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5.7.22

AgitÁgueda 2022 garante 23 dias de muita diversão. Programa arranca este sábado

in Aveiro Mag

Está quase a começar o AgitÁgueda 2022 (de 2 a 24 de julho), com uma programação ambiciosa, que traz grandes nomes da música nacional e internacional, dirigido a vários tipos de públicos, para além de todo um conjunto de animação de rua (como o Carnaval Fora d’Horas, o Color Day, o Mad Parade, Videomapping), a Feira de Artesanato, as Estátuas Vivas, a arte urbana, sem esquecer as atividades desportivas e lúdicas, bem como a instalação dos guarda-chuvas coloridos, a imagem de marca de Águeda. Uma das grandes novidades este ano é a colocação de uma piscina fluvial.

“A irreverência e a capacidade de surpreender está no ADN deste festival que nos orgulha a todos”, disse Jorge Almeida, presidente da Câmara Municipal de Águeda, durante a apresentação do evento, no Centro de Artes de Águeda. Lembrando os números do impacto económico – que aponta para um retorno de mais de 8 milhões de euros –, o edil declara que “o saldo é francamente positivo”, a que acresce “o papel que o AgitÁgueda tem na transformação da imagem da cidade, reconhecida internacionalmente e profusamente copiada em todo o mundo”.

Celebra-se, em 2022, dez anos de criação da instalação urbana dos guarda-chuvas. Para além da Rua Luís da Camões, apontada por diversos organismos e media internacionais de referência como “uma das ruas mais bonitas do mundo”, são várias as ruas, tanto na parte “alta” como “baixa” da cidade, que recebem estas instalações, que incluem outras formas artísticas de decoração dos “céus” da cidade.

Na área musical, a par dos grandes nomes nacionais e internacionais (como Pedro Abrunhosa, Rui Veloso, Guano Apes e Alphaville), o AgitÁgueda aposta na promoção de bandas emergentes que têm “aqui um palco para atuar e se afirmar no panorama musical nacional”, apresentando um cartaz que promete “grandes espetáculos e aquecer ainda mais as noites de verão”.

Uma das novidades este ano é a piscina fluvial, que vai estar disponível nos meses de julho e agosto, sendo esta uma das iniciativas relacionadas com a fruição do rio, a que se junta a disponibilização de diversos equipamentos, como gaivotas e canoas, entre outros.

De referir que o AgitÁgueda é um evento inclusivo, promovendo a facilidade de acesso para as pessoas com mobilidade reduzida e mantendo, à imagem do que tem acontecido nos últimos anos, a tradução de alguns concertos em Língua Gestual Portuguesa.

Toda a programação do festival inicia a 1 de julho, com a Silent Party, terminado no dia 24 com o espetáculo dos Insert Coin. Pelo meio, são 23 dias de muita diversão, arte e cultura (nas suas mais diversas expressões), bodypainting, animação de rua, desporto, turismo, artesanato e gastronomia.

13.6.22

Reportagem: Aldeia social combate a solidão e estimula a autonomia dos seniores

in Rádio Sintonia

Em Águeda, mais concretamente em Mourisca do Vouga, a associação “Os Pioneiros” distingue-se pela inovação que tem introduzido no setor social. O projeto ‘Casinhas Autónomas’, com mais de uma década de existência, permite aos seniores viverem numa espécie de “aldeia social”, estimulando a autonomia e combatendo a solidão.

23.7.21

Aldeia das Tipuanas. Toda a liberdade que um lar tradicional não dá

Liliana Carona, in RR

Dezoito idosos vivem de forma completamente autónoma, com apoio de retaguarda, na Aldeia das Tipuanas, um projeto social e inclusivo da Associação “Os Pioneiros” de Mourisca do Vouga, concelho de Águeda. Em vésperas de se assinalar o primeiro Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, a Renascença foi conhecer um projeto diferente.
À entrada da Aldeia das Tipuanas, uma árvore de crescimento rápido dos climas tropicais que deu nome àquele lugar de liberdade e de idosos independentes, dentro das limitações de cada um.

Para Silvério Miranda, de 62 anos, o sabor da liberdade é feito de pequenas coisas, como poder ouvir música alto e bom som. É ele também o responsável pelos moinhos que abundam no local, feitos de embalagens que iriam para o lixo. “Até ver não tenho razão de queixa, tenho sempre o rádio ligado até às 4h00 da manhã”, diz com um sorriso estampado no rosto.

