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17.1.22

Reclusos com mais de 60 anos quase triplicam em doze anos

Ana Cristina Pereira (texto) e Paulo Pimenta (fotografias), in Público on-line

A população prisional está cada vez mais envelhecida, o que obriga a repensar espaços, mas também modos de funcionar. Sexto capítulo da série sobre o que está a mudar entre grades

Há quem envelheça saudável, mas uns têm dificuldade em subir e descer escadas, outros ouvem mal, alguns até precisam de ajuda para tomar banho, vestir-se, comer. No final do ano, 953 reclusos contavam mais de 60 anos. O mais velho ia nos 91. Seguiam-no, de perto, um com 80 e dois com 88.

Apesar de o número de reclusos estar a diminuir, o peso dos maiores de 60 anos tem crescido de ano para ano: 3,2% em 2010, 5,3% em 2015, 7,8% em 2020. Numa década, esse grupo mais do que duplicou, passando de 327 em 2010 para 889 em 2020. No final de Novembro de 2021, já pouco faltava para triplicar. Maior seria a proporção, se fosse a contar os maiores de 50, como fazem os estudiosos, atendendo ao quanto a prisão acelera o envelhecimento (muitas vezes, as pessoas já entram com vulnerabilidades, que o confinamento exacerba).


Há quem chegue à prisão numa fase tardia da vida, como Carmen, de 79 anos, conduzida ao Estabelecimento Prisional de Santa Cruz do Bispo – Feminino quando, em Julho de 2020, a Polícia Judiciária apreendeu 15 quilos de cocaína num contentor. E há quem tenha envelhecido na prisão, como José, que soma 71 anos.

Num delírio persecutório, José matou o pai e foi declarado inimputável em 1987, saindo só em 2019 da clínica psiquiátrica de Santa Cruz do Bispo – Masculino para a unidade de internamento forense do Hospital Magalhães Lemos, onde, sem qualquer retaguarda familiar, aguarda vaga da Segurança Social numa estrutura residencial para idosos. Desloca-se em cadeira de rodas, já não tem dentes, desenvolveu uma demência. Precisa de ajuda para se levantar, tomar banho, vestir-se, deitar-se. Passa grande parte do dia a ver televisão.

José já não está capaz de conversar. Carmen, sim. “Toda a vida fui empresária”, contou, em castelhano. Vivia entre Portugal e Espanha. “Tinha uma empresa aqui. Importávamos pedra. No último contentor, em Porto Rico, meteram-nos, pela parte de fora, droga. Eu não vi. Não vi porque não estava.” Apresentaria essa estratégia de defesa ao tribunal. Entretanto, tentava manter-se ocupada. “Gosto de aprender. Perguntei se havia Português, disseram-me que sim. Estupendo. Vou duas vezes por semana ao Português. Ocupo o tempo e aprendo, perfeito. Logo, há terapia ocupacional. Também gosto muito. Gosto muito porque me mexo.” E lê muito, uma actividade que poucas idosas portugueses ali costuma atrair, atendendo à sua baixa escolaridade.

O fenómeno está a acontecer em todo o mundo ocidental, reflectindo o envelhecimento da população em geral e as políticas penais. Não é só uma questão de barreiras arquitectónicas, como a existência de degraus e a inexistência de corrimões. Os idosos tendem a ser menos tolerantes ao frio, ao calor, ao ruído, a carecer de mais cuidados médicos, a não ter tanta destreza física ou mental.
Prisões geriátricas ou alas

Pedro das Neves, director executivo da IPS – Innovative Prison Systems, uma empresa de pesquisa e consultoria especializada em serviços de justiça e prisionais, dá o exemplo do Ohio, nos Estados Unidos. Delineou um plano a longo prazo, identificando o que teria de construir ou adaptar. E previu a construção de unidades específicas para idosos perto de hospitais. “A tendência vai ser esta: mudar de uma perspectiva mais punitiva para aquilo que tem mais que ver com a prestação de cuidado a quem tem de cumprir pena e tem já alguma idade.”

Não faltam experiências pelo mundo fora. A Alemanha, por exemplo, criou há muito uma prisão geriátrica, Singen, em Baden-Württemberg , com lotação para 54 homens. E a República Dominicana criou há pouco, em San Domingo, um complexo com lotação para 150 distribuídos por 25 casas.

Pedro das Neves, que é membro da direcção da International Corrections and Prisons Association, menciona este último modelo, financiado pelas Nações Unidas. “Para além de estarem mais protegidos dos outros reclusos que podem tirar partido das suas vulnerabilidades, têm cuidados de saúde diferenciados”, diz. E exigem menos segurança. “Não quer dizer que um recluso com 65 ou 70 não fuja ou não queira fugir, mas já não tenta subir um muro de sete metros.”

Há soluções intermédias. Ocorre-lhe o exemplo da “Bélgica, onde foram adaptadas alas dentro de prisões para ter estas pessoas separadas da população geral de reclusos e com outro tipo de cuidados”. Já Portugal continua a ter a população prisional mais velha espalhada pelas várias prisões. Vê-se, salienta a socióloga Adriana Silva, que fez tese de doutoramento sobre este tema, alguma virtude na mistura: os mais velhos acalmam os mais novos.

