Rosália Amorim, in Dinheiro Vivo
A pobreza energética poderá, finalmente, entrar na agenda do governo. É preciso focar na fraca qualidade das casas em vez de apontar o dedo ao sector da energia, defende o CEO da EDP.
A conversa decorreu em Nova Iorque, em abril de 2017, antecipando a necessidade de ser criado um instrumento para melhorar o conforto térmico das casas, de pelo menos 2 milhões de portugueses que vivem em situação económica vulnerável. O jornal Público revela hoje que o governo tem, finalmente, em mãos a análise deste instrumento e que o combate à pobreza energética poderá custar qualquer coisa como 348 milhões de euros.
De acordo com uma escala europeia, o nível de conforto das habitações nacionais, construídas antes de 2016, é o mais baixo entre as europeias. São raros os habitantes dessas residências que conseguem estar dentro de casa sem estar recorrentemente a utilizar aquecimento ou arrefecimento. A construção de fraca qualidade salta à vista em Portugal.
António Mexia, que tinha acabado de ser nomeado chairman do SE For All, organização cujo objetivo é levar energia sustentável e acessível a todos, revelava então ao Dinheiro Vivo e TSF as tendências e a estratégia que iria, marcar o futuro da energia. Recordamos aqui algumas perguntas essenciais acerca do tema da pobreza energética e do que poderia já ter sido feito, nos últimos três anos.
No centro das preocupações da SE For All e do gestor português estavam e ainda está, levar energia acessível a todos numa altura em que mil milhões de pessoas continuam sem ela. O objectivo é atingir a meta até 2030. Meta ambiciosa, concorda?
É de facto um número chocante. Há mais de mil milhões de pessoas, ou seja, uma em cada sete, sem acesso à energia, afetando toda a sua vida, dos seus descendentes, e gerações, se esse problema não for remediado. Também é chocante porque há soluções. A tecnologia, como em tudo, vai à frente daquilo que são as próprias empresas, instituições políticas, organizações internacionais. E vai à frente da vontade, infelizmente. O discurso existe, mas não se materializa em coisas concretas que permitam resolver os problemas.
É de facto um número chocante. Há mais de mil milhões de pessoas, ou seja, uma em cada sete, sem acesso à energia, afetando toda a sua vida, dos seus descendentes, e gerações, se esse problema não for remediado. Também é chocante porque há soluções. A tecnologia, como em tudo, vai à frente daquilo que são as próprias empresas, instituições políticas, organizações internacionais. E vai à frente da vontade, infelizmente.
O discurso existe, mas não se materializa em coisas concretas que permitam resolver os problemas. E há falta de vontade política?
É um puzzle com muitas peças que é preciso juntar. Tem que ver com vontade política, enquadramento legal e regulatório. No fundo, a capacidade de atrair capital e investimento para qualquer coisa onde a tecnologia já dá hoje soluções muito competitivas. O acesso à energia, à energia renovável e à eficiência energética, costumo dizer a brincar, que são as três faces da mesma moeda. Hoje, discutir eficiência energética é essencialmente discutir utilizações inteligentes, a digitalização e a descentralização da geração ajudam particularmente nessa questão, e em último vem então a discussão deste acesso a 1,1 mil milhões de pessoas. Para termos uma ideia, por cada dólar, ou euro, investido na África Subsariana, o impacto seria de 15 dólares. Ou seja, é dos investimentos mais rentáveis. Se se der às pessoas acesso à energia e se completar isso com um telemóvel, está-se a ter um papel ativo na sociedade e está-se a conseguir dar às suas famílias condições de vida que lhes permitam depois acesso à cadeia de saúde, educação, etc. Esta é uma questão absolutamente indispensável.
O grosso destes 1,1 mil milhões de pessoas está em África e o resto na Ásia e na América Latina – e a EDP tem sido verdadeiramente consistente nesta adoção de eficiência energética, a prioridade número um, renováveis e acesso à energia. As várias fases de privatização deram ao Estado vários mil milhões de euros de receitas. O que foi feito a esse dinheiro e como depois foi utilizado? O PS pediu ao regulador que compare as tarifas de energia do mercado regulado com o liberalizado.
Se, em função das conclusões, voltássemos a um mercado regulado, seria um grande retrocesso?
A liberalização foi positiva para todos os clientes e muito particularmente para os industriais, mas também para os residenciais. Sabe que às vezes é preciso contar a história outra vez quando ela é boa, e portanto não tenho dúvidas que a liberalização correu bem em Portugal e foi mais rápida do que em outros países da Europa. Todos os países da Europa que liberalizaram reconheceram os méritos dessa liberalização. Isto porque traz concorrência. Neste momento há dezenas de operadores em Portugal a oferecer energia e os seus serviços quer aos industriais quer às pessoas em casa. A EDP gosta de concorrência.
