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5.6.20

Exclusão de viajantes europeus na UE é inaceitável

in DNoticias

A Comissão Europeia sublinha que eventuais restrições adotadas por Estados-membros à entrada de outros cidadãos da União Europeia (UE) nos seus territórios são “inaceitáveis” e “discriminatórias”, garantindo que intervirá caso isso se concretize.

“Se isto estiver a acontecer, teremos de analisar o que poderá ser feito. São claras situações discriminatórias que, por princípio, não são aceitáveis”, declarou em entrevista à agência Lusa, em Bruxelas, o comissário europeu dos Direitos Sociais, Nicolas Schmit.

Questionado pela Lusa sobre anúncios já feitos por alguns Estados-membros relativamente à reabertura seletiva das fronteiras após o controlo da pandemia de covid-19 -- como foi o caso da Grécia, que disse que não iria permitir viagens com origem em Portugal --, o responsável disse ainda não ter sido formalmente informado sobre quaisquer restrições.

Porém, observou que “todo o tipo de discriminação [de cidadãos europeus] neste formato é inaceitável”.

“Não é possível dizer que as pessoas deste país podem entrar, mas outras não podem”, insistiu o comissário europeu, referindo que “este não é um comportamento compatível com os valores [europeus] fundamentais no que toca à não-discriminação”.

“As regras são uma coisa, mas discriminar pessoas com base na sua nacionalidade é inaceitável”, adiantou o responsável à Lusa.

Na passada sexta-feira, a Grécia divulgou uma lista de 29 países de onde aceitará voos diretos a partir de 15 de junho, devendo a lista ser aumentada em 01 de julho, como forma de retomar o turismo.

Porém, para já, a lista não inclui Estados-membros como Portugal ou Itália, sendo antes dada ‘luz verde’ a viajantes de países como China, Austrália, Coreia do Sul, entre outros.

Esta segunda-feira, Itália veio alertar para que, apesar da reabertura das suas fronteiras internacionais esta semana, vai mantê-las fechadas aos países que impõem restrições de entrada a cidadãos italianos, devido ao princípio da reciprocidade.

Já na terça-feira, a Alemanha anunciou que levantará no dia 15 de junho a advertência sobre viagens turísticas à Europa devido à pandemia de covid-19, embora ainda a mantenha para Espanha e Noruega.
Entre encerramentos intempestivos e reaberturas caso a caso, os 27 países da UE ainda não se coordenaram na gestão das aberturas de fronteiras.

Em meados de maio, e após a suspensão por mais de dois meses das viagens nacionais e dentro da UE para tentar conter a covid-19, a Comissão Europeia propôs aos Estados-membros critérios para a reabertura gradual das fronteiras internas da UE no atual contexto da pandemia da covid-19, entre os quais as condições sanitárias, sublinhando que deve ser respeitado o princípio da não-discriminação.

Com a pandemia a estabilizar na Europa, Bruxelas considera a retoma da livre circulação e das viagens transfronteiriças como fundamentais para o turismo, pelo que aconselhou os países a, à medida que conseguirem conter a circulação do novo coronavírus, substituírem as restrições gerais à livre circulação por medidas mais específicas e dirigidas.


21.8.18

Portugueses são dos que menos gastam em viagens turísticas

in Sapo24

Os portugueses são dos cidadãos europeus que menos gastam em deslocações de turismo, ao desembolsar em média 136 euros por viagem turística, menos de metade da média da União Europeia (UE), de 336 euros, revelam dados hoje divulgados pelo Eurostat.

Os dados do Eurostat, gabinete oficial de estatísticas da UE, sobre “quem gasta mais nas férias”, com números referentes a 2016, revelam que quem mais gasta, em média, são os luxemburgueses, com 768 euros por cada deslocação turística (uma ou mais noites), seguidos dos malteses (646 euros) e dos austríacos (607), enquanto no extremo oposto da lista se encontram os letões (107 euros), romenos (124), checos (129) e portugueses (136).
Em termos absolutos, quem mais gasta em férias são os alemães, que, tendo despendido 120 mil milhões de euros (com uma média de 443 euros por viagem), representaram 28% da despesa turística da UE, que atingiu em 2016 os 428 mil milhões de euros.

Do montante total gasto pelos cidadãos comunitários em viagens turísticas em 2016, 45% foi despendido no seu país de residência (turismo doméstico) e 55% noutros países, sendo que 66% dos gastos de férias dos portugueses foram em turismo doméstico, o quinto valor mais alto da União.

