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10.8.23

Descansar não é um luxo, mas um direito e um dever

Rosália  Amorim, opinião, in DN

Férias são sinónimo de balanço. O tempo e o espaço das férias de verão permitem redefinir prioridades, fazer um ponto de situação da vida profissional e da forma como ela afeta a saúde, vida familiar e lazer. Mesmo quando se fica em casa é importante manter longe o stress habitual. O período de férias pode ser o momento ideal para refletir e avaliar o caminho para a autorrealização, bem-estar e felicidade. Sim, felicidade, essa expressão que, para muitos, é tabu, mas que é um autêntico motor para lutar e viver.

Descansar não é um luxo, mas uma necessidade orgânica. É uma paragem na correria do dia a dia, que evita paragens forçadas no resto do ano. As pessoas que passam anos sem tirar férias, e até se regozijam disso, correm o risco de rebentar, ou seja, de atingir um desgaste físico e psicológico de tal ordem alto que acabam, muitas vezes, por desenvolver quadros de burnout, alertam os médicos. Podem surgir sintomas de depressão, dores de cabeça, alterações do sono, dificuldades de atenção, concentração e raciocínio, aponta a Ordem dos Psicólogos. Parar para descansar é um direito merecido e um dever essencial para a saúde mental e que não deve ser descurado.

Muitos não conseguem desligar da rotina e do stress, ou porque o trabalho realmente não lhe dá paz e descanso, ou porque falta dinheiro na carteira da família, ou porque, pura e simplesmente, não consegue puxar o botão do on para off. Planear as férias ajuda, resolver antecipadamente problemas pendentes também e não alimentar preocupações com o trabalho são fatores essenciais para conseguir respirar.

Continuar a atender telefonemas e a responder a e-mails é deitar lenha na fogueira do desgaste. Quando as pessoas conseguem finalmente parar e desligar o piloto automático fazem mais facilmente um exercício de autoconhecimento e pensam nos tais balanços, sem perder rumo e o sentido de vida. Um cérebro mais descansado é um cérebro mais produtivo e criativo.


Dormir bem e alimentar-se melhor, conviver com amigos e família e não fazer fretes é o melhor remédio para voltar reenergizado.

12.8.22

Os ciclos das férias em família

Inês Teotónio Pereira, in Dinheiro Vivo

O primeiro ciclo é o da infância. Ninguém nasce preparado para levar um balde para praia que no final do dia teve como função principal servir para as crianças fazerem cocó. Ninguém tira 22 úteis de férias para acordar à mesma hora que nos outros dias do ano mas sem sítio para largar os filhos e ir trabalhar. Neste primeiro ciclo de férias de família os filhos são o próprio trabalho. A areia no carro, os cremes protetores, as idas aos parques, os gelados a derreterem, o calor, as sestas que nos cortam os dias, o cansaço que nos boicota as noites, as birras que nos afastam dos amigos.

Lembro-me de invejar furiosamente as pessoas que dormiam ou liam na praia enquanto eu estava de férias com os meus filhos. Automatizar a logística de uma ida à praia com três, quatro ou seis filhos pequenos devia fazer parte do currículo assim como o voluntariado já faz. Sim, no final são sempre tempos maravilhosos que guardamos na memória e no coração, mas alguém teve de se lembrar de levar um saco de plástico para forrar o dito balde ou o dia de praia teria sido um dia de terror. E isto são coisas que não aparecem nas fotografias.

Segundo ciclo: a pré-adolescência. É quando queremos que eles vão à vidinha deles mas eles não vão. Ficam colados a nós como as moscas moles de verão, infelizes, derrotados pela vida, revoltados porque ali, naquela praia paradisíaca, não há um sofá, Netflix, Wi-Fi, não está o melhor amigo e não querem conhecer mais ninguém, falar com pessoas novas que nós queremos que eles falem ou sair dali. "Olha ali aquele rapaz da tua idade, vai brincar com ele". Claro que não vai, nós também não íamos: não é por o rapaz ter a mesma idade que é brincável, mas nós queremos aquelas trombas longe dali, queremos férias. E é assim que eles passam os dias, naquele metro quadrado, colados a nós até os libertarmos das férias em família. Bem que os sacudimos, mas nada, sem o melhor amigo e fartos dos irmãos, nada os move.

O terceiro ciclo é o da juventude e é o segundo melhor ciclo de todos. Cada um para o seu lado que é como deve ser. Os pais fazem a sua vidinha e os filhos a deles; encontramo-nos em casa ao final do dia, conversamos ao jantar e avistamo-nos na praia. Livres uns dos outros porque férias é pão com pasta de atum, toalhas duras de tanto sal, jantares a horas indecentes sem cabeças contadas porque cabe sempre mais um, programas à última da hora e crianças a dormir pelos cantos porque de repente esquecemo-nos delas. Férias em família nestas idades? Não sei, já não tenho idade para descer a Costa.

