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11.7.22

Resposta do SNS à pandemia com "impactos profundos" nos cuidados de saúde

in TSF

O Conselho Nacional da Saúde aponta para uma redução de 700 mil cirurgias programadas e de 50 mil urgentes em 2020.

"A organização da resposta em cuidados de saúde à Covid-19 teve impactos profundos na prestação de cuidados de saúde não-Covid substanciados na alteração da atividade assistencial, na redução das atividades relacionadas com a prevenção da doença ou promoção da saúde", sublinha o relatório "Pandemia de Covid-19: Desafios para a saúde dos portugueses" esta segunda-feira divulgado.

Segundo o documento do Conselho Nacional da Saúde (CNS), comparando com a média de 2015 a 2019, em Portugal continental registou-se uma redução de 19% no número de intervenções cirúrgicas programadas em 2020, ou seja, menos cerca de 700 mil cirurgias, com redução superior (23,1%) nas cirurgias convencionais.

Mesmo as cirurgias urgentes tiveram uma diminuição de 8,3%, com menos cerca de 50 mil realizadas no primeiro ano da pandemia, refere o órgão independente de consulta do Governo, que concluiu ainda que pouco menos de 3/4 das consultas foram realizadas dentro do Tempo Máximo de Resposta Garantido em 2020, valor que voltou a subir para os valores pré-pandemia em 2021.

De acordo com o documento, durante 2020 e 2021 registou-se também uma quebra do número de consultas médicas nos cuidados de saúde primários, comparativamente ao período de 2016 a 2019, assim como uma diminuição de 1,1 pontos percentuais da cobertura da população inscrita com médico de família, contrariando uma tendência crescente verificada em anos anteriores.

"Nos cuidados de saúde hospitalares a redução da proporção de utentes com acesso a cuidados foi um pouco mais marcada", refere o documento, ao avançar que, em 2020, houve uma redução de 12,2 a 21,6% das primeiras consultas hospitalares, sendo esta diminuição menos acentuada nas consultas subsequentes (entre 0,04% e 16,6%).

Também os cuidados de saúde preventivos sofreram uma "forte disrupção com a pandemia", particularmente evidente em 2020, indica o documento, alertando que, se a diminuição da atividade assistencial tem implicações profundas no imediato, os impactos na área dos cuidados preventivos e de promoção da saúde "certamente se encontrarão com maior evidência no avanço da linha do tempo".

De acordo com o relatório, a vigilância das pessoas com diabetes sofreu um "impacto significativo", com redução da proporção de vigilância do pé diabético ou controlo de hemoglobina glicada.

"Existiu igualmente uma redução de 102.812 pessoas rastreadas para a retinopatia diabética no ano de 2020", indica o CNS, que avança que menos 174.218 mulheres foram rastreadas para o cancro da mama, menos 124.835 mulheres para o cancro do colo do útero e menos 34.920 pessoas rastreadas para o cancro do cólon e reto.

"Quanto aos rastreios de âmbito populacional, em 2020, em Portugal continental, a proporção de população elegível rastreada para o cancro da mama decresceu quanto à média dos anos 2016-2019, com uma redução de cerca de 10 pontos percentuais relativamente a 2019", sublinha o documento.

O número de utentes com problemas relacionados com álcool em tratamento diminuiu de 2019 para 2020 em cerca de 8%, com uma redução de quase 50% do número de novos utentes em tratamento e 30% dos utentes readmitidos.

Apesar das reduções, o CNS assinala que "não houve paragem dos cuidados, embora estes tenham ficado fortemente comprometidos" durante a pandemia de Covid-19.

No que diz respeito aos recursos humanos, entre 2018 e 2021, verificou-se um aumento de 16,3% no número de trabalhadores no SNS, sendo que o grupo com maior aumento foi o dos assistentes operacionais (24,2%), seguido do dos técnicos de saúde (22,1%) e do dos técnicos de diagnóstico e terapêutica (20,9%).

O número de médicos - sem considerar internos de especialidade - cresceu 11,9% e o de enfermeiros 16,8% entre 2018 e agosto de 2021.

Relativamente à saúde mental, o relatório do CNS recorda que, em Portugal, existiram dois períodos de confinamento geral - de março a abril 2020 e de janeiro a março 2021 - que colocaram a questão do seu "impacto nos níveis de solidão, depressão, uso nocivo de álcool e outras drogas e comportamentos de auto-lesão".

"A generalização, quase instantânea, do teletrabalho provocou sentimentos de isolamento social e solidão que, por sua vez, reduziram a capacidade de lidar com as mudanças na carga de trabalho e no tempo de trabalho, afetando adversamente os níveis de stresse e o bem-estar mental e físico dos trabalhadores", refere o documento.