Chegou a aventar-se, em 2017, a possibilidade de transformar o antigo Estabelecimento Prisional da Guarda, que então acolhia o Centro Educativo do Mondego, numa prisão de baixa segurança exclusiva para reclusos mais velhos, mas a ideia não saiu da gaveta. E já nem é referida pela Direcção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) quando se procura saber, com insistência, de que forma as prisões lidam com o envelhecimento, em particular com os idosos que padecem de doença crónica ou terminal, demência, perda de audição ou incontinência.

No EP de Santa Cruz do Bispo – Masculino, na área reservada aos inimputáveis, há uma pequena unidade destinada aos mais dependentes. Alguns reclusos do regime comum, a quem entretanto é diagnosticado algum tipo de demência, vão sendo encaminhados para aquela prisão. No Hospital Prisional de São João de Deus, em Lisboa, existe uma pequena unidade de cuidados continuados que também recebe gente de muito lado.

Não é tema que a DGRSP goste de ver tratar. Uma reportagem específica nunca foi autorizada, apesar de estar a ser pedida pelo PÚBLICO desde o Verão de 2019. Tão-pouco uma conversa com Jorge Monteiro, responsável pelo Centro de Competências para a Gestão de Projectos e Programas, pedida desde o Verão de 2021.

Limita-se a DGRSP a declarar, por escrito, que o quotidiano dos reclusos mais velhos “segue os horários e as actividades previstas nos regulamentos, naturalmente adaptadas às condições de saúde e físicas das pessoas”. “São seguidos nos estabelecimentos prisionais pelas equipas de saúde (clínicos gerais e enfermeiros), sendo que sempre que necessitam de cuidados especializados recorrem ao hospital prisional ou ao sistema nacional de saúde.”

Houve um reforço dos cuidados de saúde. A DGRSP admite que o modelo que vigorou até 2019, “alicerçado na contratação de empresas privadas, revelou-se ineficaz, senão mesmo prejudicial”. “A forte componente de outsourcing, contratação de empresas privadas prestadoras de cuidados de saúde, apresentava inúmeras fragilidades.” No quadro, cresceu o número de enfermeiros (78 em 2015 para 159 em 2019 para 195 em 2021). O de psiquiatras manteve-se (10), mas aumentou o de contratados (38 em 2020 para 46 em 2021). O de técnicos superiores de psicologia baixou (14 para 12), valor compensado pela subida de psicólogos clínicos contratados (50 para 53). O número de prisões com psiquiatria passou de 40 para 47.

Estudiosos como Adriana Silva, professora convidada da Universidade do Minho, defendem programas específicos para esta população (ver entrevista). Sem programas ajustados, os menos autónomos acabam por limitar-se a jogar às cartas ou às damas, a ver televisão, a conversar.

Pouquíssimas prisões oferecem a terapia ocupacional de que fala Carmen. Santa Cruz do Bispo – Feminina, que é gerida em parceria com a Santa Casa da Misericórdia do Porto, tem um programa de reabilitação psicossocial para pessoas mais vulneráveis, que envolve desporto, estimulação psicomotora, apoio psicológico. Explica a directora, Paula Leão, que as reclusas incapacitadas para trabalhar ou estudar são aí desafiadas a fazer exercícios físicos e exercícios de estimulação cognitiva e incentivadas a frequentar a biblioteca, as artes ou a música.

Há quem seja faxina na prisão, estas pessoas assumiram que são cuidadoras. Têm uma formação específica e, enquanto estão ali, fazem esse trabalho. Pedro das Neves, sociólogo

Isabel só conta 46 anos, mas integra esse programa de reabilitação psicossocial. O consumo de drogas deu-lhe cabo da saúde. Antes de ali chegar, para expiar uma pena por tráfico de estupefacientes, já somava “oito pneumonias, dois acidentes vasculares cerebrais, um tumor na cabeça”. Está “cega de um olho”, custa-lhe manter o equilíbrio, tem osteoporose. Desloca-se com a ajuda de uma muleta.

Antes, partilhava a cela com uma mulher que a ajudava. “Depois, ela foi embora e eu desanimei.” Durante um tempo, nem à terapia ocupacional queria ir. “Agora estou numa cela com uma idosa que teve um AVC ou dois. Ela está paralisada e eu...outro dia cai no polibã. Estava a tomar banho e escorreguei, mas ela não pôde fazer nada. Ela não me pôde ajudar.”

Houve um projecto experimental, o MenACE, destinado a melhorar a resposta aos distúrbios de saúde mental e os serviços prestados à população idosa. Na prática, desenvolveu-se formação, em e-learning, para profissionais da DGRSP. O caso de Isabel mostra como é preciso ir além das chefias e dos técnicos.
Formar os guardas, fazer os reclusos cuidadores

Pedro das Neves alerta para a urgência de formar guardas. “Alguém que é mais velho reage de forma mais lenta ao que lhe é pedido. Às vezes nem reage, ou porque não ouve ou porque não dá conta”, sublinha. “Quando um guarda diz a um recluso para se levantar e ele não se levanta, tem de perceber que por trás daquela recusa pode não estar uma recusa. A questão da capacitação é fundamental.”

