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19.5.23

Pandemia provocou cerca de 337 milhões de anos de vida perdidos

Por Lusa, in DN


É o equivalente a uma média de 22 anos de vida perdidos para cada morte em excesso.


A pandemia de covid-19 provocou quase 337 milhões de anos de vida perdidos a nível global, estimou esta sexta-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS), alertando para estagnação de vários indicadores de saúde nos últimos anos.


"Durante 2020 e 2021, a covid-19 resultou nuns impressionantes 336,8 milhões de anos de vida perdidos globalmente. Isso equivale a uma média de 22 anos de vida perdidos para cada morte em excesso, interrompendo abrupta e tragicamente a vida de milhões de pessoas", adiantou a organização.

A OMS publicou hoje o relatório anual de estatística que atualiza o impacto da pandemia na saúde global, demonstrando um "declínio" no progresso feito antes da covid-19 nos objetivos de desenvolvimento global (ODS).

As estimativas de excesso de mortalidade da OMS indicam que o número real de mortes associadas direta ou indiretamente à pandemia, entre 1 de janeiro de 2020 e 31 de dezembro de 2021, foi de aproximadamente 14,9 milhões em todo o mundo.


Esse valor representa mais 9,5 milhões de mortes do que os 5,4 milhões de óbitos inicialmente reportados durante esse período, adiantou a organização com sede em Genebra.

De acordo com os dados mais recentes da OMS, desde o início da pandemia até quarta-feira, foram confirmados mais de 766 milhões de casos de infeção pelo vírus que provoca a covid-19 e registadas cerca de 6,9 milhões de mortes.

O relatório alerta também que a proporção de mortes causadas anualmente por doenças não transmissíveis (DCNT), como as cardiovasculares e respiratórias crónicas, cancro e diabetes, "tem crescido consistentemente e agora está a reivindicar quase três quartos de todas as vidas perdidas a cada ano".

Se essa tendência continuar, os dados da OMS estimam que essas doenças "sejam responsáveis por cerca de 86% das 90 milhões de mortes anuais até meados do século", sendo responsáveis por cerca de 77 milhões de óbitos.

O documento adianta ainda que as tendências mais recentes mostram "sinais de abrandamento" nos objetivos de redução anual em vários indicadores de saúde, como é o caso da taxa de mortalidade materna global, que precisa de diminuir 11,6% ao ano até 2030 para cumprir a meta dos ODS.

"Da mesma forma, a redução líquida na incidência de tuberculose de 2015 a 2021 foi apenas um quinto do caminho para o marco de 2025" definido na estratégia de erradicação da doença da OMS.

O consumo de álcool em todo o mundo diminuiu ligeiramente entre 2010 e 2019, com os homens a continuarem a consumir cerca de três vezes mais do que as mulheres, refere o relatório, que mostra dados mais otimistas em relação ao tabaco.

"O consumo de tabaco diminuiu de forma mais acentuada: cerca de 22% da população mundial com 15 ou mais anos consumia tabaco em 2020, contra quase 33% em 2000", indica a organização.

A OMS estima também que o número de adultos entre os 30 e os 79 anos com hipertensão tenha quase duplicado para 1,28 mil milhões entre 1990 e 2019, principalmente devido ao crescimento e envelhecimento da população.

"Os serviços de água potável geridos com segurança estavam acessíveis a cerca de três quartos (74%) da população mundial em 2020. No entanto, isso traduziu-se em dois mil milhões de pessoas que ainda não tinham acesso" a esse recurso de forma segura, indica o documento.

"Alcançar o acesso universal à água, ao saneamento e aos serviços de higiene básica geridos de forma segura até 2030 exigirá um aumento de quatro vezes nas atuais taxas de progresso" nesta área, de acordo com a OMS, que classifica como "alarmante" os níveis de obesidade, que têm aumentado "sem nenhum sinal imediato de reversão".

Apesar da estagnação de alguns indicadores, as pessoas continuam a viver mais tempo e mais anos com boa saúde.

A esperança de vida global à nascença aumentou de 66,8 anos em 2000 para 73,3 anos em 2019 e a esperança de vida saudável passou dos 58,3 anos para os 63,7 anos, refere a OMS, que alerta, porém, que as "desigualdades no domínio da saúde continuam a ter um impacto desproporcionado na vida e na saúde em contextos com menos recursos".

20.2.23

Crise energética já custou quase 800 mil milhões de euros à Europa

Paulo Passarinho, in Notícias online

A crise energética já obrigou os países europeus a gastarem cerca de 800 mil milhões de euros para mitigar o impacto da mesma e assegurar fornecimento de energia. O impacto da guerra na Ucrânia é já superior ao sofrido com a pandemia da Covid-19.

Investigadores da Bruegel referem que na União Europeia já foram gastos cerca de 681 mil milhões de euros, no Reino Unido €103 mil milhões e só na Noruega €8,1 mil milhões, desde setembro de 2021. Um total de 792,1 mil milhões de euros para sermos mais exatos.

A Alemanha, com uma fatura de 270 mil milhões de euros, surge no topo da lista dos países que já mais gastaram desde o início da crise provocada em parte pela invasão russa e consequentes bloqueios económicos e energéticos. O pódio da União Europeia fecha com Itália e França.

Portugal surge com um total de €8,9 mil milhões, o que corresponde a cerca de 4,2% do PIB de referência a 2021.

Numa análise per capita, Luxemburgo, Dinamarca e Alemanha são os maiores gastadores.

O relatório da Bruegel refere também que os gastos com a energia são uma preocupação extra no momento em que decorrem debates sobre as regras de ajuda estatal a maiores investimentos em projetos de energia verde, como projetos de energia solar, eólica ou hidrogénio.

