas só enquanto a economia continuar a crescer. “Estamos perante uma alteração de paradigma que implica fraca criação de emprego. Da mesma forma que a industrialização e a globalização tiveram impacto em termos de empregos gerados, estamos agora a chegar aos serviços, que estão cada vez mais a ser virtualizados. Os efeitos de incrementos de produtividade do trabalho que se verificaram na indústria nas últimas duas ou três décadas estão agora a sentir-se nos serviços”, alerta.
Já o gestor da corretora XTB Pedro Ricardo Santos mostra-se satisfeito com a diminuição do número de inscritos no Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), mas lembra que esta redução deve-se não só ao crescimento da actividade económica, mas também porque temos vindo a assistir a uma redução da população activa em Portugal. “Existem indivíduos que deixam de procurar activamente trabalho, desaparecendo das estatísticas dos centros de emprego e engrossando os números da população inactiva A conjugação destes dois factores permitiu que a taxa de desemprego se mantivesse inalterada nos 11,9% no terceiro trimestre de 2015”, salienta.
Segundo o responsável, as melhorias registadas na nossa economia vão levar inevitavelmente a uma criação líquida de emprego. “Apesar de ser um indicador com melhorias muito lentas, o estímulo ao consumo poderá trazer boas notícias para a população actualmente sem trabalho. Por outro lado, urge a necessidade de flexibilizar as condições laborais, no sentido de incentivar a criação de postos de trabalho por parte das empresas.”
O facto de o número de desempregados com maiores qualificações ter vindo a subir não preocupa Filipe Garcia. “Não vejo isso como algo negativo em si porque o grupo com mais estudos tem, à partida, mais armas para conseguir colocações futuras e reinventar a sua carreira, se necessário. Ao contrário seria sempre pior, porque são indivíduos mais vulneráveis do ponto de vista do mercado de trabalho”, acrescenta.
Implementar medidas Filipe Garcia defende, ao mesmo tempo, a necessidade de as políticas não serem ser demasiadamente intervencionistas, uma vez que, no seu entender, a planificação da economia não funciona. “Quem cria o emprego são as empresas. Tudo o que puder ser feito para facilitar as condições de negócio será positivo para o emprego.”
Já Pedro Ricardo Santos advoga que uma das principais medidas para combater o desemprego junto do segmento com mais qualificações poderia passar pela adaptação das vagas do ensino superior à procura do mercado de trabalho. “É questionável o motivo de as universidades portuguesas continuarem a produzir licenciados que o mercado de trabalho não consegue absorver, na maior parte das vezes financiadas pelos contribuintes portugueses.” O gestor considera ainda que seria importante criar incentivos para as empresas que contratem trabalhadores mais velhos, para combater o desemprego entre os que têm mais idade.
Parceria ainda sem data Uma das soluções encontradas pelo governo para reduzir o número de desempregados nos centros de emprego seria avançar com uma colaboração entre o IEFP e as agências privadas de colocação. A ideia seria integra nas empresas cerca de dez mil de-sempregados das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto. No entanto, o projecto continua sem ter data marcada para arrancar. A intenção foi anunciada em 2012 e voltou a ser reafirmada no início de 2015, mas o Instituto do Emprego e Formação Profissional, que está a gerir o processo, ainda não apontou nenhuma data para a sua concretização.
Contactado pelo i, o presidente da Associação Portuguesa das Empresas do Sector Privado de Emprego (APESPE), Afonso Carvalho, diz que ainda está à espera da conclusão do projecto e revela que as opiniões comunicadas ao IEFP foram “razoáveis e tiveram em conta a experiência já realizada noutros países”. Mas chama a atenção para o facto de as empresas privadas de colocação não precisarem de cumprir tantos requisitos como as empresas de trabalho temporário, algo que deveria ser alterado. “As empresas de trabalho temporário, para poderem actuar no mercado temporário, necessitam de ter um alvará e uma caução e têm de cumprir uma série de requisitos. As outras precisam apenas de ser registadas e podem ser criadas em nome individual. Para benefício dos trabalhadores e do Estado, defendemos que é necessário existir outro tipo de requisitos mais fortes para que não se verifiquem situações menos correctas.”
