in JN
A União Europeia vai destinar 210 milhões de euros em ajudas a 15 países, a maior parte dos quais em África, para ajudar a combater o aumento da insegurança alimentar a nível mundial, anunciou hoje a Comissão Europeia.
Este novo pacote de ajuda, anunciado na véspera do arranque da cimeira do G20, em Bali, destina-se a cinco países da África Ocidental e Central (Burkina Faso, Mali, Níger, Chade e República Centro Africana), quatro da África Oriental e Austral (Sudão, Sudão do Sul, Etiópia e Somália), três do Médio Oriente (Iémen, Síria e Líbano), Afeganistão e ainda à crise regional na América Latina provocada pela situação na Venezuela e ao Corredor Seco da América Central.
"A guerra da Rússia na Ucrânia está a ter um grande efeito no fornecimento global de alimentos. Países que já eram vulneráveis a choques alimentares foram colocados numa situação dramática. Temos de agir para evitar a fome em algumas das zonas mais pobres do mundo", declarou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
De acordo com o executivo comunitário, com este novo pacote de ajuda, o apoio global da UE à segurança alimentar global ascende a 8 mil milhões de euros entre 2020 e 2024.
Bruxelas sublinha que, "em 2022, a insegurança alimentar atingiu níveis sem precedentes, tanto em escala como em gravidade, com pelo menos 205 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar aguda e a necessitarem de assistência urgente", sendo este "o nível mais elevado de que há registo".
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15.6.22
“Queremos uma agricultura que dê resposta ao mercado, que contribua para a segurança alimentar e que crie rendimento para as famílias”
António Monteiro, in Expresso das Ilhas
Com as medidas de desconfinamento as Festas do Município e de Santo António das Pombas iniciadas no dia 2 de Maio decorrem este ano num ambiente mais descontraído, ainda que sem o brilho das festividades anteriores à pandemia. “Não vai haver actividades tão fortes como em outros tempos, mas já é um começo”, relativiza António Aleixo.
Em conversa com o Expresso das Ilhas o edil paulense fala dos efeitos dos quatro anos de seca e da pandemia no município, elenca as medidas do governo e da autarquia para debelar a crise e regozija-se com o lançamento do concurso internacional para a requalificação da orla marítima da Cidade das Pombas até agora uma das grandes preocupações dos moradores da urbe.
Santo Antão enfrenta quatro anos de seca consecutivos, sendo a de 2022 a mais difícil de todos. Qual tem sido o efeito no município?
Realmente o ano de 2022 tem sido difícil se tivermos em consideração a alta taxa de desemprego que ainda perdura, sobretudo entre a camada jovem. Tivemos todo aquele tempo de pandemia em que a economia estava parada, com o desemprego aumentando. Isso preocupou-nos muito e continuamos preocupados com toda esta situação. Portanto, temos que resolver este problema, a Câmara Municipal (CM) com os seus parceiros, neste caso o governo. Claro que há boas perspectivas para o ano de 2022, não apenas através da CM com todos os seus projectos, mas também em parceria com o governo para mudar aquilo que nós entendemos que pode ser mudado, pois mesmo nesta situação de seca e de pandemia há coisas que nós podemos fazer.
Que medidas, naquilo que é da responsabilidade da Câmara Municipal, têm sido implementadas para atenuar os efeitos da pandemia e da seca junto das famílias mais afectadas?
Nós temos um grande projecto que é sobre o Fomento da Práticas Agrícolas Sustentáveis, onde nós elegemos um grupo de pequenos agricultores aos quais temos prestado assistência não só na formação, mas também com doação de equipamentos para rega gota-a-gota para os nossos agricultores não ficarem apenas na fabricação do grogue. Isso tem tido um grande impacto não só junto das famílias, mas também na economia de uma forma geral. Este projecto vem contribuir para a melhoria da condição de vida das famílias, para seu empoderamento e para a segurança alimentar, mas também tem uma componente da gestão da água. Para além disso, para dar confiança aos agricultores e produtores, estamos quase a concluir dois entrepostos agrícolas para também darmos uma contribuição naquilo que nós pensamos que deve ser a nossa cadeia de valores em termos agrícolas. Por outro lado, estamos no processo de aprovação do Selo de Garantia do Município do Paul. Isso tudo porque quando falamos em incentivar as pessoas para a agroindústria temos que dar o primeiro passo. Por isso eu acredito que esse projecto Fomento de Práticas Agrícolas Sustentáveis vai ao encontro daquilo que nós queremos e para além disso também os projectos lançados pelo governo nestes últimos dias, nomeadamente para a valorização das Aldeias Rurais, as obras de requalificação e reabilitação vão modificar tudo aquilo que nós pensamos para o município do Paul. Portanto, são projectos que nós acreditamos que vão melhorar todo o tecido económico e social no nosso município. Estou a dizer isso, porque nós já temos garantia de financiamento não só dos projectos de valorização das Aldeias Rurais, de requalificação dos caminhos bem como do projecto de Fomento de Práticas Agrícolas Sustentáveis. Evidentemente que temos também projectos a desenvolver no sector das pescas. Por isso acreditamos que estamos no bom caminho neste sentido.
O que espera do Plano de Retoma do Setor Privado Pós Covid-19 do governo, publicado em Janeiro deste ano?
