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25.5.23

Em Lisboa oferecem-se cortes de cabelo para "tornar o dia mais feliz" de pessoas sem-abrigo

in SIC


Ajudar pessoas sem-abrigo não é apenas dar-lhes de comida. Há outros gestos que podem fazer a diferença numa população que tem vindo a crescer em Lisboa.


O projeto Amigos de Rua apoia sem-abrigo na região de Lisboa, distribuindo refeições. Mas agora, um salão de cabeleireiros juntou-se à iniciativa e decidiu oferecer cortes de cabelo àqueles que vivem nas ruas da capital.

A associação Amigos de Rua distribui comida há quase cinco anos com o objetivo de apoiar pessoas sem condições de vida. Todas as quartas-feiras, na Praça da Figueira em Lisboa, vários sem-abrigo fazem fila para comer uma refeição completa.

“Tornar o dia mais feliz”

Agora, o salão Cidália Cabeleireiros e a academia de formação juntaram alunos, ex-alunos e formadores, de forma a oferecer cortes a quem não tem condições financeiras.

Quem usufrui desta iniciativa garante que esta é uma maneira de “tornar o dia mais feliz”. Manter a parceria entre o projeto Amigos de Rua e o salão é um objetivo para que esta ação se repita mais vezes.

23.1.20

Presidente da República saúda reforço da estratégia para os sem-abrigo

Por Notícias ao Minuto

O Presidente da República sublinhou a importância da criação do gestor nacional para a estratégia de apoio às pessoas sem-abrigo, hoje publicada em Diário da República.

Tendo sido hoje publicada no Diário da República a Resolução do Conselho de Ministros que vem reforçar a Estratégia Nacional para a Integração das Pessoas em Situação de Sem-Abrigo, o Presidente da República sublinha a importância de se ter introduzido a figura do gestor executivo e espera que ela se traduza não apenas na continuidade, mas sobretudo na aceleração da aplicação da estratégia", refere a nota colocada no 'site' da Presidência da República.

Segundo o Diário da República, o gestor executivo da Estratégia Nacional para a Integração das Pessoas em Situação de Sem-Abrigo 2017-2023 é designado pelo membro do Governo responsável pela área do trabalho, solidariedade e segurança social e fica na sua dependência direta.

Determina ainda que o gestor assegura a gestão e coordenação da estratégia nacional.

A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social anunciou em 11 de dezembro do ano passado a criação de um gestor nacional da estratégia de apoio às pessoas sem-abrigo.
O gestor nacional será Henrique Joaquim, que presidia à Comunidade Vida e Paz, organização que se dedica ao apoio aos sem-abrigo.

Leia Também: Estratégia Nacional dos sem-abrigo terá primeira avaliação em janeiro

4.6.19

Poderá a Finlândia ter descoberto a solução para acabar com os sem-abrigo?

Rita Penela, in o Observador

A Finlândia está a aplicar um programa ambicioso de realojamento de sem-abrigo que está a fazer baixar os números no país. O primeiro passo foi transformar sem-abrigo em inquilinos.

Até à aplicação do novo projeto, o processo de atribuição de casas a sem-abrigo era semelhante àquele que é usado na maior parte dos países: há que cumprir várias etapas até que lhe seja atribuída uma habitação. Agora a equação inverteu-se e estão a ser atribuídas casas a sem-abrigo que, através de contratos, se transformam imediatamente em inquilinos.

Juha Kaakinen é o responsável pela Y-Foundation, a fundação que atribui as casas e faz o acompanhamento dos sem-abrigo que são realojados, também através da atribuição de subsídios, sempre que a situação justifique. Para Juha Kaakinen era “necessária uma mudança radical” para que se passasse a assistir à diminuição do número de sem-abrigo nas ruas.

“Tínhamos que nos livrar dos abrigos noturnos e dos arrendamentos de curto prazo em hostels que fazíamos na altura. Havia um longo historial na Finlândia de processos desse tipo e todos podiam constatar que não era suficiente para retirar as pessoas das ruas. Decidimos inverter as suposições”, disse o responsável citado pelo The Guardian.

Com o apoio estatal foram construídos novos blocos de apartamentos e os abrigos temporários que existiam foram transformados em casas “confortáveis”, num investimento de mais de 250 milhões de euros. Desde 2008 foram já criadas 3500 casas e o número de sem-abrigo na Finlândia desceu mais de 35%. Na capital do país sobraram apenas 50 camas em abrigos noturnos.

Além de uma casa, os novos inquilinos têm também direito a apoios a nível social. Num dos exemplos, Rukkila, há lugar para 21 pessoas, 17 em estúdios e quatro nos dois apartamentos T2, que são apoiadas pela comunidade. Os apartamentos encontram-se nos 1.º e 2.º andares do edifício enquanto no rés-do-chão estão as infraestruturas que são partilhadas: cozinha e ginásio, por exemplo.

Uma das assistentes no projeto, Saara Haapa explica que o apoio prestado abrange várias áreas, como a orientação com a burocracia, o acesso à educação, a reaprendizagem das tarefas básicas do dia a dia, seja cozinhar ou fazer limpezas. “Muito do trabalho envolve conversar”, esclarece, explicando que tudo se torna mais fácil de abordar “quando se está envolvido a fazer alguma tarefa”.

Antes que o contrato de arrendamento se torne definitivo os inquilinos passam por um período de transição de “três meses”. Os contratos são permanentes e só serão quebrados se as regras forem infringidas ou a renda não for paga. A maior parte dos inquilinos fica durante sete anos ou mais, outros deixam os apartamentos ao fim de um ano ou dois.

Tatu Ainesmaa, um dos sem-abrigo que conseguiu um contrato de arrendamento num dos apartamentos diz que o projeto “é um milagre”. “Nunca tive a minha própria casa, isto é enorme para mim”, disse Tatu depois de explicar que quase todas as noites da sua vida viveu entre o sofá do irmão e abrigos onde também estavam toxicodependentes.

Em Helsínquia há 60 mil unidades de habitação social. Um em cada sete habitantes locais vive em casas que pertencem à cidade que administra a sua própria construtora e impõe limites à construção privada. O setor privado não pode ultrapassar os 45%, 25% são reservados a habitação social (sem teto máximo de renda) e 30% a compra subsidiada sendo que não pode haver diferenças visíveis no exterior dos edifícios que permita a sua distinção.