in Público on-line
Quase um terço da população tem limitações na na realização de actividades habituais devido a problemas de saúde. Percentagem recuou ligeiramente nos últimos cinco anos, segundo o INE.
A percentagem de população portuguesa com limitações na realização de algumas actividades devido a problemas de saúde tem baixado nos últimos cinco anos, mas a esperança de vida saudável em Portugal continua abaixo da média europeia.
Segundo dados divulgados esta terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), nos últimos cinco anos baixou de 36,1% (2015) para 32,1% (2020) a percentagem da população com limitações na realização de actividades habituais devido a problemas de saúde, mas Portugal continua a ser um dos países onde este indicador atinge uma maior expressão (33,0% em 2019, 24,0% para a União Europeia, UE-27).
De acordo com o INE, a expectativa de vida saudável aos 65 anos para a população portuguesa em geral em 2019 situou-se em 7,3 anos, menos três anos do que a média europeia (10,3 anos).
A publicação Estatísticas da Saúde 2019, divulgada pelo INE por ocasião do Dia Mundial da Saúde, que se assinala na quarta-feira, refere que em 2019 subiu o número de médicos e enfermeiros por 1.000 habitantes. Os dados indicam que em 2019 existiam em Portugal 5,4 médicos e 7,4 enfermeiros por 1.000 habitantes, mais 2,3 médicos e mais 4,2 enfermeiros por mil habitantes do que há duas décadas.
“O crescimento do número de médicos em Portugal foi mais elevado do que na UE-27, com 3,6% ao ano entre 2014 e 2018 (1,4% ao ano na UE-27)”, sublinha o instituto.
O INE refere ainda que o número total de camas para internamento baixou 5,7% em 2019 e que o peso relativo do sector público na oferta deste equipamento diminuiu (de 77,7% em 1999 para 67,9% em 2019). Contudo, com a pandemia, em 2020 o Serviço Nacional de Saúde viu reforçada a capacidade de camas de internamento, sobretudo em cuidados intensivos.
Ainda em 2019, segundo o INE, a duração média de internamento situou-se em 9,1 dias, mais longa nas Unidades de Cuidados Intensivos como é característica deste tipo de internamento: 18,4 dias nos intensivos pediátricos, 17,2 dias nos intensivos neonatais e 11,8 dias nos cuidados intensivos de adultos.
O instituto refere ainda que os hospitais públicos ou em parceria público-privada continuaram em 2019 a ser os principais prestadores de serviços de saúde, assegurando mais de 80% dos atendimentos em urgência, 75,9% dos internamentos, 70,2% das cirurgias e 62,7% das consultas médicas.
Contudo, foi nos hospitais privados que estes serviços mais aumentaram em 10 anos (entre 1999 e 2019), com um reforço do peso relativo do sector privado ao nível das consultas médicas (de 15,6% para 37,3%), das cirurgias (de 22,4% para 29,8%), dos internamentos (de 15,3% para 24,1%) e dos atendimentos em serviço de urgência (de 4,2% para 17,3%).
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7.4.21
17.6.20
Esperança de vida à nascença dos portugueses subiu para quase 81 anos entre 2017 e 2019
in o Observador
A esperança de vida à nascença em Portugal foi estimada em 77,95 anos para os homens e 83,51 anos para as mulheres no período 2017-2019, uma média de 80,93 anos.
A esperança de vida à nascença em Portugal foi estimada em quase 81 anos (80,93), sendo 77,95 anos para os homens e 83,51 anos para as mulheres no período 2017-2019, indicam dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).
Segundo o INE, estes valores representam, relativamente a 2016-2018, um aumento de cerca de dois meses de esperança de vida para os homens e de um mês para as mulheres, refletindo uma subida dos ganhos de longevidade relativamente a 2016-2018 (0,48 meses para homens e 0,24 para mulheres).
No espaço de uma década – e ainda de acordo com as tábuas de mortalidade para Portugal por sexo e para o total da população residente – verificou-se um aumento de 1,99 anos de vida para o total da população, ou seja, 2,11 anos para os homens e 1,64 anos para as mulheres.