Quarto ciclo: o ciclo sem filhos. Logo, é o melhor ciclo de todos. É o ciclo em que os filhos trabalham e também eles têm 22 dias úteis de férias. Ora, se tudo correr bem, em princípio estes filhos não deverão querer gastar esses 22 dias de férias com os pais - a menos que sofram de adolescência prolongada -, mas sim, a viajar por esse mundo fora durante o ano ou, lá está, a descer e a subir a Costa. Três dias de férias com os pais chegam e sobram. E assim, voltamos a ser só nós, apenas os pais, os amigos deles, livros, a praia, jantaradas, sem horas, sem destino, nem planos, sem compromissos. Não sei como será, não sei se chegarei lá, nem sei quanto tempo durará, mas todos os anos, no pico das férias em família, imagino com saudade como deverá ser.

21.7.22

Depois de dois anos de restrições, esperados mais emigrantes em Portugal no Verão

in Público

Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Paulo Cafofo, espera que “possam perspectivar em Portugal uma oportunidade de investir”. Associação Cap Magellan tem previstas várias acções de acolhimento e esclarecimento em três pontos da fronteira portuguesa: Vilar Formoso, Vila Nova de Raia e Valença.

Após dois anos de restrições impostas pela pandemia de covid-19, é esperada uma forte presença de emigrantes em Portugal nestas férias de Verão, o que é motivo de regozijo, mas também de preocupações com a segurança rodoviária.

“Teremos este ano uma presença significativa, após dois anos de pandemia, em que as viagens tiveram restrições e as próprias pessoas acabaram por não se deslocar tanto como habitualmente faziam”, disse à agência Lusa o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Paulo Cafofo.

E adiantou: “Será um ano em cheio para Portugal acolher de braços abertos os portugueses e portuguesas que estão no mundo”.

Para Paulo Cafofo é grande a expectativa em relação à presença de emigrantes portugueses e luso-descendentes em Portugal nestas férias, restabelecendo assim uma ligação física ao país que a pandemia interrompeu. “Desejamos um regresso com boa energia, que tragam não só o seu exemplo daquilo que nos dão enquanto inspiração de quem vence na vida com muito empreendedorismo e coragem, mas também tragam investimentos”, referiu. “Também é um dos nossos objectivos que estes portugueses mantenham a ligação com o país, com as visitas, a deslocação, mas também que possam perspectivar em Portugal uma oportunidade de investir, de realizar sonhos e, por isso, esperamos que venham em segurança”, adiantou.

Paulo Cafofo, que estará na fronteira de Vilar Formoso no próximo dia 30, numa sessão de boas-vindas aos emigrantes portugueses, alertou para a necessidade de as viagens serem feitas em segurança, de modo a que este seja um regresso “em alegria”.

Especialmente atenta a este regresso rodoviário, a associação Cap Magellan tem previstas várias acções de acolhimento e esclarecimento em três pontos da fronteira portuguesa: Vilar Formoso, Vila Nova de Raia e Valença.

A Cap Magellan, uma associação de jovens lusófonos da Europa, que promove a língua portuguesa, a cultura lusófona e acções de cidadania, promove este ano a 20ª edição da campanha de segurança rodoviária que visa alertar para os perigos das longas viagens, como a fadiga e o excesso de velocidade.

Gabriela Vieira, coordenadora desta campanha de segurança rodoviária, explicou à Lusa que são esperados muitos emigrantes portugueses nas estradas portuguesas, rumo a Portugal.

Este ano, disse, o lema da campanha é “Vamos salvar vidas” e Gabriela Vieira está certa que esta recepção aos portugueses que vivem no estrangeiro ajuda nesse propósito.

Nestes três locais os voluntários da Cap Magellan irão distribuir sacos com ofertas e lembrar mais uma vez que é preciso fazer uma pausa na condução de duas em duas horas.

“O emigrante quer chegar a casa o mais depressa possível, mas é preciso parar e descansar, ainda mais com os fogos que assolam muitos dos países que atravessam”, referiu.

20.7.22

GNR sensibiliza emigrantes portugueses sobre regras para regularizar armas

in Expresso

As ações de sensibilização que estão a decorrer envolvem questões como as armas herdadas, mas também pretendem elucidar a população para o que são armas proibidas e armas ilegais

A Guarda Nacional Republicana (GNR) promove até dia 16 de agosto, junto dos emigrantes portugueses e seus familiares, diversas ações de sensibilização sobre as regras para regularizar armas em Portugal, nos principais pontos de fronteira terrestre.

Em comunicado, a GNR explica que estas ações sobre o Regime Jurídico das Armas e Munições (RJAM), que arrancaram no dia 15, decorrem igualmente nas localidades com maior afluência de emigrantes portugueses que passam férias em Portugal.

A GNR lembra que é uma das entidades com competência para fiscalizar e para sensibilizar a população nesta matéria e que as normas em vigor “têm suscitado algumas dúvidas por parte dos vários cidadãos, nomeadamente quando se torna necessário efetuar regularizações de armas de fogo em certas circunstâncias”.

Os quesitos legais do RJAM foram alterados antes do período pandémico.

Segundo a GNR, as ações de sensibilização que estão a decorrer envolvem questões como as armas herdadas, mas também pretendem elucidar a população para o que são armas proibidas e armas ilegais.

“Uma arma proibida não pode mesmo ser usada, enquanto uma arma legal pode estar na posse da pessoa, mas precisa de licença e documento válido. As pessoas por vezes não sabem e, como é crime, acabam por ser detidas”, explicou à Lusa o capitão João Gaspar, da GNR.