Pode chegar-se à conclusão que as tarifas eram mais baixas no mercado regulado? Quando temos concorrência, obriga a quem está no mercado, e que já não está sozinho, a descer as suas margens. Não se pode é confundir com tempos em que o preço da energia era controlado, quando foi criado o défice tarifário. Hoje as pessoas gastam mais ou menos metade em energia do que gastam em telecomunicações, e muito menos do que gastam em transportes. E eu gostaria que se discutisse também a habitação. Hoje em dia, o que Portugal gasta em habitação é 10 vezes menos do que gasta a média da Europa. O problema do aquecimento não tem a ver com o preço da eletricidade, que aliás, em Portugal está alinhado com a Europa. O problema é que as pessoas vivem em casas que algumas delas são inaceitáveis. Que não se use este sector como bode expiatório.
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10.1.20
Metade dos idosos sozinhos e pobres são incapazes de pagar o aquecimento da sua casa
Por Revista Dignus
Os idosos e as mulheres que vivem sozinhos, bem como as famílias portuguesas mais pobres…
Os idosos e as mulheres que vivem sozinhos, bem como as famílias portuguesas mais pobres são os grupos mais incapazes de pagar para manter a casa quente o suficiente.
A realidade revelada pelo Eurostat referente a um inquérito feito em 2018 está no entanto longe de ser um exclusivo das famílias desfavorecidas, pois o problema não afeta apenas famílias pobres.
Os dados divulgados mostram que mesmo entre quem está acima do limiar de risco de pobreza, cerca de 15,8% em Portugal, admitem essa incapacidade e o número que sobe para 37% entre as famílias consideradas pobres (abaixo desse limiar).
Assim sendo, 19,4% da população em Portugal admite não conseguir manter a casa aquecida. Este número que tem descido de forma consistente nos últimos 4 anos desde o fim da crise económica e o alargamento, em 2016, a centenas de milhares de famílias da tarifa social de eletricidade que passou a ser atribuída de forma automática.
Mesmo assim, Portugal continua a estar entre os cinco países da União Europeia em que uma maior fatia da população se encontra nesta situação, apenas atrás da Bulgária, Lituânia, Grécia e Chipre.
Idosos e mulheres que vivem sozinhos
A incapacidade de aquecer a casa dispara mesmo para 47,5% entre os idosos que vivem sozinhos e com rendimentos abaixo do limiar de pobreza, que apresentam uma percentagem (32,1%) muito acima do resto da população, mesmo quando se compara com casas onde existem filhos que representam, naturalmente, mais uma despesa para o agregado familiar.
As mulheres que vivem sozinhas em Portugal também têm muito mais limitações no aquecimento da casa (31,5%) do que os homens sozinhos (22,2%).
Contudo, tal como nos idosos, a percentagem dispara para 51% se olharmos apenas para as mulheres que vivem sozinhas e estão, pelos baixos rendimentos, em risco de pobreza.
Os idosos e as mulheres que vivem sozinhos, bem como as famílias portuguesas mais pobres…
Os idosos e as mulheres que vivem sozinhos, bem como as famílias portuguesas mais pobres são os grupos mais incapazes de pagar para manter a casa quente o suficiente.
A realidade revelada pelo Eurostat referente a um inquérito feito em 2018 está no entanto longe de ser um exclusivo das famílias desfavorecidas, pois o problema não afeta apenas famílias pobres.
Os dados divulgados mostram que mesmo entre quem está acima do limiar de risco de pobreza, cerca de 15,8% em Portugal, admitem essa incapacidade e o número que sobe para 37% entre as famílias consideradas pobres (abaixo desse limiar).
Assim sendo, 19,4% da população em Portugal admite não conseguir manter a casa aquecida. Este número que tem descido de forma consistente nos últimos 4 anos desde o fim da crise económica e o alargamento, em 2016, a centenas de milhares de famílias da tarifa social de eletricidade que passou a ser atribuída de forma automática.
Mesmo assim, Portugal continua a estar entre os cinco países da União Europeia em que uma maior fatia da população se encontra nesta situação, apenas atrás da Bulgária, Lituânia, Grécia e Chipre.
Idosos e mulheres que vivem sozinhos
A incapacidade de aquecer a casa dispara mesmo para 47,5% entre os idosos que vivem sozinhos e com rendimentos abaixo do limiar de pobreza, que apresentam uma percentagem (32,1%) muito acima do resto da população, mesmo quando se compara com casas onde existem filhos que representam, naturalmente, mais uma despesa para o agregado familiar.