Os assistentes operacionais escasseiam dentro das prisões. A investigação de Adriana Silva, do Centro de Investigação em Educação da Universidade do Minho, revela que reclusos mais jovens vão servindo de cuidadores de reclusos mais velhos. Sem preparação, sem remuneração, a título de voluntariado.

Pedro das Neves conhece administrações penitenciárias, por exemplo nos Estados Unidos, que oficializaram essa prática. “Há quem seja faxina na prisão, estas pessoas assumiram que são cuidadoras. Têm uma formação específica e, enquanto estão ali, fazem esse trabalho.” Pode ser um trabalho pago, como qualquer outro. “No fundo, vai substituir um conjunto de serviços que teriam que existir. A questão é como olhamos para o problema e desenhamos um programa para lidar com ele. Depois pode levantar-se a questão da remuneração, mas primeiro é preciso encarar a situação.”

Tudo isto se lhe afigura tanto mais indispensável quanto nem todos os países admitem a libertação por questões humanitárias. “Em Portugal isso acontece, mas às vezes entre o pedido de libertação compassiva e a autorização já a pessoa morreu”, torna. “É preciso que a pessoa esteja numa situação muito debilitada e que os serviços prisionais não tenham condições para responder.”

A possibilidade de cumprir pena em regimento de permanência na habitação também é, em Portugal, muito reduzida. E aí é igualmente “preciso fazer algum trabalho de sensibilização”. “Da mesma maneira que posso ter uma pessoa a cumprir uma pena em casa, poderia ter num lar de terceira idade”, exemplifica Pedro das Neves.

Não há um regime específico para delinquentes maiores de 65, como para os que têm entre 16 e 21. Ora, sobram estudos que evidenciam como o envelhecimento acelera dentro das prisões. E é grande a dificuldade de reinserção social destes reclusos, que carregam um duplo estigma.


3.9.21

Demência vai mais que duplicar em 30 anos e já é sétima causa de morte no mundo

in RR

Estimativas são da Organização Mundial de Saúde. Com mais de 14 milhões, Europa é atualmente a segunda região do mundo com maior número de pessoas com demência.

A demência, a sétima causa de morte no mundo em 2019, afeta 55 milhões de pessoas, um número que deve aumentar para os 139 milhões em 2050, alertou esta quinta-feira a Organização Mundial de Saúde (OMS).

“Apenas um quarto dos países de todo o mundo tem uma política, uma estratégia ou um plano nacional para apoiar as pessoas com demência e as suas famílias”, salienta o relatório da OMS que analisa resposta global de saúde pública à demência hoje divulgado.

Segundo a organização com sede em Genebra, apesar de cerca de metade destes países se situar na Europa, muitos planos e estratégias nacionais para a demência necessitam de ser atualizados e renovados por parte dos respetivos governos europeus.

A demência é uma síndrome geralmente de natureza crónica ou progressiva, que leva à deterioração da função cognitiva - a capacidade de processar o pensamento - para além do esperado em circunstâncias normais de envelhecimento.

Resultante de lesões ou de doenças que afetam o cérebro, como a Alzheimer, esta condição afeta a memória, o pensamento, a orientação, a compreensão, a capacidade de aprendizagem e a linguagem, entre outras funções.

Segundo o relatório da OMS, o número de pessoas com demência está a crescer em todo o mundo, estimando-se que atualmente 55 milhões de pessoas com mais de 65 anos sofram desta síndrome, valor que deve aumentar para os 78 milhões em 2030 e para os 139 milhões em 2050.

Com mais de 14 milhões, Europa é a segunda região do mundo com maior número de pessoas com demência, atrás da região do Pacífico Ocidental (20,1 milhões).

“O crescimento populacional e a maior longevidade, combinados com o aumento de certos fatores de risco de demência, levaram a um crescimento dramático no número de mortes causadas por demência nos últimos 20 anos. Em 2019, 1,6 milhão de mortes ocorreram em todo o mundo devido à demência, tornando-se a sétima causa de morte”, sublinha o documento.

O relatório alerta ainda que as pessoas com doenças neurológicas, incluindo demência, são mais vulneráveis à infeção pelo vírus SARS-CoV-2, correndo maior risco de internamentos prolongados e de sofrerem uma forma agravada de covid-19 e de morte.

De acordo com a OMS, é assim urgente reforçar o apoio a nível nacional, tanto às pessoas com demência, ao nível dos cuidados primários e especializados de saúde, de serviços sociais, de reabilitação e de cuidados a longo prazo e paliativos, mas também no apoio aos seus cuidadores formais e informais.

“Em países de rendimento médio e baixo, a maioria dos custos do tratamento da demência são atribuíveis aos cuidados informais (65%). Em países mais ricos, os custos informais e de assistência social chegam a aproximadamente 40% cada um”, refere o relatório.

Em 2019, os cuidadores, na sua maioria membros da família, gastavam em média cinco horas por dia no apoio às pessoas de quem cuidavam com demência, sendo cerca de 70% desse acompanhamento realizado por mulheres.