13.7.20

Empresas impõem férias com corte salarial a pessoal em layoff

Victor Ferreira, in Público on-line

Inspectores e especialista em direito falam em dupla ilegalidade, porque não pode haver férias durante a suspensão do contrato nem há redução salarial para 66%. Mas há pareceres contraditórios.

Há empresas a impor férias a trabalhadores que estão em layoff. ​É uma situação, ilegal segundo um dos maiores especialistas de direito laboral no país e de inspectores da Autoridade para as Condições do Trabalho consultados pelo PÚBLICO.

Essas mesmas empresas, embora paguem o subsídio de férias por inteiro, como manda a lei, cometem uma segunda ilegalidade, segundo as mesmas fontes, porque se refugiam nas regras do layoff, que prevê o corte de 33% no salário, para continuarem a pagar só 66% da remuneração.

“Isso é patético”, reage com veemência Fausto Leite, advogado especialista em Direito do Trabalho. “Um trabalhador ou tem o contrato de trabalho suspenso ou tem o contrato de trabalho em vigor e, neste caso, pode ou não estar de férias. Estar em layoff e em férias em simultâneo é um disparate jurídico, que deve ser denunciado e travado”, comenta o mesmo especialista. “Além do mais, em férias, tem-se direito à totalidade do salário”, acrescenta. “Recorram aos tribunais, se for preciso, para travar isto.”

Ainda que haja serviços da ACT a dizer isto mesmo a quem telefona a pedir esclarecimentos, a própria ACT enviou parecer a uma empresa a dizer o contrário. E no site da Direcção-geral do Emprego e das Relações de Trabalho, também se afirma que “havendo acordo” poderá manter-se a marcação das férias, e as mesmas serem gozadas com o trabalhador a receber durante as férias “o valor da compensação retributiva acrescido do subsídio de férias, total ou proporcional, que lhe seria devido sem qualquer redução”.

Layoff “não afecta” férias, diz a lei

O último dia de Junho poderia ser, como noutros anos, a antecâmara da época principal de férias de dezenas de milhares de trabalhadores, que escolhem os meses de Julho e de Agosto para gozar as férias.

Porém, a pandemia trocou as voltas aos cerca de 850 mil trabalhadores atirados para o layoff simplificado (quantos continuam, não se sabe, já que o Governo nunca o disse e as estatísticas no site do ministério do Trabalho não são actualizadas desde o dia 23 de Junho).

Em vez de se fazer malas de férias, 30 de Junho de 2020 é o último dia para as empresas pedirem acesso ao layoff simplificado (ver texto). E pode ser um dia de mais conflitualidade laboral, às portas da época alta em que as escolas já estão de férias e dezenas de milhares de empresas continuam a lidar com as consequências da covid-19.

Fausto Leite aponta para o Código do Trabalho (CT). “O artigo 306.º é claro quando diz que o tempo de redução ou suspensão não afecta o vencimento e a duração do período de férias”. Portanto, não se pode estar de férias com o contrato suspenso, nem quando se tem redução de horário, que é a outra modalidade do layoff. “Não se pode trabalhar de manhã e à tarde estar de férias. É um disparate”, insiste.

E prossegue: “Quem está em férias, não pode estar em layoff ao mesmo tempo e, além disso, tem direito a 100% da sua remuneração normal, exceptuando obviamente o subsídio de alimentação, uma vez que se está em férias não vai para o trabalho. O mesmo artigo afirma que a redução ou suspensão não prejudica a marcação e o gozo de férias, nos termos gerais, tendo o trabalhador direito ao pagamento pelo empregador do subsídio de férias devido em condições normais de trabalho. Ora, indo ver o que diz o diploma sobre os termos gerais, nada se encontra que autorize estas empresas a impor períodos de férias a contratos suspensos e muito menos a cortar na remuneração, como se eles estivessem em layoff.”

As alterações legislativas do teletrabalho


Esses termos gerais estão definidos no mesmo CT, nos artigos 237.º em diante. As férias são marcadas “por mútuo acordo", insiste o advogado, embora ressalve que a própria lei prevê soluções no caso de não haver acordo. Mas Fausto Leite aponta sobretudo para o artigo 243.º, que estipula que as férias já marcadas só podem ser alteradas ou interrompidas “por exigências imperiosas do funcionamento da empresa”.

“Exigências imperiosas são circunstâncias absolutamente extraordinárias e só nesses casos poderá a empresa alterar ou interromper o período das férias, tendo o trabalhador o direito a indemnização pelos prejuízos sofridos por deixar de gozar as férias no período marcado, como diz a lei”, sublinha o mesmo especialista.
Três casos no Norte

Nos últimos dias, o PÚBLICO tentou perceber a dimensão do problema junto de partidos, sindicatos e da própria Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) que, na semana passada, revelou ter detectado numerosos atropelos à lei por parte de empresas (por vezes com a colaboração dos próprios trabalhadores).

Dois inspectores desta autoridade, um do Minho e outro de Lisboa, disseram ao PÚBLICO que, até ao momento, não há registo de muitos pedidos de informação ou de denúncias de tentativas de marcação de férias com cortes salariais a trabalhadores suspensos pelo layoff. “Temos ouvido de tudo, até trabalhadores em layoff que são substituídos por contratados a prazo só porque a administração não gosta deles e prefere tê-los em casa”, disse um inspector que presta serviço no Minho, e que pede para ser não identificado.