É evidente que o Plano de Retoma só agora foi apresentado para dar conhecimentos às pessoas não só daquilo que são as oportunidades de financiamento. As pessoas estão optimistas e quando assim é, nós também ficamos satisfeitos, pois acreditamos que vai dar resultados positivos na dinamização da economia e para fixar as pessoas aqui no nosso município. É evidente que isso leva o seu tempo, mesmo nos dois projectos que referi anteriormente, nomeadamente a requalificação dos caminhos e a valorização das aldeias. São projectos com financiamento garantidos, não na totalidade, mas isso já é muito bom para aquilo que nós queremos, que é estarmos preparados para a retoma do turismo porque acreditamos que os municípios de Santo Antão terão uma resposta a dar nesta vertente do turismo através de coisas concretas que já temos garantia que vão acontecer.
Foi anunciado recentemente o arranque do ensino superior em Santo Antão no mês de Setembro, voltado para as Ciências Agrárias. O que significa este alargamento para o município do Paul?
Para nós é uma notícia que acolhemos com grande satisfação, porque acreditamos que muitas pessoas desta ilha que ainda não tiveram oportunidade de estudar, vão poder realizar os seus sonhos, pois nós sabemos o que é que custa a um estudante fora do seu habitat natural viajar para São Vicente, Praia ou para o exterior. É sempre muito mais custoso do que estudar aqui. Portanto, é sempre uma grande notícia e nós estamos satisfeitos, mas é evidente que não queremos que a universidade seja apenas na vertente agrícola, porque não faz muito sentido.
Segundo o governo, corresponde à vocação da ilha.
Pois, é a vocação da ilha, mas queremos muito mais do que sermos apenas uma ilha agrícola. Somos muito mais do que apenas uma ilha agrícola e acho que o tempo vai-nos dar razão. Mas estamos satisfeitos com esta notícia, os estudantes estão optimistas e agora é fazer a nossa parte para podermos dizer que valei a pena ter o ensino superior aqui em Santo Antão.
O alargamento do ensino superior a Santo Antão irá estancar a saída de jovens para outras ilhas?
Bom, nós não somos contra a saída de pessoas, mas queremos também propor alternativas, ou seja, criar mecanismos para reter aqui os jovens no nosso município, ou na ilha, mas os que quiserem sair por outros motivos, tudo bem. Agora, nós temos que nos esforçar cada vez mais para criar condições para que os jovens tenham opções de escolha. Ou seja, quando terminarem uma formação, terem emprego aqui, ou noutro ponto do país. Agora, da forma como estamos aqui ainda não existem alternativas para os jovens. Portanto, a situação é preocupante, mas acreditamos que com o ensino superior aqui, certamente que teremos maiores oportunidades para jovens formados conseguirem emprego aqui e não terão necessidade de sair. É que muitas vezes os jovens saem para estudar no Mindelo ou na Praia e depois surge uma oportunidade de emprego nestas cidades e depois não haverá essa vontade de regressar e assim ficamos cada mais pobres em termos de talentos. Esta fuga de talentos é preocupante para Santo Antão e seus municípios, pois estamos sempre a começar do zero justamente por causa do problema da oportunidade de formação e de emprego.
Segundo os agricultores, a falta de mão-de-obra está a afectar esta actividade sobretudo no tempo de azáguas. Quais as razões desta situação?
A agricultura nos últimos anos tem sido muito pouco cativante para os jovens. É que ainda praticamos uma agricultura do tempo dos nossos avós, ou mesmo bisavós. Aquilo que nós pretendemos é ter uma agricultura cada vez mais industrializada, porque só desta forma é que a economia ganha. É que praticando uma agricultura rudimentar, nós não vamos a lado nenhum. Por isso acreditamos que com o ensino superior poderemos mudar a forma de praticar a agricultura, mesmo também a questão da economia de escala, porque não havendo escala é também difícil. Como disse atrás, o projecto de Fomento de Práticas Agrícolas Sustentáveis vai ao encontro daquilo que nós queremos para a agricultura, apostando na transformação, conversação e embalagem dos produtos, criando assim toda uma logística para que as pessoas possam constatar no terreno que a agricultura está a dar resultados. Porque, caso contrário, vamos continuar com a monocultura da cana-de-açúcar, que, como se costuma dizer, é a lei do menor esforço. Ou seja, se não conseguirmos vender a nossa aguardente ela fica lá conservada no armazém até o dia em que conseguirmos vendê-la. Não é isso o que nós queremos, queremos que o agricultor tenha dinheiro disponível todos os dias. E isso só acontece se formos capazes de industrializar a nossa agricultura para podermos também darmos uma resposta no âmbito da demanda turística. Estamos optimistas quanto ao turismo, mas para isso temos que ter também produtos para colocarmos nos restaurantes, nos hotéis para não ficarmos sempre a importar tudo, quando aqui no nosso município temos potencialidades para enveredarmos para uma agricultura que dê realmente resposta ao mercado, que contribua para a segurança alimentar e que crie rendimento para as famílias.
A aposta na agroindústria seria uma forma inovadora de contornar o embargo, como afirmou a este semanário numa entrevista anterior?
É o que eu tinha dito então: não podemos ficar parados por causa do embargo. Temos que contornar o embargo. E contornar o embargo é apostar cada vez mais forte na agroindústria. E hoje com as oportunidades de financiamento proporcionadas pelo governo estaremos em melhores condições. Ou seja, apostar na agroindústria, aumento da escala, a valorização dos produtos, a conservação, a transformação e os entrepostos agrícolas, o de Janela e o do interior do vale vêm neste momento dar resposta àquilo que queremos que é contornar a praga dos mil pés e mostrar aos agricultores que mesmo com a situação de embargo, nós podemos fazer muito. Mas se ficarmos a escudar-nos com a praga dos mil pés, nós não vamos a lado nenhum.
