in Expresso
O país nórdico registou, em 2018, a maior taxa de violência racial e assédio de pessoas de origem africana, segundo um estudo realizado pela União Europeia em 12 países
O Conselho da Europa está preocupado com o aumento dos comentários racistas e insultuosos na Finlândia, que se tornaram "habituais" na internet e cada vez mais frequentes no discurso político, indica um relatório divulgado esta terça-feira.
O país nórdico, frequentemente citado pela sua qualidade de vida e pela igualdade de género, conta apenas com 6,6% da população nascida fora das suas fronteiras, a taxa mais baixa para um país ocidental da União Europeia (UE).
No entanto, a Finlândia registou em 2018 a maior taxa de violência racial e assédio de pessoas de origem africana, segundo um estudo realizado pela UE em 12 países.
"As declarações de ódio racista e intolerante no discurso público estão a aumentar e visam principalmente os requerentes de asilo e os muçulmanos", lamenta a Comissão Contra o Racismo e a Intolerância (CCRI) do Conselho da Europa no seu relatório.
Ao mesmo tempo, na internet, "as expressões de racismo e de xenofobia contra os imigrantes ou pessoas de ascendência africana, as pessoas LGBT e a comunidade judaica são habituais, como as declarações injuriosas em relação aos ciganos", notam os autores do estudo.
No ano passado, 63% das pessoas de origem africana residentes na Finlândia tinham sido vítimas de assédio racista durante os últimos cinco anos, de acordo com um estudo da agência de direitos fundamentais da UE, o nível mais elevado registado nos 12 países estudados.
A CCRI considera que "a resposta das autoridades finlandesas a estes incidentes não pode ser considerada plenamente adequada", embora elogie medidas tomadas recentemente para tentar resolver o problema.
O relatório assinala ainda uma criticada lei que exige a esterilização de pessoas transgénero para poderem ser legalmente reconhecidas como tendo mudado de sexo, pedindo a sua modificação no que se refere àquela exigência.
Em junho, o primeiro-ministro social democrata, Antti Rinne, comprometeu-se a revogar a lei.
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11.9.19
2.9.19
Um restaurante, um frigorífico e dois portugueses na Finlândia contra o desperdício alimentar
in Públio on-line
Quando chegou à Finlândia, Tiago Pinto ia buscar comida ao frigorífico comunitário onde agora ajuda a reduzir o desperdício alimentar. Também em Helsínquia, Carlos Henriques abriu o Nolla, um restaurante sem caixote do lixo. “Num mundo ideal, deveríamos evitar o lixo de ser produzido.”
Carlos e Tiago estão emigrados em Helsínquia, na Finlândia, e além da morada partilham um objectivo: o combate ao desperdício alimentar. Enquanto o mangualdense gere um restaurante sem caixotes do lixo, o segundo, portuense, é voluntário num frigorífico comunitário.
Numa altura em que a presidência da União Europeia (UE) é assumida pela Finlândia, o tema da sustentabilidade ambiental foi colocado na agenda comunitária, com Helsínquia a querer uma região mais ‘verde’, mas os esforços do país – e destes emigrantes – não são de agora.
No Nolla, o restaurante de Carlos Henriques que abriu portas em Helsínquia no início do ano passado, a meta de desperdício zero é seguida à letra, não fosse este o segundo restaurante no mundo com esta designação (após um primeiro que surgiu no Reino Unido há quatro anos, o Silo). As fardas dos funcionários foram feitas de antigas vestimentas de hospitais, os copos surgiram de garrafas de vidro reutilizadas, a cozinha não tem caixotes do lixo, o óleo e as bebidas destiladas chegam ao espaço em barris, os alimentos vêm todos de produtores locais e a cerveja é artesanal e ali produzida. Proibidas são as embalagens, os sacos a vácuo e a película aderente.
“Foi preciso repensar a estrutura toda de um restaurante”, confessa à agência Lusa Carlos Henrique, 32 anos, natural de Mangualde, que mora há sete em Helsínquia. Quase em tom de anedota, Carlos conta a história de um português (ele), um sérvio e um espanhol que, um dia, trabalhavam como chefs de cozinha num restaurante de luxo e começaram a idealizar uma cozinha sem desperdício orgânico, já lá vão alguns anos. Depois de um ano e meio de pesquisa e um investimento de 350 mil euros (80 mil dos quais conseguidos através de financiamento comunitário) abriu o Nolla, servindo hoje “comida mediterrânica com ingredientes finlandeses”, em menus que rondam os 60 euros por pessoa. “Não temos caixotes do lixo na cozinha porque esse seria um ponto fácil de saída […]. Todos os chefs têm uma pequena caixa que é transparente – e pode ser vista e controlada por todos – onde põem o próprio desperdício e isto é muito importante”, vinca Carlos.
O jovem português explica que “a ideia do Nolla não é que se tenha de usar tudo, é que se tenha a consciência do que não se está a usar”, já que, no sector da restauração, “o desperdício normalmente é normalizado e aqui não é”. “Ainda há muito desperdício na área da restauração e quem disser o contrário está a mentir”, atesta, agora em tom sério. O compostor do restaurante consegue processar 85 quilos de compostagem num só dia. Recentemente, descobriram que, cozendo cascas de abóbora por alguns dias, conseguem uma textura semelhante à do alho fermentado, que podem usar para criar molhos. “Num mundo ideal, deveríamos evitar o lixo de ser produzido e essa é a mensagem do Nolla", adianta.
Também para evitar que a comida tenha este fim surgiu o Keru FoodSharin, um frigorífico comunitário instalado numa colectividade perto do centro de Helsínquia que enche barrigas a pensar no ambiente. O investigador e artista visual portuense Tiago Martins Pinto, de 34 anos, chegou à capital finlandesa em Setembro do ano passado, na mesma altura em que o Keru arrancou. E se hoje é a vontade de acabar com o desperdício alimentar que o faz ser um dos 60 “Claro que isto depois também abrange outras áreas, como o cariz social, o significado de pertença para os nossos voluntários, o sentimento de comunidade e [a possibilidade] de se conhecer novas pessoas, o desenvolvimento sustentável e a educação ambiental e ainda a partilha de experiências culturais”, elenca.
Leis que proíbem sacos de plástico para fruta e louça de plástico publicadas esta segunda-feira
O Keru recolhe cerca de 100 quilos de comida diariamente, que provêm de pequenos supermercados da zona e é transportada maioritariamente por bicicleta, — ainda que no Inverno isso seja impossível por a comida congelar. À disposição das mais de 20 pessoas que ali vão buscar comida com frequência estão, normalmente, carne, peixe, lacticínios, pão, fruta e vegetais. Desde o início do projecto até agora foram mais de dez mil os utilizadores daquele frigorífico comunitário e quase 20 mil as toneladas de alimentos reaproveitados.
Enquanto a maior parte das pessoas que ali vão buscar comida são finlandeses, entre estudantes e idosos, os voluntários são quase todos estrangeiros, dos quais fazem parte alguns refugiados e alunos internacionais. Tiago não conhece e afirma não querer saber quem são estas pessoas — o projecto prevê o seu anonimato, apenas tendo de indicar o peso da comida que levam consigo — mas espera conseguir mudar bocadinho a sua vida e a sua visão. “Cria-se aqui uma consciência nas pessoas que fazem voluntariado e nas pessoas que vêm cá. De, por exemplo, quando se vai às compras, ir-se às coisas em promoção, à fruta mais tocada que também está boa ou até mesmo em reduzir o consumo de novos produtos e vires cá levar estes, que também estão bons, e evitas que vão para uma lixeira produzir desperdício”, realça.
Quando chegou à Finlândia, Tiago Pinto ia buscar comida ao frigorífico comunitário onde agora ajuda a reduzir o desperdício alimentar. Também em Helsínquia, Carlos Henriques abriu o Nolla, um restaurante sem caixote do lixo. “Num mundo ideal, deveríamos evitar o lixo de ser produzido.”
Carlos e Tiago estão emigrados em Helsínquia, na Finlândia, e além da morada partilham um objectivo: o combate ao desperdício alimentar. Enquanto o mangualdense gere um restaurante sem caixotes do lixo, o segundo, portuense, é voluntário num frigorífico comunitário.
Numa altura em que a presidência da União Europeia (UE) é assumida pela Finlândia, o tema da sustentabilidade ambiental foi colocado na agenda comunitária, com Helsínquia a querer uma região mais ‘verde’, mas os esforços do país – e destes emigrantes – não são de agora.
No Nolla, o restaurante de Carlos Henriques que abriu portas em Helsínquia no início do ano passado, a meta de desperdício zero é seguida à letra, não fosse este o segundo restaurante no mundo com esta designação (após um primeiro que surgiu no Reino Unido há quatro anos, o Silo). As fardas dos funcionários foram feitas de antigas vestimentas de hospitais, os copos surgiram de garrafas de vidro reutilizadas, a cozinha não tem caixotes do lixo, o óleo e as bebidas destiladas chegam ao espaço em barris, os alimentos vêm todos de produtores locais e a cerveja é artesanal e ali produzida. Proibidas são as embalagens, os sacos a vácuo e a película aderente.
“Foi preciso repensar a estrutura toda de um restaurante”, confessa à agência Lusa Carlos Henrique, 32 anos, natural de Mangualde, que mora há sete em Helsínquia. Quase em tom de anedota, Carlos conta a história de um português (ele), um sérvio e um espanhol que, um dia, trabalhavam como chefs de cozinha num restaurante de luxo e começaram a idealizar uma cozinha sem desperdício orgânico, já lá vão alguns anos. Depois de um ano e meio de pesquisa e um investimento de 350 mil euros (80 mil dos quais conseguidos através de financiamento comunitário) abriu o Nolla, servindo hoje “comida mediterrânica com ingredientes finlandeses”, em menus que rondam os 60 euros por pessoa. “Não temos caixotes do lixo na cozinha porque esse seria um ponto fácil de saída […]. Todos os chefs têm uma pequena caixa que é transparente – e pode ser vista e controlada por todos – onde põem o próprio desperdício e isto é muito importante”, vinca Carlos.