O mesmo inspector admite, contudo, que a aproximação de Julho e Agosto poderá levar a um aumento deste tipo de participações. Carla Cardoso, inspectora da ACT em Lisboa e dirigente sindical, diz o mesmo. “A entrada no período alto de férias pode levar a um aumento desta conflitualidade”, afirma.


O que não é matéria especulativa, para nenhum destes dois inspectores, é que ninguém pode ser obrigado a gozar férias enquanto estiver em layoff. Consequentemente, ninguém poderá ver o salário cortado para dois terços da remuneração enquanto estiver de férias. “Essa é a informação que temos e a que estamos a dar.”

Não é a primeira vez que há imposição de férias durante esta pandemia. Em Março, antes de haver layoff simplificado, muitas empresas recorreram férias até que houvesse decisões do Governo. Nessa altura, como o PÚBLICO noticiou, as férias foram uma solução de recurso enquanto não havia o layoff simplificado. Porém, o problema agora é bem diferente. E o regime simplificado baseia-se no que diz o CT que, na óptica das fontes contactadas nos últimos dias, não permite a acumulação de layoff e férias e correspondente corte de salário.

Ao PÚBLICO, chegaram relatos de situações destas em três empresas. E num dos casos há informação enviada por escrito pela ACT que contraria a leitura da lei que tem sido feita.
O estado de emergência não institui a impunidade laboral


Duas empresas são de Vila Nova de Gaia (uma é um grande produtor de bicicletas e a outra produz cabos). A outra é do concelho da Maia (e também produz cabos) e constitui “a situação mais premente”, diz Miguel Ângelo, do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do Ambiente do Norte (Site-Norte), filiado na CGTP.
Informações contraditórias

Segundo correspondência interna vista pelo PÚBLICO, esta empresa de 1000 trabalhadores e em layoff desde finais de Março, quer impor férias com corte de 33% no salário. Isso mesmo foi comunicado por e-mail pelo serviço de gestão de pessoal que, dada a contestação de trabalhadores e sindicatos, pediu um parecer ao Centro Local do Grande Porto da ACT. A resposta deste serviço, a que o PÚBLICO teve acesso, contraria o que um dos funcionários dessa empresa ouviu da ACT, quando ligou para lá.

Num e-mail oriundo do “gabinete da directora” desse centro local da ACT, cita-se o já mencionado artigo 306.º do CT e depois acrescenta-se que "estando as férias marcadas para este período, poderão ser gozadas, tendo o trabalhador direito a receber neste período o valor da compensação retributiva (correspondente a 2/3 da retribuição ou 635 euros, conforme o mais favorável)”.

21.8.18

Portugueses são dos que menos gastam em viagens turísticas

in Sapo24

Os portugueses são dos cidadãos europeus que menos gastam em deslocações de turismo, ao desembolsar em média 136 euros por viagem turística, menos de metade da média da União Europeia (UE), de 336 euros, revelam dados hoje divulgados pelo Eurostat.

Os dados do Eurostat, gabinete oficial de estatísticas da UE, sobre “quem gasta mais nas férias”, com números referentes a 2016, revelam que quem mais gasta, em média, são os luxemburgueses, com 768 euros por cada deslocação turística (uma ou mais noites), seguidos dos malteses (646 euros) e dos austríacos (607), enquanto no extremo oposto da lista se encontram os letões (107 euros), romenos (124), checos (129) e portugueses (136).
Em termos absolutos, quem mais gasta em férias são os alemães, que, tendo despendido 120 mil milhões de euros (com uma média de 443 euros por viagem), representaram 28% da despesa turística da UE, que atingiu em 2016 os 428 mil milhões de euros.

Do montante total gasto pelos cidadãos comunitários em viagens turísticas em 2016, 45% foi despendido no seu país de residência (turismo doméstico) e 55% noutros países, sendo que 66% dos gastos de férias dos portugueses foram em turismo doméstico, o quinto valor mais alto da União.

21.7.14

Estado corta nas férias dos mais pobres

in SicNotícias

O Estado vai deixar de financiar as férias de milhares de crianças e idosos carenciados. A decisão pode significar o fim das colonias de férias da Segurança Social.

14.2.14

Crise. Só 16% dos portugueses vão ficar sem férias em 2014

Por António Ribeiro Ferreira e Agência Lusa, in iOnline

Por outro lado, 22% admitem que a crise não afecta as férias

O Eurobarómetro revelado ontem em Bruxelas tem alguns dados interessantes sobre Portugal. A percentagem de inquiridos que dizem que a situação económica não tem impacto e irão de férias como em anos anteriores é metade da média europeia (22%), e a terceira mais baixa do conjunto da UE, apenas atrás da Grécia e de Chipre, mas são apenas 16% aqueles que dizem que a crise os impede de ir de férias este ano, pois os restantes contam viajar, ainda que adaptando os planos, sobretudo gastando menos ou indo por períodos mais curtos.