Em relação à questão da mobilização da água a sua mensagem é para mudar, é para poupar a água. Explique.
De facto, a minha mensagem é para continuarmos a fazer uma melhor gestão da água. Porque é difícil acreditar que um município como Paul tenha problemas com escassez de água principalmente para rega. Em outros municípios que nada produzem em termos de água, estão a tirar melhor proveito, estão a conseguir produzir mais produtos agrícolas que o município do Paul, porque os agricultores insistem na rega por alagamento. Depois de quatro anos de seca não há água para todos desta forma e mais para frente, cada vez com menos chuvas, continuaremos a ter este problema. Portanto, o projecto Práticas Agrícolas Sustentáveis tem também a vertente de sensibilização das pessoas para a poupança de água através do sistema de rega gota-a-gota. Isto é preciso mesmo, porque se não qualquer dia não vamos ter água. Já estamos atrasados, mas ainda vamos a tempo de reverter a situação se tomarmos consciência que é preciso mudar.
A requalificação da orla marítima, por causa da segurança dos moradores da cidade é uma das grandes preocupações dos munícipes. Quando arranca o projecto?
A requalificação da orla marítima é, de facto, uma preocupação. Há bem pucos dias tivemos a notícia de que o governo lançou um concurso técnico internacional para o projecto de requalificação, porque não temos aqui no país técnicos para elaboração do projecto. Portanto, estamos todos satisfeitos com o lançamento do concurso, pois a situação continua preocupante e cada vez mais as casas mesmo na orla marítima estão em perigo de derrocada. Fez-se um trabalho de mitigação, mas isto não é suficiente para resolver o problema. Temos também uma grande preocupação que é o campo de futebol. Neste momento somos o único município que não tem um campo de futebol e isto já começa a ficar preocupante. Temos dialogado com o sr. primeiro-ministro que nos garantiu que vamos juntos dar essa resposta não através da construção de um estádio de raiz, mas através de uma construção faseada que com o tempo irá evoluir para um estádio. Mas neste momento do que nós precisamos são as condições mínimas para a prática do futebol aqui no nosso município, pois neste momento somos obrigados a levar os nossos atletas para Ribeira Grande para treinar e para jugar e é preciso dar essa resposta aqui no nosso município para podermos ter mais oportunidades e mais infraestruturas para ocupação do tempo livre dos jovens.
Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1071 de 8 de Junho de 2022.
Com as medidas de desconfinamento as Festas do Município e de Santo António das Pombas iniciadas no dia 2 de Maio decorrem este ano num ambiente mais descontraído, ainda que sem o brilho das festividades anteriores à pandemia. “Não vai haver actividades tão fortes como em outros tempos, mas já é um começo”, relativiza António Aleixo.
Em conversa com o Expresso das Ilhas o edil paulense fala dos efeitos dos quatro anos de seca e da pandemia no município, elenca as medidas do governo e da autarquia para debelar a crise e regozija-se com o lançamento do concurso internacional para a requalificação da orla marítima da Cidade das Pombas até agora uma das grandes preocupações dos moradores da urbe.
Santo Antão enfrenta quatro anos de seca consecutivos, sendo a de 2022 a mais difícil de todos. Qual tem sido o efeito no município?
Realmente o ano de 2022 tem sido difícil se tivermos em consideração a alta taxa de desemprego que ainda perdura, sobretudo entre a camada jovem. Tivemos todo aquele tempo de pandemia em que a economia estava parada, com o desemprego aumentando. Isso preocupou-nos muito e continuamos preocupados com toda esta situação. Portanto, temos que resolver este problema, a Câmara Municipal (CM) com os seus parceiros, neste caso o governo. Claro que há boas perspectivas para o ano de 2022, não apenas através da CM com todos os seus projectos, mas também em parceria com o governo para mudar aquilo que nós entendemos que pode ser mudado, pois mesmo nesta situação de seca e de pandemia há coisas que nós podemos fazer.
Que medidas, naquilo que é da responsabilidade da Câmara Municipal, têm sido implementadas para atenuar os efeitos da pandemia e da seca junto das famílias mais afectadas?
Nós temos um grande projecto que é sobre o Fomento da Práticas Agrícolas Sustentáveis, onde nós elegemos um grupo de pequenos agricultores aos quais temos prestado assistência não só na formação, mas também com doação de equipamentos para rega gota-a-gota para os nossos agricultores não ficarem apenas na fabricação do grogue. Isso tem tido um grande impacto não só junto das famílias, mas também na economia de uma forma geral. Este projecto vem contribuir para a melhoria da condição de vida das famílias, para seu empoderamento e para a segurança alimentar, mas também tem uma componente da gestão da água. Para além disso, para dar confiança aos agricultores e produtores, estamos quase a concluir dois entrepostos agrícolas para também darmos uma contribuição naquilo que nós pensamos que deve ser a nossa cadeia de valores em termos agrícolas. Por outro lado, estamos no processo de aprovação do Selo de Garantia do Município do Paul. Isso tudo porque quando falamos em incentivar as pessoas para a agroindústria temos que dar o primeiro passo. Por isso eu acredito que esse projecto Fomento de Práticas Agrícolas Sustentáveis vai ao encontro daquilo que nós queremos e para além disso também os projectos lançados pelo governo nestes últimos dias, nomeadamente para a valorização das Aldeias Rurais, as obras de requalificação e reabilitação vão modificar tudo aquilo que nós pensamos para o município do Paul. Portanto, são projectos que nós acreditamos que vão melhorar todo o tecido económico e social no nosso município. Estou a dizer isso, porque nós já temos garantia de financiamento não só dos projectos de valorização das Aldeias Rurais, de requalificação dos caminhos bem como do projecto de Fomento de Práticas Agrícolas Sustentáveis. Evidentemente que temos também projectos a desenvolver no sector das pescas. Por isso acreditamos que estamos no bom caminho neste sentido.