Contudo, enquanto nas mulheres esse aumento resultou sobretudo da redução na mortalidade em idades iguais ou superiores a 60 anos, nos homens esse acréscimo foi maioritariamente proveniente da redução da mortalidade em idades inferiores a 60 anos.
Simultaneamente, e de acordo com os dados esta quinta-feira divulgados, a esperança de vida aos 65 anos atingiu 19,61 anos para o total da população. Assim, aos 65 anos os homens podem esperar viver mais 17,70 anos e as mulheres mais 21 anos, o que representa ganhos de 1,22 anos (homens) e de 1,26 anos (mulheres) nos últimos 10 anos.
Os dados INE confirmam que as mulheres continuam a viver mais anos do que os homens. Contudo, a expectativa de vida de homens e de mulheres tem vindo a aproximar-se, com os maiores ganhos a registarem-se na população masculina.
“Nos últimos 10 anos, a diferença na esperança de vida à nascença de homens e mulheres diminuiu de 6,03 para 5,56 anos”, diz o INE.
Paralelamente, para o período 2017-2019 estima-se que 37,6% dos nados-vivos do sexo masculino e 58,6% dos nados-vivos do sexo feminino sobrevivam à idade de 85 anos se sujeitos ao longo das suas vidas às condições de mortalidade específicas por idade observadas neste período.
“Para o período 2007-2009, estes valores eram, respetivamente, 29,9% e 50,6%, para homens e mulheres”, indica o INE.
Por outro lado, no período 2017-2019, a maioria dos óbitos (65,8%) ocorreu em idades iguais ou superiores a 80 anos, tendo sido neste grupo etário que se concentraram aproximadamente metade dos óbitos masculinos (55,7%) e três quartos dos óbitos femininos (75,4%).
A idade mais frequente ao óbito para homens foi 86 anos e para as mulheres 88 anos, quando há 10 anos era 85 anos para os homens e 87 anos para as mulheres.
A esperança de vida à nascença em Portugal foi estimada em 77,95 anos para os homens e 83,51 anos para as mulheres no período 2017-2019, uma média de 80,93 anos.
A esperança de vida à nascença em Portugal foi estimada em quase 81 anos (80,93), sendo 77,95 anos para os homens e 83,51 anos para as mulheres no período 2017-2019, indicam dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).
Segundo o INE, estes valores representam, relativamente a 2016-2018, um aumento de cerca de dois meses de esperança de vida para os homens e de um mês para as mulheres, refletindo uma subida dos ganhos de longevidade relativamente a 2016-2018 (0,48 meses para homens e 0,24 para mulheres).
No espaço de uma década – e ainda de acordo com as tábuas de mortalidade para Portugal por sexo e para o total da população residente – verificou-se um aumento de 1,99 anos de vida para o total da população, ou seja, 2,11 anos para os homens e 1,64 anos para as mulheres.
Contudo, enquanto nas mulheres esse aumento resultou sobretudo da redução na mortalidade em idades iguais ou superiores a 60 anos, nos homens esse acréscimo foi maioritariamente proveniente da redução da mortalidade em idades inferiores a 60 anos.
Simultaneamente, e de acordo com os dados esta quinta-feira divulgados, a esperança de vida aos 65 anos atingiu 19,61 anos para o total da população. Assim, aos 65 anos os homens podem esperar viver mais 17,70 anos e as mulheres mais 21 anos, o que representa ganhos de 1,22 anos (homens) e de 1,26 anos (mulheres) nos últimos 10 anos.
Os dados INE confirmam que as mulheres continuam a viver mais anos do que os homens. Contudo, a expectativa de vida de homens e de mulheres tem vindo a aproximar-se, com os maiores ganhos a registarem-se na população masculina.
“Nos últimos 10 anos, a diferença na esperança de vida à nascença de homens e mulheres diminuiu de 6,03 para 5,56 anos”, diz o INE.
Paralelamente, para o período 2017-2019 estima-se que 37,6% dos nados-vivos do sexo masculino e 58,6% dos nados-vivos do sexo feminino sobrevivam à idade de 85 anos se sujeitos ao longo das suas vidas às condições de mortalidade específicas por idade observadas neste período.