O projeto das casinhas autónomas, desenvolvido pela Associação “Os Pioneiros”, surgiu há cerca de oito anos. Alexandra Alves, 48 anos, é a diretora técnica da associação fundada em 1986 e que presta apoio à terceira idade com um centro de convívio, centro de dia, serviço de apoio domiciliário, lar e a aldeia sénior (casinhas autónomas).

“Parece uma aldeia em ponto pequenino, onde se criam todas as dinâmicas de uma aldeia normal, as redes de vizinhança”, diz Alexandra Alves, enquanto aponta para as dez moradias, todas ocupadas e com lista de espera.

“Há muita procura porque, cada vez mais, a saída dos mais novos para o litoral deixa as zonas interiores vazias e as pessoas de idade, mas com alguma autonomia e com capacidade de decidir sobre o seu dia a dia, começam a sofrer de solidão e aqui estão autónomas, mas têm um apoio de retaguarda”, observa a diretora técnica.

“Como vimos, um utente vai de chave na mão, vai sair de carro. Tem autonomia para decidir o seu dia a e a sua rotina, mas contam com uma estrutura de retaguarda, enquanto que nos lares que nós conhecemos não estariam integrados, os nossos lares, são cada vez mais uma estrutura muito semelhante a uma unidade de cuidados paliativos, continuados”, lamenta a responsável.

Preços variam conforme os rendimentos

A resposta das casinhas não tem qualquer tipo de acordo com a Segurança Social, funciona unicamente às custas da associação, onde, sublinha Alexandra Alves, “calculam-se as rendas das casas em função dos rendimentos das pessoas que para cá vêm, de forma a ser uma aldeia inclusiva, com preços que rondam entre os 120 e os 800 euros, dependendo se querem partilhar casa ou não. Pode estar um casal, duas mulheres ou só uma pessoa”, explica.

Henrique Almeida, 81 anos, vai sair de carro. Desde o dia 15 de janeiro que o antigo operário fabril vive na Aldeia das Tipuanas.

“Para já, este é dos melhores lares que há, acho que não há outro igual”, comenta. Independentes, mas com apoio de retaguarda. Susana Tomás, 43 anos, técnica de serviço social e coordenadora das casinhas autónomas, não perde de vista os 18 utentes.

“Alguns precisam de apoio na alimentação, na higiene da casa, na própria higiene, eles contratualizam o tipo de serviço que precisam, o tratamento da roupa por exemplo, há senhoras que querem tratar da roupa delas, ou fazer a própria comida”, esclarece Susana, acrescentando que o projeto “é uma continuidade da sua anterior casa, permite-lhes fazer uma transferência de uma forma suave”, defende.

Ali, numa espécie de pequena aldeia, não falta piscina nem jardins verdejantes. António Alves, um soldador metalúrgico de 82 anos, encontrou há oito anos o ambiente perfeito para dar asas à criatividade.

“Faço quadros para pendurar na parede, com cápsulas de café, cortiça, tenho mais de 500 feitos e também crucifixos, tenho os trabalhos todos no tablet”, mostra, enaltecendo o apoio prestado na aldeia.

“Faz de conta que estamos em nossa casa, estamos completamente independentes. Toda a liberdade, quando preciso de alguma coisa, peço, desde cortiça, bogalhos, arame”, conclui António, na varanda de uma casinha ladrilhada, a trabalhar em mais uma peça de arte.

Na casinha ao lado está a vizinha Georgina Bastos, 78 anos. A costureira tem saudades de casa, mas sabe que ali tem todo o apoio de que precisa.

“O meu filho não me deixa estar sozinha em casa, diz que é perigoso, mas esta casa é limpinha, praticamente nova, e temos de nos adaptar. É jeitosinha pronto, tem o lavatório, casa de banho completa, temos o que é indispensável para viver”, considera Georgina.

Os preços por casinha rondam entre os 120 e os 800 euros, conforme o rendimento dos moradores, mas com a garantia de terem uma casa portuguesa e com ginástica ao ar livre, ao som da Amália Rodrigues.

26.4.21

Vale Domingos: a aldeia que é cada vez mais a capital das magnólias. E da inclusão

Maria José Santana (texto) e Adriano Miranda (fotografia), in Público on-line

O parque botânico criado pela comunidade acaba de ganhar um centro interpretativo e tem planos para crescer. Tanto quanto o orgulho daqueles que ajudaram a transformar a aldeia num exemplo de inovação social.