O que espera do Plano de Retoma do Setor Privado Pós Covid-19 do governo, publicado em Janeiro deste ano?
É evidente que o Plano de Retoma só agora foi apresentado para dar conhecimentos às pessoas não só daquilo que são as oportunidades de financiamento. As pessoas estão optimistas e quando assim é, nós também ficamos satisfeitos, pois acreditamos que vai dar resultados positivos na dinamização da economia e para fixar as pessoas aqui no nosso município. É evidente que isso leva o seu tempo, mesmo nos dois projectos que referi anteriormente, nomeadamente a requalificação dos caminhos e a valorização das aldeias. São projectos com financiamento garantidos, não na totalidade, mas isso já é muito bom para aquilo que nós queremos, que é estarmos preparados para a retoma do turismo porque acreditamos que os municípios de Santo Antão terão uma resposta a dar nesta vertente do turismo através de coisas concretas que já temos garantia que vão acontecer.
Foi anunciado recentemente o arranque do ensino superior em Santo Antão no mês de Setembro, voltado para as Ciências Agrárias. O que significa este alargamento para o município do Paul?
Para nós é uma notícia que acolhemos com grande satisfação, porque acreditamos que muitas pessoas desta ilha que ainda não tiveram oportunidade de estudar, vão poder realizar os seus sonhos, pois nós sabemos o que é que custa a um estudante fora do seu habitat natural viajar para São Vicente, Praia ou para o exterior. É sempre muito mais custoso do que estudar aqui. Portanto, é sempre uma grande notícia e nós estamos satisfeitos, mas é evidente que não queremos que a universidade seja apenas na vertente agrícola, porque não faz muito sentido.
Segundo o governo, corresponde à vocação da ilha.
Pois, é a vocação da ilha, mas queremos muito mais do que sermos apenas uma ilha agrícola. Somos muito mais do que apenas uma ilha agrícola e acho que o tempo vai-nos dar razão. Mas estamos satisfeitos com esta notícia, os estudantes estão optimistas e agora é fazer a nossa parte para podermos dizer que valei a pena ter o ensino superior aqui em Santo Antão.
O alargamento do ensino superior a Santo Antão irá estancar a saída de jovens para outras ilhas?
Bom, nós não somos contra a saída de pessoas, mas queremos também propor alternativas, ou seja, criar mecanismos para reter aqui os jovens no nosso município, ou na ilha, mas os que quiserem sair por outros motivos, tudo bem. Agora, nós temos que nos esforçar cada vez mais para criar condições para que os jovens tenham opções de escolha. Ou seja, quando terminarem uma formação, terem emprego aqui, ou noutro ponto do país. Agora, da forma como estamos aqui ainda não existem alternativas para os jovens. Portanto, a situação é preocupante, mas acreditamos que com o ensino superior aqui, certamente que teremos maiores oportunidades para jovens formados conseguirem emprego aqui e não terão necessidade de sair. É que muitas vezes os jovens saem para estudar no Mindelo ou na Praia e depois surge uma oportunidade de emprego nestas cidades e depois não haverá essa vontade de regressar e assim ficamos cada mais pobres em termos de talentos. Esta fuga de talentos é preocupante para Santo Antão e seus municípios, pois estamos sempre a começar do zero justamente por causa do problema da oportunidade de formação e de emprego.
Segundo os agricultores, a falta de mão-de-obra está a afectar esta actividade sobretudo no tempo de azáguas. Quais as razões desta situação?
A agricultura nos últimos anos tem sido muito pouco cativante para os jovens. É que ainda praticamos uma agricultura do tempo dos nossos avós, ou mesmo bisavós. Aquilo que nós pretendemos é ter uma agricultura cada vez mais industrializada, porque só desta forma é que a economia ganha. É que praticando uma agricultura rudimentar, nós não vamos a lado nenhum. Por isso acreditamos que com o ensino superior poderemos mudar a forma de praticar a agricultura, mesmo também a questão da economia de escala, porque não havendo escala é também difícil. Como disse atrás, o projecto de Fomento de Práticas Agrícolas Sustentáveis vai ao encontro daquilo que nós queremos para a agricultura, apostando na transformação, conversação e embalagem dos produtos, criando assim toda uma logística para que as pessoas possam constatar no terreno que a agricultura está a dar resultados. Porque, caso contrário, vamos continuar com a monocultura da cana-de-açúcar, que, como se costuma dizer, é a lei do menor esforço. Ou seja, se não conseguirmos vender a nossa aguardente ela fica lá conservada no armazém até o dia em que conseguirmos vendê-la. Não é isso o que nós queremos, queremos que o agricultor tenha dinheiro disponível todos os dias. E isso só acontece se formos capazes de industrializar a nossa agricultura para podermos também darmos uma resposta no âmbito da demanda turística. Estamos optimistas quanto ao turismo, mas para isso temos que ter também produtos para colocarmos nos restaurantes, nos hotéis para não ficarmos sempre a importar tudo, quando aqui no nosso município temos potencialidades para enveredarmos para uma agricultura que dê realmente resposta ao mercado, que contribua para a segurança alimentar e que crie rendimento para as famílias.
A aposta na agroindústria seria uma forma inovadora de contornar o embargo, como afirmou a este semanário numa entrevista anterior?