“Para o período 2007-2009, estes valores eram, respetivamente, 29,9% e 50,6%, para homens e mulheres”, indica o INE.
Por outro lado, no período 2017-2019, a maioria dos óbitos (65,8%) ocorreu em idades iguais ou superiores a 80 anos, tendo sido neste grupo etário que se concentraram aproximadamente metade dos óbitos masculinos (55,7%) e três quartos dos óbitos femininos (75,4%).
A idade mais frequente ao óbito para homens foi 86 anos e para as mulheres 88 anos, quando há 10 anos era 85 anos para os homens e 87 anos para as mulheres.
5.11.19
Na região grande parte do trabalho agrícola é feito por maiores de 65 anos
O Mirante
Esperança de vida aumentou e já há quem fale em “idosos juniores” e “idosos seniores”.
O país está envelhecido e vai envelhecer ainda mais nas próximas décadas. Para cada 100 jovens (até aos 15 anos) existem actualmente 159 idosos (maiores de 65 anos). Na região os trabalhos no campo são assegurados maioritariamente pelos idosos. O que os move e porque continuam activos foi o que O MIRANTE quis saber a propósito do Dia Mundial da Terceira Idade, que se assinalou a 28 de Outubro.
Gracinda Monteiro, de 80 anos, sempre foi agricultora e diz sorridente que tirou todos os cursos da Cooperativa Agrícola de Torres Novas e Barquinha, organização que em 1951 sucedeu ao Grémio da Lavoura. “Até tenho a carta de tractor e não foi nada fácil”, lembra. Apesar de ter perdido a conta aos anos que descontou para a Segurança Social, a reforma que agora recebe não chega aos 300 euros.
O marido, José Marques, tem mais quatro anos de idade. Trabalhou toda a vida como pedreiro, na região e em Lisboa, mas sempre tratou da horta. Depois da reforma, aos 65 anos, passou a trabalhar mais na agricultura. Vindima, apanha figos e azeitona, faz tudo o que pode para ajudar nas despesas da casa.
O casal vive em Liteiros, Torres Novas, e foi numa fazenda ali perto, já na fronteira com a localidade de Zibreira, que O MIRANTE
os encontrou na apanha da azeitona. José usa uma cadeira de plástico para, de tempos a tempos, dar algum descaso às pernas e às costas. Gracinda mantém-se de pé ou de cócoras quando ensaca a azeitona. Há quatro anos foi-lhe diagnosticado um problema oncológico e ainda anda a fazer tratamentos no Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa, mas nem com um cateter colocado junto ao ombro direito consegue ficar parada. “A maior pena que levo desta vida é deixar de apanhar azeitona”, confessa.
José Marques usa um tractor para amanhar os seus quatro hectares de terreno. Diz ter consciência da sua perda de faculdades, nomeadamente em termos de destreza, e confessa que quando ouve notícias de acidentes com tractores não fica espantado. “Muitos podiam ser evitados, mas as pessoas mais velhas já não têm a mesma reacção que as mais novas”, lamenta.
As duas filhas do casal vivem e trabalham em Lisboa. “Gostam de vir cá buscar uns garrafões de azeite, mas este trabalho não é para elas, lá estão melhor”, dizem os pais que, para conseguirem fazer todo o trabalho, recorrem à ajuda de mais dois reformados da terra.
Um deles é Vítor Justino. Tem 64 anos e a reforma chegou há cinco quando a fábrica onde trabalhava fechou. Desde aí faz uns biscates. Diz que a reforma até é razoável mas não gosta de estar parado.
Abel Cardoso, de 62 anos, também já está reformado. Pediu a reforma antecipada porque já tinha 48 anos de descontos. Começou a trabalhar aos 14 anos e nunca mais parou. Agora que se reformou, afirma que ainda trabalha mais do que quando era operário numa fábrica de curtumes na Gouxaria, em Alcanena. “Apanho azeitona, faço umas horas nas peles e ainda faço manutenção e trato de cavalos numa quinta em Torres Novas. Por vezes penso que já é trabalho a mais”, conta-nos enquanto endireita as costas debaixo da oliveira.
