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7.6.23

Uma em cada 10 pessoas adoece por consumir alimentos em mau estado

Por Lusa, in SIC

Os alimentos contaminados são ainda responsáveis por mais de 200 doenças. Os dados são da ONU, que lançou um guia por ocasião do Dia Mundial da Segurança Alimentar.


Uma em cada dez pessoas do mundo adoece todos os anos por consumir alimentos contaminados, que são responsáveis por mais de 200 doenças, indicam dados da ONU.

Por ocasião do Dia Mundial da Segurança Alimentar, que se assinala esta quarta-feira, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) lançou um guia sobre segurança alimentar, promovendo boas práticas e alertando que a comida insegura mata.

Promovida, além da FAO, pela Organização Mundial de Saúde (OMS) a efeméride, tem este ano o tema "Normas alimentares salvam vidas" e destina-se a inspirar ações que permitam prevenir, detetar e gerir riscos de origem alimentar, contribuindo para a segurança alimentar, a saúde, o crescimento económico e o desenvolvimento sustentável.

No último dia de maio morreram 15 pessoas de uma mesma família na Namíbia, depois de comerem uma papa de cereais, alimento básico para os pobres do país, havendo suspeita de intoxicação alimentar.

A propósito do dia que se assinala esta quarta-feira, a Lusa falou com duas organizações que contribuem para a segurança alimentar e lutam contra o desperdício, numa altura em que, segundo as Nações Unidas, 870 milhões de pessoas passam fome no mundo, onde um terço dos alimentos que se produzem é desperdiçado. Na Europa desperdiçam-se em cada ano 88 milhões de toneladas de alimentos.
Uma aplicação para salvar alimentos do desperdício

Para salvar alimentos do desperdício a empresa "Too Good To Go" (criada na Dinamarca em 2016 depois de um grupo de amigos ver ser deitada fora toda a comida que não tinha sido consumida num restaurante), faz, através de uma aplicação, a ligação entre consumidores e restaurantes, supermercados, mercearias e hotéis, permitindo aos utilizadores comprar a preços mais baixos produtos que não iam ser usados.

Mariana Banazol, diretora de marketing da empresa para a Península Ibérica, disse à lusa que a empresa está em Portugal desde outubro de 2019, tendo já a adesão de 1,5 milhões de utilizadores e de mais de 3.700 estabelecimentos. A "Too Good To Go" está hoje em 17 países, com mais de 80 milhões de utilizadores e 134.000 parceiros.

Em todos a ideia é a mesma: o estabelecimento ganha porque evita o desperdício alimentar e reduz perdas económicas, o consumidor ganha porque compra mais barato, e o planeta ganha porque se evitam impactos ambientais. Porque, lembra, "o desperdício alimentar é responsável por 10% das emissões de gases com efeito de estufa".

Até hoje, a empresa já evitou, a nível global, que 200 milhões de caixas de produtos fossem parar ao lixo, o equivalente a 500.000 toneladas de dióxido de carbono (CO2). "Tem um impacto ambiental equivalente a 100.000 bilhetes de avião à volta do mundo ou a um duche quente e contínuo durante mais de 2.400 anos", diz a responsável.

Em Portugal, a "Too Good to Go" já recuperou mais de 2,9 milhões de caixas, evitando o desperdício de mais de 2.900 toneladas de alimentos.

Frisando que o objetivo da empresa é "conseguir um planeta sem desperdício alimentar", Maria Banazol diz querer mais lojas e utilizadores a juntar-se à causa. E lembra o projeto da empresa chamado "Observar, Cheirar, Provar", de sensibilização e informação sobre datas de validade, já que a confusão sobre elas é responsável, diz, por 10% do desperdício alimentar na Europa.
Uma aplicação que dá uma última oportunidade aos produtos

Outra aplicação com o mesmo objetivo, esta nascida em França há uma década, é a Phenix. Em Portugal há sete anos, baseia-se também numa aplicação que faz a ligação entre as empresas e os consumidores. Supermercados ou restaurantes, frutarias, padarias ou talhos, floristas ou peixarias, vendem cabazes de produtos em fim de vida a preços mais baixos.


"Dão uma última oportunidade aos produtos mas também estão a divulgar o seu negócio", disse à Lusa Carlos Hipólito, o responsável em Portugal da empresa, explicando que o cliente ao ir buscar o cabaz que comprou acaba por conhecer a loja em questão.

Além de apoiar as grandes empresas de retalho por exemplo com ferramentas para controlar validade dos produtos a Phenix trabalha com essas empresas e com instituições. São atualmente mais de 1.300, segundo o responsável, que recebem produtos gratuitamente, tendo as empresas, com isso, benefícios fiscais.

São instituições de todo o país que usufruem de produtos que depois, por exemplo, distribuem por famílias carenciadas. E quando esses produtos já não podem ser doados para humanos a Phenix também tornou possível, consoante os casos, o aproveitamento para animais.

Esta ligação entre grandes empresas e instituições é hoje o grosso do trabalho da Phenix. Carlos Hipólito lamenta que outros países não permitam, como Portugal, benefícios fiscais nestas doações.

Por eles existirem, afirma, a Phenix e os parceiros apoiaram no ano passado mais de 100 mil famílias (através das instituições) e foram doados bens equivalentes a 30 milhões de euros. ""Falamos de nove mil toneladas de alimentos doados, falamos de mais de 18 milhões de refeições, falamos de 63 mil toneladas de CO2 evitadas", diz.

O Dia Mundial da Segurança Alimentar visa chamar a atenção e inspirar ações para ajudar a prevenir, detetar e gerir os riscos alimentares.

A ONU estima que morram anualmente 600 milhões de pessoas por consumirem alimentos não seguros.