“Dada a pressão financeira, social e psicológica enfrentada pelos cuidadores, o acesso à informação, formação e serviços, bem como o apoio social e financeiro, é particularmente importante. Atualmente, 75% dos países relatam que oferecem algum nível de apoio aos cuidadores, embora, novamente, estes sejam principalmente países de alto rendimento”, indica.

De acordo com a OMS, uma série de ensaios clínicos mal sucedidos para o tratamento da demência e os elevados custos de pesquisa e desenvolvimento levaram ao “declínio do interesse em desenvolver novos esforços” científicos nesta matéria.

“No entanto, houve um aumento recente no financiamento de pesquisas sobre demência, principalmente em países de alto rendimento, como o Canadá, o Reino Unido e os Estados Unidos da América. Este último aumentou seu investimento anual na pesquisa da doença de Alzheimer de 631 milhões de dólares (cerca de 532 milhões de euros) em 2015 para uma estimativa de 2,8 mil milhões (cerca de 2,3 mil milhões de euros) em 2020”, adiantou a organização.

Este relatório sobre a situação global da doença faz um balanço do progresso feito para atingir as metas globais de 2025 estabelecidas no Plano de Ação Global para a Demência da OMS, publicado em 2017.

18.2.21

A IMPORTÂNCIA DAS NOVAS TECNOLOGIAS NO ENVELHECIMENTO ATIVO EM PESSOAS COM DEMÊNCIA

 Por Revista Dignus 

A promoção de um envelhecimento ativo e saudável tem sido um caminho apontado como resposta aos desafios relacionados com o aumento da esperança média de vida da população.

A velhice é equivocadamente considerada um período de estagnação, de declínio e de perdas e dificuldades ao nível da participação e envolvimento nos mais variados contextos.

Para que a população mais velha possa desfrutar, nas melhores condições, é necessário levar a cabo um conjunto de iniciativas que promovam o envelhecimento ativo, tendo sempre em conta as necessidades bio-psico-sociais, recursos humanos e materiais disponíveis.

A promoção de um envelhecimento ativo e saudável tem sido um caminho apontado como resposta aos desafios relacionados com o aumento da esperança média de vida da população, que se espera que seja com qualidade de vida e sobre o qual a Fundação AFID Diferença tem refletido e investido.

Atendendo ao aumento do número de casos de demência, a par com o crescente envelhecimento da população, têm surgido nos últimos anos algumas intervenções que promovem o envelhecimento ativo e uma eventual desaceleração dos processos degenerativos, como as demências.

Impõe-se uma intervenção neuropsicológica, através de programas de estimulação cognitiva e/ou sensorial. A AFID, dando continuidade às Unidades de Neuro-estimulação (UNE, UNE+) destinadas à população idosa com demência institucionalizada (resposta social Estrutura Residencial para Pessoas Idosas – ERPI) ou no domicílio (resposta social Serviço de Apoio domiciliário – SAD), tem vindo a implementar um novo projeto na área sénior, que se designa de UNE TEC.

Com este projeto pretende-se promover a utilização das novas tecnologias na área da estimulação cognitiva junto de pessoas idosas (com demência ou défice cognitivo ligeiro), que estejam em contexto domiciliário ou em contexto institucional.

O projeto pressupõe a utilização de uma ferramenta informática que permita a implementação de programas personalizados de treino cognitivo, disponibilizando um conjunto de exercícios dirigidos aos diferentes domínios cognitivos, orientados por profissionais ou por cuidadores das pessoas idosas.

Trata-se de um apoio especializado ao nível da estimulação cognitiva e da reabilitação cognitiva com recurso às novas tecnologias, cujos objetivos principais são: aumentar a qualidade e a capacidade das respostas às pessoas com demência ou com défice cognitivo ligeiro; promover o envelhecimento ativo saudável; e potenciar a formação aos cuidadores formais e informais no âmbito da estimulação e reabilitação.

Estudos demonstram que a estimulação cognitiva e a reabilitação cognitiva têm efeitos positivos na memória e raciocínio, diminuição dos sintomas de depressão e melhoria ao nível da comunicação. A utilização das novas tecnologias deve ter por base os resultados das avaliações diagnósticas e pressupõem a definição de um plano de desenvolvimento individual.

Um dos objetivos passará pela estimulação cognitiva, que consiste num conjunto de atividades que estimulam a cognição em geral, o que acontecerá com uma periodicidade adequada para cada beneficiário.

A utilização de um treino cognitivo, através de exercícios de computador dirigidos às várias funções mentais, é sempre centrada num profissional com experiência em psicologia e/ou reabilitação cognitiva, que prescreve sessões de treino de acordo com a avaliação neuropsicológica da pessoa idosa.

O profissional também monitoriza todo o processo pela assiduidade, taxa de utilização, evolução e dificuldade do processo de treino. O projeto será implementado na UNE e UNE +, já existentes, e possibilitará uma intervenção mais especializada junto dos idosos e aumentar o número de intervenções em ERPI e SAD.

Em resumo, o uso de recursos de computação desenvolvidos para estimulação cognitiva, quando comparado com técnicas tradicionais, parecem ser uma boa alternativa face ao custo benefício.