É o que eu tinha dito então: não podemos ficar parados por causa do embargo. Temos que contornar o embargo. E contornar o embargo é apostar cada vez mais forte na agroindústria. E hoje com as oportunidades de financiamento proporcionadas pelo governo estaremos em melhores condições. Ou seja, apostar na agroindústria, aumento da escala, a valorização dos produtos, a conservação, a transformação e os entrepostos agrícolas, o de Janela e o do interior do vale vêm neste momento dar resposta àquilo que queremos que é contornar a praga dos mil pés e mostrar aos agricultores que mesmo com a situação de embargo, nós podemos fazer muito. Mas se ficarmos a escudar-nos com a praga dos mil pés, nós não vamos a lado nenhum.
Em relação à questão da mobilização da água a sua mensagem é para mudar, é para poupar a água. Explique.
De facto, a minha mensagem é para continuarmos a fazer uma melhor gestão da água. Porque é difícil acreditar que um município como Paul tenha problemas com escassez de água principalmente para rega. Em outros municípios que nada produzem em termos de água, estão a tirar melhor proveito, estão a conseguir produzir mais produtos agrícolas que o município do Paul, porque os agricultores insistem na rega por alagamento. Depois de quatro anos de seca não há água para todos desta forma e mais para frente, cada vez com menos chuvas, continuaremos a ter este problema. Portanto, o projecto Práticas Agrícolas Sustentáveis tem também a vertente de sensibilização das pessoas para a poupança de água através do sistema de rega gota-a-gota. Isto é preciso mesmo, porque se não qualquer dia não vamos ter água. Já estamos atrasados, mas ainda vamos a tempo de reverter a situação se tomarmos consciência que é preciso mudar.
A requalificação da orla marítima, por causa da segurança dos moradores da cidade é uma das grandes preocupações dos munícipes. Quando arranca o projecto?
A requalificação da orla marítima é, de facto, uma preocupação. Há bem pucos dias tivemos a notícia de que o governo lançou um concurso técnico internacional para o projecto de requalificação, porque não temos aqui no país técnicos para elaboração do projecto. Portanto, estamos todos satisfeitos com o lançamento do concurso, pois a situação continua preocupante e cada vez mais as casas mesmo na orla marítima estão em perigo de derrocada. Fez-se um trabalho de mitigação, mas isto não é suficiente para resolver o problema. Temos também uma grande preocupação que é o campo de futebol. Neste momento somos o único município que não tem um campo de futebol e isto já começa a ficar preocupante. Temos dialogado com o sr. primeiro-ministro que nos garantiu que vamos juntos dar essa resposta não através da construção de um estádio de raiz, mas através de uma construção faseada que com o tempo irá evoluir para um estádio. Mas neste momento do que nós precisamos são as condições mínimas para a prática do futebol aqui no nosso município, pois neste momento somos obrigados a levar os nossos atletas para Ribeira Grande para treinar e para jugar e é preciso dar essa resposta aqui no nosso município para podermos ter mais oportunidades e mais infraestruturas para ocupação do tempo livre dos jovens.
Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1071 de 8 de Junho de 2022.
29.10.12
Como descodificar os prazos de validade da comida
Por Alexandra Prado Coelho, in Público on-line
Alimentos fora do prazo de validade não aparecem habitualmente nas lojas em Portugal, diz a DECO-Proteste. Mas, depois de a Grécia ter anunciado que os supermercados vão poder vender alimentos não perecíveis fora do prazo a preços mais baixos, é importante saber que nem todos os alimentos fora de prazo representam riscos para a saúde.
A Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), em resposta ao PÚBLICO, diz que cumpre rigorosamente a lei, não vendendo produtos fora do prazo, mas acrescenta que “se o Governo entender flexibilizar a legislação, garantindo a segurança alimentar, o sector está disponível para encontrar soluções que ajudem o consumidor nesta conjuntura tão adversa”.
O fundamental, explicou ao PÚBLICO Dulce Ricardo, engenheira alimentar daquela organização de defesa dos direitos dos consumidores, é que se perceba a diferença entre as duas indicações que aparecem nas etiquetas: “consumir até” ou “consumir preferencialmente antes de”. No primeiro caso, o consumo depois da data indicada pode ter riscos para a saúde. No segundo, pode haver alteração das características dos alimentos, mas não um risco para a saúde.
No primeiro grupo estão os alimentos perecíveis, como a carne picada, as salsichas frescas, o queijo fresco, o leite do dia, os bolos com creme. Aí, diz Dulce Ricardo, “a data deve ser rigorosamente cumprida”, caso contrário corre-se o risco de uma toxinfecção alimentar. A lei proíbe claramente a venda depois da data indicada, e se os produtos não forem retirados dos estabelecimentos ficam em “incumprimento legal”. A técnica deixa um aviso: “Um alimento contaminado pode ter um aspecto perfeitamente normal”. A presença de salmonelas, por exemplo, não é detectável nem pelo aspecto nem pelo cheiro do alimento.
Lei omissa
Quanto aos alimentos não perecíveis, a decisão cabe sobretudo ao consumidor. “Se a data indicada em ‘consumir preferencialmente antes de’ for ultrapassada pode haver implicações a nível nutricional que fazem com que o alimento não esteja em condições perfeitas – pode, por exemplo, ter ranço se for um produto com gordura, ou podem verificar-se alterações na coloração ou na textura. Nestes casos, “a lei é omissa”, explica a técnica da DECO. “O produto não deve estar à venda, mas poderá estar”.