Renováveis poderão ser a principal fonte energética mundial até 2025

O problema das ajudas estatais é mais evidente quando se percebe que países com o poderio económico da Alemanha podem influenciar o desenvolvimento de novos investimentos nas energias renováveis em detrimento de países com menor capacidade negocial.

A Bruegel conclui que a dinâmica de subsidiar via corte de impostos (sobre combustíveis por exemplo) terá que ser mudada já que os orçamentos fiscais começam a não poder manter estes níveis de cortes a longo prazo.

11.7.22

Mortes de idosos por covid-19 levaram ao rejuvenescimento do país

in JN

A mortalidade por covid-19 nos idosos levou a um rejuvenescimento da estrutura etária em Portugal, onde se registou um excesso de 12 mil mortes em 2020, avança um relatório do Conselho Nacional de Saúde (CNS), divulgado esta segunda-feira.

"O facto de os indivíduos mais velhos terem sido os mais atingidos pela mortalidade por covid-19 tem um impacto nas tendências de envelhecimento da população. No curto prazo, regista-se um certo rejuvenescimento da estrutura etária - não por aumento da natalidade, mas por decréscimo da sua população mais velha - e uma diminuição do índice de longevidade", adianta o relatório "Pandemia de covid-19: Desafios para a saúde dos portugueses".

Segundo o documento deste órgão independente de consulta do Governo, em 2020, primeiro ano da pandemia, registou-se um excesso de cerca de 12 mil óbitos, comparando com o número médio de mortes observadas entre 2016 e 2019.

"Este excesso de mortalidade iniciou-se logo no mês de março de 2020, continuando ao longo dos restantes nove meses desse ano, e nos meses de janeiro, fevereiro e de julho a dezembro de 2021, ainda que com menor expressão", adianta o documento do CNS presidido por Henrique Barros.

Em 2020, as regiões com maior excesso de mortalidade, comparando com a média de 2016-2019, foram o Norte, com 154 óbitos por 100 mil habitantes, o Alentejo (144 mortes) e a Área Metropolitana de Lisboa (106 mortes).

"Se o excesso de mortalidade observado em março e abril e de outubro em diante coincidiram com os picos de incidência da infeção (primeira, segunda e início da terceira vaga), o excesso de mortalidade sentido no final de maio e entre julho e agosto de 2020 não coincidiu com incidências elevadas no país", revela o documento.

A taxa de mortalidade em Portugal subiu de 10,9 por mil em 2019 para 12 em 2020 e cerca de 19 mil pessoas perderam a vida com covid-19 até ao final de 2021.

"Se cerca de 80% dos casos de infeção registados ocorreram em indivíduos abaixo dos 65 anos, já 93% dos óbitos covid-19 atingiram as franjas mais velhas de população (acima dos 65, com especial destaque para os mais de 85)", refere o relatório.

O CNS alerta ainda que a natalidade e a fecundidade podem ter sido - ou vir ainda a ser - influenciadas pela pandemia e pela alteração da vida quotidiana dos portugueses.

Os dados publicados no documento indicam que, em 2020, nasceram 84.426 crianças em Portugal, menos 2.294 do que na média dos anos 2016-2019 e, no final de 2021, os dados provisórios indicavam que tinham sido registados apenas 79.548 recém-nascidos, o que corresponde a menos 4.878 do que no ano anterior.

"A queda entre 2019 e 2021 vem reforçar essa tendência, para a qual podem ter contribuído o medo da pandemia, os constrangimentos económicos e sociais colocados às famílias, a dificuldade de as franjas mais jovens de população acederem a condições de vida autónomas que lhes permitam sequer perspetivar um projeto de procriação", avança o CNS.

Quanto à esperança média de vida, baixou dos 81,8 em 2019 para 81,1 em 2020, "facto que não serão alheios os impactos, diretos e indiretos, da pandemia", refere o relatório, que salienta também que, de 2020 para 2021, houve uma redução dos níveis de stresse, ansiedade e depressão dos portugueses.

Essa diminuição reflete uma adaptação generalizada às adversidades da pandemia, ainda que menos evidente em alguns grupos populacionais, como nas mulheres, nas pessoas desempregadas e com doença crónica, explica o relatório.

Neste capítulo dedicado aos indicadores sociais e demográficos, o documento concluiu também que os trabalhadores pouco qualificados de baixas remunerações, com contratos precários ou envolvidos na economia informal, foram "não só como dos mais atingidos pela pandemia, como os que suportam intensamente as suas consequências negativas sobre o seu nível de vida".

Relativamente à educação durante a pandemia, que teve dois períodos de suspensão da atividade presencial nas escolas durante 2020 e no primeiro semestre de 2021, o CNS constatou que, comparativamente com outros países, Portugal foi dos que "adotou uma política mais severa nesta matéria, sem que se fundamentasse verdadeiramente a evidência científica que a suportava".

O documento adianta que, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, em 2020 e 2021 (descontando férias, fins de semana e feriados), as escolas até ao nono ano fecharam cerca de 100 dias, "dados que contrastam com os de outros países europeus, nomeadamente Espanha, Bélgica ou França (cerca de 50)".

O documento, que é apresentado esta segunda-feira numa sessão na Assembleia da República, analisa o impacto da pandemia nos principais indicadores sociodemográficos, na saúde mental da população e na prestação de cuidados de saúde.

Criado em 2016, o CNS é um órgão independente de consulta do Governo, que visa garantir a participação dos cidadãos na definição das políticas de saúde e promover uma cultura de transparência e de prestação de contas perante a sociedade.