Deste modo, o desenvolvimento de novas tecnologias, o uso de recursos de computação na reabilitação dos problemas neurocognitivos tem sido uma área em franca expansão e de mais valia na melhoria na qualidade da intervenção junto da população idosa.

Texto escrito por Teresa Reis, Psicóloga Clínica na Fundação AFID Diferença

Fonte: https://lifestyle.sapo.pt/saude/saude-e-medicina/artigos/a-importancia-das-novas-tecnologias-no-envelhecimento-ativo-em-pessoas-com-demencia

7.12.20

Fundação vai reabilitar o antigo “Asylo” através de um projeto de 2,8 ME para apoio à demência

in Mensageiro de Bragança

A Fundação Francisco António Meireles (FFAM) vai avançar com obras de reabilitação do antigo “Asylo” de Torre de Moncorvo para ali criar uma unidade destinada a pessoas com demência ou outras patologias associadas, num projeto orçado em 2,8 milhões de euros.

“Já temos o projeto, pelo que resolvemos candidatarmo-nos e investirmos em algo que nos parece de grande importância para a nossa sociedade, tendo em conta as carências que existem na região como é o caso do apoio à pessoa com deficiência”, indicou o presidente do conselho de administração FFAM, António Moreira.

A futura unidade social vai dispor de Centro de Apoio Ocupacional e de uma Residência Autónoma, e do apoio a idosos através de uma Estrutura Residencial Para Idosos (ERPI) e de um Centro de Dia “especializados em demências de vária ordem e em outras vulnerabilidades”.

Segundo o responsável, o edifício que albergou antigo “Asylo” de Torre de Moncorvo está devoluto, e onde a degradação do imóvel já se arrasta há mais de 20 anos.
“Ao longo dos anos o imóvel tem-se vindo a degradar sem qualquer solução à vista", frisou.

De acordo com António Moreira, este investimento só é possível se for aprovado no seu conjunto e com todas a valências de apoio associadas ao projeto.

“Embora saibamos que a grande maioria é a favor da criação de mais lugares em ERPI, como há bem pouco tempo ficou demonstrado, nós não somos favoráveis a que se invista em mais do mesmo, como aliás é público, pelo que queremos apostar em respostas diferenciadas para se lidar com as deficiências, as demências e as outras vulnerabilidades”, vincou.

Este projeto foi elaborado no âmbito da candidatura da FFAM ao Programa De Alargamento Da Rede Equipamentos Sociais – 3.ª Geração (Pares 3.0), que tem por finalidade apoiar e cofinanciar o desenvolvimento, consolidação e reabilitação da rede de equipamentos sociais, promovendo a melhoria sustentada das condições e dos níveis de proteção dos cidadãos.

“Pretendemos apostar em valências que são importantes para o concelho de Torre de Moncorvo e para a região transmontana e duriense onde se destaca para além de pessoas com demência de vária ordem ou grandes dependentes da ajuda física de terceiros”, explicou António Moreira.

Da candidatura fazem parte um Centro de Atividades Ocupacionais (CAO) com 32 lugares direcionado para a valorização pessoal e integração na sociedade de pessoas com deficiências, através de atividades que fomentem as suas capacidades e que contribuam para o seu equilíbrio social e emocional.

Uma unidade de apoio domiciliário para 30 utentes cujos serviços serão prestado em casa das pessoas com dependência física ou psíquica, e que não tenham autonomia suficiente para cumprirem com as suas necessidades básicas e não tenham apoio familiar.

“Os objetivos deste estabelecimento passam por contribuir para a melhoria de vida e bem-estar dos utentes e apoiar as famílias a realizar estes cuidados. Pretende-se ainda vocacionar e capacitar o Serviço de Apoio Domiciliário da FFAM para prestar serviços a pessoas portadoras de demências, deficiências e dependências de vária ordem e gravidade”, ” destacou o presidente da FFAM.

Na valência de Centro de Dia (CdD) está prevista criação de 26 lugares para prestar aos idosos serviços de atendimento às necessidades básicas e de promoção de relações interpessoais dentro e fora do seu grupo etário, contribuindo assim para a manutenção no seu meio sociofamiliar e equilíbrio biopsicossocial.

O Alargamento da ERPI para 36 novos lugares, onde haverá quatro com capacidade de utilização como lugares de isolamento.

Do projeto faz parte um espaço para alojamento coletivo de pessoas idosas em que são prestados cuidados de enfermagem e desenvolvidas atividades de apoio social que contribuam para o bem-estar, envelhecimento ativo e melhoria de qualidade de vida destas pessoas.

“O alargamento da ERPI destina-se sobretudo a pessoas com demências de diversa ordem (severas ou ligeiras, em estado inicial ou avançado), com mobilidade muito reduzida e grandes dependentes”, concluiu António Moreira.

Do complexo faz parte uma residência autónoma para cinco pessoas.

A reabilitação e ampliação do edifício do antigo “Asylo” de Torre de Moncorvo “irá, deste modo, permitir que este receba um total de 99 utentes nas diversas respostas sociais”.
A FFAM, é uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) sem fins lucrativos, constituída em 31 de dezembro de 1908, com sede em Torre de Moncorvo.

