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25.2.21

Economia e emprego é o que mais preocupa

Rafael Barbosa, in DN

Pessimismo maior entre os eleitores do PS e do PSD quanto aos impactos da pandemia.

Os portugueses estão muito preocupados com a pandemia (55%), reconhecem as grandes alterações que introduziu nas suas vidas (49%), estão maioritariamente apreensivos com os efeitos na economia e no emprego (50%), mas também destacam o impacto elevado na sua saúde e bem-estar emocional (58%).

De acordo com os resultados da sondagem da Aximage para o DN, o JN e a TSF, são agora um pouco menos os inquiridos "muito" preocupados com as consequências da pandemia: eram 62% em novembro passado, quando estávamos em plena segunda vaga, são agora 55%, quando a terceira vaga parece já ter passado. Ao contrário, cresceu a percentagem dos que estão no patamar imediatamente abaixo: 37% estão "bastante" preocupados. Pouco ou nada preocupados são apenas 5%.


Entre os que estão mais preocupados avultam os que têm 65 ou mais anos (67%), os mais pobres (65%) e os que residem na Área Metropolitana do Porto (63%). Os eleitores do PS e do PSD também se destacam pelo pessimismo (66% em ambos os casos), muito acima da média dos eleitores dos restantes partidos.

Quando se pergunta pelas consequências em concreto, os maiores receios têm que ver com a economia e o emprego (50%), em particular entre os residentes da Área Metropolitana de Lisboa (55%), os que têm 35 a 49 anos (62%) e os que votam no Chega (63%). Seguem-se os efeitos sobre a saúde física (30%), com ênfase particular nos mais velhos (38%) e nos eleitores comunistas (51%) e bloquistas (44%). Os efeitos sobre a saúde e o bem-estar emocional são a maior preocupação para 16%, e de novo com os mais velhos em destaque (26%).

Quando a pergunta afunila para os impactos na saúde e no bem-estar emocional, percebe-se, aliás, que o impacto está a ser grande ou muito grande para 58% da população, com os residentes mais jovens e os que vivem na região do Porto entre os mais preocupados (65%).

rafael@jn.pt

17.12.20

Quatro em cada cinco pessoas estão no local de trabalho habitual

Pedro Crisóstomo, in Público on-line

Quem estava a trabalhar antes da crise, como está agora? Cerca de quatro em cada cinco pessoas continuam a trabalhar no mesmo local, a larga maioria a tempo inteiro. Da primeira para a segunda vaga diminuíram os casos de layoff e de teletrabalho, assistindo-se a uma tendência de regresso à actividade nos locais habituais, revela um inquérito à população realizado pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica Portuguesa (CESOP) para o PÚBLICO e RTP.

Um dos pontos do estudo, realizado entre 4 e 11 de Dezembro, passou por avaliar a situação laboral das pessoas que já estavam a trabalhar antes da pandemia.



Neste momento, uma larga maioria diz estar a exercer a actividade no local habitual onde se encontrava antes da crise sanitária (82%), ao contrário do que se passava em Abril, em que só 36% dos 1315 inquiridos diziam estar nessa situação. A distribuição entre pessoas em layoff, desemprego, sem actividade e subsídio de assistência à família era, na altura, mais equilibrada do que está hoje.

Ao mesmo tempo, 10% dizem estar em teletrabalho, quando há oito meses eram 23% os referiam estar a trabalhar a partir de casa. É preciso, no entanto, ter em atenção que as pessoas que responderam a este inquérito em Dezembro não são as mesmas que responderam aos estudos anteriores (em Abril, Maio e Julho).



O teletrabalho voltou a ser obrigatório em Novembro para os trabalhadores com funções compatíveis com o trabalho à distância, mas, ao contrário do que aconteceu na primeira fase do confinamento, não é uma exigência para todo o território, só é obrigatória nos concelhos de risco elevado, muito elevado e extremo, que variam de 15 em 15 dias.

