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5.7.22

G7 destina 4.700 milhões para combater insegurança alimentar

in Expresso das Ilhas

O grupo dos sete países mais industrializados do mundo (G7) alcançou hoje um compromisso no sentido de aplicar 4.700 milhões de euros em medidas para fazer face à "insegurança alimentar" provocada pela guerra na Ucrânia.A informação sobre os fundos destinados a combater a "insegurança alimentar" foi comunicada aos jornalistas por um alto funcionário da Administração norte-americana que se encontra na reunião do G7, que decorre em Elmau, na região dos Alpes da Baviera.

De acordo com a mesma fonte, que não foi identificada, mais de metade do fundo (2.600 milhões de euros) provém dos Estados Unidos.

20.6.12

G20 com medo de uma recaída económica global

Jorge Nascimento Rodrigues, in Expresso

A cimeira dos 20 países desenvolvidos e emergentes mais importantes do mundo terminou em Los Cabos, no México, com um "plano de ação" que teve na mira a crise das dívidas soberanas na zona euro e a vulnerabilidade da economia global.

O G20 - grupo dos 20 países desenvolvidos e emergentes - puxou dos galões e disse, em comunicado final, que é "um novo paradigma de cooperação multilateral". A assunção desta missão geopolítica - acima do papel do G7 e do clube dos BRICS - surge na hora em que a crise das dívidas soberanas na zona euro, os impactos da desalavancagem no sistema financeiro e o risco de uma recaída económica global - como aconteceu em 1937, na anterior Grande Depressão - aparecem à cabeça das preocupações do "Plano de Ação para o Crescimento e o Emprego de los Cabos", aprovado na cimeira que decorreu esta segunda e terça feira no México.

O tema da crise das dívidas soberanas na zona euro ocupou espaço predominante, a ponto da "fadiga" com esta crise por parte dos membros do G20 fora da zona euro ser evidente. Por seu lado, o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, reagiu enervado aos jornalistas falando do início da crise financeira em 2007 com as práticas "não ortodoxas" da finança norte-americana, mas esqueceu a parte seguinte desta longa "cauda" da crise com a emergência da crise das dívidas soberanas na Europa.

Terminada a cimeira no México, a atenção centra-se, agora, na reunião do Eurogrupo de amanhã (21 de junho) no Luxemburgo, preparatória da cimeira da União Europeia da próxima semana (28 de junho), bem como nos resultados da reunião de dois dias da Reserva Federal norte-americana, que termina hoje.

Pressão construtiva sobre a zona euro

"A economia global permanece vulnerável", concluíram os membros do G20, e um dos pontos críticos é a crise da dívida soberana que se arrasta na zona euro desde final de 2009. O próprio David Cameron, primeiro-ministro do Reino Unido, comentou que este G20 em Los Cabos serviu para exercer "pressão construtiva" sobre a zona euro. Essa "pressão" exerceu-se em dois pontos: medidas adicionais ao crescimento e nova arquitetura financeira mais integrada.

Como já havíamos noticiado, a Alemanha cedeu no ponto do crescimento e, tudo o indica, na questão de "quebrar a cadeia de realimentação (feedback loop) entre as [dívidas] soberanas e os bancos", como se afirma no comunicado final.

A viragem para a tónica no crescimento veio enroupada com um conselho mais global muito explícito no ponto 5 das medidas do Plano de Ação contra os riscos imediatos: "Se as condições económicas se deteriorarem significativamente, Alemanha, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Estados Unidos e Rússia estão disponíveis para coordenar e implementar medidas adicionais de apoio à procura, tomando em consideração as circunstâncias e compromissos nacionais". Trata-se, naturalmente, de uma formulação de compromisso, que deixa uma margem de interpretação sobre o grau de deterioração.

No entanto, o comunicado e o Plano de Ação são explícitos que a consolidação orçamental nos países desenvolvidos deve "ser adequada ao apoio da retoma" no curto prazo. Uma menção especial é feita aos Estados Unidos para que "uma contração orçamental em 2013 seja evitada", prosseguindo uma linha de calibração entre consolidação orçamental de médio prazo e crescimento. Os países avançados e emergentes, onde houver margem orçamental, deverão deixar funcionar "os estabilizadores automáticos orçamentais".

No caso da zona euro, o comunicado final fala da "determinação" dos seus membros presentes na cimeira em "avançaram expeditamente com medidas de apoio ao crescimento, incluindo a conclusão do Mercado Único Comum, um melhor aproveitamento do Banco Europeu de Investimentos, obrigações para projetos piloto, fundos de coesão e estruturais com vista a investimentos mais dirigidos, a par do compromisso de implementar a consolidação orçamental".

Por outro lado, a preocupação com evitar que as crises bancárias e financeiras de desalavancagem na zona euro penalizem as dívidas soberanas ainda mais, o G20 afirma em comunicado: "Apoiamos a intenção [da zona euro] em dar passos concretos em direção a uma arquitetura financeira mais integrada, incluindo supervisão bancária, recapitalização e resolução e garantia de depósitos". Uma abordagem que tem sido defendida por Mário Draghi, presidente do Banco Central Europeu, e que é apoiada por diversos membros importantes da zona euro, como França e Itália, e especialmente tendo em vista o "convidado permanente" do G20 - Espanha (que não é membro do grupo, mas que ganhou esse estatuto de "convidado") - que tem estado sobre pressão dos mercados da dívida.

Segunda linha de defesa com 456 mil milhões

Como meio adicional, a cimeira ressaltou o trabalho de recolha de reforço de fundos do Fundo Monetário Internacional levado a cabo por Christine Lagarde com vista a criar, como a diretora-geral desse organismo disse, "uma segunda linha de defesa" para apagar fogos que abalem a economia mundial.