O jovem português explica que “a ideia do Nolla não é que se tenha de usar tudo, é que se tenha a consciência do que não se está a usar”, já que, no sector da restauração, “o desperdício normalmente é normalizado e aqui não é”. “Ainda há muito desperdício na área da restauração e quem disser o contrário está a mentir”, atesta, agora em tom sério. O compostor do restaurante consegue processar 85 quilos de compostagem num só dia. Recentemente, descobriram que, cozendo cascas de abóbora por alguns dias, conseguem uma textura semelhante à do alho fermentado, que podem usar para criar molhos. “Num mundo ideal, deveríamos evitar o lixo de ser produzido e essa é a mensagem do Nolla", adianta.
Também para evitar que a comida tenha este fim surgiu o Keru FoodSharin, um frigorífico comunitário instalado numa colectividade perto do centro de Helsínquia que enche barrigas a pensar no ambiente. O investigador e artista visual portuense Tiago Martins Pinto, de 34 anos, chegou à capital finlandesa em Setembro do ano passado, na mesma altura em que o Keru arrancou. E se hoje é a vontade de acabar com o desperdício alimentar que o faz ser um dos 60 “Claro que isto depois também abrange outras áreas, como o cariz social, o significado de pertença para os nossos voluntários, o sentimento de comunidade e [a possibilidade] de se conhecer novas pessoas, o desenvolvimento sustentável e a educação ambiental e ainda a partilha de experiências culturais”, elenca.
Leis que proíbem sacos de plástico para fruta e louça de plástico publicadas esta segunda-feira
O Keru recolhe cerca de 100 quilos de comida diariamente, que provêm de pequenos supermercados da zona e é transportada maioritariamente por bicicleta, — ainda que no Inverno isso seja impossível por a comida congelar. À disposição das mais de 20 pessoas que ali vão buscar comida com frequência estão, normalmente, carne, peixe, lacticínios, pão, fruta e vegetais. Desde o início do projecto até agora foram mais de dez mil os utilizadores daquele frigorífico comunitário e quase 20 mil as toneladas de alimentos reaproveitados.
Enquanto a maior parte das pessoas que ali vão buscar comida são finlandeses, entre estudantes e idosos, os voluntários são quase todos estrangeiros, dos quais fazem parte alguns refugiados e alunos internacionais. Tiago não conhece e afirma não querer saber quem são estas pessoas — o projecto prevê o seu anonimato, apenas tendo de indicar o peso da comida que levam consigo — mas espera conseguir mudar bocadinho a sua vida e a sua visão. “Cria-se aqui uma consciência nas pessoas que fazem voluntariado e nas pessoas que vêm cá. De, por exemplo, quando se vai às compras, ir-se às coisas em promoção, à fruta mais tocada que também está boa ou até mesmo em reduzir o consumo de novos produtos e vires cá levar estes, que também estão bons, e evitas que vão para uma lixeira produzir desperdício”, realça.
4.6.19
Poderá a Finlândia ter descoberto a solução para acabar com os sem-abrigo?
Rita Penela, in o Observador
A Finlândia está a aplicar um programa ambicioso de realojamento de sem-abrigo que está a fazer baixar os números no país. O primeiro passo foi transformar sem-abrigo em inquilinos.
Até à aplicação do novo projeto, o processo de atribuição de casas a sem-abrigo era semelhante àquele que é usado na maior parte dos países: há que cumprir várias etapas até que lhe seja atribuída uma habitação. Agora a equação inverteu-se e estão a ser atribuídas casas a sem-abrigo que, através de contratos, se transformam imediatamente em inquilinos.
Juha Kaakinen é o responsável pela Y-Foundation, a fundação que atribui as casas e faz o acompanhamento dos sem-abrigo que são realojados, também através da atribuição de subsídios, sempre que a situação justifique. Para Juha Kaakinen era “necessária uma mudança radical” para que se passasse a assistir à diminuição do número de sem-abrigo nas ruas.
“Tínhamos que nos livrar dos abrigos noturnos e dos arrendamentos de curto prazo em hostels que fazíamos na altura. Havia um longo historial na Finlândia de processos desse tipo e todos podiam constatar que não era suficiente para retirar as pessoas das ruas. Decidimos inverter as suposições”, disse o responsável citado pelo The Guardian.
Com o apoio estatal foram construídos novos blocos de apartamentos e os abrigos temporários que existiam foram transformados em casas “confortáveis”, num investimento de mais de 250 milhões de euros. Desde 2008 foram já criadas 3500 casas e o número de sem-abrigo na Finlândia desceu mais de 35%. Na capital do país sobraram apenas 50 camas em abrigos noturnos.
Além de uma casa, os novos inquilinos têm também direito a apoios a nível social. Num dos exemplos, Rukkila, há lugar para 21 pessoas, 17 em estúdios e quatro nos dois apartamentos T2, que são apoiadas pela comunidade. Os apartamentos encontram-se nos 1.º e 2.º andares do edifício enquanto no rés-do-chão estão as infraestruturas que são partilhadas: cozinha e ginásio, por exemplo.
Uma das assistentes no projeto, Saara Haapa explica que o apoio prestado abrange várias áreas, como a orientação com a burocracia, o acesso à educação, a reaprendizagem das tarefas básicas do dia a dia, seja cozinhar ou fazer limpezas. “Muito do trabalho envolve conversar”, esclarece, explicando que tudo se torna mais fácil de abordar “quando se está envolvido a fazer alguma tarefa”.
Antes que o contrato de arrendamento se torne definitivo os inquilinos passam por um período de transição de “três meses”. Os contratos são permanentes e só serão quebrados se as regras forem infringidas ou a renda não for paga. A maior parte dos inquilinos fica durante sete anos ou mais, outros deixam os apartamentos ao fim de um ano ou dois.
Tatu Ainesmaa, um dos sem-abrigo que conseguiu um contrato de arrendamento num dos apartamentos diz que o projeto “é um milagre”. “Nunca tive a minha própria casa, isto é enorme para mim”, disse Tatu depois de explicar que quase todas as noites da sua vida viveu entre o sofá do irmão e abrigos onde também estavam toxicodependentes.
Em Helsínquia há 60 mil unidades de habitação social. Um em cada sete habitantes locais vive em casas que pertencem à cidade que administra a sua própria construtora e impõe limites à construção privada. O setor privado não pode ultrapassar os 45%, 25% são reservados a habitação social (sem teto máximo de renda) e 30% a compra subsidiada sendo que não pode haver diferenças visíveis no exterior dos edifícios que permita a sua distinção.
A Finlândia está a aplicar um programa ambicioso de realojamento de sem-abrigo que está a fazer baixar os números no país. O primeiro passo foi transformar sem-abrigo em inquilinos.
Até à aplicação do novo projeto, o processo de atribuição de casas a sem-abrigo era semelhante àquele que é usado na maior parte dos países: há que cumprir várias etapas até que lhe seja atribuída uma habitação. Agora a equação inverteu-se e estão a ser atribuídas casas a sem-abrigo que, através de contratos, se transformam imediatamente em inquilinos.
Juha Kaakinen é o responsável pela Y-Foundation, a fundação que atribui as casas e faz o acompanhamento dos sem-abrigo que são realojados, também através da atribuição de subsídios, sempre que a situação justifique. Para Juha Kaakinen era “necessária uma mudança radical” para que se passasse a assistir à diminuição do número de sem-abrigo nas ruas.
“Tínhamos que nos livrar dos abrigos noturnos e dos arrendamentos de curto prazo em hostels que fazíamos na altura. Havia um longo historial na Finlândia de processos desse tipo e todos podiam constatar que não era suficiente para retirar as pessoas das ruas. Decidimos inverter as suposições”, disse o responsável citado pelo The Guardian.
Com o apoio estatal foram construídos novos blocos de apartamentos e os abrigos temporários que existiam foram transformados em casas “confortáveis”, num investimento de mais de 250 milhões de euros. Desde 2008 foram já criadas 3500 casas e o número de sem-abrigo na Finlândia desceu mais de 35%. Na capital do país sobraram apenas 50 camas em abrigos noturnos.
Além de uma casa, os novos inquilinos têm também direito a apoios a nível social. Num dos exemplos, Rukkila, há lugar para 21 pessoas, 17 em estúdios e quatro nos dois apartamentos T2, que são apoiadas pela comunidade. Os apartamentos encontram-se nos 1.º e 2.º andares do edifício enquanto no rés-do-chão estão as infraestruturas que são partilhadas: cozinha e ginásio, por exemplo.
Uma das assistentes no projeto, Saara Haapa explica que o apoio prestado abrange várias áreas, como a orientação com a burocracia, o acesso à educação, a reaprendizagem das tarefas básicas do dia a dia, seja cozinhar ou fazer limpezas. “Muito do trabalho envolve conversar”, esclarece, explicando que tudo se torna mais fácil de abordar “quando se está envolvido a fazer alguma tarefa”.
Antes que o contrato de arrendamento se torne definitivo os inquilinos passam por um período de transição de “três meses”. Os contratos são permanentes e só serão quebrados se as regras forem infringidas ou a renda não for paga. A maior parte dos inquilinos fica durante sete anos ou mais, outros deixam os apartamentos ao fim de um ano ou dois.
Tatu Ainesmaa, um dos sem-abrigo que conseguiu um contrato de arrendamento num dos apartamentos diz que o projeto “é um milagre”. “Nunca tive a minha própria casa, isto é enorme para mim”, disse Tatu depois de explicar que quase todas as noites da sua vida viveu entre o sofá do irmão e abrigos onde também estavam toxicodependentes.
Em Helsínquia há 60 mil unidades de habitação social. Um em cada sete habitantes locais vive em casas que pertencem à cidade que administra a sua própria construtora e impõe limites à construção privada. O setor privado não pode ultrapassar os 45%, 25% são reservados a habitação social (sem teto máximo de renda) e 30% a compra subsidiada sendo que não pode haver diferenças visíveis no exterior dos edifícios que permita a sua distinção.
20.9.18
Como oportunidades iguais a ricos e pobres ajudaram Finlândia a virar referência em educação
Claudia Wallin, in BBC.com
Na Finlândia, alunos têm poucas provas
Os finlandeses só conheceram o asfalto na década de 1920. Até o começo do século 20, conheciam sobretudo a pobreza. Quando, em 1909, a avenida Paulista se tornou a primeira via asfaltada da cidade de São Paulo, a hoje rica Finlândia era uma economia substancialmente agrária, e seus primeiros 14 km de rodovia seriam inaugurados somente em 1963.