Em Portugal a agricultura é a principal actividade para pessoas entre 55 e 74 anos
Gracinda e José fazem parte das estatísticas que colocam Portugal entre os países mais envelhecidos do mundo, com 159 idosos para cada 100 jovens. Um cenário que, de acordo com o relatório Ageing Europe 2019, divulgado na semana passada pelo Eurostat, vai agravar-se nas próximas três décadas, altura em que perto de metade da população portuguesa (47,1%) terá 55 ou mais anos.
Segundo o serviço de estatística da União Europeia um dos maiores desafios será segurar a população acima dos 55 anos no mercado de trabalho. A agricultura surge como um dos sectores que emprega maior percentagem de pessoas nesta faixa etária, representando, em 2018, cerca de 30,3% da força de trabalho neste sector. Em sete Estados-membros a agricultura é mesmo a principal actividade para pessoas entre 55 e 74 anos. É o caso de Portugal, onde esta faixa etária representa quase metade (47,5%) do total da força de trabalho agrícola.
No futuro só será considerado idoso quem tiver mais de 75 anos
Teresa Rodrigues, docente no Departamento de Estudos Políticos da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa, lembra no ensaio “Envelhecimento e Políticas de Saúde”, editado em Setembro de 2018 pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, que o acelerado declínio populacional em curso decorre, em parte, de um fenómeno muito positivo: o facto de Portugal ser o oitavo país do mundo com maior esperança de vida à nascença.
Para a especialista as consequências do envelhecimento demográfico não têm necessariamente de ser negativas a nível económico e social. A investigadora defende que, tendo em conta o aumento da esperança de vida, haja uma distinção entre “idosos juniores” (dos 65 aos 74 anos) e “idosos seniores” (a partir dos 75 anos), devendo apenas estes últimos ser considerados idosos.
Tendo em conta os ganhos na esperança média de vida, vários países defendem a revisão da fronteira dos 65 anos. Alguns países como o Japão propõem o início da velhice a partir dos 75 anos.
Mulheres vivem mais seis anos do que os homens
Segundo dados de 2017 da Pordata (Base de Dados de Portugal Contemporâneo, organizada e desenvolvida pela Fundação Francisco Manuel dos Santos), a esperança média de vida em Portugal é superior à da União Europeia.
Os homens portugueses vivem, em média, 78,4 anos (os europeus 78,3), e as mulheres 84,6 (a média da União Europeia é de 83,5 anos). Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), após o 65º aniversário, os portugueses vivem apenas mais sete anos com saúde – um número muito inferior aos 16 anos que os suecos gozam de total funcionalidade e autonomia.
Esperança de vida aumentou e já há quem fale em “idosos juniores” e “idosos seniores”.
O país está envelhecido e vai envelhecer ainda mais nas próximas décadas. Para cada 100 jovens (até aos 15 anos) existem actualmente 159 idosos (maiores de 65 anos). Na região os trabalhos no campo são assegurados maioritariamente pelos idosos. O que os move e porque continuam activos foi o que O MIRANTE quis saber a propósito do Dia Mundial da Terceira Idade, que se assinalou a 28 de Outubro.
Gracinda Monteiro, de 80 anos, sempre foi agricultora e diz sorridente que tirou todos os cursos da Cooperativa Agrícola de Torres Novas e Barquinha, organização que em 1951 sucedeu ao Grémio da Lavoura. “Até tenho a carta de tractor e não foi nada fácil”, lembra. Apesar de ter perdido a conta aos anos que descontou para a Segurança Social, a reforma que agora recebe não chega aos 300 euros.
O marido, José Marques, tem mais quatro anos de idade. Trabalhou toda a vida como pedreiro, na região e em Lisboa, mas sempre tratou da horta. Depois da reforma, aos 65 anos, passou a trabalhar mais na agricultura. Vindima, apanha figos e azeitona, faz tudo o que pode para ajudar nas despesas da casa.