Um estudo do Banco de Portugal, de Outubro, concluiu que o teletrabalho aumentou durante a pandemia, sobretudo nos cidadãos mais escolarizados e com mais remuneração. Ao longo do segundo semestre chegou a ser utilizado por cerca de metade das empresas, abrangendo 21% dos trabalhadores. Mas foi assimilado de forma desigual, com uma menor utilização pelos trabalhadores menos escolarizados e com remunerações mais baixas, dadas as funções. Uma “dimensão adicional em que a crise pandémica levanta questões de desigualdade”, como sublinharam as autoras, Sónia Cabral e Ana Catarina Pimenta.



Dificuldade com despesas

A queda a fundo da economia e as implicações salariais da redução do número de horas trabalhadas — associado ao layoff — reflecte-se igualmente na quebra dos rendimentos das famílias.

No inquérito da CESOP, um quarto dos inquiridos (26%) diz que o seu agregado familiar tem hoje menos rendimento do que antes da crise; mas a maioria (69%) responde que tem um nível de rendimento idêntico, havendo 5% que revelam ter um rendimento superior (0,2% disseram não saber ou não responderam ou disseram não saber).



Entre aqueles que enfrentam uma quebra, a maior franja pertence aos que ficaram com um nível de perderam 66% ou mais do seu nível de rendimento. Ainda assim, os resultados mostram uma tendência de recuperação para a maioria das famílias em relação aos estudos anteriores.

O CESOP perguntou também se, nos últimos 12 meses, as pessoas tiveram dificuldades em pagar determinadas despesas no prazo previsto.



Para os inquiridos que têm rendas ou prestações de habitação para pagar, 9% disseram ter tido ou ter dificuldades neste momento; nas contas de electricidades, água e gás, essa percentagem foi de 10%. No caso das despesas de alimentação, aconteceu com 8%. E entre aqueles que têm despesas de educação houve 6% que revelaram dificuldades nos pagamentos.

E com 2021 à porta e uma pandemia ainda sem fim à vista, que perspectivas têm os trabalhadores em relação à sua situação laboral? O CESOP perguntou aos inquiridos quão provável consideram o cenário de perderem a sua actividade profissional no próximo ano. Metade (51%) afirmam ser nada provável; quase um terço (31%) consideram pouco provável; em contraponto, 11% admitem que é algo provável e 5% muito provável (2% não sabiam ou não responderam).


Aumentar

À pergunta sobre quão provável é encontrar emprego ou retomar a actividade em 2021, há um equilíbrio entre os que consideram pouco provável (34%) e os que a encaram como algo provável (32%), havendo ainda 15% a indicar que isso é nada provável e outros 15% a responder que é muito provável (4% não sabiam ou não responderam).

Questionados ainda sobre quando pensam voltar a fazer férias fora de casa, a maioria respondeu esperar que isso aconteça no Verão (54%). Alguns apontaram já para este Natal ou Passagem de Ano (2%), outros para o Carnaval (2%) ou a Páscoa (8%). Mas há ainda uma percentagem significativa que não pensa fazer férias tão cedo (18%). Outros acreditam que só o farão em 2022 (8%). Há ainda 3% que apontam para o próximo Outono e 5% que pensam que tal só acontecerá daqui a um ano, no Natal de 2021/passagem de ano para 2022.

Ficha técnica
Este inquérito foi realizado pelo CESOP-Universidade Católica Portuguesa para a RTP e para o PÚBLICO entre os dias 4 e 11 de Dezembro de 2020. O universo alvo é composto pelos eleitores residentes em Portugal. Os inquiridos foram seleccionados aleatoriamente a partir duma lista de números de telemóvel e telefone fixo, também ela gerada de forma aleatória. Todas as entrevistas foram efectuadas por telefone (CATI). Os inquiridos foram informados do objectivo do estudo e demonstraram vontade de participar. Foram obtidos 1315 inquéritos válidos, sendo 48 dos inquiridos mulheres, 30% da região Norte, 20% do Centro, 36% da Área Metropolitana de Lisboa, 6% do Alentejo, 4% do Algarve, 2% da Madeira e 2% dos Açores. Todos os resultados obtidos foram depois ponderados de acordo com a distribuição da população por sexo, escalões etários e região com base no recenseamento eleitoral e nas estimativas do INE. A taxa de resposta foi de 34%. A margem de erro máximo associado a uma amostra aleatória de 1315 inquiridos é de 2 7 com um nível de confiança de 95%.