Afonso Carvalho admite, no entanto, a necessidade de agilizar esta parceria para que comece a funcionar rapidamente. “É fundamental que arranque porque, independentemente de ser um negócio ou não, o que interessa é o que está na base deste processo e que tem muito êxito em vários países, como no Reino Unido, Austrália, Espanha, onde conseguem colocar no mercado de trabalho franjas de pessoas que, de outra maneira, seria muito complicado”, conclui.
Recorde-se que se previa nas linhas gerais definidas no início deste ano que a actuação das agências privadas de colocação se desenrolasse num período máximo de 24 meses, repartida por duas fases. A primeira é a “integração profissional”, quando se dá a celebração de um contrato de trabalho (seja a tempo completo, sem termo ou a termo certo de, pelo menos, três meses), e a segunda o “acompanhamento pós-inserção”, que corresponde à duração do contrato de trabalho, ou nas situações em que este seja celebrado por 12 ou mais meses ou sem termo, aos 12 meses iniciais desse contrato.
A intenção seria lançar dois projectos- -piloto nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto. O público-alvo seria cerca de dez mil desempregados que tivessem mais de 23 anos, estivessem inscritos nos centros de emprego há mais de 12 meses (no caso dos desempregados com mais de 45 anos, bastaria estarem inscritos há mais de seis meses) e fossem subsidiados ou beneficiários do rendimento social de inserção. Se, após um período mínimo de um ano, o centro de emprego não conseguisse dar uma resposta a estes desempregados, o serviço público poderia contratualizar com uma agência privada as respostas para estas pessoas.
Subsídios cancelados A somar às dificuldades de encontrar um emprego, os trabalhadores são por vezes confrontados com a situação de serem cancelados os subsídios de desemprego sem aviso. Já chegaram várias queixas ao provedor de Justiça, José de Faria Costa. A cada mês, o IEFP identifica uma amostra de desempregados a quem envia convocatórias para formações profissionais ou comparecência nos centros de emprego. Estas cartas devem ser respondidas num prazo de dez dias e, se os timings não forem cumpridos, os subsídios de desemprego são anulados. O problema está na falta de aviso prévio desse cancelamento.
25.1.13
Desempregados tratados como "bandidos" em centros de emprego
in Jornal de Notícias
O presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza denunciou, esta sexta-feira, que há centros de emprego que tratam os desempregados como "bandidos" e esquecem-se que, para terem direito a subsídio de desemprego, essas pessoas já descontaram para a Segurança Social.
Sérgio Aires falava no decorrer do debate promovido pela rádio Antena 1 sobre "Estado Social. Que futuro?", em Lisboa, no qual criticou o facto de alguns centros de emprego tratarem os desempregados como "bandidos".
No final do debate, o presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN) Portugal admitiu à agência Lusa que alguns centros de emprego, em algumas zonas do país, estão a passar por situações "que os próprios funcionários nunca imaginaram", "desde o número de pessoas que acorre aos centros de emprego até ao volume de trabalho que também aumentou".
Sérgio Aires frisou que se trata de um "trabalho meramente burocrático" porque as "pessoas vão aos centros de emprego marcar presença" em vez de irem procurar ofertas de emprego ou mostrar que andam à procura de emprego.
"É provável que o cansaço de alguns funcionários de alguns centros de emprego ajude a que esta interpretação seja feita, principalmente em cidades onde o desemprego é mais acutilante, como Setúbal ou o Porto, mas a verdade é que os ecos que nos chegam é que as pessoas são tratadas como se não tivessem direito a receber aquele valor e estão a tirar dinheiro a alguém", criticou.
Sublinhou que esta é uma situação "emocionalmente muito pesada" para alguém que não contava estar desempregada, que tem outras pessoas a cargo e que muitas vezes para terem algum rendimento extra têm de fazer coisas "inimagináveis" como ir buscar um familiar a um lar para poder ter acesso ao valor da pensão e complementar assim o rendimento mensal do agregado familiar.