No geral, o CNS alerta que a pandemia poderá ter, direta e indiretamente, afetado a saúde mental da população e levado ao aumento de procura dos serviços relevantes.

"Medo, luto, isolamento, perda de rendimento poderão ter desencadeado novos problemas de saúde mental ou agravado os pré-existentes, assim como a própria Covid-19 poderá aumentar o risco de morbilidade psicológica e neurológica, a curto e médio prazo", adianta.

O documento, que é apresentado hoje numa sessão na Assembleia da República, analisa o impacto da pandemia nos principais indicadores sociodemográficos, na saúde mental da população e na prestação de cuidados de saúde.

Criado em 2016, o CNS é um órgão independente de consulta do Governo, que visa garantir a participação dos cidadãos na definição das políticas de saúde e promover uma cultura de transparência e de prestação de contas perante a sociedade.



Mortes de idosos por covid-19 levaram ao rejuvenescimento do país

in JN

A mortalidade por covid-19 nos idosos levou a um rejuvenescimento da estrutura etária em Portugal, onde se registou um excesso de 12 mil mortes em 2020, avança um relatório do Conselho Nacional de Saúde (CNS), divulgado esta segunda-feira.

"O facto de os indivíduos mais velhos terem sido os mais atingidos pela mortalidade por covid-19 tem um impacto nas tendências de envelhecimento da população. No curto prazo, regista-se um certo rejuvenescimento da estrutura etária - não por aumento da natalidade, mas por decréscimo da sua população mais velha - e uma diminuição do índice de longevidade", adianta o relatório "Pandemia de covid-19: Desafios para a saúde dos portugueses".

Segundo o documento deste órgão independente de consulta do Governo, em 2020, primeiro ano da pandemia, registou-se um excesso de cerca de 12 mil óbitos, comparando com o número médio de mortes observadas entre 2016 e 2019.

"Este excesso de mortalidade iniciou-se logo no mês de março de 2020, continuando ao longo dos restantes nove meses desse ano, e nos meses de janeiro, fevereiro e de julho a dezembro de 2021, ainda que com menor expressão", adianta o documento do CNS presidido por Henrique Barros.

Em 2020, as regiões com maior excesso de mortalidade, comparando com a média de 2016-2019, foram o Norte, com 154 óbitos por 100 mil habitantes, o Alentejo (144 mortes) e a Área Metropolitana de Lisboa (106 mortes).

"Se o excesso de mortalidade observado em março e abril e de outubro em diante coincidiram com os picos de incidência da infeção (primeira, segunda e início da terceira vaga), o excesso de mortalidade sentido no final de maio e entre julho e agosto de 2020 não coincidiu com incidências elevadas no país", revela o documento.

A taxa de mortalidade em Portugal subiu de 10,9 por mil em 2019 para 12 em 2020 e cerca de 19 mil pessoas perderam a vida com covid-19 até ao final de 2021.

"Se cerca de 80% dos casos de infeção registados ocorreram em indivíduos abaixo dos 65 anos, já 93% dos óbitos covid-19 atingiram as franjas mais velhas de população (acima dos 65, com especial destaque para os mais de 85)", refere o relatório.

O CNS alerta ainda que a natalidade e a fecundidade podem ter sido - ou vir ainda a ser - influenciadas pela pandemia e pela alteração da vida quotidiana dos portugueses.

Os dados publicados no documento indicam que, em 2020, nasceram 84.426 crianças em Portugal, menos 2.294 do que na média dos anos 2016-2019 e, no final de 2021, os dados provisórios indicavam que tinham sido registados apenas 79.548 recém-nascidos, o que corresponde a menos 4.878 do que no ano anterior.

"A queda entre 2019 e 2021 vem reforçar essa tendência, para a qual podem ter contribuído o medo da pandemia, os constrangimentos económicos e sociais colocados às famílias, a dificuldade de as franjas mais jovens de população acederem a condições de vida autónomas que lhes permitam sequer perspetivar um projeto de procriação", avança o CNS.

Quanto à esperança média de vida, baixou dos 81,8 em 2019 para 81,1 em 2020, "facto que não serão alheios os impactos, diretos e indiretos, da pandemia", refere o relatório, que salienta também que, de 2020 para 2021, houve uma redução dos níveis de stresse, ansiedade e depressão dos portugueses.

Essa diminuição reflete uma adaptação generalizada às adversidades da pandemia, ainda que menos evidente em alguns grupos populacionais, como nas mulheres, nas pessoas desempregadas e com doença crónica, explica o relatório.