As mulheres que vivem sozinhas em Portugal também têm muito mais limitações no aquecimento da casa (31,5%) do que os homens sozinhos (22,2%).
Contudo, tal como nos idosos, a percentagem dispara para 51% se olharmos apenas para as mulheres que vivem sozinhas e estão, pelos baixos rendimentos, em risco de pobreza.
Um terço dos portugueses não tem dinheiro para aquecer a casa
João Amaral Santos, in iOn-line
Em 2018, 19,4% dos portugueses integram esta lista. Portugal tem o quinto pior registo da UE.
Portugal é o quinto país da União Europeia onde existem mais pessoas com dificuldades para aquecer devidamente as suas casas. Os dados surgem no estudo do Eurostat, referente a 2018, onde se conclui que no ano passado cerca de um quinto dos portugueses (19,4%) não revelou capacidade financeira para fazer face aos custos do aquecimento na hora de enfrentar os meses mais frios.
Segundo o relatório do gabinete estatístico europeu, apenas países como Bulgária (34%), Lituânia (28%), Grécia (23%) e Chipre (22%) registaram um número superior a Portugal de cidadãos afetados por este problema, ainda longe da média da União Europeia fixada nos 7,3%. No mesmo espaço geográfico – embora, neste caso, não incluída nos 28 Estados-membros da UE –, também a Macedónia do Norte (24,9%) enfrenta um cenário semelhante.
Ainda assim, os dados de 2018 vêm confirmar uma evolução positiva deste indicador em Portugal, contrariando a subida verificada entre 2012 e 2014, no período em que a crise económica e financeira mais pesou na carteira dos portugueses, e reforçando uma tendência de descida com início a partir de 2015. Recuperando os números de 2016 e 2017, eram 22,5 e 20,4%, respetivamente, os portugueses incapazes de pagar de forma eficiente o aquecimento das suas habitações.
A posição de Portugal nesta tabela está, no entanto, longe de ser a ideal. Em comparação com os outros países incluídos no estudo, a quinta posição no quadro da União Europeia (e sexto lugar europeu) é apenas minimizado pela posição geográfica do país, já que as temperaturas no Sul do Continente estão longe de atingirem os valores baixos dos invernos de outras paragens. Apesar disso, países próximos como França, Espanha e Itália, com climas muito idênticos, em parte significativa dos seus territórios, conseguem já alcançar melhores resultados: 5% em França, 9,1% em Espanha e 14,1% em Itália. Na vizinha Espanha verificou-se, todavia, em 2018 uma quebra neste indicador de qualidade de vida, com um aumento do número de cidadãos com dificuldades face ao frio, em comparação com os 8% que haviam sido registados em 2017.
Porém, é justo afirmar existir, atualmente, uma tendência generalizada de evolução positiva global deste fator, no espaço europeu. Olhando à média da União Europeia a 28 regista-se uma queda significativa do número de cidadãos que se deparam com problemas financeiros neste capítulo. Em 2012, registou-se um “pico”, com 10,8% dos cidadãos nessa condição. A partir desse momento, e a par de um cenário económico e social internacional mais favorável, contabilizaram-se descidas mais aceleradas, sobretudo a partir de 2016 (onde os valores estavam fixados em 8,7%). Os 7,8% de 2017 e os 7,3% de 2018 apenas vieram confirmar esse progresso.
Observando mais à distância, também Portugal melhorou, e muito, neste particular. No início da última década, em 2010, eram 30,1% os portugueses que se diziam incapazes de pagar o aquecimento das suas casas. À exceção do conjunto de anos já referido, entre 2012 e 2014, a evolução deste indicador fez-se sempre sentir, alterando por completo o panorama nacional. Embora os 19,4% registados no ano passado indiquem, ainda, as dificuldades financeiras pelas quais passam muitas famílias portuguesas, a verdade é que no espaço de apenas dez anos o número de portugueses incluídos neste ranking diminuiu em mais de um terço.
No fundo desta tabela, o que, neste caso, significa os resultados mais positivos, encontram-se sem surpresa países do Centro e Norte da Europa, onde as temperaturas nos meses de Inverno são mais rigorosas. Suíça (0,6%), Noruega (0,9%), Áustria (1,6%), Finlândia (1,7%), Luxemburgo (2,1%), Suécia (2,3%), Estónia (2,3%) e Dinamarca (3%) lideram esta tabela do Eurostat
Em 2018, 19,4% dos portugueses integram esta lista. Portugal tem o quinto pior registo da UE.
Portugal é o quinto país da União Europeia onde existem mais pessoas com dificuldades para aquecer devidamente as suas casas. Os dados surgem no estudo do Eurostat, referente a 2018, onde se conclui que no ano passado cerca de um quinto dos portugueses (19,4%) não revelou capacidade financeira para fazer face aos custos do aquecimento na hora de enfrentar os meses mais frios.
