Por Lusa, in DN
Idosos apresentavam sinais de "deficientes" cuidados de saúde e a maioria estava infetada com sarna.
Os idosos resgatados esta semana de um lar ilegal em Vila Franca de Xira apresentavam sinais de "deficientes" cuidados de saúde e a maioria estava infetada com sarna, confirmou à agência Lusa a Autoridade de Saúde Pública local.
Em causa está a retirada de 40 idosos, que decorreu entre terça e quarta-feira, de um lar ilegal que funcionava numa moradia na Quinta Nossa Senhora da Conceição, naquele concelho do distrito de Lisboa.
Numa resposta escrita enviada à Lusa, a Autoridade de Saúde Pública do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Estuário do Tejo dá conta de que 34 dos idosos resgatados apresentavam "lesões na pele provocadas por infestação por escabiose [vulgarmente conhecida por sarna] e percevejos", na sequência de "deficientes cuidados de saúde e higiossanitários".
"Todos os utentes se encontravam clinicamente estáveis na observação realizada pela Autoridade de Saúde, com apoio de dois médicos. Após avaliação clínica dos idosos, foram emitidas declarações médicas tanto para os utentes sintomáticos como para os utentes/contactos próximos assintomáticos, com recomendações terapêuticas e preventivas", indica esta entidade.
Nenhum dos utentes teve "necessidade de encaminhamento para cuidados hospitalares".
Na quarta-feira, também numa resposta à Lusa, fonte do Instituto da Segurança Social (ISS) explicou que determinou "o encerramento imediato" deste lar ilegal, na sequência de uma denúncia, e que participou o caso ao Ministério Público.
Nenhum dos utentes teve "necessidade de encaminhamento para cuidados hospitalares".
Na quarta-feira, também numa resposta à Lusa, fonte do Instituto da Segurança Social (ISS) explicou que determinou "o encerramento imediato" deste lar ilegal, na sequência de uma denúncia, e que participou o caso ao Ministério Público.
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28.8.20
IPSS salva 230 postos de trabalho com processo de revitalização inédito
Jorge Talixa, in Público on-line
Instituição que acumulou dívida de cinco milhões, mas vai manter postos de trabalho depois de ter visto aprovado “o primeiro Plano Especial de Revitalização do sector”, em Portugal, explica a direcção.
A Associação de Bem-Estar Infantil (ABEI) de Vila Franca de Xira é a primeira instituição particular de solidariedade social (IPSS) portuguesa a conseguir a aprovação de um Processo Especial de Revitalização (PER) que, ao abrigo da legislação, lhe vai permitir reestruturar serviços e sanear uma dívida que atingiu os cinco milhões de euros. O PER foi aprovado, esta semana, com 94 por cento de votos favoráveis dos cerca de 40 credores, entre os quais que se destacam várias entidades bancárias.
Fundada em Maio de 1975, a ABEI é uma das maiores instituições sociais do concelho de Vila Franca de Xira, com mais de 700 utentes em áreas tão distintas como o apoio à infância (creche e pré-escolar), acolhimento de crianças em risco e unidade de cuidados continuados (terceira-idade). Emprega cerca de 230 pessoas, mas atravessa, há mais de uma década, sérias dificuldades financeiras, que se agravaram nos últimos anos. A estratégia de crescimento, que levou à criação de sete equipamentos distintos, e a construção da sua unidade de cuidados continuados – e que obrigou a um investimento muito superior ao previsto devido às alterações legislativas – contribuiu para as dificuldades financeiras da ABEI.
Agora, a direcção da instituição realça a importância desta decisão tomada pela maioria dos credores, frisando que, com a aprovação deste plano de viabilização, a ABEI assume-se como “a primeira IPSS do país a usufruir do mecanismo de saneamento das suas dívidas através do PER - Processo Especial de Revitalização”. “Com uma dívida acumulada que ascende aos cinco milhões de euros, a ABEI recorreu a ferramentas normalmente utilizadas na gestão de empresas de topo para conseguir viabilizar o seu futuro, garantindo a continuidade da prestação dos serviços à comunidade e os postos de trabalho”, sublinham os seus responsáveis.