Dentro da União Europeia (UE), o turismo deverá registar novo aumento em 2014, com apenas 11% dos europeus a não preverem ir de férias este ano devido à actual situação económica. Segundo o Eurobarómetro sobre turismo, para 44% dos europeus a situação económica não altera os seus planos de férias, 33% contam ir de férias, embora alterando os seus planos, e apenas 11% indicam que este ano não viajarão (enquanto 4% nunca vão de férias e 8% ainda não sabem ou não responderam).

O inquérito, referente também a 2013, indica que no ano passado o sector foi um motor de crescimento económico, induzido pela procura interna, com mais pessoas a optarem por passar férias fora do seu próprio país, mas no território da UE: em 2013, 38% dos europeus passaram as férias principais noutro país da União, o que representa um aumento de 5 pontos percentuais em relação a 2012. Ao mesmo tempo, apenas 42% das pessoas passaram as férias principais no seu próprio país, o que representa uma diminuição de 5 pontos percentuais em relação a 2012, e apenas um quinto (19%) gozou as férias principais fora dos países da UE. A.R.F. com Lusa

29.7.13

Férias em tempo de crise. Soluções low cost para fugir à rotina

Por Marta Palma, in iOnline

O i revela os planos e as férias dos portugueses: casas de amigos, campismo ou períodos mais curtos são as tendências desta época balnear

Mário tem cinco anos e deu o primeiro beijo nestas férias de Verão. Esta é para já a grande novidade da semana de campismo da família. A rapariga que o faz corar enquanto abraça a mãe Isabel, de 35 anos, chama-se Maria e mora no "boogie" ao lado - gíria campista para a casinha com alpendre e mesa de madeira. É hora de almoço e Isabel prepara esparguete na companhia de uma amiga, que veio passar uns dias com a família. "Campismo já fazemos há alguns anos, até porque é mais saudável. Mas cada vez vimos mais preparados. Não dá para comer fora", conta Isabel. Durante anos Isabel passou férias num apartamento. Pela última semana numa casa na Costa de Caparica, destino preferido por ser perto de Lisboa, pagaram 600 euros. Ali, no boogie da Orbitur na Caparica, fica por 200 euros. "Acabamos por desfrutar na mesma mas sai mais em conta."

Apesar de os preços não aumentarem há dois anos, e de a tabela de época alta só entrar em vigor nos últimos dias de Julho, para ultrapassar a quebra na procura que dantes era alta do início ao fim das férias escolares, Conceição, com "casa" neste parque há 30 anos, conta que nunca o viu tão vazio. "Há menos portugueses mas também menos estrangeiros", diz nuns sorridentes 73 anos. Hoje tem uma roulotte com avançado mas começou na lide campista com uma tenda comprada nos antigos armazéns do Chiado nos anos 70. "Custou-me 70 contos, ainda foi um investimento."

Fazer férias sem derrapar no orçamento não é um malabarismo impossível. Mas até os parques de campismo, opção económica, começam a acusar truques adicionais. "Voltamos a ter mais campistas que só vêm com a tenda e menos caravanas. Há também mais pessoas a vir mais por períodos curtos, junto ao fim-de-semana", conta Maria Caetano, gestora do parque. Os estreantes topam-se na recepção: "Sobretudo quando pedem para ajudar a montar a tenda." Mesmo quando é daquelas que se montam quase instantaneamente: "Têm medo de ficar atrapalhados."

Em tempo de contenção, é preciso estar preparado para resistir às extravagâncias. Por mais inocentes que pareçam. Almoçar ou jantar em restaurantes, dormir em hotéis ou atravessar a fronteira são luxos de classe média que ficaram para trás. A regra sente-se no parque de campismo, onde há quem confesse que tinha casa no Algarve e prefere agora investir ali. A terminar a refeição com pêssegos para a sobremesa, a família Paias, de Mourão, diz que refeições fora só no primeiro e no último dia. Ficam seis dias no parque mas quando os filhos eram pequenos - Vânia tem 32 anos - chegavam a ser três meses. Agora é uma fugida rápida ao Alentejo, com Mariana, florista de 61 anos, a fazer contas à vida. Tem um casamento e uma procissão para decorar em Agosto. Depois disso, o mais certo é fechar portas. "Sou a única florista. Quem precisar daqui para a frente terá de ir a Reguengos."

Planos Para quem ainda está a trabalhar, as perspectivas não são mais animadoras. Mas férias, a bem ou a mal, são sagradas, mesmo que isso implique poupar "um pouco mais" no resto do ano. "Já me chega estar todos os dias a pensar como vou pagar a luz, o gás ou a escola dos meus dois filhos e, pior de tudo, já me basta ouvir falar da troika e dos desvarios do governo sempre que ligo a televisão", conta Luísa Artur, empregada de um café em Lisboa, que na segunda quinzena de Agosto ruma ao Algarve.

Fazer um intervalo na rotina é obrigatório. Mas apanhar um avião e aterrar num destino tropical são planos longe do imaginário dos portugueses. Até a ideia de hotel está em desuso. Contar com a boa vontade dos amigos para alojamento e cozinhar todos os dias é a solução low cost para a família de José António Custódio, motorista de táxi de Lisboa.