23.7.20

Metade dos jovens entre 18 e 24 anos diz que a sua saúde mental piorou com a pandemia

Alexandra Campos, in Público on-line

A resposta do Serviço Nacional de Saúde à pandemia tem sido positiva ou mesmo muito positiva, defende mais de metade dos inquiridos numa sondagem da Universidade Católica.

A pandemia de covid-19, que obrigou ao confinamento e a um grande número de restrições, está a ter um impacto significativo no estado de saúde mental dos jovens. Os mais velhos, aqueles em que se concentra a maior taxa de mortalidade, parecem estar a lidar melhor com a adversidade e sentem-se menos afectados.

Globalmente, a maior parte do total das pessoas que responderam ao inquérito feito pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião (Cesop) da Universidade Católica para o PÚBLICO e para a RTP diz que o seu estado de saúde mental não se alterou com a pandemia, apesar de uma franja considerável, perto de um terço, se sentir pior.

A sensação de que o estado de saúde mental se deteriorou nestes meses singulares é mais prevalecente nas mulheres do que nos homens, mas é entre os mais jovens (dos 18 aos 24 anos) que os efeitos da pandemia no estado psíquico estão a ser mais perniciosos. No total, responderam 1217 pessoas ao inquérito feito entre os dias 13 e 17 deste mês.

Quase metade dos jovens entre os 18 e os 24 anos considera que o seu estado de saúde mental se agravou nos últimos meses, enquanto, entre os mais velhos (65 ou mais anos), apenas 17% dizem sentir-se pior do que antes da pandemia.

Um fenómeno que já tem sido, aliás, detectado e assinado noutros estudos, com os idosos a revelarem-se menos afectados, tanto no que se refere a sintomas de depressão como de ansiedade e stress. Talvez porque, como especulam os investigadores, já passaram por períodos muito complicados antes, o que lhes permite relativizar a situação actual.

O impacto da pandemia no estado de saúde físico é substancialmente inferior. Apenas 15% dos inquiridos dizem que agora se sentem pior, enquanto quase quatro quintos passaram incólumes por estes meses conturbados e 6% até se estão a sentir melhor. A este nível, são os mais jovens e os mais velhos que mais se queixam e as mulheres bem mais do que os homens, um padrão já igualmente encontrado em inquéritos anteriores.
Resposta a segunda vaga gera dúvidas

A resposta do Serviço Nacional de Saúde (SNS) à pandemia merece globalmente nota positiva nesta sondagem. Apesar de ter estado debaixo de fogo nas últimas semanas, depois de uma primeira fase de grandes elogios, globalmente, os inquiridos defendem, do que constatam e têm observado nas notícias, que a resposta do SNS tem sido positiva e nem sequer se percepcionam diferenças assinaláveis entre os diversos sectores da sociedade nesta matéria. Mais de metade respondem que a forma como o SNS está a responder à pandemia está a ser muito boa ou boa, um terço, razoável, e apenas 10% julgam que é má ou muito má.


Já quando se pergunta se acham que o SNS vai ser capaz de aguentar uma eventual segunda vaga de covid-19, apesar de os inquiridos revelarem alguma confiança, o que sobressai das respostas são as dúvidas. A incerteza é óbvia, uma vez que apenas 15% acreditam categoricamente que sim (“de certeza”) e a maior parte antevê que “provavelmente sim”, enquanto um terço responde que não ou “provavelmente não”.