26.3.14

Dromomania: a síndrome do “mochileiro” à conquista da crise

Texto de Diogo Azeredo, in Público on-line (P3)

Têm uma vontade incontrolável de viajar e fazem-no com poucos recursos. Quirino Tomás, Jorge Vassallo e Pedro Moreira são jovens e sofrem de dromomania: não querem parar de viajar


Os portugueses viajam cada vez menos e os hábitos alteraram-se com a crise: 17,4% optam por fazer menos férias, 47,3% dos inquiridos viaja apenas uma vez por ano e 16% admite não viajar de todo. Nos 28 países que da União Europeia, Portugal é penúltimo — apenas à frente da Bulgária — enquanto país de viajantes. São estas as conclusões do inquérito realizado pela EasyJet em 2013, em que mais de metade dos inquiridos admite possuir um orçamento de viagens reduzido face ao ano anterior. Ainda assim, é possível encontrar histórias de sucesso de portugueses que abraçaram um estilo de vida isento ao bolso roto, não fosse nele o dinheiro algo acessório: o "mochileiro".

Quirino Tomás é um desses casos. A vontade de viajar despoletou aos 14 anos, quando acompanhou a irmã num InterRail. "Aí foi plantada em mim uma semente que despontou na altura da faculdade. Tudo correu sempre bem e a experiência foi de tal modo enriquecedora que percebi que era isso que queria fazer na minha vida: viajar pelo mundo".

Hoje já passou por mais de 25 países, distribuídos entre Europa e Ásia, sendo a maior das suas estadias uma experiência de três meses e meio na China. "Dormir numa montanha com trabalhadores humildes da construção e viajar durante 15 dias no país com um nativo, em que a única maneira de comunicar era com recurso às traduções de um smartphone", foram dois dos momentos que mais o marcaram e que Quirino vai registando online.

Em relação ao actual contexto de crise económica, Quirino considera que os portugueses perderam a capacidade de sonhar. "Estamos acomodados, tacanhos e amorfos e não conseguimos ver que há mais vida fora do défice, da crise e da nossa pequenez", diz, acrescentando que "na maioria dos casos as pessoas investem em coisas ocas e vazias como bens materiais". "A viagem pode ser um investimento de sensações, experiências, aprendizagens, desafios, aventuras e o retorno que traz é algo que nunca um bem material trará."

"Quando voltei já não era a mesma pessoa"

Foi o que Jorge Vassallo pensou há dez anos, quando deixou o emprego numa agência de publicidade. "Foi o resultado de um longo processo que, de certa forma, começou com os meus InterRail nos anos 90. Decidi largar o emprego, vender o carro e deixar a casa que tinha alugado. A ideia era viajar durante um ano e depois assentar outra vez, mas quando voltei já não era a mesma pessoa", explica.

Actualmente, Jorge trabalha como líder de viagens na agência Nomad mas dedica-se igualmente à escrita. Além de escrever um blogue, o livro "Até onde vais com 1000 euros?" foi redigido juntamente com o amigo Carlos Carneiro. "Pegámos em duas bicicletas e saímos de Lisboa para o Sul, rumo a África, e fomos até Dakar, no Senegal", conta. Confessa-se "absolutamente dromomaníaco" e os cerca de 65 países pelos quais já deambulou são prova disso mesmo. O preferido? "Sem dúvida a Índia. Fui muitas vezes e por longas temporadas, é a minha segunda casa, tenho grandes amigos e sei que vou sempre voltar."

Em relação à alteração nos hábitos de viagem dos portugueses, Jorge admite que a ideia imediata é que, de facto, os portugueses viajam menos. "Mas o facto é que me cruzo cada vez com mais portugueses por aí", diz. "Se calhar, a crise afecta mais as agências tradicionais e aqueles que viajam em excursão. Quanto a mochileiros, cada vez encontro mais." Existe até, continua, uma "comunidade informal" de mochileiros portugueses, "pessoas que se cruzam por aí e que comunicam através de blogues".

"Voltei a Inglaterra, despedi-me e parti"

"Pedro On The Road", epíteto de António Pedro Moreira, viajou pela primeira vez na companhia dos pais quando tinha 13 anos. Desde então foi acumulando viagens até 2009, ano em que partiu para a Índia. "Em Goa fui parar a uma visita e dei por mim num grupo de mais de 20 pessoas — e eu era o que viajava há menos tempo. Aí pensei: são apenas pessoas e, se eles podem, eu também posso. Voltei a Inglaterra, despedi-me e parti em viagem", partilha.

Uma viagem que durou nove meses e meio, 20 mil quilómetros percorridos por terra, 314 boleias e que ficou retratada no livro "Daqui Ali". Entre os vários episódios, Pedro recorda quando, no Irão, depois duma boleia com dois homens que não falavam uma frase de inglês, acabou a partilhar um bidão de vodka caseira e uma Fanta lima, no meio das montanhas. "Passei a noite num quarto num estábulo, com vários cavalos. Foram para aí 20 amigos ver a novidade que era o europeu, isto numa vila com 50 pessoas. No dia seguinte deram-me boleia para a estação de autocarros, o equivalente a dez euros e uma pulseirinha que hoje ainda trago", partilha entre risos.