31.8.20

Idosos com demência desaparecidos depois de receberem alta hospitalar

Por TSF

Em causa está o facto de algumas unidades de saúde não deixarem os idosos entrarem com familiares naqueles espaços, por causa da pandemia.

As restrições impostas pela pandemia estão a levar a que sejam cada vez mais os idosos que entram para as listas de desaparecidos, depois de receberem alta hospitalar. O caso mais grave, que levou à morte de uma mulher de 66 anos, com Alzheimer, atendida sozinha no Hospital de Cascais, está a ser investigado pelo Ministério Público, mas foram quase 10 os idosos com demência dados como desaparecidos, depois de terem tido alta hospitalar.

O alerta é dado pela Associação Alzheimer Portugal ao Jornal de Notícias. O jornal explica que se trata de casos em que, por causa da pandemia, os doentes foram impedidos de entrar em hospitais e outras unidades de saúde acompanhados, tendo depois acabado por receber alta sem que as famílias tenham sido informadas.

Fonte da tutela, ouvida pelo Jornal de Notícias, lembra que, apesar da Covid-19, os planos de contingência nos hospitais salvaguardam que os doentes sem capacidades cognitivas, como é o caso dos doentes de Alzheimer, podem ser atendidos acompanhados. Estas salvaguardas, no entanto, nem sempre foram tidas em conta, como reconhece a mesma fonte.

Ainda assim, segundo dados da PSP, citados pelo JN, o número de idosos desaparecidos diminuiu durante a pandemia. Entre 1 de março e 20 de agosto, foram dadas como desaparecidas 99 pessoas com mais de 65 anos de idade. No mesmo período do ano passado tinham sido 130.

30.11.18

Casos de demência estão a aumentar em paralelo com a esperança média de vida

Andrea Comas, Sicnotícias

Os casos de demência estão a aumentar em paralelo à esperança média de vida, revela hoje um relatório do Projeto de Apoio Domiciliário à Demência, da responsabilidade da Misericórdia de Mogadouro, tido como "inovador" no país.

Em apenas um ano, o Projeto de Apoio Domiciliário à Demência (PADD), promovido pela Misericórdia de Mogadouro, viu duplicar o número de doentes que se propôs a tratar.

Os profissionais de saúde que integram o PADD já tratam quase 60 doentes portadores de demência, sendo que este número é o dobro do inicialmente previsto, e há já mais 91 pessoas referenciadas com demência por parte desta equipa.

Para a neurologista Purificação Ortiz, com o aumento da esperança média de vida do ser humano os casos de demência também vão aumentando.

"Um dos maiores desafios é cuidar deste tipo de doentes quando a patologia se encontra em fase já mais avançada. Esta situação coloca à prova os conhecimentos e os cuidados que têm os cuidadores com este tipo de doentes a seu cargo", vincou a médica especialista.

Quando há suspeitas da existência de sintomas da doença, como a perda de memória, desorientação, ou confusão com as coisas simples do dia, essas pessoas são encaminhadas para esta equipa, que percorre um concelho com 756 quilómetros quadrados e com uma população bastante envelhecida.

O PADD envolve as cerca de seis dezenas de utentes que são apoiados por uma equipa multidisciplinar de profissionais de saúde e que vão desde a neurologia, passado pela psicologia clínica ou a enfermagem, entre outros.
Segundo os dados fornecidos no relatório, o PADD tem mais 91 novos doentes sinalizados, aos quais se juntam mais 76 pessoas que são já acompanhadas pela equipa por apresentarem alguns sinais característicos da demência.

A psicóloga clínica Tânia Silva, que integra este projeto, disse que, com o aparecimento da equipa e com as ações de sensibilização que têm sido feitas em todo o concelho, as pessoas mostram-se mais atentas para os sintomas da doença.

"As pessoas, como estão mais informadas, têm a tendência em nos informar com mais antecedência ou a falar do assunto com os médicos de família. Estas atitudes fazem com que os cuidadores tenham acesso mais rápido aos cuidados especializados" enfatizou a técnica.

Esta equipa, que está no terreno há pouco mais de um ano, tem sinalizado mais doentes portadores de demência devido às ações de sensibilização que realizam.

"Esta situação é por nós notada com o passar dos meses, em que vemos uma população muito isolada, não só pelas distâncias, mas igualmente por estarem sós", observou.

Tânia Silva garante que, com a presença no terreno desta equipa multidisciplinar, os idosos não estão isolados, havendo uma sensação de segurança por parte desta faixa etária.

"Não somos um serviço de urgência. Porém, somos muitas vezes solicitados para atender a situações de crise provocadas pela demência", frisou.

A demência é caracterizada por uma perda progressiva e irreversível das funções intelectuais, como alteração de memória, raciocínio e linguagem e perda da capacidade de realizar movimentos e de reconhecer ou identificar objetos.

Segundo os especialistas, a doença ocorre com maior frequência a partir dos 65 anos de idade e é uma das principais causas de incapacidade em idosos.