Algarve parece ser destino mais popular. Será mesmo? A Orbitur, o principal grupo de parques do país, tem recintos espalhados de Norte a Sul, mas são sobretudo os que ficam perto das grandes cidades, como o da Caparica. "Há preocupação com os combustíveis, as pessoas preferem ficar mais perto", explica Maria Caetano. Fazemos o teste com alguns interlocutores encontrados na rua: José Luís Ferreira, de Sintra, vai na mesma a Manta Rota. Ana Marques, moradora no Parque das Nações, em Lisboa, planeia passar uns dias com o namorado no Alvor. Se os destinos ainda são diversos, os sonhos também. Se houvesse dinheiro, haveria mais por onde escolher. "Gostava de conhecer a Escandinávia ou a Rússia", conta Carlos Rosado, do Montijo. "Gostava de ir a Angola", diz Anita D'Aversa a viver em Salvaterra de Magos. Nasceu lá e até hoje não conseguiu juntar para a viagem. "Queria muito ir ao México", confessa por outro lado Ana Marques.

Sonhar não empobrece e, até indicação contrária, não obriga "a pagar imposto", brinca Luísa Artur. Quem disser que, quando o Verão se aproxima, não risca os dias no calendário para se ver livre do trabalho e dos colegas está a mentir, diz José António Custódio. E, para terminar a conversa, quem não passa a outra metade do ano com saudades das férias que passaram, também é um "grande aldrabão", remata o taxista.

Memórias inéditas terão este ano Eulália e José, dois avós prestes a dormir numa tenda pela primeira vez. Uma correcção - interrompe José, de 66 anos. "Na tropa dormi em tendas, mas comparado com esses tempos isto é um luxo." É quarta-feira, primeiro dia da escapadinha na Caparica, e estão a desfrutar da hora de sesta em família. Eulália num colchão de ar e José a ajeitar-se, como pode, no chão. Desde o ano passado que a filha, o genro e os netos trocaram o apartamento no Algarve ou Porto Covo pelo iglo e a manta a fazer de terraço. "É muito mais em conta e os miúdos estão mais à vontade", resume Hugo Lopes, o pai, com 35 anos. "Vou festejar com uns mergulhos na praia e não é nada mau", brinca. Mas a "festa a sério" será no fim-de-semana, que há coisas na vida em que não se deve poupar.

Com Marta F. Reis e Kátia Catulo

28.6.13

Há mais portugueses que não abdicam de Verão com férias, apesar da crise

Ana Rute Silva, in Público on-line

Percentagem dos que tencionam descansar entre Junho e Setembro aumentou de 47% em 2012 para 50,2% em 2013.

Já se sabe que o contexto é difícil, que o orçamento familiar derrapa, que a confiança dos consumidores encolhe. Mas na hora de planear as férias, os portugueses não abdicam de uns dias de descanso nos meses de maior calor. Um estudo do IPDT, Instituto de Planeamento e Desenvolvimento do Turismo, a que o PÚBLICO teve acesso, mostra mesmo que a percentagem de pessoas que tencionam fazer férias entre Junho e Setembro aumentou de 47% em 2012 para 50,2% em 2013.

Quem decide manter os planos, terá tudo a que tem direito: férias fora da área de residência (67%). Este valor é superior aos 53% registados em 2012 pelo IPDT, que faz este estudo desde 2010. "Pelos dados globais, não há um decréscimo da intenção de fazer férias e há um aumento das férias fora de casa. Há, ainda, uma opção por destinos nacionais e de proximidade, um gasto menor, e a opção por estadas mais curtas", analisa António Jorge Costa presidente do Instituto de Turismo, associação privada que apoia o ensino e a investigação sobre o sector.

A percentagem de inquiridos que não vão gozar férias entre Junho e Setembro é quase igual à dos que não abdicam dos meses de calor para descansar de um ano de trabalho: 49,8%. Questionados sobre os motivos que os levam a não ter férias durante a época alta, 31% invocam razões financeiras, mas 24% indicam motivos de trabalho. Outros 24% esclarecem que "não costuma gozar férias" e 23% não têm por hábito escolher estes meses para descansar. O desemprego é a explicação avançada por 10% dos 500 inquiridos pelo IPDT.

Em tempo de contracção financeira, 21% dos portugueses que vão de férias este ano planeiam gastar menos, e 69% esperam gastar o mesmo. Entre os que querem despender menos dinheiro, 87% indicam motivos financeiros, 12% o aumento da carga fiscal.

O instituto quis saber também quais os destinos preferidos dos inquiridos que elegem o Verão como época por excelência de férias. Dos 67% que não vão estar em casa, 79% escolhem destinos nacionais, com destaque para o Algarve (44%), o Porto e região norte (12%). Cerca de 14% vão viajar pela Europa (Espanha é o país de referência para 7% da amostra), mas 3% ainda não tem destino certo.

Como seria de esperar, é em Agosto que a grande maioria prevê passar férias. Alugar casa é a primeira opção (33%), segue-se a casa emprestada por amigos e familiares (17%), percentagem próxima dos que indicam ter casa própria (16%). Apenas 15% escolhem hotéis de quatro e cinco estrelas. Quanto à duração, 82% vão tirar os mesmos dias e apenas 14% dizem gozar férias menos longas. De acordo com o estudo, há indícios de uma redução da duração média da estada, "o que se confirma pela análise deste indicador que em 2011 foi de 14,1 noites e em 2012 de 12,5 noites". Os turistas nacionais deslocam-se acompanhados pela família e amigos.