Segundo o relatório do gabinete estatístico europeu, apenas países como Bulgária (34%), Lituânia (28%), Grécia (23%) e Chipre (22%) registaram um número superior a Portugal de cidadãos afetados por este problema, ainda longe da média da União Europeia fixada nos 7,3%. No mesmo espaço geográfico – embora, neste caso, não incluída nos 28 Estados-membros da UE –, também a Macedónia do Norte (24,9%) enfrenta um cenário semelhante.
Ainda assim, os dados de 2018 vêm confirmar uma evolução positiva deste indicador em Portugal, contrariando a subida verificada entre 2012 e 2014, no período em que a crise económica e financeira mais pesou na carteira dos portugueses, e reforçando uma tendência de descida com início a partir de 2015. Recuperando os números de 2016 e 2017, eram 22,5 e 20,4%, respetivamente, os portugueses incapazes de pagar de forma eficiente o aquecimento das suas habitações.
A posição de Portugal nesta tabela está, no entanto, longe de ser a ideal. Em comparação com os outros países incluídos no estudo, a quinta posição no quadro da União Europeia (e sexto lugar europeu) é apenas minimizado pela posição geográfica do país, já que as temperaturas no Sul do Continente estão longe de atingirem os valores baixos dos invernos de outras paragens. Apesar disso, países próximos como França, Espanha e Itália, com climas muito idênticos, em parte significativa dos seus territórios, conseguem já alcançar melhores resultados: 5% em França, 9,1% em Espanha e 14,1% em Itália. Na vizinha Espanha verificou-se, todavia, em 2018 uma quebra neste indicador de qualidade de vida, com um aumento do número de cidadãos com dificuldades face ao frio, em comparação com os 8% que haviam sido registados em 2017.
Porém, é justo afirmar existir, atualmente, uma tendência generalizada de evolução positiva global deste fator, no espaço europeu. Olhando à média da União Europeia a 28 regista-se uma queda significativa do número de cidadãos que se deparam com problemas financeiros neste capítulo. Em 2012, registou-se um “pico”, com 10,8% dos cidadãos nessa condição. A partir desse momento, e a par de um cenário económico e social internacional mais favorável, contabilizaram-se descidas mais aceleradas, sobretudo a partir de 2016 (onde os valores estavam fixados em 8,7%). Os 7,8% de 2017 e os 7,3% de 2018 apenas vieram confirmar esse progresso.
Observando mais à distância, também Portugal melhorou, e muito, neste particular. No início da última década, em 2010, eram 30,1% os portugueses que se diziam incapazes de pagar o aquecimento das suas casas. À exceção do conjunto de anos já referido, entre 2012 e 2014, a evolução deste indicador fez-se sempre sentir, alterando por completo o panorama nacional. Embora os 19,4% registados no ano passado indiquem, ainda, as dificuldades financeiras pelas quais passam muitas famílias portuguesas, a verdade é que no espaço de apenas dez anos o número de portugueses incluídos neste ranking diminuiu em mais de um terço.
No fundo desta tabela, o que, neste caso, significa os resultados mais positivos, encontram-se sem surpresa países do Centro e Norte da Europa, onde as temperaturas nos meses de Inverno são mais rigorosas. Suíça (0,6%), Noruega (0,9%), Áustria (1,6%), Finlândia (1,7%), Luxemburgo (2,1%), Suécia (2,3%), Estónia (2,3%) e Dinamarca (3%) lideram esta tabela do Eurostat
23.10.19
Energia do Futuro - Portugal desconhece quantas pessoas vivem em pobreza energética
Ana Brito, in Público on-line
Não há dados oficiais sobre o número de portugueses sem dinheiro para aquecer as casas no Inverno ou refrescá-las no Verão, mas já há um índice que permite identificar as freguesias mais vulneráveis a estas situações.
Os números divulgados há poucos dias pelo Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (Insa) deixaram exposta, mais uma vez, a fragilidade de uma fatia da população portuguesa, aquela que não tem condições para se proteger devidamente dos efeitos das temperaturas extremas e para quem o Inverno pode ter consequências trágicas.
Estima-se que, em 2018, a gripe e as baixas temperaturas tenham causado cerca de 3700 mortes, das quais 397 atribuíveis ao frio. “A relação entre o frio, e em particular o frio extremo, que se mantém por vários dias, e a saúde cardiovascular e respiratória está bem estabelecido”, e as temperaturas baixas e os períodos de humidade alta no Inverno “são factores que aumentam a probabilidade que temos de vir a agravar doenças pré-existentes”, disse ao PÚBLICO o coordenador do Departamento de Epidemiologia do INSA, Carlos Dias.