Mas, nos anos seguintes, o país foi transformado por um conjunto de políticas educacionais e sociais - que criaram um dos mais celebrados modelos de excelência em educação pública do mundo. No Brasil, enquanto isso, reduzir a imensa desigualdade de oportunidades educacionais que existe entre as crianças que nascem em famílias pobres e as mais ricas segue sendo um dos principais desafios do país.
É o conhecido milagre finlandês, iniciado na década de 70 e turbinado nos anos 90 por uma série de reformas inovadoras. Em um espaço de 30 anos, a Finlândia transformou um sistema educacional medíocre e ineficaz, que amargava resultados escolares comparáveis aos de países como o Peru e a Malásia, em uma incubadora de talentos que a alçou ao topo dos rankings mundiais de desempenho estudantil e alavancou o nascimento de uma economia sofisticada e altamente industrializada.
Trata-se, à primeira vista, de um enigma: os finlandeses estão fazendo exatamente o contrário do que o resto do mundo faz na eterna busca por melhores resultados escolares - e está dando certo. O receituário finlandês inclui reduzir o número de horas de aula e limitar ao mínimo os deveres de casa e as provas escolares.
Como a Finlândia, país referência em educação, está mudando a arquitetura de suas escolas
Delegações de educadores internacionais vasculham o paradoxal modelo finlandês em busca da fórmula do milagre. E ouvem, dos finlandeses, a seguinte resposta: a educação pública de alta qualidade não é resultado apenas de políticas educacionais, eles dizem, mas também de políticas sociais.
"O Estado de bem-estar social finlandês desempenha um papel crucial para o sucesso do modelo, ao garantir a todas as crianças oportunidades e condições iguais para um aprendizado gratuito e de qualidade", diz o educador Pasi Sahlberg, um dos idealizadores da reforma das políticas educativas da Finlândia nos anos 90, no livro Finnish Lessons (Lições Finlandesas, em tradução livre).
A preocupação em garantir que todos os finlandeses tenham oportunidades iguais de desenvolvimento é visível nas instalações da escola Viikki, um dos centros educacionais de ensino médio e fundamental da capital finlandesa, Helsinque. Como em todas as escolas finlandesas, ali o filho do empresário e o filho do operário estudam lado a lado.
No amplo refeitório, refeições fartas e saudáveis são servidas diariamente aos estudantes.
Serviços de atendimento médico e odontológico cuidam, gratuitamente, da saúde dos 940 alunos. Todo o material escolar é também gratuito. Equipes de pedagogos e psicólogos acompanham cuidadosamente o desenvolvimento de cada criança, identificando na primeira hora problemas como a dislexia de um aluno e fornecendo apoio imediato. Mensalidades escolares não existem.
Pasi Sahlberg destaca ainda o impacto fundamental exercido no ensino pelo modelo de igualdade e justiça social criado gradualmente pelos finlandeses a partir do pós-guerra: saúde, educação e moradia para todos, generosas licenças-paternidade para cuidar das crianças e creches altamente subsidiadas ou até gratuitas, além de uma vasta e solidária rede universal de proteção aos cidadãos.
"A desigualdade social, a pobreza infantil e ausência de serviços básicos têm um forte impacto negativo no desempenho do sistema educacional de um país", pontua Sahlberg.
Em todas as escolas finlandesas, ali o filho do empresário e o filho do operário estudam lado a lado
A transformação
Até o fim dos anos 1960, apenas 10% dos finlandeses completavam o ensino secundário. As oportunidades eram limitadas, e o acesso, desigual: muitas famílias não tinham condições de pagar por instituições privadas de ensino, e as escolas públicas eram insuficientes.
Um diploma universitário era considerado, na época,
um troféu excepcional - apenas 7% da população tinha educação superior. Em todas as faixas de aprendizado, a Finlândia era um símbolo de atraso.
Mas a História do país sempre foi marcada pela resiliência do seu povo, que só conquistou a independência em 1917 - depois de seis séculos sob o domínio do reino da Suécia e mais de cem anos como grão-ducado do Império Russo e seus cinco czares.
Pista de skate desta escola foi construída graças à ideia sugerida pelos alunos, que ajudaram até a desenhá-la
Na década de 70, a nação foi convocada a mudar. Uma educação pública estelar passou a ser percebida como a base fundamental para a criação de um futuro menos medíocre: desenvolver o capital humano do país tornou-se a missão primordial do Estado finlandês.
O princípio da igualdade e da inclusão social marcou o desenvolvimento nos anos 70 da nova peruskoulu, a educação obrigatória finlandesa, que abrange o ensino fundamental e médio. Em uma decisão histórica do Parlamento finlandês, todas as crianças, independentemente de background socioeconômico ou região de domicílio, passaram a ter acesso igualitário e gratuito a escolas de qualidade para cumprir os nove anos da educação básica.
O vital passo seguinte foi uma valorização sem precedentes do professor. A Finlândia lançou programas de formação de excelência para o magistério nas universidades do país, criou notáveis condições de trabalho e ampla autonomia decisória nas escolas, pagando razoavelmente bem seus professores. E a carreira de professor tornou-se uma das preferidas entre os jovens finlandeses - à frente de profissões da Medicina, do Direito e da Arquitetura.
Participação da sociedade
Nos anos 90, o país anunciou uma nova revolução do ensino. Associações de professores, políticos, pais, membros da academia e diferentes setores da sociedade foram chamados a participar da criação dos novos e revolucionários paradigmas da educação no país, que rejeitavam a fórmula convencional aplicada na maior parte do mundo como receita para melhorar o desempenho escolar.
"Particularmente significativo foi o papel desempenhado por variadas organizações da sociedade civil", destaca Pasi Sahlberg, que foi um dos conselheiros do Ministério da Educação finlandês nos anos 90.
A transformação do sistema foi profunda - e rápida. Como resultado, já no fim da década de 90 a peruskoulu finlandesa tornou-se líder mundial em matemática, ciências e interpretação.
Os primeiros resultados do PISA publicados em 2001 surpreenderam os próprios finlandeses: em todos os domínios acadêmicos, a Finlândia despontou no topo do ranking mundial. E permanece, até hoje, entre os mais destacados membros do clube.
A Finlândia diz ter aprendido uma lição: políticas de educação efetivas devem estar interligadas às demais políticas sociais. "As pessoas na Finlândia têm um profundo senso de responsabilidade compartilhada e importam-se não apenas com as próprias vidas, mas também com o bem-estar dos outros", observa Sahlberg no livro Finnish Lessons.
"Os cuidados com o bem-estar da criança começam antes mesmo de ela nascer e se estendem até a idade adulta. As creches públicas são um direito garantido para todas as crianças, que também têm acesso igualitário a todo tipo de serviço básico. A educação em nosso país é considerada um bem público. É, portanto, protegida, na Constituição do país, como um direito humano básico", acrescenta.
O investimento finlandês na educação também é considerado um dos motores centrais do desenvolvimento econômico e do fim da pobreza no país: cidadãos altamente capacitados alavancaram o crescimento da produção e a transformação da Finlândia em um dos principais pólos de inovação e tecnologia do mundo, com o nascimento de empresas como a gigante das telecomunicações Nokia.
As políticas educacionais cresceram ao lado das políticas sociais: a vasta rede de benefícios sociais na Finlândia é resultado da construção, a partir dos anos 70, de um generoso Estado de Bem-Estar social, financiado por uma das mais altas cargas tributárias do mundo. A taxa de imposto de renda individual no país é hoje de 51,6%, o que não impediu a Finlândia de aparecer, este ano, no topo do ranking dos países mais felizes do mundo elaborado pela ONU (World Happiness Report).
Desde o fim dos anos 30, a Finlândia oferece a todas as gestantes um kit-maternidade com cerca de 50 itens básicos para o bebê - um presente destinado a proporcionar a todos um começo de vida igual, independentemente da classe social.
Quando uma criança nasce na Finlândia, a mãe tem direito a 105 dias úteis de licença-maternidade. O pai recebe outros 54 dias úteis de licença. Além disso, os casais podem dividir entre si um período adicional de mais de cinco meses de licença parental.
Isso significa que a maioria das crianças finlandesas pode ter a atenção dos pais, em casa, durante seu primeiro ano de vida.
Após o período de licença-paternidade, um dos pais tem o direito de permanecer em casa com a criança, se assim preferir, e receber um subsídio de cerca de 450 euros por mês. Nesse caso, o pai ou a mãe poderão retornar ao mesmo emprego que tinham antes até a criança completar três anos de idade.
Os pais têm ainda a opção de retornar ao trabalho, mas com carga horária reduzida, e obter um subsídio parcial do Estado.
Uso de tecnologia e de métodos alternativos (como bolas no lugar de cadeiras) é incentivado nas escolas da Finlândia
A maior parte dos pais e mães volta eventualmente ao trabalho - e quando decidem fazer isso, o Estado oferece uma rede de creches especializadas e altamente subsidiadas para cuidar das crianças.
Pela lei finlandesa, todas as crianças de 0 a seis anos têm direito a um lugar na creche, seja em horário parcial ou integral. As taxas variam de acordo com a renda dos pais e da municipalidade onde a família reside. O valor máximo da mensalidade é atualmente de 290 euros (cerca de R$ 1.340).
Para famílias de menor renda, as creches são gratuitas.
Quando completam 6 anos de idade, todas as crianças finlandesas têm direito à educação pré-escolar – que é inteiramente gratuita. O objetivo dos centros pré-escolares é proporcionar a cada criança o aprendizado de habilidades e conhecimentos básicos, a fim de prepará-las para a vida escolar.
Com o acesso gratuito às universidades e instituições de ensino técnico e profissionalizante, a educação de nível superior também passou a ser uma oportunidade igual para todos: a educação na Finlândia é livre de mensalidades para todos, do pré-escolar ao PhD.
As estatísticas apontam o êxito da fórmula de aliar políticas educacionais a políticas sociais, diz Pasi Sahberg:
"As sociedades igualitárias têm cidadãos com grau de instrução mais elevado, raros casos de evasão escolar, menores taxas de obesidade, melhores indicadores de saúde mental e índices mais reduzidos de ocorrência de gravidez entre adolescentes, em relação aos países nos quais a distância entre ricos e pobres é maior", enfatiza o educador finlandês.