O casal vive em Liteiros, Torres Novas, e foi numa fazenda ali perto, já na fronteira com a localidade de Zibreira, que O MIRANTE
os encontrou na apanha da azeitona. José usa uma cadeira de plástico para, de tempos a tempos, dar algum descaso às pernas e às costas. Gracinda mantém-se de pé ou de cócoras quando ensaca a azeitona. Há quatro anos foi-lhe diagnosticado um problema oncológico e ainda anda a fazer tratamentos no Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa, mas nem com um cateter colocado junto ao ombro direito consegue ficar parada. “A maior pena que levo desta vida é deixar de apanhar azeitona”, confessa.
José Marques usa um tractor para amanhar os seus quatro hectares de terreno. Diz ter consciência da sua perda de faculdades, nomeadamente em termos de destreza, e confessa que quando ouve notícias de acidentes com tractores não fica espantado. “Muitos podiam ser evitados, mas as pessoas mais velhas já não têm a mesma reacção que as mais novas”, lamenta.
As duas filhas do casal vivem e trabalham em Lisboa. “Gostam de vir cá buscar uns garrafões de azeite, mas este trabalho não é para elas, lá estão melhor”, dizem os pais que, para conseguirem fazer todo o trabalho, recorrem à ajuda de mais dois reformados da terra.
Um deles é Vítor Justino. Tem 64 anos e a reforma chegou há cinco quando a fábrica onde trabalhava fechou. Desde aí faz uns biscates. Diz que a reforma até é razoável mas não gosta de estar parado.
Abel Cardoso, de 62 anos, também já está reformado. Pediu a reforma antecipada porque já tinha 48 anos de descontos. Começou a trabalhar aos 14 anos e nunca mais parou. Agora que se reformou, afirma que ainda trabalha mais do que quando era operário numa fábrica de curtumes na Gouxaria, em Alcanena. “Apanho azeitona, faço umas horas nas peles e ainda faço manutenção e trato de cavalos numa quinta em Torres Novas. Por vezes penso que já é trabalho a mais”, conta-nos enquanto endireita as costas debaixo da oliveira.
Em Portugal a agricultura é a principal actividade para pessoas entre 55 e 74 anos
Gracinda e José fazem parte das estatísticas que colocam Portugal entre os países mais envelhecidos do mundo, com 159 idosos para cada 100 jovens. Um cenário que, de acordo com o relatório Ageing Europe 2019, divulgado na semana passada pelo Eurostat, vai agravar-se nas próximas três décadas, altura em que perto de metade da população portuguesa (47,1%) terá 55 ou mais anos.
Segundo o serviço de estatística da União Europeia um dos maiores desafios será segurar a população acima dos 55 anos no mercado de trabalho. A agricultura surge como um dos sectores que emprega maior percentagem de pessoas nesta faixa etária, representando, em 2018, cerca de 30,3% da força de trabalho neste sector. Em sete Estados-membros a agricultura é mesmo a principal actividade para pessoas entre 55 e 74 anos. É o caso de Portugal, onde esta faixa etária representa quase metade (47,5%) do total da força de trabalho agrícola.
No futuro só será considerado idoso quem tiver mais de 75 anos
Teresa Rodrigues, docente no Departamento de Estudos Políticos da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa, lembra no ensaio “Envelhecimento e Políticas de Saúde”, editado em Setembro de 2018 pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, que o acelerado declínio populacional em curso decorre, em parte, de um fenómeno muito positivo: o facto de Portugal ser o oitavo país do mundo com maior esperança de vida à nascença.
Para a especialista as consequências do envelhecimento demográfico não têm necessariamente de ser negativas a nível económico e social. A investigadora defende que, tendo em conta o aumento da esperança de vida, haja uma distinção entre “idosos juniores” (dos 65 aos 74 anos) e “idosos seniores” (a partir dos 75 anos), devendo apenas estes últimos ser considerados idosos.
Tendo em conta os ganhos na esperança média de vida, vários países defendem a revisão da fronteira dos 65 anos. Alguns países como o Japão propõem o início da velhice a partir dos 75 anos.