“Se fora dos edifícios não existe capacidade de o ser humano controlar o ambiente e os níveis térmicos, dentro dos edifícios isso é feito à custa de equipamentos, de habitações bem isoladas e do consumo de energia. Logo, as pessoas que pertencem a grupos socio-económicos mais frágeis, claramente estão em situação de maior risco para a sua saúde”, afirmou o especialista.
O desconforto térmico, no Verão ou no Inverno, pode ser fatal para quem já tem problemas de saúde e é mais vulnerável às temperaturas extremas, como a população idosa, mas é uma realidade com que boa parte da população portuguesa convive, literalmente.
De uma forma genérica, considera-se que quem não tem condições financeiras para aquecer a casa no Inverno, mantê-la fresca no Verão, ou adequadamente iluminada, está em situação de pobreza energética.
Segundo Bruxelas, há mais de 50 milhões de pessoas na União Europeia (UE) que vivem com este tipo de privação, a que estão mais expostas as famílias monoparentais, aquelas com várias crianças e os idosos isolados.
Em Portugal, o fenómeno existe, está provado, tem consequências graves, mas é de difícil quantificação. “Não existem dados oficiais nacionais sobre o número de pessoas ou agregados familiares em situação de pobreza energética”, disse ao PÚBLICO o Ministério do Ambiente e da Transição Energética (que na nova orgânica passará a chamar-se do Ambiente e Acção Climática).
“Faz parte dos objectivos do Governo” realizar “uma análise a nível nacional que identifique o número de pessoas” e famílias nesta situação, acrescentou.
Além de não haver dados quantitativos, não há sequer em Portugal (como na maioria dos Estados europeus) uma definição oficial para a pobreza energética, pelo que se “recorre à definição usada pela Comissão Europeia”, explicou o MATE.
Stress e mal-estar
No Observatório Europeu para a Pobreza Energética, a Comissão define-a como uma “forma distinta de pobreza, associada a um conjunto de consequências adversas para o bem-estar e saúde das pessoas”, que pode agravar quadros de doença respiratória, cardíaca e mental. Não são só as temperaturas que produzem o mal-estar, é também “o stress associado a facturas energéticas incomportáveis”.
Diz a Comissão que resolver o problema tem “o potencial de trazer benefícios múltiplos”, incluindo menos gastos públicos com a saúde, menor poluição ambiental, mais conforto e bem-estar, mais rendimento disponível das famílias e crescimento económico.
Os Estados-membros estão obrigados a monitorizar a situação de pobreza energética e a introduzir medidas específicas para combatê-la nos seus planos de Energia e Clima para a próxima década.
Até agora, Portugal tem abordado a questão através da tarifa social da electricidade e do gás natural, que introduz descontos automáticos às facturas dos clientes economicamente vulneráveis – com baixos rendimentos e beneficiários de prestações sociais, como o subsídio social de desemprego ou a pensão social de velhice.
Sobre as prioridades do Governo no combate à pobreza energética, o MATE destacou o aperfeiçoamento dos “instrumentos de protecção a clientes vulneráveis” através de uma “estratégia de longo prazo” e o objectivo de “melhorar a literacia energética” da população.
Segundo o relatório “Addressing Energy Poverty in the European Union: State of Play and Action”, publicado, em Agosto do ano passado, pelo Observatório Europeu da Pobreza Energética, as tarifas sociais existem um pouco por toda a Europa e vários países têm medidas adicionais de protecção aos clientes vulneráveis que proíbem o corte de energia por falta de pagamento das contas durante o Inverno.
O relatório refere ainda que existem, mas são mais raras, as medidas direccionadas para esta população vulnerável cuja abordagem seja a do reforço de eficiência das habitações. Porém, destaca que as medidas direccionadas “são uma ferramenta muito poderosa para combater a pobreza numa perspectiva de longo-prazo”.
Em causa estão medidas de apoio à intervenção nas habitações, à substituição de aparelhos que consomem muita energia (como os frigoríficos) ou à instalação de painéis fotovoltaicos para produção de electricidade para autoconsumo (o que reduz o peso da factura energética nos orçamentos familiares).
Não há dados oficiais sobre o número de portugueses sem dinheiro para aquecer as casas no Inverno ou refrescá-las no Verão, mas já há um índice que permite identificar as freguesias mais vulneráveis a estas situações.
Os números divulgados há poucos dias pelo Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (Insa) deixaram exposta, mais uma vez, a fragilidade de uma fatia da população portuguesa, aquela que não tem condições para se proteger devidamente dos efeitos das temperaturas extremas e para quem o Inverno pode ter consequências trágicas.