Inovar - sempre - é preciso, ensinam os finlandeses. Já nos anos 90, a reforma educacional conduzida pela Finlândia surpreendeu o mundo acadêmico com uma teoria paradoxal, que provaria ser visionária.
Paradoxo 1: Os alunos aprendem mais quando os professores ensinam menos
A experiência finlandesa desafia a lógica convencional, que prescreve mais horas de aula e maior quantidade de lições de casa como fórmula para turbinar o desempenho estudantil.
Os dias são mais curtos nas escolas da Finlândia: são menos horas de aula do que em todas as demais nações industrializadas, segundo estatísticas da OCDE, organização que reúne os países mais ricos do mundo.
"É importante que crianças tenham tempo de ser crianças", disse a professora Erja Schunk, na escola Viikki, situada em um campus da Universidade de Helsinque. "O mais importante é a qualidade do tempo em sala de aula, e não a quantidade".
Nos Estados Unidos, um professor gasta aproximadamente o dobro do tempo ensinando na sala de aula por semana, em comparação com um professor finlandês.
"Dar seis horas de aula por dia é uma tarefa árdua, que deixa os professores cansados demais para se dedicar a outras tarefas importantes no trabalho de um educador, como planejar, reciclar-se e dar assistência cuidadosa ao aluno", diz Sahlberg. Em uma típica escola finlandesa, os professores dão cerca de quatro aulas por dia.
"A preocupação central da escola finlandesa não é atingir recordes de desempenho escolar, e sim ajudar a desenvolver as aptidões de uma criança a fim de formar indivíduos capazes de viver vidas felizes, dentro e fora do trabalho", acrescenta Sahlberg.
A entrega da caixa de papelão com itens para recém nascidos é uma das bem-sucedidas políticas sociais do país
Professores finlandeses também não acreditam que aumentar a carga de trabalho de casa dos estudantes leva necessariamente a um melhor aprendizado - especialmente se as lições forem entediantes exercícios que não desafiam a capacidade criativa do aluno.
Pelas estatísticas da OCDE, os estudantes finlandeses gastam menos tempo fazendo trabalho de casa do que os colegas de todos os outros países: cerca de meia hora por dia.
"Os alunos aprendem o que necessitam saber na sala de aula, e muitos fazem o dever de casa aqui mesmo, na própria escola. Assim, eles têm tempo para conviver com os amigos e se dedicar às coisas que gostam de fazer fora da escola, o que também é importante", disse o professor Martti Mery na escola Viikki.
Na fase pré-escolar, a prioridade é desenvolver a autoconfiança das crianças: os dias na escola são preenchidos com tarefas como aprender a se orientar desacompanhadas em uma floresta, ou amarrar sozinhas seus patins de gelo.
Paradoxo 2: Os alunos aprendem mais quando têm menos provas e testes
Estudantes finlandeses não precisam se preocupar com provas: seu sistema educacional não acredita na eficácia de uma alta frequência de provas e testes, que por isso são aplicados com pouca regularidade. Apesar disso, a Finlândia brilha nos rankings globais de educação, ao lado dos países com melhor desempenho escolar do mundo.
Milagre? A filosofia finlandesa é de que o foco principal dos professores deve ser ajudar os alunos a aprender sem ansiedade, a criar e a desenvolver a curiosidade natural, e não simplesmente a passar em provas.
"A pressão do modelo tradicional de ensino traz consequências dramáticas para os alunos, como o medo, o tédio e o receio de correr riscos", afirma o educador Pasi Sahlberg.
Relatórios do PISA indicam que apenas 7% dos alunos finlandeses sentem-se ansiosos ao estudar matemática. Já no rígido sistema de ensino do Japão, que ostenta altos níveis de desempenho escolar enquanto registra recordes de suicídio entre estudantes, esse índice chega a 52%.
Nas salas de aula da escola Viikki, o ambiente é tranquilo e descontraído. Não há uniformes escolares, e os alunos estudam descalços – refletindo o clima das casas escandinavas, onde ninguém usa sapatos.
A escola primária é praticamente uma época livre de testes. A fim de evitar que as crianças sejam categorizadas de acordo com sua performance, o sistema finlandês virtualmente aboliu a avaliação por notas escolares nos cinco primeiros anos da peruskoulu.
Nos anos seguintes, a avaliação é feita com base em testes elaborados pelo professor e no desempenho do aluno em sala de aula, além de uma ampla avaliação de cada estudante realizada coletivamente pelos professores ao fim de cada semestre.
Os que precisam de maior assistência no ensino recebem atenção particular: a filosofia finlandesa preza a crença de que todas as crianças têm o potencial de aprender, se tiverem apoio e oportunidades adequadas.
O magistério na Finlândia tornou-se uma carreira de prestígio.
A cada primavera, milhares de jovens se candidatam a uma vaga para estudar nos departamentos de formação de professores das universidades da Finlândia.
Mas apenas os melhores e mais preparados estudantes podem se tornar professores: no exigente sistema finlandês, apenas cerca de 10% dos candidatos são em geral aprovados para cursar o obrigatório mestrado na universidade.
Obter um mestrado tornou-se a qualificação básica e obrigatória de um professor para poder ensinar nas escolas finlandesas - mesmo na educação pré-escolar.
A escola primária é praticamente uma época livre de provas
As inovações continuam: o currículo escolar adotado em 2016 criou, por exemplo, o ensino baseado em fenômenos ou projetos, que atualiza a tradicional divisão por matérias e dá mais espaço para que determinados temas - como, por exemplo, a Segunda Guerra Mundial - sejam trabalhados conjuntamente por professores de diferentes disciplinas.
Todos os aspectos por trás do sucesso finlandês parecem ser, assim, o oposto do que se faz na maior parte do mundo, onde a competição, a alta carga de provas e aulas, a uniformização do ensino e a privatização são via de regra os princípios dominantes.
"Exercer controles rígidos sobre as escolas e os alunos, pagar os professores com base no desempenho dos estudantes, entregar a liderança das escolas a especialistas em gerenciamento ou converter escolas públicas em privadas são ideias que não têm lugar no repertório finlandês de desenvolvimento da educação", diz o educador Pasi Sahlberg.
Sahlberg resume assim o pensamento finlandês sobre a educação pública de qualidade:
"É uma obrigação moral, pois o bem-estar e em última análise a felicidade de um indivíduo depende do conhecimento, das aptidões e das visões de mundo que são proporcionadas por uma educação de qualidade. É também um imperativo econômico, uma vez que a riqueza das nações depende cada vez mais de know-how e conhecimento".
Na Finlândia, alunos têm poucas provas
Os finlandeses só conheceram o asfalto na década de 1920. Até o começo do século 20, conheciam sobretudo a pobreza. Quando, em 1909, a avenida Paulista se tornou a primeira via asfaltada da cidade de São Paulo, a hoje rica Finlândia era uma economia substancialmente agrária, e seus primeiros 14 km de rodovia seriam inaugurados somente em 1963.
Mas, nos anos seguintes, o país foi transformado por um conjunto de políticas educacionais e sociais - que criaram um dos mais celebrados modelos de excelência em educação pública do mundo. No Brasil, enquanto isso, reduzir a imensa desigualdade de oportunidades educacionais que existe entre as crianças que nascem em famílias pobres e as mais ricas segue sendo um dos principais desafios do país.
É o conhecido milagre finlandês, iniciado na década de 70 e turbinado nos anos 90 por uma série de reformas inovadoras. Em um espaço de 30 anos, a Finlândia transformou um sistema educacional medíocre e ineficaz, que amargava resultados escolares comparáveis aos de países como o Peru e a Malásia, em uma incubadora de talentos que a alçou ao topo dos rankings mundiais de desempenho estudantil e alavancou o nascimento de uma economia sofisticada e altamente industrializada.
Trata-se, à primeira vista, de um enigma: os finlandeses estão fazendo exatamente o contrário do que o resto do mundo faz na eterna busca por melhores resultados escolares - e está dando certo. O receituário finlandês inclui reduzir o número de horas de aula e limitar ao mínimo os deveres de casa e as provas escolares.
Como a Finlândia, país referência em educação, está mudando a arquitetura de suas escolas
Delegações de educadores internacionais vasculham o paradoxal modelo finlandês em busca da fórmula do milagre. E ouvem, dos finlandeses, a seguinte resposta: a educação pública de alta qualidade não é resultado apenas de políticas educacionais, eles dizem, mas também de políticas sociais.
"O Estado de bem-estar social finlandês desempenha um papel crucial para o sucesso do modelo, ao garantir a todas as crianças oportunidades e condições iguais para um aprendizado gratuito e de qualidade", diz o educador Pasi Sahlberg, um dos idealizadores da reforma das políticas educativas da Finlândia nos anos 90, no livro Finnish Lessons (Lições Finlandesas, em tradução livre).
A preocupação em garantir que todos os finlandeses tenham oportunidades iguais de desenvolvimento é visível nas instalações da escola Viikki, um dos centros educacionais de ensino médio e fundamental da capital finlandesa, Helsinque. Como em todas as escolas finlandesas, ali o filho do empresário e o filho do operário estudam lado a lado.
No amplo refeitório, refeições fartas e saudáveis são servidas diariamente aos estudantes.
Serviços de atendimento médico e odontológico cuidam, gratuitamente, da saúde dos 940 alunos. Todo o material escolar é também gratuito. Equipes de pedagogos e psicólogos acompanham cuidadosamente o desenvolvimento de cada criança, identificando na primeira hora problemas como a dislexia de um aluno e fornecendo apoio imediato. Mensalidades escolares não existem.
Pasi Sahlberg destaca ainda o impacto fundamental exercido no ensino pelo modelo de igualdade e justiça social criado gradualmente pelos finlandeses a partir do pós-guerra: saúde, educação e moradia para todos, generosas licenças-paternidade para cuidar das crianças e creches altamente subsidiadas ou até gratuitas, além de uma vasta e solidária rede universal de proteção aos cidadãos.
"A desigualdade social, a pobreza infantil e ausência de serviços básicos têm um forte impacto negativo no desempenho do sistema educacional de um país", pontua Sahlberg.
Em todas as escolas finlandesas, ali o filho do empresário e o filho do operário estudam lado a lado
A transformação
Até o fim dos anos 1960, apenas 10% dos finlandeses completavam o ensino secundário. As oportunidades eram limitadas, e o acesso, desigual: muitas famílias não tinham condições de pagar por instituições privadas de ensino, e as escolas públicas eram insuficientes.