“Sabíamos desde o início que a situação não era fácil, por isso a encarámos com o realismo necessário, tomando medidas que permitissem desanuviar a situação económico-financeira a curto prazo e - a médio-longo prazo - dotar a instituição de uma gestão moderna e sustentável”, afirma Miguel Branco, presidente da direcção da ABEI desde Janeiro de 2019. “A responsabilidade é enorme, tendo em conta que mexe com a vida de muitas famílias, mas o potencial da ABEI e a qualidade do plano apresentado permitiram que este fosse aprovado. Conseguimos esta primeira vitória mantendo todos os colaboradores connosco”, salienta Miguel Branco. “É com a ajuda deles e de todas as famílias que confiam no nosso trabalho, que passamos à segunda etapa: pôr o plano em prática, tornando a ABEI sustentável para que respire vitalidade por muito mais décadas”, acrescenta.
Todo este processo de preparação e discussão do PER demorou cerca de ano e meio e o processo de revitalização recolheu um apoio largamente maioritário dos credores. Miguel Branco realça que “esta boa notícia”, alcançada numa fase particularmente difícil para as IPSS’s devido à pandemia, “chega a tempo de se poderem introduzir alterações ao modelo de gestão da instituição em função do que se prevê virem a ser as mudanças necessárias face à nova realidade provocada pela covid-19”.
Nesse sentido, o presidente da ABEI adianta que “o desafio passa também por alargar a resposta a mais famílias dentro da comunidade, nomeadamente com a prestação de novos serviços, alguns em parceria com a Câmara de Vila Franca de Xira (refeições escolares e prolongamentos – projecto “Escola a Tempo Inteiro”, etc)”.
A ABEI pretende, ainda, requalificar e rentabilizar alguns equipamentos que se encontram devolutos. “A ABEI passou por todo este processo sem realizar despedimentos, mantendo apertadas medidas de higiene e segurança quando do regresso das crianças à instituição após o desconfinamento e mantendo a Unidade de Saúde (Cuidados Continuados) isenta de qualquer caso de contaminação”, conclui Miguel Branco.
Instituição que acumulou dívida de cinco milhões, mas vai manter postos de trabalho depois de ter visto aprovado “o primeiro Plano Especial de Revitalização do sector”, em Portugal, explica a direcção.
A Associação de Bem-Estar Infantil (ABEI) de Vila Franca de Xira é a primeira instituição particular de solidariedade social (IPSS) portuguesa a conseguir a aprovação de um Processo Especial de Revitalização (PER) que, ao abrigo da legislação, lhe vai permitir reestruturar serviços e sanear uma dívida que atingiu os cinco milhões de euros. O PER foi aprovado, esta semana, com 94 por cento de votos favoráveis dos cerca de 40 credores, entre os quais que se destacam várias entidades bancárias.
Fundada em Maio de 1975, a ABEI é uma das maiores instituições sociais do concelho de Vila Franca de Xira, com mais de 700 utentes em áreas tão distintas como o apoio à infância (creche e pré-escolar), acolhimento de crianças em risco e unidade de cuidados continuados (terceira-idade). Emprega cerca de 230 pessoas, mas atravessa, há mais de uma década, sérias dificuldades financeiras, que se agravaram nos últimos anos. A estratégia de crescimento, que levou à criação de sete equipamentos distintos, e a construção da sua unidade de cuidados continuados – e que obrigou a um investimento muito superior ao previsto devido às alterações legislativas – contribuiu para as dificuldades financeiras da ABEI.
Agora, a direcção da instituição realça a importância desta decisão tomada pela maioria dos credores, frisando que, com a aprovação deste plano de viabilização, a ABEI assume-se como “a primeira IPSS do país a usufruir do mecanismo de saneamento das suas dívidas através do PER - Processo Especial de Revitalização”. “Com uma dívida acumulada que ascende aos cinco milhões de euros, a ABEI recorreu a ferramentas normalmente utilizadas na gestão de empresas de topo para conseguir viabilizar o seu futuro, garantindo a continuidade da prestação dos serviços à comunidade e os postos de trabalho”, sublinham os seus responsáveis.