Lagarde conseguiu atingir uma cifra de cerca de 456 mil milhões de dólares (cerca de 362 mil milhões de euros) de reforço, com o particular envolvimento do Japão, com 60 mil milhões de dólares, da Alemanha com 54,7 mil milhões, da China com 43 mil milhões, da França com 41,4 mil milhões e da Itália com 31 mil milhões.

Muitos analistas referem que essa "segunda linha de defesa" tem em vista a crise da zona euro, caso os mecanismos europeus se atrasem (o próprio Mecanismo Europeu de Estabilização que deverá entrar em vigor a 1 de julho ainda não foi ratificado pela Alemanha e pela Itália) ou se revelem insuficientes.

Desequilíbrios globais a corrigir

A cimeira voltou a levantar a bandeira da resistência "ao protecionismo em todas as formas" e a acentuar a importância de resolver os desequilíbrios globais e o risco sistémico que continua a vir do sistema financeiro.

Por desequilíbrios globais, o G20 refere-se a um aspeto sublinhado pelo economista inglês John Maynard Keynes há muitas décadas atrás, de que o ajustamento tem de ser feito em simultâneo por países excedentários e países deficitários.

O comunicado da cimeira aponta, por isso, para que os países deficitários "rodem" a procura do sector público para o privado (ou seja do sobreendividamento soberano e da orientação dos bancos para suportar a dívida soberana local em vez da economia real) e que os países excedentários "rodem" da exportação para o consumo interno. Os dois alvos desta recomendação, no que toca aos excedentários, são a China, com um impacto à escala global, e a Alemanha, com um papel decisivo na zona euro. O comunicado faz inclusive menção aos "recentes desenvolvimentos nos rendimentos reais das famílias na Alemanha".

Outra preocupação global, menos mediatizada, centrou-se na questão do sistema financeiro e do seu impacto sistémico, de que a crise iniciada em 2007 é um exemplo recente. O comunicado aponta "áreas de vigilância" em direção às instituições financeiras globais "sistemicamente" importantes (designadas por um acrónimo, em inglês, a fixar, G-SIFIS), o sistema bancário sombra e outras entidades financeiras não bancárias "sistemicamente" importantes, os derivados financeiros over-the-counter (OTC) e a excessiva volatilidade dos preços nos mercados físicos e financeiros das commodities. O comunicado frisa inclusive que devem ser adotadas medidas que impeçam que qualquer entidade financeira seja "demasiado grande para falir" - TBTF, no acrónimo inglês para too big to fail.

19.6.12

Líderes mundiais reunidos para tentar salvar crise da Europa

in Jornal de Notícias

Os líderes do G20 iniciam esta segunda-feira uma cimeira de dois dias em Los Cabos, na costa pacífica do México, que será dominada pela crise das dívidas soberanas na zona euro.

A agenda oficial do grupo das 20 principais economias do mundo (as potências industrializadas do G7, doze grandes nações emergentes e a União Europeia) é o crescimento a nível global. A situação europeia será, contudo, o tema principal.

As discussões serão particularmente influenciadas pelos resultados das eleições legislativas na Grécia, que se realizaram no domingo. A chanceler alemã, Angela Merkel, anunciou que só partiria para Los Cabos depois de serem conhecidos os resultados em Atenas.

Já a última reunião do G20 (que se realizou em Cannes, em novembro) fora dominada pela crise do euro. Na altura, os membros do G20 comprometeram-se a reforçar o Fundo Monetário Internacional (FMI) em 340 mil milhões de dólares, para ajudar a combater a crise financeira. O Presidente mexicano, Felipe Calderon, afirmou ter a expetativa de que o G20 decida aumentar o seu contributo para o Fundo.

"Prevejo que haverá uma maior capitalização" do FMI, disse Calderon no sábado, citado pela agência RIA Novosti.

Os líderes europeus - sobretudo a chanceler alemã - serão pressionados pelo resto do mundo a tomar medidas mais resolutas para combater a crise da dívida.

Segundo a agência Associated Press, o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama tem dado sinais da sua impaciência perante a incapacidade da União de ultrapassar os seus problemas financeiros, e receia o impacto de uma Europa em recessão sobre a economia dos Estados Unidos.

Também a China e a Índia deverão pressionar os europeus, e sobretudo a Alemanha. "Ninguém pode escapar ileso quando o navio naufraga perante tempestades económicas. Os países dentro do navio devem ajudar-se uns aos outros", lia-se num comentário da agência oficial chinesa, Xinhua.

"Temos esperanças de que os líderes europeus atuem de forma decidida", afirmou por sua vez o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, em declarações citadas pela AP.

O Presidente francês, François Hollande, enviou uma proposta aos seus parceiros europeus para um "pacto sobre o crescimento".

Segundo o semanário francês "Journal du Dimanche", Hollande quer 120 mil milhões de euros para promover o crescimento económico e o emprego, que serão financiados sobretudo através de fundos estruturais europeus e do Banco Europeu de Investimentos. Hollande também quer propor um imposto sobre transações financeiras.

Embora a crise europeia seja o tema principal, os líderes do G20 também deverão debruçar-se sobre outras crises - nomeadamente a situação no Egito, onde se realizaram eleições neste fim-de-semana, e a guerra civil na Síria.

Com a escalada de violência na Síria, têm aumentado também as tensões entre países ocidentais e o Presidente russo, Vladimir Putin, devido à continuada oposição da Rússia a aprovar resoluções contra o regime de Bashar al-Assad no conselho de segurança das Nações Unidas.