Um diploma universitário era considerado, na época,
um troféu excepcional - apenas 7% da população tinha educação superior. Em todas as faixas de aprendizado, a Finlândia era um símbolo de atraso.
Mas a História do país sempre foi marcada pela resiliência do seu povo, que só conquistou a independência em 1917 - depois de seis séculos sob o domínio do reino da Suécia e mais de cem anos como grão-ducado do Império Russo e seus cinco czares.
Pista de skate desta escola foi construída graças à ideia sugerida pelos alunos, que ajudaram até a desenhá-la
Na década de 70, a nação foi convocada a mudar. Uma educação pública estelar passou a ser percebida como a base fundamental para a criação de um futuro menos medíocre: desenvolver o capital humano do país tornou-se a missão primordial do Estado finlandês.
O princípio da igualdade e da inclusão social marcou o desenvolvimento nos anos 70 da nova peruskoulu, a educação obrigatória finlandesa, que abrange o ensino fundamental e médio. Em uma decisão histórica do Parlamento finlandês, todas as crianças, independentemente de background socioeconômico ou região de domicílio, passaram a ter acesso igualitário e gratuito a escolas de qualidade para cumprir os nove anos da educação básica.
O vital passo seguinte foi uma valorização sem precedentes do professor. A Finlândia lançou programas de formação de excelência para o magistério nas universidades do país, criou notáveis condições de trabalho e ampla autonomia decisória nas escolas, pagando razoavelmente bem seus professores. E a carreira de professor tornou-se uma das preferidas entre os jovens finlandeses - à frente de profissões da Medicina, do Direito e da Arquitetura.
Participação da sociedade
Nos anos 90, o país anunciou uma nova revolução do ensino. Associações de professores, políticos, pais, membros da academia e diferentes setores da sociedade foram chamados a participar da criação dos novos e revolucionários paradigmas da educação no país, que rejeitavam a fórmula convencional aplicada na maior parte do mundo como receita para melhorar o desempenho escolar.
"Particularmente significativo foi o papel desempenhado por variadas organizações da sociedade civil", destaca Pasi Sahlberg, que foi um dos conselheiros do Ministério da Educação finlandês nos anos 90.
A transformação do sistema foi profunda - e rápida. Como resultado, já no fim da década de 90 a peruskoulu finlandesa tornou-se líder mundial em matemática, ciências e interpretação.
Os primeiros resultados do PISA publicados em 2001 surpreenderam os próprios finlandeses: em todos os domínios acadêmicos, a Finlândia despontou no topo do ranking mundial. E permanece, até hoje, entre os mais destacados membros do clube.
A Finlândia diz ter aprendido uma lição: políticas de educação efetivas devem estar interligadas às demais políticas sociais. "As pessoas na Finlândia têm um profundo senso de responsabilidade compartilhada e importam-se não apenas com as próprias vidas, mas também com o bem-estar dos outros", observa Sahlberg no livro Finnish Lessons.
"Os cuidados com o bem-estar da criança começam antes mesmo de ela nascer e se estendem até a idade adulta. As creches públicas são um direito garantido para todas as crianças, que também têm acesso igualitário a todo tipo de serviço básico. A educação em nosso país é considerada um bem público. É, portanto, protegida, na Constituição do país, como um direito humano básico", acrescenta.
O investimento finlandês na educação também é considerado um dos motores centrais do desenvolvimento econômico e do fim da pobreza no país: cidadãos altamente capacitados alavancaram o crescimento da produção e a transformação da Finlândia em um dos principais pólos de inovação e tecnologia do mundo, com o nascimento de empresas como a gigante das telecomunicações Nokia.
As políticas educacionais cresceram ao lado das políticas sociais: a vasta rede de benefícios sociais na Finlândia é resultado da construção, a partir dos anos 70, de um generoso Estado de Bem-Estar social, financiado por uma das mais altas cargas tributárias do mundo. A taxa de imposto de renda individual no país é hoje de 51,6%, o que não impediu a Finlândia de aparecer, este ano, no topo do ranking dos países mais felizes do mundo elaborado pela ONU (World Happiness Report).
Desde o fim dos anos 30, a Finlândia oferece a todas as gestantes um kit-maternidade com cerca de 50 itens básicos para o bebê - um presente destinado a proporcionar a todos um começo de vida igual, independentemente da classe social.
Quando uma criança nasce na Finlândia, a mãe tem direito a 105 dias úteis de licença-maternidade. O pai recebe outros 54 dias úteis de licença. Além disso, os casais podem dividir entre si um período adicional de mais de cinco meses de licença parental.
Isso significa que a maioria das crianças finlandesas pode ter a atenção dos pais, em casa, durante seu primeiro ano de vida.
Após o período de licença-paternidade, um dos pais tem o direito de permanecer em casa com a criança, se assim preferir, e receber um subsídio de cerca de 450 euros por mês. Nesse caso, o pai ou a mãe poderão retornar ao mesmo emprego que tinham antes até a criança completar três anos de idade.
Os pais têm ainda a opção de retornar ao trabalho, mas com carga horária reduzida, e obter um subsídio parcial do Estado.
Uso de tecnologia e de métodos alternativos (como bolas no lugar de cadeiras) é incentivado nas escolas da Finlândia
A maior parte dos pais e mães volta eventualmente ao trabalho - e quando decidem fazer isso, o Estado oferece uma rede de creches especializadas e altamente subsidiadas para cuidar das crianças.
Pela lei finlandesa, todas as crianças de 0 a seis anos têm direito a um lugar na creche, seja em horário parcial ou integral. As taxas variam de acordo com a renda dos pais e da municipalidade onde a família reside. O valor máximo da mensalidade é atualmente de 290 euros (cerca de R$ 1.340).
Para famílias de menor renda, as creches são gratuitas.
Quando completam 6 anos de idade, todas as crianças finlandesas têm direito à educação pré-escolar – que é inteiramente gratuita. O objetivo dos centros pré-escolares é proporcionar a cada criança o aprendizado de habilidades e conhecimentos básicos, a fim de prepará-las para a vida escolar.
Com o acesso gratuito às universidades e instituições de ensino técnico e profissionalizante, a educação de nível superior também passou a ser uma oportunidade igual para todos: a educação na Finlândia é livre de mensalidades para todos, do pré-escolar ao PhD.
As estatísticas apontam o êxito da fórmula de aliar políticas educacionais a políticas sociais, diz Pasi Sahberg:
"As sociedades igualitárias têm cidadãos com grau de instrução mais elevado, raros casos de evasão escolar, menores taxas de obesidade, melhores indicadores de saúde mental e índices mais reduzidos de ocorrência de gravidez entre adolescentes, em relação aos países nos quais a distância entre ricos e pobres é maior", enfatiza o educador finlandês.
Inovar - sempre - é preciso, ensinam os finlandeses. Já nos anos 90, a reforma educacional conduzida pela Finlândia surpreendeu o mundo acadêmico com uma teoria paradoxal, que provaria ser visionária.
Paradoxo 1: Os alunos aprendem mais quando os professores ensinam menos
A experiência finlandesa desafia a lógica convencional, que prescreve mais horas de aula e maior quantidade de lições de casa como fórmula para turbinar o desempenho estudantil.
Os dias são mais curtos nas escolas da Finlândia: são menos horas de aula do que em todas as demais nações industrializadas, segundo estatísticas da OCDE, organização que reúne os países mais ricos do mundo.
"É importante que crianças tenham tempo de ser crianças", disse a professora Erja Schunk, na escola Viikki, situada em um campus da Universidade de Helsinque. "O mais importante é a qualidade do tempo em sala de aula, e não a quantidade".
Nos Estados Unidos, um professor gasta aproximadamente o dobro do tempo ensinando na sala de aula por semana, em comparação com um professor finlandês.
"Dar seis horas de aula por dia é uma tarefa árdua, que deixa os professores cansados demais para se dedicar a outras tarefas importantes no trabalho de um educador, como planejar, reciclar-se e dar assistência cuidadosa ao aluno", diz Sahlberg. Em uma típica escola finlandesa, os professores dão cerca de quatro aulas por dia.
"A preocupação central da escola finlandesa não é atingir recordes de desempenho escolar, e sim ajudar a desenvolver as aptidões de uma criança a fim de formar indivíduos capazes de viver vidas felizes, dentro e fora do trabalho", acrescenta Sahlberg.
A entrega da caixa de papelão com itens para recém nascidos é uma das bem-sucedidas políticas sociais do país
Professores finlandeses também não acreditam que aumentar a carga de trabalho de casa dos estudantes leva necessariamente a um melhor aprendizado - especialmente se as lições forem entediantes exercícios que não desafiam a capacidade criativa do aluno.
Pelas estatísticas da OCDE, os estudantes finlandeses gastam menos tempo fazendo trabalho de casa do que os colegas de todos os outros países: cerca de meia hora por dia.
"Os alunos aprendem o que necessitam saber na sala de aula, e muitos fazem o dever de casa aqui mesmo, na própria escola. Assim, eles têm tempo para conviver com os amigos e se dedicar às coisas que gostam de fazer fora da escola, o que também é importante", disse o professor Martti Mery na escola Viikki.
Na fase pré-escolar, a prioridade é desenvolver a autoconfiança das crianças: os dias na escola são preenchidos com tarefas como aprender a se orientar desacompanhadas em uma floresta, ou amarrar sozinhas seus patins de gelo.
Paradoxo 2: Os alunos aprendem mais quando têm menos provas e testes
Estudantes finlandeses não precisam se preocupar com provas: seu sistema educacional não acredita na eficácia de uma alta frequência de provas e testes, que por isso são aplicados com pouca regularidade. Apesar disso, a Finlândia brilha nos rankings globais de educação, ao lado dos países com melhor desempenho escolar do mundo.
Milagre? A filosofia finlandesa é de que o foco principal dos professores deve ser ajudar os alunos a aprender sem ansiedade, a criar e a desenvolver a curiosidade natural, e não simplesmente a passar em provas.
"A pressão do modelo tradicional de ensino traz consequências dramáticas para os alunos, como o medo, o tédio e o receio de correr riscos", afirma o educador Pasi Sahlberg.