Estima-se que, em 2018, a gripe e as baixas temperaturas tenham causado cerca de 3700 mortes, das quais 397 atribuíveis ao frio. “A relação entre o frio, e em particular o frio extremo, que se mantém por vários dias, e a saúde cardiovascular e respiratória está bem estabelecido”, e as temperaturas baixas e os períodos de humidade alta no Inverno “são factores que aumentam a probabilidade que temos de vir a agravar doenças pré-existentes”, disse ao PÚBLICO o coordenador do Departamento de Epidemiologia do INSA, Carlos Dias.
“Se fora dos edifícios não existe capacidade de o ser humano controlar o ambiente e os níveis térmicos, dentro dos edifícios isso é feito à custa de equipamentos, de habitações bem isoladas e do consumo de energia. Logo, as pessoas que pertencem a grupos socio-económicos mais frágeis, claramente estão em situação de maior risco para a sua saúde”, afirmou o especialista.
O desconforto térmico, no Verão ou no Inverno, pode ser fatal para quem já tem problemas de saúde e é mais vulnerável às temperaturas extremas, como a população idosa, mas é uma realidade com que boa parte da população portuguesa convive, literalmente.
De uma forma genérica, considera-se que quem não tem condições financeiras para aquecer a casa no Inverno, mantê-la fresca no Verão, ou adequadamente iluminada, está em situação de pobreza energética.
Segundo Bruxelas, há mais de 50 milhões de pessoas na União Europeia (UE) que vivem com este tipo de privação, a que estão mais expostas as famílias monoparentais, aquelas com várias crianças e os idosos isolados.
Em Portugal, o fenómeno existe, está provado, tem consequências graves, mas é de difícil quantificação. “Não existem dados oficiais nacionais sobre o número de pessoas ou agregados familiares em situação de pobreza energética”, disse ao PÚBLICO o Ministério do Ambiente e da Transição Energética (que na nova orgânica passará a chamar-se do Ambiente e Acção Climática).
“Faz parte dos objectivos do Governo” realizar “uma análise a nível nacional que identifique o número de pessoas” e famílias nesta situação, acrescentou.
Além de não haver dados quantitativos, não há sequer em Portugal (como na maioria dos Estados europeus) uma definição oficial para a pobreza energética, pelo que se “recorre à definição usada pela Comissão Europeia”, explicou o MATE.
Stress e mal-estar
No Observatório Europeu para a Pobreza Energética, a Comissão define-a como uma “forma distinta de pobreza, associada a um conjunto de consequências adversas para o bem-estar e saúde das pessoas”, que pode agravar quadros de doença respiratória, cardíaca e mental. Não são só as temperaturas que produzem o mal-estar, é também “o stress associado a facturas energéticas incomportáveis”.
Diz a Comissão que resolver o problema tem “o potencial de trazer benefícios múltiplos”, incluindo menos gastos públicos com a saúde, menor poluição ambiental, mais conforto e bem-estar, mais rendimento disponível das famílias e crescimento económico.
Os Estados-membros estão obrigados a monitorizar a situação de pobreza energética e a introduzir medidas específicas para combatê-la nos seus planos de Energia e Clima para a próxima década.
Até agora, Portugal tem abordado a questão através da tarifa social da electricidade e do gás natural, que introduz descontos automáticos às facturas dos clientes economicamente vulneráveis – com baixos rendimentos e beneficiários de prestações sociais, como o subsídio social de desemprego ou a pensão social de velhice.
Sobre as prioridades do Governo no combate à pobreza energética, o MATE destacou o aperfeiçoamento dos “instrumentos de protecção a clientes vulneráveis” através de uma “estratégia de longo prazo” e o objectivo de “melhorar a literacia energética” da população.
Segundo o relatório “Addressing Energy Poverty in the European Union: State of Play and Action”, publicado, em Agosto do ano passado, pelo Observatório Europeu da Pobreza Energética, as tarifas sociais existem um pouco por toda a Europa e vários países têm medidas adicionais de protecção aos clientes vulneráveis que proíbem o corte de energia por falta de pagamento das contas durante o Inverno.
O relatório refere ainda que existem, mas são mais raras, as medidas direccionadas para esta população vulnerável cuja abordagem seja a do reforço de eficiência das habitações. Porém, destaca que as medidas direccionadas “são uma ferramenta muito poderosa para combater a pobreza numa perspectiva de longo-prazo”.
Em causa estão medidas de apoio à intervenção nas habitações, à substituição de aparelhos que consomem muita energia (como os frigoríficos) ou à instalação de painéis fotovoltaicos para produção de electricidade para autoconsumo (o que reduz o peso da factura energética nos orçamentos familiares).