8.5.23

258 milhões de pessoas no mundo passam fome: o número mais alto dos últimos 7 anos

in SIC


A situação é particularmente mais grave em sete países, em que uma grande percentagem da população vai morrer por causa da fome. 35 milhões de crianças, com menos de 5 anos, estão gravemente mal nutridas.


As guerras, as alterações climáticas e os impactos da pandemia. São estas as principais causas do aumento da fome em todo o mundo. Os números continuam a crescer e 2023 já é o pior dos últimos 7 anos, segundo as Nações Unidas.

São 258 milhões de pessoas, em quase 60 países, que passam por muitas dificuldades para se alimentarem todos os dias. A situação é particularmente mais grave em sete países, em que uma grande percentagem da população vai morrer por causa da fome.

Na Somália, a nação em que as pessoas estão mais em risco, 60% dos habitantes não conseguem fazer nem uma refeição por dia. Democrática do Congo, o Iemen e o Afeganistão completam a lista dos países onde a falta de comida é o problema mais crítico.
35 milhões de crianças estão gravemente mal nutridas

Os mais novos correspondem ao grupo de risco. 35 milhões de crianças, com menos de 5 anos, estão gravemente mal nutridas. A puberdade será inalcançável para muitos, por causa dos vários problemas de saúde em consequência da falta de uma alimentação adequada ao crescimento.

A ONU diz que a humanidade continua a falhar todos os objetivos e que é preciso uma mudança na política de apoio aos mais necessitados. As Nações Unidas pedem medidas eficazes de combate à fome.

Segundo o Índice Global da Fome 2022, não se prevê qualquer melhoria até 2030.

1.3.23

Há um ano o mundo nunca mais foi o mesmo

António Cerca Martins, in Diário as Beiras

Foi há um ano que a guerra na Ucrânia começou. A 24 de fevereiro de 2022, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou “operação militar especial” para “desmilitarizar e desnazificar” a Ucrânia.
Desde então, o Mundo mudou. A economia mundial abrandou, as tensões políticas entre os países aumentaram, bem como a tensão militar e nuclear. A Rússia está mais isolada, mas é a Ucrânia que tem um país destruído.

Segundo dados da ONU, a guerra na Ucrânia já vitimou mais de oito mil civis. Donetsk é, por larga margem, a região há um maior número de civis mortos (3.800), seguida por Kharkov (924 mortos) e Kiev e arredores (955 mortos).

O Alto-Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, assumiu, no entanto, que “os dados são apenas a ponta do iceberg numa guerra cujo custo para os civis é insuportável”.

Maior crise de refugiados desde a segunda guerra

Não só as vítimas mortais e os feridos sofreram com a guerra. A ONU revelou que, desde a segunda guerra mundial, que não havia uma crise de refugiados com esta escala.
A guerra já forçou mais de oito milhões de pessoas a abandonar a Ucrânia. Houve ainda cinco milhões de pessoas que mudaram de localidade dentro da Ucrânia.
Entre os países que receberam os refugiados da guerra, a Polónia é, segundo a ONU, o país que mais ucranianos acolheu. Estima-se que se fixaram território polaco mais de um milhão de ucranianos.
Também as forças russas afirmam ter recebido “pelo menos” cinco milhões de ucranianos.

56 mil proteções temporárias em Portugal

No início do ano, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) Portugal atribuiu quase 56.600 proteções temporárias a pessoas que fugiram da guerra na Ucrânia. Sendo que cerca de um quarto foram concedidas a menores.

O SEF revela também que comunicou ao Ministério Público a situação de 737 menores ucranianos que chegaram a Portugal sem os pais ou representantes legais.

Economia de rastos

Outro dos efeitos nefastos que a guerra trouxe foi a destruição da economia. Além das cidades destruídas, cujo valor dos danos ascende, segundo a Escola de Economia de Kiev, a 129 mil milhões de euros, o PIB do país diminui, no ano passado, 32 por cento.

O primeiro-ministro ucraniano Denys Shmygal disse, no início de fevereiro, que a guerra causou até agora entre 550 e 690 mil milhões de euros de prejuízos no país.

O resto do mundo também sofreu efeitos colaterais da guerra na Ucrânia.

Os preços dos produtos dos bens de primeira necessidade, tal como a energia, subiram em 2022 como há muito não se via.

As economias dos países também abrandaram e a incerteza no futuro continua.
O Índice de Incerteza Mundial do Fundo Monetário Internacional mostra que, embora os níveis de incerteza a nível global tenham caído em dezembro, permanecem elevados, com a invasão russa da Ucrânia a continuar a ser o fator dominante.

Efeitos políticos

Em termos políticos muitos países entraram em jogo para tentar apaziguar ou resolver a invasão russa.
Na Europa, o conflito suscitou preocupações relativamente à capacidade do continente para se defender, mas os países têm dado apoio militar aos ucranianos. O apoio à Ucrânia tem sido gerido com muito cuidado, face à dependência que há muito existe da energia russa.

Já União Europeia tem condenado a agressão militar da Rússia contra a Ucrânia, tendo não só fornecido dinheiro para fazer face às consequências humanitárias, como sancionou economicamente a Rússia pela invasão.

Os Estados Unidos da América (EUA) têm sido uma posição forte de apoio ao governo ucraniano. No inicio da semana Joe Biden visitou Kiev e Volodymyr Zelensky agradeceu-lhe por liderar o apoio prestado à Ucrânia. Os EUA têm fornecido material bélico aos ucranianos e sancionado economicamente a Rússia.

Em contrapartida, a China tem apoiado a ofensiva russa. O ministro chinês dos Negócios Estrangeiros afirmou em outubro que a China apoia o lado russo” para “superar as dificuldades e eliminar a interferência externa”.


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