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14.9.20

Refugiados sem casa estão a deixar Portugal

Ana Dias Cordeiro, in Público on-line

Governo manifestou disponibilidade em acolher refugiados que perderam alojamento no Campo de Moria esta semana. Dos campos da Grécia vieram muitas pessoas desde 2016 mas que agora estão a deixar Portugal alegando falta de condições. No total, chegaram a Portugal mais de 2000 refugiados e associação diz que saíram 13 famílias em Agosto.

Entre os refugiados acolhidos por Portugal desde a crise migratória de há quatro anos, há famílias ou pessoas sozinhas a deixar o país quando termina o programa de acolhimento e são obrigadas a sair das casas onde foram instaladas.

As entidades acolhedoras admitem dificuldades na transição para uma vida autónoma, mas negam que essa transição seja abrupta ou que as famílias estejam a ser forçadas a sair de casa sem terem para onde ir.
Equiparam o programa de acolhimento a um contrato. E como qualquer contrato, a sua responsabilidade termina quando termina o prazo. Em regras são 18 meses, embora na rede de associações acolhedoras da Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR) o programa tenha sido de 24 meses para melhorar as hipóteses de autonomização.


As associações de refugiados concordam que a questão central são os 18 meses, mas não pelos mesmos argumentos. Dizem que os refugiados foram acompanhados mas só nos últimos meses antes de saírem da casa quando foi necessário solicitar os apoios da Segurança Social. Faltou serem capacitados, por falta de estratégia e planeamento de algumas entidades acolhedoras, consideram.

“A questão principal aqui são os 18 meses. O importante é questionar: o que se está a fazer? Tem de haver um programa de capacitação desde o início. E não há”, diz Alexander Kpatue Kweh, coordenador do Fórum Refúgio que junta várias associações.


Ele próprio saiu da Libéria quando tinha dez anos, viveu como refugiado nos campos de Marrocos e chegou a Portugal no primeiro grupo de 12 refugiados acolhidos no quadro do programa de reinstalação da ONU em 2006. Hoje tem 40 anos, é cidadão português e quer ajudar a facilitar a integração de outras pessoas como uma forma de retribuir a oportunidade que lhe foi dada no passado.

Conta o caso de uma família síria que vivia em Setúbal, num apartamento do Conselho Português para os Refugiados (CPR), do qual teve que sair sem ter para onde ir. A alternativa que lhes foi sugerida pela organização foi uma habitação em Bragança. Já estavam integrados em Setúbal, os filhos frequentavam a escola, descreve. “Do agrupamento escolar onde as crianças foram integradas foi-lhes dito que não poderiam voltar a ser matriculadas para o novo ano lectivo sem o CPR se pronunciar. Quando se dirigiram ao CPR, disseram-lhes para falarem com a escola.”
Negociar com senhorios

O CPR explica que “a questão central e emergente prende-se com o facto dos proprietários da habitação onde residem actualmente terem denunciado o contrato de arrendamento assinado com o CPR”.

Nas respostas enviadas ao PÚBLICO, diz que “as razões que [os proprietários] alegam são meramente (...) familiares, pelo que esta informação foi transmitida à família síria, assim que o CPR teve conhecimento”. E garante que o seu processo de integração foi apoiado, “inclusive, [o processo] de transição para o enquadramento do Rendimento Social de Inserção”, após o fim do seu programa no dia 17 de Agosto.


“Os nossos técnicos estão também em contacto com entidades locais, com vista ao apoio na procura de habitação alternativa. O Instituto da Segurança Social de Setúbal está informado da situação da família, tendo já realizado atendimento social”, diz ainda o CPR. Contudo, a família deixou Portugal a 5 de Setembro. “Ligaram-nos a dizer que estavam na Alemanha. Muitos fazem isso. Avisam-nos quando já não estão em Portugal”, explica Alexander Kweh.

Nas mesmas respostas, o CPR diz desconhecer casos em que pessoas terão sido obrigadas a sair das casas e faz questão de mencionar a sua preocupação face “ao impacto da pandemia na vida presente e futura dos refugiados reinstalados em Portugal, não apenas na oferta formativa, mas também na habitação, saúde, transporte e oportunidades de emprego”, tendo todas estas vertentes “uma influência directa na auto-suficiência das famílias refugiadas”.
Mais coordenação e apoios

“No actual contexto, torna-se ainda mais difícil (...) ficarem autónomas no final dos 18 meses de programa”, reconhece. “Assim, o CPR considera importante que em conjunto com o Governo, Instituto de Segurança Social, Instituto de Emprego e Formação Profissional, Ministério da Educação e entidades da sociedade civil, sejam encontradas alternativas e soluções com vista ao apoio aos refugiados reinstalados” após o fim do programa.