Mulheres vivem mais seis anos do que os homens
Segundo dados de 2017 da Pordata (Base de Dados de Portugal Contemporâneo, organizada e desenvolvida pela Fundação Francisco Manuel dos Santos), a esperança média de vida em Portugal é superior à da União Europeia.
Os homens portugueses vivem, em média, 78,4 anos (os europeus 78,3), e as mulheres 84,6 (a média da União Europeia é de 83,5 anos). Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), após o 65º aniversário, os portugueses vivem apenas mais sete anos com saúde – um número muito inferior aos 16 anos que os suecos gozam de total funcionalidade e autonomia.
10.7.15
Estudo. Desistir da escola encurta a esperança de vida
in iOnline
A educação cria uma afinidade com o discurso médico e uma maior abertura às mensagens preventivas António Pedro Santos Catarina Correia Rocha
Investigação conclui que baixa escolaridade é tão nociva como o tabaco.
O sucesso escolar não traz só vantagens financeiras, mas também benefícios para a saúde. Pelo menos é essa a conclusão do estudo americano ontem divulgado. Desistir da escola é tão fatal como fumar. A investigação, publicada na revista PLOS ONE, defende que mais de 145 mil mortes por ano poderiam ter sido evitadas nos Estados Unidos se todos tivessem terminado os estudos superiores.
Relacionados
David Tavares. “A escolaridade tem um grande peso na saúde”
Na verdade, estes dados que chegaram da Universidade de Colorado têm uma leitura universal: “Uma mais baixa escolaridade terá repercussões nos meios de vida das pessoas”, explica Vítor Sérgio Ferreira do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.
Já o sociólogo Pedro Alcântara da Silva refere que “é evidente que o rendimento e a ocupação dependem em boa medida do grau de escolaridade”. O percurso educativo ocorre numa altura em que se “joga boa parte das condições de saúde que vão marcar a vida adulta”, ou seja, “existe uma sobreposição parcial – mas crucial – dos períodos considerados decisivos para a formação das hipóteses de saúde e a formação das hipóteses escolares”, explica.
O grau de escolaridade é um recurso que ajuda a definir as possibilidades que cada um vai ter no futuro, condicionando a carreira profissional e as condições socioeconómicas. “Embora nem sempre seja clara a acção independente de factores como a escolaridade, o rendimento, a ocupação ou indicadores de privação”.
Escolaridade Os dados da Direcção-Geral de Saúde mostram aliás que a longevidade varia consoante as habilitações académicas. A esperança média de vida à nascença em 2012 era de 80 anos para a população com um nível educacional baixo enquanto o valor aumentava para 83,3 na parcela com um elevado nível escolar. Com a progressão da idade estes valores deixam de ter um peso significativo mas, tanto em Portugal como nos países ocidentais, a “questão da escolaridade está relacionada com as desigualdades sociais”, avisa Vítor Sérgio Ferreira. A relação é explicada “não pela escolaridade em si, ou seja, os anos em que cada um anda na escola, mas sim por um efeito indirecto”.
Desistir cedo da escola dificulta o acesso a factores que fazem a diferença na qualidade de vida: “As pessoas com menos escolaridade estão mais propensas ao desemprego e à desigualdade social”, considera o investigador, acrescentando que “podemos também pôr a hipótese que terão mais dificuldades em ter acesso à saúde.” Pedro Alcântara da Silva explica que “a um maior nível de escolaridade corresponde um maior nível de literacia em saúde, estando ambas associadas a uma maior esperança de vida”.
Deste modo, entende-se que a escolaridade pode ter um impacto no estado de saúde mais directo do que o rendimento ou a ocupação: “A instrução fornece informação para equilibrar os hábitos saudáveis com os menos saudáveis, a saber utilizar melhor os serviços de saúde e a ter níveis de adesão terapêutica mais elevados”. Além disso, a educação “tende a criar uma afinidade com o discurso médico e uma maior abertura às mensagens preventivas”, acrescenta o sociólogo.