"Tudo isso em cima desta mesma pessoa e ainda por cima vai a um centroi de emprego e é tratado como se o dinheiro que está a receber no estivesse a roubar a alguém, não é positivo", apontou, apesar de admitir que os centros de emprego também estão atualmente "numa situação muito complicada".
Sérgio Aires alertou também que, se muitas vezes as pessoas desempregadas recorrem à economia informal, "não é porque são bandidos, mas porque têm contas para pagar e pessoas para alimentar".
"O que os nossos políticos têm de pensar é que se não se fizer nada no sentido de criar e reforçar a economia formal, a economia informal vai crescer", apontou.
Acrescentou que há preconceito em relação ao desemprego, às pessoas desempregadas, a quem recebe o Rendimento Social de Inserção (RSI), com todas as pessoas "que ficam nesta dependência do Estado como se o Estado não tivesse obrigação de lhes pagar".
O responsável deixou ainda um alerta em relação ao caminho que se está fazer em matéria de reforma do Estado Social e de como se pode estar a caminhar para o fim do Estado democrático dado que "a coesão social está em risco".
O presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza denunciou, esta sexta-feira, que há centros de emprego que tratam os desempregados como "bandidos" e esquecem-se que, para terem direito a subsídio de desemprego, essas pessoas já descontaram para a Segurança Social.
Sérgio Aires falava no decorrer do debate promovido pela rádio Antena 1 sobre "Estado Social. Que futuro?", em Lisboa, no qual criticou o facto de alguns centros de emprego tratarem os desempregados como "bandidos".
No final do debate, o presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN) Portugal admitiu à agência Lusa que alguns centros de emprego, em algumas zonas do país, estão a passar por situações "que os próprios funcionários nunca imaginaram", "desde o número de pessoas que acorre aos centros de emprego até ao volume de trabalho que também aumentou".
Sérgio Aires frisou que se trata de um "trabalho meramente burocrático" porque as "pessoas vão aos centros de emprego marcar presença" em vez de irem procurar ofertas de emprego ou mostrar que andam à procura de emprego.
"É provável que o cansaço de alguns funcionários de alguns centros de emprego ajude a que esta interpretação seja feita, principalmente em cidades onde o desemprego é mais acutilante, como Setúbal ou o Porto, mas a verdade é que os ecos que nos chegam é que as pessoas são tratadas como se não tivessem direito a receber aquele valor e estão a tirar dinheiro a alguém", criticou.
Sublinhou que esta é uma situação "emocionalmente muito pesada" para alguém que não contava estar desempregada, que tem outras pessoas a cargo e que muitas vezes para terem algum rendimento extra têm de fazer coisas "inimagináveis" como ir buscar um familiar a um lar para poder ter acesso ao valor da pensão e complementar assim o rendimento mensal do agregado familiar.
"Tudo isso em cima desta mesma pessoa e ainda por cima vai a um centroi de emprego e é tratado como se o dinheiro que está a receber no estivesse a roubar a alguém, não é positivo", apontou, apesar de admitir que os centros de emprego também estão atualmente "numa situação muito complicada".
Sérgio Aires alertou também que, se muitas vezes as pessoas desempregadas recorrem à economia informal, "não é porque são bandidos, mas porque têm contas para pagar e pessoas para alimentar".
"O que os nossos políticos têm de pensar é que se não se fizer nada no sentido de criar e reforçar a economia formal, a economia informal vai crescer", apontou.
Acrescentou que há preconceito em relação ao desemprego, às pessoas desempregadas, a quem recebe o Rendimento Social de Inserção (RSI), com todas as pessoas "que ficam nesta dependência do Estado como se o Estado não tivesse obrigação de lhes pagar".
O responsável deixou ainda um alerta em relação ao caminho que se está fazer em matéria de reforma do Estado Social e de como se pode estar a caminhar para o fim do Estado democrático dado que "a coesão social está em risco".
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