“Sabíamos desde o início que a situação não era fácil, por isso a encarámos com o realismo necessário, tomando medidas que permitissem desanuviar a situação económico-financeira a curto prazo e - a médio-longo prazo - dotar a instituição de uma gestão moderna e sustentável”, afirma Miguel Branco, presidente da direcção da ABEI desde Janeiro de 2019. “A responsabilidade é enorme, tendo em conta que mexe com a vida de muitas famílias, mas o potencial da ABEI e a qualidade do plano apresentado permitiram que este fosse aprovado. Conseguimos esta primeira vitória mantendo todos os colaboradores connosco”, salienta Miguel Branco. “É com a ajuda deles e de todas as famílias que confiam no nosso trabalho, que passamos à segunda etapa: pôr o plano em prática, tornando a ABEI sustentável para que respire vitalidade por muito mais décadas”, acrescenta.
Todo este processo de preparação e discussão do PER demorou cerca de ano e meio e o processo de revitalização recolheu um apoio largamente maioritário dos credores. Miguel Branco realça que “esta boa notícia”, alcançada numa fase particularmente difícil para as IPSS’s devido à pandemia, “chega a tempo de se poderem introduzir alterações ao modelo de gestão da instituição em função do que se prevê virem a ser as mudanças necessárias face à nova realidade provocada pela covid-19”.
Nesse sentido, o presidente da ABEI adianta que “o desafio passa também por alargar a resposta a mais famílias dentro da comunidade, nomeadamente com a prestação de novos serviços, alguns em parceria com a Câmara de Vila Franca de Xira (refeições escolares e prolongamentos – projecto “Escola a Tempo Inteiro”, etc)”.
A ABEI pretende, ainda, requalificar e rentabilizar alguns equipamentos que se encontram devolutos. “A ABEI passou por todo este processo sem realizar despedimentos, mantendo apertadas medidas de higiene e segurança quando do regresso das crianças à instituição após o desconfinamento e mantendo a Unidade de Saúde (Cuidados Continuados) isenta de qualquer caso de contaminação”, conclui Miguel Branco.
10.3.16
Vila Franca de Xira prepara criação de rede territorial de apoio à vítima
In "O Mirante"
A pobreza, exclusão social e a violência doméstica continuam a ser os principais problemas identificados no diagnóstico social de Vila Franca de Xira, apresentado ao público na última semana durante um encontro da rede social daquele concelho.
A criação de uma rede territorial de apoio à vítima é, por isso, a prioridade, explica Alberto Mesquita, presidente do município. “As conclusões que o diagnóstico social nos apresenta agradam-nos mas temos de saber lidar com diversas problemáticas e saber adaptar-nos. Os maiores desafios são a emigração, acolhimento de pessoas que vêm viver para o concelho, problemas de habitação social e temos um nível de pobreza que, apesar de mais baixo do que a média do país, ainda é elevado. Temos muitos problemas de violência doméstica e isso é escandaloso e revoltante, é uma matéria em que estamos a trabalhar”, refere.
O autarca diz que é “decisivo” actuar rapidamente nas matérias da violência doméstica, para impedir que algumas situações “se transformem em homicídios”. O autarca salienta a necessidade de todas as associações e entidades do concelho trabalharem em rede para minorar algumas das dificuldades enumeradas no diagnóstico social, documento que vai servir de base para as decisões futuras da câmara e que permite traçar um quadro do tipo de concelho que é Vila Franca de Xira.
“Vamos implementar em breve o atendimento integrado, que vai permitir melhor rapidez de resposta e proximidade com maior eficácia às populações. E a criação de uma rede territorial de apoio à vítima. Estamos a trabalhar também na comissão municipal de apoio à deficiência para que possamos continuar a dar passos sólidos com vista a uma mudança. Esperamos que este diagnóstico social nos revele os caminhos a seguir”, explica.
O diagnóstico social, de mais de 150 páginas, além de reflectir diversas variáveis e dados estatísticos em áreas como a demografia, escolarização, empreendedorismo, criminalidade, habitabilidade, empregabilidade e outros, também as compara com os valores médios da Área Metropolitana de Lisboa (AML), permitindo aferir se Vila Franca de Xira está a superar, ou se está aquém, da média dos concelhos vizinhos.