Relatórios do PISA indicam que apenas 7% dos alunos finlandeses sentem-se ansiosos ao estudar matemática. Já no rígido sistema de ensino do Japão, que ostenta altos níveis de desempenho escolar enquanto registra recordes de suicídio entre estudantes, esse índice chega a 52%.
Nas salas de aula da escola Viikki, o ambiente é tranquilo e descontraído. Não há uniformes escolares, e os alunos estudam descalços – refletindo o clima das casas escandinavas, onde ninguém usa sapatos.
A escola primária é praticamente uma época livre de testes. A fim de evitar que as crianças sejam categorizadas de acordo com sua performance, o sistema finlandês virtualmente aboliu a avaliação por notas escolares nos cinco primeiros anos da peruskoulu.
Nos anos seguintes, a avaliação é feita com base em testes elaborados pelo professor e no desempenho do aluno em sala de aula, além de uma ampla avaliação de cada estudante realizada coletivamente pelos professores ao fim de cada semestre.
Os que precisam de maior assistência no ensino recebem atenção particular: a filosofia finlandesa preza a crença de que todas as crianças têm o potencial de aprender, se tiverem apoio e oportunidades adequadas.
O magistério na Finlândia tornou-se uma carreira de prestígio.
A cada primavera, milhares de jovens se candidatam a uma vaga para estudar nos departamentos de formação de professores das universidades da Finlândia.
Mas apenas os melhores e mais preparados estudantes podem se tornar professores: no exigente sistema finlandês, apenas cerca de 10% dos candidatos são em geral aprovados para cursar o obrigatório mestrado na universidade.
Obter um mestrado tornou-se a qualificação básica e obrigatória de um professor para poder ensinar nas escolas finlandesas - mesmo na educação pré-escolar.
A escola primária é praticamente uma época livre de provas
As inovações continuam: o currículo escolar adotado em 2016 criou, por exemplo, o ensino baseado em fenômenos ou projetos, que atualiza a tradicional divisão por matérias e dá mais espaço para que determinados temas - como, por exemplo, a Segunda Guerra Mundial - sejam trabalhados conjuntamente por professores de diferentes disciplinas.
Todos os aspectos por trás do sucesso finlandês parecem ser, assim, o oposto do que se faz na maior parte do mundo, onde a competição, a alta carga de provas e aulas, a uniformização do ensino e a privatização são via de regra os princípios dominantes.
"Exercer controles rígidos sobre as escolas e os alunos, pagar os professores com base no desempenho dos estudantes, entregar a liderança das escolas a especialistas em gerenciamento ou converter escolas públicas em privadas são ideias que não têm lugar no repertório finlandês de desenvolvimento da educação", diz o educador Pasi Sahlberg.
Sahlberg resume assim o pensamento finlandês sobre a educação pública de qualidade:
"É uma obrigação moral, pois o bem-estar e em última análise a felicidade de um indivíduo depende do conhecimento, das aptidões e das visões de mundo que são proporcionadas por uma educação de qualidade. É também um imperativo econômico, uma vez que a riqueza das nações depende cada vez mais de know-how e conhecimento".
14.2.17
Finlândia paga salários para baixar desemprego
in TVI24
Medida, que a Holanda também quer testar e que a Suíça rejeitou em referendo, faz parte de um pacote do Governo de Juha Sipila para baixar o desemprego. Cada um dos 2.000 finlandeses vai receber 560 euros livres de impostos e contrapartidas
Dois mil finlandeses vão receber do Estado 560€ por mês sem contrapartidas, isentos de impostos e sem qualquer controlo. Os cidadãos selecionados aleatoriamente entre desempregados são os primeiros de um programa que vai testar o Rendimento Básico Incondicional (RBI).
A medida, que a Holanda também quer testar e que a Suíça rejeitou num referendo, faz parte de um pacote do Governo de Juha Sipila para baixar o desemprego.
Os cidadãos vão receber a quantia durante dois anos, mesmo que encontrem um trabalho fixo.
O Executivo quer, assim, incentivar alguns desempregados a aceitar trabalhos pouco convencionais, a experimentar empregos fora da sua área profissional ou outros em part-time, sem o risco de perder os benefícios sociais (no país é comum que os desempregados rejeitem trabalhos de baixos salários ou a prazo, para não perderem direito ao subsídio de desemprego).
Segundo o The Guardian, os 560€ serão, no entanto, deduzidos do total de que já beneficiam.
Olli Kangas, da agência governamental que controla os benefícios sociais – a KELA -, diz que esta vai ser uma experiência interessante que vai testar os comportamentos das pessoas.
É muito interessante ver como as pessoas vão comportar-se. Será que [o subsídio] vai levá-los a experimentar outros trabalhos? Ou, como alguns críticos receiam, torná-los mais preguiçosos por saberem que vão receber sem fazer nada?”, afirmou, ao The Guardian.
A media poderá, mais tarde, ser alargada a outros finlandeses com rendimentos baixos, como freelancers, trabalhadores em part-time ou por conta própria.
A quantia “garantida” não se assemelha, no entanto, ao salário médio do setor privado do país, que se situa nos 3.500€ por mês.
Medida, que a Holanda também quer testar e que a Suíça rejeitou em referendo, faz parte de um pacote do Governo de Juha Sipila para baixar o desemprego. Cada um dos 2.000 finlandeses vai receber 560 euros livres de impostos e contrapartidas
Dois mil finlandeses vão receber do Estado 560€ por mês sem contrapartidas, isentos de impostos e sem qualquer controlo. Os cidadãos selecionados aleatoriamente entre desempregados são os primeiros de um programa que vai testar o Rendimento Básico Incondicional (RBI).
A medida, que a Holanda também quer testar e que a Suíça rejeitou num referendo, faz parte de um pacote do Governo de Juha Sipila para baixar o desemprego.
Os cidadãos vão receber a quantia durante dois anos, mesmo que encontrem um trabalho fixo.
O Executivo quer, assim, incentivar alguns desempregados a aceitar trabalhos pouco convencionais, a experimentar empregos fora da sua área profissional ou outros em part-time, sem o risco de perder os benefícios sociais (no país é comum que os desempregados rejeitem trabalhos de baixos salários ou a prazo, para não perderem direito ao subsídio de desemprego).
Segundo o The Guardian, os 560€ serão, no entanto, deduzidos do total de que já beneficiam.
Olli Kangas, da agência governamental que controla os benefícios sociais – a KELA -, diz que esta vai ser uma experiência interessante que vai testar os comportamentos das pessoas.
É muito interessante ver como as pessoas vão comportar-se. Será que [o subsídio] vai levá-los a experimentar outros trabalhos? Ou, como alguns críticos receiam, torná-los mais preguiçosos por saberem que vão receber sem fazer nada?”, afirmou, ao The Guardian.
A media poderá, mais tarde, ser alargada a outros finlandeses com rendimentos baixos, como freelancers, trabalhadores em part-time ou por conta própria.
A quantia “garantida” não se assemelha, no entanto, ao salário médio do setor privado do país, que se situa nos 3.500€ por mês.
23.1.17
Finlândia vai testar pagamento de rendimento básico mensal
Por Lusa, in ZAPAEIOU
A Finlândia tornou-se o primeiro país da Europa a pagar aos seus desempregados um rendimento básico mensal, no montante de 560 euros, uma experiência social inédita que pretende cortar a burocracia, reduzir a pobreza e fomentar o emprego.
Segundo Olli Kangas, da agência governamental KELA, que é responsável pelos benefícios sociais do país, a experiência, que começou no dia 1 de janeiro com uma amostra de 9 mil desempregados, vai durar dois anos.
Os escolhidos vão receber 560 euros por mês, sem qualquer condicionalismo à forma como os vão gastar. O salário médio mensal no setor privado na Finlândia é de 3.500 euros.
Kangas acrescentou que a ideia é abolir “o problema do desincentivo” entre os desempregados, acrescentando que as pessoas escolhidas iriam continuar a receber os 560 euros, mesmo depois de terem emprego.
Um desempregado pode recusar um emprego de curta duração ou baixo salário por medo de os seus benefícios financeiros serem reduzidos de forma drástica, no contexto do generoso, mas complexo, sistema de segurança social finlandês.
Kangas considerou que “vai ser muito interessante observar como as pessoas se vão comportar”.
“Vai levá-los a experimentarem diferentes tipos de empregos? Ou, como alguns críticos acusam, vai torná-las preguiçosas, depois de saberem que vão receber um rendimento básico sem fazerem nada?”, desenvolveu.
A taxa de desemprego na Finlândia, uma nação com 5,5 milhões de habitantes, atingiu os 8,1% em novembro, respeitante a 213 mil pessoas, uma taxa invariável desde o ano anterior.
A novidade integra as medidas do Governo de centro-direita, dirigido por Juha Sipila, para responder ao desemprego.
Kangas admitiu que a experiência do rendimento básico pode ser expandida a outros grupos com baixos rendimentos, como freelancers, micro ou pequenos empresários e trabalhadores em tempo parcial.
// Lusa
A Finlândia tornou-se o primeiro país da Europa a pagar aos seus desempregados um rendimento básico mensal, no montante de 560 euros, uma experiência social inédita que pretende cortar a burocracia, reduzir a pobreza e fomentar o emprego.
Segundo Olli Kangas, da agência governamental KELA, que é responsável pelos benefícios sociais do país, a experiência, que começou no dia 1 de janeiro com uma amostra de 9 mil desempregados, vai durar dois anos.
Os escolhidos vão receber 560 euros por mês, sem qualquer condicionalismo à forma como os vão gastar. O salário médio mensal no setor privado na Finlândia é de 3.500 euros.
Kangas acrescentou que a ideia é abolir “o problema do desincentivo” entre os desempregados, acrescentando que as pessoas escolhidas iriam continuar a receber os 560 euros, mesmo depois de terem emprego.
Um desempregado pode recusar um emprego de curta duração ou baixo salário por medo de os seus benefícios financeiros serem reduzidos de forma drástica, no contexto do generoso, mas complexo, sistema de segurança social finlandês.
Kangas considerou que “vai ser muito interessante observar como as pessoas se vão comportar”.
“Vai levá-los a experimentarem diferentes tipos de empregos? Ou, como alguns críticos acusam, vai torná-las preguiçosas, depois de saberem que vão receber um rendimento básico sem fazerem nada?”, desenvolveu.