“A verdade é que estão várias famílias a viver na mesma casa para assim poderem partilhar a renda e permanecer nos locais onde foram acolhidas quando chegaram a Portugal”, diz Alexander. Outros decidiram sair para outros países depois de terminado o programa em que beneficiaram de renda e despesas de electricidade, água e gás pagas e de um subsídio de 150 euros por mês por pessoa.

Não serão autorizados a pedir asilo noutro país (de acordo com a Convenção de Dublin). Por isso, Alexander Kweh não sabe o que acontecerá às 13 famílias que partiram em Agosto, segundo o seu conhecimento, sobretudo aquelas que não têm, nesses países, familiares ou redes de apoio. Não há um registo de quem sai depois de terminado o programa.

“As entidades de acolhimento não têm a responsabilidade (nem a capacidade financeira) de assegurar o pagamento das rendas das casas e serviços relacionados após os 18 meses. Essa responsabilidade passa a ser dos refugiados quando há autonomia financeira ou mediante recurso a outros apoios estatais para o efeito”, explica Joana Rodrigues, coordenadora da Acção Social da Cruz Vermelha Portuguesa (CVP), entidade acolhedora – como também o são a Câmara Municipal de Lisboa (CML), a PAR, o Serviço Jesuíta aos Refugiados (​JRS, na sigla inglesa) e o CPR.


André Costa Jorge, director do JRS e coordenador da PAR diz o mesmo: “Segundo o protocolo de acolhimento está previsto que todas as famílias saiam. Está previsto que a instituição providencie casa para os 18 ou 24 meses e garanta esse acolhimento inicial. Depois essa responsabilidade, caso a família não se autonomize, passa para o Estado, para os seus organismos competentes.”

Os apoios previstos são da Segurança Social – o Rendimento Social de Inserção e Abono de Família – ou da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) se forem situações no concelho de Lisboa.
Apresentar projectos

Nas respostas enviadas, o JRS, a PAR e a CML apontam o que mais poderia estar a ser feito pelo Governo central: investir na recuperação de casas para melhorar a oferta no sector da habitação. “Uma das soluções para dar resposta habitacional específica a esta população é orientar o Fundo para o Asilo, a Migração e Integração (FAMI) nesse sentido. A possibilidade de reabilitação de apartamentos, construção ou arrendamento com este fundo europeu seria uma mais-valia para a resposta portuguesa”, informa o gabinete do vereador do Bloco de Esquerda para a Educação e Direitos Sociais, Manuel Grilo.

Os fundos do FAMI são atribuídos ao Governo, municípios ou organizações da sociedade civil mediante a apresentação de projectos. “Sem projectos Portugal não recebe. Falta essa iniciativa”, diz Alexander Kweh.

Algumas organizações reconhecem barreiras na integração que só existem porque são refugiados. “Nas dificuldades mais comuns, além dos valores das rendas, está o preconceito ainda presente, havendo casos de senhorios que exigem vários meses de rendas adiantados ou que, sabendo que a família está a ser apoiada pela SCML e não tem meios de subsistência, negam arrendar”, salienta o gabinete de Manuel Grilo.

Também o facto de os refugiados não terem fiador dificulta o processo, admite Joana Rodrigues da CVP. “Os senhorios não aceitam.”

Assim, “a lacuna de políticas de habitação afecta refugiados, estrangeiros em geral e portugueses mas no caso dos refugiados o problema ganha uma dimensão e natureza especialmente preocupantes”, resume André Costa Jorge.

“Como estes não têm uma rede informal de família e amigos, a vulnerabilidade é mais grave ainda. Adicionalmente, a dificuldade de acesso ao mercado de habitação, mesmo quando têm capacidade financeira, é agravada pela discriminação dos senhorios, cuja maioria esmagadora prefere arrendar a portugueses, recusando cidadãos estrangeiros”, expõe.
Elogios internacionais

Porque Portugal acolheu um grande número de refugiados (mais de 2000) – desde o encaminhamento que tinha de ser feito dos campos da Grécia e da Itália –, porque continua a manifestar disponibilidade e isso lhe vale grandes elogios no contexto internacional, não deveria o Estado português garantir que estas pessoas não abandonam Portugal?