Abandonar a escola pode assim significar um futuro onde não há tanta hipótese de se conseguir um bom emprego, um bom rendimento e consequentemente um aceitável acesso à saúde. Vítor Sérgio Ferreira chama a atenção para o facto de termos tido uma crescente taxa de escolarização e o abandono escolar ter diminuído em Portugal mas, apesar destes factores, “o que se confirma é que os jovens que têm apenas o ensino básico, têm muito mais propensão a situações de desemprego e vulnerabilidade social.” Em termos de saúde este factor pode desenvolver-se em duas questões: “dificuldade no acesso ou doenças como depressão e falta de auto-estima”.
A escolaridade está fortemente correlacionada com o trabalho, que assume um papel duplamente importante para a compreensão das desigualdades: “Em primeiro lugar, porque determina o lugar que o indivíduo ocupa na sociedade” e está ligado com a sua escolaridade, o rendimento, habitação e redes de sociabilidade e, em segundo lugar, porque “as condições de organização do trabalho têm um impacto indirecto mas cumulativo sobre a saúde do indivíduo e o rendimento”, nomeadamente condições de trabalho prejudiciais para a saúde, associadas a profissões com maior desgaste físico, a acidentes de trabalho, entre outros, defende ainda Pedro Alcântara da Silva.
Situações Nem/Nem O quadro social de abandono escolar leva a que se chegue a um grande número de pessoas em situação nem-nem: nem estudam nem trabalhem. Quem faz parte deste grupo, “muito concentrado em algumas regiões de Portugal como Açores e Madeira”, são maioritariamente os jovens com baixa escolaridade, nomeadamente os que não passaram dos estudos no ensino básico. “A maior vulnerabilidade prende-se com a falta de perspectivas de emprego. As pessoas estão inseridas em zonas de forte compressão do emprego e estão também em regiões onde as oportunidades são diminutas”, conta Vítor Sérgio Ferreira.
A fatia da população portuguesa que abandonou a escola precocemente chega quase aos 20%. No ano passado, 17,4% dos jovens entre os 18 e os 24 anos deixaram de estudar sem completar o secundário. Apesar de este valor continuar a ser um dos mais altos na União Europeia, Portugal tem vindo a reduzir o abandono escolar, sendo agora metade do que foi em 2008.
E o que acontece a quem abandona os estudos? Mesmo com investigações sobre os estilos de vida da população portuguesa, mais focados nos jovens, continua a faltar uma política pública que actue nas escolas a nível nacional, diz o investigador, acrescentando que há pequenos projectos de âmbito escolar mas que a nível nacional continuam a escassear: “Estes assuntos podem ser tocados em algumas cadeiras que se leccionam nas escolas mas isso não se enquadra nas políticas públicas”, remata.
A educação cria uma afinidade com o discurso médico e uma maior abertura às mensagens preventivas António Pedro Santos Catarina Correia Rocha
Investigação conclui que baixa escolaridade é tão nociva como o tabaco.
O sucesso escolar não traz só vantagens financeiras, mas também benefícios para a saúde. Pelo menos é essa a conclusão do estudo americano ontem divulgado. Desistir da escola é tão fatal como fumar. A investigação, publicada na revista PLOS ONE, defende que mais de 145 mil mortes por ano poderiam ter sido evitadas nos Estados Unidos se todos tivessem terminado os estudos superiores.
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Já o sociólogo Pedro Alcântara da Silva refere que “é evidente que o rendimento e a ocupação dependem em boa medida do grau de escolaridade”. O percurso educativo ocorre numa altura em que se “joga boa parte das condições de saúde que vão marcar a vida adulta”, ou seja, “existe uma sobreposição parcial – mas crucial – dos períodos considerados decisivos para a formação das hipóteses de saúde e a formação das hipóteses escolares”, explica.
O grau de escolaridade é um recurso que ajuda a definir as possibilidades que cada um vai ter no futuro, condicionando a carreira profissional e as condições socioeconómicas. “Embora nem sempre seja clara a acção independente de factores como a escolaridade, o rendimento, a ocupação ou indicadores de privação”.