16.1.18
Portugal é dos países onde as famílias têm mais dificuldade em manter a casa quente
Victor Ferreira, in Público on-line
Dados revelados nesta quinta-feira pelo Eurostat mostram que numa década o número de famílias com este problema desceu 43%. Porém, o país ainda tem o quinto pior desempenho da União Europeia.
Em Portugal reduziu-se o número de famílias que não conseguem manter a casa aquecida, mas o país ainda é um dos que apresentam uma das situações mais graves dentro da União Europeia (UE), segundo dados referentes a 2016 e que foram divulgados pelo Eurostat nesta quinta-feira.
Desde 2006 que esta percentagem apresenta em Portugal uma tendência descendente, apenas interrompida em 2007, 2010 e entre 2011 e 2014, época em que se registaram ligeiras subidas. Para o último ano com números, o de 2016, as estatísticas daquela agência da UE mostram que ainda há 22,5% das famílias que não conseguem manter a casa quente “de forma adequada” — o que coloca o país na quinta posição dos que têm mais problemas. O Eurostat alterou, sem explicar as razões, os dados disponibilizados nesta quinta-feira, a meio da tarde, retirando as estatísticas referentes aos anos 2006 e 2007, mas o PÚBLICO disponibiliza o quadro completo em formato PDF aqui.
Os países europeus onde é mais difícil manter a casa quente
Pior do que Portugal, só mesmo a Bulgária, a Lituânia, a Grécia e Chipre. Por comparação, a média na UE de famílias que sofrem com esta “pobreza térmica” cifra-se em 8,5%, contra os 22,5% de famílias em Portugal e os 39,2% de famílias na Bulgária, cujos dados foram obtidos por estimativa (ao contrário da maioria, para os quais há dados reais) e que apresenta o pior rácio do conjunto dos países analisados.
Em 2006, o mesmo indicador em Portugal mostrava que 39,9% (quase quatro em cada dez famílias residentes no país) sofriam com este problema. Nesse ano, Portugal era o segundo pior a este nível. Ao longo dos anos, a situação foi melhorando, apesar de em 2007 o indicador ter subido dois pontos percentuais. Porém, mesmo com a inversão da tendência descendente registada desde então — inversão essa nos piores anos da crise portuguesa, quando a gestão do país foi feita sob a austeridade e o escrutínio da troika —, a situação melhorou muito na última década. Dos tais 39,9% de 2006, passou para 22,5% em 2016, isto é, uma descida de 43,6% no número de famílias que não têm capacidade para manterem os lares aquecidos de forma adequada.
Dados revelados nesta quinta-feira pelo Eurostat mostram que numa década o número de famílias com este problema desceu 43%. Porém, o país ainda tem o quinto pior desempenho da União Europeia.
Em Portugal reduziu-se o número de famílias que não conseguem manter a casa aquecida, mas o país ainda é um dos que apresentam uma das situações mais graves dentro da União Europeia (UE), segundo dados referentes a 2016 e que foram divulgados pelo Eurostat nesta quinta-feira.
Desde 2006 que esta percentagem apresenta em Portugal uma tendência descendente, apenas interrompida em 2007, 2010 e entre 2011 e 2014, época em que se registaram ligeiras subidas. Para o último ano com números, o de 2016, as estatísticas daquela agência da UE mostram que ainda há 22,5% das famílias que não conseguem manter a casa quente “de forma adequada” — o que coloca o país na quinta posição dos que têm mais problemas. O Eurostat alterou, sem explicar as razões, os dados disponibilizados nesta quinta-feira, a meio da tarde, retirando as estatísticas referentes aos anos 2006 e 2007, mas o PÚBLICO disponibiliza o quadro completo em formato PDF aqui.
Os países europeus onde é mais difícil manter a casa quente
Pior do que Portugal, só mesmo a Bulgária, a Lituânia, a Grécia e Chipre. Por comparação, a média na UE de famílias que sofrem com esta “pobreza térmica” cifra-se em 8,5%, contra os 22,5% de famílias em Portugal e os 39,2% de famílias na Bulgária, cujos dados foram obtidos por estimativa (ao contrário da maioria, para os quais há dados reais) e que apresenta o pior rácio do conjunto dos países analisados.
Em 2006, o mesmo indicador em Portugal mostrava que 39,9% (quase quatro em cada dez famílias residentes no país) sofriam com este problema. Nesse ano, Portugal era o segundo pior a este nível. Ao longo dos anos, a situação foi melhorando, apesar de em 2007 o indicador ter subido dois pontos percentuais. Porém, mesmo com a inversão da tendência descendente registada desde então — inversão essa nos piores anos da crise portuguesa, quando a gestão do país foi feita sob a austeridade e o escrutínio da troika —, a situação melhorou muito na última década. Dos tais 39,9% de 2006, passou para 22,5% em 2016, isto é, uma descida de 43,6% no número de famílias que não têm capacidade para manterem os lares aquecidos de forma adequada.