"O projeto tem a grande finalidade em atrasar o avançar da doença, através de um diagnóstico precoce que permita uma atuação atempada, diminuindo a evolução da doença, permitindo uma melhoria na qualidade de vida aos doentes e dos seus cuidadores adiantado a sua institucionalização", frisou o provedor da Misericórdia de Mogadouro, João Henriques.

O responsável destacou ainda o número de quilómetros percorridos em todo o concelho pela equipa do PADD, que ultrapassa os 14 mil, o que, em seu entender, se pode traduzir numa poupança de recursos, já que os doentes não tem de se deslocar aos hospitais centrais ou regionais para obter ajuda especializada nesta doença.

O Apoio Domiciliário à Demência tem ainda mais um ano pela frente, sendo investidos no projeto cerca de 140 mil euros provenientes do Programa Operacional de Inclusão Social e mais "60 mil euros de um investidor social que é o município de Mogadouro".
Lusa

10.10.17

Dia Mundial da Saúde Mental. Vamos cuidar da nossa?

in Notícias ao Minuto

Mudar alguns dos comportamentos mais comuns dp dia a dia pode ser a forma mais eficaz e segura de reduzir o risco de demência.

Celebra-se esta terça-feira o Dia Mundial da Saúde Mental, uma data que pretende captar a atenção de todos para a necessidade de cuidar da mente o mais cedo possível... e todos os dias.

Para assinalar a data - que ganha cada vez mais destaque um pouco por todo o mundo -, a Alzheimer Portugal lança um alerta: tudo aquilo que fazemos tem um impacto mais ou menos direto na saúde da nossa mente. E prova disso são os hábitos diários mais rotineiros, que tanto podem funcionar para o bem como para o mal da saúde mental.

Num comunicado enviado às redações, o organismo destaca alguns dados publicados recentemente na revista científica The Lancet e que defendem que é possível evitar um em cada três casos de demência. Como? Basta travar os principais fatores de risco que resultam dos maus hábitos, como é o caso da obesidade, da diabetes, da hipertensão e do sedentarismo. Mas não só. Estes são os potenciais responsáveis pela má saúde mental que se irá verificar num futuro um tanto ou quanto próximo.

"Infelizmente, os grandes fatores de risco para a demência - a idade e os genes - não são possíveis de controlar. Por isso mesmo, é importante fazer o que está ao nosso alcance: adotar um estilo de vida saudável e alterar os nossos hábitos", destaca José Carreira, presidente da Alzheimer Portugal.

E como a prevenção da demência depende em grande parte de nós, a Alzheimer Portugal dá a conhecer aqueles que são os sete passos a ter em conta para cuidar da saúde mental todos os dias:

1 - Lembre-se do seu cérebro, mantendo-o ativo;

2 - Lembre-se da sua alimentação, optando por escolhas saudáveis. E estes são os melhores alimentos para o cérebro;

3 - Lembre-se da sua saúde, praticando exercício físico;

5 - Lembre-se da sua vida social, participando em atividades conjuntas;

6 - Lembre-se dos seus hábitos, abdicando do tabaco, das bebidas alcoólicas e da má qualidade de sono;

6.4.16

União das Misericórdias alerta: Lares não estão preparados para cuidar de pessoas com demência

In "Renascença"

Nove em cada dez idosos têm alterações cognitivas que sugerem demência, segundo um estudo integrado no projecto VIDAS - Valorização e Inovação em Demências.

Os lares não estão preparados para cuidar das pessoas com demência, denunciou o responsável da União das Misericórdias pela área da saúde, que defende uma mudança de paradigma com mais formação, mudanças arquitectónicas e apoio domiciliário mais forte.

O psiquiatra Manuel Caldas de Almeida apontou que o envelhecimento da população é um facto, do qual decorre que algumas pessoas tenham demência e outras grandes dependências físicas.

Um estudo da União das Misericórdias Portuguesas (UMP), integrado no projecto VIDAS - Valorização e Inovação em Demências, concluiu que 90% dos idosos nos lares tem alterações cognitivas que sugerem demência, sendo que dentro deste grupo, 78% tem efectivamente demência.

O estudo, que demorou cerca de dois anos, envolveu 1.503 idosos de 23 instituições, avaliados por psicólogos e neurologistas para detectarem a existência de demências e o seu grau.

Caldas de Almeida enfatizou que não é o facto de um idoso estar num lar que provoca demência, já que se trata de uma doença crónica, mas apontou que a evolução da doença e a velocidade a que ela se faz "pode ter a ver com ambientes estimulantes".

"Se nós tivermos lares em que as pessoas não são trabalhadas, não têm ambientes estimulantes, em que não há actividades lúdicas, actividades de estimulação, então as pessoas que têm demência podem parecer estar numa fase mais avançada, podem ficar mais lentificadas, mais tristes, podem ficar com a demência mais avançada", apontou o psiquiatra à agência Lusa.

Nesse sentido, defendeu uma aposta em ambientes estimulantes, com neuropsicologia adaptada e onde haja profissionais competentes para que as pessoas com demência tenham melhor qualidade de vida e a doença evolua mais lentamente.