António Costa diz ainda que portugueses estão mais atentos à Internet e às promoções, optam por férias curtas e ofertas de última hora. Prova disso é a antecedência com que, este ano, reservaram férias. Se em 2013 60% escolheram e marcaram estada em Maio, em 2012 apenas 25% o fizeram.


6.8.12

57% dos portugueses vão trabalhar nas férias

Por Cátia Mateus, in Expresso

Em tempo de adversidade, já nem as férias são como antes. A tradicional “silly season” em que metade de Portugal parava é coisa do passado. Nas empresas o verão já é uma estação como outra qualquer, sem direito a paragens ou quebras de produtividade.

E entre os profissionais, há um número cada vez maior a admitir que as férias vão ser a trabalhar. A crise está a testar a dedicação profissional e para os especialistas, o fenómeno é preocupante.

À distancia de um telefonema. Assim vão estar 57% dos profissionais portugueses este verão. Segundo o último inquérito da Regus, realizado a 16 mil profissionais, são cada vez menos os profissionais que conseguem separa-se do trabalho durante as férias. Com a adversidade a ditar as regras no mundo dos negócios, às empresas nacionais não resta senão continuar a produção em ciclo contínuo, até porque os mercados internacionais não param. Longe vão os tempos em que Portugal, de norte a sul, ia a banhos em julho e agosto. Hoje os profissionais tiram metade das férias e trabalham enquanto apagam sol.

A adversidade não tira férias e, por consequência, Portugal não tem tempo para se bronzear. O cenário de empresas inteiras que encerravam portas e cessavam a sua produção durante o mês de agosto (tão comum em Portugal) deu lugar a escalas de férias repartidas e colaboradores que no seu período de descanso, vão continuar agarrados aos seus smartphones e portáteis a tratar de trabalho. A internacionalização dos negócios a uma escala global contribuiu para este inversão de tendência, mas para alguns especialistas, a crise é que está a ditar as regras não só pela necessidade de assegurar produção e rendimento, como também pelo medo do desemprego que está a fazer disparar o “presentismo laboral”.

A empresa especializada em soluções de local de trabalho, Regus tem vindo a estudar o fenómeno do desempenho profissional nacional. No seu último estudo, a empresa apurou que 57% dos profissionais portugueses vão trabalhar este verão, abdicando parcialmente do seu descanso. A maioria trabalhará cerca de três horas por dia durante as férias, enquanto a família vai à praia ou á piscina. Mas, entre estes profissionais persistentes que simplesmente não conseguem desligar-se do trabalho, há também uma minoria de verdadeiros trabalhadores compulsivos. De acordo com o relatório da Regus, “um em cada dez trabalhadores (8%) trabalhará mais de três horas por dia durante as férias, negligenciando a família para alimentar a sua dependência do trabalho”.

Mas há duas visões sobre esta realidade. Nuno Condinho, country manager da empresa em Portugal e Espanha, defende que “os atuais desenvolvimentos tecnológicos significam que os trabalhadores estão sempre online e é muito fácil sucumbir à tentação de consultar o email e realizar nele as tarefas solicitadas”. O líder enfatiza que “alem de trabalharem muito durante as feras, demasiados trabalhadores portugueses estão dependentes dos seus smartphones e notebooks, sendo que 29% declara mesmo que trabalhará um pouco menos que um dia normal”. Nuno Condinho reforça que a tecnologia não permite aos profissionais realizar a essencial e saudável pausa para descansar e para a família.

Mas para Regina Cruz, diretora da Albenture, uma empresa especializada em serviços de conciliação profissional, o que faz os profissionais abdicar das férias na totalidade ou partilhá-las com o trabalho é o medo do despedimento. Segundo especialista “a incerteza e o receio de perder o emprego são alguns dos factores que propagaram o ‘presentismo laboral’”. Regina Cruz explica que nos últimos cinco anos, “a crise acrescentou ao panorama laboral um fenómeno curioso, desconhecido para grande parte dos cidadãos e do muitos padecem sem que, na maioria dos casos se apercebam: a tendência de alargar a jornal laboral de modo a aparentar um maior volume de trabalho, devido ao receio de uma possível perda de emprego”.

Os especialistas enquadram a nova tendência no conceito de “presentismo laboral” e garantem que em Portugal se vive não só um menor absentismo laboral, como também uma diminuição das faltas injustificadas e uma mudança de atitude dos colaboradores que, muitas vezes chegam a predispor-se para ir trabalhar mesmo quando não há razões para esse esforço adicional. Para Cristina Cruz o fenómeno gera razões de preocupação. Por um lado porque “viver debaixo desta pressão além de colocar em risco a saúde dos colaboradores, provoca uma degradação do ambiente de trabalho que não ajuda nada na melhoria de resultados”, explica. Por outro, porque “o colaborador que ultrapassa o seu horário de trabalho, com o objetivo de que se note a sua presença na empresa, não é propriamente o mais produtivo”, explica acrescentando que “esse esforço adicional desnecessário pode ter repercussões negativas no âmbito pessoal que mais cedo ou mais tarde se vão notar, piorando o ambiente de trabalho”.