Relativamente ao futuro e às expectativas sobre a evolução da saúde, os inquiridos mostram-se divididos. Em função daquilo que conhecem actualmente, cerca de um terço imagina que Portugal estará pior dentro de dois anos, outro terço crê que vai estar igual e 29%, melhor. A este nível, não se observam diferenças nas respostas em função de características socioeconómicas das pessoas que responderam ao inquérito.

A linha de aconselhamento psicológico do serviço SNS 24 atendeu mais de 23 mil chamadas desde que foi criada no início da pandemia da covid-19, revelou esta segunda-feira a ministra da Saúde. Desde o dia 1 de Abril que o SNS 24 disponibiliza uma linha de aconselhamento psicológico destinada a profissionais de saúde, protecção civil, forças de segurança e população em geral, tendo em conta a prioridade atribuída à saúde mental neste período.



5.9.12

A Europa do Sul tem medo da crise, a do Norte teme mais a doença

Por Fábio Monteiro, in Público on-line

A população europeia é diferente de país para país, porém o maior medo é comum: a crise. Nesta terça-feira, é divulgado um estudo realizado pelo centro de sondagens GkF para o National Geographic Channel, que sugere que 82% dos cidadãos europeus têm como maior medo a crise económica e as suas consequências.

Já se sabia que a instabilidade económica da Europa andava a perturbar o sono de muitos cidadãos e o que estudo da GkF faz é dar uma ideia de quantos sofrerão de “insónias”. Cerca de 82% dos inquiridos – em mais de 4000 entrevistas a cidadãos de 16 países europeus – declararam que o principal medo é a crise económica, sendo que este é mais significativo nos países a Sul, como Espanha (64%), Grécia (57%), Itália (55%) e Portugal (49%).

No Norte da Europa e na Alemanha há mais receios relacionados com problemas de saúde do que com a crise. Cerca de 41% dos inquiridos pôs a saúde em primeiro lugar, contrastando com os 33% que optaram pela crise. Os cidadãos que menos se inquietam com a recessão são os russos (23% dos inquiridos).

Imediatamente a seguir à crise económica, no topo dos receios dos europeus, estão a saúde (77%), o futuro das novas gerações (56%) e catástrofes naturais (48%).

Os resultados desta sondagem vão ao encontro de um dos principais temas da actualidade: a falta de confiança nas instituições económicas e políticas nacionais e internacionais. Apenas 3,2% dos europeus confia nos partidos políticos.

Assim, em caso de colapso económico ou catástrofe natural, estes confiariam primeiro em si próprios, como foi dito por 61% dos inquiridos. No mesmo cenário, 36% confiariam na polícia e no exército, ao passo que as organizações não-governamentais foram preferidas por 24%.

Imediatamente a seguir à crise económica, no topo dos receios dos europeus, estão a saúde (77%), o futuro das novas gerações (56%) e catástrofes naturais (48%).

Portugal, por sua vez, aparece destacado como o país que dá mais importância à prevenção de catástrofes naturais (83%), em detrimento da França, onde estes acontecimentos parecem não representar grande preocupação (9%).

Depois da crise, da saúde, do futuro e das catástrofes, os inquiridos apontaram ainda como fontes de preocupação o desemprego (37%), o colapso mundial (29%), a bancarrota (26%), a perda da soberania nacional (27%), os cortes nas pensões (23%) e o terrorismo (22%) – um medo que é mais notório na Noruega, Rússia, Reino Unido e Turquia do que nos países do Sul da Europa.

A mesma sondagem revelou ainda que a estabilidade económica é tida como garantia de segurança. Por exemplo, 49,4% dos europeus acredita que a Alemanha é o país mais seguro em caso de colapso, tanto económico como ambiental, seguida pela Noruega e Reino Unido.

A sondagem foi realizada online, com uma amostra de mais de 4000 pessoas de ambos os sexos, com idades compreendidas entre os 18 e os 49 anos em Espanha, Portugal, França, Itália, Alemanha, Reino Unido, Holanda, Dinamarca, Noruega, Finlândia, Estónia, Polónia, Rússia, Grécia, Turquia e Bulgária.