A taxa de desemprego na Finlândia, uma nação com 5,5 milhões de habitantes, atingiu os 8,1% em novembro, respeitante a 213 mil pessoas, uma taxa invariável desde o ano anterior.
A novidade integra as medidas do Governo de centro-direita, dirigido por Juha Sipila, para responder ao desemprego.
Kangas admitiu que a experiência do rendimento básico pode ser expandida a outros grupos com baixos rendimentos, como freelancers, micro ou pequenos empresários e trabalhadores em tempo parcial.
// Lusa
9.12.15
Subsídio de 800 euros para empregados e desempregados
Daniela Rosária, in "BlastingNews"
Finlândia substitui todos os subsídios por um único, no valor de 800 euros.Finlândia dá 800 euros aos cidadãos. Finlândia dá 800 euros aos cidadãos.
Na Finlândia, empregados e desempregados receberão cerca de 800 euros, valor que substituirá todos os outros subsídios. O subsídio destina-se a todos os cidadãos adultos e, apesar da medida ainda estar a ser analisada, tudo aponta para que a Segurança Social local passe a entregar a cada pessoa um cheque no valor de 800 euros, independentemente de estar empregado ou não, bem como das suas posses.
Com esta medida pretende-se levar à procura ativa de emprego, já que não perderão o subsídio, assim como simplificar mais o sistema de Segurança Social, pois o país apresenta uma taxa de desemprego na ordem dos 10%. Desta forma, os trabalhos temporários serão encarados de uma outra forma e a população não se refugiará nos subsídios.
Segundo o site Dinheiro Vivo, a medida deve chegar apenas em novembro de 2016 e conta com o apoio do Primeiro-ministro Juha Sipila, sendo que numa primeira fase, em jeito de projeto piloto, cada pessoa começará por receber 550 euros mensalmente, mantendo-se algumas das prestações sociais, custando a medida ao Estado finlandês 46,7 mil milhões de euros anuais.
A Kela (Segurança Social da Finlândia) já realizou uma sondagem que afirma que 70% da população do país está de acordo com esta medida. Diversos são os estudos que apontam que a Finlândia detém uma das mais frágeis economias da União Europeia, sendo que se encontra em recessão desde o ano de 2012, não apresentando aspectos que levem a crer numa melhoria da situação, nomeadamente do crescimento económico. Para já, os finlandeses terão de aguardar por mais novidades.
Outros países e cidades estão a apostar no mesmo sistema, como é o caso de Utrecht, que pretende introduzir uma salário mínimo a partir de janeiro do próximo ano para cerca de 250 moradores da cidade holandesa. Medida esta que estará em estudo, avaliando-se desta forma o impacto no desemprego.
A Suíça considera igualmente pôr em cima da mesa esta opção de incentivo à procura de emprego, apesar de o assunto ir ser submetido a um referendo nacional no próximo ano de 2016.
Finlândia substitui todos os subsídios por um único, no valor de 800 euros.Finlândia dá 800 euros aos cidadãos. Finlândia dá 800 euros aos cidadãos.
Na Finlândia, empregados e desempregados receberão cerca de 800 euros, valor que substituirá todos os outros subsídios. O subsídio destina-se a todos os cidadãos adultos e, apesar da medida ainda estar a ser analisada, tudo aponta para que a Segurança Social local passe a entregar a cada pessoa um cheque no valor de 800 euros, independentemente de estar empregado ou não, bem como das suas posses.
Com esta medida pretende-se levar à procura ativa de emprego, já que não perderão o subsídio, assim como simplificar mais o sistema de Segurança Social, pois o país apresenta uma taxa de desemprego na ordem dos 10%. Desta forma, os trabalhos temporários serão encarados de uma outra forma e a população não se refugiará nos subsídios.
Segundo o site Dinheiro Vivo, a medida deve chegar apenas em novembro de 2016 e conta com o apoio do Primeiro-ministro Juha Sipila, sendo que numa primeira fase, em jeito de projeto piloto, cada pessoa começará por receber 550 euros mensalmente, mantendo-se algumas das prestações sociais, custando a medida ao Estado finlandês 46,7 mil milhões de euros anuais.
A Kela (Segurança Social da Finlândia) já realizou uma sondagem que afirma que 70% da população do país está de acordo com esta medida. Diversos são os estudos que apontam que a Finlândia detém uma das mais frágeis economias da União Europeia, sendo que se encontra em recessão desde o ano de 2012, não apresentando aspectos que levem a crer numa melhoria da situação, nomeadamente do crescimento económico. Para já, os finlandeses terão de aguardar por mais novidades.
Outros países e cidades estão a apostar no mesmo sistema, como é o caso de Utrecht, que pretende introduzir uma salário mínimo a partir de janeiro do próximo ano para cerca de 250 moradores da cidade holandesa. Medida esta que estará em estudo, avaliando-se desta forma o impacto no desemprego.
A Suíça considera igualmente pôr em cima da mesa esta opção de incentivo à procura de emprego, apesar de o assunto ir ser submetido a um referendo nacional no próximo ano de 2016.
7.4.15
O que a Finlândia vai mudar no ensino é em tudo contrário ao que Portugal fez
Clara Viana, in Público on-line
Estudantes vão participar na elaboração dos currículos e na escolha dos temas a abordar nos novos módulos multidisciplinares.
O país que é habitualmente apontado como exemplo no campo da educação, a Finlândia, prepara-se para mudar, a partir de 2016, o seu sistema de ensino de modo a adaptar a escola a um “mundo que está a mudar a grande velocidade”, indicou ao PÚBLICO a directora do Conselho Nacional de Educação finlandês, o organismo que está a elaborar o novo currículo nacional para a escolaridade obrigatória.
Não é a “revolução” anunciada, em Março, pelo jornal inglês The Independent, numa notícia que, apesar de prontamente desmentida pelo Governo finlandês, acabou por ser replicada por vários outros jornais e blogues. Ao contrário do que aí se escreveu, as disciplinas tradicionais não vão ser abolidas e substituídas por um ensino baseado em tópicos transversais, embora este também vá por diante. O que se propõe é, assim, um modelo de coabitação e não de exclusão numa reforma que vai também pôr os estudantes a participar na definição dos currículos e meios de avaliação.
Na prática, tudo que o “país maravilha” da educação se propõe fazer para mudar a escola é radicalmente diferente e de sinal contrário à reforma empreendida recentemente em Portugal pelo ministro Nuno Crato, comenta José Morgado, professor do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA).
Na Finlândia aponta-se para “uma ‘modernização’ do pensamento educativo” que, destaca Morgado, se traduz na intenção de desenvolver “formas de trabalho em sala de aula que transcendam a lógica do trabalho interior a cada disciplina, definindo um conjunto de tópicos que exigem saberes oriundos de diferentes disciplinas e que serão trabalhados de forma transversal”.
Já Portugal, pelo contrário, apostou numa maior compartimentação, com uma nova estrutura curricular assente “em programas demasiados extensos e excessivamente prescritivos e na definição de metas curriculares, que fazem correr o sério risco de que o ensino se transforme na gestão de uma espécie de check list”, resume este docente do Departamento de Psicologia da Educação do ISPA, que tem larga experiência na formação de professores.
José Morgado lembra, a propósito, que as metas aprovadas para Português e Matemática do 1.º ciclo “definem um total de 177 objectivos e 703 descritores de aprendizagem, sendo exigido aos professores que promovam o ensino formal de cada um deles e aos alunos que atinjam, por exemplo, uma velocidade de leitura de, no mínimo, 90 palavras por minuto”.
Também Assunção Flores, presidente da Associação Internacional de Estudo dos Professores e do Ensino, fala de dois modelos distintos. A visão “mais integrada e flexível de currículo” assumida pela Finlândia “afasta-se de uma perspectiva mais redutora que se centra nos conteúdos a aprender e nos objectivos a atingir no âmbito das disciplinas, prevalecendo, muitas vezes, uma lógica caracterizada pela rigidez e obesidade curriculares, associadas, entre outros aspectos, à extensão e cumprimento escrupuloso dos programas”, aponta a também investigadora da Universidade do Minho.
Alunos no centro das escolhas
Em respostas por escrito ao PÚBLICO, a directora do Centro Nacional de Educação finlandês, Irmeli Halinen, refere que o novo currículo nacional, com base num diploma de 2012 onde se estabeleceram as metas globais e os tempos lectivos para a escolaridade obrigatória, entre os sete e os 16 anos, “clarifica os objectivos de todas as disciplinas escolares, dá ênfase a práticas de cooperação em sala de aula e implementa conhecimentos e competências multidisciplinares, através do estudo de fenómenos e tópicos que será feito com a colaboração entre vários professores em sala de aula”.
Esta aprendizagem vai permitir, por exemplo, que a propósito do aquecimento global sejam mobilizados em simultâneo vários conhecimentos (matemática, física, história, etc.), mas com aplicações práticas. Com esse fim, prossegue Halinen, “todas as escolas terão de criar pelo menos um módulo por ano lectivo, com uma duração de uma a quatro semanas, centrado no estudo de tópicos que sejam de especial interesse para os estudantes”.
Competirá às “escolas definir quais os assuntos a abordar nestes módulos, a sua duração e como serão implementados”, mas com um pressuposto de base: “Os estudantes devem participar no planeamento destes módulos. Antes do início das aulas, em conjunto com os professores, estudarão quais as melhores formas de atingir as metas estabelecidas no currículo, quais os objectivos e tópicos dos módulos e como serão estes organizados”.
Estudantes vão participar na elaboração dos currículos e na escolha dos temas a abordar nos novos módulos multidisciplinares.
O país que é habitualmente apontado como exemplo no campo da educação, a Finlândia, prepara-se para mudar, a partir de 2016, o seu sistema de ensino de modo a adaptar a escola a um “mundo que está a mudar a grande velocidade”, indicou ao PÚBLICO a directora do Conselho Nacional de Educação finlandês, o organismo que está a elaborar o novo currículo nacional para a escolaridade obrigatória.
Não é a “revolução” anunciada, em Março, pelo jornal inglês The Independent, numa notícia que, apesar de prontamente desmentida pelo Governo finlandês, acabou por ser replicada por vários outros jornais e blogues. Ao contrário do que aí se escreveu, as disciplinas tradicionais não vão ser abolidas e substituídas por um ensino baseado em tópicos transversais, embora este também vá por diante. O que se propõe é, assim, um modelo de coabitação e não de exclusão numa reforma que vai também pôr os estudantes a participar na definição dos currículos e meios de avaliação.