Neste capítulo dedicado aos indicadores sociais e demográficos, o documento concluiu também que os trabalhadores pouco qualificados de baixas remunerações, com contratos precários ou envolvidos na economia informal, foram "não só como dos mais atingidos pela pandemia, como os que suportam intensamente as suas consequências negativas sobre o seu nível de vida".

Relativamente à educação durante a pandemia, que teve dois períodos de suspensão da atividade presencial nas escolas durante 2020 e no primeiro semestre de 2021, o CNS constatou que, comparativamente com outros países, Portugal foi dos que "adotou uma política mais severa nesta matéria, sem que se fundamentasse verdadeiramente a evidência científica que a suportava".

O documento adianta que, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, em 2020 e 2021 (descontando férias, fins de semana e feriados), as escolas até ao nono ano fecharam cerca de 100 dias, "dados que contrastam com os de outros países europeus, nomeadamente Espanha, Bélgica ou França (cerca de 50)".

O documento, que é apresentado esta segunda-feira numa sessão na Assembleia da República, analisa o impacto da pandemia nos principais indicadores sociodemográficos, na saúde mental da população e na prestação de cuidados de saúde.

Criado em 2016, o CNS é um órgão independente de consulta do Governo, que visa garantir a participação dos cidadãos na definição das políticas de saúde e promover uma cultura de transparência e de prestação de contas perante a sociedade.

5.6.20

Conselho de Saúde alerta para possível aumento da pobreza da população

in o Observador

Um "aumento da pobreza da população" é uma possibilidade, alerta o Conselho Nacional de Saúde, baseando-se nos resultados de um estudo sobre os pedidos de ajuda devido à pandemia.

O Conselho Nacional de Saúde (CNS) alertou esta quinta-feira para a possibilidade de um “aumento da pobreza da população” com base nos resultados de um estudo sobre os pedidos de ajuda às juntas de freguesia devido à pandemia de Covid-19.

“O CNS alerta para o facto de estes resultados poderem refletir um aumento da pobreza na população, associado às alterações bruscas no mercado de trabalho e no rendimento, seja por situação de layoff ou desemprego”, refere um comunicado daquele órgão, na sequência de um estudo com base num inquérito online remetido às 3.092 freguesias portuguesas e que obteve 860 respostas válidas (27,8%).
O CNS é um órgão de consulta do Governo na definição de políticas de saúde e tem por missão proporcionar a participação das várias entidades científicas, sociais, culturais e económicas na procura de consensos alargados.

De acordo com a análise do CNS, a dificuldade na aquisição de alimentos e medicamentos por incapacidade de sair de casa foi a principal razão que levou as pessoas com dependência funcional – pessoas idosas, pessoas portadoras de deficiência ou doença mental – e os seus familiares a pedirem apoio às juntas de freguesia, no âmbito da pandemia.

No caso dos agregados familiares com carências económicas, houve pedidos de ajuda para o “pagamento das rendas de casa, alimentos e medicamentos e também para a falta de acesso a computadores, telemóveis e telefones”, bem como relativos à falta de acesso à internet, que se tornou indispensável para que muitas crianças pudessem beneficiar do ensino à distância.

O estudo permitiu também detetar diferenças nos diversos territórios, no que respeita às dificuldades sentidas pelas pessoas com dependência funcional ou familiares, com Viana do Castelo, Portalegre e Castelo Branco a reportarem mais pedidos de ajuda por este grupo populacional, contrariamente a Bragança, Guarda e Setúbal, que reportaram menor frequência de pedidos de ajuda deste grupo.

Relativamente aos agregados com dificuldades económicas, Portalegre, Faro e a Região Autónoma dos Açores registaram mais pedidos de ajuda, enquanto Beja, Setúbal e Évora reportaram menor frequência de pedidos de ajuda deste grupo populacional.

O CNS constatou que houve “poucos pedidos de ajuda” às juntas de freguesia por parte dos restantes grupos populacionais, nos quais se incluem as “pessoas sem-abrigo, imigrantes em situação irregular, minorias étnicas, utilizadores de drogas e trabalhadores do sexo”, mas admite que estes grupos podem ter recorrido a outras instituições.

O CNS refere ainda que, no mesmo inquérito, “as juntas de freguesia salientaram a necessidade de uma melhor articulação interinstitucional, a nível local, especialmente com os municípios e os serviços de saúde”, bem como a necessidade de “mais recursos” para atuarem junto da população.

Por isso, defende “uma melhor articulação entre as estruturas da rede social e os serviços de saúde”, para assegurar “maior eficiência na resposta às necessidades, atuais e futuras, criadas pela pandemia Covid-19”.
Em Portugal, morreram 1.455 pessoas das 33.592 confirmadas como infetadas, e há 20.323 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.
A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.