Mudar o paradigma

Sustentou, por isso, que "é urgente" mudar o paradigma dos lares, apostando num apoio domiciliário "mais forte", ao mesmo tempo que se fazem mudanças arquitectónicas nas instituições que acolhem estas pessoas.

Segundo Caldas de Almeida, são duas as prioridades: renovar tecnicamente os lares para ficarem adaptados às pessoas com demência e apostar na formação.

"Sabe-se que profissionais qualificados, profissionais com competência relacional para tratar as pessoas com demência, previnem em 90% as reacções secundárias, que são a agitação e a agressividade, as alucinações", apontou.

Acrescentou que é possível, sem medicamentos, melhorar muito a qualidade de vida destas pessoas se, quem estiver com elas, souber estar, o que faz com que a formação seja uma "arma fundamental".

"Se não fizermos isto, há muita gente a sofrer em Portugal porque estamos a prestar cuidados inadequados", apontou Caldas de Almeida.

Admitiu, por outro lado, que há uma percentagem muito elevada de pessoas com demência em fase inicial a quem não é reconhecida a doença e explicou que isso acontece não só porque quem as acompanha não está alerta para os sinais iniciais, mas também porque as pessoas com demência tentam esconder os seus problemas.

O responsável referiu que no decorrer do projecto VIDAS foi dada formação a 480 pessoas, durante mais ou menos um ano, entre auxiliares, médicos, terapeutas e dirigentes, vindos de 23 instituições.

Além disso, foi também feito um trabalho de levantamento das necessidades arquitectónicas e a conclusão foi a de que só uma das 23 instituições não era adaptável às necessidades das pessoas com demência.

20.5.13

Peritos vão estudar necessidades das pessoas com demência em Portugal

in iOnline

A primeira reunião de trabalho destes cerca de 40 especialistas está hoje a decorrer em Lisboa


Especialistas em saúde mental vão fazer um estudo de caraterização das necessidades das pessoas com demência em Portugal, ao mesmo tempo que avançam com um plano de intervenção para este problema “grave em termos de saúde pública”.

O psiquiatra Álvaro Carvalho, coordenador do Programa Nacional de Saúde Mental, adiantou à agência Lusa que, para avançar, o orçamento do estudo está a aguardar por autorização do Ministério das Finanças.

A avaliação, que deverá custar cerca de 80 mil euros, será realizada pela Direção-Geral da Saúde e pelo Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar e vai começar por caraterizar as necessidades das pessoas com demências na zona Norte do país, esperando conseguir resultados num prazo de seis a nove meses.

Contudo, o psiquiatra admitiu que, caso haja financiamento, pretende-se que o estudo seja estendido depois a todo o território continental.

“As demências são um problema grave em termos de saúde pública e particularmente em Portugal, onde temos a população a envelhecer de um modo dramático. E as demências são um problema que afeta sobretudo as pessoas mais idosas, sendo o tipo mais comum a doença de Alzheimer”, disse Álvaro de Carvalho.

Segundo o especialista, o crescimento das demências levou a que a maioria dos países começasse a adotar políticas na área social e da saúde para “minorar as consequências” destas doenças, que se estendem quase sempre às famílias e aos cuidadores.

Em 2005 já tinha sido criado um grupo de trabalho que fez um levantamento dos problemas de saúde mental dos idosos, mas cujo trabalho acabou por ser abandonado.

Agora, a Direção-Geral da Saúde (DGS) decidiu dar os primeiros passos para estruturar um plano de intervenção na área das demências, integrando vários peritos: psiquiatras, neurologistas, médicos de família, investigadores, autarquias e Segurança Social.

A primeira reunião de trabalho destes cerca de 40 especialistas está hoje a decorrer em Lisboa e na terça-feira será publicamente apresentado o projeto de estruturação do plano na área das demências.

O diagnóstico e o anúncio da doença, o papel do médico de família, as alterações de comportamento nas várias fases da doença e os pacientes com menos de 60 anos são algumas das questões a debater pelo grupo de trabalho que hoje está reunido neste seminário.

A coordenação científica ficou a cargo do cardiologista e especialista francês Joël Ménard, antigo diretor-geral de Saúde em França e presidente do Conselho Científico Internacional da Fundação para a Doença de Alzheimer.

11.4.12

Casos de demência vão triplicar até 2050

in TSF

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que os casos de demência vão triplicar até 2050. A ausência de diagnóstico continua a ser um dos principais problemas da doença.

Atualmente, há cerca de 35 milhões de pessoas que sofrem de demência em todo o mundo, sendo que, em 2050, serão mais de 115 milhões.

De acordo com as estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS), vão também acentuar-se as fronteiras no mapa mundo da demência.

Hoje há casos em todos os países, mas mais de metade estão concentrados nos países pobres. A OMS estima que, nas próximas décadas, haja um agravamento da situação, com 70 por cento dos casos diagnosticados nesses países de rendimentos mais baixos.

A OMS sublinha que apenas oito países têm programas nacionais de luta contra a doença, alertando que um dos principais problemas é a ausência de um dignóstico.

No entanto, mesmo nos países ricos, os serviços de saúde apenas conseguem despistar entre um quinto e metade dos casos de demência.