Na prática, tudo que o “país maravilha” da educação se propõe fazer para mudar a escola é radicalmente diferente e de sinal contrário à reforma empreendida recentemente em Portugal pelo ministro Nuno Crato, comenta José Morgado, professor do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA).
Na Finlândia aponta-se para “uma ‘modernização’ do pensamento educativo” que, destaca Morgado, se traduz na intenção de desenvolver “formas de trabalho em sala de aula que transcendam a lógica do trabalho interior a cada disciplina, definindo um conjunto de tópicos que exigem saberes oriundos de diferentes disciplinas e que serão trabalhados de forma transversal”.
Já Portugal, pelo contrário, apostou numa maior compartimentação, com uma nova estrutura curricular assente “em programas demasiados extensos e excessivamente prescritivos e na definição de metas curriculares, que fazem correr o sério risco de que o ensino se transforme na gestão de uma espécie de check list”, resume este docente do Departamento de Psicologia da Educação do ISPA, que tem larga experiência na formação de professores.
José Morgado lembra, a propósito, que as metas aprovadas para Português e Matemática do 1.º ciclo “definem um total de 177 objectivos e 703 descritores de aprendizagem, sendo exigido aos professores que promovam o ensino formal de cada um deles e aos alunos que atinjam, por exemplo, uma velocidade de leitura de, no mínimo, 90 palavras por minuto”.
Também Assunção Flores, presidente da Associação Internacional de Estudo dos Professores e do Ensino, fala de dois modelos distintos. A visão “mais integrada e flexível de currículo” assumida pela Finlândia “afasta-se de uma perspectiva mais redutora que se centra nos conteúdos a aprender e nos objectivos a atingir no âmbito das disciplinas, prevalecendo, muitas vezes, uma lógica caracterizada pela rigidez e obesidade curriculares, associadas, entre outros aspectos, à extensão e cumprimento escrupuloso dos programas”, aponta a também investigadora da Universidade do Minho.
Alunos no centro das escolhas
Em respostas por escrito ao PÚBLICO, a directora do Centro Nacional de Educação finlandês, Irmeli Halinen, refere que o novo currículo nacional, com base num diploma de 2012 onde se estabeleceram as metas globais e os tempos lectivos para a escolaridade obrigatória, entre os sete e os 16 anos, “clarifica os objectivos de todas as disciplinas escolares, dá ênfase a práticas de cooperação em sala de aula e implementa conhecimentos e competências multidisciplinares, através do estudo de fenómenos e tópicos que será feito com a colaboração entre vários professores em sala de aula”.
Esta aprendizagem vai permitir, por exemplo, que a propósito do aquecimento global sejam mobilizados em simultâneo vários conhecimentos (matemática, física, história, etc.), mas com aplicações práticas. Com esse fim, prossegue Halinen, “todas as escolas terão de criar pelo menos um módulo por ano lectivo, com uma duração de uma a quatro semanas, centrado no estudo de tópicos que sejam de especial interesse para os estudantes”.
Competirá às “escolas definir quais os assuntos a abordar nestes módulos, a sua duração e como serão implementados”, mas com um pressuposto de base: “Os estudantes devem participar no planeamento destes módulos. Antes do início das aulas, em conjunto com os professores, estudarão quais as melhores formas de atingir as metas estabelecidas no currículo, quais os objectivos e tópicos dos módulos e como serão estes organizados”.
10.4.14
Finlândia limita decisão de Portugal sobre pedido de cautelar
in Jornal de Notícias
A exigência de salvaguardas para conceder empréstimos aos parceiros europeus por parte da Finlândia está a condicionar a decisão de Portugal sobre se pede um programa cautelar ou não, afirmou esta quarta-feira o comissário europeu Olli Rehn.
"A exigência de colaterais pela Finlândia teve um impacto negativo na decisão da Irlanda e está a ter impacto na decisão de Portugal", disse o comissário europeu dos Assuntos Económicos e Monetários, Olli Rehn, aos jornalistas em Helsínquia, citado pela agência Bloomberg.
O responsável europeu afirmou que, "para estes países, na prática, é politicamente mais sensível fazer uma saída limpa do programa, mesmo que isso seja economicamente mais arriscado".
"Durante os últimos anos, a Finlândia assumiu uma posição contrária sem ganhar qualquer benefício particular com isso, só para mostrar ao público doméstico que está a ser restrita nos processos de decisão europeus. Temos de escolher em que assuntos queremos ser restritos e fazer avançar as coisas que são importantes para a Finlândia", defendeu.
A Irlanda terminou o seu programa de assistência em dezembro de 2013, sem recorrer a um programa cautelar, que implica novas condicionalidades. Também Portugal deverá sair do resgate em curso a 17 de maio deste ano, não havendo ainda uma decisão anunciada pelo Governo sobre a forma como o país vai terminar o programa.
Olli Rehn, no entanto, defendeu esta quarta-feira que a existência de uma linha de crédito cautelar é uma solução melhor: "Uma linha de crédito cautelar como a do Fundo Monetário Internacional é, geralmente, uma melhor forma de sair do resgate, para que haja um instrumento a que recorrer se a situação piorar. Normalmente, não é preciso ser usado porque os mercados sabem que ela existe", explicou.
A exigência de salvaguardas para conceder empréstimos aos parceiros europeus por parte da Finlândia está a condicionar a decisão de Portugal sobre se pede um programa cautelar ou não, afirmou esta quarta-feira o comissário europeu Olli Rehn.
"A exigência de colaterais pela Finlândia teve um impacto negativo na decisão da Irlanda e está a ter impacto na decisão de Portugal", disse o comissário europeu dos Assuntos Económicos e Monetários, Olli Rehn, aos jornalistas em Helsínquia, citado pela agência Bloomberg.
O responsável europeu afirmou que, "para estes países, na prática, é politicamente mais sensível fazer uma saída limpa do programa, mesmo que isso seja economicamente mais arriscado".
"Durante os últimos anos, a Finlândia assumiu uma posição contrária sem ganhar qualquer benefício particular com isso, só para mostrar ao público doméstico que está a ser restrita nos processos de decisão europeus. Temos de escolher em que assuntos queremos ser restritos e fazer avançar as coisas que são importantes para a Finlândia", defendeu.
A Irlanda terminou o seu programa de assistência em dezembro de 2013, sem recorrer a um programa cautelar, que implica novas condicionalidades. Também Portugal deverá sair do resgate em curso a 17 de maio deste ano, não havendo ainda uma decisão anunciada pelo Governo sobre a forma como o país vai terminar o programa.
Olli Rehn, no entanto, defendeu esta quarta-feira que a existência de uma linha de crédito cautelar é uma solução melhor: "Uma linha de crédito cautelar como a do Fundo Monetário Internacional é, geralmente, uma melhor forma de sair do resgate, para que haja um instrumento a que recorrer se a situação piorar. Normalmente, não é preciso ser usado porque os mercados sabem que ela existe", explicou.
7.7.12
Finlândia prefere abandonar o euro a pagar dívidas dos outros países
in Jornal de Notícias
A ministra das Finanças finlandesa disse, esta sexta-feira, que Helsínquia prefere preparar-se para sair do euro do que pagar as dívidas dos outros países.
Jutta Urpilainen disse, em entrevista ao jornal "Kauppalehti", de Helsínquia, que apesar de a Finlândia estar "empenhada em fazer parte da zona euro" e que o "euro é benéfico" para o país não está disposta a pagar um preço qualquer e que o país está preparado para enfrentar qualquer cenário, incluindo abandonar a moeda única europeia.
Helsínquia rejeita o Mecanismo Europeu de Estabilidade acordado durante a última cimeira europeia em Bruxelas destinado, sobretudo, a ajudar as economias de Espanha e de Itália.
Por outro lado, a ministra do governo social-democrata finlandês disse à estação de televisão pública da Finlândia que as "negociações com Madrid vão ser difíceis e prolongadas" referindo-se ao processo de ajuda financeira à banca espanhola.
"Nós representamos a linha dura. Temos condições muito rigorosas porque temos de garantir o risco dos contribuintes finlandeses", disse a ministra.
Na mesma entrevista, a ministra esclareceu que sublinhou "perante os países da União Europeia" que o país não vai participar no programa de ajudas ao sistema bancário espanhol se Madrid não apresentar garantias relacionadas com o pagamento sobre o primeiro empréstimo.
A ministra disse ainda desconhecer se outros países vão fazer a mesma exigência a Madrid e acrescentou que as conversações com o governo de Mariano Rajoy podem começar nas próximas semanas, altura em que se vai conhecer "em concreto" o valor da ajuda.
A ministra das Finanças finlandesa disse, esta sexta-feira, que Helsínquia prefere preparar-se para sair do euro do que pagar as dívidas dos outros países.
Jutta Urpilainen disse, em entrevista ao jornal "Kauppalehti", de Helsínquia, que apesar de a Finlândia estar "empenhada em fazer parte da zona euro" e que o "euro é benéfico" para o país não está disposta a pagar um preço qualquer e que o país está preparado para enfrentar qualquer cenário, incluindo abandonar a moeda única europeia.
Helsínquia rejeita o Mecanismo Europeu de Estabilidade acordado durante a última cimeira europeia em Bruxelas destinado, sobretudo, a ajudar as economias de Espanha e de Itália.
Por outro lado, a ministra do governo social-democrata finlandês disse à estação de televisão pública da Finlândia que as "negociações com Madrid vão ser difíceis e prolongadas" referindo-se ao processo de ajuda financeira à banca espanhola.
"Nós representamos a linha dura. Temos condições muito rigorosas porque temos de garantir o risco dos contribuintes finlandeses", disse a ministra.
Na mesma entrevista, a ministra esclareceu que sublinhou "perante os países da União Europeia" que o país não vai participar no programa de ajudas ao sistema bancário espanhol se Madrid não apresentar garantias relacionadas com o pagamento sobre o primeiro empréstimo.
A ministra disse ainda desconhecer se outros países vão fazer a mesma exigência a Madrid e acrescentou que as conversações com o governo de Mariano Rajoy podem começar nas próximas semanas, altura em que se vai conhecer "em concreto" o valor da ajuda.
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