Quer Regina Cruz quer Nuno Condinho reconhecem que as empresas precisam de encontrar formas de controlar os horários produtivos de modo a garantir o equilíbrio dos seus profissionais a todos os níveis, incluindo o familiar. Ambos os especialistas concordam que a flexibilidade pode permitir bons resultados e a diretora-geral da Albenture acrescenta até que muitas empresas estão já a fazer reestruturações profundas. “É fundamental não fomentar o medo mas sim a confiança, mostrar ao funcionário a importância que tem o seu trabalho para a organização”, enfatiza. Até porque, como explica, “não é a quantidade de horas que importa mas sim a qualidade das horas que o funcionário trabalha”.

Crise faz aumentar interesse na troca de casas

por Lusa, publicado por Helena Tecedeiro, in Diário de Notícias

A crise está a alterar o cenário de férias em Portugal, com a introdução de novas definições como 'staycation' e o aumento da procura por formas diferentes e preferencialmente mais baratas.

Em resposta escrita, Craig Priestley, administrador da SE7EN, uma rede de voluntariado internacional, notou que desde o início da crise, em 2008, "muitas organizações de voluntários assistiram a um aumento de interessados".

"Às vezes deve-se ao facto das 'férias a trabalhar' serem mais baratas que as habituais, às vezes é porque o trabalho é difícil de encontrar nesse momento e as pessoas estão a reavaliar o que querem das suas vidas", afirmou à Lusa.

Na rede SE7EN não há dados de voluntários por nacionalidade, por isso o número de portugueses inscritos é desconhecido.

Além da opção de ficar na cidade em agosto, a crise tornou as férias em casa mais habituais em Portugal, como mostra o inquérito do Instituto de Turismo, no qual a maioria dos 47% que planeiam fazer férias durante o verão vão ficam nas suas residências.

José Manuel Simões, do Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa e doutorado em Turismo, indicou como definições recentes para este tipo de férias 'staycation' ou 'nearcation'.

Dos que devem fazer férias de verão, os destinos nacionais são cada vez os mais populares, segundo o mesmo inquérito.

Este turismo 'vá para fora cá dentro' nem é novidade, recordou o professor, adiantando a tradição francesa de caravanismo e o facto das viagens para o estrangeiro no centro da Europa serem feitas em automóvel.

Em Portugal, a 'West Coast Campers' garante uma oferta de auto-caravanas a um "preço altamente competitivo" através de veículos para três pessoas e que permitem fazer refeições, "relaxar e passar o dia em contacto com a natureza".

O aluguer inclui quilómetros ilimitados, seguro de danos próprios e assistência em viagem, além de uma diversificada gama de extras opcionais como pranchas de surf e Internet sem fios.

"Nos últimos anos, o turismo em autocaravana, conheceu um crescimento exponencial, afirmando-se como um importante segmento do turismo nacional e internacional", nota Ricardo Grijó, da empresa de aluguer.

O público da empresa tem sido a faixa etária entre os 21 aos 50 anos, do estrato sócio económico médio e médio-baixo, residente nas principais cidades do país e com gosto por viagens e aventura.

Entre os destinos preferidos estão a costa alentejana e o Algarve, o Norte (Gerês e Serra da Estrela) e o Alentejo (Barragem do Alqueva).

Na troca de casas, o aumento também é referido, como testemunha Jaime Veslaco-Astete, da Gabinohome.com.

"A troca de casas cresceu nos últimos anos e todos os dias entram mais anúncios, entre portugueses e o resto do mundo", garante.

A mesma perceção encontra-se no TrocaCasa.com, que regista um aumento de portugueses a aderirem ao conceito e apesar de ainda ser "prematuro" arriscar cálculos finais, António Batista, do site, indicou à Lusa uma subida de 20%.

"Em tempo de crise os membros procuram destinos mais próximos, neste caso Espanha e França", acrescentou a mesma fonte, explicando que as trocas ocorrem sobretudo durante o período das férias escolares.

"No entanto, os nossos membros viajam durante todo o ano porque muitos trocam as suas casas por questões profissionais, académicas, para ir a eventos, visitar familiares", resumiu.

6.3.12

Portugueses podem contar com 25 dias de férias em 2012

in Diário de Notícias

Os trabalhadores do setor privado que forem assíduos podem contar com o gozo de 25 dias de férias em 2012, esclareceu hoje a CGTP em comunicado.

Apesar de se prever que a proposta de eliminação da majoração de três dias de férias deve chegar este mês à Assembleia da República, esta só será aplicada no próximo ano.

Esta é uma das alterações à legislação laboral que o Governo vai implementar, no âmbito das mudanças no Código do Trabalho, e que resultam do acordo tripartido entre o Executivo, as confederações patronais e a UGT.

No próximo ano, à luz do acordo para o 'Compromisso, a Competitividade e o Emprego', e após a alteração ao código laboral, os portugueses deixarão de gozar 25 dias de férias, passando para 22, uma vez que é eliminada a majoração de três dias que era atribuída ao trabalhador pela assiduidade.

Este ano, segundo refere a CGTP, "os dias de majoração a que cada trabalhador tenha direito, integram o período de férias e têm de ser marcados juntos ao período de férias. Não são dias a gozar quando o empregador quiser".