Recorde-se que Vila Franca de Xira tem, desde 1998, uma rede social, que integra hoje cerca de 150 instituições do sector público e privado, cujos objectivos são o combate à pobreza e exclusão social, promovendo ao mesmo tempo o desenvolvimento local.
Rendas caras e desemprego sempre a subir
Entre os dados apresentados no documento destacam-se, por exemplo, o aumento da população residente no concelho em 10,76 por cento, entre 2001 e 2013. Um aumento superior à média da AML. Os dados mostram também que o peso da população que sai do concelho todos os dias para ir trabalhar para Lisboa é menor (30,70%) do que aquele que trabalha no concelho (46,41%), desmistificando a ideia de que o concelho é um dormitório da capital.
No que toca às rendas estas são mais caras do que a média da área metropolitana de Lisboa, com 46 por cento das casas a custarem mensalmente entre 200 e 500 euros de renda mensal. O desemprego é maior nas mulheres que nos homens, a população desempregada tem aumentado todos os anos (um crescimento anual superior à média da AML) e o ganho médio mensal da maioria da população ronda os 1097 euros.
A pobreza, exclusão social e a violência doméstica continuam a ser os principais problemas identificados no diagnóstico social de Vila Franca de Xira, apresentado ao público na última semana durante um encontro da rede social daquele concelho.
A criação de uma rede territorial de apoio à vítima é, por isso, a prioridade, explica Alberto Mesquita, presidente do município. “As conclusões que o diagnóstico social nos apresenta agradam-nos mas temos de saber lidar com diversas problemáticas e saber adaptar-nos. Os maiores desafios são a emigração, acolhimento de pessoas que vêm viver para o concelho, problemas de habitação social e temos um nível de pobreza que, apesar de mais baixo do que a média do país, ainda é elevado. Temos muitos problemas de violência doméstica e isso é escandaloso e revoltante, é uma matéria em que estamos a trabalhar”, refere.
O autarca diz que é “decisivo” actuar rapidamente nas matérias da violência doméstica, para impedir que algumas situações “se transformem em homicídios”. O autarca salienta a necessidade de todas as associações e entidades do concelho trabalharem em rede para minorar algumas das dificuldades enumeradas no diagnóstico social, documento que vai servir de base para as decisões futuras da câmara e que permite traçar um quadro do tipo de concelho que é Vila Franca de Xira.
“Vamos implementar em breve o atendimento integrado, que vai permitir melhor rapidez de resposta e proximidade com maior eficácia às populações. E a criação de uma rede territorial de apoio à vítima. Estamos a trabalhar também na comissão municipal de apoio à deficiência para que possamos continuar a dar passos sólidos com vista a uma mudança. Esperamos que este diagnóstico social nos revele os caminhos a seguir”, explica.
O diagnóstico social, de mais de 150 páginas, além de reflectir diversas variáveis e dados estatísticos em áreas como a demografia, escolarização, empreendedorismo, criminalidade, habitabilidade, empregabilidade e outros, também as compara com os valores médios da Área Metropolitana de Lisboa (AML), permitindo aferir se Vila Franca de Xira está a superar, ou se está aquém, da média dos concelhos vizinhos.
Recorde-se que Vila Franca de Xira tem, desde 1998, uma rede social, que integra hoje cerca de 150 instituições do sector público e privado, cujos objectivos são o combate à pobreza e exclusão social, promovendo ao mesmo tempo o desenvolvimento local.
Rendas caras e desemprego sempre a subir
Entre os dados apresentados no documento destacam-se, por exemplo, o aumento da população residente no concelho em 10,76 por cento, entre 2001 e 2013. Um aumento superior à média da AML. Os dados mostram também que o peso da população que sai do concelho todos os dias para ir trabalhar para Lisboa é menor (30,70%) do que aquele que trabalha no concelho (46,41%), desmistificando a ideia de que o concelho é um dormitório da capital.
No que toca às rendas estas são mais caras do que a média da área metropolitana de Lisboa, com 46 por cento das casas a custarem mensalmente entre 200 e 500 euros de renda mensal. O desemprego é maior nas mulheres que nos homens, a população desempregada tem aumentado todos os anos (um crescimento anual superior à média da AML) e o ganho médio mensal da maioria da população ronda os 1097 euros.
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