Escolaridade Os dados da Direcção-Geral de Saúde mostram aliás que a longevidade varia consoante as habilitações académicas. A esperança média de vida à nascença em 2012 era de 80 anos para a população com um nível educacional baixo enquanto o valor aumentava para 83,3 na parcela com um elevado nível escolar. Com a progressão da idade estes valores deixam de ter um peso significativo mas, tanto em Portugal como nos países ocidentais, a “questão da escolaridade está relacionada com as desigualdades sociais”, avisa Vítor Sérgio Ferreira. A relação é explicada “não pela escolaridade em si, ou seja, os anos em que cada um anda na escola, mas sim por um efeito indirecto”.
Desistir cedo da escola dificulta o acesso a factores que fazem a diferença na qualidade de vida: “As pessoas com menos escolaridade estão mais propensas ao desemprego e à desigualdade social”, considera o investigador, acrescentando que “podemos também pôr a hipótese que terão mais dificuldades em ter acesso à saúde.” Pedro Alcântara da Silva explica que “a um maior nível de escolaridade corresponde um maior nível de literacia em saúde, estando ambas associadas a uma maior esperança de vida”.
Deste modo, entende-se que a escolaridade pode ter um impacto no estado de saúde mais directo do que o rendimento ou a ocupação: “A instrução fornece informação para equilibrar os hábitos saudáveis com os menos saudáveis, a saber utilizar melhor os serviços de saúde e a ter níveis de adesão terapêutica mais elevados”. Além disso, a educação “tende a criar uma afinidade com o discurso médico e uma maior abertura às mensagens preventivas”, acrescenta o sociólogo.
Abandonar a escola pode assim significar um futuro onde não há tanta hipótese de se conseguir um bom emprego, um bom rendimento e consequentemente um aceitável acesso à saúde. Vítor Sérgio Ferreira chama a atenção para o facto de termos tido uma crescente taxa de escolarização e o abandono escolar ter diminuído em Portugal mas, apesar destes factores, “o que se confirma é que os jovens que têm apenas o ensino básico, têm muito mais propensão a situações de desemprego e vulnerabilidade social.” Em termos de saúde este factor pode desenvolver-se em duas questões: “dificuldade no acesso ou doenças como depressão e falta de auto-estima”.
A escolaridade está fortemente correlacionada com o trabalho, que assume um papel duplamente importante para a compreensão das desigualdades: “Em primeiro lugar, porque determina o lugar que o indivíduo ocupa na sociedade” e está ligado com a sua escolaridade, o rendimento, habitação e redes de sociabilidade e, em segundo lugar, porque “as condições de organização do trabalho têm um impacto indirecto mas cumulativo sobre a saúde do indivíduo e o rendimento”, nomeadamente condições de trabalho prejudiciais para a saúde, associadas a profissões com maior desgaste físico, a acidentes de trabalho, entre outros, defende ainda Pedro Alcântara da Silva.
Situações Nem/Nem O quadro social de abandono escolar leva a que se chegue a um grande número de pessoas em situação nem-nem: nem estudam nem trabalhem. Quem faz parte deste grupo, “muito concentrado em algumas regiões de Portugal como Açores e Madeira”, são maioritariamente os jovens com baixa escolaridade, nomeadamente os que não passaram dos estudos no ensino básico. “A maior vulnerabilidade prende-se com a falta de perspectivas de emprego. As pessoas estão inseridas em zonas de forte compressão do emprego e estão também em regiões onde as oportunidades são diminutas”, conta Vítor Sérgio Ferreira.
A fatia da população portuguesa que abandonou a escola precocemente chega quase aos 20%. No ano passado, 17,4% dos jovens entre os 18 e os 24 anos deixaram de estudar sem completar o secundário. Apesar de este valor continuar a ser um dos mais altos na União Europeia, Portugal tem vindo a reduzir o abandono escolar, sendo agora metade do que foi em 2008.
E o que acontece a quem abandona os estudos? Mesmo com investigações sobre os estilos de vida da população portuguesa, mais focados nos jovens, continua a faltar uma política pública que actue nas escolas a nível nacional, diz o investigador, acrescentando que há pequenos projectos de âmbito escolar mas que a nível nacional continuam a escassear: “Estes assuntos podem ser tocados em algumas cadeiras que se leccionam nas escolas mas isso não se enquadra nas políticas públicas”, remata.
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