Em Portugal, não é prática da distribuição pôr alimentos à venda depois do prazo, quer num caso quer no outro. “Há um respeito por essas datas”, diz Dulce Ricardo. O que pode é haver promoções quando os produtos estão já próximos do fim do prazo, e o que a DECO aconselha é que os consumidores estejam atentos às datas nessas promoções e “não comprem para além da quantidade necessária”. As informações recolhidas pela DECO indicam que em Portugal os consumidores estão bastante atentos aos prazos de validade e distinguem entre o “consumir até” e o “consumir preferencialmente antes de”.
A revista da Tetra Pak, que publicou recentemente um número dedicado ao desperdício de alimentos, cita um estudo da Food Standarts Agency (FSA) britânica segundo a qual “apenas 36 % das pessoas sabem que os alimentos cujo prazo de validade expirou podem, na maior parte dos casos, ser consumidos”. Os mais jovens revelam “mais confiança nessas indicações [das embalagens] do que no seu próprio julgamento e deitam fora produtos sem primeiro os cheirar ou provar”.
Data definida pelo produtor
A data colocada na embalagem é definida pelo produtor. Mas, diz ainda a revista, “não é incomum que o fabricante coloque uma determinada data sabendo que o produto se manterá em perfeitas condições de consumo durante muito mais tempo sem se deteriorar”. Isto pode levar a um enorme desperdício de produtos em bom estado – dados da FAO (a Agência para a Alimentação e Agricultura das Nações Unidas) indicam que a quantidade de alimentos desperdiçados na Europa e Estados Unidos é de 95 a 115 quilos per capita por ano.
Uma medida como a que foi tomada na Grécia (e que abrange apenas os produtos não perecíveis) seria ou não possível em Portugal? “Não podemos dizer que há um risco”, afirma Dulce Ricardo. Mas a posição da DECO é a de que o cliente “tem o direito de consumir o produto nas condições devidas”. A organização dos direitos dos consumidores defende que para estes “é mais vantajoso que o produto seja à partida colocado à venda a um preço mais baixo”, o que permitira um escoamento mais rápido e evitaria que se chegasse perto dos prazos de validade. António Salvador Barreto, coordenador do mestrado em Segurança Alimentar da Universidade Técnica de Lisboa, lembra também que “a indicação do tempo de vida útil é da responsabilidade do agente económico”, ou seja, do produtor, e que este não está interessado em correr riscos dando prazos muito alargados. Mas, reconhecendo que em muitos casos há produtos que se mantêm em boas condições depois do prazo, Barreto admite a eventualidade de poderem ser usados desde que sujeitos a supervisão até serem consumidos.
Servir em cantinas?
Isto significa que poderiam ser servidos por exemplo em cantinas (onde seria possível inspectores sanitários verificarem o seu estado até ao prato) mas não serem vendidos aos consumidores para que estes os levem para casa e avaliem, sem terem os conhecimentos técnicos necessários, as condições desses alimentos.
A FSA britânica disse recentemente que a crise está a fazer com que no Reino Unido haja cada vez mais pessoas a consumir alimentos passada a data, correndo riscos para a saúde. Um terço das pessoas ouvidas num inquérito disse estar a recorrer mais à análise cheiro/aspecto para decidir se consumia ou não um alimento. Para ajudar nessa decisão, a FSA tinha já, em Dezembro de 2011, indicado que os ovos podem ser consumidos até dois dias depois da data da embalagem, “desde que devidamente cozinhados”.
Em Portugal, sublinha ainda a APED, a distribuição tem tomado medidas para tentar reduzir o desperdício alimentar, investindo “na eficiência da cadeia de frio, num controlo rigoroso da gestão de stocks e das validades dos produtos e em técnicas avançadas de conservação”.
Alimentos fora do prazo de validade não aparecem habitualmente nas lojas em Portugal, diz a DECO-Proteste. Mas, depois de a Grécia ter anunciado que os supermercados vão poder vender alimentos não perecíveis fora do prazo a preços mais baixos, é importante saber que nem todos os alimentos fora de prazo representam riscos para a saúde.
A Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), em resposta ao PÚBLICO, diz que cumpre rigorosamente a lei, não vendendo produtos fora do prazo, mas acrescenta que “se o Governo entender flexibilizar a legislação, garantindo a segurança alimentar, o sector está disponível para encontrar soluções que ajudem o consumidor nesta conjuntura tão adversa”.
O fundamental, explicou ao PÚBLICO Dulce Ricardo, engenheira alimentar daquela organização de defesa dos direitos dos consumidores, é que se perceba a diferença entre as duas indicações que aparecem nas etiquetas: “consumir até” ou “consumir preferencialmente antes de”. No primeiro caso, o consumo depois da data indicada pode ter riscos para a saúde. No segundo, pode haver alteração das características dos alimentos, mas não um risco para a saúde.
No primeiro grupo estão os alimentos perecíveis, como a carne picada, as salsichas frescas, o queijo fresco, o leite do dia, os bolos com creme. Aí, diz Dulce Ricardo, “a data deve ser rigorosamente cumprida”, caso contrário corre-se o risco de uma toxinfecção alimentar. A lei proíbe claramente a venda depois da data indicada, e se os produtos não forem retirados dos estabelecimentos ficam em “incumprimento legal”. A técnica deixa um aviso: “Um alimento contaminado pode ter um aspecto perfeitamente normal”. A presença de salmonelas, por exemplo, não é detectável nem pelo aspecto nem pelo cheiro do alimento.