Quem hoje chega à aldeia de Vale Domingos, em Águeda, terá dificuldade em acreditar na história recente do lugar. O jardim está impecavelmente cuidado, ciganos e não ciganos convivem e trabalham como iguais, orgulhosos daquele canto que é de todos. Ninguém diria que, há não muitos anos, aquele lugar era conhecido pelos piores motivos – o nome da terra era associado a alguma criminalidade. A partir de 2015, Vale Domingos transformou-se por completo, por conta de um projecto que é bonito por dentro e por fora. A população uniu-se para transformar um baldio num parque botânico. Mais do que a recuperação ambiental, conseguiu-se criar um verdadeiro espírito de comunidade, numa aldeia em que cerca de um terço dos seus habitantes são de etnia cigana. Tanto assim é que o projecto não pára de crescer e de ganhar novas ramificações.

Poucos dias depois de ter inaugurado o Centro Interpretativo do parque que tem uma das maiores colecções de magnólias do mundo, Ricardo Pereira, presidente da Associação Cultural e Recreativa de Vale Domingos já está a pensar no próximo passo. “Temos aqui 1,1 hectares de área, com o jardim, parque de merendas e parque infantil, e estamos na iminência de ampliar para o dobro”, anuncia o dirigente. Em simultâneo, estão também a construir, noutro ponto da aldeia, um Parque da Sustentabilidade. “Já andámos a arrancar as invasoras e agora, estamos plantar carvalhos, sobreiros e outras árvores da nossa floresta”, desvenda, ainda, Ricardo Pereira.

Este empresário de 38 anos foi um dos filhos da terra que há sete anos esteve na génese do projecto que hoje é uma referência nacional de inclusão social. “A aldeia não tinha a credibilidade suficiente para haver aqui investimento; o que se fizesse era para ser vandalizado”, recorda Ricardo Pereira. A comunidade optou por ser ela própria a construir, mostrando que era capaz. “Os habitantes deram a mão-de-obra e a junta de freguesia cedeu a maquinaria”, prossegue, a propósito da missão para a qual contou com uma grande ajuda. Júlio Oliveira, de 63 anos, patriarca de uma das duas comunidades ciganas de Vale Domingos, não hesitou em abraçar o projecto que cedo percebeu que iria ajudar os seus, conforme faz questão de notar.

Começava aí um capítulo novo na história da aldeia. Vale Domingos ficou mais airosa, os seus habitantes tornaram-se verdadeiros guardiões do espaço público - cuidando de cada “sinal ou árvore que apareciam derrubados” – e, sempre que é preciso ir trabalhar para o terreno, “já não se fazem grupinhos”. “É tudo como uma família”, assegura Júlio Oliveira, minutos antes de confessar que já não passa sem o “seu” parque.

Campeões dos orçamentos participativos

O nome da aldeia de Vale Domingos tem-se feito notar nos vários Orçamentos Participativos de Portugal e também nos municipais. “Somos os recordistas das participações e ganhamos todos”, repara, com orgulho, Ricardo Pereira. O projecto do parque botânico foi o primeiro a merecer honras de destaque, mas as candidaturas não têm parado. Nem vão parar. “Vamos transformar isto numa aldeia turística. Vale Domingos, que era uma terra onde as pessoas tinham medo de trazer o carro com receio que o assaltassem, hoje é a aldeia capital das magnólias e tem uma das maiores colecções de áceres”, vinca o presidente da Associação Cultural e Recreativa da aldeia.

O foco passa por ter ali “a maior colecção de magnólias do mundo”. “Para já é a quarta ou a quinta, mas vamos ser a maior”, antecipa Ricardo Pereira, assegurando que a “magnolomania” se estenderá para além do parque. Querem contagiar toda a aldeia, decorando cada jardim, cada rotunda, com aquelas plantas exóticas. Porquê esta espécie em particular? “Percebemos que havia 300 e tal variedades diferentes e que dava para ter um parque muito colorido”, justificam.

Neste momento, o objectivo passa por adquirir “as cerca de 30 variedades” que faltam para alcançar o título de “maior colecção de magnólias do mundo”, a par com a já referida expansão do parque. Outro projecto já delineado passa pela criação de uma escola de ciclismo onde “as crianças do quarto ano de escolaridade podem ir tirar um certificado para andar de bicicleta”, desvenda Ricardo Pereira. Noutro âmbito, mas também já devidamente idealizado e orçamentado, surge o projecto da “Feira das Lambarices” – que foi o mais votado no Orçamento Participativo de Portugal 2018. “Vai acontecer em Setembro, em Águeda, e contará com toda a doçaria nacional”, revela.