Pedro, agora em cima da bicicleta, partiu de Vale de Cambra e encontra-se a meio de nova viagem com destino à África do Sul. Sobre a crise ser desculpa para os portugueses viajarem menos, Pedro é directo. "Quando fui para a Ásia, queria gastar dez euros por dia. Tive 284 dias em viagem e gastei onze. Agora em África, estou a pensar gastar entre 15 a 20. Às vezes, as pessoas dizem que não podem viajar porque não têm dinheiro. Pensam que viajar é algo que custa dez mil euros ou assim. Sempre posso dizer que três mil euros não é dinheiro que se encontre aí em qualquer lado mas também não é assim nenhuma fortuna."

3.5.13

Mais viagens para visitar familiares e amigos mas menos por lazer

in Jornal de Notícias

As viagens dos turistas portugueses aumentaram 12,4% no último trimestre do 2012, em termos homólogos, com "aumentos significativos" das visitas a familiares e amigos e alojamento gratuito e à queda das deslocações por lazer, segundo o Instituto Nacional de Estatística.

Lazer deixou de ser motivo principal nas viagens dos portugueses

O Instituto Nacional de Estatísticas (INE) divulgou, esta quinta-feira, no relatório sobre a procura turística dos residentes que, no quarto trimestre do ano passado, os portugueses efetuaram quatro milhões de viagens turísticas, ou seja, mais 12,4% do que em igual período de 2011.

A subida ficou a dever-se "aos aumentos significativos" das viagens de visitas a familiares e amigos, que cresceram 22,5%, e de profissionais e de negócios, que subiram 21,1%, em contraste com as deslocações de lazer, recreio ou férias que caíram 5,9% nos últimos três meses de 2012.

Face aos resultados de 2012 (provisórios), o motivo mais expressivo passou a ser a visita a familiares ou amigos, que reuniu 46% do total de viagens realizadas durante 2012 (42,7% em 2011), seguido pelo lazer, recreio ou férias, de 42,1% (45,6% em 2011) e pelas viagens profissionais ou de negócios que concentraram 7,2% do total de 2012 (6,5% em 2011).

"Estes resultados revelam uma assinalável alteração de estrutura na motivação dos residentes para viajar face aos anos anteriores, em que o lazer, recreio ou férias constituía a principal motivação para viajar, agora substituído pela maior importância dada a visitas a familiares ou amigos, a que não será alheia a atual conjuntura económica", frisa o INE.

Mais viagens em dezembro

De acordo com o instituto, 13,1% dos turistas portugueses, mais 0,8 pontos percentuais, fizeram pelo menos uma viagem turística em dezembro de 2012, especialmente para celebrar os períodos festivos do Natal e Ano Novo.

O mês de dezembro concentrou 48,8% do total de deslocações turísticas realizadas. Em outubro viajaram 7,1% dos residentes, enquanto em novembro o valor baixou para apenas 6%.

Relativamente aos turistas que visitaram familiares ou amigos, verificou-se um aumento de 67,2% em dezembro, pelo contrário o lazer, o recreio ou as férias revelaram no quatro trimestre "o menor peso face aos anteriores trimestres", tendo sido atingidos os valores mínimos do ano nos meses de novembro (23,5%) e dezembro (24,3%).

Escolha pelo avião diminuiu

Quanto à distribuição dos turistas por grupos de idade, observa-se "um peso ligeiramente crescente" entre 45 e 64 anos de idade, de 31,5%, e entre 25 e 44 anos de 31,3%.

Também as viagens para o estrangeiro diminuíram o seu peso de 9,1% para 8,1% do total no quarto trimestre do ano passado.

Verifica-se ainda no mesmo período que a escolha do avião diminuiu para 7,3%, aumentando o automóvel para 81,3%.

O conjunto dos outros meios de transporte (outros veículos particulares, rodoviário coletivo, ferroviário e marítimo) representou 11,3% do total, um aumento de 1,8 pontos percentuais face a 2011.

Dormidas em alojamento gratuito cresceram

O INE destaca também que 78,7% do total de deslocações efetuadas no quarto trimestre de 2012 foram de curta duração, até três noites, tendo as dormidas totalizado 12,1 milhões, mais 3,4%, em termos homólogos.

O número médio de pernoitas por viagem situou-se em 2,99 (redução homóloga de 8,0%) e as dormidas em alojamento gratuito cresceram 7,8%.

Para o total do ano 2012 (valores provisórios), o número global de dormidas associadas às viagens dos residentes fixou-se em 69,9 milhões, um aumento de 2,3% face a 2011, traduzindo-se numa redução de 9,1% na dormida média por viagem (de 4,50 em 2011 para 4,09 em 2012).