Lei omissa
Quanto aos alimentos não perecíveis, a decisão cabe sobretudo ao consumidor. “Se a data indicada em ‘consumir preferencialmente antes de’ for ultrapassada pode haver implicações a nível nutricional que fazem com que o alimento não esteja em condições perfeitas – pode, por exemplo, ter ranço se for um produto com gordura, ou podem verificar-se alterações na coloração ou na textura. Nestes casos, “a lei é omissa”, explica a técnica da DECO. “O produto não deve estar à venda, mas poderá estar”.
Em Portugal, não é prática da distribuição pôr alimentos à venda depois do prazo, quer num caso quer no outro. “Há um respeito por essas datas”, diz Dulce Ricardo. O que pode é haver promoções quando os produtos estão já próximos do fim do prazo, e o que a DECO aconselha é que os consumidores estejam atentos às datas nessas promoções e “não comprem para além da quantidade necessária”. As informações recolhidas pela DECO indicam que em Portugal os consumidores estão bastante atentos aos prazos de validade e distinguem entre o “consumir até” e o “consumir preferencialmente antes de”.
A revista da Tetra Pak, que publicou recentemente um número dedicado ao desperdício de alimentos, cita um estudo da Food Standarts Agency (FSA) britânica segundo a qual “apenas 36 % das pessoas sabem que os alimentos cujo prazo de validade expirou podem, na maior parte dos casos, ser consumidos”. Os mais jovens revelam “mais confiança nessas indicações [das embalagens] do que no seu próprio julgamento e deitam fora produtos sem primeiro os cheirar ou provar”.
Data definida pelo produtor
A data colocada na embalagem é definida pelo produtor. Mas, diz ainda a revista, “não é incomum que o fabricante coloque uma determinada data sabendo que o produto se manterá em perfeitas condições de consumo durante muito mais tempo sem se deteriorar”. Isto pode levar a um enorme desperdício de produtos em bom estado – dados da FAO (a Agência para a Alimentação e Agricultura das Nações Unidas) indicam que a quantidade de alimentos desperdiçados na Europa e Estados Unidos é de 95 a 115 quilos per capita por ano.
Uma medida como a que foi tomada na Grécia (e que abrange apenas os produtos não perecíveis) seria ou não possível em Portugal? “Não podemos dizer que há um risco”, afirma Dulce Ricardo. Mas a posição da DECO é a de que o cliente “tem o direito de consumir o produto nas condições devidas”. A organização dos direitos dos consumidores defende que para estes “é mais vantajoso que o produto seja à partida colocado à venda a um preço mais baixo”, o que permitira um escoamento mais rápido e evitaria que se chegasse perto dos prazos de validade. António Salvador Barreto, coordenador do mestrado em Segurança Alimentar da Universidade Técnica de Lisboa, lembra também que “a indicação do tempo de vida útil é da responsabilidade do agente económico”, ou seja, do produtor, e que este não está interessado em correr riscos dando prazos muito alargados. Mas, reconhecendo que em muitos casos há produtos que se mantêm em boas condições depois do prazo, Barreto admite a eventualidade de poderem ser usados desde que sujeitos a supervisão até serem consumidos.
Servir em cantinas?
Isto significa que poderiam ser servidos por exemplo em cantinas (onde seria possível inspectores sanitários verificarem o seu estado até ao prato) mas não serem vendidos aos consumidores para que estes os levem para casa e avaliem, sem terem os conhecimentos técnicos necessários, as condições desses alimentos.
A FSA britânica disse recentemente que a crise está a fazer com que no Reino Unido haja cada vez mais pessoas a consumir alimentos passada a data, correndo riscos para a saúde. Um terço das pessoas ouvidas num inquérito disse estar a recorrer mais à análise cheiro/aspecto para decidir se consumia ou não um alimento. Para ajudar nessa decisão, a FSA tinha já, em Dezembro de 2011, indicado que os ovos podem ser consumidos até dois dias depois da data da embalagem, “desde que devidamente cozinhados”.
Em Portugal, sublinha ainda a APED, a distribuição tem tomado medidas para tentar reduzir o desperdício alimentar, investindo “na eficiência da cadeia de frio, num controlo rigoroso da gestão de stocks e das validades dos produtos e em técnicas avançadas de conservação”.
29.7.12
Ninguém fiscaliza carne, ovos e peixe que comemos
Miguel Gonçalves, in Jornal de Notícias
Carne, mel, leite, ovos e peixe de aquacultura que comemos estão sem qualquer tipo de fiscalização. A Deco fala em "perigo para a saúde pública". A APDC exige explicações da ministra da Agricultura.
"Em janeiro e fevereiro não fizemos qualquer recolha de amostras para conferir se os produtores estão ou não a contaminar, com substâncias ilegais, as carnes, leite, ovos, mel e peixe. Em março foram feitas muito poucas recolhas de amostras - talvez umas 600 -, mas apenas no Centro e Sul do país. E desde então para cá estamos entregues à nossa sorte. É o que Deus quiser. Não há qualquer controlo. Ninguém pode garantir se o que andamos a comer está ou não contaminado por, por exemplo, medicamento proibidos ou produtos de crescimento rápido, que são muito bons para quem quer obter lucros imediatos, mas prejudiciais para a saúde humana", disse, ao JN, uma fonte da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica.
Instado reiteradamente pelo JN a pronunciar-se sobre este assunto, o Ministério da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território limitou-se a fornecer dados da fiscalização de 2011, recusou fornecer elementos de 2012, mas não desmentiu que se esteja, neste momento, sem qualquer controlo.
Carne, mel, leite, ovos e peixe de aquacultura que comemos estão sem qualquer tipo de fiscalização. A Deco fala em "perigo para a saúde pública". A APDC exige explicações da ministra da Agricultura.