Em simultâneo, a associação que começou por ser apenas um grupo folclórico – em vez de criar uma nova entidade, os promotores da ideia do parque botânico decidiram juntar-se a um organismo já existente –, está também a trabalhar, em apoio com a Câmara Municipal de Águeda, a mediação intercultural. Além de acompanhar a integração da comunidade de Vale Domingos no mercado de trabalho, incentivam as crianças e jovens no seu percurso escolar e profissional, combatendo o abandono escolar, o absentismo e a falta de objectivos de vida.


19.10.20

CÂMARA DE ÁGUEDA APOIA ASSOCIAÇÃO VALE DOMINGOS PARA CRIAÇÃO DA ALDEIA DA INOVAÇÃO SOCIAL

 in Smart Cities Network

A Câmara Municipal de Águeda formalizou, esta terça-feira, um protocolo com a Associação Cultural e Recreativa (ACR) de Vale Domingos para criação e dinamização da Aldeia da Inovação Social, no Parque Botânico de Vale Domingos.

Este projeto, co-financiado no âmbito do instrumento “Parcerias para o Impacto” (do Programa Operacional Inclusão Social e Emprego), através de uma candidatura que pressupunha que a Autarquia se assumiria como investidor social, prevê dar resposta ao problema social do aumento exponencial dos comportamentos de risco dos jovens, sobretudo no que respeita a vandalismo, criminalidade e toxicodependência, em Vale Domingos.

O apoio por parte da Câmara de Águeda vai traduzir-se num incentivo financeiro de 79.500 euros, que representa 30% do valor total aprovado na candidatura para o projeto (265.000 euros).

É objetivo da associação transformar Vale Domingos num ponto de referência e de atração turística do Concelho de Águeda, através da concretização deste movimento de intervenção de cariz comunitário e inclusivo. Com a transformação deste local, combatendo o estigma social associado às comunidades ciganas, pretende-se tornar este projeto numa referência geradora de impactos sociais claros e potenciadora da alteração de comportamentos sociais, que possa ser replicado no resto do país.

Entre as atividades a realizar está a mediação intercultural, que prevê a criação de um diálogo com os empresários e acompanhamento da comunidade de Vale Domingos no mercado de trabalho, para além de incentivar as crianças e jovens no seu percurso escolar e profissional, combatendo o abandono escolar, o absentismo e a falta de objetivos de vida (jovens que não trabalham, não estudam, nem frequentam qualquer formação).

Faz ainda parte deste projeto a promoção de ações de capacitação e formação para a população local, como ateliers de costura, de jardinagem, de agricultura, entre outros, que permitam o ocupação e crescimento pessoal e profissional da comunidade.
MUDAR A IMAGEM E TRANSFORMAR LOCAL EM PONTO TURÍSTICO

“Este apoio é o reconhecimento, em primeiro lugar, da relevância do projeto que a Associação Cultural e Recreativa de Vale Domingos apresentou, bem como do trabalho que esta coletividade tem realizado em prol da comunidade local e regional, eliminando os estigmas associados àquela zona do concelho”, referiu Jorge Almeida, Presidente da Câmara Municipal de Águeda, apoiando a mudança de paradigma que está agregado a este projeto que catapulta Águeda como uma referência de integração e inclusão sociais.

“Queremos mudar a imagem da aldeia”, referiu Ricardo Pereira, Presidente da Direção da ACR de Vale Domingos, salientando que tem sido feito um “trabalho muito árduo” para alterar hábitos e a imagem que as pessoas tinham do local, constatando, “com alegria, que a Câmara de Águeda tem estado sempre ao nosso lado, apoiando os nossos projetos”.

“Sem a colaboração e participação da Câmara não seria possível” realizar esta tarefa de transformar a aldeia de Vale Domingos num “modelo de integração social”.

Refira-se que a ACR de Vale Domingos é composta por elementos da comunidade cigana e por elementos não ciganos, particularmente daquela localidade do Concelho de Águeda, promovendo a inclusão e integração sociais.

O Parque Botânico de Vale Domingos é uma Iniciativa de Inovação e Empreendedorismo Social (IIES) nascida com a intenção de dar resposta ao problema do aumento dos comportamentos de risco das comunidades daquela localidade, através da realização de ações que visem transformar uma zona considerada problemática num local de envolvimento social, de atração e valorização do concelho.

Este parque, antes da sua reestruturação, era um terreno ao abandono e local de consumos de droga e de violência; agora, apresenta uma nova imagem associada à comunidade de Vale Domingos. Neste sentido, o projeto da Aldeia de Inovação Social representa o crescimento e expansão de um projeto local, transformando-o numa ação global e num modelo de intervenção inclusiva mais abrangente.







O texto acima é da responsabilidade da entidade em questão, com as devidas adaptações.