5.1.18
Portugal é dos países onde as famílias têm mais dificuldade em manter a casa quente
Victor Ferreira, in Público on-line
Dados revelados nesta quinta-feira pelo Eurostat mostram que numa década o número de famílias com este problema desceu 43%. Porém, o país ainda tem o quinto pior desempenho da União Europeia.
Em Portugal reduziu-se o número de famílias que não conseguem manter a casa aquecida, mas o país ainda é um dos que apresentam uma das situações mais graves dentro da União Europeia (UE), segundo dados referentes a 2016 e que foram divulgados pelo Eurostat nesta quinta-feira.
Desde 2006 que esta percentagem apresenta em Portugal uma tendência descendente, apenas interrompida em 2007, 2010 e entre 2011 e 2014, época em que se registaram ligeiras subidas. Para o último ano com números, o de 2016, as estatísticas daquela agência da UE mostram que ainda há 22,5% das famílias que não conseguem manter a casa quente “de forma adequada” — o que coloca o país na quinta posição dos que têm mais problemas. O Eurostat alterou, sem explicar as razões, os dados disponibilizados nesta quinta-feira, a meio da tarde, retirando as estatísticas referentes aos anos 2006 e 2007, mas o PÚBLICO disponibiliza o quadro completo em formato PDF aqui.
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Os países europeus onde é mais difícil manter a casa quente
Pior do que Portugal, só mesmo a Bulgária, a Lituânia, a Grécia e Chipre. Por comparação, a média na UE de famílias que sofrem com esta “pobreza térmica” cifra-se em 8,5%, contra os 22,5% de famílias em Portugal e os 39,2% de famílias na Bulgária, cujos dados foram obtidos por estimativa (ao contrário da maioria, para os quais há dados reais) e que apresenta o pior rácio do conjunto dos países analisados.
Em 2006, o mesmo indicador em Portugal mostrava que 39,9% (quase quatro em cada dez famílias residentes no país) sofriam com este problema. Nesse ano, Portugal era o segundo pior a este nível. Ao longo dos anos, a situação foi melhorando, apesar de em 2007 o indicador ter subido dois pontos percentuais. Porém, mesmo com a inversão da tendência descendente registada desde então — inversão essa nos piores anos da crise portuguesa, quando a gestão do país foi feita sob a austeridade e o escrutínio da troika —, a situação melhorou muito na última década. Dos tais 39,9% de 2006, passou para 22,5% em 2016, isto é, uma descida de 43,6% no número de famílias que não têm capacidade para manterem os lares aquecidos de forma adequada.
Dados revelados nesta quinta-feira pelo Eurostat mostram que numa década o número de famílias com este problema desceu 43%. Porém, o país ainda tem o quinto pior desempenho da União Europeia.
Em Portugal reduziu-se o número de famílias que não conseguem manter a casa aquecida, mas o país ainda é um dos que apresentam uma das situações mais graves dentro da União Europeia (UE), segundo dados referentes a 2016 e que foram divulgados pelo Eurostat nesta quinta-feira.
Desde 2006 que esta percentagem apresenta em Portugal uma tendência descendente, apenas interrompida em 2007, 2010 e entre 2011 e 2014, época em que se registaram ligeiras subidas. Para o último ano com números, o de 2016, as estatísticas daquela agência da UE mostram que ainda há 22,5% das famílias que não conseguem manter a casa quente “de forma adequada” — o que coloca o país na quinta posição dos que têm mais problemas. O Eurostat alterou, sem explicar as razões, os dados disponibilizados nesta quinta-feira, a meio da tarde, retirando as estatísticas referentes aos anos 2006 e 2007, mas o PÚBLICO disponibiliza o quadro completo em formato PDF aqui.
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Em 2006, o mesmo indicador em Portugal mostrava que 39,9% (quase quatro em cada dez famílias residentes no país) sofriam com este problema. Nesse ano, Portugal era o segundo pior a este nível. Ao longo dos anos, a situação foi melhorando, apesar de em 2007 o indicador ter subido dois pontos percentuais. Porém, mesmo com a inversão da tendência descendente registada desde então — inversão essa nos piores anos da crise portuguesa, quando a gestão do país foi feita sob a austeridade e o escrutínio da troika —, a situação melhorou muito na última década. Dos tais 39,9% de 2006, passou para 22,5% em 2016, isto é, uma descida de 43,6% no número de famílias que não têm capacidade para manterem os lares aquecidos de forma adequada.
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