O gabinete da secretária de Estado para a Integração e as Migrações, Cláudia Pereira, não respondeu directamente a esta e outras perguntas como a de saber o que fazer para evitar dificuldades na transição do programa de recolocação ou de reinstalação para uma vida independente. Expõe o que está a ser cumprido no acompanhamento destas pessoas – e que no entender das associações de refugiados não corresponde às reais necessidades de cada um.

“Entre o que é feito no decurso dos 18 meses iniciais, explica o gabinete da governante, está o acompanhamento de proximidade no terreno por parte do Alto Comissariado para as Migrações (ACM), junto de todas as entidades de acolhimento”, esclareceu no sábado. Para garantir que a tarefa é realizada de “forma mais intensiva” e “facilitar o acesso a todos os recursos de âmbito nacional e regional, sempre que as respostas de âmbito municipal não se revelarem suficientes, o Núcleo de Apoio à Integração de Refugiados do ACM foi descentralizado”.
Atendimento personalizado

“Findos os primeiros 12 meses de permanência em Portugal, ou seja, seis meses antes do término dos referidos programas de apoio, o ACM promove, ainda, o acompanhamento e monitorização dos agregados familiares e pessoas singulares através do seu Gabinete de Apoio Social e Integração, notificando as pessoas refugiadas e as respectivas entidades de acolhimento, para o atendimento personalizado que permita compreender todas as necessidades em função das respectivas dimensões de integração”, acrescenta.

O gabinete de Cláudia Pereira remete as perguntas sobre as saídas de refugiados de Portugal para o Ministério da Administração Interna (MAI) que, na véspera, garantira ao PÚBLICO que todas as questões deveriam ser dirigidas ao gabinete da ministra de Estado e da Presidência de que faz parte a Secretaria de Estado para a Integração e as Migrações.

Nestas respostas, da mesma forma como o MAI já tinha feito esta semana, o gabinete de Cláudia Pereira reforça que Portugal voltou a manifestar disponibilidade para acolher refugiados depois de um incêndio na ilha grega de Lesbos destruir o imenso Campo de Moria que albergava 13 mil requerentes de asilo.

2.9.20

Governo prolonga regularização de imigrantes que esperam decisão final do SEF

Joana Gorjão Henriques, in Público on-line

SEF está a marcar agendamentos para Junho do próximo ano. Medida que abrangeu 130 mil imigrantes em despacho de Março pode prolongar-se por 2021. “Quando me disseram pensei que estavam a brincar”, diz Cátia, guineense. Imigrantes e associações estão preocupados com o que acontece a quem ficou de fora desta medida.

O Governo vai manter a regularização de todos os imigrantes que tinham processos pendentes no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) até 18 de Março, salvaguardando que continuam a ter acesso a direitos sociais, até que seja tomada uma decisão final sobre as suas autorizações de residência. Há várias pessoas com marcação para finais de Junho de 2021. Ou seja, esta medida poderá prolongar-se por 2021.

Em Maio, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, disse que tinham sido abrangidos por este despacho 130 mil imigrantes.

Segundo disse ao PÚBLICO o gabinete da ministra da Presidência, que tem a tutela das migrações, foi emitido um despacho (n.º 5793-A/2020) no qual se definiu que, até à decisão final sobre os pedidos pendentes no SEF até dia 18 de Março, “continua a considerar-se ser regular a permanência destes cidadãos em território nacional, beneficiando dos direitos ali referidos, por exemplo, para efeito de acesso a serviços públicos”. Também os vistos, documentos de autorização de residência ou licenças cuja data de validade tenha expirado quinze dias antes de 14 de Março continuam a ser aceites até 30 de Outubro de 2020 —, ou até depois se o titular tiver prova de que fez o agendamento da respectiva renovação.

O despacho permite que um imigrante que tivesse dado entrada com o processo até 18 de Março, dia da declaração do Estado de emergência, pudesse ter cartão de utente do Serviço Nacional de Saúde, acesso a abonos ou apoios aos trabalhadores independentes. O Governo ainda não respondeu, porém, à questão sobre o que irá acontecer a todos os que ficam de fora do despacho, ou seja, quem fez o seu pedido depois do despacho de Março.