"Em janeiro e fevereiro não fizemos qualquer recolha de amostras para conferir se os produtores estão ou não a contaminar, com substâncias ilegais, as carnes, leite, ovos, mel e peixe. Em março foram feitas muito poucas recolhas de amostras - talvez umas 600 -, mas apenas no Centro e Sul do país. E desde então para cá estamos entregues à nossa sorte. É o que Deus quiser. Não há qualquer controlo. Ninguém pode garantir se o que andamos a comer está ou não contaminado por, por exemplo, medicamento proibidos ou produtos de crescimento rápido, que são muito bons para quem quer obter lucros imediatos, mas prejudiciais para a saúde humana", disse, ao JN, uma fonte da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica.
Instado reiteradamente pelo JN a pronunciar-se sobre este assunto, o Ministério da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território limitou-se a fornecer dados da fiscalização de 2011, recusou fornecer elementos de 2012, mas não desmentiu que se esteja, neste momento, sem qualquer controlo.
16.7.12
CPLP discute Segurança Alimentar para acabar com 28 milhões de subnutridos
Por Marta Portocarrero, in Público on-line
A Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) começa nesta segunda-feira em Maputo. O objectivo é implementar uma estratégia para erradicar a fome e a pobreza. 28 milhões é o número de pessoas subnutridas nos países da CPLP.
A Estratégia de Segurança Alimentar e Nutricional da CPLP será apresentada na próxima quarta-feira, 18 de Julho, e já foi aprovada há cerca de um ano pelo Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional da CPLP (CONSAN), órgão especialmente criado para governar a sua condução que se reúne pela primeira vez em Maputo.
Para erradicar a fome e a pobreza, foram definidas três áreas de intervenção. A primeira medida pretende fomentar o diálogo entre governantes e sociedade civil, emitindo recomendações aos governos, com vista à publicação de nova legislação sobre a matéria. Na sexta-feira, 20, deverá resultar do encontro uma declaração final com alguns compromissos governamentais.
Nos oito estados membros da CPLP contam-se quase 28 milhões de subnutridos. Angola e Moçambique são os países mais afectados, apresentando 44% e 37 % da população nestas condições, respectivamente, segundo estatísticas da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) e o International Food Policy Research Institute. Em Portugal este número é inferior a 5%.
Os portugueses mais vulneráveis abrangem idosos, trabalhadores precários e desempregados, muitas vezes vítimas de “fome escondida”, uma carência não explícita de um ou mais micronutrientes no organismo. Outros países incluem nesta lista pequenos produtores.
É junto deste último grupo que a terceira área de intervenção da Estratégia pretende actuar para aumentar a disponibilidade de alimentos, canalizando recursos económicos para os canais de distribuição mais necessitados.
Outra área de intervenção da Estratégia visa prestar apoio imediato aos grupos mais vulneráveis à fome, procurando formas que promovam o seu acesso e utilização dos alimentos. Segundo a nota informativa “From Charity to Entitlement”, de Oliver Schutter, relatador especial das Nações Unidas no Direito à Alimentação, publicada em Junho de 2012, 925 milhões de pessoas a nível mundial são vítimas deste problema.
Além dos ministros da Agricultura dos países membros da CPLP, a cimeira contará com participantes estrangeiros que representarão a FAO, as Nações Unidas e a Comissão Europeia.
A Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) começa nesta segunda-feira em Maputo. O objectivo é implementar uma estratégia para erradicar a fome e a pobreza. 28 milhões é o número de pessoas subnutridas nos países da CPLP.
A Estratégia de Segurança Alimentar e Nutricional da CPLP será apresentada na próxima quarta-feira, 18 de Julho, e já foi aprovada há cerca de um ano pelo Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional da CPLP (CONSAN), órgão especialmente criado para governar a sua condução que se reúne pela primeira vez em Maputo.
Para erradicar a fome e a pobreza, foram definidas três áreas de intervenção. A primeira medida pretende fomentar o diálogo entre governantes e sociedade civil, emitindo recomendações aos governos, com vista à publicação de nova legislação sobre a matéria. Na sexta-feira, 20, deverá resultar do encontro uma declaração final com alguns compromissos governamentais.
Nos oito estados membros da CPLP contam-se quase 28 milhões de subnutridos. Angola e Moçambique são os países mais afectados, apresentando 44% e 37 % da população nestas condições, respectivamente, segundo estatísticas da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) e o International Food Policy Research Institute. Em Portugal este número é inferior a 5%.
Os portugueses mais vulneráveis abrangem idosos, trabalhadores precários e desempregados, muitas vezes vítimas de “fome escondida”, uma carência não explícita de um ou mais micronutrientes no organismo. Outros países incluem nesta lista pequenos produtores.
É junto deste último grupo que a terceira área de intervenção da Estratégia pretende actuar para aumentar a disponibilidade de alimentos, canalizando recursos económicos para os canais de distribuição mais necessitados.
Outra área de intervenção da Estratégia visa prestar apoio imediato aos grupos mais vulneráveis à fome, procurando formas que promovam o seu acesso e utilização dos alimentos. Segundo a nota informativa “From Charity to Entitlement”, de Oliver Schutter, relatador especial das Nações Unidas no Direito à Alimentação, publicada em Junho de 2012, 925 milhões de pessoas a nível mundial são vítimas deste problema.
Além dos ministros da Agricultura dos países membros da CPLP, a cimeira contará com participantes estrangeiros que representarão a FAO, as Nações Unidas e a Comissão Europeia.
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