A questão do que iria acontecer aos direitos dos imigrantes depois de 30 de Outubro, e quem não foi abrangido, preocupa imigrantes e associações que trabalham directamente na sua regularização. De acordo com o que experienciaram no quotidiano, há várias marcações para daqui a nove meses.

“É muito importante que se mantenham os direitos”, comenta Flora Silva, da associação Olho Vivo. “O prazo para legalização é muito prolongado, as pessoas ficam com vidas suspensas durante muito tempo. Mas o facto de serem salvaguardados os seus direitos é positivo porque são pessoas que fazem os seus descontos para a Segurança Social, apesar de não terem o título na mão”, acrescenta.

Já Timóteo Macedo, da Solidariedade Imigrante, e membro Conselho para as Migrações, considera que a medida “não traz ânimo às pessoas que estão de fora do despacho de Março e que ficaram para trás”. “Os processos são muito lentos a resolver e as pessoas ficam com a vida pendente. Não temos políticas de inclusão. O grande passo seria incluir neste usufruto de direitos aqueles que existem para além do 18 de Março.” 

Ainda esta terça-feira Cátia, guineense, 33 anos, que vive em Portugal há mais de um ano e está a trabalhar em limpezas, contou ao PÚBLICO que tinha iniciado o processo de regularização em Outubro de 2019, com a chamada manifestação de interesse junto do SEF, dirigido a quem está a trabalhar em Portugal. Passaram-se os meses e ela não teve resposta; meteu-se a pandemia e os serviços pararam. Quando finalmente conseguiu ter agendamento percebeu que irá estar, no total, um ano e meio à espera de um documento: só a 29 de Junho de 2021 é que irá ter a marcação. “Quando me disseram, pensei que estavam a brincar: tenho de esperar até Junho de 2021?!”, conta ao PÚBLICO no intervalo do trabalho. O filho, com um ano e nove meses, está numa ama particular a quem Cátia paga 150 euros mensais.

Cátia, nome fictício porque tem medo que isto prejudique ainda mais o seu processo, paga Segurança Social desde que trabalha — o mês passado foram mais de 100 euros. “Estou muito indignada por ficar tanto tempo à espera”, refere. “Este problema não é só meu, somos muitos nesta situação”, sublinha.

Serviço entupido

Segundo o SEF, a 10 de Agosto foram abertas cerca de 215 mil vagas para todos os assuntos, incluindo autorização de residência para trabalhadores ou reagrupamento familiar. O SEF diz que, dessas, 75 mil já têm agendamento e garantiu também que todos os cerca de 50 mil processos que ficaram suspensos por causa do encerramento do atendimento já começaram a ser reagendados, logo a partir do dia 1 Julho, por ordem cronológica.

Sublinhou ainda que simplificou os procedimentos, nomeadamente com um mecanismo que permite a renovação de autorizações de residência de forma automática para quem é trabalhador, algo que funciona desde 21 de Julho e por meio da qual já foram renovadas 47 mil autorizações. Desde a semana passada que esta funcionalidade pode ser feita também por cidadãos da União Europeia e seus familiares e o objectivo é alargá-la a outras categorias de estrangeiros residentes em Portugal, refere.

Apesar de considerar positiva a funcionalidade de renovação automática, Flora Silva refere que deveria ser alargada a outras autorizações. Queixa-se do serviço telefónico do SEF: a associação chegou a fazer mais de mil tentativas seguidas de contacto telefónico. A Olho Vivo conseguiu fazer poucas centenas de marcações online. Do mesmo se queixa a Solidariedade Imigrante: no dia em que abriram as marcações, o sistema esteve todo em baixo. “Na terça-feira conseguiu-se fazer alguns agendamentos. A Solim fez uns 50 mas temos centenas mais”, queixa-se Timóteo Macedo. Ainda receberam algumas marcações para este ano, mas tem para Abril, Maio e Junho de 2021. Critica: “Os portais servem para quem domina a língua portuguesa e tem conhecimento de informática. É preciso haver sistemas adaptados para não haver quem fique para trás.”
Efeito pandemia em serviços: imigração desce 16%

Entretanto, ao que tudo indica as quebras no serviço reflectiram-se nos números de regularizações. Desde Janeiro, e até 28 de Agosto, que o SEF regularizou menos 14.265 imigrantes do que no período homólogo do ano passado, ou seja, uma descida de 16%. A descida de 87.238 para 72.973 novas autorizações de residência concedidas não significa um abrandamento no crescimento da comunidade estrangeira em Portugal, já que, segundo o serviço, reflecte antes os efeitos do facto de os serviços oficiais terem estado encerrados durante a pandemia.

As grandes diferenças entre este ano e 2019 é que Angola, com 3.357 autorizações, passou para 3º lugar entre as nacionalidades mais representadas, e Itália saiu do 3º lugar para ficar em sétimo lugar, com 2.935 autorizações. O Brasil continua a liderar a lista com 29.289 títulos (foram 32.544 em período homólogo de 2019), seguido do Reino Unido (efeito Brexit, com 3.555, menos do que os 5.680 do ano passado).

Índia mantém-se em quarto lugar com 3.294 e Cabo Verde (3.122) ultrapassa o Nepal ficando no quinto lugar (Nepal passa a sexto, com 2.970); já a Guiné-Bissau, com 2.541, passa do nono para o oitavo lugar e Espanha mantém o décimo lugar com 1.734, França está agora em nono lugar, com 2.319 títulos, quando no ano passado estava em sexto lugar.

15.1.20

Portugal tem mais de meio milhão de imigrantes

Sónia Sapage, in Público on-line

Número foi anunciado como recorde pelo ministro da Administração Interna no Parlamento.

Aumentaram os pedidos de autorização de residência ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras Miguel Manso

Portugal tem hoje 580 mil imigrantes. O número foi anunciado esta quarta-feira de manhã pelo ministro da Administração Interna, durante a audição parlamentar sobre o Orçamento do Estado para 2020. “Os dados preliminares levam a dizer que em 2019, pela primeira vez na nossa história, é ultrapassada a barreira do meio milhão de cidadãos estrangeiros a residir em Portugal”, disse Eduardo Cabrita.

A história do azeite conta-se num museu com a Serra da Estrela à vista
No total, serão já 580 mil os residentes não portugueses a viver em Portugal, quando no final de 2018 o número se ficava pelos 490 mil. De 2017 para 2018 já se tinha registado um aumento aumento considerável registado no Relatório de Imigração, Fronteiras e Asilo (RIFA) do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) - em 2017, o número de imigrantes era 421.711).

Eduardo Cabrita anunciou também que as autorizações de residência atribuídas pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras cresceram de 35 mil em 2015 para 135 mil em 2019. E aproveitou para defender que Portugal tem “uma política de atracção de quadros qualificados e trabalhadores” porque precisa de imigrantes.


Em matéria de vistos gold, o ministro da Administração Interna especificou que 80% destas autorizações de residência foram referem-se aos concelhos de Lisboa, Cascais, Oeiras e Sintra, por ser aí que se concentra o investimento imobiliário - o acumulado, desde 2012, aponta para os 9349 vistos​ . Esta é, de acordo com o governante, uma das razões que justifica que o Orçamento do Estado contenha uma regra para rever o mecanismo dos vistos dourados, desviando-o “do imobiliário”.
Não contente com a mudança proposta pelo executivo no OE (no sentido de desviar a atribuição preferencial de vistos gold para os territórios de baixa densidade) o Bloco de Esquerda entregou esta semana um projecto de lei para acabar com este incentivo, tal como já fez no passado. Desde que entrou em vigor, em 2012, este instrumento conduziu ao “adensamento da criminalidade económica” e um aumento dos preços no imobiliário para valores que “não correspondem aos valores de mercado”, o que teve efeitos no direito à habitação, defendem os bloquistas.


5.5.16

Mais 16 refugiados chegaram a Portugal

In "Jornal de Notícias"

Um grupo de 16 refugiados recolocados em Portugal ao abrigo do programa da União Europeia chegou, esta quarta-feira ao início da tarde, a Lisboa, indicou o Ministério da Administração Interna.

O gabinete de imprensa do Ministério da Administração Interna (MAI) avançou à agência Lusa que os 16 refugiados são sobretudo oriundos da Eritreia e estavam a aguardar recolocação no campo de refugiados de Itália.

Segundo o MAI, a maioria dos 16 refugiados vai ficar no norte de Portugal.

Os 16 refugiados juntam-se aos 195 que Portugal recebeu, desde dezembro, ao abrigo do Programa de Relocalização de Refugiados da União Europeia, tendo acolhido um total de 211.

A primeira quota europeia atribuída a Portugal foi de cerca de 4500 refugiados, tendo o país já manifestado a disponibilidade para acolher mais de cinco mil pessoas.